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A Assembleia de Deus, a Lei e o Sábado – Parte 8

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A ASSEMBLEIA DE DEUS, A LEI E O SÁBADO

Mais um exemplo de desonestidade intelectual

 

Citações do livro “O despertar de um mandamento” (p. 15)

5) Existe divisão entre a Lei Moral e a Lei Cerimonial?

Mais uma vez o Pr. Boyer nos apresenta aquilo que tem aprendido de Deus, em anos de estudo da Palavra:

“Algumas pessoas dão ênfase à distinção entre mandamentos ‘morais’ e mandamentos ‘cerimoniais’. As exigências ‘morais’ são aquelas que em si mesmas são justas e nunca podem ser revogadas. Ao contrário, as leis ‘cerimoniais’ são aquelas sobre observâncias, sobre o cumprimento de certos ritos, por exemplo: os mandamentos acerca dos holocaustos e o incenso. (…) As leis ‘cerimoniais’ podem ser ab-rogadas na mudança de dispensação, mas não as leis ‘morais’. É certo que existe tal distinção.” — Em “Marcos: O Evangelho do Senhor”, p. 38–39. Grifos acrescentados.

E o Pr. Antonio Gilberto, também da Assembléia de Deus, confirma:

“A parte moral da lei é eterna e universal”.

Refutação da Quinta Parte

É interessante notar a tática desonesta que o diabo usou com Jesus na tentação do deserto ao citar o Salmo 91.11,12, fora de contexto (Mt 4.6), omitindo de modo proposital o versículo seguinte que era sua derrocada final, “Pisarás o leão e a áspide; calcarás aos pés o filho do leão e a serpente.” (v.13).

Por incrível que pareça o livro “O despertar de um mandamento”, fez o mesmo com a citação do pastor Orlando Boyer no livro, “Marcos: o evangelho do servo do Senhor”, às páginas 38 e 39.

Vamos dar liberdade ao pastor Boyer para expor seu pensamento completo:

“[…] Enganam-se, porém, os que dizem que os dez mandamentos perfazem a lei moral e inalterável. Porque, em primeiro lugar, há na antiga aliança muitos preceitos “morais” que não estão incluídos nos dez mandamentos. Por exemplo, Êx. caps. 21 a 23 e Lev. caps. 18 a 22. Em segundo lugar, a lei acêrca de guardar o sábado, e que se encontra no Decálogo, é “cerimonial” . Pode-se exigir a obediência a um mandamento “moral” em outra dispensação sob outra base ou por outros motivos, mas jamais se pode abrogá-lo. Deus nunca pode, por exemplo, em qualquer dispensação, abolir o mandamento: “Não dirás falso testemunho.” Contudo o mandamento acêrca de guardar o sábado foi posto de lado:

1.  Os sacerdotes no templo profanam o sábado e ficam inculpáveis, Mat. 12:5.
2.  Os que trabalham no sábado para aliviar o sofrimento aos animais, e dos homens, não têm culpa, Mat. 12:11,12.

Assim o Filho do homem é Senhor mesmo do sábado (Mar. 2:28), e tem o direito de pô-lo de lado, quando e como Lhe parecer bem. Cristo, por fim, removeu inteiramente o mandamento de guardar o sétimo dia, cravando-o na cruz. Depois do dia de Pentecoste não se encontra o mandamento de observá-lo. É significativo que Paulo em suas catorze epístolas menciona o dia do sábado somente uma vez: “Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados.” Lede Col. 2:14-17. “O sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado.”

No livro “Espada Cortante” vol. 2, comentando a expressão de Atos 13.14 “Entrando na sinagoga, num dia de sábado” Boyer afirma:

“Não se deve concluir que Paulo entrava nas sinagogas dos inimigos dos discípulos para guardar o sábado, ou qualquer outra parte da lei de Moisés.” (Espada Cortante Vol 2, Rio de Janeiro: CPAD, 2011, p. 515).

“Acerca de Jesus guardar o sábado, note-se: O Senhor Jesus nasceu debaixo da lei de Moisés (G1 4.4); guardava a lei de Moisés (Mt 26.18), sendo circuncidado (Lc 2.21); mandou que os discípulos, antes da cruz, observassem a mesma lei (Mt 23.2,2; Lc 5.14). Mas os discípulos depois da cruz não guardam o pentecoste, nem se circuncidam, nem guardam o sábado.” (ibid, p. 60 – Comentário de Lucas 4.16)

Percebeu como a linha de raciocínio muda completamente ao ser citado o trecho completo do livro? Boyer, longe de endossar a heresia destes indivíduos, acaba por fulmina-la por completo! De dentro pra fora. Primeiro ele detona a velha, ridícula e teimosa sustentação adventista de que a lei moral é o decálogo,  os  “dez mandamentos” e, segundo, que eles são inalteráveis.  Em terceiro lugar ele pega justamente o sábado como exemplo de preceito cerimonial, contido no decálogo, para provar que este não é inalterável. Eis aí a verdadeira interpretação sobre a alegada distinção das leis usada por Boyer. Temo que os adventistas deram um verdadeiro tiro no pé desta vez!

Mas é sempre bom esclarecer que NUNCA houve duas leis: uma moral e outra cerimonial, como se fossem leis opostas, ou como fazem os adventistas em chamá-las de Lei de Deus e Lei de Moisés, tentando com isso reforçar tal distinção.

Então é errado distinguir leis, morais, cerimoniais e civis? Claro que não. Mas que fique claro que isto é apenas conveniência didática, pois para a teologia judaica não existe tal distinção. A lei para o judeu era uma só. Quando o  moço judeu indagou: “Mestre, qual é o grande mandamento na lei?” (Mateus 22.36), Jesus não perguntou: “QUAL LEI? A moral ou a cerimonial?”.

Os estudiosos da Igreja Assembléia de Deus seguem justamente essa linha de pensamento. Observe  o estudo sobre a lei de um dos mais respeitados teólogos da nossa denominação, o pastor Abraão de Almeida. E antes que qualquer adventista mal intencionado questione a importância dele para a teologia assembleiana e evangélica brasileira, segue uma síntese curricular deste homem de Deus:

Abraão de Almeida foi ordenado ministro do evangelho em 1979, pela Assembléia de Deus e de 1977 a 1984 foi diretor de publicações da Casa Publicadora das Assembléias de Deus (CPAD). É autor de quase 30 livros nas áreas de profecia, apologia, tipologia e história da igreja. É formado em jornalismo com mestrado em teologia e doutor em divindade e membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil. Membro da comissão revisora da Bíblia ECA (Edicão Contemporânea de Almeida), de 1988 a 1990 e membro da Comissão Tradutora da Nova Versão Internacional (NVI) da Bíblia, de 1992 a 1999.

O pastor Abraão de Almeida é conhecido no Brasil e no exterior por seus estudos bíblicos e tem influenciado gerações de novos estudiosos assembleianos. Vejamos o que os seus estudos na Palavra de Deus revelaram sobre o assunto da divisão da lei:

“[…] A Bíblia, todavia, não faz nenhuma distinção entre lei moral e cerimonial, e por isso continua vigente a maldição divina que diz: “Todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque  escrito está: Maldito todo aquele que não permanecer em […] Nas quatrocentas vezes em que a palavra “lei” ocorre na Bíblia, em nenhuma se faz distinção entre ‘cerimonial’ ou ‘moral’. Nem Jesus, nem os apóstolos, nem os profetas, nem os salmistas, nem o próprio Moisés se referem a tal distinção.” (O Sábado, a Lei e a Graça. 9.ª ed., Rio de Janeiro: 2009, CPAD, p. 72)

“Em nenhuma passagem da Bíblia, repetimos, se afirma a existência de duas leis: uma moral e outra cerimonial; uma abolida e outra não; uma cumprida por Cristo e outra a ser cumprida por nós etc. A confusão decorre da má interpretação do texto sagrado, interpretação que exalta uma parte da lei em detrimento da outra, jogando perigosamente com palavras-chave como ‘moral’ e ‘cerimonial’. Quando o vocábulo ‘mandamentos’ é conveniente ao seu sistema, o sabatismo subentende logo como se referindo à ‘lei moral’, aos dez mandamentos; quando não, é à ‘lei cerimonial’.”(ibidem, p.97)

A lei moral, cerimonial e civil, não são três leis, mas uma só lei, que foi encravada na cruz e lá morreu para toda a história da humanidade.” (ibid, p.98 – destaque nosso)

Os adventistas soltam loas, alardeando e superestimando as expressões “lei moral” e “lei cerimonial”, usadas por alguns escritores evangélicos. No entanto, qualquer estudioso honesto das Escrituras pode assumir tais expressões, sem com isso, incorrer no erro crasso da divisão das duas leis ao molde adventista. Portanto, observe a explicação de S. E Mc Nair sobre os dez mandamentos em sua famosa obra, “A Bíblia Explicada”, publicada pela CPAD:

“Os Dez Mandamentos. A aliança mosaica foi dada a Israel com três divisões, cada uma ligada às outras, e, conjuntamente, formando a Aliança Mosaica. São: os mandamentos, expressão da vontade de Deus para seu povo (Êx 20.1-26); os Juízos, governo da vida social de Israel (Êx 21.1 a 24.11), e as ordenanças, governando a vida religiosa de Israel (Êx 24.12 a 31.18). Estes três elementos formam ‘a Lei’ como essa palavra se emprega no N.T (Mt 5.17,18). Os mandamentos e ordenanças formam um só sistema religioso. Os mandamentos foram ‘um ministério de condenação’ e de ‘morte’ (2 Co 3.7-9)” (A Bíblia Explicada. 4ª Ed., Rio de Janeiro: CPAD, 1983,p. 43 – destaques nosso)

Os adventistas acreditam que Jesus cumpriu e aboliu apenas a “lei cerimonial”, mesmo levítico dividindo-a em diversas partes tais como “lei do holocausto”, “lei da oferta de manjares”, “lei da expiação do pecado”, “lei da expiação da culpa”, “lei do sacrifício da paz”, “lei do leproso” e outras. Apesar de estar dividida em diversas sub-leis, elas formam “a lei cerimonial” e não várias “leis cerimoniais”. Essa noção pode ser estendida para as chamadas leis: moral, cerimonial e civil. Apesar desta divisão didática, elas, para todo efeito, formam “A Lei”, “O Concerto” que foi cumprido e abolido em Cristo. É isso que admite a Bíblia de Estudo Pentecostal (Editora CPAD) no comentário sobre “A Lei do Antigo Testamento” na página 146:

“A Lei Mosaica (hb. Torah, que significa ‘ensino’), admite uma tríplice divisão: (a) a lei moral, que trata das regras determinadas por Deus para um santo viver (20.1-17); (b) a lei civil, que trata da vida jurídica e social de Israel como nação (21.1 -23.33); e (c) a lei cerimonial, que trata da forma e do ritual da adoração ao Senhor por Israel, inclusive o sacrificial (24.12-31.18).”

Após admitir a possibilidade de a lei possuir, para efeitos didáticos, três divisões, ela unifica todas elas chamando-as de “A Lei” e diz que era temporária, observe:

“(8) A Lei e o Concerto do AT não eram perfeitos, nem permanentes. A lei funcionava como um tutor temporário para o povo de Deus até que Cristo viesse (Gl 3.22-26).”

Portanto, não há dúvidas de que na teologia pentecostal e também protestante evangélica, a divisão da lei não passa de um recurso puramente didático.

Que a lei inteira foi abolida é admitido pelo pastor assembleiano Elienai Cabral:

“… a lei dos mandamentos que consistia em ordenanças” (v. 15) indica que a legislação mosaica foi abolida; não só a cerimo­nial, mas toda a lei, com todas as suas ordenanças. Cristo, pela “sua carne”, desfez toda a condenação da lei, criando a “lei do espírito de vida”.” (Comentário Bíblico: Efésios. Elienai Cabral, 3ª Ed. – Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus, 1999 – destaque nosso)

Repudiamos, pois, a maneira desonesta e irresponsável como o livro “O despertar de um mandamento”, se fundamentou em nossos autores. Um verdadeiro exemplo de como não se fazer pesquisa, pois os autores trataram seletivamente a literatura, mostrando apenas aquilo que lhes convinha, quando não, mutilando os textos e omitindo deliberadamente o contexto, forçando o texto a dizer o que ele não diz.

Para saber mais sobre a suposta divisão da lei acesse o link http://www.cacp.org.br/category/seitas/adventismo/lei/ [2]

Leia as demais matérias sobre o tema:

A Assembleia de Deus, a Lei e o sábado Parte 7 [3]

A Assembléia de Deus, a Lei e o sábado Parte 9 [4]

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