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A idolatria nacional

por Artigo compilado - ter fev 25, 12:05 am

pecado

Há algum tempo, perguntei a um estudante, na Universidade da Carolina do Norte, se acreditava em Deus.

– Sim – respondeu ele. – Tenho os meus deuses particulares.

No homem ocidental, a idolatria é o humanismo, o materialismo e o sexo. A idolatria apresenta uma associação quase automática de superstição, magia, feitiçaria, bruxaria e ídolos físicos, mas os deuses modernos são evoluídos, cultos, bem na moda e intelectuais.

Quando uma nação se afasta do Deus verdadeiro e vivo de sua herança cristã, troca-O por deuses falsos. O homem é criatura inatamente religiosa e precisa ter um deus de algum tipo. Foi Russell Kirk quem observou: “Na prova final, o poderio de uma nação ou civilização será avaliado não em mísseis ou em divisões de exército, mas em fé, seja falsa ou verdadeira.”

Esse estado de fé falsa, bem como de religião apenas nominal, reflete-se numa afirmação feita por Carl Henry, diretor da revista Christianity Today: “Embora o homem moderno explore com afinco o espaço que rodeia a Terra, parece bem contente em viver num jardim de infância espiritual e em brincar nutria atmosfera de primitivismo moral.” Na verdade, brinca com deuses de sua própria confecção.

A cultura ocidental moderna é hoje uma mistura de paganismo e cristianismo. Somos uma combinação de ambos e falamos de Deus, mas muitas vezes nos comportamos como se fôssemos ateus. Criamos um tipo de personalidade dupla, esquizofrênica. Cunhamos as palavras “Em Deus Confiamos” (In God We Trust) em nossas moedas, mas nos corações temos gravada a afirmação: “Primeiro, Eu” (Me First). O fato é que, enquanto acreditamos em Deus, teoricamente, construímos em nós próprios imagens gravadas e passamos a adorá-las. Temos coisa bem próxima de um novo tipo de politeísmo, mediante o qual tentamos adorar tanto o Deus da Bíblia quanto os deuses de nossa própria feitura, e isso simultaneamente.

 

DEUSES  DE  UNIVERSIDADE

O abismo entre uma relação operante com o Deus da Bíblia e nossa idolatria atual se vê nas atitudes dos estudantes de nossa geração. Otto Butz, da Universidade de Princeton, em seu livro The Unsilent Generation (A Geração Que Não Silenciou) cita trechos de ensaios preparados por onze componentes da turma de 1957. As suas afirmações a respeito de Deus são bastante reveladoras. Um deles afirma: “Acho que posso ser indiferente a um Deus que se mostra indiferente para conosco. . . . é este o mundo, e não o próximo, com que me preocupo.”

Outro dizia: “Raramente penso em Deus como tal, e só quando estou em dificuldades excepcionais. Mesmo quando oro, não me vejo a pedir ajuda ou orientação. Acontece simplesmente que, ao orar, descubro certa dose de reconforto.”

A maioria dos estudantes universitários de hoje professa ter fé em Deus, mas não se trata de fé em um Deus pessoal. Para eles, um Deus pessoal não é importante, não faz diferença. Por esse motivo, têm tendência a fabricar um deus ou deuses próprios, aquilo a que Chad Walls chama “deuses de universidade” no livro intitulado Campus Gods on Trial (Deuses de Universidade em Julgamento).

Parte da explicação advém da trágica negligência, por parte da igreja, que deixou de cuidar dos jovens nos anos críticos em que os mesmos mais necessitavam de orientação espiritual. O estudante universitário comum traz, em sua mente, uma caricatura de Deus. Estudou pouco a Bíblia, e apresenta conceito débil dos ensinamentos bíblicos e de nossas responsabilidades morais para com Deus. Por esse motivo, o estudante rejeita o Deus bíblico, mas como precisa ter um deus de algum tipo, cria-o para si próprio no ambiente universitário. O seu objetivo máximo podem ser as notas altas, a conquista de belas pequenas, a perícia esportiva ou a rebelião, como disse um deles, “só pelo prazer de rebelar-se”. Coisas assim tornam-se aquilo com que ele substitui Deus. Na verdade, chegam a ser deuses nas vidas de milhares de estudantes, e a um ou mais desses deuses o estudante dedicará sua vida. É assim que milhares de estudantes não têm qualquer crença genuína em Deus ou nos valores morais que sustentam a sociedade humana.

 

A  IDOLATRIA  DAS  MASSAS

Voltando-nos dos deuses de universidade para a idolatria das massas, examinemos antes de mais nada o deus do humanismo, ou a adoração ao homem. O humanista verdadeiro canta com Swinburne: “Glória ao homem nas alturas!” É esta a nova idolatria de nossa era, intelectual e evoluída, e está ficando altamente organizada.

David Winter, diretor da revista Crasade em Londres, é quem afirma: “Nenhum outro inimigo tão sutil já enfrentou a igreja cristã quanto esse, que lhe tira do trono o seu Deus e O substitui pela Sua criatura.” Os humanistas, em especial na Grã-Bretanha, estão-se tomando militantes. Devotaram-se a atacar o cristianismo e Julian Huxley declarou que para adquirir uma atração maior o humanismo deve ser uma religião, enquanto outro humanista, L. F. J. Ross, sugere que “deve adotar-se uma bíblia humanista simples e hinos humanistas, podendo-se acrescentar a isso dez mandamentos para os humanistas, bem como práticas confessionárias humanistas para os grupos ou indivíduos… o uso de técnicas hipnóticas… música e outros dispositivos… durante o culto humanista proporcionaria à platéia uma experiência espiritual profunda, da qual ela sairia reanimada e inspirada por sua fé humanista”.

Numa esclarecedora série de artigos publicados na revista Crasade, diz Edward Atkinson: “O humanismo pode estar-se lentamente transformando num culto de mistério, mostrando-se completo com sua própria superstição curiosa, pensamento confuso e jargão obscuro. E, como todos os cultos assim, sua atração principal se exerce sobre os místicos. É fato dos mais irônicos que o humanismo, a despeito de todas as suas acusações absurdas de que o cristianismo extrai sua origem de cultos de mistério, venha a ser um deles.”

Assim vemos que o humanismo se tornou, para muitos, um nome educado para uma cruzada eloqüente, agressiva e influente contra a religião, em nome do progresso social e moral. Nada de novo existe no humanismo, que é o ceder à primeira tentação utilizada pelo Demônio contra Adão e Eva: “Sereis como deuses” (Gênesis 3:5).

Em segundo lugar, temos nos Estados Unidos uma idolatria, chamada a “adulação da juventude” em recente artigo publicado pela revista Look. Aparentemente perturbados por sua incapacidade de comunicar-se com a geração mais jovem, muitos adultos passam simplesmente a imitá-la, e cada vez mais as mulheres que seguem as trilhas da era nova se esforçam por parecer adolescentes.

 

O  HOMEM  ADORA  A  CIÊNCIA

Em terceiro lugar, dessa nova era de ciência e tecnologia tem aparecido uma nova fé no cientificismo, que afasta a fé bíblica. Esta era nuclear reduziu muito a fé bem arraigada na cultura do passado. Foi certo cientista quem declarou: “O quadro mundial da era nuclear não inclui Deus. O homem culto de nossos dias não encontra Deus em seu reator atômico, nem O vê pelo seu telescópio. Deus não se encentra entre os elétrons em disparada, e não se faz visível no espaço exterior.”

Não resta dúvida de que existem poderes novos da ciência, que correspondem ao acionamento de um botão no santuário dos computadores eletrónicos, mais do que à palavra de nossas orações ou aos altares de nossos templos. Encontra-se em nossas mãos um poder que, às nossas mentes finitas, parece tão grande quanto aquele antes atribuído a Deus. Para muitos, esse poder é o de um deus, e mais uma vez ouvimos, agora de modo novo, as palavras proferidas pela serpente quando seduzia os nossos primeiros ancestrais: “Sereis como deuses” (Gênesis 3:5).

Como os demais deuses da nossa geração, entretanto, a ciência não satisfaz aos reclamos profundos da alma humana. Quanto mais o homem aprende, tanto menos fica sabendo. Assim é que muitos dos mais destacados cientistas vieram a exprimir sua fé em Deus.

 

O  HOMEM  ADORA  COISAS

Em quarto lugar, outra de nossas idolatrias é a adoração nas coisas. Deixo ao psicólogo a tarefa de descobrir qual seja nossa motivação mais profunda – se é um caso de imaturidade, tédio, orgulho ou um sentimento genuíno da necessidade que nos impele à busca das coisas materiais, com exclusão de tudo mais. Uma importante revista apresenta o anuncio onde se lê um parágrafo revelador: “A automatização, o uso da eletrónica para dirigir máquinas, irá encher seu lar de surpresas agradáveis? Irão olhos mágicos iluminar todas as pegas da casa? Você virá a possuir um piano portátil, relógios elétricos sem fio e telefones onde se fala sem ser preciso tirar o receptor do gancho! Descubra como esse novo e emocionante acontecimento poderá tornar mais feliz a sua vida.” Terá ficado a felicidade reduzida a pianos portáteis e ao piscar de olhos mágicos?

No livro Alas Babylon (Ai, Babilônia!) Pat Frank imagina a Flórida sob a mortalha de um ataque atômico fictício. Toda a eletricidade foi cortada, as reservas de gasolina esgotaram-se e a vida se processa em condições elementares. Cadillacs eram trocados por galinhas, e lanchas a motor por saleiros cheios. Se uma guerra nuclear atingir nosso mundo, os sobreviventes compreenderão de repente que a maioria das coisas pelas quais temos lutado e atormentado o cérebro para conseguir são mais do que inúteis. Se pudéssemos descobrir isso a tempo, talvez o destino de Sodoma e Gomorra, para o qual estamos marchando, pudesse ser evitado.

A Madison Avenue descobriu ser lucrativo dirigir o impulso principal da publicidade para um traço inerente da natureza humana, o orgulho. Basta examinar as revistas elegantes e observar os anúncios coloridos que tomam toda a página. Muitas vezes tais anúncios não se referem à utilidade do artigo por eles apresentado, mas ao orgulho do comprador. “Pense na satisfação que vai sentir quando seus amigos olharem, invejosos, o seu novo banheiro, seu carro novo, seu novo iate.” E as ilustrações apresentam também a expressão de inveja nos rostos dos amigos, a quem está sendo mostrada uma casa nova, com todas as instalações elegantes e dispositivos embutidos. Foi Bacon quem afirmou, há tempos idos: “A felicidade dos grandes não consiste em sentir que sejam realmente felizes, mas em compreender como os outros acham que devem ser felizes.”

Assim é que vemos gente entediada desfilando em veículos elegantes, não que esteja procurando oportunidades de fazer qualquer contribuição à sociedade, mas pondo-se à vista para que outras pessoas a admirem. O orgulho não está em querer ser rico, mas em querer ser mais rico ainda do que o vizinho. Não é querer ser notado, mas querer ser o mais notado. Não é querer ter as coisas, mas querer ter mais coisas do que os outros.

 

O  HOMEM  ADORA  A  SI  PRÓPRIO

O homem recusou a revelação feita pela Bíblia a respeito do Deus verdadeiro e vivo de seus pais, e pôs em Seu lugar os deuses de sua própria fabricação. Na realidade, o homem moderno resolveu destronar Deus e entronizar a si próprio com toda a sua glória nuclear. Muitos intelectuais passaram a crer que a mente humana poderá compreender tudo, com o tempo, e Kintner declara: “O resumo desse ponto de vista é desenvolvido nos doutrinas de Marx, Engels e Lenine.” E, como diz Carl Henry, “em seu desejo de controlar o universo o homem reiteradamente se coloca no lugar de Deus, mas a idéia do Filho de Deus tomando o lugar do homem é por ele recusada como insensatez inacreditável”.

Desse modo, o homem atirou para um lado as divindades pagãs das civilizações anteriores, tais como o sol, a lua, o fogo, a água e os animais – bem como o Deus vivo. Hoje em dia, adora a si próprio.

De muitas salas de aula em universidades vêm as conclusões seguintes:

Em primeiro lugar, o homem é somente um animal.

Em segundo, a existência é um acidente químico.

Em terceiro, a luta pela sobrevivência tornou o homem o que ele é.

Em quarto, a moralidade e os padrões de conduta são extraídos somente de um contexto sociológico.

Em quinto, o homem vive neste e para este mundo, apenas, e qualquer outra opinião a respeito é anticientífica.

Em conseqüência dessas premissas, o fracasso do homem em lidar com seu novo mundo trouxe a futilidade e o pessimismo a todas as áreas de sua vida. Desapareceu a alegria de viver. A sensação maravilhosa de estar vivo, o rosto radioso, o sorriso de satisfação e a emoção sentimental afastaram-se de nós. Desde que transformamos o homem em deus, os nossos olhos não se erguem mais para o céu, mas voltam-se para dentro, deturpando a visão de todo o nosso mundo.

 

AS  PEQUENAS  DIVINDADES  FALHARAM

O homem não aceita mais os padrões de comportamento pregados em nossos ensinamentos bíblicos. Tomamo-nos pragmatistas, contentados com a ética existencial e situacional. Não mais nos preocupamos em fazer o que é certo, mas sim em ajustar-nos e dar-nos uns com os outros. Estamos perdendo o equilíbrio moral. Os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e a Europa ocidental estão-se tornando nações de gente sentada, acocorada, sem iniciativa e descontente, farta e aborrecida com todas as bobagens que lhe foram entregues. Quer o compreendam, quer não, estão todos fartos e cansados dos deuses feitos pelo homem. As pequenas divindades falharam inteiramente. A alegria, a paz, a segurança, e a felicidade que deviam ter trazido não existem.

Até uma leitura apressada da Bíblia ter-lhes-ia ensinado que essas pequenas divindades fracassariam. Dizem as Escrituras: “Não vos virareis para os ídolos, nem vos fareis deuses de fundição… Eu sou o Senhor vosso Deus” (Levítico 19:4). Trata-se de um aviso, de um desafio feito pelo Deus verdadeiro e vivo. Na verdade, a Bíblia ensina no Salmo 59:8 que Deus ri quando olha para esses pequeninos deuses de nossa própria fabricação.

O Apóstolo Paulo nos preveniu para que não transformássemos a verdade de Deus numa mentira (Romanos 1:25). Preveniu-nos também de que não devemos adorar e servir a criatura mais do que ao Criador. No entanto, é precisamente isso o que tem acontecido em grande parte do mundo ocidental. A Bíblia avisa que os “idólatras… não herdarão o reino de Deus” (I Coríntios 6:9, 10). O Apóstolo João escreveu: “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos” (I João 5:21). Mais adiante, é ele quem avisa: “Os idólatras… a parte que lhes cabe será no lago que arde com rogo e enxofre, a saber, a segunda marta” (Apocalipse 21:8).

Aos olhos de Deus a idolatria constitui pecado grave. “Não terás outros deuses diante de mim” (Êxodo 20:3). O juízo incidirá sobre todos os idólatras. Milhões de norte-americanos são culpados de idolatria e muitos deles freqüentam as igrejas, servindo a Deus com os lábios enquanto os seus corações se colocam bem longe dEle. São mais culpados de idolatria do que o selvagem que na floresta se prostra diante de uma imagem que fez com as próprias mãos.

Em todas as Escrituras Deus insiste com o povo para que “volte”. Quando a cidade de Nínive cometera suas imoralidades e passara a servir a outros deuses, Jonas foi enviado para avisar seu povo. Pregou o arrependimento nas ruas, e o povo se arrependeu, sendo poupado ao juízo de Deus. Não é tarde demais para que nos arrependamos. Ainda há tempo.

Extraído do livro MUNDO EM CHAMAS, BILLY GRAHAM


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