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Ateísmo e neoateísmo

por Artigo compilado - ter out 31, 4:33 pm

  1. O QUE SÃO ATEÍSMO E NEOATEÍSMO?

Corrente filosófica que defende a impossibilidade da existência de Deus. Segundo o famoso filósofo clássico Platão, existem dois tipos de ateus: os que afirmam que Deus não existe, e aqueles que declaram não haver espaço para um ser transcendente nas relações humanas. Apesar de sua origem estar perdida no passado longínquo, podemos considerar o racionalismo cartesiano (Renê Descartes – 1596-1650) o pai do racionalismo humanista (gerando a mudança de uma visão de mundo que sai do teocentrismo medieval para o antropocentrismo moderno) e consequentemente do ateísmo filosófico moderno. O neoateísmo é apenas uma vertente mais dogmática do ateísmo clássico, possuindo uma visão não apenas contrária a ideia de Deus, mas totalmente antagônica a qualquer tipo de manifestação religiosa, tendo-as como causa dos maiores atrasos da sociedade. Entre os pressupostos neoateístas estão: moralidade não objetiva (relativista), cientificismo e exacerbação dos argumentos darwinianos.

 

  1. O QUE A VISÃO MAIS AMADURECIDA DO ATEÍSMO DO SÉCULO 19 GEROU?

O consequente “filho do ateísmo” filosófico do século 19 foi o humanismo secular, com sua supra-exaltação da figura humana (antropocentrismo), e consequentemente a ocupação do homem no lugar naturalmente ocupado por Deus. Esta mudança de paradigma, nas relações de princípio de vida e existência, gerou um crescimento de oposição na sociedade pós-moderna, que é baseada no princípio filosófico da incerteza como única “certeza” possível.

 

  1. O QUE SIGNIFICA O HUMANISMO SECULAR?

Movimento filosófico ateísta, que promove a supremacia da natureza humana, considerando o homem como “padrão de todas as coisas” e sua finalidade única. O humanismo secular se diferencia do humanismo judaico-cristão, que reconhece a importância e singularidade humana, sem entretanto declarar a sua soberania universal ou existência única (Sl 8.3-9).

 

  1. QUAL A ORIGEM DO HUMANISMO SECULAR?

O movimento humanista secular possui suas origens em várias correntes filosóficas (racionalismo, existencialismo, marxismo, pragmatismo etc.), e teve o seu “credo”, ou manifesto, publicado pela primeira vez em 1933 por um grupo de 34 humanistas americanos, entre os quais: Dewey (famoso educador pragmático americano), Edwin A. Burt (filósofo da religião) dentre outros.

Quarenta anos depois foi publicado o segundo manifesto humanista, em 1973, para fazer alguns ajustes no primeiro manifesto, por ser este incapaz de cumprir os anseios humanistas de progresso moral e suficiência declarados desde o período do Iluminismo francês.

A força propulsora do movimento ateísta nos tempos modernos tem sido o cientificismo, com sua garantia de oferecer ao homem a completa compreensão daquilo que podemos ver, sentir, tocar, ou mesmo teorizar, com relação à existência objetiva ou subjetiva de tudo ao nosso redor. É, portanto, o completo domínio da própria existência.

 

  1. QUAIS OS PRINCIPAIS PRESSUPOSTOS FILOSÓFICOS DO HUMANISMO SECULAR, PUBLICADO EM SEU PRIMEIRO MANIFESTO DE 1933?

5.1. O universo é auto existente.

5.2. Naturalismo.

5.3. Niilismo.

5.4. O comportamento humano é apenas fruto da “evolução cultural”.

5.5.  Relativismo ético-moral.

5.6. Anti-sobrenaturalismo.

5.7. A religião é apenas o que é significativo ao homem dentro de suas tradições e não possui verdades objetivas e essenciais.

5.8. A finalidade única da existência humana é sua auto-realização terrena (hedonismo).

5.9. O objetivo central do sentimento religioso é apenas o bem-estar social.

5.10. A promoção do bem-estar se dará através do desenvolvimento educacional.

5.11. Todas as instituições existem para satisfação humana.

5.12. A implantação de uma ordem econômica e política socializada e cooperativa.

 

  1. QUAL A PRINCIPAL RAZÃO DA PUBLICAÇÃO DO SEGUNDO MANIFESTO HUMANISTA DE 1973?

A principal razão foi a eliminação do otimismo claramente patente no primeiro manifesto humanista de 1933. Os horrores da segunda grande guerra demonstraram que a humanidade estava totalmente distante do caminho proposto pelo manifesto humanista secular. Após a segunda grande guerra (1939-1945) se percebeu que a tecnologia científica havia produzido mais mortes do que qualquer guerra religiosa conhecida em toda história humana.

 

  1. QUAIS OS PRINCIPAIS PRESSUPOSTOS FILOSÓFICOS DO SEGUNDO MANIFESTO HUMANISTA DE 1973?

7.1. Neoateísmo.

7.2. Niilismo.

7.3. Relativismo ético.

7.4. A razão e inteligência humana são suficientes na resolução dos problemas da humanidade.

7.5. A sexualidade deve ser vivida sob o desejo de cada individuo adulto.

7.6. Liberdade plena do indivíduo.

7.7. Direito a eutanásia e suicídio.

7.8. A supremacia da raça humana está acima de qualquer conjunto de regras de conduta moral.

7.9. Separação plena institucional e ideológica entre o Estado e a Igreja.

7.10. Nova ordem econômica e política socializada e cooperativa.

7.11. Eliminação de toda discriminação de qualquer natureza (Orientação sexual, cor, credo, etc.).

 

  1. RESPOSTAS AOS PRINCIPAIS ARGUMENTOS USADOS PELOS ATEÍSTAS NA REFUTAÇÃO DA IDEIA DE DEUS.

8.1. Se tudo que existe tem um início, não poderíamos entender que Deus também teve um início?

Resposta Apologética: A lei da causalidade não determina todo ser possuindo uma causa. Antes declara todo ser “finito possuindo uma causa”. Se alguém admitisse todo ser (finito ou não) tendo uma causa, ele teria de admitir a existência de um ser além da matéria e os que negam a existência de Deus não afirmariam tal coisa. Se tudo que existe foi causado, precisaríamos conhecer a natureza total de todas as coisas, naturais e sobrenaturais, e não as conhecemos.

Como a analogia da causalidade demonstra nenhum efeito ser menor do que a sua causa, poderíamos comparativamente afirmar a existência de um ser maior do que o universo e que o criou, não podendo ser limitado ao tempo e espaço, pois a matéria, tempo e espaço só começaram a existir a partir da criação do universo. Devemos, portanto acreditar que esta “causa” exista além do tempo, não sendo, portanto finita.

Se houvesse uma infinidade de eventos passados o hoje não poderia existir. Por isso se desenvolveu na filosofia o conceito de número real (possível e portanto existente) e potencial (impossível, mesmo que imaginável).

O que existiu antes do tempo? O que gerou o algo conhecido (matéria) poderia ser o nada, visto que do nada não pode vir algo? Nada pode produzir alguma coisa?

 

8.2. Só acredito no que vejo e nunca vi Deus!

Resposta Apologética: Não acreditar na existência de algo com base na falta de conhecimento direto do sentido da visão (nunca ter visto) não resolveria o problema da existência ou não de algo. A visão humana, segundo a própria ciência, é incapaz de ver tudo o que possui existência por suas limitações de campo de percepção. Se a visão humana é incapaz de captar toda a informação física que está ao nosso redor, não seria demais exigir que a mesma possuísse capacidade de percepção da existência em outros níveis de um suposto ser espiritual? Se quanto mais densa é a matéria, mais fácil é sua percepção, como poderíamos esperar que através da visão pudéssemos “ver” Deus, se o mesmo for um Espírito?

Não precisamos ver o autor de um crime, ou de uma obra de arte para afirmarmos que o mesmo existe, precisamos? Assim como enxergamos o autor de um crime, ou o pintor de um quadro pelas evidências dele num local específico, a natureza com a sua grande diversidade e harmonia incomparável deve ser suficiente para “vermos” o autor das evidências (a ciência forense trata desta questão que não faz parte da chamada ciência empírica, ou experimental).

Se você só acredita no que viu então você não deve acreditar em nenhum fato histórico não testemunhado por você no passado. Se acreditamos em outros tipos de testemunho (que não o ocular), por quê rejeitá-los como evidências quando tratamos de Deus? Será que a criação por ser apenas a “evidência” não seria a razão pela qual não podemos ver literalmente o criador?

 

8.3. A existência de Deus é apenas uma questão de fé?

Resposta Apologética: A existência de Deus é um fato provável apoiado por todas as áreas da ciência verificável (biologia [lei da biogênese], física [lei da causa e efeito] e química [código genético]). Não podemos afirmar que a existência de Deus toma como pressuposto apenas a fé, e nada mais, pois Deus estabeleceu através de sua criação ímpar um caminho facilmente identificável através das evidências físicas. Por que as ciências exatas não conseguiram até hoje estabelecer a inexistência irrefutável de Deus?

O astrônomo agnóstico Robert Jastrow afirmou: “Eles [os cientistas] descobriram que tudo isso aconteceu como um produto de forças que não esperavam encontrar […] isso o que eu e qualquer pessoa chamaria de força sobrenatural é, agora, penso eu, um fato cientificamente comprovado” (Christianity Today, Entrevista com Robert Jastrow, 6 de Agosto de 1982).

 

8.4. A existência de Deus é apenas um mecanismo de defesa emocional diante das limitações de nossa existência frente a morte e os mistérios da vida.

Resposta Apologética: Segundo a concepção evolucionista, o processo de humanização de nossa espécie a partir das supostas formas inferiores (simiescas) até chegarmos finalmente a forma atual do “homo sapiens sapiens” (humana) só é determinada quando além do “bipedismo” (capacidade de locomoção sobre dois pés), desenvolvemos transcendência (capacidade de pensar sobre os valores espirituais da vida e da morte). Esse, portanto seria o motivo pelo qual nos diferenciamos dos demais seres biológicos através de um “processo natural” que fez parte do desenvolvimento do nosso raciocínio.

Se toda a raça humana só alcançou esse status (humanização) a partir da transcendência, e consequentemente a crença em Deus, por que não crermos que tal crença é um processo natural estabelecido para os seres humanos? Se a crença em Deus faria parte da evolução do cérebro humano, por que vê-lo como uma imposição meramente moral? Poderíamos acreditar que o homem foi naturalmente feito para crer?

Não podemos, além disso, questionar esta interpretação do fenômeno da fé e da religião, quando sabemos que nem todas as religiões admitem a existência do ser após a morte como algumas correntes do hinduísmo e o próprio budismo? Se todo o fenômeno religioso for explicado apenas por um sentimento de continuidade frente a morte, por que nem todas as religiões mundiais creem assim?

 

8.5. Acreditar na existência em Deus é para pessoas mentalmente atrasadas.

Resposta Apologética: Os principais responsáveis pelo desenvolvimento da ciência moderna eram teístas, com um enorme grau de crença no teísmo cristão. Galileu Galilei, Isaac Newton, Immanuel Kant, Blaise Pascal e Renê Descarte, são considerados as maiores mentes por trás da ciência moderna, e nem um ateu se atreverá a rotulá-los de “mentes tacanhas”. As grandes descobertas em muitas áreas do pensamento científico que conhecemos hoje fazem alusão de forma direta ou indireta a esses grandes pensadores da humanidade. Também nenhum dos filósofos clássico (Sócrates, Platão e Aristóteles) defendeu o ateísmo, ou o concebeu como necessário para se chegar a verdade objetiva.

Cientistas e filósofos com alto grau de respeitabilidade como Francis Collins (diretor do projeto genoma) e Antony Flew (o mais proeminente filósofo ateu do século 20) creram em Deus a partir de suas pesquisas científicas, nos respectivos campos de pesquisa que atuam.

O livro, Cosmo, Bios e Theos, trás entrevistas com sessenta cientistas, dos quais vinte e sete são ganhadores do prêmio Nobel em suas respectivas áreas, afirmando não verem nenhuma incompatibilidade entre crer em Deus e acreditar na ciência. Os ateus rotulariam esses cientistas de “mente fechada”?

 

8.6. A crença em Deus suscitou tanta violência e morte que não pode ser tolerada como algo bom.

Resposta Apologética: É bem verdade que muitos fizeram uso da violência em nome da fé em Deus e de seus dogmas religiosos. Mas devemos abandonar a crença em Deus por causa do mal uso de seu nome? Se alguém usa um avião para proporcionar combates e destruição, deveríamos considerar o avião algo a ser abandonado? Então o fato das novas tecnologias científicas terem sido usadas maciçamente a serviço da morte de milhões durante as duas grandes guerras mundiais é um motivo suficiente para abandonar a ciência tecnológica?

Os regimes comunistas (ateístas) na Rússia e na China foram responsáveis por mais morte do que todas as cruzadas e a inquisição no mundo! Se o ateísmo filosófico causou a morte de milhões, então deve ser abandonado?Nenhuma ideologia provocou tantas mortes quanto o ateísmo Marxista.

 

8.7. Se Deus é todo poderoso, por que não erradica todo o mal da terra?

Resposta Apologética: Ser todo poderoso, não é o mesmo que “poder fazer tudo” (Deus não pode mentir [Tt 1.2], e , por exemplo, não pode criar uma pedra tão grande que ele não possa transportar). Deus poderia ter feitos seres autômatos, mas não os fez, pois tencionou lhes proporcionar o livre arbítrio (a possibilidade de fazer escolhas morais). Para que não houvesse a possibilidade de existir o mal Deus teria de optar por criar seres sem liberdade, totalmente desprovidos de poder de escolha e decisão, mas não foi isto que desejou. Por isso, tem permitido que o homem faça suas escolhas morais através do uso de sua liberdade (Ec 7.29). Todo o mal produzido na terra é de responsabilidade divina? Pessoas morrem nas ruas abandonadas, em guerras, em catástrofes naturais causadas pelo mau uso dos recursos naturais, etc. Seria Deus o responsável por tais circunstâncias?

A liberdade é boa em si, mas o seu mau uso pode minar e destruir uma sociedade. Ademais, o fato de o mal atualmente existir não significa sua continuidade sem punição ou correção.

 

Pr. Paulo Sérgio Rodrigues Batista


Cada autor é responsável pelo conteúdo do artigo.

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