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Amway – Dinheiro é a solução?

por Dr. Paulo Romeiro - qua set 12, 9:58 pm

 

“Tempo livre, segurança e dinheiro pelo resto da vida”. Este é o “discurso messiânico” que oferece a maior empresa de marketing de rede do mundo, a Amway, através de seus 2, 5 milhões de “missionários” (foi assim que a revista Exame/18 de junho de 1997, definiu seus distribuidores). Enaltecendo o poder do pensamento positivo, exibindo símbolos de prosperidade, discursando sobre “você-pode-ser-um-vencedor”, tudo isso sendo anunciado num estilo missionário, essa empresa familiar continua a prosperar, estando presente em mais de 70 países. No Brasil, a Amway conta com mais de 150 000 distribuidores.

Muitas pessoas têm nos indagado acerca da Amway. Por se tratar de uma empresa muito grande, seria impossível fazer uma análise completa de cada indivíduo envolvido com esta organização. Como várias outras empresas, há muitos pontos positivos e negativos sobre a Amway. A empresa foi fundada na cidade de Ada, Estado de Michigan, nos Estados Unidos, por Richard DeVos e Jay Van Andel, em 1959. Em 1991, o grupo chegou ao Brasil, oferecendo aos brasileiros uma forma rápida de enriquecer. Seus produtos têm a ver com os cuidados do lar, cosméticos, cuidado pessoal, nutrição humana e utensílios domésticos. São mais de 400 produtos consumidos e vendidos por seus “missionários”.

A revista ISTOÉ (22/3/94, pp. 66, 67), num artigo intitulado “Religião Amway – A rede Amway cresce no Brasil distribuindo produtos sem intermediários e promete enriquecimento rápido”, classificou a Amway de “culto moderno, que usa técnicas de arregimentação quase religiosas”. Quando alguém é convidado para ingressar na Amway, a pessoa que o convidou já é associada da empresa e passa a ser a sua patrocinadora. É preciso haver um convite para entrar. Paga-se uma taxa de inscrição, geralmente o equivalente a US$ 80,00, e o novo sócio recebe um kit com os produtos e material didático, como manuais e fitas cassete, que lhe darão mais instruções sobre o programa de vendas e o sucesso nos negócios.

O novo sócio começa a levar outras pessoas para a Amway e passa a ganhar uma porcentagem sobre as compras dos novos sócios que ele recrutou. Elas também passam a fazer o mesmo, levando mais pessoas, e ganhando a porcentagem sobre as compras de seus novos associados, e assim sucessivamente. As pessoas começam então a ganhar bônus e posições ou patentes na hierarquia denominadas rubi, pérola, esmeralda, diamante etc., e assim a pirâmide (rede de distribuição direta) começa a ser levantada. Existe aqui o perigo de a empresa fazer das pessoas um mero produto. Trata-se de um empreendimento que vai exigir muito tempo, esforço e dedicação da pessoa – se ela quiser ganhar alguma coisa.

A revista ISTOÉ disse ainda que os métodos de recrutamento da empresa são parecidos a uma cerimônia de iniciação religiosa, fazendo lembrar os antigos cursilhos católicos e os cultos evangélicos, com a diferença que na Amway o assunto passa a ser o dinheiro. Nos Estados Unidos, esses métodos foram acusados de apresentarem um tipo mais leve de lavagem cerebral, embora a justiça naquele país não tenha aceitado as denúncias.

Muitos distribuidores da Amway, que são cristãos, fazem o seu recrutamento no meio evangélico. Nossa preocupação é que, dessa maneira, entra-se em contato com vários livros e preletores recomendados por alguns líderes da Amway que não são sempre bíblicos em suas abordagens sobre o sucesso e princípios financeiros. Alguns livros de autores como Og Mandino, Dale Carnegie, Joseph Murphy, Napoleon Hill e Norman Vicent Peale e Lair Ribeiro (autor do livro O Sucesso não Ocorre Por Acaso e vários outros títulos), incluem conceitos da Nova Era.

Em muitos casos, o que acontece é que a fé dos envolvidos vai se misturar com crenças da AMP (Atitude Mental Positiva) e da confissão positiva, que são atualmente assuntos constantes nos congressos e seminários de motivação e sucesso. Dave Hunt e T.A. McMahon, autores norte-americanos, comentam sobre o perigo de tal envolvimento: “A grande jogada hoje em dia é o sucesso. A capacidade de exercer ‘o poder da mente sobre a matéria’ não é mais considerada algo estranho e oculto, e sim parte de um potencial humano natural, normal e infinito, que pode ser experimentado por qualquer pessoa que siga certas supostas ‘leis de sucesso’”. [1]

Normam Vicent Peale (já falecido) por exemplo, embora fosse um ministro evangélico, tinha ensinos que às vezes contrariavam as Escrituras. Um deles foi o de negar o ensino bíblico da condenação eterna para os que morrem sem Cristo. Por exemplo, quando perguntado no programa de televisão de Phil Donahue nos Estados Unidos, se as pessoas não cristãs poderiam ir ao céu, repondeu que sim (Transcrição do Progama de Donahue, nº 10.104, p.4). Neste mesmo programa ele declarou que Jesus é o “supremo caminho” para o céu, mas não o único caminho (p.5). A Bíblia diz o contrário, pois o próprio Senhor Jesus declarou: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (João 14.6).

Em seu livro 1001 Maneiras de Enriquecer, Joseph Murphy chega a defender conceitos sobre o homem que estão mais para o panteísmo do que para a Bíblia. Ele declara: “Da mesma forma que o ramo de uma árvore é uma extensão da sua vida, eu também sou um prolongamento da sabedoria, do poder e da energia criadora de Deus. Sou um filho de Deus e herdei todos os direitos, privilégios e benesses de suas riquezas. Acredito na substância e no provimento infinitos. Estou em consciência com o Senhor. Seu poder criador é também meu; Sua sabedoria, força, inteligência e compreensão são igualmente minhas. Deus e o homem são uma mesma criatura. O Senhor e eu somos uma só pessoa”(pp.23, 24).

Ao contrário do que diz Joseph Murphy, a Bíblia afirma que “Deus não é homem para que minta, nem filho do homem, para que se arrependa”(Números 23.19) e ainda: “porque eu sou Deus e não homem, o Santo no meio de ti”(Oséias 11.9). É preciso lembrar também que Deus é o criador e não a criatura (Isaías 40.28; Jeremias 32.17). Embora interaja com suas criaturas, Ele tem vida distinta da criação.

Num de seus livros mais conhecidos, O Poder do Subconsciente, Joseph Murphy afirma que “o que é impresso em sua mente subconsciente é expresso no cenário do espaço. Essa mesma verdade foi proclamada por Moisés, Isaías, Jesus, Buda, Zoroastro, Lao-Tsé e todos os outros profetas iluminados da História”(p.51). A exemplo de Murphy, vários indivíduos e grupos tentam comparar Jesus com outros líderes de religiões, chegando a dizer que todos eles foram portadores de uma única verdade. Entretanto, à luz das Escrituras Sagradas, Jesus ocupa um lugar único no plano da salvação e na história, algo confirmado pelas palavras do apóstolo Pedro: “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos”(Atos 4.12). A Bíblia afirma que só Jesus tem palavras de vida eterna.

Pode ser dito ainda que existe uma ênfase exagerada sobre o lucro material em alguns círculos da Amway que é antibíblica. Quem faz parte da empresa vai perceber que algumas linhas de distribuição e indivíduos na organização enfatizarão estes ensinos duvidosos, enquanto que outros não. A afirmação de que alguns de que o nome Amway seria uma referência às palavras de Jesus em 14.6, “Eu sou o caminho”(I am the way, em inglês) não é correta. Amway é uma abreviação do nome em inglês, The American Way of Life (o estilo de vida americano).

Pesquisadores que hoje fazem parte da AGIR, estiveram pessoalmente no escritório da sede brasileira da Amway, em 1993, em São Paulo, e foram bem recebidos pelo então presidente, o Sr. Kenneth Smith. O Sr. Smith esclareceu na ocasião que a Amway em si nada tem a ver com o movimento da Nova Era, tratando-se exclusivamente de uma empresa de negócios e não de um grupo religioso. Ele mesmo testemunhou ser cristão, freqüentando na época a Calvary International Church (Igreja Internacional do Calvário, em São Paulo, freqüentada principalmente por missionários e empresários de língua inglesa).

Estar envolvido com a Amway ou com qualquer outro negócio não é certo ou errado em si mesmo. Os cristãos devem avaliar os líderes e os materiais aos quais são expostos e verificar se o que é ensinado está de acordo com a Palavra de Deus. Todo cristão tem a responsabilidade de detectar erros nos ensinos, se houver algum, e avisar aos outros ao mesmo tempo. Cada cristão deve avaliar também suas próprias razões pessoais para se envolver em algo assim e isso deve ser feito de acordo com os princípios da Palavra de Deus.

Por se tratar de um empreendimento que exige muito tempo e dedicação dos sócios, o envolvimento com a Amway pode trazer transtornos para o cristão, que já tem tão pouco tempo para dividir entre a família e o serviço do Senhor. Por esta razão, é importante estar atento às palavras do grande apóstolo: “Exorta aos ricos do presente século que não sejam orgulhosos, nem depositem a sua esperança na instabilidade da riqueza, mas em Deus que tudo nos proporciona ricamente para nosso aprazimento. Que pratiquem o bem, sejam ricos de boas obras, generosos em dar e prontos a repartir, que acumulem para si mesmos tesouros, sólido fundamento para o futuro, a fim de se apoderarem da verdadeira vida”. (I Timóteo 6.17-19).


Cada autor é responsável pelo conteúdo do artigo.

1 Comentário

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  1. Há muita coisa descrita aqui que generalização e que se tornam inverdades, existem vários pastores da minha equipe que conduzem bem a igreja, família e Amway com responsabilidade, se quiserem podemos conversar sobre isso.

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