ÿþ<html> <head> <title>Decálogo: Lei superior?</title> <META HTTP-EQUIV="Refresh" CONTENT="0 ; URL= adventismo/artigo.aspx?lng=PT-BR&article=74&cont=1&menu=1&submenu=8"> <meta http-equiv="Content-Type" content="text/html; charset=iso-8859-1"> </head> <script type="text/javascript"> var gaJsHost = (("https:" == document.location.protocol) ? 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Na realidade, a origem dessa designa&ccedil;&atilde;o encontra-se em Ex 34.28; Dt 4.13 e 10.4, que falam das &quot;Dez Palavras&quot; (&aacute;ser&eacute;t haddeba rim, em hebraico), que a vers&atilde;o grega dos Setenta traduziu por tous deka Iogous (Ex 34.28; Dt 10.4) e ta deka rhemata (Dt 4.13). Segundo lrineu, Clemente e a tradi&ccedil;&atilde;o crist&atilde; posterior, essas express&otilde;es designam o dec&aacute;logo de Ex 20.2-17 e Dt 5.6-21. <br> <br> <b>Sua import&acirc;ncia para os adventistas </b><br> <br> &quot;A Lei Moral, os Dez Mandamentos, chamamos de Lei de Deus. Esta lei vem da eternidade. Os princ&iacute;pios desta lei s&atilde;o a base do governo de Deus. S&atilde;o imut&aacute;veis como o trono de Jeov&aacute;. A lei &eacute; por natureza indestrut&iacute;vel, adaptando-se ao governo de seres morais livres em todos os s&eacute;culos, em todo o Universo de Deus. Nem um mandamento pode ser tirado do Dec&aacute;logo. Permanece, todo ele, irrevogado, e assim permanecer&aacute; para sempre. Esta lei n&atilde;o pode ser ab-rogada, nem por homens da terra, nem por seres do C&eacute;u. Nem mesmo o .Seu autor - com rever&ecirc;ncia o dizemos - a pode ab-rogar, a menos que mude Sua natureza, e a forma de Seu governo. Disse Jesus: &quot;&Eacute; mais f&aacute;cil passarem o C&eacute;u e a Terra do que cair um til da lei&quot; (Luc. 16:17). Portanto, esta lei permanece para sempre. Pelo menos enquanto durar C&eacute;u e Terra.&quot; ('Assim Diz o Senhor' p&aacute;g, 79 - Louren&ccedil;o Gonzalez - ed. ADOS) <br> <br> <i>Certo adventista defendendo o dec&aacute;logo escreveu-nos nos seguintes termos:</i><br> <br> &quot;Mas, pode argumentar o quanto quiser, uma coisa ainda as diferencia: uma delas (o dec&aacute;logo) foi escrita pelo dedo de Deus em t&aacute;buas de pedra. A outra pela m&atilde;o de Mois&eacute;s em rolos de papiro. A pedra representa perpetuidade, e foi a lei b&aacute;sica dada por Deus com os princ&iacute;pios morais que fundamentam o Seu governo universal, tanto que tamb&eacute;m foi guardada dentro da arca (outra diferen&ccedil;a significativa).&quot; <br> <br> E ainda:</p> <p align="justify"> &quot;escrita com o dedo de Deus em t&aacute;buas de pedra, e as outras partes da legisla&ccedil;&atilde;o do velho concerto (os preceitos cerimoniais, civis, etc.) que N&Atilde;O FORAM PROCLAMADAS SOLENEMENTE NEM REGISTRADAS EM T&Aacute;BUAS DE PEDRA! O fato de que no final todas as disposi&ccedil;&otilde;es legais, de car&aacute;ter moral, cerimonial, civil, foram escritas num livro n&atilde;o desfaz diferen&ccedil;a alguma. Notem bem: Persiste o fato de que o Dec&aacute;logo foi solenemente proclamado e registrado pelo dedo de Deus em t&aacute;buas de pedra (ver ainda &Ecirc;xo. 32:15 e 16). Os demais mandamentos n&atilde;o o foram. Ent&atilde;o, como diz aquela piadinha cl&aacute;ssica: h&aacute; uma diferen&ccedil;a-e que diferen&ccedil;a!&quot; (Azenilto G. Brito)<br> <br> O autor destes disparates acima em sua tentativa de salvaguarda do s&aacute;bado judaico empenhou-se desesperadamente de unhas e dentes a fim de &quot;provar&quot; ser o dec&aacute;logo, in totun, vigente hoje em dia para os crist&atilde;os, querendo assim, jogar-nos novamente debaixo da lei mosaica. Contudo, ledo engano!<br> Eis aqui resumidamente suas alega&ccedil;&otilde;es para justificar a superioridade do dec&aacute;logo em detrimento a da chamada lei &quot;cerimonial&quot; contida no livro:<br> <br> 1.Os Dez Mandamentos foram postos dentro da arca enquanto o livro ao lado da arca;<br> 2.Os Dez Mandamentos foram escritos em duas T&aacute;buas de Pedras enquanto o livro foi em papiro;<br> 3.Os Dez mandamentos foram ditos por Deus enquanto os mandamentos do livro foram ditos por Mois&eacute;s;<br> 4.Os Dez Mandamentos foram escritos pelo dedo de Deus enquanto o livro pela pena de Mois&eacute;s;<br> <br> S&atilde;o basicamente estes 4 pontos levantados por nosso amigo e de resto por todos os adventistas de plant&atilde;o que pretendem dar uma conota&ccedil;&atilde;o positiva ao dec&aacute;logo em detrimento &agrave;s demais leis. Seria estes argumentos irrespond&iacute;veis como alegam os adventistas? Claro que n&atilde;o! Se levarmos a s&eacute;rio uma pesquisa desapaixonada da B&iacute;blia destitu&iacute;da de todo preconceito religioso veremos que n&atilde;o passam de engenhosas fal&aacute;cias .<br> Daremos ent&atilde;o respostas sensatas a estes 4 argumentos logo abaixo:</p> <p align="justify"><b>1. Os Dez Mandamentos foram postos dentro da arca enquanto o livro ao lado da arca;</b><br> <br> <i>Quanto a pergunta n&ordm; 1</i>, deve-se levar em conta que os Dez Mandamentos ou as &quot;dez palavras&quot; como aparece no original hebraico, n&atilde;o foram postos dentro da arca por serem superiores aos demais, antes para servirem de testemunho vis&iacute;vel do concerto que Deus fez com Israel. <br> De acordo com o costume daquela &eacute;poca, por vezes, qualquer contrato solene ou alian&ccedil;a era firmado selecionando algum objeto como &quot;testemunha&quot; ou &quot;testemunho&quot; daquele acordo. Foi assim que Jac&oacute; ergueu um pilar como uma testemunha de seu voto para com o Deus de seus pais (G&ecirc;nesis 28.18). Mais tarde este mesmo Jac&oacute; fez com Lab&atilde;o uma alian&ccedil;a e ergueram um mont&atilde;o de pedras como testemunha disto (G&ecirc;nesis 31:48). Abra&atilde;o reservou sete cordeiros como &quot; uma testemunha &quot; da alian&ccedil;a dele com Abimeleque (G&ecirc;nesis 21:27-30). <br> De modo an&aacute;logo quando ent&atilde;o a Alian&ccedil;a ou o Concerto foi firmado entre Deus e Israel no Sinai, Deus lhes deu as t&aacute;buas de pedras para servir como uma testemunha ou &quot; testemunho &quot; daquele acordo. Estas t&aacute;buas de pedra que continham alguns dos preceitos principais da lei, serviria sempre como &quot; testemunha &quot; da Alian&ccedil;a que Israel tinha feito para guardar aquela lei. Evidentemente esta &eacute; a raz&atilde;o porque o dec&aacute;logo foi designado como tal, e n&atilde;o porque era uma lei superior as demais em si mesma. Mesmo porque n&atilde;o tinha sentido Deus escrever todas as leis naquelas duas pequeninas t&aacute;buas. Por isso as t&aacute;buas de pedras eram chamadas de: <br> <br> &middot; &quot;T&aacute;buas do testemunho&quot;(&Ecirc;x.31:18).<br> &middot; A arca na qual foram postas as pedras &eacute; chamada de &quot;arca do testemunho&quot; (&Ecirc;x.40:5).<br> &middot; O Tabern&aacute;culo onde a arca foi posta &eacute; chamado de &quot;tabern&aacute;culo do testemunho&quot; (&Ecirc;x.38:21).<br> <br> Ademais, um eminente arque&oacute;logo crist&atilde;o joga mais luz nesta quest&atilde;o ao dizer com muita propriedade: &quot;A arqueologia tamb&eacute;m nos ajuda a entender a raz&atilde;o para as t&aacute;buas terem sido depositadas dentro da arca. Nas culturas do Oriente Pr&oacute;ximo, nos tempos de Mois&eacute;s, era costume p&ocirc;r documentos legais e acordos entre reinos rivais &quot;aos p&eacute;s&quot; do deus que cultuavam, no seu santu&aacute;rio. Este deus agia como o guardi&atilde;o dos tratados e supervisionava sua implementa&ccedil;&atilde;o. Registros eg&iacute;pcios fornecem exemplos disso num pacto feito entre Rams&eacute;s II E Hatus&iacute;lis III. O acordo foi fechado ao depositar uma c&oacute;pia do tratado aos p&eacute;s de Teshup, o deus do rei hitita, e de R&aacute;, o deus do Fara&oacute;. As t&aacute;buas da Lei colocadas dentro da arca estavam igualmente &quot;aos p&eacute;s de Deus&quot;, porque a arca era o escabelo de seus p&eacute;s.&quot; (&quot;Pedras que Clamam&quot; editora CPAD, 1997 - Dr. J. Randall Price, p&aacute;g.184).<br> <br> Pois bem, a&iacute; est&aacute;, o ato de colocar as t&aacute;buas dentro da arca n&atilde;o era algo sui generis, mas um costume tirado das civiliza&ccedil;&otilde;es antigas e/ou contempor&acirc;neas de Israel. N&atilde;o podemos ver neste ato de depositar algo dentro da arca nada de extraordin&aacute;rio. Ainda o fato de o livro ter sido posto fora ou dentro da arca, &eacute; quest&atilde;o que divide estudiosos judeus. Seja como for, a perman&ecirc;ncia do livro fora da arca pode ser explicado da seguinte maneira: o fato de uma c&oacute;pia destes tratados serem postos fora, como uma testemunha, como indica a historia dos povos antigos, talvez tenha influenciado as dimens&otilde;es da arca pois diz Mois&eacute;s que elas cabiam cada uma em suas m&atilde;os:<br> <br> &quot;Ent&atilde;o me virei, e desci do monte, o qual ardia em fogo; e as duas t&aacute;buas do pacto estavam nas minhas duas m&atilde;os.&quot; Deuteron&ocirc;mio 9.15. As dimens&otilde;es da arca eram diminutas.<br> <br> Leve-se em conta ainda o fato de que n&atilde;o foram somente as duas T&aacute;buas do Concerto que foram depositadas dentro da arca, &eacute; sabido que esta dividiu o espa&ccedil;o milim&eacute;trico da arca com mais dois objetos: o man&aacute; e a vara de Ar&atilde;o. Se os adventistas d&atilde;o tanta import&acirc;ncia ao ato de colocar &quot;dentro da arca&quot; as T&aacute;buas de Pedras, deveriam, do mesmo modo, dar import&acirc;ncia aos outros objetos posto l&aacute; tamb&eacute;m. Se seguirmos a mesma linha de pensamento esposada pelos adventistas de que os Dez Mandamentos eram superiores aos do livro pelo simples fato de ter sido colocado dentro da arca, ent&atilde;o ter&iacute;amos de admitir para sermos coerentes, que tamb&eacute;m o ato de colocar o Man&aacute; e a Vara dentro desta mesma arca era prova incontest&aacute;vel de que eram superiores aos demais milagres realizados por Deus em prol de Israel. Por exemplo: Seria o milagre da divis&atilde;o do mar vermelho inferior ao do Man&aacute; s&oacute; pelo fato de que nenhum pingo d'agua deste mar foi posto dentro da arca? Seria o milagre da &quot;&aacute;gua que saiu da rocha&quot; inferior ao da vara de Ar&atilde;o? Creio que n&atilde;o precisamos estender-nos em exemplos mais para concluirmos que o fato de algo ser colocado dentro da arca n&atilde;o conferi superioridade alguma a este objeto. Somente pessoas que j&aacute; trazem um comportamento religioso preconceituoso &eacute; que n&atilde;o admitiram a for&ccedil;a das evid&ecirc;ncias expostas acima. </p> <p align="justify"><b>2. Os Dez Mandamentos foram escritos em duas T&aacute;buas de Pedras enquanto o livro foi em papiro</b><br> <br> Para respondermos <i>a segunda indaga&ccedil;&atilde;o</i> &eacute; preciso levar em conta o contexto cultural onde ocorreu o fato. Gostem ou n&atilde;o, os adventistas ter&atilde;o que encarar o fato de que escrever leis em pedras n&atilde;o era algo novo naquela &eacute;poca como veremos a seguir:<br> A Alian&ccedil;a que Deus fez com Israel no Sinai refletia no fundo e na forma os tratados de suserania Hitita. M.G. Kline em sua obra Treaty and Covenant, mostra que o tratado de suserania encontrado no antigo Oriente Pr&oacute;ximo &eacute; a chave para a compreens&atilde;o da forma de alian&ccedil;a de Deus com o antigo Israel. Ele e muitos outros estudiosos sugerem ainda que os Dez Mandamentos, o livro da lei e textos como Josu&eacute; 24, est&atilde;o todos baseados em um modelo de alian&ccedil;a encontrado nas antigas civiliza&ccedil;&otilde;es que cont&eacute;m:<br> <br> 1. Um pre&acirc;mbulo no qual o suserano (o autor) &eacute; identificado (conf. &Ecirc;xodo 20.2);<br> 2. Um pr&oacute;logo hist&oacute;rico que descreve a rela&ccedil;&atilde;o anterior entre as partes (conf. &Ecirc;xodo 19);<br> 3. Estipula&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas e detalhadas; as condi&ccedil;&otilde;es e as exig&ecirc;ncias do suserano (conf. cap&iacute;tulo 21 em diante);<br> 4. Dep&oacute;sito de uma c&oacute;pia do pacto no santu&aacute;rio do vassalo (conf. &Ecirc;xodo 40.21);<br> 5. Leitura p&uacute;blica peri&oacute;dica dos termos do pacto diante do povo (conf. Deuteron&ocirc;mio 30.9-13);<br> 6. Juramento de lealdade acompanhado de maldi&ccedil;&otilde;es e b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os invocadas sobre o vassalo, isto &eacute;, a ratifica&ccedil;&atilde;o da alian&ccedil;a (conf. Deuteron&ocirc;mio nos cap&iacute;tulos 27 e 28.)<br> 7. Testemunhas e direcionamento para que se cumpra o acordo (conf.Deuteron&ocirc;mio 4.26, 31.26, Josu&eacute; 24.22). <br> <br> Diz ainda algumas autoridades que &quot;Quase todos os tratados dos s&eacute;culos 14 e 13 a.C., de que se tem not&iacute;cia seguiam esse padr&atilde;o bem de perto.&quot; (Mcdowell). Outro erudito completa: &quot;&Eacute; perfeitamente poss&iacute;vel que aquele marcado car&aacute;ter de estatuto de alian&ccedil;a tenha sido impresso no dec&aacute;logo...sob inspira&ccedil;&atilde;o daqueles tratados.&quot; (Deissler).<br> &quot;Todo este procedimento pactual prov&ecirc; o contexto cultural em que o relacionamento de Deus com seu povo &eacute; formulado&quot; (Dicion&aacute;rio Internacional de Teologia do Antigo Testamento).<br> &Eacute; notadamente marcante o exemplo hist&oacute;rico que temos quanto a isto. Escava&ccedil;&otilde;es arqueol&oacute;gicas tem demonstrado que o C&oacute;digo de Hamurabi escrito na &eacute;poca de Abra&atilde;o seguia bem de perto esta forma. Este c&oacute;digo foi escrito em uma pedra negra com cerca de 2,40 m, e cont&ecirc;m 82 se&ccedil;&otilde;es sobre diversas leis. Muitas leis contidas nesta pedra revelam in&uacute;meras similaridades com as leis do Pentateuco, quanto a castigo de crimes, imposi&ccedil;&atilde;o de multas contra delitos leves e quebras de contratos. No extremo superior desta pedra h&aacute; um baixo relevo que mostra Shamash, o deus sol, no ato de dar as leis ao rei Hamurabi. Tamb&eacute;m os tabletes de Ras Shamra que datam cerca de 1400 a.C. registram v&aacute;rias leis similares &agrave;s do livro do lev&iacute;tico como ofertas queimadas, os holocaustos, as ofertas de culpa e as ofertas pac&iacute;ficas (Mcdowell). <br> Como vimos, n&atilde;o h&aacute; nada que indique a fantasiosa e ing&ecirc;nua diferen&ccedil;a erigida pelos adventistas ao dizer que os dez mandamentos eram superiores simplesmente porque Deus os escreveu em pedras. Fica provado que a forma do pacto Israelita era baseado nos pactos das civiliza&ccedil;&otilde;es do antigo Oriente. N&atilde;o cabe aqui descrever todos os documentos antigos escritos em pedras encontrados pela arqueologia (como por exemplo a &quot;Pedra Roseta&quot;) que dep&otilde;e gritantemente a favor do fato de que escrever os Dez mandamentos em pedras, n&atilde;o passava de um costume da &eacute;poca. Por fim conclu&iacute;mos que:<br> <br> 1. Era costume dos povos antigos alegarem que recebiam as leis das m&atilde;os do seu deus (exemplo de Hamurabi);<br> 2. Era costume dos povos da &eacute;poca gravar estas leis em pedras;<br> 3. Todas essas leis de certa maneira, em seus m&uacute;ltiplos aspectos, qual seja, cerimonial, moral e civil estava contida no c&oacute;digo dessas civiliza&ccedil;&otilde;es.<br> <br> <b>3. Os Dez mandamentos foram ditos por Deus enquanto os mandamentos do livro foram ditos por Mois&eacute;s</b><br> <br> <i>Quanto ao terceiro argumento</i>, iremos demonstrar de modo sobejo que as alega&ccedil;&otilde;es adventistas n&atilde;o passam de m&aacute; interpreta&ccedil;&atilde;o do texto. <br> Urgi relembrar que um dos motivos de Deus escrever o dec&aacute;logo &eacute; porque o povo ficou com medo e n&atilde;o quiseram ouvir a voz de Deus, pois que era terr&iacute;vel:<br> <br> &quot;Ora, todo o povo presenciava os trov&otilde;es, e os rel&acirc;mpagos, e o sonido da buzina, e o monte a fumegar; e o povo, vendo isso, estremeceu e p&ocirc;s-se de longe. E disseram a Mois&eacute;s: Fala-nos tu mesmo, e ouviremos; mas n&atilde;o fale Deus conosco, para que n&atilde;o morramos &quot; (&Ecirc;xodo 20:17-19). <br> <br> Pediram que Moises falasse por Deus, ent&atilde;o Mois&eacute;s escreveu tudo em um livro (24:3,4,7), mas as t&aacute;buas e o livro formavam um s&oacute; concerto e uma s&oacute; lei. &Eacute; digno de nota tamb&eacute;m o fato de que todas as leis foram ditas por Deus e n&atilde;o apenas as Dez Palavras do Concerto. As Dez Palavras foram escritas por Moises no livro da lei, junto com os outros preceitos (conf. &Ecirc;xodo 20 e Deuteron&ocirc;mio 5). Eles foram inclu&iacute;dos no livro da Alian&ccedil;a que foi borrifada com sangue, o qual o ap&oacute;stolo Paulo diz que &quot;foi cravado na cruz&quot; e &quot;abolido&quot;. Deus ent&atilde;o passou a falar os Dez Mandamentos a Moises: <br> <br> &quot;Face a face falou o Senhor conosco no monte, do meio o fogo (estava eu nesse tempo entre o Senhor e v&oacute;s, para vos anunciar a palavra do Senhor; porque tivestes medo por causa do fogo, e n&atilde;o subistes ao monte) , dizendo ele:&quot; Deuteron&ocirc;mio 5.4-5.<br> <br> &quot;Chega-te tu, e ouve tudo o que o Senhor nosso Deus falar; e tu nos dir&aacute;s tudo o que ele te disser; assim o ouviremos e o cumpriremos&quot; Deuteron&ocirc;mio 5.27<br> <br> Mois&eacute;s tanto falou os Dez Mandamentos para o Povo como as outras leis. Similarmente Deus falou n&atilde;o s&oacute; os Dez mandamentos, mas tamb&eacute;m toda a lei. Fica assim desfeita toda e qualquer insinua&ccedil;&atilde;o de superioridade dos Dez Mandamentos sobre os demais na base de que Deus falou os Dez Mandamentos e Mois&eacute;s falou o resto da Lei. Vimos que tanto Deus como Mois&eacute;s falou os Dez mandamentos e toda a lei. N&atilde;o h&aacute; superioridade alguma de um sobre o outro. <br> <br> 4. Chegamos enfim ao &uacute;ltimo argumento levantado pelos adventistas, qual seja, o epis&oacute;dio do dedo de Deus.<br> <br> &Eacute; interessante notar que as primeiras t&aacute;buas foram escritas por Deus, mas as segundas por Mois&eacute;s, pelo menos &eacute; o que diz o texto de &Ecirc;xodo 31.27-28. Para entendermos este epis&oacute;dio &eacute; preciso saber que Mois&eacute;s quebrou as duas t&aacute;buas originais que foram dadas por Deus:<br> <br> <br> &quot;acendeu-se-lhe a ira, e ele arremessou das m&atilde;os as t&aacute;buas, e as despeda&ccedil;ou ao p&eacute; do monte.&quot; &Ecirc;xodo 32.19<br> <br> &quot;Peguei ent&atilde;o das duas t&aacute;buas e, arrojando-as das minhas m&atilde;os, quebrei-as diante dos vossos olhos.&quot; Deuteron&ocirc;mio 9.17<br> <br> <br> Deus ent&atilde;o mandou confeccionar outras duas (Deuteron&ocirc;mio 10.1), mas agora escritas por Mois&eacute;s:<br> <br> &quot;Disse mais o Senhor a Mois&eacute;s: Escreve estas palavras; porque conforme o teor destas palavras tenho feito pacto contigo e com Israel. E Mois&eacute;s esteve ali com o Senhor quarenta dias e quarenta noites; n&atilde;o comeu p&atilde;o, nem bebeu &aacute;gua, e escreveu nas t&aacute;buas as palavras do pacto, os dez mandamentos.&quot; Deuteron&ocirc;mio 34.27-28<br> <br> Alguns tentam contestar esse fato dizendo que em outras partes subentende que o autor da segunda escrita foi Deus. <br> <br> &quot;Ent&atilde;o disse o Senhor a Mois&eacute;s: Lavra duas t&aacute;buas de pedra, como as primeiras; e eu escreverei nelas as palavras que estavam nas primeiras t&aacute;buas, que tu quebraste.&quot; &Ecirc;xodo 34.1.<br> <br> Partindo da premissa de que a B&iacute;blia n&atilde;o se contradiz, &eacute; obvio que h&aacute; uma explica&ccedil;&atilde;o sensata para esta suposta discrep&acirc;ncia do texto em lide. <br> Se n&atilde;o levarmos em conta a mentalidade judaica nesta quest&atilde;o esses textos b&iacute;blicos permanecer&atilde;o obscuros. No conceito religioso hebreu Deus era soberano, tudo vinha Dele, para Ele e por Ele. No contexto cultural judaico at&eacute; mesmo o bem e o mal provinham de Deus. Um estudo mais perspicaz prova no entanto que muitas coisas que eram atribu&iacute;das a Deus de fato eram feitas por terceiros. &Aacute; luz de alguns exemplos tirados do AT fica f&aacute;cil demonstrar isso:<br> <br> Compare Por Exemplo II Samuel 24.1 com I Cr&ocirc;nicas 21.1,<br> <br> &quot;Ent&atilde;o Satan&aacute;s se levantou contra Israel, e incitou Davi a numerar Israel.&quot;<br> <br> &quot;A ira do Senhor tornou a acender-se contra Israel, e o Senhor incitou a Davi contra eles, dizendo: Vai, numera a Israel e a Jud&aacute;.&quot;<br> <br> Percebeu? Quem fez isso foi Satan&aacute;s, mas entretanto, a a&ccedil;&atilde;o foi atribu&iacute;da a Deus pelos escritores judeus. Contradi&ccedil;&atilde;o? N&atilde;o...<br> <br> Outro exemplo tirado do AT &eacute; o livro de J&oacute;, compare J&oacute; 1: 12 com a declara&ccedil;&atilde;o de J&oacute; no verso 21, e ainda J&oacute; 2.5-7 com J&oacute; 19.21.<br> <br> Este texto dispensa qualquer esmero exeg&eacute;tico, n&atilde;o precisa ser te&oacute;logo para perceber que quem tirou todos os bens de J&oacute; foi Satan&aacute;s, e n&atilde;o Deus, mas como a mentalidade judaica atribu&iacute;a todos os feitos a Deus, J&oacute; entendia que era o Senhor que estava tirando-lhe tudo. Da mesma maneira quem tocou em J&oacute; foi Satan&aacute;s e n&atilde;o Deus. No entanto, J&oacute; atribui a Deus a sua condi&ccedil;&atilde;o enferma, veja abaixo.<br> <br> &quot;O Senhor deu, e o Senhor tirou; bendito seja o nome do Senhor&quot; (J&oacute; 1.21).<br> <br> &quot;Compadecei-vos de mim, amigos meus; compadecei-vos de mim; pois a m&atilde;o de Deus me tocou&quot; (J&oacute; 19.21).<br> <br> Obs: muitos estudiosos atribuem o livro de J&oacute; a Mois&eacute;s; possivelmente escrito no deserto.<br> <br> Um exemplo interessante em tudo isso tem a ver com a pr&oacute;pria promulga&ccedil;&atilde;o da lei e sua entrega. Mois&eacute;s registra que quem deu a Lei ao povo foi Deus, no entanto, o ap&oacute;stolo Paulo registra que essa Lei foi dado por anjos At. 7:38,53, Gl. 3:19 e Hebreus 2.2, veja:<br> <br> &quot;Depois disse o Senhor a Mois&eacute;s: Sobe a mim ao monte, e espera ali; e dar-te-ei t&aacute;buas de pedra, e a lei, e os mandamentos que tenho escrito, para lhos ensinares.&quot; &Ecirc;xodo 24.12<br> <br> &quot;Este &eacute; o Mois&eacute;s que disse aos filhos de Israel: Deus vos suscitar&aacute; dentre vossos irm&atilde;os um profeta como eu. Este &eacute; o que esteve na congrega&ccedil;&atilde;o no deserto, com o anjo que lhe falava no monte Sinai, e com nossos pais, o qual recebeu palavras de vida para vo-las dar&quot;<br> <br> &quot;Logo, para que &eacute; a lei? Foi acrescentada por causa das transgress&otilde;es, at&eacute; que viesse o descendente a quem a promessa tinha sido feita; e foi ordenada por meio de anjos, pela m&atilde;o de um mediador.&quot;<br> <br> &quot;Pois se a palavra falada pelos anjos permaneceu firme, e toda transgress&atilde;o e desobedi&ecirc;ncia recebeu justa retribui&ccedil;&atilde;o&quot;<br> <br> Diante destes exemplos fica f&aacute;cil agora entender que a escrita da segunda t&aacute;bua foi atribu&iacute;da a Deus, mas escrita por Mois&eacute;s. At&eacute; mesmo hoje n&oacute;s usamos este tipo de linguagem. Todos sabem que em &eacute;poca de elei&ccedil;&otilde;es aparece uma enxurrada de obras sociais como n&atilde;o se via nos primeiros anos de mandato do candidato. Ent&atilde;o, frases tais como &quot;O governo construiu 1500 casas para os desabrigados&quot; ou &quot;O candidato tal construiu a ponte que liga a fronteira entre os dois estados&quot; e coisas deste naipe vira uma verdadeira polui&ccedil;&atilde;o visual em nossa TV. Ningu&eacute;m em s&atilde; consci&ecirc;ncia ouvindo frases como essas deduziria que o governo literalmente construiu aquelas casas n&atilde;o &eacute; verdade? Quem as construiu foram os pedreiros, mestres de obras e serventes, mas a obra &eacute; atribu&iacute;da a algu&eacute;m superior, neste caso, o governo estadual. <br> Tomemos mais dois exemplos b&iacute;blicos para fechar de vez esse pensamento acima. Veja o verso b&iacute;blico logo abaixo:</p> <p align="justify">&quot;Quando, pois, o Senhor soube que os fariseus tinham ouvido dizer que ele, Jesus, fazia e batizava mais disc&iacute;pulos do que Jo&atilde;o&quot; (Jo&atilde;o 4.1)<br> <br> Quem lesse esse verso inadvertidamente afirmaria categoricamente que Jesus realmente batizava as pessoas.Mas para que isso n&atilde;o causasse confus&atilde;o em seus leitores, Jo&atilde;o ent&atilde;o passa a explicar o significado do texto que &agrave; primeira vista indicava que Jesus pessoalmente batizava seus disc&iacute;pulos. Observe:<br> <br> &quot;ainda que Jesus mesmo n&atilde;o batizava, mas os seus disc&iacute;pulos&quot; (v.2) <br> <br> Jo&atilde;o, prevendo que muitos poderiam interpretar mal suas palavras, explica logo em seguida o que ele realmente queria dizer.<br> <br> Veja que este tipo de linguagem se encontra por toda a B&iacute;blia. E o epis&oacute;dio da segunda escrita nas t&aacute;buas n&atilde;o foge &agrave; regra. Caso contr&aacute;rio os adventistas ter&atilde;o as seguintes op&ccedil;&otilde;es a escolher:<br> <br> 1. Foi erro de um copista desatento ao transcrever o manuscrito;<br> 2. Mois&eacute;s realmente se contradisse, ou ent&atilde;o;<br> 3. Ter&atilde;o de aceitar nossa explica&ccedil;&atilde;o dada acima.<br> <br> Um outro pormenor que refor&ccedil;a nossa tese e ajuda a explicar mais ainda a diferen&ccedil;a entre as duas t&aacute;buas, &eacute; o fato de que quando se fala sobre a primeira, diz claramente que era obra de Deus. <br> <br> &quot;aquelas t&aacute;buas eram obra de Deus; tamb&eacute;m a escritura era a mesma escritura de Deus, esculpida nas t&aacute;buas.&quot; &Ecirc;xodo 32.16<br> <br> &quot;Depois disse o Senhor a Mois&eacute;s: Sobe a mim ao monte, e espera ali; e dar-te-ei t&aacute;buas de pedra...&quot;<br> <br> Deste dois versos podemos deduzir o seguinte: <br> &middot; As primeiras t&aacute;buas eram previamente preparadas por Deus, Ele mesmo as confeccionou, Mois&eacute;s ainda acentua que eram obras de Deus.<br> &middot; Mas sobre as segundas t&aacute;buas, nada &eacute; dito que foram previamente confeccionadas por Deus, pelo contr&aacute;rio, Deus desta vez mandou o pr&oacute;prio Mois&eacute;s as lavrar.<br> <br> &quot;Naquele mesmo tempo me disse o Senhor: Alisa duas t&aacute;buas de pedra, como as primeiras, e sobe a mim ao monte, e faze uma arca de madeira.&quot; <br> <br> Nas segundas t&aacute;buas n&atilde;o s&oacute; a escrita mas o pr&oacute;prio ato de confeccion&aacute;-las foi feito por Mois&eacute;s e n&atilde;o por Deus. E desta nada &eacute; dito de que eram obras de Deus. <br> <br> Junta-se a isto um fato deveras curioso de que nas segundas t&aacute;buas em Ex. 34.10-26, n&atilde;o s&atilde;o mais repetidas as dez palavras, ao inv&eacute;s disso, aparece um c&oacute;digo de leis extensas, bem mais abrangentes.<br> <br> Seja como for, o caso &eacute; que novamente s&atilde;o confeccionadas novas t&aacute;buas, novamente os mandamentos foram ditos por Deus &Ecirc;xodo 34:1, mas com um pormenor: desta vez escritas por Mois&eacute;s v.27,28. Foram estas t&aacute;buas escritas por Mois&eacute;s que foram postas dentro da arca.<br> <br> Outro pormenor que n&atilde;o pode passar desapercebido &eacute; sobre a alega&ccedil;&atilde;o da perpetuidade. A alega&ccedil;&atilde;o de que &quot;A pedra representa perpetuidade&quot; &eacute; no m&iacute;nimo exagerada. &Eacute; at&eacute; ir&ocirc;nico dizer, mas estas pedras que representavam &quot;perpetuidade&quot; - e que os adventistas dizem conter apenas a lei moral - foram quebradas, esmiu&ccedil;adas pelas m&atilde;os de Mois&eacute;s, prefigurando assim o cancelamento da primeira Alian&ccedil;a pela quebra do 1&ordm; e 2&ordm; mandamentos da lei, pelo povo de Israel. Com respeito a isto diz Ellen G. White:<br> <br> &quot;Para mostrar avers&atilde;o pelo crime do povo, arrojou as t&aacute;buas de pedra, e elas se quebraram &agrave; vista de todos, significando com isto que, assim como haviam quebrantado seu concerto com Deus, assim Deus quebrava Seu concerto com eles.&quot; (Patriarcas e Profetas p&aacute;g.320)<br> <br> Por outro lado, o livro de pergaminho, que dizem ser inferior &agrave; t&aacute;bua e conter somente as tais &quot;leis cerimoniais&quot; n&atilde;o sofreu um arranh&atilde;o se quer.<br> Em todo este epis&oacute;dio e particularmente na quebra das primeiras t&aacute;buas vemos algo significativo, pois mostrava qu&atilde;o fr&aacute;geis eram os dez mandamentos para corrigir o pecado do povo.<br> <br> <b>4. Os Dez Mandamentos foram escritos pelo dedo de Deus enquanto o livro pela pena de Mois&eacute;s<br> </b></p> <p align="justify"><i>O Que Significa a express&atilde;o o dedo de Deus?</i><br> <br> &Eacute; alegado pelos sabatistas que os Dez Mandamentos foram escritos com o dedo de Deus e por isso deve ser superior ao livro. Mas ser&aacute; que devemos entender dedo de Deus como algo f&iacute;sico? Dificilmente d&aacute; para imaginar Deus estendendo seu longo indicador direito e escrevendo em baixo relevo as dez palavras.</p> <p align="justify"> <br> Diz Walter Martin que &quot;...todos os te&oacute;logos do Antigo Testamento aceitam quase sem ressalva que os antropomorfismos (atribui&ccedil;&atilde;o de caracter&iacute;sticas humanas a Deus) s&atilde;o a explica&ccedil;&atilde;o l&oacute;gica para muitos dos encontros de Deus com o homem&quot;. E &eacute; assim que aparecem express&otilde;es como &quot;a m&atilde;o do Senhor&quot;, &quot;o bra&ccedil;o do Senhor&quot; &quot;os olhos do Senhor&quot;, &quot;narinas&quot;, &quot;boca&quot;, &quot;ouvidos&quot; e &eacute; claro o famoso &quot;dedo de Deus&quot;. Mas &eacute; bom esclarecer para os te&oacute;logos de primeira viagem que isto nada mais &eacute; do que met&aacute;foras liter&aacute;rias.<br> Ao analisar esta quest&atilde;o assim se expressou certo escritor judeu:</p> <p align="justify">&quot;Posto isso, qual &eacute; o significado das seguintes express&otilde;es encontradas na Tora; 'Abaixo de seus p&eacute;s' (Ex. 24:10); 'Escrito com o dedo de D..S' (Ex. 31:18), 'A m&atilde;o de D..S(Ex. 9:3) 'Os olhos de D..S' (Gn 37:7), &quot;O souvidos de D..S' (Nm 11:1), e frases similares? Todas estas express&otilde;es s&atilde;o adaptadas &agrave; capacidade mental do ser humano, que tem uma percep&ccedil;&atilde;o clara apenas do universo material. Todas essas frases s&atilde;o metaf&oacute;ricas, como a senten&ccedil;a: 'Quando afiar o gume da minha espada' (Dt. 32:41). Ent&atilde;o D..S tem uma espada e fere com uma espada? Logicamente o termo &eacute; utilizado alegoricamente e todas aquelas frases devem ser compreendidas de modo similar&quot;<br> ( &quot;Mishn&eacute; Tor&aacute;&quot; - o livro da sabedoria - Maim&ocirc;nides [Moshe Bem Maimon Rambam] p&aacute;g.124-125 ed. Imago 1992) (&ecirc;nfase acrescentada) </p> <p align="justify"> <br> Vamos usar uma das mais simples regras de hermen&ecirc;utica, aquela que diz que a B&iacute;blia se explica por si usando textos correlatos. Ent&atilde;o vejamos na B&iacute;blia todas as passagens onde ocorre a express&atilde;o &quot;o dedo de Deus&quot;.<br> <br> &quot;Ent&atilde;o disseram os magos a Fara&oacute;: Isto &eacute; o dedo de Deus. No entanto o cora&ccedil;&atilde;o de Fara&oacute; se endureceu, e n&atilde;o os ouvia, como o Senhor tinha dito.&quot; &Ecirc;xodo 8.19<br> <br> &quot;E deu a Mois&eacute;s, quando acabou de falar com ele no monte Sinai, as duas t&aacute;buas do testemunho, t&aacute;buas de pedra, escritas pelo dedo de Deus.&quot; &Ecirc;xodo 31.18<br> <br> &quot;E o Senhor me deu as duas t&aacute;buas de pedra, escritas com o dedo de Deus; e nelas estavam escritas todas aquelas palavras que o Senhor tinha falado convosco no monte, do meio do fogo, no dia da assembl&eacute;ia.&quot; Deuteron&ocirc;mio 31.10<br> <br> <br> &quot;Mas, se &eacute; pelo dedo de Deus que eu expulso os dem&ocirc;nios, logo &eacute; chegado a v&oacute;s o reino de Deus.&quot; Lucas 11.20<br> <br> Veja que a express&atilde;o dedo de Deus corresponde a &quot;poder de Deus&quot; e n&atilde;o um dedo literal f&iacute;sico. Ent&atilde;o no m&aacute;ximo que esta express&atilde;o pode dizer &eacute; que as t&aacute;buas foram escritas pelo poder de Deus.<br> <br> <br> Isto posto, fica &oacute;bvio que o emprego metaf&oacute;rico e antropom&oacute;rfico desses termos em rela&ccedil;&atilde;o a Deus s&atilde;o artif&iacute;cios liter&aacute;rios para transmitir id&eacute;ias sobre o relacionamento Dele com o homem.<br> <br> Alguns procuram levantar a obje&ccedil;&atilde;o de que Mois&eacute;s n&atilde;o tinha condi&ccedil;&otilde;es de escrever as t&aacute;buas, e at&eacute; sarcasticamente dizem &quot;&Eacute; verdade, o texto deixa tal impress&atilde;o, mas ser&aacute; que Mois&eacute;s contava com alguma &quot;caneta m&aacute;gica&quot; que gravava em pedra? Ou teria martelo e cinzel para gravar na pedra tais divinas instru&ccedil;&otilde;es? Quanto tempo n&atilde;o levaria para cumprir tal obra de arte?!&quot; <br> Mas estas mesmas pessoas ignoram que este mesmo Mois&eacute;s ordenou ao seu sucessor a escrever essas mesmas leis em pedras, sem precisar, &eacute; claro, das famosas &quot;canetas m&aacute;gicas ou unhas de diamantes&quot; veja:<br> <br> A ordem - &quot;E no dia em que passares o Jord&atilde;o para a terra que o Senhor teu Deus te d&aacute;, levantar&aacute;s umas pedras grandes e as caiar&aacute;s. E escrever&aacute;s nelas todas as palavras desta lei.....&quot;Deuteron&ocirc;mio 27.2-3 <br> <br> O cumprimento - &quot;Tamb&eacute;m ali, na presen&ccedil;a dos filhos de Israel, escreveu em pedras uma c&oacute;pia da lei de Mois&eacute;s, a qual este escrevera.&quot; Josu&eacute; 8.32<br> <br> Demais disso, as t&aacute;buas eram t&atilde;o pequeninas que cabiam nas palmas das m&atilde;os de Mois&eacute;s veja: &quot;Ent&atilde;o me virei, e desci do monte, o qual ardia em fogo; e as duas t&aacute;buas do pacto estavam nas minhas duas m&atilde;os.&quot; Deuteron&ocirc;mio 9.15. Conv&eacute;m lembrar que o original traz literalmente &quot;dez palavras&quot; e n&atilde;o dez mandamentos.<br> Fica ent&atilde;o desfeita essa suposta obje&ccedil;&atilde;o sobre a dificuldade de Mois&eacute;s escrever nas t&aacute;buas.<br> <br> &quot;Para as coisas claras n&atilde;o h&aacute; necessidade de qualquer interpreta&ccedil;&atilde;o in claris cessat interpretatio...&quot;<br> <br> <b>A ARCA DA ALIAN&Ccedil;A</b><br> <br> Dizem os adventistas: &quot;No Apocalipse, o povo remanescente de Deus &eacute; caracterizado como os que &quot;guardam os mandamentos de Deus e t&ecirc;m a f&eacute; de Jesus&quot; (Apo. 12:17 e 14:12). Jo&atilde;o descreve uma vis&atilde;o que teve do Templo de Deus, dentro do qual contemplou &quot;a arca da alian&ccedil;a&quot; (Apo. 11:19). Aqueles que conhecem sua B&iacute;blia sabem que nessa arca foram guardados os Dez Mandamentos (Deut. 10:1-5). Por que a Jo&atilde;o foi mostrada essa &quot;arca da alian&ccedil;a&quot; num contexto claramente escatol&oacute;gico? &Eacute; que ela representa o trono de Deus que se assenta sobre a justi&ccedil;a (a lei) e a miseric&oacute;rdia (o propiciat&oacute;rio).&quot; <br> <br> Ao contr&aacute;rio do que eles quer que acreditemos, a apari&ccedil;&atilde;o da arca est&aacute; ligada a Israel somente. &Eacute; por isso que o contexto indica coisas da antiga alian&ccedil;a como o templo, altar, adoradores, gentios, cidade santa, testemunhas (11:1,2). Nada disso se relaciona com a igreja de Cristo. O texto parece reportar &agrave;s duas testemunhas do livro de Zacarias, mas que o anjo omite o nome aqui, talvez quem sabe seja Elias e Moises pelo tipo de minist&eacute;rio que exercem. Seja como for, o contexto &eacute; puramente judaico. E deve-se lembrar que a arca era o s&iacute;mbolo da presen&ccedil;a e prote&ccedil;&atilde;o divina. Quando Israel saia para a guerra sempre levava a arca. Ela representava a presen&ccedil;a protetora de Deus. Nada mais oportuno, naquela atual situa&ccedil;&atilde;o de amea&ccedil;a diante do anticristo, mostrar a arca (que era completamente compreens&iacute;vel na mentalidade judaica) como um s&iacute;mbolo da presen&ccedil;a divina e prote&ccedil;&atilde;o. Sem falarmos no fato de que as t&aacute;buas nem foram mostradas ao ap&oacute;stolo, mas somente a arca. Talvez nisso, Ellen White tenha sido mais agraciada do que Jo&atilde;o, pois em uma de suas alegadas vis&otilde;es diz ter visto a arca (Vida e Ensinos, p&aacute;g. 90) com os seguintes elementos:</p> <p align="justify"><br> <b>1&ordm;)</b> as t&aacute;buas da lei com a vara de Ar&atilde;o e o man&aacute;, contrariando o texto b&iacute;blico que diz que &quot;...Nada havia na arca sen&atilde;o s&oacute; as duas t&aacute;buas, que Mois&eacute;s ali pusera junto a Horebe, quando o Senhor fez alian&ccedil;a com os filhos de Israel&quot; (IICr.5:10) e; <br> <b>2&ordm;)</b> eram escritas com o dedo de Deus contrariando o texto b&iacute;blico que diz que as primeiras t&aacute;buas escritas com o dedo de Deus foram quebradas e as &uacute;ltimas foram escritas por Mois&eacute;s. Ora, se a vis&atilde;o da arca implica em algum tipo de liga&ccedil;&atilde;o com os crist&atilde;os, ent&atilde;o a antiga alian&ccedil;a permanece ainda, pois a arca era o s&iacute;mbolo da antiga alian&ccedil;a, mas a B&iacute;blia diz que o Velho Concerto foi por Cristo abolido.<br> Alguns tentam defender Ellen White dizendo que a sua vis&atilde;o era a mesma que Deus mostrou a Jo&atilde;o. &quot;A Sra. White est&aacute; se referindo a essa vis&atilde;o de Jo&atilde;o, pois ela mesma diz que as t&aacute;buas de pedra dos israelitas foi escondida e n&atilde;o se tem not&iacute;cia de onde se encontram. Ela nunca disse que foram transportadas para o c&eacute;u.&quot;<br> Mas esta explica&ccedil;&atilde;o deixa muito a desejar. Falando sobre a arca, o escritor adventista Louren&ccedil;o Gonz&aacute;les no livro &quot;Assim diz o Senhor&quot; p&aacute;g. 85 diz o seguinte:<br> <br> &quot;Portanto, est&atilde;o no c&eacute;u dentro da arca os originais da santa Lei de Deus, escritos pelo Seu pr&oacute;prio dedo. Isto &eacute; muito significativo, irm&atilde;o. Queira ler: &Ecirc;xo. 31:18; Deut. 10:5.&quot;<br> <br> Agora veja o que diz Ellen White sobre sua vis&atilde;o:<br> <br> &quot;Na arca estava o vaso de ouro que continha o man&aacute;, a vara florida de Ar&atilde;o, e as t&aacute;buas de pedra que se dobravam como um livro. Jesus as abriu e vi os dez mandamentos, nelas escritos com o dedo de Deus. Em uma t&aacute;bua havia quatro e na outra seis.&quot; (Vida e Ensinos p&aacute;g. 90)<br> <br> Pergunto: Deus escreveu esses dez mandamentos antes do Sinai com seu dedo? Claro que n&atilde;o! Mas para salvar sua profetisa do rid&iacute;culo, os adventistas alegam que Ellen White n&atilde;o est&aacute; falando a&iacute; da mesma arca do Sinai. Mas como, se estes mandamentos que ela viu s&atilde;o os mesmos que foram escritos pelo dedo de Deus?! <br> Quando estava escrevendo esta ultima parte recebi um e-mail de um adventistas me citando um cap&iacute;tulo inteiro do livro de Ellen White na qual ela afirma, tocante ao texto em lide, o seguinte:<br> <br> &quot;Portanto, o an&uacute;ncio de que o templo de Deus se abrira no C&eacute;u, e de que fora vista a arca de Seu concerto, indica a abertura do lugar sant&iacute;ssimo do santu&aacute;rio celestial, em l844, ao entrar Cristo ali para efetuar a obra finalizadora da expia&ccedil;&atilde;o.&quot; <br> <br> Pode haver algo mais absurdo do que isto?!Eis o tipo de exegese que se fundamenta os adventistas para interpretar esta passagem!<br> O texto n&atilde;o deixa d&uacute;vidas em mostrar que a sr&ordf;. White acreditava ter visto a arca no c&eacute;u com man&aacute;, a vara de Ar&atilde;o e as t&aacute;buas da lei que se dobravam como um livro (&eacute; claro, pois desde a &eacute;poca de Mois&eacute;s at&eacute; o s&eacute;culo XIX, deve ter havido algum progresso tecnol&oacute;gico no c&eacute;u: as t&aacute;buas agora eram dobr&aacute;veis!!!), mas o surpreendente de tudo isso &eacute; que no m&ecirc;s passado um arque&oacute;logo adventista disse ter encontrado ou pelo menos ter tido pista de onde a arca se encontrava. Que coisa hem? A arca est&aacute; no c&eacute;u ou est&aacute; na terra? Demais disso, como ela pode ter visto o mana&acute; e a vara de Ar&atilde;o se a B&iacute;blia diz que na arca s&oacute; restou as t&aacute;buas da Alian&ccedil;a (II Reis 8.9)? Algu&eacute;m consegue responder?<br> Eis algo para se pensar: Porque ser&aacute; que a arca desapareceu depois do reinado de Jeoaquim ? O destino &uacute;ltimo da arca &eacute; um mist&eacute;rio. Entrementes, o mesmo Jeremias que profetizou sobre a substitui&ccedil;&atilde;o da Antiga Alian&ccedil;a (31:31) tamb&eacute;m profetizou sobre o desaparecimento da ar&ocirc;n habber&icirc;t &quot;E quando vos tiverdes multiplicado e frutificado na terra, naqueles dias, diz o Senhor, nunca mais se dir&aacute;: A arca do pacto do Senhor; nem lhes vir&aacute; ela ao pensamento; nem dela se lembrar&atilde;o; nem a visitar&atilde;o; nem se far&aacute; mais. Naquele tempo chamar&atilde;o a Jerusal&eacute;m o trono do Senhor; e todas as na&ccedil;&otilde;es se ajuntar&atilde;o a ela, em nome do Senhor, a Jerusal&eacute;m; e n&atilde;o mais andar&atilde;o obstinadamente segundo o prop&oacute;sito do seu cora&ccedil;&atilde;o maligno&quot; (Jeremias 3:16-17), que continha as t&aacute;buas da lei comumente chamadas de &quot;t&aacute;buas da alian&ccedil;a&quot;. Nota bene que a velha lei desapareceu litteratim. Isso &eacute; apenas uma figura da abroga&ccedil;&atilde;o da Alian&ccedil;a - os Dez Mandamentos. <br> Os adventistas est&atilde;o tentando reavivar a mesma coisa que Deus disse que deveria ser esquecida, a &quot; arca do Concerto&quot;. </p> <hr align="justify"> <p align="justify"><font size="2"><span style="font-family: Courier New; color: black">*Paulo Cristiano</span><span style="font-family: Courier New"><span style="font-family:&quot;Courier New&quot;; color:black">, é presbítero da Igreja Evangélica Assembléia de Deus e há mais de dez anos pesquisador de seitas;palestrante co-fundador e vice-presidente do CACP (Centro Apologético Cristão de Pesquisas). É membro da comissão revisora do curso teológico do Instituto Bíblico das Assembléias de Deus em São José do Rio Preto(IBADERP). Já desenvolveu pesquisas e escreveu artigos sobre temas relacionados à fé cristã em </span><span style="font-family:&quot;Courier New&quot;">diversos periódicos evangélicos e seculares<span style="color: black; font-family: Courier New">. Dentre os muitos publicados na revista <i>Defesa da Fé.</i> Leciona Heresiologia e Novo Testamento na Faculdade de Teologia da Assembléia de Deus do Calvário (FATAC). <o:p> </o:p> </span></span></span></font><span style="font-family:&quot;Courier New&quot;; color:black"><font size="2">É autor do livro  Desmascarando a Idolatria , ainda sem data prevista para lançamento.</font></span></p> </div> <div align="center"> <p align="justify">&nbsp;</p> <p align="justify"></p> </div> <p align="justify"></p> <p align="justify"></p> <p align="justify"></p> <hr align="justify"> <p align="justify"><font size="3" face="Arial Narrow">Gostou desta matéria? Leve até sua igreja os palestrantes do CACP. Para mais informações acesse o link &quot;<a href="palestras.htm">Palestras</a>&quot;, na página principal ou ligue para nós <b><a href="Email.htm">Clique Aqui</a></b>.<br> Adquire também nossas apostilas. 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João Flávio &amp; Presb. Paulo Cristiano</span> </blockquote> </body> </html>