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A doença fatal do homem

por Artigo compilado - sáb mar 01, 12:01 am

pessoasdificeis

Há poucos anos, um médico recém-formado começou a clinicar numa pequena cidade. Um velho foi o seu primeiro cliente e o jovem médico estava nervoso, querendo causar boa impressão inicial. O velho enumerou todos os seus padecimentos e esperou que o médico fizesse o diagnóstico. Depois de examiná-lo longamente, o jovem doutor não conseguiu encontrar a indicação do que havia com o doente e afinal perguntou:

– Já teve essa doença antes?

– Sim, muitas vezes – respondeu o ancião.

– Pois bem, está novamente com ela – explicou o médico.

Quando olhamos o mal-estar, a frustração, a confusão e os males profundos de nossa era, tudo quanto podemos dizer é repetir com aquele esculápio: “O mundo está novamente com ela.” Mas, que mal é esse?

Todos os jornais e revistas que examinarmos trarão indicações da doença, humana – ódio, concupiscência, cobiça, preconceito, manifestando-se em milhares de modos diferentes, todos os dias. O próprio tato de termos policiais, cadeias e forças militares constitui indicação de que alguma coisa está positivamente errada.

Na verdade, o homem é um paradoxo. De um lado, encontramos nele a futilidade, a degradação e o pecado; do outro, encontramos a bondade, a gentileza e o amor. Como disse Sêneca: “Os homens amam seus vícios e, ao mesmo tempo, os odeiam.”1 Onde quer que examinemos, encontramos o paradoxo do homem. É o pecador irremitente e, ao mesmo tempo, apresenta capacidades que o relacionam com Deus. Não admira que Paulo se referisse à doença do homem como “o mistério da iniqüidade”.

Assim é que todos nós reconhecemos estar doente a raça humana e igualmente reconhecemos que o homem apresenta uma doença que lhe afetou toda a vida. A essa doença a Bíblia dá o nome de pecado, e ensina que o homem é pecador.

O que é o pecado? A Confissão de Westminster define-o como “qualquer falta de conformidade com a lei de Deus, ou qualquer transgressão desta lei”. Em palavras mais simples, o pecado é qualquer coisa contrária à vontade e à lei de Deus.

A  ORIGEM  DO  PECADO

A questão que nos confunde é: Onde o mal e o pecado se originaram, e por que Deus os permitiu? A Bíblia ensina que o pecado não se originou com o homem, mas com o anjo que passamos a conhecer como Satanás. No entanto, o modo exato pelo qual o pecado se originou não é inteiramente conhecido. Trata-se de um daqueles mistérios que a Bíblia não revela em sua inteireza. De quando em vez percebemos, de relances, na Bíblia, a resposta desse enigma.

No vigésimo oitavo capítulo de Ezequiel, por exemplo, vemos a descrição de um ser grande e glorioso, de quem diz o profeta: “Tu eras querubim da guarda, ungido, e te estabeleci; permanecias no monte santo de Deus… Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que se achou iniqüidade em ti” (Ezequiel 28:14, 15).

Nisto temos um vislumbre de onde a coisa começou. Em algum passado longínquo a iniqüidade foi encontrada no coração de uma das criaturas mais magníficas do céu. Como essa iniqüidade chegou lá, não nos dizem. Por algum motivo, não agradou a Deus revelar a resposta completa do mistério do início da iniqüidade, bastando-nos saber que ela se acha no mundo e que o homem caiu sob o seu poder.

No livro de Isaías temos outro indício sobre a origem do mal: “Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filho da alva! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações! Tu que dizias no teu coração: Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do Norte; subirei acima das mais altas nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo. Contudo foste precipitado no reino dos mortos, no mais profundo do abismo” (Isaías 14:12-15). Aqui temos um quadro do pecado de Lúcifer, a descrição da iniqüidade encontrada em seu coração, mas não há explicação de como ela chegou lá.

Com base nessas referências ficamos sabendo que ele caiu e se tornou Satanás devido à sua ambição desmedida. O Novo Testamento nos apresenta de relance uma indicação quanto ao pecado do orgulho: “Não seja neófito, para não suceder que se ensoberbeça, e incorra na condenação do diabo” (I Timóteo 3:6). Aqui o Apóstolo Paulo afirma que o pecado básico de Lúcifer foi o orgulho.

REVOLTA  CONTRA  DEUS

O pecado é uma revolta contra Deus, o estabelecimento de uma independência falsa, a substituição de uma “vida para Deus” por uma “vida para si”.

Quando chegamos à entrada do pecado da raça humana, a Bíblia se mostra muito mais detalhada e ensina que, por culpa de um ato do homem, o pecado veio ter ao mundo, com todas as suas conseqüências universais. Esse homem foi Adão, e o ato foi a prova do fruto tirado da árvore do conhecimento do bem e do mal, que Deus proibira (Romanos 5:12-19, Gênesis 3:1-8; I Timóteo 2:13, 14). Deus concebeu ao homem o dom da liberdade e este podia escolher entre servir e amar a Deus e rebelar-se e tentar construir seu mundo sem Deus. A árvore do conhecimento do bem e do mal serviu como prova.

A causa imediata da rebelião do homem foi a “concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida” (I João 2:16). “Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou-lhe do fruto e comeu, e deu também ao marido, e ele comeu” (Gênesis 3:6).

Séculos mais tarde, Cristo enfrentou as três mesmas tentações no deserto. Venceu-as todas, mostrando assim que é possível ao homem resistir às tentações de Satanás (Mateus 6:1-11).

Desejar o que Deus proibiu é preferir-se a Deus, e isso constitui pecado. Nos Dez Mandamentos se diz que não cobicemos ou sejamos concupiscentes. Recebemos instruções para não desejar coisa alguma proibida por Deus, mas Adão e Eva falharam em sua prova e tiveram um ato de rebelião contra Deus. No entanto, toda a lei moral é mais do que uma prova, pois se destina ao bem do próprio homem! Todas as leis que Deus apresentou foram feitas em benefício do homem, e se este as viola não se está apenas rebelando contra Deus, mas também prejudicando a si próprio.

Deus avisara antes: “Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque no dia em que dela comeres, indubitavelmente morrerás” (Gênesis 2:17). Por ter o homem violado esse mandamento de Deus, morreu espiritualmente e teve de enfrentar a morte eterna. As conseqüências do pecado cometido por Adão e Eva foram imediatas, de longo alcance e terríveis. Se houvessem obedecido a Deus, só nos é dado imaginar as possibilidades que o homem teria concretizado nos milhares de anos posteriores àquele ato. Não teria havido ódio, cobiça, preconceito. Não teria havido guerras e o homem jamais teria conhecido o sofrimento, a doença, a pobreza ou a morte. Deus e o homem, juntos, teriam construído neste planeta uma gloriosa ordem social inteiramente desconhecida de nós hoje.

Bem pouco vale, entretanto, especular sobre o que poderia ter sido, mas não foi. O pecado é o fato obstinado de nosso mundo, e temos de aceitá-lo.

Assim é que no primeiro capítulo do Gênesis lemos a narrativa da glória potencial do homem como criatura feita à imagem de Deus e dos efeitos de ter cedido à tentação, com a tragédia e a degradação seguintes. Ali se mostra que o mal existiu antes do homem, não nasceu dele. Já existia uma falha e uma desarmonia na criação, na pessoa de Satanás, que fora um príncipe-anjo ou vice-rei de Deus. Dessa fonte do mal é que surgiu a tentação do homem, mas isso não o liberta da responsabilidade pelo seu ato de rebelião.

A Bíblia ensina assim que o principal problema do homem é espiritual, e a base desse problema é revelada na narrativa do Gênesis sobre a tentação e queda do homem. Deus o criou livre, não só para obedecer mas também para desobedecer. Se a desobediência não fosse possível, a obediência seria destituída de qualquer sentido.

Nessa liberdade, o homem foi na verdade submetido a duas opções que se neutralizavam mutuamente. Deus ofereceu ao homem a supremacia e poder, se este se submetesse à lei e ao governo divinos. Satanás oferecia esclarecimento e semelhança aos deuses, ao homem, se este desobedecesse a Deus.

Embora as recompensas pela obediência ultrapassassem de muito as da desobediência, o homem preferiu desobedecer.

Qual foi o resultado? Satanás prometera ao homem o conhecimento do bem e do mal, e de modo deturpado manteve sua palavra, mas ao invés de mostrar o mal da altura do bem, ele mostrou o “bem” do abismo profundo do mal. Conforme o plano de Deus, por meio da vitória sobre a tentação, o homem deveria ter percebido o que é o bem e o que seria o mal. Mas, pelo pecado, o homem na verdade percebeu o que o mal é, o que o bem teria sido. E, por ter deliberadamente pecado, devia agora ser também cortado da árvore da vida. A morte ingressou na realidade humana, e o inferno teve início no paraíso.

O universo em que vivemos está sob a lei de Deus. No reino material, os planetas se movem com precisão cronométrica. Em todo o universo vemos harmonia, ordem e obediência. Deus não é menos exigente na ordem espiritual e moral, que é mais elevada. Embora Deus ame o homem com amor infinito, não pode e não quer aceitar a desordem, e por isso determinou leis espirituais que, se obedecidas, trazem harmonia e realização, mas, desobedecidas, trazem discórdia e infelicidade.

O resultado claro do pecado adâmico veio numa série de modos. Tanto Satanás quanto Adão haviam desafiado a lei divina. Eles não a invalidaram, mas se invalidaram ao transgredi-la. Como Deus avisara, “no dia em que dela comeres, indubitavelmente morrerás” (Gênesis 2:17). O resultado foi a morte, como fora predito. A vida de beleza, liberdade e companhia que Adão conhecera estava terminada. O pecado dera em resultado uma morte em vida. A natureza tornou-se amaldiçoada e o veneno do pecado infeccionou toda a família humana. Toda a criação foi largada em desarmonia, e o paraíso ganho era agora um paraíso perdido! A Terra se transformara num planeta em rebelião!

O  QUE  É  O  PECADO?

Há muitas palavras no Novo Testamento que foram traduzidas como “pecado”. Uma das mais comuns é hamartia, que significa “errar o alvo”. O pecado é errar o alvo a que deve mirar a vida, e que esta deveria atingir. Desse modo, o pecado é deixar de corresponder aos padrões estabelecidos por Deus. Como nenhum de nós pode cumprir todas as leis de Deus invariavelmente, todos nós “erramos o alvo”. A Bíblia disse do próprio início da humanidade: “Porque todo ser vivente havia corrompido o seu caminho na terra” (Gênesis 6:12). Diz o rei Davi: “Todos se extraviaram e juntamente se corromperam: não há quem faça o bem, não há um sequer” (Salmos 14:3). Isaías, o profeta, confessava: “Todos nos andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho” (Isaías 53:6). E o rei Salomão dizia: “Pois não há homem que não peque” (II Crônicas 6:36).

SOMOS  PECADORES  POR  DECISÃO  PRÓPRIA

Embora a tendência ao pecado nos tenha sido transmitida por nossos primeiros pais, somos também pecadores por decisão nossa. Quando chegamos à idade da responsabilidade e nos vemos diante da escolha entre o bem e o mal, todos preferimos de vez em quando ficar raivosos, dizer uma mentira e agir egoisticamente. Como disse Davi: “Eu nasci na iniqüidade, e em pecado me concebeu minha mãe” (Salmos 51:5). Isto não quer dizer que ele tivesse nascido fora de matrimônio, mas que herdara dos pais a tendência ao pecado. Assim é que Jeremias afirmava: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto, quem o conhecerá?” (Jeremias 17:9).

Um adolescente de dezessete anos assassinou a punhal um ancião em Brooklyn. Mais tarde, na delegacia de polícia, afirmou: “Não sei por que fiz isso.” Afirma um grande domador de leões: “Não há leão domesticado. Um leão pode ser bem comportado hoje e ferocíssimo amanhã.” Nenhum de nós pode, realmente, confiar em seu coração e a Bíblia apresenta esse ponto de modo bem incisivo, ao dizer: “Eis que o pecado jaz à porta” (Gênesis 4:7). Em circunstâncias favoráveis, a maioria de nos é capaz de cometer quase qualquer transgressão.

Isto não quer dizer que todas as pessoas se acham privadas de qualidades agradáveis. O ser humano pode apresentar certas qualidades morais, pode ser um cavalheiro em todos os sentidos da palavra. As Escrituras, no entanto, ensinam que todas as pessoas são destituídas do amor por Deus que é a exigência fundamental da lei. Isso significa que o homem comum é dado a preferir o “eu íntimo” a Deus.

Desde que o homem deixa de atender às exigências de Deus, é culpado e está sob condenação. Ser culpado significa que o homem merece castigo, e a santidade de Deus reage contra o pecado porque Ele é um Deus santo. Por isso, existe “a ira de Deus” (Romanos 1:18).

OS  RESULTADOS  DO  PECADO

A Bíblia nos ensina que o pecado afeta o espírito. “Ora o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus… e não pode entendê-las porque elas se discernem espiritualmente” (I Coríntios 2:14). Embora um homem possa mostrar-se brilhante em algumas coisas, pode também estar grosseiramente confuso sobre as realidades espirituais. A Bíblia ensina que existe um véu sobre o seu espírito. Antes que alguém se possa converter a Cristo, esse véu deve ser levantado, o que se faz pelo poder sobrenatural do Espírito Santo.  Sem esse “erguer o véu,” não há possibilidade de que um homem chegue a Deus. O Evangelho de Jesus Cristo não é antiintelectual, e exige o uso da inteligência, mas esta se acha afetada pelo pecado e está a serviço de uma vontade rebelde. Em análise final, o homem deve submeter a sua inteligência à autoridade de Cristo. Em anos recentes, vi grande número de intelectuais responderem ao Evangelho. Muitos tentaram entrar primeiramente pelo raciocínio, e não conseguiram! Deve haver uma resposta dada por todo o homem, intelecto, vontade e emoções, à iniciativa salvadora de Deus.

Ensina também a Bíblia que o pecado afeta a vontade. Foi Jesus quem disse: “Todo o que comete pecado é escravo do pecado” (João 8:34). Existem inúmeras pessoas que vivem sob a tirania do orgulho, ciúme, preconceito, ou sob a escravidão do álcool, barbitúricos ou entorpecentes. Até alguns que não querem fazer as coisas que fazem mostram-se sem força para abandoná-las; tomaram-se escravos, gritam pedindo libertação mas não parece haver saída. Foi Cristo, no entanto, quem proclamou: “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (João 8:32). Ele é a verdade; Ele poderá libertar-nos.

O pecado também afeta a consciência, a ponto de nos tornarmos vagarosos na percepção de que o pecado se aproxima. A Bíblia fala do caráter enganoso do pecado. Os psicólogos aprenderam que podem pôr uma rã na água quente e que o animal saltará dali, mas se puserem a rã em água morna e a aquecerem gradualmente, poderão cozê-la sem que o animal pule fora. O mesmo acontece com o pecado. Houve uma época em que você andou perturbado e atormentado pela consciência, devido a determinado pecado. Pode ter sido alguma imoralidade, uma mentira, ou a primeira desonestidade na escola, mas já agora a sua consciência não o incomoda. O seu coração se endureceu, e você não apresenta mais sensibilidade a coisas que sabe que são erradas. Você formou um sistema racional para manter tranqüila a consciência.

No primeiro capítulo da Epístola aos Romanos, o Apóstolo Paulo dizia que, devido ao fato de os homens estarem tão entregues a seus pecados, “Deus os abandonou”. Certa feita, Deus disse a respeito de Efraim: “Efraim está entregue aos ídolos; é deixá-lo” (Oséias 4:17).

Trata-se de um dos mais terríveis resultados do pecado. Começamos a chamar o preto de branco – e o branco de preto. Não sabemos mais a diferença entre o bem e o mal. Conheci homens que mentem habitualmente, e há tanto tempo vêm mentindo que não conseguem mais distinguir a verdade da mentira. A sua sensibilidade ao pecado foi quase inteiramente embotada.

A totalidade dessa infecção se reflete em todas as partes das Escrituras, em todos os jornais que lemos. Reflete-se em todas as noticias divulgadas pelo rádio e pela televisão. O homem é assim descrito como um ser totalmente depravado e corrompido. Isso não quer dizer que ele seja de todo pecaminoso, desesperada e irreparavelmente mau, sem qualquer traço de bondade; quer dizer que o pecado infeccionou a totalidade da vida humana, obscurecendo-lhe a inteligência enfraquecendo-lhe a vontade e corrompendo-lhe as emoções. O homem está alheado de Deus e necessitado de restauração. As suas inclinações naturais e instintivas afastam-no de Deus e orientam-no para o pecado.

Em sua auto-afirmação, como o pai Adão, o homem gostaria de crer que pode construir o seu mundo sem Deus. Aí está a sua depravação. Ele gostaria de acreditar que os seus problemas podem ser resolvidos mediante soma maior de conhecimentos, pela diplomacia, pelas negociações, por suas próprias maquinações. Aí está sua depravação. Ele gostaria de crer que pode salvar a si próprio, por suas próprias obras e esforços meritórios. Também aí está sua depravação.

A  MORTE  TRÍPLICE

Já que todos os homens pecaram, todos estão sob a penalidade máxima da morte. O homem sofre não só em conseqüência do pecado cometido nesta vida, mas tem ainda de enfrentar o julgamento que virá um dia. Assim como sucedeu com Adão, sucederá com todos os homens. Deus castiga o pecado com tríplice morte – física, espiritual e eterna.

Em primeiro lugar, existe a morte física. É a Bíblia quem afirma: “Aos homens está ordenado morrerem uma só vez” (Hebreus 9:27) e ensina que existe “tempo de nascer, e tempo de morrer” (Eclesiastes 3:2). Como pergunta o Salmo 89:48: “Que homem há, que viva, e não veja a morte?” A Bíblia diz assim, com toda a clareza, que Deus marcou encontro entre cada homem e a morte. Para todo o homem existe um dia, uma hora e um minuto. Em muitos lugares a Bíblia fala da brevidade da vida. Diz-nos que nossas vidas físicas são “um conto que foi dito”, “uma lançadeira do tecelão”, “uma flor que murcha”, “a grama que seca”. Passa uma geração e vem outra. Se Deus não houvesse proferido o julgamento da morte física para a raça humana, os homens teriam continuado em seus pecados até que a Terra se tornasse o próprio inferno. Cada geração tem um começo novo e assim a morte, embora castigo para o pecado, divinamente imposto aos indivíduos, quando passada a gerações sucessivas de humanidade torna-se uma bênção.

Devido à brevidade da vida, a Bíblia adverte que devemos estar preparados para encontrar Deus a qualquer momento. “Visto que os seus dias estão contados, contigo está o número dos seus meses; tu ao homem puseste limites, além dos quais não passará” (Jó 14:5).

A Bíblia nos concita: “Prepara-te… para te encontrares com o teu Deus” (Amós 4:12). Em seus últimos momentos de vida, César Bórgia afirmou: “No curso de minha vida preparei-me para tudo, menos para a morte, e agora tenho de morrer inteiramente despreparado.”

Em segundo lugar, existe a morte espiritual. Há milhões de pessoas, neste mundo e neste momento, que sofrem a morte espiritual. Quase todos os dias, podemos ler num jornal a respeito daqueles cujas vidas são vazias ou perdidas. Foram feitas para a companhia de Deus, e acham-se separadas de seu Criador. Essa é a morte espiritual, a separação entre a alma e Deus, a separação entre o homem e Aquele que disse: “Eu sou… a vida.” A Escritura diz dessas pessoas que estão mortas “nos vossos delitos e pecados” (Efésios 2:1).

Em terceiro lugar, existe a morte eterna. A Bíblia tem muita coisa a dizer sobre o inferno. Ninguém falou mais sobre ele do que Jesus, e o inferno do qual veio salvar os homens não era apenas aquele sobre a terra. Não era apenas algum estado no qual os homens estejam hoje vivendo – era algo que viria ainda. Jesus jamais ensinou que qualquer pessoa na terra estivesse vivendo no inferno. Sempre advertiu sobre um inferno vindouro. Qualquer que fosse o inferno a que se referia, este era em sua essência a separação entre a alma e Deus como culminação da morte espiritual do homem. Existem muitos mistérios sobre esse ponto, e não nos atrevemos a ir além dos ensinamentos das Escrituras. Basta lembrar aos homens que Jesus disse: “E irão estes para o castigo eterno” (Mateus 25:46). Jesus também disse: “Mandará o Filho do homem os seus anjos que ajuntarão do seu reino todos os escândalos e os que praticam a iniqüidade, e os lançarão na fornalha acesa; ali haverá choro ranger de dentes” (Mateus 13:41-42).

Foi Sir Thomas Scott, Chanceler da Inglaterra, quem afirmou em seu leito de morte: “Até este momento, pensei que não havia Deus, nem inferno. Agora sei e sinto que existem ambos, e estou condenado à perdição pelo julgamento justo do Onipotente.”

A afirmação bíblica é, portanto, que algo aconteceu ao homem, que este se tornou coisa diferente da criada por Deus, e continua a ser o que não se destinava a ser. Isso requer uma recuperação, e tal recuperação deverá ser radical e revolucionária, devendo fazer o homem voltar sobre os seus passos e tomar novo rumo.

A necessidade de renascimento espiritual torna-se evidente até ao observador mais superficial da natureza humana. O homem caiu, perdeu-se. O homem está alheado de Deus, e sua recuperação tem de começar no ponto de sua queda. Preferiu o seu eu íntimo a Deus. Se quiser recuperar-se, terá de escolher Deus e colocá-lo acima de seu eu. O homem vive sob condenação à morte e tal sentença só poderá ser suspensa se ele, por um ato de seu livre arbítrio, fizer uma inversão completa de sua decisão inicial.

A primeira indicação do Evangelho vem do Gênesis 3:15: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.” É a primeira nota do Evangelho, a primeira promessa de salvação! Pela primeira vez Deus fala de Seu Filho, por cujo redentor a cabeça de Satanás será esmagada.

É assim que Deus inicia aquilo que o homem não tem o poder de proporcionar – a sua própria salvação. Todos os poderes morais do indivíduo e todas as formas sociais da coletividade se mostrarão inadequados, pois a salvação por Deus, em Cristo, é o único plano possível para a redenção do homem.

O homem tem desesperadamente tentado recuperar a companhia perdida de Deus. Tentou milhares de modos para obter isso, mas não adiantou. Por intermédio de formas diversas de religiões, o homem procurou recuperar o paraíso, e o homem ocidental voltou-se agora para o secularismo e o humanismo, esperando que mediante os seus próprios esforços possa construir uma Utopia na Terra. Assim como todos os outros planos fracassaram, também esse fracassará.

Existem aqueles, porém, que afirmam ter o mundo tentado o cristianismo e que também o cristianismo fracassou. O fato de que o mundo não tenha melhorado moralmente, no entanto, não é culpa do cristianismo; foi a falta de sua aplicação. Quando, postos diante dos problemas mundiais, nós, os cristãos, dizemos automaticamente: “O cristianismo é a solução.” Mas isso não é verdade! A resposta está na aplicação do cristianismo.

Foi G. K. Chesterton quem declarou, há uma geração: “O ideal cristão não foi experimentado e achado inservível. Foi achado difícil, e ficou sem ser experimentado.”

MODO  DE  DEUS  VERSUS  MODO  DO  HOMEM

Desde o início, todas as tentativas no sentido de recuperar para o homem sua posição perdida dividiram-se em dois modos. Adão e Eva tiveram dois filhos, Caim e Abel. Um deles seguiu o caminho do Senhor e era obediente. O outro filho, Caim, seguiu seu próprio caminho, desobediente ao mandamento bem claro de Deus. Abel representava “a semente da mulher”, enquanto Caim representava “a semente da serpente”.

Caim é o arquiteto da civilização moderna. É ele o materialista auto-suficiente e o humanista religioso. Embora fosse religioso e se apresentasse ao altar de Deus, negava a revelação implícita de salvação dada a Adão na forma de roupa conseguida por intermédio da vida de outro (Gênesis 3:21). Trouxe ao altar uma expressão de seus próprios esforços e vigor, tomando-se o protótipo de todos os que se atrevem a aproximar-se de Deus sem derramamento de sangue.

A partir desse ponto, dois caminhos ou modos se apresentam na história humana. De um lado, temos o caminho de Caim, com sua religião da carne, com uma redenção humana que confia apenas no homem e rejeita a substituição por Deus. O seu modo humanizou Deus e deificou o homem. Seu modo era o modo do materialista, do secularista, do humanista.

Do outro lado, temos o caminho de Abel, com seu reconhecimento humilde de que o pecado exige a morte, de que o pecador culpado deve confiar no sacrifício indicado por Deus. Seu modo tornou -se um tipo da morte de Cristo.

O  REMÉDIO  DA  REDENÇÃO

Desde a época de Caim e Abel até nossos dias, o homem tem procurado encontrar o seu próprio remédio para a sua doença, o pecado. isso não deu certo no caso de Caim e jamais produziu resultado para homem algum, e não será conseguido em nossos dias. Apenas Deus pode diagnosticar corretamente a doença do homem, e só Ele nos pode indicar o remédio. E Deus escolheu o sangue como meio de redenção do homem. O Apóstolo João escreveu que Jesus Cristo “pelo seu sangue nos libertou dos nossos pecados” (Apocalipse 1:5).

O sangue é o símbolo da vida sacrificada pelo pecado. “Porque a vida da carne está no sangue. Eu vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pelas vossas almas: porquanto é o sangue que fará expiação em virtude da vida” (Levítico 17:11).

Em todo o Antigo Testamento vemos registrado reiteradamente que Deus queria a vida de um animal perfeito, sendo seu sangue derramado sobre o altar, como sacrifício pelo pecado. “E sem derramamento de sangue não há remissão” (Hebreus 9:22). Tais sacrifícios eram feitos em antecipação ao dia em que um sacrifício permanente se realizaria. “Entretanto, nesses sacrifícios faz-se recordação de pecados todos os anos, porque é impossível que sangue de touros e de bodes remova pecados” (Hebreus 10:3-4).

Quando Jesus Cristo, o homem-Deus perfeito, derramou sangue na cruz, estava entregando Sua vida pura e sem mácula à morte como sacrifício eterno pelo pecado do homem. De uma vez por todas, Deus providenciou de modo completo e perfeito a cura para os pecados humanos; sem o sangue de Cristo, eles realmente são uma doença fatal.

Ao sentar-se para a última ceia com os discípulos, Jesus disse: “Porque isto é o meu sangue, o sangue da aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados” (Mateus 26:28 ).

Os apóstolas disseram o mesmo, reiteradas vezes.

Paulo escreveu: “No qual temas a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados” (Efésios 1:7).

Pedro disse: “Sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou aura, que fostes resgatados… mas pelo precioso sangue, como de um cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue do Cristo” (I Pedro 1:18, 19).

João afirmou: “E o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado” (I João 1:7).

Todos têm que fazer sua escolha entre os dois caminhos, o caminho do homem ou o de Deus. Um é o caminho do esforço próprio por curar a si mesmo e obter a redenção própria; o outro é a justificação, mediante a fé no sangue de Jesus Cristo.

Em nossas cruzadas sempre cantamos um hino que exemplifica a necessidade do homem quanto a essa necessidade, e a resposta de Deus:

Tal qual estou eis-me, Senhor,

Pois o teu sangue remidor

Verteste pelo pecador;

Ó Salvador, me achego a Ti.

 

Tal qual estou, sem esperar

Que possa a vida melhorar,

Na tua graça a confiar

Ó Salvador, me achego a ti.

 

(Just as I am, without one plea

But that Thy blood was shed for me,

And that Thou bidd’st me come to Thee,

O Lamb al God, I come! I come!

Just as I am, and waiting not,

To rid my soul al one dark blot,

To Thee whose blood can cleanse each spot,

O Lamb al God, I come! I come!)

Extraído do livro “MUNDO  EM  CHAMAS”, BILLY GRAHAM


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