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A Bíblia e os cultos afro-brasileiros

por Dr. Paulo Romeiro - seg maio 23, 10:21 am

I – POR QUE ESTUDAR ISTO?

1 – A SITUAÇÃO ESPIRITUAL NO BRASIL

Os cultos afro-brasileiros tiveram sua origem no Brasil com a chegada dos escravos africanos. Cresceram tanto, que hoje calcula-se que há no Brasil mais de 70 milhões de pessoas envolvidas em alguma forma de espiritismo. Quem ainda não ouviu expressões como “macumba”, “axé”, “pomba-gira” ou “meu santo é forte”? O Brasil é um país obcecado com o sobrenatural — um país místico. Diante deste fato, seria uma negligência muito grande, por parte dos cristãos, cruzar os braços e não fazer algo a fim de alcançar os espíritas para Cristo. Para fazê-lo é preciso ter pelo menos algumas informações básicas.

2 – O VALOR PRÁTICO DA INFORMAÇÃO NO EVANGELISMO

O cristão deve estar informado. Veja o exemplo do apóstolo Paulo no Areópago (Atos 17.22-31), citando o “Hino a Zeus”, do poeta Cleanthes (versículo 28). Com isto Paulo pôde comunicar-se melhor com os atenienses. Ao familiarizar-se um pouco com os cultos afros, você poderá evitar a acusação de seus adeptos de estar atacando aquilo que não conhece. Seu receio será também muito menor ao tratar com eles, uma vez conhecendo algumas de suas terminologias, crenças e práticas.

II — OS ORIXÁS E AS OUTRAS ENTIDADES NOS CULTOS AFROS

1 – QUEM SÃO OS ORIXÁS?

De acordo com o Dicionário de Cultos Afro-Brasileiros, de Olga Cacciatore, os orixás são divindades intermediárias entre Olorum (o deus supremo) e os homens. Na África eram cerca de 600 — para o Brasil vieram talvez uns 50, que estão reduzidos a 16 no Candomblé, dos quais só 8 passaram à Umbanda. Muitos deles são antigos reis, rainhas ou heróis divinizados, os quais representam:

– as vibrações das forças elementares da Natureza — raios, trovões, tempestades, água;

– atividades econômicas – caça, agricultura etc.;

– e ainda os grandes ceifadores de vidas – doenças epidêmicas, como varíola, malária, dengue etc.

2 – A ORIGEM MITOLÓGICA DOS ORIXÁS

Quanto à origem dos orixás, uma das lendas mais populares diz que Obatalá (o céu) uniu-se a Odudua (a terra), e desta união nasceram Aganju (a rocha) e Iemanjá (as águas). Iemanjá casou-se com seu irmão Aganju, de quem teve um filho, chamado Orungã. Orungã apaixanou-se loucamente por sua mãe, procurando sempre uma oportunidade para possuí-la, até que um dia, aproveitando-se da ausência do pai, violentou-a. Iemanjá pôs-se a fugir, perseguida par Orungã. Na fuga Iemanjá caiu de costas, e ao pedir socorro a Obatalá, seu corpo começou a dilatar-se grandemente, até que de seus seios começaram a jorrar dois rios que formaram um lago, e quando o seu ventre se rompeu, sairam a maioria dos orixás. Por Isto Iemanjá é chamada “a mãe dos orixás”.

3 – OS ORIXÁS E O SINCRETISMO

O sincretismo religioso é também um aspecto significativo nos cultos afros. Sincretismo é a união dos opostos, um tipo de mistura de crenças e ideias divergentes. Muitos dos orixás dos cultos afros encontram no Catolicismo um santo “correspondente” — por exemplo: Iemanjá = Nossa Senhora; lansã = Santa Bárbara; Oxalá = Jesus Cristo; Ogum = São Jorge; Oxóssi = São Sebastião; Omulu = São Lázaro.

4 – AS OUTRAS ENTIDADES

Também presentes nos cultos afro-brasileiros, estão espíritos que representam diversos tipos de humanos falecidos, tais como: caboclos (índios), pretos-velhos (escravos), crianças, marinheiros, boiadeiros, ciganos, etc.

III— IEMANJÁ, A “RAINHA DO MAR”

1 – SEU NOME

É uma corruptela do termo iorubano Yèyé+omo+ejá (mãe dos peixes-filhos).

2 – SUAS CARACTERÍSTICAS

  • Personalidade: bela, vaidosa, altiva, impetuosa, maternal, zelosa.
  • Elemento: água salgada.
  • Domínio: maternidade e pesca (tem também participação em todos os temas, já que é mãe da maioria dos orixás). É padroeira tradicional dos marinheiros.
  • Cores: branco, rosa claro e azul claro. Pode ser usada a cor prata, observada na coroa de rainha do altar e nas contas de vidro transparente que seus “filhos” usam.
  • Saudação (no culto): “Odôiá” (mãe do rio) ou “Odô-fé-iabá!” (amada senhora do rio).
  • Comida: ebó de milho branco com mel, arroz, angu e outras comidas brancas.
  • Sacrifício: pata (fundamento), galinha e cabra todas brancas.
  • Dia: sábado.
  • Guia: colar de miçangas, contas ou sementes que serve como proteção.
  • Símbolos: sereia, peixe, concha, estrela do mar, seixos marinhos, etc.

3 – SUAS IMAGENS

Para os umbandistas, Iemanjá é uma moça bonita com vestes compridas e transparentes, com cabelos longos e pretos, trazendo sobre a sua cabeça um diadema, e nas mãos pérolas, que vão caindo no mar. Já no Candomblé ela usa enfeites de cantos, pingo d’água, espada e “abebê” (leque) branca ou prateada, com uma sereia recortada no centro, além da coroa que chamam de “adê”.

IV — CONSIDERAÇÕES À LUZ DA BÍBLIA

1 – A QUESTÃO HISTÓRICA: VERDADE OU MITO?

  • Nos Cultos Afros. Ao analisarmos os cultos afros, uma das primeiras coisas que observamos é a impossibilidade de se fazer uma avaliação objetiva sobre a origem dos orixás. Existem muitas lendas que tentam explicar o surgimento dos deuses do panteão africano, e estas histórias variam de um terreiro para o outro, e até de um pai-de-santo para o outro. Não há possibilidade de se fazer uma verificação científica ou arqueológica; não há uma fonte autoritativa que leve a concluir se os fatos aconteceram mesmo ou se trata-se somente de mitologia, sendo difícil uma avaliação histórica dos eventos relatados.
  • No Cristianismo. Ao contrário, a Bíblia Sagrada resiste a qualquer teste ou crítica, sendo sua autenticidade provada pela arqueologia (alguém já disse que cada vez que os arqueólogos abrem um buraco no Oriente, é mais um ateu que sepultamos no Ocidente), pela avaliação de seus manuscritos (existem milhares deles espalhados em museus e bibliotecas do mundo), pela geografia, história, etc. Toda informação relevante para a fé no Cristianismo tem que estar baseada nas Escrituras. É impossível encontrar no Cristianismo cinco a dez versões diferentes sobre a vida dos profetas ou qualquer personagem bíblica.

2 – O RELACIONAMENTO COM DEUS

  • a) Nos Cultos Afros. Um fato que devemos considerar é a posição tradicionalmente dada aos orixás nos cultos afros como intermediários entre o deus supremo (Olorum) e os homens (no Catolicismo Romano, Maria recebe também o título de intermediária.) Além disso, os filhos-de-santo, uma vez comprometidos com os orixás, vivem em constante medo de suas represálias.
  • b) No Cristianismo. Escrevendo a Timóteo, Paulo declara: “Porque há um só Deus, e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem” (1Timóteo 2.5). É somente pela obra redentora do Calvário que somos reconciliados com Deus (Efésios 2.11-22). Temos um Pai amável que conhece a nossa estrutura e sabe que somos pó (Salmo 14). Deus não nos deu o espírito de medo (2Timóteo 1.7), e o cristão não é forçado a seguir a Cristo, mas o faz espontaneamente (João 6.67-69). A Bíblia diz que aquele que teme não é perfeito em amor, pois no mor não há temor (1João 4.18). Ainda que haja fracassos na vida do cristão, ele não precisa ter medo de Deus, pois Ele é grandioso em perdoar (Isaías 55.7), e que temos um sumo-sacerdote que se compadece de nossas fraquezas (Hebreus 4.15). Este é, de maneira bem resumida, o perfil do Deus da Bíblia — bem diferente dos orixás, que na maioria das vezes são vingativos e cruéis com seus “cavalos”.

3 – O SACRIFÍCIO ACEITÁVEL

  • a) Nos Cultos Afros. Ao evanglizar os adeptos dos cultos afros, é necessário conhecer também o significado do termo “ebó”. De acordo com Cacciatore, “ebó” é a oferenda ou sacrifício animal feito a qualquer orixá. Às vezes é chamado vulgarmente de “despacho”, um termo mais comumente empregado para as oferendas a Exu (um orixá sincretizado com o diabo da teologia cristã), pedindo bem ou mal de alguém.
  • b) No Cristianismo. Precisamos lembrar o que o apóstolo Paulo tem a dizer sobre isto: “Antes digo que as coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos demônios, e não a Deus. E não quero que sejais participantes com demônios. Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios; não podeis ser participantes da mesa do Senhor e da mesa dos demônios” (1Coríntios 10.20-21). Os sacrifícios de animais no Antigo Testamento apontavam para o sacrifício perfeito e aceitável de Jesus Cristo na cruz. A Bíblia diz em Hebreus 10.4: “Porque é impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire os pecados”. Somente Jesus pode fazê-lo, pois ele é o “cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (João 1.29). “Sem derramento de sangue não há remissão” (Hebreus 9.22), e “o sangue de Jesus Cristo, Seu Filho, nos purifica de todo o pecado” (1João 1.7). Concluímos esta parte com Hebreus 10.12: “Mas este [Jesusl, havendo oferecido um único sacrifício pelos pecados, está assentado para sempre à dextra de Deus”.

4 – ENCARANDO A MORTE

  • a) Nos Cultos Afros. Ao dialogar com os adeptos dos cultos afros — principalmente do Candomblé — tomamos conhecimento que os orixás têm medo da morte (quem menos tem medo da morte é Iansã.) Quando um filho ou filha-de-santo está próximo da morte, seu orixá praticamente o abandona. Esta pessoa já não fica mais possessa, pois seu orixá procura evitá-la.
  • b) No Cristianismo. Isto é exatamente o contrário do que o Deus da Bíblia faz. Suas promessas são sempre “Não te deixarei, nem te desampararei” (Hebreus 13.5). O salmista Davi tinha esta confiança em Deus a ponto de poder dizer: “Ainda que eu andasse na sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam” (Salmo 23.4). Nosso Deus não nos abandona em nenhum momento de nossas vidas, e muito menos na hora de nossa morte. Glória a Deus!

5 – SALVAÇÃO E VIDA APÓS A MORTE

  • a) Nos Cultos A Nestas religiões o assunto de vida após a morte não é bem definido. Na Umbanda, devida à influência kardecista, é ensinada a reencarnação. Já o Candomblé não oferece qualquer esperança depois da morte, pois é uma religião para ser praticada somente em vida, segundo os seus defensores. Outros pais-de-santos apresentam ideias confusas, tais como “quando morre, a pessoa vai para a mesa de Santo Agostinho” ou “vai para a balança de São Miguel”.
  • b) No A Bíblia refuta claramente a doutrina de reencarnação (ver Hebreus 9.27, Lucas 16.19-31). Ela ensina que, para o cristão, estar ausente do corpo é estar presente com o Senhor (2Coríntios 5.6). O apóstolo Paulo afirma que a nossa cidade está no céu (Filipenses 3.20), e que para os cristãos há um reino preparado desde a fundação do mundo (Mateus 25.34).

6 – A VERDADEIRA LIBERDADE

  • a) Nos Cultos Afros. Frequentemente, as pessoas têm medo de deixar os cultos afros para buscar outra alternativa. Foi-lhes dito que se abandonarem seus orixás (ou outros “guias”) e não cumprirem com suas obrigações, terão consequências desastrosas em suas vidas.
  • b) No Cristianismo. Entretanto, isto não é Estas pessoas podem sair e encontrar a liberdade e uma nova vida em Cristo. A Bíblia diz “Para isto o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do Diabo” (1João 3.8; veja ainda Números 23.23; Lucas 10.19; João 8.32-36 e 1João 4.4, 5.18).

Pr. Paulo Romeiro e Pr. Paul Garden


Cada autor é responsável pelo conteúdo do artigo.

3 Comentários

Comentários 1 - 3 de 3Primeira« AnteriorPróxima »Última
  1. supostos deuses tem diversos nomes em outras culturas, no Brasil a deusa do mar iemanja.
    na mitologia grega : Tétis “A deusa do mar, a mais jovem das Titânidas, filha de Urano” .
    na britanica é chamada de “Lady in the water”, astecas : Chalchiuhtlicue. tem uma versão no Japão.

    1. é uma forma dos homens de divinizar a natureza. o adepto cultuador quando dá por si está envolvido em culto a demônios.
      “…as coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos demônios, e não a Deus. E não quero que sejais participantes com os demônios. 1 Coríntios 10:2

  2. Bacana o artigo. Quem notou, a tv está passando comercial exatamente sobre o “preconceito” quanto aos cultos afros. Dizem para denunciar quando isso ocorrer, ou seja, podemos esperar processos contra igrejas

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