Confissões, Catecismos e
Credos
O que eles têem a dizer sobre a divisão
da lei?
Por Paulo Cristiano da Silva
Geralmente os adventistas para apoiarem sua tese da
vigência e divisão da lei mosaica no NT apelam para longas
listas de citações de algumas Confissões de Fé
históricas e teólogos protestantes. Mas há um
problema com tudo isso, pois se eles consideram quebrantadores da
lei os que guardam o domingo e dizem que (citando Tiago 2.10) quem
quebranta um só dos mandamentos quebrantou toda a cadeia dos
dez, como então poderão citar como autoridade todos
estes Catecismos, Confissões e frases protestantes como prova
de que o sábado está em vigor? Eles apóiam a
guarda do sábado? É realmente isso que estes artigos
de fé concluem? Vejamos o que diz certas confissões
de fé sobre o sábado:
Confissão de fé Batista de 1689
Capítulo 22 - Adoração Religiosa e o Dia do Senhor
7. Por instituição divina, é uma lei universal
da natureza que uma proporção de tempo seja separada
para a adoração a Deus. Por isso, em sua Palavra - através
de um mandamento explícito, perpétuo e moral, válido
para todos os homens, em todas as eras - Deus determinou que um dia
em cada sete lhe seja santificado,28 como dia de descanso. Desde
o começo do mundo, até a ressurreição
de Cristo, esse dia era o último dia da semana; e, desde a
ressurreição de Cristo, foi mudado para o primeiro dia
da semana, que é chamado 'Dia do Senhor". A guarda desse
dia como sábado cristão deve continuar até o
fim do mundo, pois foi abolida a observância do último
dia da semana.
1.Confissão de Fé de New Hampshire
2.Primeira Confissão de Londres 1644 (Inglaterra)
3.Segunda Confissão de Londres 1833 (EUA)
"Cremos que o primeiro dia da semana é o dia do
Senhor, ou o sábado cristão; e deve ser mantido
sagrado para propósitos religiosos, pela abstenção
de todo o labor secular e recreações pecaminosas; pela
observância devota de todos os meios de graça, tanto
privado quanto público, e pela preparação para
aquele repouso que restara para o descanso do povo de Deus."
1.Catecismo Maior de Westminster
2.Catecismo Menor de Westminster
Pergunta 116. Que se exige no quarto mandamento?
R: No quarto mandamento exige-se que todos os homens
santifiquem ou guardem santos para Deus todos os tempos estabelecidos,
que Deus designou em sua Palavra, expressamente um dia inteiro em
cada sete; que era o sétimo desde o princípio do
mundo até à ressurreição de Cristo, e
o primeiro dia da semana desde então, e há de
assim continuar até ao fim do mundo; o qual é o sábado
cristão, e que no Novo Testamento se chama Dia do Senhor.
Ref.: Is 56.2,4,6,7; Gn 2.3; I Co 16.2; Jo 20.19-27; Ap 1.10.
Pergunta 117. Como deve ser santificado o Sábado ou Dia
do Senhor (= Domingo)?
R: O Sábado, ou Dia do Senhor (=Domingo), deve ser santificado
por meio de um santo descanso por todo aquele dia, não somente
de tudo quanto é sempre pecaminoso, mas até de todas
as ocupações e recreios seculares que são lícitos
em outros dias; e em fazê-lo o nosso deleite, passando todo
o tempo (exceto aquela parte que se deve empregar em obras de necessidade
e misericórdia) nos exercícios públicos e particulares
do culto de Deus. Para este fim havemos de preparar os nossos corações,
e, com toda previsão, diligência e moderação,
dispor e convenientemente arranjar os nossos negócios seculares,
para que sejamos mais livres e mais prontos para os deveres desse
dia.
Ref.: Ex 20.8,10; Ex 16.25,26; Jr 17.21,22; Mt 12.1-14; Lv 23.3; Lc
4.16; Lc 23.54-56;
O Catecismo de Heidelberg
P. 103. Que é que Deus requer no quarto mandamento?
"Primeiro, que o ministério do Evangelho e a educação
cristã sejam mantidos e que eu freqüente diligentemente
a igreja, especialmente no dia do Senhor, para ouvir a Palavra
de Deus, para participar dos santos Sacramentos, para invocar publicamente
o Senhor e para prestar serviço cristão aos que estiverem
em necessidade. Segundo, que eu cesse a prática de minhas obras
más todos os dias de minha vida, permita que o Senhor opere
em mim pelo seu Espírito, e assim. comece nesta vida o descanso
eterno." (Até aqui as confissões).
Conclusão
Partindo da filosofia adventista de que quem quebra um dos mandamentos
quebrou todo o resto, diríamos que todas essas autoridades
no final não servem de base alguma para apoiar as alegações
adventistas, pois nenhuma delas apóia a guarda do sábado,
até mesmo o considera ab-rogado, e em seu lugar guardam o domingo
o dia do Senhor. Mas são os mesmos adventistas que dizem que
quem guarda o domingo está prestando honra ao papado e no futuro
terá a marca da besta. A conclusão inevitável
que tiramos disso é que todas essas autoridades estão
debaixo do poder do papado e no futuro terão a marca da besta
segundo palavras dos próprios adventistas. Observe o que diz
a profetisa dos adventistas quanto a isso:
"Unicamente mudando a lei de Deus poderia o papado exaltar-se
acima de Deus; quem quer que conscientemente guarde a lei assim modificada,
estará a prestar suprema honra ao poder pelo qual se efetuou
a mudança. Tal ato de obediência às leis papais
seria um sinal de vassalagem ao papa em lugar de Deus." (O Grande
Conflito)
Agora observe essa declaração a seguir:
" A 'imagem da besta' representa a forma de protestantismo apóstata
que se desenvolverá quando as igrejas protestantes buscarem
o auxílio do poder civil para imposição de seus
dogmas."
Cabe aqui uma pergunta: Lutero e Calvino não se enquadrariam
aqui nesta descrição de apostasia? E a igreja Anglicana?
Todas elas sem exceção eram igrejas estatais e não
pouco usaram do poder civil para impor seus dogmas em muitos casos,
principalmente, o domingo.
Observe o que diz certa obra teológica:
"Os reformadores ingleses e escoceses, no entanto deram ao sabatismo
sua forma mais rigorosa, ao requererem que todas as pessoas freqüentassem
a igreja no "Dia do Senhor, comumente chamado domingo" ;
proibindo todos os trabalhos "os trabalhos e negócios
mundanos , com a única exceção de "obras
de necessidade ou de caridade" (Decreto-Lei Parlamentar 29, cap.7,
de Carlos II). Os puritanos ingleses e os presbiterianos escoceses
que foram para os Estados Unidos decretaram, por sua vez, legislações
semelhantes, incluindo as "leis azuis" que restringiam o
comércio aos domingos." (Enciclopédia Histórico-Teológica
da Igreja Cristã, vol. I editor Walter A Elwell - vários
colaboradores - ed. Vida Nova pág. 462)
Falando sobre os cristãos que guardam o domingo, certo escritor
adventista lança toda sua raiva ao dizer: "...embora a
cristandade semi-apostatada averbe este dia como o 'dia do Senhor'."
(Subtilezas do Erro pág. 185)
A única razão obvia do porquê os adventistas ainda
usarem esta lista de confissões e credos históricos
é para enganar os mais incautos, é um argumento unilateral,
fazem isso por pura conveniência. Deixe-me explicar: quando
estes mesmos credos ou Confissões de fé vão contra
outros pontos teológicos defendidos pelos adventistas tais
como, o inferno de fogo, a sobrevivência da alma após
a morte, o domingo etc... ai o negócio muda, já não
é tão perfeito assim. Veja o que certo adventista disse
a respeito destes mesmos credos que são citados em abono a
tese adventista da lei:
"É de vital importância a todos os cristãos
precaverem-se contra o estarem obrigados por credos escritos, não
importa quão perfeitos possam parecer." (Do Sábado
para o Domingo, Carlyle B. Haynes - pág. 132).
Mas quando estes mesmos credos escritos dessas "igrejas apóstatas"
parecem apoiar certos pontos de vista adventista, não hesitam
em citá-los como grandes autoridades de maior gabarito para
angariar apoio à sua teoria. Pode haver mais hipocrisia do
que isso?
Demais disso, nem mesmo a divisão engendrada por eles e reivindicada
pelos adventistas não é lá uma base muito segura,
pois tais autoridades não dividem a lei em duas com o mesmo
propósito e objetivo que fazem os adventistas. Eles a dividem
de maneira própria em "Lei de Deus" e "Lei de
Moisés", enquanto a primeira está em vigor a segunda
foi abrogada. Dizem ainda que o sábado fazia parte dessa lei
de Deus que ainda está em vigor. Dizem que quando Paulo fala
coisas negativas da lei, ai então se refere a chamada lei cerimonial,
mas quando este mesmo apóstolo fala coisas positivas quanto
a lei, ai então a lei é a chamada lei moral ou os dez
mandamentos.
Quanto a isto, gostaríamos de abrir um parêntese aqui
e citar o que disse certo teólogo adventista quanto a este
artifício contradizendo a interpretação tradicional
por eles usada:
"A idéia de que as declarações
negativas de Paulo se referem à Lei Cerimonial, ao passo que
as afirmativas se referem à Lei Moral, não pode ser
encontrada em seus escritos."(Samuele Bacchiocchi, artigo
Paulo e a Lei."- Revista Adventista, julho de 1985, p. 9) (destaque
nosso)
Nossas observações sobre as duas leis
é que essas frases tão corriqueiras e freqüentes
entre os adventistas não se achem em toda a Bíblia.
Convidamos os adventistas a mostrar uma só referência
onde essas frases Lei Moral e Lei Cerimonial sejam encontradas.
Essa não é a divisão que faz o
protestantismo tradicional. Os teólogos protestantes faziam
distinções entre princípios eterno e morais ou
a chamada lei natural, com a parte circunstancial e cultural com que
aquela lei veio mesclada. Nisto está a grande diferença
entre as duas divisões, pois o sábado do sétimo
dia faz parte destas cerimônias. O princípio natural
era o descanso em um dia, mas a parte cerimonial e cultural a qual
estava sujeita o povo de Israel era um dia determinado da semana para
guardá-lo. Guardá-lo com todas as cerimônias tais
como, por exemplo: do pôr do sol ao pôr do sol, oferecer
cordeiros, não acender fogo, obrigar seus criados a guardá-lo,
não comprar ou vender etc...
*Paulo
Cristiano, é presbítero da Igreja Evangélica Assembléia de Deus e há mais
de dez anos pesquisador de seitas;palestrante co-fundador e vice-presidente
do CACP (Centro Apologético Cristão de Pesquisas). É membro da comissão
revisora do curso teológico do Instituto Bíblico das Assembléias de
Deus em São José do Rio Preto(IBADERP). Já desenvolveu pesquisas e
escreveu artigos sobre temas relacionados à fé cristã em diversos
periódicos evangélicos e seculares.
Dentre os muitos publicados na revista Defesa da Fé. Leciona
Heresiologia e Novo Testamento na Faculdade de Teologia da Assembléia
de Deus do Calvário (FATAC). É autor do livro “Desmascarando a Idolatria”, ainda
sem data prevista para lançamento.