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Alá, Adão e os Anjos

por Artigo compilado - qua dez 26, 12:55 am

O Alcorão tem muito a dizer sobre a relação entre Alá, Adão, os anjos e Satanás. De fato, algumas coisas que o Alcorão diz sobre essas pessoas ou entidades erguem uma série de perguntas e comentários. Este é especificamente o caso da Surata 2.30-38 que citaremos em breve.

(Recorda-te ó Profeta) de quando teu Senhor disse aos anjos: Vou instituir um legatário na terra! Perguntaram-Lhe: Estabelecerás nela quem alí fará corrupção, derramando sangue, enquanto nós celebramos Teus louvores, glorificando-Te? Disse (o Senhor): Eu sei o que vós ignorais. Ele ensinou a Adão todos os nomes e depois apresentou-os aos anjos e lhes falou: Nomeai-os para Mim e estiverdes certos. Disseram: Glorificado sejas! Não possuímos mais conhecimentos além do que Tu nos proporcionaste, porque somente Tu és Prudente, Sapientíssimo. Ele ordenou: Ó Adão, revela-lhes os seus nomes. E quando ele lhes revelou os seus nomes, asseverou (Deus): Não vos disse que conheço o mistério dos céus e da terra, assim como o que manifestais e o que ocultais? E quando dissemos aos anjos: Prostrai-vos ante Adão! Todos se prostraram, exceto Lúcifer que, ensoberbecido, se negou, e incluiu-se entre os incrédulos. Determinamos: Ó Adão, habita o Paraíso com a tua esposa e desfrutai dele com a prodigalidade que vos aprouver; porém, não vos aproximeis desta árvore, porque vos contareis entre os iníquos. Todavia, Satã os seduziu, fazendo com que saíssem do estado (de felicidade) em que se encontravam. Então dissemos: Descei! Sereis inimigos uns dos outros, e, na terra, tereis residência e gozo transitórios. Adão obteve do seu Senhor algumas palavras de inspiração, e Ele o perdoou, porque é o Remissório, o Misericordioso. E ordenamos: Descei todos aqui! Quando vos chegar de Mim a orientação, aqueles que seguirem a Minha orientação não serão presas do temor, nem se atribularão. S. 2.30-38

A passagem acima traz diversas perguntas. Primeiro, como os anjos sabiam qual seria a condição do homem antes mesmo da criação dele? De onde tiraram a idéia de que o homem seria uma criatura violenta? Quem disse-lhes isso? O texto não diz nada sobre Alá dar-lhes nenhuma informação. Os anjos são oniscientes?

Segundo, Alá ensina Adão em segredo nomes não especificados para silenciar os anjos que se queixam contra o homem. Não foi injusto Alá ensinar a Adão esses nomes e depois continuar desafiando os anjos a fazerem o mesmo? Alá precisa usar de fraude e mentiras para se garantir contra as acusações apresentadas contra Adão pelos anjos (acusações que se demonstraram estar corretas)? Não está óbvio Adão seria tão ignorante quanto os anjos a respeito dessas coisas se Alá não o tivesse ensinado? Que tipo de defesa é essa tendo em vista que Adão apenas soube esses nomes porque Alá os ensinou a ele, ao passo que os anjos eram ignorantes apenas porque Alá não os ensinou essas coisas?

E como é que dizer o nome das coisas justifica a criação do homem apesar de todo o mal e violência que ele viria a cometer? No fim de tudo, se há um valor superior nos homens que justifique sua criação apesar de seu comportamento pecaminoso, então esse valor deveria ser apresentado de modo claro ao invés de se usar truques de enganação que dificilmente mostram alguma superioridade nos homens. Alá poderia ensinar esses nomes a qualquer um. Essa ação de ensinar ao homem o nome de todas as coisas não fornece de forma alguma razão suficiente para que o homem fosse criado tendo em vista o fato de que ele derramaria sangue. Alá poderia simplesmente ter ensinado esses nomes aos anjos, e assim alguém saberia os nomes (se é que isso era necessário), sem que sangue viesse a ser derramado. Então, de verdade, qual é sentido dessa história?

Terceiro, após usar de fraude para silenciar os anjos, Alá continua e ordena que os anjos adorem os homens. Essa ordem para adorar obviamente foi o resultado de o homem ter sido melhor que eles ao dizer o nome das coisas que Alá o ensinou pessoalmente. Por isso precisamos perguntar, por que fazer os anjos adorar Adão por ter sido capaz de dizer o nome das coisas que eles não sabiam se o homem apenas sabia porque Alá os ensinou a ele? E por que Alá está ordenando que eles se prostrem diante de Adão, uma criatura, se isso é absolutamente proibido no Islã? Se argumentarem que a prostração significava respeito e não adoração, então porque esse ato é hoje proibido no Islã? Está óbvio eu Alá, diferentemente do Deus da Bíblia, está sempre mudando seus mandamentos e idéias ao passar do tempo.

Quarto, Iblis ou Satanás é repreendido por não adorar Adão, mesmo que a ordem tenha sido dada aos anjos. Segundo o Alcorão, Iblis (Satanás) não é um anjo, ele é um jinn (gênio):

E (lembra-te) de quando dissemos aos anjos: Prostrai-vos ante Adão! Prostraram-se todos, menos Lúcifer, que era um dos gênios, e que se rebelou contra a ordem do seu Senhor. Tomá-los-íeis, pois, juntamente com a sua prole, por protetores, em vez de Mim, apesar de serem vossos inimigos? Que péssima troca a dos iníquos! S. 18.50

O antigo Maulana Muhammad Ali escreveu em sua tradução do Alcorão:

50a. Iblis é um dos jinn ou espíritos do mal, então é um erro tomá-lo por anjo ou um bom espírito. O espírito do mal é sempre rebelde, e ele é contrário ao homem alerta, de modo que deve resistir a cada tendência maligna.

Então por que Alá acusa Iblis por não obedecer a uma ordem dada aos anjos e não aos jinn?

Autor: Sam Shamoun

Fonte:  www.answering-islam.org/portugues/contradicoes/alla_adao_anjos.html


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