CENTRO APOLOGÉTICO CRISTÃO DE PESQUISAS - CACP

 


 

 

O SANTUÁRIO, O JUÍZO INVESTIGATIVO, E O  BODE EMISSÁRIO

 

 por  Walter Martin

 

A base do Adventismo do Sétimo Dia é o seu ponto de vista de profecia que é a escola de interpretação histórica, uma escola que sustenta que profecia deve ser entendida à luz do cumprimento consecutivo na história. O exagero dessa idéia levou William Miller e seus seguidores a ensinar que os 2300 dias de Daniel 8:14 eram realmente 2300 anos.  Compreendendo desde 457 a.C, o tempo do decreto para reconstruir Jerusalém (Dn 9.24), os Mileritas pensavam que 1843 seria a data para a Segunda Vinda de Jesus Cristo.  Miller e seus seguidores, entre os quais estavam James e Ellen G. White, e outros proeminentes Adventistas do Sétimo Dia, entendiam o “santuário” de Daniel 8.14 como sendo a terra que seria purificada por Cristo no “grande e terrível Dia do Senhor”, que interpretavam como a Segunda Vinda de Cristo.  Temos visto, contudo, que os Mileritas foram amargamente desapontados; e quando Cristo não apareceu, o próprio Miller renunciou o sistema e todos os movimentos resultantes, incluindo o Adventismo do Sétimo Dia.  Porém, os primeiros Adventistas do Sétimo Dia, confiando na “visão” do Elder Hiram Edson, transferiram o local do santuário da terra para o céu, e ensinaram que em 1844 Cristo foi, em vez disso, ao segundo compartimento do santuário no céu (o que os Adventistas do Sétimo Dia contemporâneos chamam a Segunda fase do seu ministério), para ali, examinar os casos daqueles julgados serem dignos da vida eterna.  Essa fase do ministério do nosso Senhor, os Adventistas do Sétimo Dia chamam o “juízo investigativo”.  É um tipo único de teoria Arminiana intencionado, acredito, para disciplinar os cristãos pela ameaça de juízo e condenação iminente àqueles cujos casos são decididos desfavoravelmente pelo nosso Senhor. Quando concluído, o juízo investigativo conduzirá à Segunda Vinda de Jesus Cristo, segundo a teologia Adventista do Sétimo Dia, e o diabo, prefigurado pelo segundo bode ou, o bode emissário de Levíticos 16 (Azazel), arcará com a eterna destruição ou aniquilação pela sua responsabilidade em ter causado a entrada do pecado no universo.  James White, um líder leal Adventista do Sétimo Dia, quando primeiro confrontado com a doutrina do Juízo Investigativo, opôs-se à mesma in toto, dando em essência  muitos argumentos apresentados por todos os ex-Adventistas  do Sétimo Dia posteriores.  E foi após considerável tempo que James White finalmente concordou com a doutrina do juízo investigativo.  Há muitos críticos do Adventismo do Sétimo Dia que, quando se aproximam dos conceitos do Santuário, Juízo Investigativo  e Bode Emissário, ridicularizam e zombam dos pioneiros Adventistas e de seus descendentes pela aceitação de tais teorias infundadas e extra-bíblicos, mas escárnio não é a resposta, e deveria ser relembrado que os Adventistas mantêm essas doutrinas em sinceridade. Portanto, se têm que ser persuadidos da natureza do seu engano, nessas áreas pelo menos, somente os fatos da Escritura e a orientação do Espírito Santo de Deus o fará.

A visão de Hiram Edson, descrito no capítulo um, é, até aqui, à medida que diz respeito a esse escritor, uma tentativa para escapar da terrível calamidade que desabou sobre o movimento Milerita, e o desapontamento e embarassamento que deve  ter seguido ao fracasso das profecias Mileritas e das interpretações deles do livro de Daniel.  Nós nos limitaremos nesse capítulo, aos pontos salientes dos temas teológicos surgidos por esses ensinos especiais ou doutrinas da mensagem do advento.  No assunto de interpretação profética, esse escritor está convencido que o Espírito Santo tem realmente ocultado dos inquiridores e dos intelectos dos homens verdades importantes que, sem dúvida, serão reveladas perto do tempo do fim dos tempos.  Não é para nós julgarmos se as escolas de interpretação preterista, historicista ou futurista são corretas, e não deveríamos nos preocupar excessivamente se Cristo vem, antes, durante ou após a Grande Tribulação.  Pelo contrário, deveríamos estar preocupados apenas com a sua vinda, pois ela é certamente “a abençoada esperança” da Igreja Cristã (Tt 2.13), cuja esperança  tanto Adventistas quanto não-adventistas  que compartilham a fé cristã, antecipam com alegria.

 

O SANTUÁRIO

 

Desde que, os Adventistas acreditam que o santuário a ser purificado está no céu (Daniel 8.14), o qual os Mileritas identificavam como a terra (um erro anterior lamentável), devemos perguntar: Qual é o propósito do santuário celestial e sua purificação ?  Quais são realmente os ensinos Adventistas?

O livro de Hebreus definitivamente aponta para um “santuário celestial” do qual Cristo é o ministro (Hb 8.1,2), e o escritor da epístola repetidamente contrasta o Senhor Jesus Cristo, nosso ressuscitado Sumo Sacerdote, com o sacerdócio Aarônico. Mostra que, Cristo deriva sua autoridade segundo o poder de “vida indissolúvel” (Hb 7.16) e que Ele foi tanto Sumo Sacerdote quanto oferta no Calvário.  E isso os Adventistas também enfatizam.

É fútil, portanto, discutir que a palavra “santuário” não aplica-se ao céu ou algo de natureza celestial, desde  que, as Escrituras ensinam. Porém, o erro dos Adventistas é retirar das Escrituras interpretações que não podem ser comprovadas pela exegese, mas apóia-se em grande parte por inferência e dedução, retiradas de aplicações teológicas da própria vontade deles.

No seu ensino do Santuário, os Adventistas na verdade declaram nas palavras de Ellen G. White: “Como antigamente eram os pecados do povo colocados, pela fé, sobre a oferta pelo pecado, e, mediante o sangue dessa, transferidos simbolicamente para o santuário terrestre, assim em o novo concerto, os pecados dos que se arrependem são pela fé colocados sobre Cristo e transferidos, de fato, para o santuário celeste. E como a purificação típica do santuário terrestre se efetuava mediante a remoção pelos quais se poluíra, igualmente a purificação real do santuário celeste deve efetuar-se pela remoção, ou cancelamento, dos pecados que ali estão registrados”. 

Aqui temos o centro doutrinário do ensino Adventista do Sétimo Dia concernente à expiação do pecado, a qual é, que os pecados dos crentes têm sido transferidos, depositados ou registrados no santuário celestial, e agora estão sendo tratados no Juízo Investigativo.

Vamos novamente ouvir a Sra. White: “Nas ofertas para o pecado apresentado durante o ano, havia sido aceito um substituto em lugar do pecador; mas o sangue da vítima não fizera completa expiação pelo pecado. Apenas provera o meio pelo qual este fora transferido para o santuário. Pela oferta do sangue, o pecador reconhecia a autoridade da lei, confessava a culpa de sua transgressão, e expremia sua fé naquele que tiraria o pecado do mundo; mas não estava inteiramente livre da condenação da lei. No dia da expiação o sumo sacerdote, havendo tomado uma oferta pela congregação, ia ao lugar santíssimo com sangue e o aspergia  sobre o propiciatório, em cima das tábuas da lei.  Assim se satisfaziam os reclamos da lei que exigia a vida do pecador. Então, em seu caráter de mediador, o sacerdote tomava sobre si os pecados e, saindo do santuário, levava consigo o fardo das culpas de Israel.  À porta do tabernáculo colocava as mãos sobre a cabeça do bode emissário e confessava sobre ele todas as iniqüidades dos filhos de Israel, e todas as suas transgressões, segundo todos os seus pecados, pondo-os sobre a cabeça do bode.  E, assim como o bode que levava esses pecados era enviado para longe dali, tais pecados, juntamente com o bode, eram considerados separados do povo para sempre.”

A Sra. White, além disso, declarou: “Antes que o bode tivesse dessa maneira sido enviado näo se considerava o povo livre do fardo de seus pecados”. 

O ensino Adventista, então, é que Cristo como nosso sumo sacerdote transferiu os pecados dos crentes (i.e., o registro dos pecados no pensamento Adventista) para o santuário celestial, o qual, será finalmente purificado no final do grande dia da expiação, o juízo investigativo tendo sido concluído.  Então, os casos de todos os justos havendo sido decididos, seus pecados serão cancelados, seguindo-se à volta do Senhor Jesus Cristo em glória.  A Sra. White esclareceu que o pecado transferido para o santuário no céu permanecia lá até o término do juízo investigativo e a subseqüente purificação do santuário: “O sangue de Cristo, ao mesmo tempo em que livraria da condenação da lei o pecador arrependido, não cancelaria o pecado; esse ficaria registrado no santuário até a expiação final; assim, no serviço típico, o sangue da oferta pelo pecado removia do penitente o pecado, mas este permanecia no santuário até ao dia da expiação”. Para comprovar essa posição particular, os Adventistas citam Atos 3.19 na tradução de João Ferreira de Almeida, Revista e Corrigida: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham os tempos do refrigério pela presença do Senhor”.

A principal dificuldade com o argumento Adventista é que no Grego, Atos 3.19,20 não comprova o ensino deles de que o cancelamento dos nossos pecados ocorrerá como um evento separado do perdão dos pecados. Segundo as modernas traduções (Almeida, NVI, etc.), o texto deveria ler: “Arrependam-se, pois, e voltem-se para Deus, para que os seus pecados sejam cancelados, para que venham tempos de descanso da parte do Senhor”. Pedro estava advertindo seus ouvintes a arrependerem-se, a converterem-se de seus pecados, para receberem o perdão que vem da presença do Senhor.  Esse texto não dá apoio aos Adventistas para o ensino deles do “Santuário celestial e juízo investigativo”.