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A insuficiência da Religião moderna

por Artigo compilado - dom fev 02, 12:15 am

jovem rezando

Foi William James quem disse, certa vez, que a religião é um hábito monótono ou então uma febre aguda, e John Dewey observou: “Em parte alguma do mundo, em qualquer época, a religião se mostrou tão completamente respeitável quanto conosco… e tão quase totalmente desligada da vida.”

Tais afirmações fazem-nos lembrar que religião é uma palavra com muitos significados. Pode significar orgias frenéticas de uma tribo selvagem, ou o culto meditativo e inteligente ao Senhor Deus. Como termo, “religião” aparece duas vezes na Versão Revista e Atualizada da Sociedade Bíblica, do Novo Testamento, uma vez nos Atos (26:5) e outra em Tiago (1:26, 27).

Quando os homens falam em religião, nem sempre se referem à mesma coisa, pois todas as definições de religião se distribuem por dais pólos magnéticos, o naturalista e o teísta. O pólo naturalista é aquele do qual falava o Apóstolo Paulo quando escreveu que os homens “mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis” (Romanos 1:23). O pólo teísta acha-se corporificado nos ensinamentos da Bíblia, com sua revelação da origem, queda e recuperação do homem mediante a redenção.

Quando Caim se aproximou do primeiro altar com sua oferta do “fruto da terra”, era esse o seu meio de tentar reconquistar o paraíso sem aceitar o plano divino de redenção. Em seu egoísmo e arrogância, Caim resolvera vir a seu modo, rejeitando o plano de Deus. Os tempos não mudaram, e hoje milhões de pessoas querem a salvação, mas dentro das suas condições. Querem vir ao seu modo, e assim se apresentaram centenas de planos e esquemas imaginados pelo homem para reconquistar o paraíso. Deram origem a muitas seitas, cada qual fazendo propaganda de seu plano particular de salvação.

O orgulho foi o pecado de Lúcifer, o orgulho foi também o de Adão, e o pecado do homem moderno não é outro senão o orgulho. Ele não quer reconhecer sua fraqueza e indefensabilidade diante das situações insolúveis apresentadas pela vida, acha que de algum modo, de algum jeito, pode conseguir a própria salvação. Caim apresentou as indicações de sua própria cultura, que visavam a uma salvação mediante obras, enquanto Abel obedeceu a Deus e humildemente ofereceu um sacrifício de sangue, reconhecendo assim que o pecado merecia a morte e só poderia ser encoberto diante de Deus mediante a morte substituta de um sacrifício sem culpa, e foi esse o plano que Caim rejeitou deliberadamente.

RELIGIÃO  NATURAL  VERSUS  PLANO  DIVINO

No início dos tempos, houve a introdução da religião natural no cenário humano, como esforço por contornar o plano divino. A religião natural, no entanto, nem sempre constitui grosseira invenção dos primeiros homens. Hoje em dia, é o esforço completo de muitos intelectuais, no sentido de contornar o plano de Deus. Alguns desses intelectuais são professores de religião em nossas universidades, enquanto outros ocupam até o lugar de dirigentes na igreja.

O Apóstolo Paulo referiu-se à corrupção da revelação geral de Deus, promovida pelo homem, tornando-a uma religião naturalista:

“Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são por isso indesculpáveis. Porquanto, tendo conhecimento de Deus não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato. Inculcando-se por sábios, tomaram-se loucos. . . mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura, em lugar do Criador, o qual é bendito por todos os séculos” (Romanos 1:20-25).

Assim está pintado um quadro bíblico de como o homem perverteu a revelação divina, com todas as suas cores de grosseria primitiva, sensualidade, fetichismo, superstição e magia. Isso passou por muitos retoques e reformas, e hoje se apresenta sob formas de respeitabilidade intelectual, mas nas culturas primitivas ainda existe nas mesmas formas de sensualidade e engodo degradantes.

A religião natural se opõe à revelação divina, que aceita a Bíblia como fonte autorizada das idéias de pecado e justificação pela fé, na morte expiatória de Cristo. A religião natural rejeita quase tudo o que consta do Credo dos Apóstolos.

Com isto não quero dizer que a religião natural não contenha elementos de verdade, ou que não apresente alguns padrões éticos elevados, bem como valores morais. Alguns de seus seguidores empregam, às vezes, termos que fazem lembrar a linguagem empregada na Bíblia. Embora a moralidade incentivada pela religião natural possa conquistar a aprovação dos homens, ela não garante aceitação por Deus e tampouco reflete Seus ditames morais completos. Na verdade, parte da imoralidade mais crua e grosseira na história humana recebeu a sanção da religião natural, como o Apóstolo Paulo faz lembrar, na Epístola aos Romanos.

A Bíblia ensina que Satanás pode-se transformar num “anjo de luz”, adaptando-se a todas as culturas e situações, chegando às vezes a enganar os verdadeiros fiéis. Os falsificadores estão sempre tentando fazer com que seu dinheiro falso se pareça exatamente ao verdadeiro e assim é que Satanás age em nossos dias. Milhares de pessoas são arrebanhadas e levadas à igreja sem que tenham tido uma experiência vital com Jesus Cristo, e substituíram a salvação pessoal por boas obras, esforço social, reforma social ou rito religioso. Muitas possuem em si um grau bastante de religião natural para tornarem-se imunes à verdadeira.

Todas as vezes que vou ao Extremo Oriente sou vacinado contra o cólera e em geral essa vacina provoca uma reação que me faz adoecer. Na verdade, essa reação é um caso suave da doença, o que me torna imune à doença em sua forma aguda, caso seja contagiado durante as viagens. Isso acontece com a maioria das vacinas e é verdade também no reino da religião. Há muitas pessoas que possuem religião em grau apenas suficiente para tornarem-se imunes a uma experiência pessoal genuína com Jesus Cristo, e aí está o grande perigo para milhares de pessoas que se proclamam cristãs.

FALSOS  PROFETAS

Não resta dúvida que a religião naturalista invadiu a igreja, em nossos dias. Muitos de nossos conceitos da igreja são seculares, e até a missão dela se vê muitas vezes transformada, de uma base bíblica para uma base secularizada.

Existe um forte movimento, em especial no seio do protestantismo, no sentido de refundir a mensagem cristã, a fim de torná-la aceitável ao homem moderno, e os participantes desse movimento afirmam que os intelectuais rejeitam o cristianismo hoje porque “não podem aceitar certas crenças tradicionais que, na verdade, eram o invólucro no qual a mensagem era enviada, e não a própria mensagem.”1

Esses teólogos modernos, no entanto, não conseguem concordar entre si sobre a parte do Novo Testamento que deve ser mantida e a parte que deve ser eliminada. Muitos parecem concordar em que os milagres foram mitos, encaram a ressurreição como experiência subjetiva dos discípulos, mais do que como acontecimentos histórico objetivo. Tais teólogos chamam a Deus “a base do ser”, e rejeitam de modo absoluto que Jesus Cristo tenha sido sobrenatural. Dizem que Ele foi um homem, tão bom e altruísta que o amor de Deus brilhava em meio à Sua humanidade, mais do que nos termos bíblicos da Encarnação.

Karl Barth, o teólogo europeu, afirma o seguinte, em ataque candente a esses desmitologistas: “Ao jogarem fora a água em que banharam a criança, jogaram a criança, também. Ao tentarem tornar o cristianismo plausível para os céticos, só conseguiram foi torná-lo destituído de sentido.”

Em toda a Bíblia somos alertados contra os falsos profetas e falsos mestres. No Sermão da Montanha, Jesus disse: “Acautelai-vos dos falsos profetas que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores. Pelos seus frutos os conhecereis” (Mateus 7:15, 16). Torna-se difícil, às vezes até para um cristão, distinguir e desmascarar o falso profeta. Existe semelhança muito grande entre o verdadeiro e o falso profeta, e Jesus falava destes últimos, que “surgirão… operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos” (Mateus 24:24). Paulo fala-nos do Anticristo vindouro, cuja atividade nos dias finais será marcado por “sinais e prodígios da mentira” (II Tessalonicenses 2:9). O maior disfarce de Satanás sempre foi o aparecer aos homens como “anjo de luz” (II Coríntios 11:14).

ENGANO

O princípio em que repousa toda a tática satânica é o do engano e embuste. Ele é hábil e engenhoso na arte da camuflagem, e para que seus enganos e embustes tenham êxito, é preciso que venham tão astutamente disfarçados que o seu verdadeiro objetivo esteja dissimulado. Trabalha com sutileza e em segredo. Cristão algum, por mais espiritual que seja, se encontra fora do alcance dos assaltos sedutores de Satanás. O seu embuste começou no Jardim do Paraíso. “Respondeu a mulher: A serpente me enganou, e eu comi” (Gênesis 3:13). Desde aquela época, até ao presente, Satanás tem seduzido e iludido. “Mas os homens perversos e impostores”, dizia Paulo avisando Timóteo, “irão de mal a pior, enganando e sendo enganados” (II Timóteo 3:13). Avisava também à igreja em Éfeso: “Ninguém vos engane com palavras vás” (Efésios, 5:6), e também: “para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro, e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro.” (Efésios, 4:14).

Sim, haverá número cada vez maior de falsos mestres e pregadores, à medida que os tempos se aproximarem do fim. Como disse o Apóstolo Pedro:

“Haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão dissimuladamente heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. E muitos seguirão as suas práticas libertinas, e, por causa deles, será infamado o caminho da verdade; também, movidos por avareza, farão comércio de vós, com palavras fictícias; para eles o juízo lavrado há longo tempo não tarda, e a sua destruição não dorme.” (II Pedro 2:1-3.)

Satanás não funda uma igreja e a chama Primeira Igreja de Satanás, pois é esperto demais para fazer isso. Invade a escola dominical, a aula de doutrina bíblica e até o púlpito. Chega a invadir a igreja, sob a coberta de um vocabulário ortodoxo, esvaziando os termos sagrados de seu sentido bíblico. Paulo avisava que muitos seguirão falsos mestres, sem saberem que ao tragarem aquilo que os apóstatas dizem, e nutrirem-se daquilo, estão levando o veneno do demônio às suas próprias vidas. Milhares de cristãos desavisados estão sendo enganados em nossos dias. Falsos mestres usam palavras altissonantes que parecem um resumo de todo o conhecimento e a cultura. São intelectualmente astutos e habilidosos em sua sabedoria, proficientes na sedução de homens e mulheres incautos e sem esclarecimento. Sobre eles o Apóstolo Paulo se exprimiu, dizendo: “Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, pela hipocrisia dos que falam mentiras” (I Timóteo 4:1, 2).

Esses falsos mestres afastaram-se da fé que Deus revelou nas Escrituras. A Bíblia diz com toda a clareza que o motivo de seu desvio é que deram ouvido às mentiras de Satanás e deliberadamente preferiram aceitar a doutrina dos demônios, ao invés da verdade de Deus. Assim foi que eles próprios se tornaram os porta-vozes de Satanás, proferindo mentiras.

RELIGIÕES  VERDADEIRAS  E  FALSAS

Porque a igreja se está voltando para a religião naturalista e proclama cada vez mais um evangelho humanista, milhares de leigos e eclesiásticos estão formulando perguntas penetrantes quanto ao propósito e missão da igreja. Milhares de fiéis membros da igreja, em especial nos Estados Unidos, estão começando a reunir-se em grupos de oração e de estudo da Bíblia. Multidões de cristãos, dentro da igreja, estão marchando em direção ao ponto onde poderão vir a rejeitar a instituição a que chamamos “a igreja”. Estão começando a voltar-se para formas mais simplificadas de adoração, têm fome de uma experiência pessoal e vital com Jesus Cristo, e querem para si uma fé pessoal que lhes reconforte o coração.

A menos que a igreja recupere rapidamente sua mensagem bíblica autorizada, poderemos vir a ser testemunhas do espetáculo em que milhões de cristãos sairão da igreja estabelecida para procurarem alimento espiritual.

A fim de competir com Deus pelo domínio do mundo, Satanás, a quem Cristo chamava “o príncipe deste mundo”, viu-se forçado a entrar no “mundo” da religião. Embora expulso do Jardim, o homem trazia ainda uma consciência de Deus em seu coração e a estratégia de Satanás era desviar essa fome inata, afastando-a do Senhor Deus. Assim teve lugar o aparecimento do que chamamos religião falsa, falsificada ou naturalista – e sua história é comprida e trágica. A Bíblia diferencia claramente entre a fé verdadeira e a mera religiosidade e nada poderia estar mais errado do que o surrado refrão onde se diz que qualquer religião é boa, desde que a pessoa seja sincera. Em nenhuma outra área da vida encontramos tanto erro, tanto engano e charlatanismo como na religião.

Os dois fogos sagrados, fora do Éden, exemplificam a diferença entre a religião verdadeira e a religião falsa. Um deles pertencia a Abel, que trouxe o primogênito de seu rebanho como oferenda ao Senhor Deus. Ofereceu-o com amor, adoração, humildade e reverência, e a Bíblia nos diz que o Senhor se agradou de Abel e de sua oferta. O outro pertencia ao irmão mais velho, Caim, que trouxera uma oferta sem sangue e de pouco valor ao seu altar, e a Bíblia nos diz que “de Caim e de sua oferta Deus não se agradou”.

Como poderia o Senhor Deus mostrar-se tão caprichoso? Afinal de contas, Caim não estava igualmente tentando agradar a Deus, e não se apresentava com sinceridade perfeita?

Essa narrativa foi colocada na Bíblia a fim de ensinar que existe um modo certo e um modo errado de entrar em contato com Deus. Abel fez seu sacrifício humilde e reverentemente, com espírito de sacrifício, trazendo a Deus o que de melhor possuía, e vejo pelo caminho de Deus. Caim fez a sua oferenda de má vontade, com egoísmo e de modo superficial, e além disso desobedeceu a Deus, no modo pelo qual veio, sem trazer consigo a fé. Quando Deus não sancionou e abençoou seu sacrifício, Caim se enfureceu e matou o irmão. Abel amava realmente a Deus e O adorava. A adoração de Caim era religiosidade desprovida de sentido, tão vazia e oca quanto se tornou sua vida, depois disso. Deixando a família, andou pela terra amargurado, gritando para o Senhor: “É tamanho o meu castigo, que já não posso suportá-lo” (Gênesis 4:13).

Aí vemos o aparecimento de uma corrente de religiosidade, separando-se da torrente principal de verdadeira adoração do Senhor Deus. Por toda a história humana essa corrente está destinada a tornar-se um rio cada vez maior. O homem está eternamente hesitante entre o falso e o verdadeiro, entre a adoração de ídolos e a adoração do Senhor Deus, entre a sedução da religiosidade e o reconhecimento do claro ensinamento bíblico do caminho para a salvação.

No mesmo momento em que Moisés se achava no Monte Sinai, recebendo as tábuas da lei “escritas pelo dedo de Deus”, a religião humanista irrompia no campo de Israel. O povo disse a Aarão: “Faze-nos deuses que vão diante de nós”, e ele curvou-se àquelas exigências, dizendo: “Tirai as argolas de ouro das orelhas de vossas mulheres, vossos filhos e vossas filhas, e trazei-mas… Este, recebendo-as das suas mãos trabalhou o ouro com buril, e fez dele um bezerro fundido. Então disseram: São estes, ó Israel, os teus deuses; que te tiraram da terra do Egito” (Êxodo 32:1-4).

Com a continuação do tempo, outros afluentes idólatras vieram a desaguar no curso principal da religião: Baal, o deus das tribos de Canaã, Quemoche, o deus dos moabitas, Dagom, o deus dos filisteus, e Moloque, deus dos amonitas. Se relacionássemos nominalmente todos os deuses da história humana, seria necessário um grosso volume para reproduzir a lista.

A afirmação implícita numa falsificação ou contrafação é que existe a coisa verdadeira, que se pretende imitar ou falsificar. Ninguém jamais falsificou uma nota de setenta e cinco dólares, pois notas desse valor não existem. Toda a falsificação dá testemunho da realidade e existência daquilo que se tenta igualar e assim, em meio a todos os planos e programas que os homens imaginaram para satisfazer seu impulso religioso, a religião verdadeira existe e está ao alcance de todos que desejem vir a Deus, mas sob as condições dEle.

Extraído do livro “MUNDO  EM  CHAMAS”, BILLY GRAHAM


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