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A doutrina dos mórmons sobre o homem

por Artigo compilado - qui maio 07, 11:39 am

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Comparado com Joseph Smith, Satanás foi conservador quando disse a Eva: “Sereis como deuses” (Gênesis 3.5) Joseph Smith e seus teólogos omitem o ‘como’. Prometem a divindade a todos os fiéis. Smith assim considera o assunto:

“Tendes que aprender como ser Deuses vós mesmos — tal como todos os Deuses têm feito antes de vós” (King Follett Discoursse, p.10).

A fim de elevar o homem à categoria de um deus, foi preciso que Smith rebaixasse a estatura de seu deus. Isso ele faz declarando: “Deus já foi homem como nós” (King Follett Discoursse, p.9). Dispondo dessa largueza, os teólogos mórmons ampliaram a ideia e desenvolveram seu atual conceito do homem como deus em potencial.

Lorenzo Snow, contemporâneo de Joseph Smith, codificou o ensino de Smith no seguinte aforismo, que já se tornou padrão entre os mestres dos mórmons:

“Como Deus é, assim pode tornar-se o homem” (Millennial Star, vol. 54. Milton R. Hunter, Gospel Through the Ages, p.105-10).

Outro contemporâneo de Smith, reconhecido pelos mórmons como um de seus maiores teólogos, disse:

“Lembrai-vos de que Deus nosso Pai celestial já foi talvez uma criança e mortal como nós; elevou-se passo a passo na escala do progresso, na escola do aperfeiçoamento; progrediu e venceu até chegar ao ponto onde agora se encontra” (Orson Hyde, Journal of Discourses, vol. I, p. 123).

Tendo assim reduzido a estatura da Divindade à de um super-homem elevado, os ensinadores mórmons não encontraram grande dificuldade em desenvolver uma “doutrina do homem” que coloque o homem no mesmo nível de semelhante Divindade. É escusado dizer que o deus dos mórmons não é o Deus da Bíblia, nem o “homem” dos mórmons a criatura que veio da mão do Deus todo-poderoso e eterno.

A fim de criar semelhante teoria do deus-homem, foi preciso que os mórmons criassem sua própria doutrina de reencarnação. Não que isso seja novidade com eles: apenas mudaram um pouco o palavreado.

Primeiro, ensinam que todos os seres e espíritos humanos, e mesmo Jesus Cristo e Satanás, existiram como espírito desde uma eternidade passada. No nascimento físico, os espíritos recebem corpo no qual possam exercer sua escolha do bem e do mal. Assim a vida presente é um período de experiência. A maneira pela qual é utilizado esse período experimental é que determina completamente a categoria da pessoa na próxima vida após a ressurreição.

A vida vindoura começa onde finda a vida presente. Se tiverem sido satisfatórios todos os feitos e realizações desta vida, e todos os “dotes do templo” tiverem sido cumpridos, então o indivíduo se torna um deus e é tido por competente para prosseguir a criar e povoar mundos seus, e assim ad infinitum. Nenhum bom mórmon negará que essa é doutrina mórmon regular. Em todo o caso, prevendo a possibilidade de alguém por em dúvida a exatidão das nossas afirmativas, faremos citações de teólogos mórmons regulares e aprovados.

Joseph Smith preparou o caminho para os ensinadores posteriores dos mórmons quando escreveu de novo a História da Criação. Esse material consta do seu “Livro de Moisés,” que é igual ao que está no Pérola de Grande Valor, usado pelos mórmons de Salt Lake City, e na Versão Inspirada de uso da Igreja Reorganizada. Diz Smith:

“Pois Eu, o Senhor Deus, criei espiritualmente todas as coisas de que tenho falado, antes de existirem naturalmente sobre a face da terra — pois no céu Eu as criei — e o homem se tornou alma, vivente, a primeira carne sobre a terra — o primeiro homem também; contudo, todas as coisas já estavam criadas anteriormente: porém espiritualmente foram criadas e feitas de acordo com minha palavra” (Pérola de Grande Valor, Livro de Moisés, 3.5-7).

Na mesma obra, Smith apresenta o Senhor que diz a Enoque:

“Unge teus olhos com barro, lava-os e verás. E ele assim fez. E ele contemplou os espíritos que Deus tinha criado, e contemplou também coisas que não eram visíveis ao olho natural” (Pérola de Grande Valor, Livro de Moisés, 3.5-7).

Alguns meses depois, pelo menos até 1835, Joseph Smith tinha preparado os “capítulos” finais de suas “escrituras”. A esses deu o nome de “Livro de Abraão”, alegando tê-los traduzido de papiros encontrados sobre uma múmia que comprou de um dono de circo ambulante, Michael N. Chandler (Handbook of Reference, p.45).

Havia quatro múmias na coleção. Uma delas, conforme se verificou, era da filha de Faraó (décima-quarta dinastia), outra do Faraó Neco (vigésima-sexta dinastia). Sobre a múmia da filha de Faraó havia papiros que continham a escrita de Abraão (décima-primeira dinastia). Desse papiro da décima-primeira dinastia, encontrado sobre uma múmia da décima-quarta dinastia, a qual fora comprada junto com outra da vigésima-oitava dinastia, foi que Joseph Smith traduziu seu “Livro de Abraão.”

Diga-se a favor da Igreja Reorganizada que, quando o embuste foi denunciado por egiptólogos competentes, repudiaram o “Livro de Abraão”. O restante do Pérola de Grande Valor eles eram obrigados a aceitar uma vez que é a matéria exata encontrada na Versão Inspirada. Fica-se a imaginar como eles puderam rejeitar o embuste de Smith sem rejeitar o próprio Smith.

Nesse “Livro de Abraão” lemos (e aqui citamos por extenso):

“Ora, o Senhor tinha mostrado a mim, Abraão, as inteligências que foram organizadas antes de haver mundo; e entre todas havia muitos dos nobres e dos grandes; e Deus viu essas almas que eram boas, e ficou em pé no meio delas e disse; destas farei meus governadores; pois ele estava entre as que eram espíritos e ele viu que eram bons; e ele me disse: Abraão, tu és um deles; foste escolhido antes de nasceres”.

E estava em pé no meio deles um que era semelhante a Deus [nessa altura uma nota faz referência a uma passagem no “Livro de Moisés” que se refere evidentemente ao Filho de Deus, fazendo dele assim um espírito precriado] e ele disse aos que estavam com ele: desceremos, pois ali há espaço, e tomaremos destes materiais e faremos uma terra onde estes possam habitar. E o Senhor disse: quem enviarei? E um respondeu parecido com o Filho do Homem: Eis-me aqui, envia-me. E outro respondeu e disse; Eis-me aqui envia-me. E o Senhor disse: Enviarei o primeiro. E o segundo ficou zangado e não conservou seu primitivo estado, e naquele dia muitos o seguiram”.

Refere-se isto evidentemente a Satanás, de quem os mórmons fazem um espírito desobediente e espírito irmão de Jesus Cristo. Esse é um de seus textos de prova. Munidos dessa base pseudo-bíblica, os teólogos mórmons puseram-se a trabalhar com afinco para desenvolver a teoria.

Os estudantes da história eclesiástica reconhecerão, à medida que prosseguimos, uma semelhança com os “espíritos precriados” da doutrina de Orígenes e outros. Duvido que Smith tenha ouvido falar de Orígenes e suas heresias, ainda que Rigdon podia conhecer a teoria de Orígenes. Ensinadores subsequentes entre os mórmons de fato usam os escritos de Orígenes para confirmar seus ensinos, porém creio que Smith chegou a suas conclusões da mesma forma que Orígenes, tecendo teorias em um campo em que a Bíblia nada diz. Comentando a respeito de semelhantes teorizadores, Lewis Sperry Chafer comenta:

“Onde Deus não tem falado, há muita largueza para os teólogos preencherem largas porções inteiramente de acordo com seu modo de pensar; mais tarde, no desenvolvimento de seu sistema , sacam de sua própria criação justamente aquilo que prepararam e necessitam” (Lewis Sperry Chafer, Systematic Theology, vol. II, p.169).

É esse precisamente o uso de Smith e de todos os comentaristas mórmons. Seguem-se alguns dos desenvolvimentos da doutrina por parter de escritores mórmons posteriores:

“Jesus Cristo não é o pai dos espíritos que já tomaram ou ainda tomarão corpos sobre esta terra, pois ele é um deles” (James E. Almage, Artigos de Fé, p.473).

“Creem os Santos dos Últimos Dias que a terra foi organizada a fim de que personagens de espírito – os filhos espirituais de Deus – tivessem um lugar onde pudessem tomar a si a mortalidade – tomar corpos mortais. Era necessário tornarem-se mortais para poderem aprender do mal e do bem, da tristeza e a alegria. Era necessário tornarem-se mortais a fim de ter multiplicação, filhos para aprenderem os caminhos de Deus e obedecerem suas leis” (Bardella Shipp Curtis, Sacred Sciptures and Religious Philosophy).

Joseph Fielding Smith, um dos mais constantes dos teólogos brighamitas, afirma:

“A Bíblia ensina-nos que o homem existia na criação dos espíritos antes de aparecer nesta terra com seu corpo físico, porém essa doutrina só se discerne na Bíblia através de uma névoa ou neblina. Essa névoa é criada, conforme registrado por Nephi, porque muitas coisas claras e preciosas têm sido tiradas da Bíblia. A doutrina da pré-existência do homem na criação dos espíritos é ensinada com clareza e energia” (Joseph Fielding Smith, The Progress of Man, p. 9-10).

“Os Santos dos Últimos Dias creem que o homem é espírito, revestido de um tabernáculo, cuja parte Inteligente nunca foi criada ou feita, mas existe eternamente. Essa crença se baseia em uma revelação concedida à Igreja em 6 de maio de 1833 em Kirtland, Estado de Ohio” (Joseph Fielding Smith, The Progress of Man, p. 11).

A revelação em apreço reza como segue:

“O homem também estava no princípio com Deus. A Inteligência, ou a luz da verdade, não foi criada nem feita nem mesmo o pode ser… Pois o homem é espírito. Os elementos são eternos, e espírito e elemento, inseparavelmente ligados, receberam uma plenitude de alegria” (Doutrina e Convênios, 93.29,33,34).

Joseph Fielding Smith, em carta dirigida ao Ancião Whitney, escreve:

“Nosso conhecimento de pessoas e coisas antes de virmos para cá, aliado à divindade despertada em nossas almas pela obediência ao evangelho… orienta nossas preferências no decurso desta vida… Será que podemos saber aqui alguma coisa que não sabíamos antes de vir?… Eu creio que nosso salvador possuía presciência de todas as vicissitudes que teria de atravessar neste tabernáculo mortal. Se Cristo sabia antes, nós também sabíamos. Mas, ao virmos para cá, esquecemos tudo para que nossa agência seja realmente livre para escolher o bem ou o mal” (Era, 23.101; Gospel Doctrine, p.15-16).

James E. Talmage, ao explicar a transição do estado anterior do homem, declara:

“Foi demonstrado que a mortalidade é divinamente fornecida como meio de disciplina e de prova, pelo qual a geração espiritual de Deus possa desenvolver seus poderes e demonstrar seu caráter. Cada um de nós foi adiantado do estado sem corpo ou preexistente para nossa condição atual, em que o espírito individual se acha provisoriamente unido a um corpo de carne e ossos” (Talmage, The Vitality of Mormonism, p.48-49).

Mais adiante no mesmo capítulo, Talmage refere-se a Jesus Cristo como sendo “o primogênito entre todos os filhos espirituais de Deus”, que “havia de vir ao mundo… para ensinar aos homens os princípios salvadores do evangelho eterno” (Talmage, The Vitality of Mormonism, p.48-49).

Para os mórmons, a Queda foi um episódio fortuito — lamentável sem dúvida na ocasião para os participantes — mas inteiramente necessário para o progresso final dos homens. Sobre a Queda, escreve Talmage:

“Por participarem de alimento impróprio para sua condição, e contra o qual já tinham sido avisados especificamente, o homem e sua mulher ficaram sujeitos à degenerescência física” (Talmage, The Vitality of Mormonism, p.52).

Provavelmente uma das declarações mais concisas e ao mesmo tempo compreensivas a respeito do homem, sua origem e seu destino, segundo a doutrina dos mórmons, é esta de John A. Widtsoe:

“Ele (o homem) existia antes de vir para a terra; estava com Deus no princípio; aceitou a oportunidade que lhe foi oferecida por seu pai de vir à terra para ser provado, refinado e educado; vive sobre a terra sob leis, regulamentos e a autoridade do Senhor: morrerá, porém com tempo reaverá seu corpo e, em virtude de seus esforços de justiça, prosseguirá eternamente para a exaltação eterna, ativa e progressiva. O destino do homem é divino. A vida sobre a terra é apenas um capítulo de uma jornada eterna. O homem é um ser eterno. Ele também é “de eternidade em eternidade.”

“Nesta maneira de pensar, a salvação adquire sentido definido. Quem quer que esteja em processo de desenvolvimento ou de progressão está em processo de salvação. Conhecimento em aumento, usado de conformidade com o plano do Senhor, torna-se em poder para remover todos os obstáculos do processo. Nas palavras de Joseph Smith, ser salvo é ser colocado “além do poder do mal”.

“Evidentemente, pois, nossa salvação, iniciada no passado remoto, está sendo desenvolvida por nós na terra e dela nos aproximaremos em sua maior perfeição através dos séculos infinitos da vida futura. Assim todos os homens podem ser salvos, porém em graus proporcionais a suas obras de justiça”.

“Salva então o homem a si mesmo? De certo ponto de vista, sim. Contudo, é somente através do plano divino que a salvação pode ser alcançada; portanto, o homem é apenas um sócio no processo salvador. A salvação é um empreendimento cooperativo entre Deus e o homem” (John A. Widstoe, Varieties of American Religion, Seção Mórmon, p.132-133).

Veja-se agora o contraste entre as complicadas teorias do homem-Deus e a declaração simples das Escrituras: “Então formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra, e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente” (Gênesis 2.7).

Continua…

Por Gordon H. Fraser

Tradução de W. J.Goldsmith


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