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Quem São os Verdadeiros Restauradores do Sábado? Por Paulo Cristiano da Silva Os adventistas acreditam que o personagem identificado
na profecia de Daniel como aquele que iria "mudar os tempos e
a lei" [Daniel 7.25], é o mesmo personagem do qual o apóstolo
Paulo chama de "Homem do pecado" [II Tess. 2.3]. Sendo assim, os adventistas aplicam a si mesmos uma
série de passagens do AT tiradas principalmente do livro do
profeta Isaías, tais como: 8.16; 56.1-8; 58.1-14, e do NT -
Apocalipse 14. Segundo eles, estas passagens indicam uma suposta profecia
que se cumpriria nos últimos dias. É claro, o cumprimento
desta profecia se cumpriria neles mesmos, ou melhor, na Igreja Remanescente
que diz estar profetizada em Apocalipse 14.12 como os que guardam
os mandamentos de Deus. Ela seria a igreja que taparia a brecha que
o papado fez na lei de Deus Isaías 58.12-14. "A obra da reforma do sábado a realizar-se nos últimos tempos acha-se predita na profecia de Isaías...56:1, 2, 6 e 7." E mais: "Os discípulos de Jesus são chamados para que o estabeleçam, exaltando o sábado do quarto mandamento à sua devida posição..." (pág. 452) Como vimos eles acreditam piamente que são os
restauradores do antigo dia judaico de descanso. ANALISANDO A PROFECIA DE ISAÍAS Isaías 56.1-7 - "Bem-aventurado o homem que fizer isto, e o filho do homem que lançar mão disto: que se abstém de profanar o sábado, e guarda a sua mão de cometer o mal... Pois assim diz o Senhor a respeito dos eunucos que guardam os meus sábados, e escolhem as coisas que me agradam, e abraçam o meu pacto... E aos estrangeiros, que se unirem ao Senhor, para o servirem, e para amarem o nome do Senhor, sendo deste modo servos seus, todos os que guardarem o sábado, não o profanando, e os que abraçarem o meu pacto" Em cima desta profecia os adventistas extraem os seguintes argumentos: "Estas palavras se aplicam à era cristã, como se vê pelo contexto: "Assim diz o Senhor Jeová, que ajunta os dispersos de Israel: Ainda ajuntarei outros aos que já se lhe ajuntaram." Isaías 56:8. Aqui está prefigurado o ajuntamento dos gentios pelo evangelho. E sôbre os que então honram o sábado, é pronunciada uma bênção. Destarte, o dever relativo ao quarto mandamento estende-se através da crucifixão, ressurreição e ascensão de Cristo, até ao tempo em que os Seus servos deveriam pregar a tôdas as nações a mensagem das alegres novas." (ibdem) O fato é que esta não é uma profecia
para a igreja de Cristo como querem os adventistas. Portanto, este trecho não dá a mínima base para as alegações adventistas. Neste mesmo diapasão são todos os textos do VT invocados por eles. Nada fala sobre uma pretensa profecia para a igreja cristã e menos ainda que isto se cumpriria na igreja adventista. Mas então, por que os adventistas, mesmo não tendo base exegética ainda sustentam de unhas e dentes essas cavilações? Simples, somente pelo fato de elas terem sido "reveladas" a sua profetiza em uma suposta visão: "Foi-me mostrado que as preciosas promessas de Isaías 58:12.14 se aplicam aos que trabalham pela restauração do verdadeiro sábado" (Vida e Ensinos pág. 85) Veja que toda essa exegese defeituosa parte de pressuposto suspeitadíssimos. A teologia adventista nasceu não de uma exegese sadia dos textos, mas de alegadas visões espirituais. Observe outro trecho do mesmo livro citado: "Em algumas ocasiões o Espírito de Deus descia sobre mim, e porções difíceis eram esclarecidas pelo modo indicado por Deus, e havia então perfeita harmonia. Éramos todos de um mesmo pensamento e espírito." (ibdem pág. 192) Agora podemos entender por que os adventistas, mesmo
não tendo apoio bíblico algum, nem respaldo de eruditos
sérios na área da teologia, ainda insistem nestas interpretações
distorcidas. Eles precisam forçar ao máximo as escrituras
para se ajustar às interpretações visionárias
de sua profetisa. Sabemos que na época de Isaías o povo havia abandonado a lei de Deus. O povo outrora escolhido estava agora agindo pior do que os pagãos. Eles haviam se voltado para os ídolos e deixado de praticar todos os sábados, seja quais fossem, semanais ou anuais. Com o passar dos anos todas essas transgressões haviam chegado ao limite e Deus então permite os inimigos de Israel levarem-no cativo como havia predito por Moisés dizendo: "Espalhar-vos-ei por entre as nações e, desembainhando a espada, vos perseguirei; a vossa terra será assolada, e as vossas cidades se tornarão em deserto.Então a terra folgará nos seus sábados, todos os dias da sua assolação, e vós estareis na terra dos vossos inimigos; nesse tempo a terra descansará, e folgará nos seus sábados. Por todos os dias da assolação descansará, pelos dias que não descansou nos vossos sábados, quando nela habitáveis." (Levítico 26.34-43) "E aos que escaparam da espada, a esses levou para Babilônia; e se tornaram servos dele e de seus filhos, até o tempo do reino da Pérsia, para se cumprir a palavra do Senhor proferida pela boca de Jeremias, até haver a terra gozado dos seus sábados; pois por todos os dias da desolação repousou, até que os setenta anos se cumpriram." (II Cr.36.14-21) Passaram cativos 70 anos (Daniel 9.2) em Babilônia, pois haviam transgredido o mandamento dos sábados (Daniel 9.10). Enquanto isto a terra teve seu repouso sabático. Mesmo assim durante o cativeiro o povo continuou quebrantando o sábado (Ezequiel 22.26). Quando Deus permitiu que seu povo retornasse ao seu território através de Esdras e Neemias esta profecia da restauração dos sábados se cumpriu de modo cabal (Neemias 13). Da época de Neemias, passando pelos Macabeus e culminando nos fariseus da época de Cristo a lei do sábado foi cada vez mais acentuada à ponto de muitos judeus torná-lo insuportável. Portanto, se houve um cumprimento desta profecia, seu cumprimento foi aqui e não no século XIX como querem os adventistas.
Muitos ficariam surpresos ao descobrirem que os adventistas
do sétimo dia nem sempre guardaram o sábado. Isto por
que 99% dos mileristas, que segundo alguns, chegou a cifra de 1 milhão,
eram fiéis guardadores do domingo. Muitos adventistas acreditam que a doutrina do sábado foi divinamente inculcada através da chamada "luz progressiva", "verdade presente" e termos afins. É exatamente isso que tenta passar Ellen White ao dizer: "O Espírito de Deus tocou o coração dos que estudavam a sua palavra. Impressionava-os a convicção de que haviam ignorantemente transgredido este preceito..." (O Grande Conflito pág. 433) Mas a verdade é bem diferente. O caso é que o sábado foi introduzido no movimento adventista por influencia de pessoas que já guardavam-no. Falando daqueles primeiros tempos de formação do movimento, historia certo escritor: "Este grupinho de fiéis testemunhas, desapontadas,
mas não desiludidas; foram aos poucos recebendo novas luzes.
E assim, aceitaram o sábado como em vigor na dispensação
cristã. Este mandamento da imutável lei de Deus foi
introduzido no movimento pela senhora Raquel Preston, egressa da igreja
Batista do Sétimo Dia, aceito e pregado veementemente por José
Bates, e mais tarde ratificado através de visões celestiais,
por Ellen G. White. Porém foi T.M Preble, o primeiro a comunicar
esta grande verdade por meio da imprensa aos mileritas do advento"
(Assim Diz o Senhor, Lourenço Gonzalez - ed. ADOS pág.
415) Bates começou a guardar o sábado em março
de 1845, sendo assim o primeiro dos preeminentes guias pioneiros do
povo adventista do sétimo dia a aceitar o sábado.( Fundadores
da Mensagem, pág. 98) A POLÍTICA DO TOMA LÁ DA CÁ Quando Bates veio fazer parte do movimento adventista ele não cria nas visões e profecias de Ellen White. Observe as queixas de Ellen White a este respeito: "A primeira vez que me ouviu falar manifestou profundo interesse, Depois que eu acabara de falar, levantou-se e disse: 'Eu duvido como Tomé. Não creio em visões..."(Vida e Ensinos pág. 84) "Ele não cria então inteiramente que minhas visões provinham de Deus." (ibdem, pág. 87) Por sua vez a senhorita Harmon não aceitava a doutrina do sábado, dizia ela: "O pastor Bates guardava o sábado, sétimo Dia da semana, e para esse dia nos chamava a atenção como sendo o verdadeiro sábado. Eu não compreendia sua importância e achava que ele errava em ocupar-se com o quarto mandamento mais do que com os outros nove" (ibdem) É preciso ressaltar que ela veio atestar com suas "revelações" a doutrina do sábado, somente depois que ele (Bates) aprovou suas visões como sendo de procedência divina. Logo após esta concessão feita por Bates ela teve uma visão da arca, do propiciatório e do 4º mandamento. Assim ela recebia a luz concernente ao sábado...
"O Senhor porém, me deu uma visão do santuário celestial...Jesus levantou a cobertura da arca e contemplei as tábuas de pedra...Fiquei aterrada quando vi o quarto mandamento mesmo no centro dos dez preceitos, com uma suave auréola de luz rodeando-o." (Ibdem pág.92) Depois deste acordo subjetivo ela começou a pregar a doutrina sabatista. "Nos primeiros anos de seu trabalho, numa ocasião em que ela, seu esposo e o pastor Bates eram quase os únicos que pregavam a verdade do sábado..." (Vida e Ensinos pág. 249) Isso não é no mínimo suspeito?
Esse esquema de concessões explica como o sábado entrou
para o bojo das doutrinas adventistas. Este pequeno episódio
também serve como uma amostra de como Ellen White usava e abusava
de sua autoridade como profetisa no meio do movimento. A credibilidade
dos leigos em suas supostas revelações, visões
e profecias deram a ela a ferramenta ideal para controlar e rebater
aqueles que lhe contestavam. Todas as vezes que alguém se opunha
às suas opiniões religiosas, imediatamente ela "caia"
em visões. O interessante disso tudo é que tais visões
sempre confirmavam seu ponto de vista na questão, até
mesmo seu marido não escapou desta artimanha. "Ellen White teve participação no desenvolvimento da doutrina, mas não foi ela quem 'lançou as bases da fé adventista'...Com suas visões, Ellen apenas confirmou o que já se havia estudado." (Revista Adventista Abril 2001 pág. 10) Por fim Ela chegou às raias do absurdo em dizer:
"Santificar o Sábado ao Senhor importa em salvação
eterna." (Testemunhos Seletos, vol. III, p. 23) "A Maioria dos adventistas rejeitaram as verdades atinentes ao santuário e à lei de Deus..." ( O Grande Conflito pág. 456) BATES: UMA PEÇA IMPORTANTE NO QUEBRA CABEÇAS Os adventistas se ufanam em dizer que neles se cumpre
a profecia da restauração do sábado. Este, segundo
Ellen White, seria o mandamento mais transgredido pelos homens. Alguns
adventistas chegam ao absurdo em dizer que sua transgressão
é diferente, sendo até mesmo pior do que pecar contra
os demais mandamentos das Escrituras, tal é o valor que tributam
ao 4º mandamento. Mas como já vimos toda esta pretensão
fantasiosa cai por terra quando sabemos que muitas igrejas já
guardavam o sábado muito antes dos adventistas do Sétimo
Dia entrar em cena. "As testemunhas de Jeová, baseadas em Prov.
4:18, especialmente na expressão de que a luz vai "brilhando
mais e mais até ser dia perfeito", afirmam que recebem
revelação progressiva. Ora, nisto os adventistas se contradizem, pois alegam
que receberam tal doutrina através duma luz adicional, e como
constatamos acima tal luz adicional significa "a descoberta de
uma verdade até então ainda não entendida". "Grande número de igrejas denominadas Batistas
do Sétimo Dia apareceram no século dezesseis. Havia
então trinta e duas igrejas com essa denominação
nas Ilhas Britânicas. A igreja de Mill Yard, em Londres, fundada
em 1617, ainda está viva. Na Europa também existem igrejas
da mesma fé, na Holanda, Alemanha, Polônia, grupos na
Finlândia, Tchecoslováquia, Hungria e outros países.Da
Inglaterra o movimento propagou-se para a América, sendo organizada
a primeira Igreja Batista do Sétimo Dia em Newport, Rhode Island,
em 1671/1672. A fundação de igrejas dessa denominação
na América seguiu a onda de emigração e se estendeu
a todos os continentes e ilhas do mar. Atualmente os Batistas do Sétimo
Dia possuem igrejas em muitos países, de todos os continentes;
e, por meio deles, outros grupos de cristãos têm aceito
o Sábado." Os adventistas sabem muito bem disso, pois chegaram até confessar o débito que têm para com esta última denominação: "Já indicamos o débito especial que os adventistas têm para com os batistas do sétimo dia." (História do Adventismo, pag. 109) CONCLUSÃO É preciso um esforço exegético descomunal para acreditar nas alegações adventistas referentes a serem os verdadeiros restauradores do sábado. Diante das provas irrefutáveis expostas acima, não estaria na hora dos líderes adventistas mudarem sua história? Pelo menos se harmonizaria melhor com os fatos! Se a profecia de Isaías capítulos 56 e 58 refere-se a uma restauração esta nunca poderia ter se cumprido entre os adventistas pelos motivos já vistos. Se alega-se que a profecia tem duplo cumprimento este só pode ter sido preenchido pelos batistas do sétimo dia. Mas isto é pouco provável diante de textos como o de Oséias 2.11 que prediz de modo inequívoco a abrogação de todos os sábados (conf. com Col. 2.16) na era cristã. Não estamos debaixo do sábado mais como mandamento, a não ser que este seja um tipo de modo espiritual em Cristo (Mat. 11.28). *Paulo
Cristiano, é presbítero da Igreja Evangélica Assembléia de Deus e há mais
de dez anos pesquisador de seitas;palestrante co-fundador e vice-presidente
do CACP (Centro Apologético Cristão de Pesquisas). É membro da comissão
revisora do curso teológico do Instituto Bíblico das Assembléias de
Deus em São José do Rio Preto(IBADERP). Já desenvolveu pesquisas e
escreveu artigos sobre temas relacionados à fé cristã em diversos
periódicos evangélicos e seculares.
Dentre os muitos publicados na revista Defesa da Fé. Leciona
Heresiologia e Novo Testamento na Faculdade de Teologia da Assembléia
de Deus do Calvário (FATAC). Gostou desta matéria?
Leve até sua igreja os palestrantes do CACP. Para mais informações acesse
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