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A Questão da Unidade Protestante

por Prof. Paulo Cristiano da Silva - qua ago 29, 5:19 pm

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“Porque nada podemos contra a verdade, senão a favor da verdade”

A Questão da Unidade vem a ser uma que, vezes demais, é citada com triunfalismo pelos católicos romanos. Dizem-nos eles que, apesar de termos somente a Bíblia como regra de fé e prática, não concordamos entre nós mesmos em alguns pontos importantes. E, uma vez que as várias ramificações do Protestantismo se contradizem umas às outras, segue-se que a verdadeira Igreja não pode ser nenhuma delas e nem a soma delas, mas, sim, somente a Igreja Católica Romana.

Um princípio correto, mas utilizado falaciosamente. Na verdade, este argumento acima parte de um princípio correto, que é, a saber, a lei da não-contradição: duas posições não podem estar certas quando se contradizem, porque a verdade não é contraditória. Entretanto, o que os incautos apologistas católicos romanos não percebem é que há um salto de raciocínio em sua afirmação. O silogismo de que “A verdade não é contraditória; as igrejas protestantes se contradizem; logo, a Igreja Católica Romana é a verdadeira Igreja” é notoriamente falacioso. As premissas não respaldam a conclusão do ingênuo proponente. O erro de quem normalmente se vale desta falácia é supor que a sua linha de pensamento vem a ser mais conclusiva do que é, na realidade. Aponta-se uma conclusão que é tida por necessária quando, efetivamente, não é.

Um critério de avaliação notoriamente arbitrário, e absolutamente nada conclusivo. Quando o católico se vale da divisão e discordância das outras igrejas e aponta para a sua unidade, para dizer que sua igreja é a verdadeira, se esquece que qualquer pessoa de outro grupo religioso poderia dizer o mesmo. O fato é que, assim como o católico poderia dizer que “A minha igreja é certa porque as outras ensinam coisas contraditórias e não têm unidade entre elas”; da mesma forma, e valendo-se do mesmo raciocínio, um batista brasileiro, só para citar como exemplo, também poderia dizer que a sua igreja é a certa porque as outras estão divididas e ensinam coisas que se contradizem mutuamente. De fato, forma de juízo semelhante não favorece a posição dos católicos (na verdade, não favorece qualquer posição) e funda-se num critério evidentemente arbitrário, qual seja, o de analisar todas as igrejas evangélicas conjuntamente, sendo que comparadas com a Igreja Romana sozinha; embora, decerto, os papistas não consintam, em hipótese alguma, que um protestante se valha do mesmo tipo de julgamento, considerando a sua igreja em relação “às outras”, e incluindo nesse grupo genérico a Igreja Romana.

Apelo dos apologistas católicos romanos a um sofisma para negar uma verdade bíblica da fé evangélica. Outra forma em que os apologistas romanos colocam a questão da unidade é com relação à validade de Sola Scriptura. Dizem-nos que, caso este fosse um princípio verdadeiro, não haveria tantas discordâncias entre os protestantes e isto, em pontos importantes. Ao afirmarem tal coisa, porém, os papistas também se valem de um argumento falacioso. Pois, se a verdade acerca de Sola Scriptura pudesse ser definida na ausência de divergências, então teríamos um impasse indissolúvel. Afinal, os demais grupos religiosos que não aderem a posição protestante de Sola Scriptura também divergem em pontos importantes; na verdade, diga-se, eles divergem no ponto mais importante que pode haver: na própria identificação de sua regra de fé. O que demonstra que esta linha de argumentação também não é tão conclusiva quanto os nossos oponentes supõem.

Uma confusão de termos e conceitos que engana a muitos incautos. A questão da unidade também serve para que alguns papistas rejeitem a crença protestante de que o Espírito ilumina os crentes a fim de que possam entender a verdade bíblica. Em face das divisões entre os protestantes, os papistas argumentam que, se o Protestantismo fosse verdadeiro, o Espírito Santo estaria em contradição, por inspirar indivíduos a crerem em algo diferente acerca de certos pontos doutrinários.

O que aqueles que se valem desta linha de argumentação ignoram, por conveniência ou não, é que iluminação não é igual à inspiração. Deveras, a iluminação abrange a cada crente, embora isto não seja igual à inspiração e não garanta qualquer infalibilidade ao indivíduo. Razão pela qual é impróprio nossos oponentes questionarem se o Espírito ilumina a cada crente, capacitando-o a entender as verdades divinas, como as Escrituras garantem (Ef 1.17-18; 1 Co 2.15ss), com base no fato de que há divergências entre os cristãos. O Espírito prover ao crente a capacidade de entender não é a mesma coisa de o Espírito prover infalibilidade, mas, sim, dar os meios de conhecer a verdade. Com efeito, o Espírito Santo e a Palavra que Ele próprio inspirou não se divorciam. A Palavra de Deus é viva porque o Espírito Santo fala por meio dela ao crente. Como o crente vai entender a Palavra de Deus, se vai entender corretamente, isto tem a ver com meticulosidade no exame da Escritura e não, em si, quando há erro de interpretação, com erro na iluminação provida pela terceira pessoa da Santíssima Trindade.


Conclusão

Os argumentos papistas sobre a questão da unidade não são tão conclusivos quanto eles supõem. Na verdade, não apenas não são conclusivos, como também, muitos deles são notoriamente falaciosos. É lamentável que alguns se deixem enganar por proposições tão inconsistentes como as que tratamos de rebater nestas linhas, e mais lamentável ainda que indivíduos não critiquem a sua apologética e se valham de artifícios assim para lançar dúvidas em cristãos e manter engodados a tantos outros.
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