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A assunção de Maria

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Uma das tristes verdades que podemos encontrar na História da Igreja Cristã é o desrespeito pela Sagrada Escritura, proveniente do ensino infundado nela, e tido como se fosse a sua continuidade.

Em quase todos os séculos têm aparecido, aqui e ali, indivíduos e movimentos pugnando pelo regresso às fontes do Cristianismo. Alguns foram até Tomás de Aquino, outros recuaram até Agostinho, e bem poucos chegaram a Cristo e à Sua Palavra.

Entre esses poucos contam-se aqueles que viveram fiéis a Deus e à Biblia, selando a fé com o seu sangue, e os que perderam a vida e causaram a perda de muitos outros, por haverem usado, na propagação das suas ideias, o espírito da força em vez da força do Espírito.

Os filhos de Deus devem voltar às origens da fé cristã, sem imporem as respectivas doutrinas à sociedade secular ou à Igreja, por meios impróprios. Como se lê nas Escrituras: “Não por força, nem por violência, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos” (Zacarias 4.6).

Ao mencionar as origens do Cristianismo, sou forçado a dizer que a doutrina sobre a Assunção da Virgem Maria não pode ser sustentada pelas Escrituras Sagradas. Infelizmente, ainda são muitos os religiosos que creem, ensinam, escrevem e difundem ensinos espúrios, como se ortodoxos fossem.

Os defensores assuncionistas não se fundamentam no Velho ou no Novo Testamento, mas nos livros apócrifos, que a própria Igreja Católica sequer reconhece como deuterocanônicos.

Passo a transcrever algumas passagens dos Evangelhos Apócrifos: “Abandonarás o mundo daqui a pouco e partirás, segundo a tua petição (…), para ficares ao lado de teu Filho, para viver a vida autêntica e perene” (evangelho de São João Teólogo, edição BAC, p. 583). “Pelo que todos creram que seu venerável e imaculado corpo havia sido transladado ao Paraíso” (idem, p. 605-606). “Os apóstolos que ainda viviam na Terra, foram avisados de que a Assunção de Maria teria lugar em Jerusalém, e, levados aqui duma forma miraculosa, juntaram-se aos apóstolos que ressuscitaram e a Jesus que ali veio para honrar a solenidade do evento” (idem, p. 585, 587, 598). Eis em traços largos, o que se lê nos apócrifos sobre a ‘assunção’, que de modo algum são dignos de crédito.

Relativamente à Ascensão do Senhor Jesus Cristo, a coisa é muito diferente, como se poderá verificar na Palavra de Deus. No Salmo 24.7-9, pode-se ler: “levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da Glória”. Fato concretizado segundo o registro de Lucas (Atos 1.11): “Esse Jesus, que de entre vós foi recebido em cima no céu…”. O Salvador partiu, e agora esperamos a Sua segunda vinda, a fim de irmos com Ele (1Tessalonicenses 4.15).

É verdade que tanto o espírito de Maria, como o de todos os salvos antes da ascensão de Cristo, foram com Ele para o Paraíso (Efésio 4.8), mas nenhum dos seus corpos ali se encontra, com a possível exceção de Enoque e Elias que não provaram a morte.

Os cristãos devem acreditar sinceramente na Ascensão de Jesus, mas não estão obrigados a crer na assunção de Maria. Destituída do argumento da assunção da Virgem, a doutrina da sua mediação não teria muito sentido. Os cristãos podem e devem dispensar a mediação e intercessão de Maria, dos Anjos e dos Santos que se encontram no Céu, visto Jesus Cristo ser o único Mediador entre Deus e os homens (1Timóteo 2.5), e seu Intercessor (Hebreus 7.25).

Pr. Antonio Costa Barata

Nota: Publicado na Revista Novas de Alegria, março de 1974.

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