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Ap 1.10 e a confusão de Leandro Quadros da IASD

por Enviado por email - sex dez 04, 10:25 am

Resposta ao artigo “O argumento fracassado dos observadores do domingo – Apocalipse 1.10”, do Sr. Leandro Quadros

leandroquadros.com.br/o-argumento-fracassado-dos-observadores-do-domingo-apocalipse-110/

Analisando os argumentos apresentados neste artigo do Sr. Leandro Quadros, quero aqui, refutar a sua tese e responder à pergunta deixada no final do artigo, que é: “Como João iria se referir ao domingo em Apocalipse 1.10, sendo que a primeira citação como sendo este o dia do Senhor aparece cerca de 70 a 75 anos DEPOIS dele escrever esse texto?

É muito fácil utilizar-se da doutrina da santificação do domingo para defender a doutrina da continuidade do sábado. São dois extremos. Neste artigo, o Sr. Leandro Quadros, está se utilizando da famosa falácia do espantalho, que, segundo a Wikipédia, “é um argumento em que a pessoa ignora a posição da oposição (neste caso, o domingo como foi utilizado na realidade pela igreja primitiva, isto é, um dia escolhido para as reuniões de culto e adoração sem ser considerado um dia santo) e a substitui por uma versão exagerada, que representa de forma errada esta posição (neste caso a santificação do domingo, que é também um erro). A falácia se produz por distorção proposital, com o objetivo de tornar o argumento mais facilmente refutável.” Ambas as doutrinas estão equivocadas. Nenhum dia foi santificado pela igreja dos apóstolos. O que aconteceu na realidade foi que a igreja simplesmente se reunia no primeiro dia da semana, que posteriormente foi chamado de “O Dia do Senhor”, para culto e adoração. Não havia a consciência entre eles de estarem guardando um substituto do sábado. Por isso, não se encontra na bíblia nenhuma passagem ordenando a guarda do domingo como um dia santo. Paulo disse: “Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente seguro em sua própria mente. Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz e o que não faz caso do dia para o Senhor o não faz”. Rom. 14:5 e 6. Ele mostra aqui que na nova aliança, que começou após a ressurreição de Cristo, um dia de guarda não é mais importante, e assim não é mais exigido do cristão.

Em sua argumentação, o Sr. Leandro, afirma que não podemos dar ouvidos aos pais da igreja devido as diferentes visões que eles tinham a respeito das escrituras. Isto soa um tanto hipócrita, quando se observa que os pioneiros da Igreja Adventista também divergiam em doutrinas bíblicas, no princípio do movimento. Tomemos Tiago White, por exemplo: Por muitos anos, ele não aceitou a doutrina da Trindade e muito menos a doutrina do juízo investigativo. Vejamos: “Eles tornarão seus ouvidos para longe da verdade e se voltarão para fábulas… aqui temos que mencionar a trindade, que contraria a personalidade de Deus e seu filho Jesus Cristo.” (artigo publicado em 1855 na Review and Herald, sob título “Preach the Word”). Sobre a doutrina do juízo investigativo, ele diz, “O anjo do advento (Apo. 14:6,7)’dizendo em alta voz, temei a Deus e dai-lhe glória; porque a hora de seu julgamento é chegada’, não prova que o dia do julgamento veio em 1840 ou em 1844, nem que ele virá antes da segunda vinda.” Advent Review de Setembro de 1850. E também: “Não é necessário que a sentença final devesse ser dada antes da primeira ressurreição como alguns ensinam; pois os nomes dos santos estão escritos no céu, e Jesus, e os anjos certamente saberão quem irão ressuscitar e levar para a Nova Jerusalém.” Tiago White, A Word to the Little Flock, 1847, p. 24. O mesmo pode ser dito de J. N. Andrews, Froom, Cotrell, Waggoner, etc. Eles tinham um entendimento bem diferente do que tem a Igreja Adventista hoje. Quando se menciona isto, os teólogos adventistas dizem que as suas doutrinas foram se formando aos poucos numa luz crescente sobre a verdade bíblica, entretanto, vemos que neste artigo, o Sr. Leandro não aplica esse mesmo argumento para os pais da igreja. A hipocrisia fica ainda mais aparente quando ele menciona a epístola de Barnabé, onde detalhes sobre reprodução de alguns animais como a lebre, a hiena e a doninha são cientificamente equivocados, e se esquece dos inúmeros “furos” científicos que Ellen White cometeu em seus escritos. Ela afirmou, por exemplo, que “Toda espécie de animal que Deus criou foi preservada na arca. As espécies confusas que Deus não criara, resultantes da amálgama, foram destruídas pelo dilúvio. Desde o dilúvio, tem havido amálgama de homem e besta como pode ser visto nas quase infindáveis variedades de espécies animais e em certas raças de homens.” Spiritual Gifts, Vol. 3, pg. 75, 1864. Um absurdo! Ela afirma também que: “Nesse tempo [por ocasião do Dilúvio] imensas florestas foram sepultadas. Estas foram depois transformadas em carvão, formando as extensas camadas carboníferas que hoje existem, e também fornecendo grande quantidade de óleo. O carvão e o óleo frequentemente se acendem e queimam debaixo da superfície da Terra. Assim as rochas são aquecidas, queimada a pedra de cal, e derretido o minério de ferro. A ação da água sobre o cal aumenta a fúria do intenso calor, e determina os terremotos, vulcões e violentas erupções.” (Patriarcas e Profetas, págs. 108 e 109) É de fazer qualquer cientista rir, não é mesmo? Só mais uma “pérola”: “As crianças que praticam a autoindulgência [masturbação]… devem pagar a penalidade. Prosseguindo a prática desde os 15 anos ou mais, a natureza protestará… e fá-los-á pagar elevado preço… por numerosas dores no organismo, e várias doenças, tais como indisposição de fígado e pulmões, nevralgias, reumatismo, problemas da espinha, doenças renais e tumores cancerosos…”An Appeal to Mothers, 1864. Você poderia me mostrar alguma pesquisa científica que comprove isso? Assim, a doutrina adventista foi elaborada apesar das diferenças de ideias dos seus pioneiros em relação aos ensinos bíblicos. O mesmo aconteceu com os pais da igreja.  Embora eles tenham tido ideias equivocadas a respeito de certas doutrinas bíblicas ou conhecimento científico, como no caso da epístola de Barnabé, criou-se com o tempo uma linha doutrinária coesa. Então, podemos sim, nos beneficiar de seus escritos apesar de seus erros, assim como os adventistas pensam que é possível se beneficiar dos escritos de Ellen White apesar dos seus inúmeros erros, como os que foram citados acima.

Entretanto, a questão de um dia para se congregar e adorar a Deus, nem foi uma questão doutrinária, como o Sr. Leandro quer fazer parecer. O que se vê nas cartas dos pais da igreja são relatos das práticas cristãs da época, e nestas práticas é visto a igreja primitiva se reunindo aos domingos para o seu culto de adoração. São relatos históricos, não doutrinários. Faço a seguinte pergunta: Se não podemos confiar nos relatos dos pais da igreja e assim não aceitar que os primeiros cristãos se reuniam aos domingos, onde estão os documentos históricos que comprovam a “verdade” adventista, isto é, relatos dos primeiros cristãos se reunindo aos sábados e não aos domingos? Se existissem tais documentos, o Sr. Leandro Quadros com certeza, os utilizariam neste artigo. O interessante é que é dito neste artigo que as epístolas dos pais da igreja não servem para provar a guarda do domingo, por não serem documentos canônicos, pois como ele diz: “Mesmo tendo sido homens piedosos em suas épocas, não podemos fazer de tais homens nossa autoridade final em assuntos doutrinários. Isso por que ‘Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens. ’” Atos 5:29; mas quando lhe convêm, ele se utiliza do evangelho apócrifo de Pedro e de uma declaração de Adam Clarke, que era metodista, sendo assim um “dominguista” (como ele chama os guardadores do domingo) para embasar sua tese. Isto é, no mínimo, incoerente!

Quanto a questão Apocalipse 1:10, o Sr. Leandro se utiliza de raciocínio circular, comumente visto em suas argumentações sobre outros assuntos. É verdade que no evangelho apócrifo segundo Pedro, é claramente citada a expressão “Dia do Senhor” como sendo o domingo, e assim, para os historiadores, este evangelho é considerado como sendo o primeiro documento onde aparece CLARAMENTE o termo aplicado ao domingo. Entretanto, isto não significa que foi naquela época que a expressão “Dia do Senhor” tenha sido cunhada para referir-se ao domingo. O evangelho apócrifo de Pedro não diz isso, somente apresenta a expressão, mostrando que ele já estava em uso entre os cristãos. Então, ele faz a pergunta: “Como João iria se referir ao domingo em Apocalipse 1:10, sendo que a primeira citação como sendo este o dia do Senhor aparece cerca de 70 a 75 anos DEPOIS dele escrever esse texto?  Pura dissimulação! Aqui, o Sr. Leandro parte da premissa de que se a primeira citação clara desta expressão referindo-se ao domingo só aparece no evangelho apócrifo de Pedro,  o termo “Dia do Senhor” só pode ter sido criado na época em que aquele evangelho foi escrito, o que pode não ser verdade. Poderia ser que o termo já existisse por décadas antes de o escritor do Evangelho de Pedro o mencionasse. É o mesmo que dizer que o apóstolo João só poderia ter usado a expressão “Dia do Senhor” se ele tivesse lido o evangelho apócrifo de Pedro.  Quer dizer que uma expressão não pode existir antes que alguém resolva publicá-la? Assim, ele se utiliza de uma falsa premissa para construir seu argumento a respeito de Apocalipse 1:10.

O Sr. Leandro afirma que “O evangelho de João teria sido escrito mais ou menos na mesma década que o Apocalipse e, ao referir-se ao domingo, o apóstolo não o chama de ‘dia do Senhor’, mas meramente ‘primeiro dia’”. É sabido que João escreveu Apocalipse já em sua velhice e o evangelho e epístolas muitos anos antes. É muito provável que quando ele escreveu o evangelho e epístolas,  o termo “Dia do Senhor” ainda não havia sido criado. Ele usa a expressão em Apocalipse, mostrando que pelo fim do século 1 o termo já era comum entre os cristãos. Agora, quero “emprestar” o mesmo raciocínio do Sr. Leandro, só que em relação ao sábado. Se o termo “Dia do Senhor” em Apocalipse 1:10 se refere ao sábado, como é que não vemos o mesmo João, em seu evangelho e epístolas, referir-se ao sábado como “O Dia do Senhor”? Se utilizarmos a mesma lógica, chegar-se-á a conclusão de que se João estivesse se referindo ao sábado em Apocalipse 1:10, ele usaria a palavra “sábado” como era o seu costume fazê-lo em seu evangelho e epístolas.

É interessante notar que as passagens bíblicas sobre o sábado que o Sr. Leandro Quadros cita na conclusão do seu artigo (para dar mais peso ao artigo ao mostrar que o sábado é vastamente citado na Bíblia) são todas pertencentes à velha aliança, pois a nova aliança só começou a valer após a morte de Jesus, como nós vemos em Hebreus 9: 17 e 18, que diz “…porquanto, um testamento só tem validade legal após a confirmação da morte do testador, considerando que não poderá entrar em pleno vigor enquanto estiver vivo quem o fez.” Nota-se que ele não menciona Colossenses 2:16 e 17 em sua lista. Esta é a passagem que eu considero ser o “tendão de Aquiles” do Adventismo. Nestes versos, (uma das poucas passagens que se referem ao sábado na nova aliança) o sábado é apresentado por Paulo como sendo uma “…sombra das coisas que havia de vir, mas o corpo é de Cristo”. Claramente Paulo diz que o sábado semanal apontava para Cristo. Interpretação esta que o famoso escritor e teólogo adventista Samuelle Bachiochi  reconheceu, em seu livro “Do Sábado para o Domingo”, ser a correta. Ele reconheceu que neste texto o sábado não se refere ao sábado cerimonial, pois o sábado cerimonial já está incluso nas festas fixas. O fato é que todas as vezes que Paulo se refere direta ou indiretamente ao sábado, ele o faz para se opor a ele, e não para aboná-lo (Col. 2:16 e 17, Rom.14:5 e 6, Gal. 4:10).

Ao ler artigos como este do Sr. Leandro Quadros, vejo como é difícil para os adventistas defender o sábado como sendo ainda um dia de guarda exigido por Deus, sem se utilizar de passagens fora do contexto, construir doutrinas na base de deduções, utilizar-se do apelo às autoridades e de sutis formas de persuasão como na falácia do espantalho, como foi utilizado neste artigo. É tentar defender o indefensável.

A você, que é um adventista sincero, desejo que a graça de Jesus te alcance e faça com que o amor à verdade bíblica seja maior que o amor a uma denominação religiosa.

Grande abraço!

Valter Contessoto, Ex-adventista


Cada autor é responsável pelo conteúdo do artigo.

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