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A Assembleia de Deus, a Lei e o Sábado – Parte 11

por Prof. Paulo Cristiano da Silva - seg jan 25, 4:56 pm

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A ASSEMBLEIA DE DEUS, A LEI E O SÁBADO

Mais um exemplo de desonestidade intelectual

 

Citações do livro “O despertar de um mandamento” (p.17)

8) Há razões para santificarmos o sábado?

O Pr. Harold J. Brokke é bastante enfático e categórico ao dar uma resposta a esta questão. Ele proclama “em alto e bom som”:

“É possível que alguém imagina que a transgressão desse quarto mandamento é menos grave do que a transgressão dos outros nove. A verdade, porém, é que quem se dispõe a transgredir o quarto mandamento já tem no coração a inclinação de transgredir um ou mais dos outros mandamentos. (…)
“Por que deve o homem guardar o sábado do Senhor? Porque é justo! Segue-se aqui o mesmo princípio de não furtar porque não é justo.” — Op. cit., p. 58–59.

 REFUTAÇÃO DA OITAVA PARTE

Bem, o que de fato Harold J. Brokke disse e não disse sobre o sábado? É bom lembrar que, apesar de ser pentecostal, Brokke não é assembleiano, portanto, nem deveria ter sido mencionado em um artigo que fala sobre estudiosos da Igreja Assembléia de Deus. É o mesmo que querer desmascarar a igreja adventista citando documentos de estudiosos judaicos. Isso é desonesto! Mesmo assim vamos aos fatos.  O pastor Harold J. Brokke realmente acredita que o quarto mandamento permanece válido na Nova dispensação.  Até aí tudo bem. Mas o que o autor do livro omite é o fato de que Brokke não está falando do mesmo sábado que os adventistas. O que ele defende é o princípio do descanso e não o sábado do sétimo dia. Tanto é assim que após confessar que “o homem deve guardar o sábado do Senhor”, ele explica em seguida o que quis de fato dizer:

“Cremos que Israel teve o sábado do sétimo dia como seu sinal peculiar, mas não era necessariamente obrigatório para a prática cristã. O sábado no sétimo dia é um sinal especial para Israel, conforme declara Êxodo 31.13,16-17” (p. 66)

O pastor e escritor Ciro Sanches Zibordi, co-autor da obra “Teologia Sistemática Pentecostal”, editada pela CPAD,  comenta no site oficial da CPAD o seguinte:

“Nem todas as ordenanças que o Senhor estabeleceu para os israelitas são extensivas à Igreja. Alguns mandamentos foram dados exclusivamente a Israel. É o caso da guarda do sábado, contida no Decálogo (Êx 20.8) […] Isso significa que, embora o mandamento da guarda do sábado tenha sido transmitido exclusivamente aos israelitas tirados do Egito, nós podemos também, à semelhança deles, dedicarmos pelo menos um dia para servir ao Senhor. E temos como tradição, e não por força de mandamento, nos reunirmos aos domingos.”[1]

O articulista do site “adventismoemfoco”, sai com a seguinte conclusão:

“Indiscutivelmente, as autoridades e documentos religiosos da Assembléia de Deus não concordam com a visão herética semi-antinomista/dispensacionalista que nega a validade e vigência do Decálogo como norma cristã, e prega o fim total do quarto mandamento, como sendo ‘cerimonial’.”

O pobre coitado é um daqueles que ouviu o galo cantar, mas não se sabe onde! Primeiro, o estudioso citado não faz parte da Assembléia de Deus. Portanto, é um equívoco falar, neste caso, em “documentos religiosos da Assembléia de Deus”. Segundo, nenhum assembleiano é semi ou antinomista. Isso é uma tremenda mentira! Apesar de não estarmos debaixo da lei de Moisés não estamos, contudo, sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo – a lei do amor. Lutero rechaçou veementemente o epíteto de antinomista que os católicos queriam lhe colocar, ele afirmou que obedecia os dez mandamentos, ainda assim ensinou a abolição da lei mosaica. Paulo também repelia a acusação dos judaizantes de antinomista e explica o porquê aos Coríntios:

“Fiz-me como judeu para os judeus, para ganhar os judeus; para os que estão debaixo da lei, como se estivesse eu debaixo da lei ( embora debaixo da lei não esteja ), para ganhar os que estão debaixo da lei; para os que estão sem lei, como se estivesse sem lei ( não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo ), para ganhar os que estão sem lei.”(I Co 9.20,21)

Outra, o desdém que ele faz em relação ao dispensacionalismo é outro atestado de ignorância. Ao mesmo tempo em que ataca o dispensacionalismo exalta os lideres assembleianos. Absurdo!

Ele talvez não saiba, mas todos os documentos citados são de autores dispensacionalistas, tais como: Myer Pearlman, Lawrence Olson, Orlando Boyer, Antonio Gilberto e outros. Isso mostra o despreparo dessa gente ao lidar com história e pesquisa apologética. Lamentável!

[1] A declaração pode ser conferida aqui: http://www.cpadnews.com.br/blog/cirozibordi/apologetica-crista/78/o-cristao-deve-guardar-o-sabado-ou-o-domingo.html

 

Leia as demais matérias sobre o tema:

A Assembleia de Deus, a Lei e o sábado Parte 10

A Assembléia de Deus, a Lei e o sábado Parte 12


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