CENTRO
APOLOGÉTICO
CRISTÃO
DE
PESQUISAS
- CACP
RACIOCINE: MARIA, MÃE DO FILHO DE DEUS?
por Paulo Cristiano da Silva
Novamente o padre pop star Marcelo Rossi, está de volta às telinhas. Desta vez não
como cantor, mas como ator. Ele faz parte do elenco do filme “Maria, Mãe do
Filho de Deus”que estreou nacionalmente nos cinemas em 10/10/03.
Apesar
do título deste filme ser um tanto amenizador, não deixa de trazer à baile
uma antiga polêmica entre católicos e protestantes, qual seja: Maria é a mãe de Deus ou
apenas mãe de Jesus homem?
De
um lado a teologia católica argumenta em prol de sua tese o seguinte pressuposto:
Agarra-se ainda na tradição da igreja e na
devoção popular. Silogismos
e Erros de Raciocínio
Como
bem sabe qualquer estudante de teologia, este é um silogismo válido no campo da
lógica. Todavia, é bom saber que existem vários tipos de silogismos.
Existem
silogismos cujas premissas são verdadeiras e as conclusões
também. Eis um deles:
Deus
não pode errar.
A
Bíblias é a Palavra de Deus.
Portanto, a Bíblia está isenta de erros.
Se as
premissas são verdadeiras as conclusões também o serão.
Por
outro lado, existem também, silogismos cujas premissas são verdadeiras, mas as
conclusões falsas. Eis um exemplo:
Jesus
era um ser humano.
Os
seres humanos pecam.
Logo,
Jesus pecou.
Todo
estudante de lógica saberia que esta premissa apesar de ser válida não é
verdadeira. A Pessoa erra raciocinando
mal
com dados
corretos.
Quando
o silogismo leva a pessoa ao erro dizemos que tal processo se transformou em um
sofisma.
O sofisma tem como objetivo induzir a audiência ao engano, o raciocínio
falacioso decorre de uma falha de quem argumenta.
O erro pode, portanto, resultar
de um vício de forma -
raciocinar mal com dados
corretos - ou de
matéria - raciocinar
bem com dados
falsos.
Para
sabermos se as conclusões de uma premissa teológica são verdadeiras ou não,
devemos analisar todo o seu silogismo através da Bíblia Sagrada. Ela irá mostrar
onde a lógica se perde ou se confirma.
Raciocinando com as Escrituras
Será que o silogismo católico
quanto a Maria ser a Mãe de Deus procede?
Maria é mãe de Jesus
Jesus é Deus
Logo, Maria é mãe de Deus
Terá ele apoio bíblico como
confirmação? Observe logo abaixo porque esta resposta tem de ser respondida na
negativa.
Primeiro, falta prova escriturística. A Bíblia
nunca menciona Maria como a Mãe de Deus, mas sempre como “Mãe de Jesus”
meter ton Iesous. Se tal doutrina fosse algo desembaraçado e fácil de
constatar como alegam os católicos é claro que nenhum dos evangelistas e
apóstolos deixariam de mencionar este pormenor nas escrituras. Eles deixariam explícito que
Maria é Mãe de Deus. Mas não foi este o caso. Maria deve ser corretamente
chamada, assim como mostra a Bíblia, de “Mãe de Jesus” João 2.1-3 - 19.25;
Atos 1.14. Esse título Mãe de Deus nasceu numa confusão teológica no
ano 431 ou seja, no 4º século, ou 3 séculos após a morte do último apóstolo como
veremos mais adiante.
Demais disso, Jesus é o nome humano da 2ª pessoa da Trindade, aliás, este
nome, tudo indica, será mudado conforme Ap. 3.12.
Segundo, Falta unânime prova histórica nos
escritos primitivos: Nenhum pai da igreja anterior ao século II jamais se
referiu a Maria com essa conotação distintivamente católica. Há aqueles que defendiam a perpétua
virgindade de Maria, por influencias extrabíblicas, mas não todos...
Terceiro, falta prova lógica. Maria apenas foi
um receptáculo para o corpo humano de Jesus. Não se pode provar que a semente
vinda de Deus fecundou o óvulo de Maria. Isso são apenas conjecturas sem provas.
Assim como tudo foi um milagre em sua concepção, Jesus também poderia ter sido
preservado sem ter que se alimentar durante a vida uterina.
O Concílio de Éfeso
Um dos motivos desse entendimento
católico se dá devido à interpretação incorreta do título Theotókos (mãe de
Deus) dado a Maria. No Evangelho de João 2.1-2, diz: mãe de Jesus,
que na língua grega como já vimos é meter ton Iesous. O título Mãe de
Deus do grego Theotókos, foi dado a Maria no Concílio de Éfeso, em
431 a.C.
O concílio foi aberto irregularmente por Cirilo e Menom de
Éfeso,
sob os protestos de Nestório.
A finalidade de Cirilo era combater as concepções nestorianas sobre a Pessoa de
Cristo. concepções que salientavam duas hipóstases
na Pessoa de Cristo. praticamente levando à idéia de duas pessoas em Cristo. Por
isso, querendo salientar a unidade divina/humana da Pessoa de Cristo. Cirilo
falou em
Theotókos,
palavra impropriamente traduzida por Mãe de Deus”. Como lembra I-Ienrv Bettenson,
Theotókos
quer dizer
Deípara.
“termo menos assustador do que o português
mãe de Deus”: realçava mais a deidade do
Filho
do que o privilégio da mãe”
(Documnenios dci Igreja Cristã.
ASTE,
S. Paulo. 1967, p. 80).
Exaltava a pessoa de Jesus, reafirmando sua divindade (basta verificar nos
documentos da Igreja Os Anátemas de Cirilo de Alexandria, que
toda ênfase é dada à pessoa de
Jesus).
O importante documento intitulado
Tomo de Leão declara: "o Senhor tomou da mãe a natureza, não a culpa".
Leão, bispo de Roma (440-461), acreditava que Maria deu a Jesus a natureza
humana e não cria na Imaculada Concepção de Maria, já que ele
acertadamente diz que o Filho não herdou a culpa da mãe. Finalmente, temos de
considerar ainda que o título Theotókos foi aplicado como: mãe de
Deus, segundo a
humanidade.
Assim disse o Concílio de
Calcedônia: em todas as coisas semelhante a nós, excetuando o pecado, gerado,
segundo a divindade, antes dos séculos pela Paz,
segundo a humanidade,
por nós e para nossa salvação, gerado da virgem Maria, mãe de Deus [Theotókos].
Um só e mesmo Cristo, Filho, Senhor, Unigênito, que se deve confessar, em duas
naturezas, inconfundíveis e imutáveis, conseparáveis e indivisíveis
(“Definição de Calcedônia”- 451).
Portanto, o título dado a Maria não
tencionava ensinar que, de alguma maneira misteriosa, Maria dera à luz a Deus; o
termo fazia parte de um argumento contra a cristologia duvidosa dos nestorianos.
A intenção da mensagem era: Maria não deu à luz a um mero homem. Mas não havia
qualquer intenção de ensinar que Maria era a origem da natureza divina de
Cristo. Assim sendo, Maria não possui atributos divinos. Os títulos Redentor;
Advogado; Refúgio dos Pecadores; Salvador; Mediador etc.são exclusivos do Senhor
Jesus (Mt 1.21; 1 Jo 2.1; Mt 11.28-30; Jo 14.6; 1 Co 3.11; 1 Tm 2.5), nunca deve
ser aplicado à sua mãe.
Nos Bastidores do Concílio
Depois de muita confusão,
João de Damasco chegou,
fez
a abertura oficial do concílio e depôs e excomungou Menom e Cirilo.
Tão confuso e tão marcado por partidarismo de grupos foi o tal Concílio de
Éfeso”
que um dos seus participantes, ‘Feodoreto (opp. iv:
1335. apud
História de las Doctrinas,
de Reinhold Seebers, tradução de José Miguez Bonino, Casa
Bautista
de Publicaciones, Tomo 1. p. 265), descrevendo aquele concílio, afirmou:
Nenhum comediógrafo
jamais compôs uma farsa tão ridícula;nenhum
dramaturgo trágico uma tragédia tão lúgubre".
Os pontos cristológicos fundamentais (sobre a Pessoa de Cristo) foram
extraordinariamente definidos pelo Concílio de Calcedônia, em 451, quando foram
rejeitados os exageros de Cirilo, que constam em seus “anátemas” a
Nestório, e foram rejeitados os conceitos nestorianos (exagerada separação das
duas naturezas em Cristo) e eutiquianos (exagerada união — praticamente fusão
das
duas naturezas em Cristo). A palavra
Theotókos
referente à Maria é colocada em termos mais apropriados. Houve conflitos
posteriores, que mostram que os “pais da Igreja” e os concílios erraram e se
contradisseram não poucas vezes, e a própria definição de Calcedônia sofreu
reveses, apesar de seus méritos indiscutíveis (ver
Creeds qf íhe Churches.
edit. por John LI. Leith, Nova York, Doub]eday & Company, mc., 1963, p. 34-35).
Esses conflitos, erros e contradições confirmam a tese de Cristo de que
infalível é a Palavra de Deus (João 10:35) e que as Escrituras Sagradas devem
ser a pedra de toque para distinguir entre a verdade e o
erro.
Demais disso,
devemos levar em consideração o fato de que há 3 séculos atrás o apóstolo Paulo
havia duelado com os seguidores de um outro ícone feminino - Diana dos Efésios,
Atos 19. Maria tomou lugar de Diana na devoção popular, principalmente na ala
feminina. Os
Paradoxos Cristológicos
A questão em lide é apenas uma dos muitos
paradoxos teológicos que envolvem a pessoa de Jesus Cristo: Cristo é Deus e
homem ao mesmo tempo. Todavia, existem coisas que ele fez não como Deus, mas
como homem apenas, por outro lado existem coisas que ele fez não como homem, mas
como Deus, à guisa de conhecimento - perdoar pecados.
Jesus como Deus não morreu, mas Jesus como
homem morreu. Jesus como Deus não se cansa, mas Jesus como homem se cansava;
Jesus como Deus sabe todas as coisas, mas Jesus como homem não sabia o dia de
sua volta. Assim também Jesus é Deus, mas Maria é apenas mãe de Jesus Cristo -
homem. Caso contrário, poderíamos com muita justiça também chamar seu pai José, de
pai ou padrasto de Deus, e seus irmãos e irmãs, de irmãos de Deus o que seria um absurdo!
Conclusão
Reflita um pouco: não é por que o cavalo tem
quatro patas que todos os animais de quatro patas tem de forçosamente serem
todos cavalos. Jesus como Deus nunca foi tentado mas como homem sim, foi
tentando em tudo. Assim também Jesus é Deus e homem em uma só pessoa, mas
Maria é apenas mãe do homem Jesus. Pode parecer contraditório, mas este faz
parte dos muitos
mistérios que envolvem a pessoa do Filho de Deus!
CENTRO APOLOGÉTICO CRISTÃO DE PESQUISAS
©
Copyright CACP 2003
Pr. João Flávio & Presb. Paulo Cristiano
Outra: Deus não tem mãe, apenas Pai. O credo Atanasiano diz que o Filho procede
do Pai, “Deus de Deus”, em nem um momento menciona Maria. Apesar de Jesus ser
único em sua natureza, verdadeiro homem e verdadeiro Deus,
o caso é que a Bíblia nunca chama Maria de Mãe de
Deus e isto é prova definitiva contra este termo mal cunhado pela Igreja
Católica.
Isaías diz que um menino frágil nasceria de uma virgem, mas este menino frágil
também é o Deus Poderoso. Deus é Um, mas Jesus é a terceira pessoa da Trindade e
assim por diante.