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A velha imoralidade

por Artigo compilado - qua fev 05, 12:01 am

MAÇÃ

Há algum tempo, um amigo e eu passeávamos pela Rua Oxford, em Londres, quando vimos uma atriz ou modelo embarcando numa limusine com motorista, enquanto se juntava uma pequena multidão para olhar. Diversos fotógrafos imploraram à mulher que saísse do veículo a fim de que pudessem tirar fotografias melhores. Quando ela concordou, eles começaram a gritar:

– Abra mais o decote! As fotografias não serão publicadas se não fizer isso!

Em nossos dias, todas as áreas da vida estão invadidas por essa flama imoral, que não poupa pessoa alguma. Em muitas de nossas publicações e na maior parte dos meios de divertimento, o destaque maior é conferido à atração do sexo. Até eclesiásticos, não tendo conseguido identificar a causa ou dar um remédio para essa doença do homem, estão falando numa “nova moralidade” que se ajuste à época, mas essa chamada “nova moralidade” nada mais é do que a antiga imoralidade, atualizada.

As indicações de desintegração moral em nossa sociedade aparecem por toda a parte. Um senador me declarou recentemente:

– Todas as vezes que designamos uma comissão para investigar qualquer coisa, encontra-se um ninho de víboras!

Parecemos ter voltado aos dias de Noé e completado todo o ciclo que Jesus profetizou que ocorreria, ao dizer: “Pois assim como foi nos dias de Noé, também será a vinda do Filho do Homem” (Mateus 24:37). Reafirmou a narrativa encontrada no Antigo Testamento, de uma desintegração social e moral tão pronunciada que Deus permitiu a destruição do mundo pelo dilúvio no tempo de Noé. Disse também que a história moral se repetiria e que usa mesma desintegração moral seria característica era imediatamente anterior ao final da história como a conhecemos.

A preocupação quanto à dissolução moral do homem ocidental não se restringe aos sociólogos, psicólogos, pregadores e professores. É também a preocupação de dirigentes políticos, chefes militares, profissionais e homens de negócio, bem como de dirigentes sindicais. É preocupação de jornalistas tais como Jenkin Lloyd Jones, do Tribune de Tulsa, que declarou em discurso feito perante uma convenção de diretores de jornais que nosso povo chegou à conclusão de que o pecado é em grande parte coisa imaginária. Tornamo-nos enamorados de uma psicologia onde se afirma que o homem é o produto de sua hereditariedade e vítima do meio. Disse o Sr. Jones: “Semeamos os dentes de dração do sentimentalismo pseudocientífico, e do chão surgiu uma legião empunhando facas e correntes de bicicleta. Está claro que falta alguma coisa.”

Examinando a produção cinematográfica de Hollywood Jones perguntou: “Poderá alguém negar que o cinema está mais sujo do que antes? Mas não chamam isso de sujeira, chamam de ‘realismo’. Por que deixamos que nos enganem? Por que concordamos com expressão de sabedoria quando nos dizem que a sujeira é apenas uma forma artística mais audaciosa, que a licenciosidade constitui, realmente, uma forma de comentário social?”

Diante dessa pornografia legalizada, a consciência dos Estados Unidos parece atingida pela parafina. Mais sério do que nossa impostura na arte, na literatura ou nos filmes cinematográficos é o colapso de nossos padrões morais e o embotamento de nossa capacidade, como nação, de demonstrar justa indignação. Parecemos insensíveis às grosserias do palco, à glorificação do burlesco, ao afundamento dos nossos menores na violência, cinismo e sadismo que entram através da televisão em nossas salas de estar e até na creche. Ficamos estonteados diante da literatura de bordel, que abarrota as nossas listas de bestsellers com novelas obscenas que se desenrolam em prostíbulos. Um elemento de administração de certo jornal teve a coragem de pedir à seção de livros que deixasse de dar publicidade à literatura moralmente recusável, na lista de bestsellers. Somos acusados de deformar os fatos, mas que fatos? Há os fatos da imoralidade, da degeneração e da glorificação da prostituição. Não são fatos exclusivamente americanos, pois poderiam cobrir de vergonha as bandeiras de quase teclas as nações do mundo.

SEXO

A obsessão do sexo sempre foi a marca de civilizações em decadência. Quando os povos e pessoas perdem o rumo, o propósito, a vontade e os objetivos, bem como a fé, lançam-se, como os antigos israelitas, na devassidão. Trata-se de forma de diversão que não requer pensamento, caráter ou freio. Um dos grandes historiadores de nosso mundo foi quem me disse:

– A deterioração moral no Ocidente nos destruirá até o ano 2000, mesmo que os comunistas não o consigam antes disso!

PORNOGRAFIA

A sociedade ocidental está tão obcecada pelo sexo que este emana por todos os poros da vida nacional. Em tempos idos, os romancistas, apresentavam sutilmente o sexo nos seus enredos, como parte da vida, mas das penas de D. H. Lavrence, Norman Mailer, Henry Miller, e centenas de outros menos famosos jorra hoje uma torrente de obras imorais, vulgares e até obscenas, como o vazamento de um cano de esgoto. O sexo ocupa, por toda a parte, a capa das publicações.

A questão, nesse caso, está em sabermos se a liberdade de palavra e de imprensa implica a liberdade de corromper as mentes humanas por meio dos recursos de comunicação em massa, incitando assim a todas as formas de perversão e imoralidade sexual. Em nossas cidades dispomos de leis que proíbem a existência de esgotos e fossas sanitárias ao ar livre, descobertos. Por que não há leis que proíbam a pornografia e a obscenidade? Muitos homens heróicos já tentaram fazer alguma coisa a esse respeito, mas esbarraram até na definição da palavra “obscenidade”. Quando não conseguimos acordo sobre o comprimento de um palmo, é porque perdemos o nosso padrão de medida. Ninguém conseguiu ainda apresentar coisa melhor do que o padrão de medida moral dado ao homem nos Dez Mandamentos. A pornografia é tudo aquilo que apresente luxúria de modo a criar pensamentos e desejos impuros. Os esgotos, no entanto, continuam a transbordar, destruindo a fibra moral de nossa sociedade, até que se tenham tornado a maior ameaça à nossa segurança.

O chamado realismo artístico, que constitui ao mesmo tempo orientação e finalidade de parte da indústria cinematográfica na Europa e nos Estados Unidos, aumenta a podridão, a imundície e a pornografia que estão envenenando a nossa juventude. Não é de admirar que os jovens estejam ficando sexualmente maduros aos dezesseis anos de idade.

Estamos corrompendo a imaginação e o bom gosto de toda uma geração. O amor é pervertido numa concupiscência de Sodoma. As sensibilidades são tão endurecidas que os crimes nacionais e as atrocidades internacionais estão sendo aceitos como coisas naturais.

Ninguém pode duvidar de que os apetites sujos se tornam a satisfação principal da vida, e desse modo estamos permitindo que triunfe o demoníaco. Jeremias, o profeta, avisava em seu tempo: “Serão envergonhados, porque cometem abominação sem sentir por isso vergonha; nem sabem que coisa é envergonhar-se. Portanto cairão com os que caem; quando Eu os castigar, tropeçarão, diz o SENHOR” (Jeremias 6:15).

O Dr. P. A. Sorokin, um dos mais astutos observadores do cenário sexual norte-americano e ex-professor de Sociologia na Universidade de Harvard, afirma sobre a questão: “Tem havido uma preocupação crescente de nossos escritores quanto aos esgotos sociais, os lares desfeitos de pais desleais e filhos desamados, o quarto da meretriz, o bordel, o antro de criminosos, o pavilhão dos dementes, o clube dos políticos desonestos, a quadrilha de adolescentes delinqüentes, a penitenciária onde só se respira ódio, o cais varrido pelo crime, o tribunal do juiz desonesto, as aventuras sexuais de trogloditas urbanizados e estupradores, os amores de adúlteras e fornicadores, de masoquistas, sadistas, prostitutas, amantes, playboys. Amores transbordantes, orgasmos, libidos, tudo é atraentemente preparado e servido com todos os acessórios.”

Os historiadores antigos nos dizem que um dos sintomas da civilização em decadência é a dessexualização da raça humana, onde os homens se tornam mais afeminados e as mulheres mais masculinizadas, não somente em suas características físicas, mas na sua personalidade básica.

PERVERSÃO

Ao lado dessa dessexualização aparece a forma sinistra da perversão, cada vez mais evidente em nossa sociedade, e de tal natureza que os pecados antigos parecem quase simpáticos, em confronto. Nada pode alterar o fato de que Deus chama a perversão de pecado.

“Tais homens são por isso indesculpáveis… Por causa disso os entregou Deus a paixões infames; porque até as suas mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas, por outro contrário à natureza; semelhantemente, os homens também, deixando o contato natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo em si mesmos a merecida punição do seu erro” (Romanos 1:20-27).

A lei imutável de semeadura e colheita se manteve. Somos agora os possuidores desafortunados da depravação moral e procuramos em vão a cura. O joio da indulgência ultrapassaram o trigo do comedimento moral. Nossos lares foram afetados e o divórcio assumiu proporções epidêmicas. Quando a moralidade da sociedade está perturbada, a família é a primeira a sofrer. O lar é a unidade básica de nossa sociedade, e uma nação só consegue ter a força que tenham os seus lares. O rompimento de um lar nem sempre constitui assunto para manchetes da imprensa, mas devora, como os cupins, a estrutura da nação.

Em conseqüência do número crescente de divórcios, separações e abandonos do lar, cerca de doze milhões dos quarenta e cinco milhões de crianças nos Estados Unidos da América não residem com ambos os pais. Põe-se em movimento um círculo vicioso, e como diz a Bíblia: “Os país comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos é que se embotaram” (Jeremias 31:29).

Em todas as áreas de nossa vida social vemos, em funcionamento, a lei inevitável de lucros cessantes, em nossa obsessão com o sexo. Muitos fazem alguma coisa para experimentar, somente para descobrir na vez seguinte que têm de aumentar a dose para chegarem à mesma satisfação da primeira vez. À medida que essa sensação entra em desgaste, são levados a novos meios e experiências diferentes para conseguirem sensação comparável. O insaciável sexual é torturado por sentimentos de culpa e remorso. O seu modo de vida acha-se saturado de tensão intensa, emoções antinaturais e conflitos íntimos. A sua personalidade é contrariada na busca de aperfeiçoamento. As suas paixões escapam ao controle e o resultado final é a frustração. No desafio à lei de Deus e à norma social, sobrecarrega-se a alma de tensão mortal. A procura de novas sensações, novos prazeres e experiências excitantes faz com que se mantenha tomado pelo medo, insegurança, dúvida e sentimento de futilidade.

Diz o Dr. Sorokin: “O estado físico, emocional e espiritual enfraquecido do insaciável sexual geralmente o incapacita para resistir às pressões ligadas a essa atividade, e ele vem a ceder sob seu peso. Muitas vezes termina tomando-se neurótico ou suicida.”

É bem claro o aviso encontrado na Bíblia. Na Epístola aos Hebreus 13:4 dizem as Escrituras: “porque Deus julgará os impuros e adúlteros”. Quem zomba da idéia desse julgamento faria bem em estudar as mais recentes estatísticas sobre nascimentos ilegítimos e doenças venéreas. Os nascimentos ilegítimos se apresentam em níveis nunca dantes atingidos e as doenças venéreas se estendem em proporções epidêmicas por toda a nação. Note-se que tudo isso ocorre quando há a última palavra em matéria de anticoncepcionais e antibióticos. Dizem as Escrituras: “Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem os que abusam de si próprios com a humanidade… herdarão o reino de Deus” (I Coríntios 6:9).

Um dos traços mais perturbadores da situação é a atitude de alguns ministros protestantes. Diz a revista Time: “Os ministros protestantes estão começando a mudar de atitude. Não enristam mais o dedo porque rapazes e moças cedem aos impulsos biológicos naturais e experimentam, não dizem mais: ‘Parem! Vocês estão errando!’ Ao invés disso, perguntam: ‘Isso tem alguma importância?'” Muitos pastores e capelães universitários perdoam e fecham os olhos agora às atividades sexuais pré-conjugais.

Nossa era é de relativismo moral. No entanto, existem certas áreas nas quais as Escrituras não nos dão licença para transigir. Em todos esses séculos não ocorreu a menor sombra de alteração na natureza de Deus ou em Sua atitude para com o pecado. A Bíblia ensina, do começo ao fim, que o adultério e a fornicação constituem pecado, e a atitude de alguns eclesiásticos modernos não modifica esse fato.

DESONESTIDADE

Não devemos dar, entretanto, a impressão de que a imoralidade sexual soja a única esfera de perigo moral em nossa civilização. A desonestidade tem aumentado em proporções alarmantes, em nossa sociedade. Estive presente a um tribunal federal, a fim de acompanhar o caso de um elemento altamente respeitado na profissão médica, que voluntária e deliberadamente falsificara a sua declaração de imposto de renda. Foi condenado a dez anos de prisão.

A doença da desonestidade invade todas as profissões e a sua disseminação por nossa sociedade mostra-se alarmante até para os mais apáticos. Os escândalos no mundo esportivo chocaram a nação, ao saber-se que jovens atletas amadores vendiam seus ideais e ética a bandidos e quadrilheiros. Já se sabia antes que o boxe profissional está profundamente infiltrado pelas quadrilhas, e as investigações feitas demonstram que perder as lutas por interesse financeiro é coisa comum, o que veio a surpreender muita gente. Em recente levantamento feito na vida de uma faculdade, descobriu-se que 75% dos estudantes reconheciam terem sido desonestos uma vez pelo menos durante a sua vida universitária.

Ao sair de táxi do aeroporto de uma grande cidade, puxei conversa com o motorista, que disse:

– Em toda esta cidade o dinheiro resolve tudo. Se a casa comercial não está dando dinheiro a alguém, a prefeitura abre um buraco na rua em frente dela e deixam ficar assim um ano inteiro. Quando examinam meu táxi, tenho de pagar 25 dólares por fora. O homem que recebe diz que só consegue ficar com cinco.

Fez uma pausa, e acrescentou:

– Se acabassem com a desonestidade, a cidade entraria em colapso financeiro.

John Steinbeck escreveu uma carta a Adlai Stevenson, onde dizia: “Há um gás que vaza e impregna tudo, um gás de imoralidade que começa no berço e não pára até chegar aos cargos mais elevados, tanto nas companhias quanto nos cargos públicos.” Walter Lippmann afirma: “Os Estados Unidos estão começando a aceitar um novo código de ética onde se permite a fraude e a mentira.”

Por que existe toda essa desonestidade em todas as fases de nossa vida? É Russell Kirk quem responde a essa pergunta: “Em todo esse século, na minha opinião, a honestidade em coisas grandes e pequenas tem diminuído em quase todo o mundo. A honestidade pública e particular é produzida, em parte, por convicções religiosas… quando as sanções religiosas entram em decadência… o homem sensual comum se inclina para a fraude e a mentira.”

UMA  CULTURA  QUE  MORRE

A decadência moral e espiritual com que lidamos hoje torna-se evidente ao virarmos qualquer página dos jornais diários. Vivemos numa época na qual os valores antigos são rejeitados e o sentido de significado e propósito desapareceu da vida de muita gente. O único objetivo do mundo ocidental parece ser o êxito, a posição destacada, a segurança, o desregramento, o prazer e o conforto. Se pudermos julgar os nossos tempos pelos quadros produzidos por alguns artistas modernos, veremos borrões indiscriminados de cores, sem qualquer configuração ou desenho reconhecível. Uma criança que jogasse tintas sobre a tela conseguida os mesmos resultados. Na verdade, em certa exposição artística um chimpanzé conquistou o primeiro prêmio por seu quadro. A mistura incompreensível de tintas demonstra apenas as mentes e valores confusos de nossos dias. O dramaturgo, o novelista e o escritor especializado em roteiros cinematográficos nos proporcionara doses incontidas de violência, sexo e homicídio. Com certeza, esta geração parece doente e necessitada de salvação.

A causa de nossas dificuldades foi revelada recentemente na seguinte declaração feita por Tennessee Williams, um dos dramaturgos mais lidos de nossa época: “Temos pouca convicção de nossa dignidade íntima, ou mesmo de nossa decência íntima.”

Com todas essas indicações de decadência diante de nossos olhos, não admira que May Craig, correspondente em Washington, afirme: “A menos que haja uma transformação muito profunda no povo norte-americano, uma cruzada genuína contra a sensualidade e a imoralidade, tanto pública quanto privada, seremos testemunhas do declínio e queda da República Americana.”

Sim, é preciso que nos lamentemos em voz alta, para que nos salvem, para que nos salvem de nós mesmos, pois é a alma de uma nação e uma cultura o que está morrendo! Oséias, o profeta, incitava a gente de seus dias: “Semeai para vós outros em justiça, ceifai segundo a misericórdia; arai o campo virgem; porque é tempo de buscar o Senhor até que Ele venha e chova a justiça sobre vós” (Oséias 10:12).

Está aumentando a fenda na represa da moral, mas como a gente dos dias de Noé antes do dilúvio, a vida continua em seu ritmo habitual, havendo apenas alguns que se preocupam e pouquíssimos que se mostrem alarmados. A apatia, no entanto, não fará deter-se a catástrofe. A gente dos dias de Noé não esperava o julgamento, mas ele veio! Nós nos tornamos amolecidos e amantes do conforto. Observando os programas de televisão, noto que quando irrompe qualquer crise na tela o autor em geral pede: “Prepare-me um drinque.” Quando as manchetes se tornam sombrias e alarmantes, aumenta no país a venda de álcool e barbitúricos, pois milhões de pessoas buscam, desse modo, escapar às realidades sombrias dos perigos que nos ameaçam.

Em seminário de debates realizado numa universidade, um estudante me perguntou:

– Nossa sociedade ainda está morrendo, ou está cometendo a hipocrisia de estar morta sem saber disso?

Minha resposta foi:

– Não tenho certeza, mas estou alarmado e sinto o encargo e o impulso dos profetas antigos no sentido de alertar as pessoas. Se me irão ouvir, ou não; na verdade isso não é de minha responsabilidade.

Os profetas alertaram reiteradamente o povo dos tempos idos, mas as Escrituras dizem que seus corações se endureceram e seus ouvidos ficaram moucos. Faziam-se deliberadamente surdos à Palavra de Deus.

Há uma coisa que sabemos: nossa moralidade decadente não surpreende Deus. Vai ter à pilha de materiais inflamáveis que, um dia, será acesa pelo fogo do julgamento divino. As palavras do Apóstolo Paulo, no primeiro capítulo da Epístola aos Romanos, dirigida à decadente sociedade romana, podem bem aplicar-se a nós: “Porquanto, tendo conhecimento de Deus não O glorificaram como Deus, nem Lhe deram graças” (Romanos 1:21). Se já houve alguma geração que tenha recebido o conhecimento de Deus, fomos essa geração. No entanto, estamos jogando fora essa herança gloriosa, em virtude da nossa concupiscência e das nossas paixões.

Foi também Paulo quem disse: “Antes se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato. Inculcando-se por sábios, tomaram-se loucos” (Romanos 1:21-22). A palavra “tornaram-se” sugere deterioração e decadência. Numa sociedade decadente, a vontade de crer, de resistir, de lutar e pelejar desapareceu. Em lugar dessa vontade de resistir, há o desejo de se conformar, derivar, seguir, Ceder c desistir. Foi o que sucedeu com Roma, mas também se aplica a nós. As mesmas condições que vigoraram em Roma vigoram em nossa sociedade. Antes de Roma cair, os seus padrões tinham sido abandonados, desintegrara-se a família, prevaleciam os divórcios, a imoralidade campeava e a fé era reduzida. Como disse Gibbon, “falava-se muito em religião, mas poucos a praticavam”. Hoje em dia, nossas igrejas estão cheias, mas quantos realmente praticam o cristianismo na vida diária?

Mais uma vez, é Paulo quem diz: “E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível” (Romanos 1:23). O humanismo tornou-se o deus de nosso tempo, e Aldous Huxley falou do “controle humano pelo esforço humano, de acordo com ideais humanos”. O credo moderno de “eu creio no homem” é uma inversão completa da teologia bíblica.

Foi ainda o grande Apóstolo quem disse: “Por isso Deus entregou tais homens à imundície, pelas concupiscências de seus próprios corações, para desonrarem os seus corpos entre si” (Romanos 1:24). Ele não diz que Deus desistiu, apenas que Deus abandonou o homem às práticas impuras e injustas. Quando isso acontece, estamos em perigo terrível!

Assim temos que em três passagens da Epístola aos Romanos nos é dito que Deus abandonou o homem. Num dos exemplos, Deus o abandonou quando o homem se voltou para a concupiscência e as práticas imorais. Em outro, Deus o abandonou quando o homem se voltou para as afeiçoes vis e os desvios imorais. No terceiro exemplo, Deus o abandonou quando o homem se tornou perverso e se encheu de injustiça, fornicação, cobiça e malícia.

Quando o homem é abandonado por Deus, só lhe resta uma coisa: o julgamento! Aqui está: “Ora, conhecendo eles a sentença de Deus, de que são passíveis de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que assim procedem” (Romanos 1:32). Quando Sodoma e Gomorra se tornaram culpadas dos mesmos pecados que cometemos, Deus a julgou com fogo e enxofre. Diz a Bíblia: “Deus não as poupou.” Quando a gente dos dias de Noé se tornou culpada dos mesmos pecados, diz a Bíblia: “Deus não os poupou.”

Não podemos afirmar que somos os preferidos de Deus. Não estamos especialmente dispensados de julgamento. Se continuarmos em nosso rumo atual, a lei moral onde se afirma “porque o salário do pecado é a morte” (Romanos 6:23) representará a morte final para nossa sociedade.

Como é irônico o fato de que a civilização que produziu os melhores automóveis, as melhores geladeiras e os melhores aparelhos de televisão esteja produzindo, ao mesmo rompo, alguns dos piores seres humanos! A resposta total ao nosso dilema nessa derrocada é que abandonamos Deus. A acusação divina contra o homem se resume em quatro palavras: “Eles não têm desculpa” (Romanos 1:20). Como nação, não temos desculpa, pois trocamos o nosso direito de nascimento por um amontoado de prazeres imorais. Estamos descobrindo ser verdade o que Tocqueville disse: “Quando a América deixar de ser boa, deixará também de ser grande.”

Em nosso conhecimento, que se tornou insensatez, estamos preparando o cenário para a dissolução pessoal e nacional e o juízo final. Estamos acumulando bastante material para a conflagração. Estamos construindo para a destruição. Estamos implorando o juízo. Disse Thomas Jefferson: “Tremo por meu país, quando me lembro de que Deus é justo.” “Em verdade vos digo que menos rigor haverá para Sodoma e Gomorra no dia de Juízo, do que para aquela cidade” (Mateus 10:15), disse Jesus.

No museu do Rei Tut, no Cairo, existe um grão de trigo com cinco mil anos de idade, tirado dos túmulos dos faraós egípcios. Dizem que, se esse grão ou semente fosse plantado, germinaria e cresceria. As sementes da integridade, reverencia e reunião ou justiça não estão mortas, mas não estamos deixando que germinem.

Ainda há tempo. É bem verdade que o dia se está aproximando do seu fim, mas não é tarde demais para que detenhamos os fogos catastróficos do juízo de Deus. Declara a Bíblia: “Deus não quer que nenhum pereça” (II Pedro 3:9). E é também na Bíblia que encontramos: “Hoje se ouvirdes a Sua voz, não endureçais os vossos corações” (Hebreus 3:7-8).

Extraído do Livro “MUNDO  EM  CHAMAS”, BILLY GRAHAM


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