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Avaliação crítica do movimento G-12

por Artigo compilado - qui maio 05, 12:52 pm

O Roteiro do Encontro

O Pré-encontro. São quatro estudos, de uma hora cada, uma vez por semana, com os seguintes temas: O pecado e suas consequências; O primeiro Adão e o último Adão; Morte e ressurreição; Somos santos e filhos de Deus e Quem eu sou em Cristo. Esse Pré-encontro é requisito obrigatório para a realização do encontro.

O encontro dura três dias, a começar na sexta-feira à noite, com a palestra denominada Peniel. No segundo dia, sábado, fala-se sobre O Que É o Encontro?; O Que o Senhor Faz Durante o Encontro? Libertação; Como Devo Me Comportar no Encontro?; No Encontro Ampliamos a Nossa Postura Espiritual; Cura Interior e Indo à Cruz.

No terceiro dia, domingo, comentam sobre Oração Como Estilo de Vida; A Nova Vida em Cristo; Implantando a Visão da Igreja em Células no Modelo dos 12 e Batismo no Espírito Santo. O Pós-encontro constitui-se de quatro palestras, como no pré-encontro, de uma hora, uma vez por semana, cujo objetivo é consolidar o encontro. Os temas discorridos abordam A Importância do Pós-Encontro; Conservando a Libertação e a Cura Interior; As Áreas de Contra Ataque e Como Deter Satanás.

Igrejas em Células

A visão do modelo G-12 propõe o fim do atual sistesma histórico de governo espiritual da Igreja, quem vem desde o século I dC. Segundo o G-12, na igreja em células, os crentes cuidam uns dos outros nas células (Valnice Milhomens, Plano Estratégico para a Redenção da Nação, p. 40-43). A igreja tem dois componentes básicos, a celebração e as células; a célula é a mais importante. “Um pastor não pode discipular mais do que 12 pessoas. Se isso fosse possível, Jesus o teria feito (o pastor) não pode cuidar bem de uma Igreja com mais de cem membros” (Valnice Milhomens, Op. cit., p. 60-63).

A igreja em células não é a mesma coisa que “com células”, grupos familiares, como o de David Yonggi Cho. Nessa nova filosofia todos os crentes têm a unção e a capacidade para o ministério pastoral, assim, todos os crentes são “pastores”. As crenças do G-12 são norteadas por princípios subjetivos de seus líderes fundadores. Pelo que se vê em suas publicações, todos apresentam conhecimento muito limitado e superficial da Bíblia. Além disso, vão além do que está escrito (1Coríntios 4.6).

O plano dos 12 para ganhar o mundo.

Cada membro de um grupo de 12 pessoas trabalha para formar seu próprio grupo de 12, assim formam 144 pessoas. Dessas 144 pessoas, cada uma se esforça para formar seu grupo de 12 pessoas. Assim, 144 vezes 12 são 1.728 pessoas. Delas, cada uma trabalha para formar um grupo de 12 pessoas, que multiplicando por 1.728 chegamos a 20.736 pessoas, e assim por diante. Com base nessa progressão geométrica, pretendia a igreja de Bogotá alcançar um milhão de almas em 2000.

A senhora Valnice verbera contra o atual sistema de governo da Igreja, dizendo “O modelo tradicional de igreja, centralizado em um pastor, um prédio e programas, já teve dezessete séculos de atuação e deixou metade do mundo não evangelizado”. Mais adiante acrescenta: “No modelo de Bogotá toda a estrutura visa, de fato, fazer de cada discípulo um ministro, um líder…” (Valnice Milhomens, Op. cit., p. 40-43).

Como fica a Bíblia diante de tudo isso? O modelo propõe converter todo o mundo e nenhum deles se perder. Veja até aonde eles querem ir. Até o Senhor Jesus, dos 12, perdeu 1, Judas Iscariotes. Nessa proporção, em 144 pessoas, 12 se desviam; em 1.728, 144; e em 20.736, 1728 pessoas e assim por diante. Veja que eles querem ser melhor do que Jesus. Além disso, na parábola do semeador, Jesus fala da semente que caiu no caminho, nos pedregais, entre os espinhos e na boa terra. Mesmo a semente que caiu na boa terra “um produz cem, outro, sessenta, e outro, trinta” (Mateus 13.23). Mas, segundo o G-12, cada um produz a mesma coisa: 12.

Quanto ao governo da Igreja, convém salientar que são três os sistemas de governo espiritual: episcopal, presbiteriano e congregacional. Esses três modelos reivindicam apoio no Novo Testamento. Em princípio, os apóstolos exerciam autoridade sobre a igreja nos primeiros dias, e não os demais crentes (Atos 6.1-6; 15.7,12-13). Mais adiante encontramos os apóstolos delegando essa autoridade aos bispos (Atos 20.17,28). As epístolas fazem menção de ancião, diáconos, bispos ou presbíteros e pastores. Mas no G-12 todos se converter em pastores.

O argumento usado de o Senhor Jesus Cristo escolher 12 homens como justificativa para o G-12 é infundado. O Senhor Jesus selecionou doze homens para “apóstolos” (Lucas 6.12), os quais, juntamente com o Senhor Jesus, a Pedra Angular, de Esquina, formam o alicerce da Igreja (Efésios 2.20; Judas 17-19). É um contexto completamente diferente do apresentado pelo Movmento G-12 (Colossenses 2.18). E contrariando os textos de Efésios 4.11-12, criando assim um desfacelamento da Igreja (2Pedro 2.1-2). Contraria totalmente a Palavra, uma vez que não somente 12 são líderes, mas a obra do ministério se baseia em Efésios 4.11 e João 17.18-19. Não existe no Novo Testamento Pedro liderando um grupo de doze, e da mesma forma Paulo e os demais apóstolos. O argumento apresentado por eles é uma falácia.

Quanto ao ministério pastoral, a Bíblia diz que o Senhor Jesus deu “uns” e não todos para apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos (Efésiso 4.11-12). Outrossim, na parábola dos talentos, a Bíblia diz que um recebeu cinco talentos, outro dois e outro um, cada um conforme a sua capacidade (Mateus 25.15). O ministério pastoral é para os que são chamados (Hebreus 5.4).

Nos encontros, os novos crentes são colocados frente a frente, para que cada um confesse seus pecados. Na sexta palestra do segundo dia, os presentes são convidados a se sentarem uns diante dos outros, par a par. O ministrador dá 10 minutos para o primeiro parceiro confessar suas dores, frustrações ou pecados. “Deve ficar atento ao material que confessou – neste tempo poderão surgir novas lembranças, ou lágrimas ou gritos. O que ouve a confissão de pecados deve, no final, dizer: “Senhor, meu irmão confessou estas dores e conforme tua Palavra em Tiago 5.16 eu agora oro declarando que uma quantidade de cura do teu Trono atinge as camadas mais profundas da mente do meu irmão, em nome de Jesus. Amém” (p. 99).

Qualquer leitor da Bíblia não ignora que Tiago 5.16 se refere à confissão de pecados mútuos entre as pessoas e não de pecados contra Deus. “Confessai as vossas culpas uns aos outros, e orai uns pelos outros, para que sareis”. Entendemos que isso nada tem de bíblico. Confissão auricular é prática católica romana, melhor realizada porque o confessor faz voto de silêncio, de não revelar algo do que está sendo confessado, mesmo sendo comprometedor. Já não é o caso de quem ouve confissões de pecados do seu irmão aflito e amanhã poderelatá-los a outras pessoas, comprometendo a hora do seu irmão.

Esequias Soares, Pastor da Assembleia de Deus em Jundiaí – Teólogo-apologista


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