Centro Apologético Cristão de Pesquisas - CACP

Expiação por Azazel
A quem representava o bode Azazel?


Pr.Onezio Figueiredo

A senhora White, profetisa inspirada do adventismo, "descobriu" a doutrina da expiação compartilhada- Cristo e Satanás- em Lv. 16. 20-22. Este texto fala de dois bodes sacrificiais para os quais os pecados do povo de Deus foram simbolicamente transferidos, sendo um sacrificado substitutivamente e outro, mantido vivo, mas abandonado na solidão dos ermos. Ela, dicotomizando o sacrifício, viu no bode substituto sacrificado o tipo de Cristo e no vivo alienado, a figura do príncipe dos demônios. Então, imaginativamente, conclui:

a- O bode abatido, cujo sangue faz a purificação do santuário, prefigura Jesus Cristo que, pelo seu sangue imaculado, purificará o altar do Santo dos Santos celeste; fato que ocorrerá no fim do Juízo Investigativo.

b- O bode emissário, Azazel, prefigura Satanás, para o qual Cristo transferirá todos os pecados de seu povo, que se encontram registrados no livro arquivado no santuário, e o desterrará para a terra desolada, onde permanecerá em estado de inominável sofrimento por seus próprios crimes e pelos delitos dos justos pelos quais é diretamente responsável. Esse ato de transferência expiatória ocorrerá no encerramento do juízo investigador, dando início ao "perdão dos justos", que habitarão com Cristo, e ao milênio, durante o qual o "Azazel Expiatório" vagará, com seus anjos maus, pela terra convertida em deserto, terrivelmente árida.

O Papel do Diabo na Expiação Adventista.

A vítima expiatória, na verdade, é Satanás, não Jesus Cristo. O sangue de Cristo, de fato, não exerce expiação: ele é transferido para o santuário celeste, onde se encontra os pecados dos justos registrados em livro próprio. Quem, no juízo final, tiver merecimento por arrependimento e fé, o "depósito do sangue de Cristo a seu favor" garantir-lhe-á a remoção dos pecados, que serão colocados sobre o Demônio regente. Este, sim, funcionará como "bode expiatório", carregando os pecados dos santos, sofrendo por eles e, porteriormente, no final do milênio, morrerá expiatoriamente, eliminando as culpas de todos os filhos de Deus. Quem, finalmente, vai morrer pelos pecados, conforme os adventistas, é Satanás. Inacreditável!

O Sacrifício e Azazel

Sacrifício único. À luz do contexto sacrificial, não se pode imaginar sacrifícios expiatórios independentes, um do bode sacrificado, outro do vivo. Ora, o culto sacrificial do Dia Nacional da Expiação era uno, com um único significado: purificação do arraial ou do santuário e perdão dos pecados coletivos. A cerimônia constava de dois bodes: um que, carregando os pecados do povo, eliminava-os pela morte vicária; outro que, igualmente levando as culpas dos eleitos, continuava vivo, mas em lugar onde a contaminação fosse impossível. Nesse ato simbólico, a morte sacrificial e a vida sacrificial prefiguravam, prolepticamente, um só evento: a vida, paixão e morte de Cristo, o que carregou o nosso pecado( Is 53. 4,8 cf Jo 1. 29, 36; I Jo 3.5)) e, ao mesmo tempo, encravou-o na cruz(Is 53. 5-7). Os dois bodes, ambos vítimas sacrificiais, são, com certeza, figuras de Jesus Cristo, que se fez pecado por nós e por nós entregou sua vida. A purificação do leproso curado, que simbolizava um pecador purificado de seus pecados, também era feita por dois pombos; um, destinado à morte sacrificial; outro, a carregar, pelo sangue da vítima, a doença para longe( Lv 14. 1-9)( Dic. Int. de Teol. Do A. T., Ed. Vida Nova, 1ª Ed, 1998, pág. 1.099,§ 1593). Introduzir papel Satânico no culto sacrificial, especialmente no que tipificava a vida encarnada de Cristo, feita pecado por nós, é mais que inconseqüência, é abominação.