Esqueceu a senha?

A sucessão Papal – verdade ou mentira?

por Artigo compilado - qui jan 23, 12:36 am

sucessao papal

“A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular”  Mt 21.42

O maior orgulho da Igreja Católica reside no texto de Mateus 16:18. Ali Jesus supostamente teria dado a Pedro a primazia sobre os demais apóstolos além das chaves do céu. E é com esta interpretação forçada que a Igreja Católica tenta provar ser a verdadeira Igreja de Cristo.

A sucessão papal é basicamente uma sucessão ininterrupta de pontífices desde Pedro até o atual Papa Bento XVI. Esta sucessão traz em sua lista uma relação de mais de 200 papas que governaram a Igreja Católica durante os seus quase dois milênios. A figura do Papa é a mais importante do Catolicismo, em volta da qual gira um corpo episcopal e sacerdotal governado e dirigido por ele. O pontífice romano também é visto como sinal de unidade eclesiástica.

A autoridade do pontífice é inquestionável; ninguém ousaria contradizer o chamado Santo Padre. Isto porque a Igreja Católica ensina em sua doutrina que o Papa é sucessor dos apóstolos, goza da mesma autoridade que eles, e por este motivo, suas palavras têm autoridade semelhante. Ouvir o Papa seria o mesmo que ouvir Pedro.

Milhões de Católicos viajam ao Vaticano todo ano para participar de uma Missa conduzida pelo pontífice. Jovens de todo mundo se unem para ouvir as palavras do Papa nas edições da Jornada Mundial da Juventude (JMJ). As visitas do Papa às diversas nações do mundo são sempre eventos muito divulgados, esperados e aclamados pelas multidões Católicas e até não Católicas.

Entretanto, a maioria Católica no mundo nunca analisou o texto de Mateus 16:18 sem uma prévia opinião. É isto que eu quero propor aos Católicos: uma análise sem preconceitos do texto de Mateus 16:18. Será que Jesus realmente delegou o poder que afirma o Catolicismo subsistir no Papado? Ou será que Jesus ensinou outra coisa? Será que a interpretação infalível do Magistério Católico está correta? Convido o caro leitor a examinar este texto entre outros argumentos apresentados pelo Catolicismo para formular sua doutrina da sucessão papal, tendo em mente que, já que esta doutrina é fundamental para o Catolicismo, devemos dar muita importância para este tema.

A Pedra da Igreja de Cristo

“Nosso Senhor lhe declara na ocasião: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei minha Igreja, e as Portas do Inferno nunca prevalecerão contra ela” (Mt 16,18). Cristo, “Pedra viva”; garante a sua Igreja construída sobre Pedro a vitória sobre as potências de morte. Pedro, em razão da fé por ele confessada, permanecerá como a rocha inabalável da Igreja. Terá por missão defender esta fé de todo desfalecimento e confirmar nela seus irmãos.”

Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 552

    A frase dita por Jesus em Mateus 16:18 é de tamanha importância para o Catolicismo, que foi gravada com enormes letras em latim no interior da cúpula da Basílica de São Pedro em Roma. Abaixo temos uma foto onde pode se ver uma parte da frase que diz: ““TU ES PETRUS ET SUPER HANC PETRAM AEDIFICABO ECCLESIAM MEAM !”.

Diante deste fato e da transcrição feita do Catecismo da Igreja Católica, iremos analisar a interpretação Católica e descobrir o verdadeiro sentido do texto.

  1. A.      Análise do grego

Todos os grupos religiosos cristãos afirmam acertadamente que a Bíblia não se contradiz. Porém, esta não contradição só ocorre nos originais. Isto se dá pelo fato de que algumas palavras do grego e do hebraico têm significados muito amplos que não podem ser demonstrados por uma simples palavra do português ou qualquer outro idioma em que a Bíblia seja traduzida. Por este motivo, os melhores livros e Bíblias de Estudo sempre procuram mostrar o significado de algumas palavras no grego e hebraico para melhor compreensão de um determinado texto.
Desta mesma forma, iremos analisar o grego na passagem de Mateus 16.18. Abaixo, temos a transcrição grega da passagem:

“συ ει πετρος και επι ταυτη τη πετρα οικοδομησω μου την εκκλησιαν” (Mateus 16.18)

Sublinhei duas palavras na frase: πετρος e πετρα. Estas duas palavras são, respectivamente, Petros e Petra. Segundo o mundialmente famoso dicionário léxico grego e hebraico Strong, a palavra petros significa “uma (ou um pedaço de) pedra”. Basicamente petros seria um fragmento de rocha, uma pedra removível. Por sua vez, este mesmo dicionário define a palavra petra como “pedra (sentido literal ou figurado)”. Neste caso, a pedra seria uma rocha inabalável, uma pedra de grande resistência.

A frase de Jesus em Mateus 16:18 se constitui desta forma: “tu és Pedro (do grego Petros), e sobre esta pedra (do grego Petra) edificarei a minha igreja”. Portanto, Jesus faz clara diferenciação entre o substantivo petros e petra. É razoável concluir que Jesus não aplica ao primeiro substantivo a afirmação que faz sobre o segundo substantivo. Se Jesus realmente quisesse dizer que edificaria sua Igreja sobre Pedro, não teria ele usado a palavra petros ao invés de petra? Não seria mais oportuno dizer “sobre ti edificarei a minha Igreja”?
Ainda sim resta uma dúvida: quem é esta petra? A própria Bíblia pode nos responde. Gostaria de  destacar o fato de que a palavra petra só é utilizada na Bíblia referindo-se a Deus (veja Mt 7:24-25; Lv 6:48; Rm 9:33; 1Co 10:4; 1Pe 2:8). Dentre tantos textos, gostaria de chamar atenção para o texto de 1Coríntios 10:4. Veja o que Paulo diz nesse texto:

e beberam da mesma fonte espiritual; porque bebiam de uma pedra espiritual que os seguia. E a pedra era Cristo”.

Perceba que a palavra pedra aparece duas vezes no texto, e nas duas ocorrências no original grego, a palavra é petra. Atente agora para a afirmação no final da frase: “E a pedra era Cristo”. No grego essa frase se dispõe da forma abaixo:

“δε πετρα ην ο χριστος” (1Co 10:4)

“e a pedra era Cristo.” (1Co 10:4)

Realmente não restam dúvidas sobre quem é a pedra sobre a qual a Igreja seria edificada. Jesus é a Pedra! Portanto, Jesus referia-se a si mesmo e não a Pedro como quer o Magistério da Igreja Católica.

Em uma tentativa frágil de tentar contradizer a gramática grega, os apologistas Católicos replicam dizendo que o próprio Jesus alterou o nome de Simão para Cefas (do grego kephas) em João 1:42 indicando que ele seria a pedra da Igreja. No entanto, além da palavra kephas ter o mesmo significado de petros (pedra frágil, removível, veja Jo 1:42) ela não aparece em Mateus 16:18. O argumento lançado pelos apologistas Católicos é ilógico e não se aplica ao contexto de Mateus 16:18 uma vez que Jesus não disse petros nem kephas mas sim petra.

  1. B.      Análise do contexto

Diz uma regra da Hermenêutica: “Texto sem contexto é pretexto para heresia”. Portanto, iremos analisar o texto de Mateus 16:18 dentro de dois tipos de contexto: imediato e remoto. O contexto imediato refere-se aos textos que vem imediatamente antes e imediatamente depois de um texto determinado. Já o contexto remoto trata-se de textos que estão em outros capítulos ou livros da Bíblia e referem-se ao mesmo assunto.

        I.            Contexto imediato

Na linha do contexto imediato, podemos facilmente perceber o objeto da afirmação de Jesus em Mt 16:18. Façamos um paralelo:

  • Jesus pergunta aos discípulos o que os homens pensavam dele – Mt 16:13
  • Os discípulos respondem – Mt 16:14
  • Jesus interroga o que os discípulos pensavam dele – Mt 16:15
  • Pedro toma a Palavra e afirma: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. – Mt 16:16
  • Jesus afirma que Pedro recebeu uma revelação – Mt 16:17
  • Jesus diz a frase em estudo – Mt 16:18

Dentro deste paralelo, podemos perceber que o assunto estava voltado todo para Jesus, para quem ele era. Como afirmou Jesus no versículo 17, Pedro havia recebido uma revelação de quem era Jesus: “o Cristo, Filho do Deus vivo”. Depois disto, Jesus cita Pedro como pequena pedra e a si mesmo como grande Pedra, o Cristo, Filho do Deus vivo, sobre o qual a Igreja seria edificada. Depois disto, Jesus segue mostrando a função de Pedro como pequena pedra (versículo 19). No contexto imediato, quando Jesus disse: “sobre esta pedra edificarei a minha igreja” ele não estava se referindo a Pedro, mas a declaração que este fez: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”.

     II.            Contexto remoto

O contexto remoto é ainda mais claro. O Próprio Pedro declara em Atos 4:11 quem é a Pedra da Igreja: “Este Jesus é pedra rejeitada por vós, os construtores, a qual se tornou a pedra angular”. O mesmo apóstolo Pedro volta a declarar a mesma coisa em 1Pe 2:4, 6-8.

Da mesma forma, Paulo diz em Efésios 2:20: “edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular”.

É interessante notar que na narrativa de Marcos (Mc 8:27-30) a frase de Jesus  em Mt 16:18 é omitida, e sabemos que Marcos foi um grande companheiro de Pedro (1Pe 5:13). Então por que Marcos não registrou as palavras de Jesus proferidas ao seu companheiro Pedro? Elas não são tão importantes? Por que Marcos as omitiu?

Imparcialmente, o contexto remoto não deixa dúvidas, Jesus realmente é a pedra sobre a qual a Igreja está edificada. Se Pedro fosse a pedra, o que Jesus seria? Pode por acaso haver duas pedras?

  1. C.      O sentido do texto

Se Pedro não é a pedra da Igreja, por que Jesus disse “tu és Pedro”? Verificando o contexto remoto podemos entender isto. Na linha do sentido do texto, Jesus quis dizer que Pedro representava todos àqueles que viessem a dizer “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”, isto é, reconhecessem e cressem no Senhor. O próprio Jesus seria a pedra sobre a qual a Igreja seria edificada (Mt 16:18, 21:42; Mc 12:10; Lc 20:17; At 4:11; Ef 2:20; 1Pe 2:4-7) o firme fundamento da igreja (1Co 3:11), enquanto que Pedro e os demais apóstolos fossem as primeiras pedras (1Co 12:28; Ef 2:20) seguidas por nós, chamados “pedras vivas” (leia 1Pe 2:5) . Assim, é formada a Igreja de Jesus Cristo.

Como pudemos perceber a Bíblia não ensina que Pedro é pedra da Igreja. Jesus Cristo, o Filho de Deus, é a pedra angular da Igreja, a rocha inabalável (Lc 6:48). Diante destes fatos, pergunto aos amigos Católicos que são sinceros em sua fé: em que podemos acreditar? Na interpretação “infalível” do Magistério da Igreja ou na Bíblia que explica a si mesma?

A Primazia de Pedro

“…para que o mesmo episcopado fosse uno e indiviso, colocou o bem-aventurado Pedro à frente dos outros Apóstolos e nele instituiu o princípio e fundamento perpétuo e visível da unidade de fé e comunhão.”

Concílio Vaticano II, Lumen Gentium, parágrafo 18

No colégio dos Doze, Simão Pedro ocupa o primeiro lugar.”

Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 552

 

Há antes de tudo a escolha dos Doze, com Pedro como seu chefe.”

Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 765

    Como pudemos ler nas transcrições dispostas, a Igreja Católica ensina que Pedro detinha certa primazia sobre o restante apostólico. Com essa insinuação a Igreja Romana formulou a doutrina do Papado, onde Pedro ocupava a posição de primeiro Papa e foi sucedido por uma cadeia interrupta de Papas até os dias atuais.

Toda a doutrina da sucessão episcopal da Igreja Católica está sustentada no fato de que Pedro teria sido o primeiro Papa. Entretanto, a Bíblia não ensina em parte alguma tal ideia. Pedro não detinha primazia sobre os demais apóstolos e isso se pode verificar claramente em algumas partes das escrituras. Vejamos algumas provas:

  1. A.      Atos 8:14

Diz o texto: “Ouvindo os apóstolos, que estavam em Jerusalém, que Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram-lhe Pedro e João;”. Perceba que Pedro foi enviado juntamente com João, sendo que ambos eram considerados colunas da Igreja juntamente com Tiago (veja Gl 2:9), portanto, eram os mais importantes apóstolos. Mas, mesmo assim, a regra definida por Jesus mostra que eles (Pedro e João) não tinham primazia alguma sobre os demais apóstolos: “Em verdade, em verdade vos digo que o servo não é maior que o seu senhor, nem o enviado, maior do que aquele que o enviou.” (Jo 13:16).

  1. B.      Mateus 20:20-28

No texto em questão, há uma sugestão de certa primazia de dois deles pela mãe de Tiago e João (filhos de Zebedeu). Jesus prontamente repreendeu tal ideia no meio apostólico: “ Então, Jesus, chamando-os, disse: Sabeis que os governadores dos povos os dominam e que os maiorais exercem autoridade sobre eles. Não é assim entre vós; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós, será esse vosso servo;” (v. 25-27).

  1. C.      Lucas 22:24-26

Na narrativa de Lucas, temos o mesmo caso anterior mais resumidamente. Não seria uma ótima oportunidade para Jesus reafirmar a primazia de Pedro? Não seria a oportunidade perfeita para Jesus dizer: “Nem Tiago, nem João são os maiores, mas sim Pedro, a quem constituí pedra da minha Igreja.”? Mas por que Jesus não fez isto? Certamente, porque tal primazia não existe.

  1. D.      1 Pedro 5:1

Desta vez o próprio Pedro reconhece que não possui primazia sobre nenhum dos demais apóstolos. Veja o texto: “Rogo, pois, aos presbíteros que há entre vós, eu, presbítero como eles, e testemunha dos sofrimentos de Cristo, e ainda coparticipante da glória que há de ser revelada:”. Onde está a primazia de Pedro ensinada pela Igreja Católica?

  1. E.       Gálatas 2:11

Este versículo é muito claro em mostrar a não primazia de Pedro. Nele o apóstolo Paulo narra uma ocasião onde teve que repreender o apóstolo Pedro. Há uma ênfase de Paulo ao dizer: “resisti-lhe na cara”, que significa resisti-lhe fortemente, em mesmo tom, com autoridade. Se Pedro tinha primazia entre os demais apóstolos, poderia Pauto ter agido desta maneira? Como Paulo poderia ter confrontado uma autoridade maior do que ele neste tom? Paulo agiu desta forma, pois tinha a mesma autoridade que Pedro (veja 2Co 12:11 e Gl 2:8).

 

Como pudemos perceber, existem diversas provas de que Pedro não detinha primazia alguma dentre os apóstolos. No entanto, a Igreja Católica recorre à sua Sagrada Tradição para provar tal primazia, mesmo que a Bíblia não ensine isto. Mais uma vez nos vemos diante de uma situação onde temos que escolher entre a Tradição Católica e a Bíblia. Eu escolho a Bíblia, e você amigo Católico?

As Chaves do Reino dos Céus

Somente Simão, a quem deu o nome de Pedro, o Senhor constituiu em pedra de sua Igreja. Entregou-lhe as chaves da mesma, instituiu-o pastor de todo o rebanho.”

Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 881

    A cúria romana ensina que Jesus entregou as chaves do reino dos céus ao apóstolo Pedro. Este ensino não está errado, Jesus realmente entregou as chaves do reino dos céus a Pedro e aos demais apóstolos (veja Mateus 16:19). No entanto, a Igreja Católica entende “chaves do reino dos céus” de uma maneira totalmente diferente da que Jesus entregou. A bandeira do Vaticano contém um desenho bem sugestivo, mostrando duas chaves cruzadas. Afinal, o que significam as chaves do reino dos céus entregues a Pedro?

Em Mateus 16:19 lê-se: “dar-te-ei as chaves do reino dos céus;”. Estas chaves fazem parte do contexto que se segue: “ o que ligares, pois, na terra será ligado nos céus, e o que desligares na terra será desligado nos céus.” (Mt 16:19). As chaves entregues por Jesus a Pedro e aos demais apóstolos (Mt 18:18) significam que eles teriam as “chaves do conhecimento” que antes pertenciam aos Judeus, os quais faziam mau uso delas, fechando o reino de Deus aos homens (Mt 23:13). Se os apóstolos pregassem a palavra verdadeiramente, abririam o reino dos céus aos homens. É isso que Jesus quis dizer com “ligares na terra e nos céus”. As expressões “ligar” e “desligar” eram comuns à fraseologia judaica e significam “declarar proibido” ou “declarar permitido”.
A Bíblia afirma que só Jesus tem a chave de Davi, “que abre, e ninguém fecha; e fecha, e ninguém abre:” (Ap 3:7). Portanto, ensinar que as chaves do céu são chaves literais que implicam domínio sobre quem entra e quem não entra é totalmente absurdo no contexto Bíblico.

O Poder do Papa Sobre a Igreja

Com efeito, o Pontífice Romano, em virtude de seu múnus de Vigário de Cristo e de Pastor de toda a Igreja, possui na Igreja poder pleno, supremo e universal. E ele pode exercer sempre livremente este seu poder.”

Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 882

    Em outras palavras, o Papa tem autoridade sobre tudo e sobre todos exercendo seu poder sem nenhuma limitação. Na verdade não é exatamente assim, o Papa é obrigado a seguir um decreto que impõe certas limitações ao seu poder; o Papa não pode acrescentar novas doutrinas sem consentimento mútuo do Magistério da Igreja, por exemplo. No entanto, seu poder sobre a Igreja em matéria de fé e doutrina não pode ser questionado.

A Bíblia nos ensina a sermos sujeitos às autoridades eclesiais (Rm 13:2-5; Hb 13:17) pois foram constituídas por Cristo para cuidarem de suas ovelhas. Porém, esta submissão está sujeita à Palavra de Deus. Paulo desfaz a autoridade dos apóstolos se estes não pregarem a verdade (veja Gl 1:8). Isto prova que os apóstolos estavam debaixo da autoridade da Palavra de Deus, isto é, o poder pleno sobre a Igreja era da Palavra de Deus (o próprio Jesus) e não dos apóstolos. Se o Papa tivesse poder pleno sobre a Igreja não precisaria prestar contas a ninguém sobre o que decide e ordena.

Será que o Papa tem poder pleno? Se tivesse, não seria ele o cabeça da Igreja ao invés de Cristo (Ef 1:22, 4:15, 5:23; Cl 1:18) ? Sabemos que nossas autoridades eclesiais devem prestar contas a Deus (2Co 11:2), mas como alguma delas poderia ter poder pleno? Isto é, poder completo, irrevogável e livre? Certamente, este poder não reside no corpo episcopal, mas sim em Cristo e em sua Palavra.

A Infalibilidade da Igreja

Desta mesma infalibilidade goza o Romano Pontífice em razão do seu ofício de cabeça do colégio episcopal, sempre que, como supremo pastor dos fiéis cristãos, que deve confirmar na fé os seus irmãos (cfr. Lc. 22,32), define alguma doutrina em matéria de fé ou costumes .”

Concílio Vaticano II, Lumen Gentium, parágrafo 25

A infalibilidade prometida à Igreja reside também no corpo episcopal  […]. Quando, por seu Magistério supremo, a Igreja propõe alguma coisa “a crer como sendo revelada por Deus” como ensinamento de Cristo, “é preciso aderir na obediência da fé a tais definições.”

Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 891

As suas definições com razão se dizem irreformáveis por si mesmas […]. Não precisam, por isso, de qualquer alheia aprovação, nem são susceptíveis de apelação a outro juízo. Pois, nesse caso, o Romano Pontífice não fala como pessoa privada, mas expõe ou defende a doutrina da fé católica como mestre supremo da Igreja universal, no qual reside de modo singular o carisma da infalibilidade da mesma Igreja .”

Concílio Vaticano II, Lumen Gentium, parágrafo 25

    O mais interessante é que Pedro não é cabeça do colégio episcopal e mesmo que fosse não teria infalibilidade alguma. Pedro era um homem, como qualquer outro, com suas fraquezas, paixões e sentimentos humanos. Fica provado que a Igreja Católica afirma ser infalível sem sugerir prova alguma para tal, usando somente sua Sagrada Tradição altamente duvidosa como já vimos no capítulo anterior.

Na segunda transcrição o Catolicismo vai além, afirmando que seu corpo episcopal (o Magistério da Igreja) é infalível quando propõe alguma doutrina “a crer como sendo revelada por Deus”. O leitor deve se lembrar de quando falamos sobre o Magistério da Igreja no capítulo anterior e como a Igreja Católica tenta manipular a verdade dizendo ser a maior autoridade Cristã infalível sobre a terra. Muitos Católicos desconhecem estas afirmações do Vaticano, nem mesmo sabem que sua religião se declara infalível. Como alguém pode afirmar ser infalível sem ter prova alguma disto? Como alguém pode declarar alguma doutrina “a crer como sendo revelada por Deus” se não estiver de acordo com a Palavra de Deus?

Na terceira transcrição a Igreja Católica afirma com veemência que suas doutrinas não precisam de nenhuma aprovação ou análise por outra fonte, uma vez que foram decretadas pelo pontífice romano e por seu colégio episcopal. Em outras palavras, podemos dizer que as doutrinas propostas pelo Catolicismo não precisam ser analisadas à luz da Bíblia, uma vez que já foram ensinadas como reveladas por Deus. Por outro lado, a Bíblia nos ensina a julgar todas as coisas (1Ts 5:21) e só então reter o que é bom. Mesmo as palavras que vinham dos apóstolos deveriam ser verificadas nas escrituras. E era exatamente isto que os leigos de Beréia faziam a respeito da pregação de Paulo e Silas (At 17:11). Impedir sanções e decretar poder infalível que deve ser obedecido é uma forma de manipulação dos seus seguidores, como fazem as diversas seitas pseudocristãs como as Testemunhas de Jeová, por exemplo.

Caro leitor, como a Igreja Católica pode fazer declarações como estas? Como podem eles dizer que suas palavras não precisam de sanções? Que são infalíveis por si mesmas? Pensem nisto, pois eu, particularmente, considero isso um absurdo e um atentado contra Deus e sua infalível Palavra.

Conclusão

A sucessão apostólica é um orgulho para a Igreja Católica. Assentar-se na “cadeira de Pedro” e dar ordens a toda uma igreja deve ser o sonho de todo cardeal romano. Porém, sabemos que isso não é Bíblico e não tem nada a ver com o propósito divino da era apostólica.

Há sucessão apostólica? Existem hoje os sucessores dos apóstolos?Creio que sim, mas com certeza não são como ensina o catolicismo: infalíveis, poderosos. O que tenho certeza é que há aqueles que Deus levantou para que pastoreiem o seu rebanho, tendo cuidado pelas ovelhas de Jesus, e com certeza, não se encontram no Vaticano.

Vimos que a Igreja Católica ensina que:

  • Pedro é a Pedra da Igreja;
  • Pedro foi o primeiro no colégio dos doze apóstolos;
  • O Papa tem poder pleno, universal e infalível;
  • Esse poder não suporta sanções alheias.

O Papa tem poder pleno? Ele é o vigário de Cristo? Tem ele as chaves do reino dos céus da forma que ensina o clero romano? Sabemos que não, porque a Bíblia não ensina tal ideia em parte alguma. A Igreja Católica carece de provas para suas afirmações sobre a sucessão papal e quando levantamos esta questão, eles retiram a Sagrada Tradição da cartola e mostram como sendo uma verdade tão confiável e verídica quanto a própria Sagrada Escritura. Ninguém tem a verdade apenas pelo fato de dizer que a detém. Sabemos que Jesus é a verdade (Jo 14:6) e portanto, tudo que se chama verdade deve ser ensinado e estar dentro dos moldes da Palavra de Deus, do contrário, não pode ser verdadeiro e deve ser rejeitado por nós (1Tes 5:21).

Perguntas para meditação:

  1. Por que o Catolicismo se apega tanto ao texto de Mt 16:18, a ponto de rejeitar a gramática grega e o contexto Bíblico?
  2. Será que Pedro teve a primazia entre os apóstolos? Ou ele foi igual aos demais apóstolos? O que a Escritura ensina a respeito?
  3. Como pode o Papa ter poder pleno e universal sobre a Igreja de Cristo, uma vez que ele não é o dono dela?
  4. Se a Igreja Católica é infalível, porque as indulgências do século XVI foram consideradas um pecado da Igreja?
  5. Será que a Igreja Católica realmente é infalível? Será que os apóstolos eram infalíveis? Ou será que eles precisam aprender sempre (leia 2Tm 4:13)?
  6. Será que as chaves que foram entregues aos apóstolos realmente implicam poder sobre as portas dos céus? Ou esta é mais uma ideia deturpada pelo “infalível” Magistério Católico?

Extraído do livro “O Catolicismo Romano e a Bíblia” – Rafael Nogueira


Cada autor é responsável pelo conteúdo do artigo.

Deixe seu comentário

Comentários fechados neste artigo.

Advertisement