Esqueceu a senha?

As TJs usufruem “Verdadeira Liberdade”?

por Artigo compilado - dom jan 19, 12:14 am

PDFs-TJs

A Sociedade Torre de Vigia jacta-se regularmente sobre a incrível “liberdade” que todas as Testemunhas de Jeová supostamente usufruem. Claro que isto contrasta fortemente com as massas espezinhadas no mundo, já para nem falar dos pobres católicos e protestantes que estão em escravatura sob o seu clero.

Milhões hoje usufruem a verdadeira liberdade como Testemunhas de Jeová. [A Sentinela, 15 de Março de 1992, p. 15]

Devido às suas numerosas regras estranhas, as Testemunhas de Jeová freqüentemente entram em conflito com a sociedade em geral. Um desses conflitos foi relatado nas Filipinas em 1993, onde alguns alunos filhos de Testemunhas de Jeová se recusaram a saudar a bandeira. A revista Despertai! declarou, entre outras coisas, o seguinte:

Todos os amantes da liberdade certamente se alegram muito com essa decisão em defesa do direito de livre escolha no que diz respeito a religião e aos ditames de consciência, ao passo que, ao mesmo tempo, estão sujeitos à autoridade relativa do Estado. (Romanos 13:1, 2) Ao proteger os direitos do indivíduo, o Estado não abre o caminho para a anarquia, mas atua no papel mencionado pelo apóstolo Paulo, em Romanos 13:5, 6: “Há … uma razão compulsiva para que estejais em sujeição, … por causa da vossa consciência. Pois é também por isso que pagais impostos; porque eles são servidores públicos de Deus, servindo constantemente com este mesmo objetivo.”

As Testemunhas de Jeová nas Filipinas respeitam a jurisprudência dos juízes da Suprema Corte e dão-se conta de que o mérito, no fim das contas, tem de ser atribuído ao nosso Criador, Jeová Deus. [Despertai!, 8 de Janeiro de 1994, p. 23]

Um caso de natureza similar foi relatado na Grécia. Desta vez envolvia o direito de pregar. Aqui a Sentinela cita a convenção dos Direitos Humanos:

Visto que a Grécia é um estado-membro do Conselho da Europa, ela é obrigada a sujeitar-se aos Artigos da Convenção Européia sobre Direitos Humanos. Diz o Artigo 9 da Convenção: “Todos têm direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; esse direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e liberdade, quer sozinho, quer em comunhão com outros e em público ou em particular, para manifestar sua religião ou crença, em adoração, ensino, prática e observância.” [A Sentinela, 1 de Setembro de 1993, p. 30]

Nestes dois casos as decisões foram favoráveis às Testemunhas. Algo que sem dúvida alguma foi correto e justo, e bons exemplos de que a democracia e o sistema legal realmente funcionam. No entanto, é muito triste, é trágico e é um paradoxo que absolutamente nenhuma destas liberdades seja estendida aos próprios membros da Sociedade Torre de Vigia! Examinemos mais de perto que condições existem para esses direitos humanos e essa liberdade, a respeito da qual a seita da Torre de Vigia faz tanto barulho, internamente na organização Torre de Vigia. Ficamos com uma idéia muito boa sobre isso lendo a coluna “Perguntas dos leitores” na revista A Sentinela:

Por que desassociaram (excomungaram) as Testemunhas de Jeová por apostasia a alguns que ainda professam crer em Deus, na Bíblia e em Jesus Cristo? [A Sentinela, 1 de Abril de 1986, p. 30]

Na resposta a esta pergunta, A Sentinela declara, entre outras coisas, o seguinte:

Os que expressam tal objeção salientam que muitas organizações religiosas que afirmam ser cristãs permitem conceitos dissidentes. Até mesmo alguns clérigos discordam de ensinos básicos da sua igreja, e ainda assim permanecem nas boas graças dela. [A Sentinela, 1 de Abril de 1986, p. 30]

Bem, qual é a situação na organização da Torre de Vigia? Será que os seus membros usufruem a mesma liberdade? Pode uma Testemunha de Jeová discordar de qualquer dos “ensinos básicos” da Sociedade Torre de Vigia e permanecer “nas boas graças dela”? A revista diz isto sobre a prática nestas igrejas:

Entretanto, tais exemplos não constituem nenhuma base para nós fazermos o mesmo. [A Sentinela, 1 de Abril de 1986, p. 30]

O que querem eles dizer com isto? Vejamos:

Ensinar conceitos dissidentes ou divergentes não é compatível com o verdadeiro cristianismo […] [A Sentinela, 1 de Abril de 1986, p. 31]

Este comentário torna muito claro que o Corpo Governante não vê com bons olhos “conceitos dissidentes ou divergentes”. Mas como é que se devem encarar as Testemunhas de Jeová que defendem tais pontos de vista? A revista declara:

A associação aprovada com as Testemunhas de Jeová requer a aceitação de toda a série dos verdadeiros ensinos da Bíblia, inclusive as crenças bíblicas singulares das Testemunhas de Jeová. [A Sentinela, 1 de Abril de 1986, p. 31]

A revista continua, mostrando que qualquer pessoa que não possa aceitar todas essas crenças “singulares” será desassociada. É portanto um fato que a liberdade de pensamento, liberdade de expressão e o que chamamos simplesmente liberdade religiosa, não existe dentro da organização Torre de Vigia! Pessoas amantes da liberdade dentro da Sociedade Torre de Vigia não têm razão absolutamente nenhuma para se regozijarem por usufruírem “verdadeira liberdade” como a revista Sentinela se jactou. As Testemunhas de Jeová foram completamente privadas de todas as liberdades do artigo 9 da Convenção Européia dos Direitos Humanos. Conforme acabamos de documentar, elas têm de aceitar os ensinos da Torre de Vigia, caso contrário serão desassociadas. As Testemunhas de Jeová não usufruem a “liberdade para mudar a sua religião ou crença e liberdade, quer em grupo ou em comunidade com outros e em público ou em privado, de manifestar a sua religião ou crença”, o único “direito” das Testemunhas de Jeová neste aspecto é “aceitar” tudo o que a Torre de Vigia ensina atualmente. Elas não têm direito de discordar dos seus líderes. Isto é claro como água quando investigamos a literatura delas:

Acautele-se dos que procuram apresentar suas próprias opiniões contrárias. [A Sentinela, 15 de Março de 1986, p. 17]

Evite Idéias Independentes [A Sentinela, 15 de Julho de 1983, p. 22]

Lute Contra Idéias Independentes [A Sentinela, 15 de Julho de 1983, p. 27]

[Nota: na edição original em inglês, em vez de “idéias independentes”, diz “pensamento independente”.]

É claro que é extremamente difícil exercer algo remotamente parecido com direitos humanos numa organização onde as pessoas têm de “Acautel[ar]-se dos que procuram apresentar suas próprias opiniões contrárias” e onde têm de “lut[ar] contra” e “evitar” pensamento independente! Mas neste ponto algum gênio das Testemunhas de Jeová sem dúvida dirá que Brooklyn está a avisar contra o “pensamento independente”, não contra o “pensamento” enquanto tal. Mas qual é a diferença entre pensamento independente e pensamento em geral? Bah! Mas para arrumar definitivamente este assunto, estabeleçamos firmemente a definição de “pensamento independente” segundo a Sociedade Torre de Vigia. Encontramo-la aqui:

Mas, há alguns que salientam que a organização já antes teve de fazer ajustes, e por isso argumentam: “Isto mostra que temos de decidir por nós mesmos o que devemos crer.” Estas são idéias independentes. Por que são tão perigosas? [A Sentinela, 15 de Julho de 1983, p. 27]

Se o leitor quer decidir por si mesmo, isso é “pensamento independente”. Sim, leia isso outra vez. Decidir por si mesmo acerca de alguma coisa tem de ser evitado por definição, sim, até mesmo tem de se lutar contra isso! Incrível, não é? Apesar de podermos observar o tremendo sucesso que muitas Testemunhas de Jeová leais tiveram neste aspecto aqui no fórum H2O. Mas, seriamente, não se esqueça do que acabou de ler e repare nesta citação da Despertai!:

“A liberdade de divergir não se limita a coisas que não importam muito. Isso seria uma mera sombra da liberdade. Sua verdadeira natureza é provada pelo direito de divergir com respeito a coisas que tocam no âmago da ordem existente.” [Despertai!, 8 de Janeiro de 1994, p. 23]

Sim, que princípios maravilhosos, que liberdade. É uma pena que a Sociedade Torre de Vigia só tenha a pena de morte para quem se atreve a exercer tais direitos dentro da sua organização. A hipocrisia é surpreendente. Imagine o descaramento da Sociedade Torre de Vigia, falando favoravelmente e elogiando princípios elevados que são totalmente banidos no interior da sua própria organização. Como é que a Sociedade Torre de Vigia passa o teste da “verdadeira natureza” da liberdade quando se trata do “direito de divergir com respeito a coisas que tocam no âmago da ordem existente”? Como é que uma organização que reserva a pena de morte para os que “procuram apresentar suas próprias opiniões contrárias” respeita o “direito de divergir”? Mas a Despertai! diz ainda:

“A idéia de alguém ser compelido a saudar a bandeira, cantar o hino nacional e repetir o juramento patriótico de lealdade e obediência, durante uma cerimônia da bandeira, sob pena de ser demitido do emprego ou expulso da escola, é alheia à consciência da atual geração de filipinos cujos conceitos foram moldados desde a infância pela Carta de Direitos, que garante seus direitos à liberdade de expressão e ao livre exercício de confissão e prática religiosas.” [Despertai!, 8 de Janeiro de 1994, p. 22]

O que é triste neste assunto é que as crianças das Testemunhas de Jeová não usufruíram de modo nenhum esta tão propalada liberdade. Elas foram de fato forçadas a não saudarem a bandeira. Se alguma dessas crianças sequer tentasse exercer os seus direitos e realmente saudasse a bandeira, teria sido sujeita à desassociação, seria encarada como morta e evitada por todas as Testemunhas de Jeová.

Segundo a Despertai!, o Supremo Tribunal das Filipinas entendeu que “Ao proteger os direitos do indivíduo, o Estado não abre o caminho para a anarquia”. Isto é algo que o Corpo Governante em Brooklyn não entende de modo nenhum. Se nem todos pensarem e crerem exatamente como eles, a anarquia é um fato no mundo deles.

O Supremo Tribunal naturalmente achou ilegal forçar alguém a saudar a bandeira. Mas ao mesmo tempo, eles ignoravam completamente o fato de a seita da Torre de Vigia negar sistematicamente aos seus próprios membros estes direitos ao forçá-los a não saudarem a bandeira, apontando-lhes à cabeça a “arma” da desassociação e isolamento. A Torre de Vigia faz ostensivamente elogios a estes ideais democráticos e escreve coisas como esta:

Todos os amantes da liberdade certamente se alegram muito com essa decisão em defesa do direito de livre escolha no que diz respeito a religião e aos ditames de consciência [Despertai!, 8 de Janeiro de 1994, p. 23]

Ao mesmo tempo que dizem isso, eles espezinham tudo que se assemelhe mesmo que remotamente a esses princípios dentro da sua própria organização. A Sociedade Torre de Vigia não tem intenção absolutamente nenhuma de deixar qualquer Testemunha de Jeová ‘alegrar-se’ com essa liberdade. Pelo contrário, os líderes da seita da Torre de Vigia estão a interpretar tais decisões dos tribunais como oportunidades para privar os seus próprios membros de todos estes direitos que exteriormente louvam de forma tão ostensiva.

Quando confrontados com esta óbvia falta de respeito por tudo que se assemelhe a liberdade na sua organização, é normal ouvir o seguinte comentário: “Claro que temos liberdade! Aqueles que discordam podem simplesmente sair!” Se o Supremo Tribunal das Filipinas usasse o mesmo raciocínio, a decisão do tribunal teria sido a seguinte:

“Claro que não vos vamos obrigar a saudar a bandeira, façam como quiserem! Mas se não quiserem saudar a bandeira, têm de sair das Filipinas imediatamente e todos os cidadãos serão proibidos de ajudá-los ou ter qualquer contato convosco!”

Se algum tribunal “do mundo” tivesse usado tais métodos e raciocínios completamente ridículos e incivilizados, que são os mesmos que a Sociedade Torre de Vigia usa, não teriam fim na literatura da Torre de Vigia os gritos furiosos e protestos sonoros sobre falta de respeito pelos direitos humanos e liberdade religiosa. Que grande hipocrisia!

Autor: Norman Hovland

Extraído do site http://corior.blogspot.com/ em 18/01/2014


Cada autor é responsável pelo conteúdo do artigo.

Deixe seu comentário

Comentários fechados neste artigo.

Advertisement