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A Assembleia de Deus, a Lei e o Sábado – Parte 13

por Prof. Paulo Cristiano da Silva - sáb jan 30, 6:30 pm

IEAD

A ASSEMBLEIA DE DEUS, A LEI E O SÁBADO

Mais um exemplo de desonestidade intelectual

 

Citações do livro “O despertar de um mandamento” (p.18)

10) Que tipo de trabalho Jesus e Seu Pai fazem no sábado?

Outra vez, o Pr. Myer Pearlman! Ele escreveu um comentário do Evangelho de João. Vejamos o que ele disse sobre João 5:15–20 (que é o texto preferido de que muitos crentes usam para tentar “provar” que Jesus “trabalhou” no sábado):

“Mas Ele [Jesus] lhes disse: Meu Pai trabalha até agora, e Eu trabalho também’. Noutras palavras, Deus trabalha no sábado, sustentando o universo, comunicando vida, abençoando os homens, respondendo as orações.” — Em “João — Ouro Para Te Enriquecer”, p. 59.

 

REFUTAÇÃO DA DÉCIMA PARTE

 É verdade, admito, realmente Myer Pearlman disse isso. Mas o que o escritor do livro não disse, ou não reproduziu, foi um trecho que o pastor pentecostal afirma que Deus de fato trabalha no sábado não estando sujeito às suas regras, observe:

“Perguntou um zombador, em conversa com um rabino judeu: “Por que Deus não guarda o sábado?” Respondeu o rabino: “Não é permitido que um homem se locomova dentro do seu próprio lar? O lar de Deus é o universo inteiro, de alto a baixo. Deus não precisa do sábado; é uma bênção que ele concede às suas criaturas, para a felicidade delas”. E esta superioridade sobre o sábado que Jesus também considerou privilégio seu. Sua atividade é tão necessária para o mundo como a de Deus Pai; realmente, ao efetuar a cura no sábado, estava meramente agindo em nome do Pai. Os judeus entenderam, corretamente, e Jesus estava declarando sua própria divindade mediante tal resposta. Se estivesse simplesmente argumentando que, já que Deus trabalha no sábado, ele também, como judeu piedoso, podia trabalhar no sábado, sua defesa teria sido absurda. A declaração da sua própria deidade, no entanto, deu conteúdo real à sua defesa. Jesus declarou, portanto, que a cura do paralítico era uma obra do Pai, e que os judeus, ao acusá-lo da quebra do sábado, estavam realmente fazendo a acusação contra o Pai.” (Comentário do Evangelho de João. Rio de Janeiro, Casa Publicadora das Assembleias de Deus, p. 70)

O que na verdade Pearlman ensina é que Jesus como o Messias, poderia trabalhar assim como seu Pai, que estava acima do sábado; pois não lhe era sujeito e nem precisava dele.

Os adventistas alegam que fazer o bem não é trabalho, e que isto era lícito no sábado, assim como seu Pai, Jesus abençoava as pessoas e dava vida a elas.

É claro que isso é apenas parte da verdade sobre os tipos de “trabalhos” que podiam ser realizados aos sábados.

Admitimos com os adventistas que Jesus de fato quebrou as rigorosas regras humanas impostas sobre o sábado como aparecem no livro dos Jubileus, nos escritos da Comunidade de Qumran, e na Mishná dos Fariseus. O que não aceitamos é admitir que a violação feita por Jesus se reduzisse apenas a essas regras.

Como o autor do livro gosta de citar autoridades pentecostais, ainda que fora do contexto, iremos reproduzir algumas obras publicadas pela Igreja Assembleia de Deus e ver como elas complementam e até interpretam o que o pastor Myer Pearlman disse linhas acima:

Iniciando pelo Comentário Aplicação Pessoal:

“ ‘Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também’ . Com esta declaração, Jesus contestou a noção de que até mesmo Deus estava, de alguma forma, literalmente sujeito às leis do sábado. Se Deus parasse com todo o tipo de trabalho no sábado, a natureza cairia no caos e o pecado dominaria o mundo. Gênesis 2.2 diz que Deus descansou no sétimo dia; Ele descansou da obra da criação, mas começou a obra de manter a criação. Deus trabalhou e continua trabalhando, e assim também o seu Filho, Jesus Cristo. Com esta reivindicação, Jesus afirmou a sua igualdade com Deus. Além disso, Jesus estava ensinando que quando a oportunidade de se fazer o bem se apresenta, ela não deve ser ignorada, nem mesmo no sábado.” (Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 2010, p. 520)

A Bíblia Explicada de S.E. MacNair, utilizada pelo adventista no tópico anterior contra nós assevera:

“O descanso de Deus era numa obra completa, perfeita, irrepreensível. Mas entrara o pecado, transtornando tudo, e agora num mundo cheio de pecado e sofrimento, o Pai e o Filho também operam incessantemente.” (McNair, p. 378 – comentário de João 5.17)

Agora o Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento, traz o seguinte ensino sobre esta passagem.

“Era verdade que diversas exigências anulavam a observância do sábado, como os rituais do templo, a ação militar, a salvação de uma vida e a circuncisão” (Comentário Bíblico Pentecostal, CPAD, p. 532)

O judaísmo geralmente cria que Deus continuou trabalhando depois de ter terminado a obra da criação. Afinal de contas, Ele prosseguiu como Senhor sobre o mundo; de outra forma, como Ele o manteria em existência no sábado? Além disso, as pessoas nasciam no sábado, e só Deus dá a vida. Estes pensamentos subjazem no versículo 17 — os judeus não negam que Deus trabalha no sábado, mas eles insistem que Cristo o quebrou e blasfemou.” (Ibidem)

Ainda no Comentário Aplicação Pessoal, lemos:

Se Deus parasse com todo o tipo de trabalho no sábado, a natureza cairia no caos e o pecado dominaria o mundo. Gênesis 2.2 diz que Deus descansou no sétimo dia; Ele descansou da obra da criação, mas começou a obra de manter a criação. Deus trabalhou e continua trabalhando, e assim também o seu Filho, Jesus Cristo. Com esta reivindicação, Jesus afirmou a sua igualdade com Deus. Além disso, Jesus estava ensinando que quando a oportunidade de se fazer o bem se apresenta, ela não deve ser ignorada, nem mesmo no sábado.” (Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. Vol 1, Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus. 2010, p. 516)

O mesmo diz a Bíblia de Estudo Dake:  “Deus trabalha nos sábados , assim como nos outros dias, mantendo o universo e seu infinito mecanismo em funcionamento. Ele trabalha na providência, observando e cuidando de toda sua criação.” (Bíblia de Estudo Dake. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus, p. 1695 – nota de rodapé comentário de João 5. 16)

Talvez agora, com algumas peças a mais, nós possamos montar o “quebra cabeça” e vislumbrar alguma solução para entender o que realmente a Assembleia de Deus acredita. Citar frases desconectadas de seu contexto maior só traz confusão e é justamente isso que o autor do livro pretende.

Das citações acima podemos tirar as seguintes conclusões:

1º – O Pai, bem como o Filho, não está sujeito à lei do sábado;

2º – Ambos executam obras de misericórdia abençoando, curando e salvando pessoas;

3º – Essa obra é lícita aos sábados, contrariando a tradição dos Fariseus;

Mas não é só isso…

4º – As obras assembleianas também admitem que Deus trabalhe de fato aos sábados sustentando todo o universo e trabalhando na obra de salvação do homem;

5º – Declaram ainda que até para os judeus havia exceções à regra do sábado (muitas tarefas eram realizadas no sábado).

Se os adventistas admitem que Deus trabalhou na criação do universo trazendo-o à existência em seis “dias”,  porque não acreditar que Ele continua trabalhando para sustentar esse mesmo universo? Negar que a segunda obra não seja trabalho é incorrer em estultícia. Parafraseando o que disse o Comentário Aplicação Pessoal “Deus descansou do trabalho de criação e começou o de sustentação do universo e salvação do homem”.

Se tentarem sair pela tangente alegando que o segundo trabalho seria “obra de misericórdia” para o nosso bem, respondemos que em última instância tudo o que Deus faz é para nosso bem! Mesmo os seis dias de trabalho da criação era para o nosso bem. E dai?

Os judeus, como vimos, acreditavam que o Pai trabalhava aos sábados. Quem não podia trabalhar era o homem, dai a explicação de Myer Pearlman de que quando Jesus curou aquele homem no sábado, “caiu a ficha” dos fariseus sobre quem Jesus estava tentando se igualar; ele estava se igualando a Deus – Aquele a quem as regras do sábado não se aplicava.

O descanso de Deus no sétimo dia não foi um descanso literal; primeiro que a expressão no original hebraico é “acabar” e não descansar, segundo, o descanso de Deus é um descanso eterno. Deus não descansou no sábado para depois trabalhar mais seis dias e no sétimo descansar de novo. Talvez por isso que o sétimo dia da criação seja diferente dos outros seis com a ausência da expressão “tarde e manhã”.

O descanso de Deus que Adão e Eva desfrutaram encerrou-se com o pecado deles. Após a queda ambos saíram deste descanso. Apesar de Deus ter descansado, no sentido de cessar sua obra da criação, ele voltou a trabalhar por causa do pecado.

Um exemplo do que estamos falando se encontra em Gênesis 4.21, “E o Senhor Deus fez túnicas de peles para Adão e sua mulher, e os vestiu.” (Gn 4.21). Este evento foi o início de um “trabalho” que continuou ao longo dos séculos.

Gostem os adventistas ou não, concordem ou não, Ele está trabalhando desde a queda livrando Israel a todo o momento de seus inimigos nas páginas do Antigo Testamento e continua trabalhando na sustentação do universo inteiro (Hb 1.3).

Quando Jesus diz “Meu Pai trabalha até agora e eu trabalho também”, não está espiritualizando as palavras. É trabalho literal. Caso não fosse, os judeus não tinham argumentos para acusar Jesus.

Mas a exceção não estava apenas em Deus, havia várias situações de trabalho que violavam a guarda do sábado. Vejamos algumas delas:

  • Campanhas militares (Josué 6.15; 1 Reis 20.29; 2 Reis 3.09); .). Inicialmente, os judeus se recusaram a lutar no sábado, mas depois que eles foram derrotados na batalha, eles mudaram de ideia e começaram a lutar no sábado (1 Mac 2.32-41; Cf. Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas274, 276-277 ).
  • Festa de casamento (Juízes 14.12-18);
  • Festa da dedicação (1 Reis 8.65; 2 Crônicas. 7.8-9);
  • Mudança de turno dos Levitas na guarda do templo (2 Reis 11.5-9; 2 Cr 23.4,8);
  • Preparar (fazer, assar e preparar) os pães da proposição para o templo, aqueles que Davi comeu (I Cr 9.32 Conf. Mt 12.3-5);
  • Oferecer sacrifícios (1 Cr 23.31; Ez 46.4);
  • Circuncisão (Jo 7.23).

A propósito, um antigo e famoso livro de um judeu convertido ao cristianismo já confessava que, “Não existe sábado para o santuário”, querendo dizer que os trabalhos sacerdotais no dia sagrado prosseguiam. — Jo 7.22; Lv 12.2, 3; The Temple (O Templo), de A. Edersheim, 1874, p. 152.

Mas talvez a prova definitiva de que Jesus violou realmente o sábado com seu trabalho foi o fato do próprio João admiti-lo sem nenhum rodeio, “Por isso, pois, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não somente violava o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus.” (Jo 5.16-18).

Leia as demais matérias sobre o tema:

A Assembleia de Deus, a Lei e o sábado Parte 12

A Assembléia de Deus, a Lei e o sábado Parte 14


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