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A Dolorosa Verdade: “todos os terroristas do mundo são muçulmanos”

por Artigo compilado - seg set 03, 10:08 am

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“A dolorosa verdade: todos os terroristas do mundo são muçulmanos”, assim foi denominado o artigo escrito por Abduirahman al Rashed, diretor-geral da rede de TV Al Arabiya, publicado pelo jornal pan-árabe “Asharq al Awsat”, após o trágico desfecho do seqüestro na escola de Beslan, na Rússia. Este deixou mais de 300 mortos, incluindo várias crianças.

Em termos estritos, o título do texto não corresponde à verdade. Por exemplo, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia e o 17 de Novembro grego também cometem atentados terroristas, muitas vezes com vítimas.

Tudo indica, porém, que Al Rashed quis dizer que, há algum tempo, os ataques mais sangrentos e freqüentes vêm sendo realizados por muçulmanos e que a barbárie dos “combatentes da guerra santa” cresce em ritmo acelerado no Iraque, na Tchetchênia, no Afeganistão etc.

Com efeito, o terrorismo islâmico é, de longe, o mais ativo e feroz existente no planeta atualmente. Todavia é incorreto colocar todos os movimentos terroristas muçulmanos na mesma categoria, como se eles tivessem os mesmos objetivos, isso segundo o que nos informa os analistas consultados pelo Jornal a Folha de São Paulo.

“Há dois tipos de grupos principais. Primeiro, há um grande número, embora desconhecido, de membros da Al Qaeda e de simpatizantes de seus objetivos globais, como aqueles que compõem o Jemaah Islamiah indonésio”, explicou Jonathan Stevenson, do Instituto Internacional para Estudos Estratégicos (Washington). “Segundo há diversos grupos terrorista islâmicos que não são ligados à Al Qaeda e têm metas mais limitadas geográfica e politicamente. Deve-se ressaltar, contudo, que eles também aplicam métodos radicais de terrorismo islâmico, embora não sejam tão espetaculares quanto à Al Qaeda”.

Magnus Ranstorp, diretor do Centro de Estudos sobre Terrorismo e Violência Política da Universidade de St. Andrews (Reino Unido), define as duas formas como “apocalíptica” ou “jihadista” e “tradicional” ou “política”.

“A Al Qaeda e todos os grupos diretamente ligados a ela constituem a ala apocalíptica do terrorismo islâmico, com seu discurso jihadista repleto de referëncias à guerra santa, pois buscam desencadear um choque de civilizações por meio de ações gigantescas e cinematográficas. Já as organizações palestinas, como o Hamas e o JiIhad Islâmico, por exemplo, se inserem no contexto do terror tradicional Com freqüência, este tem origem no que é visto como uma ocupação, avaliou Ranstorp. Vale lembrar que a rede terrorista Al Qaeda, de Osama bin Laden (nascido na Arábia Saudita), orquestrou e realizou o maior ataque da História ao território americano, ó 11 de Setembro, provocando cerca de 3.000 mortes.

Também fazem parte de sua categoria o Tawhid e Jihad, liderado pelo jordaniano Abu Musab ai Zarqawi, o homem mais procurado pelos EUA no Iraque, o Jemaah Islamiah indonésio, que cometeu o atentado a uma boate em Bali, em 2002, assassinando 202 pessoas, e o grupo responsável pelas explosões ocorridas em Madri, em 11 de março último, que mataram 191 inocentes.

Olivier Roy, do Centro de Estudos e de Pesquisas Internacionais (Paris), concorda com Ranstorp e afirma que “o terrorismo da Al Qaeda é apocalíptico”. “Provocando um choque de civilizações, Bin Laden quer pôr fim à atual ordem global para erigir estruturas sociais condizentes com sua interpretação radical do islã. Ele não preconiza a morte por si só, sem outras metas”.

Para Rohan Gunaratna, do Instituto de Defesa e de Estudos Estratégicos de Cingapura, “a doutrina apocalíptica é difundida nas madrassas paquistanesas [escolas de religião] ou nos centros wahabistas sauditas, e seus métodos começam a ser exportados para regiões antes mais interessadas em secessão do que em terror”.

Entre as organizações islâmicas adeptas do terrorismo tradicional ou político, que, geralmente, envolve causas étnicas ou nacionalistas, também estão, entre outros grupos, o Abu Sayyaffilipino, que combate o controle de Manila sobre a ilha de Mindanao, e o Grupo Islâmico Armado argelinç, que busca criar um Estado muçulmano no país magrebino.

É vital, contudo, salientar que tem ocorrido uma perigosa infiltração do terror apocalíptico, cujas redes são transnacionais, em movimentos islâmicos regionais, como o tchetcheno. “Além de abrir caminho para novas fontes de financiamento, a radicalização existe porque inúmeros muçulmanos crêem que o Ocidente seja injusto com outros seguidores do islã nos territórios palestinos ou no Iraque”, apontou Gunaratna.

De acordo com os especialistas, a comunidade internacional deve, ‘por conseguinte, buscar a via do diálogo com organizações cujas aspirações são concretas e limitadas geograficamente, tentando evitar que sua “jihadização” tome os conflitos regionais ainda mais complicados.

Fonte: Jornal Folha de SP

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