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Bento XVI – O Novo Papa

por Pr. João Flávio Martinez - sáb set 01, 12:55 pm

Ratzinger um inquisidor na cadeira pontifícia

Habemus Papa 

Joseph Ratzinger, 78 anos, é o novo Papa da Igreja Católica Apostólica Romana, denominado doravante de Bento XVI, título escolhido por ele mesmo para homenagear seus antecessores. É o tipo “linha dura” da Igreja, ultraconservador da direita dogmática, foi considerado o mentor intelectual de João Paulo II, na verdade foram “colegas intelectuais”, por isso pôde se transformar na mente doutrinária por trás de seu antecessor polonês. Espera-se que ele dê continuidade ao conservadorismo de João Paulo II em matérias de moral e doutrina, mas com uma rigidez muito maior. Daremos aqui um resumo da vida e do novo pontificado de Bento XVI.

A escolha do nome

Parece que a escolha do nome foi devido ao fato de Ratzinger ter nascido no dia 16 de Abril de 1927 – dia de S. Bento. Com certeza, a partir deste acontecido, a região da Baviera na Alemanha não será mais a mesma, sua comunidade agora será marcada pela gestação de um Papa depois de mil anos de espera! Também foi relevante a figura e vida do italiano Giacomo della Chiesa, o último papa a adotar o nome Bento. Entre 1914 e 1922, ele foi Bento XV, que em seu pontificado se dedicou sobretudo a negociar a paz na Primeira Guerra Mundial (empenho que lhe valeu o título de “papa da paz”), reorganizar a administração da Igreja Romana e estimular as missões. O lábaro do novo Papa deve ter o mesmo teor missionário de seu antecessor, onde reconquistar terreno será uma das suas marcas, principalmente no Brasil, onde os protestantes minam a cada dia o poder do catolicismo.

*O primeiro papa a escolher o nome Bento era romano e foi eleito sumo pontífice em 574. Bento 1º virou santo e seu dia é comemorado em 7 de julho.
O papa Bento 14, por sua vez, foi Prospero Lambertini, eleito em 1740.

O envolvimento com o nazismo

Qual foi o abarcamento desse novo Papa com Hitler, será intricado dizer, mas gostando ou não, é fato que Ratzinger lutou pelo regime nazista e em prol do 3º reich.

Apesar de afirmar não ter sido simpatizante do nazismo em sua autobiografia “Marco: Memórias: 1927-1977”, Ratzinger conta que ele e seu irmão Georg foram alistados pela Juventude Hitlerista.

Fundada em 1922 e com sede na Baviera, Estado natal de Ratzinger, a Juventude Hitlerista foi uma organização paramilitar do partido nazista. Ela foi proscrita em 1923, mas recriada em 1926, um ano depois do reconhecimento do Partido Nacional-Socialista.

Membros da Juventude Hitlerista usavam uniformes semelhantes aos do partido nazista. Isso causou polêmica em alguns jornais (principalmente israelense) que investigaram o passado do cardeal.

De liberal a conservador 

Ratzinger inicialmente chamou a atenção como um teólogo liberal, durante sua participação no Concílio Vaticano Segundo (1962-65) do qual participou como um dos peritos. “Ele participou de todo o debate responsável pela modernização da Igreja Católica”. Afirmou dom João Evangelista Kovas, monge do Mosteiro de São Bento.

O Concílio Vaticano 2º é tido como um divisor de águas do catolicismo na sua história recente. Iniciado em 1962 pelo papa João 23, o encontro definiu mudanças visando trazer a igreja para o mundo moderno. Com efeito, a liturgia deixou de ser obrigatoriamente em latim e passou para as línguas nacionais, foi “elevado” o conceito da mulher dentro do casamento e na igreja e os leigos passaram a ter mais participação.

Mas o marxismo e o ateísmo dos protestos estudantis de 1968 na Europa o levaram a adotar posturas mais conservadoras para defender a fé contra um crescente secularismo.

Após períodos como professor de teologia e depois como arcebispo de Munique, Ratzinger foi nomeado para chefiar a Congregação para a Doutrina da Fé (onde exerceu o cargo durante 23 anos, até a morte de João Paulo II), que tomou o lugar da Inquisição, em 1981.

Ele e o papa João Paulo 2o. concordavam que, após um período de experimentações, era importante resgatar a doutrina e a teologia tradicionais.

Como chefe da Congregação, Ratzinger começou voltando suas baterias contra a Teologia da Libertação, muito popular na América Latina. Foi especialmente criticado em 1985 por condenar seu ex-aluno brasileiro Leonardo Boff a um ano de silêncio, devido a escritos tidos como marxistas.


O conservadorismo aplicado

Sob os modos cordatos deste alemão de 78 anos se esconde um intelecto férreo, sempre pronto a dissecar trabalhos teológicos em busca de sua pureza dogmática e a debater acirradamente com dissidentes.

Suas opiniões tradicionalistas encantam outros conservadores, mas horrorizam alguns católicos liberais e membros de outras religiões.

Seu lado combativo ficou claro em 2000, numa polêmica em torno de um documento da Congregação da Doutrina da Fé intitulado Dominus Iesus, que acusava outras religiões cristãs de serem deficientes ou de simplesmente não serem igrejas de verdade.

Líderes anglicanos, luteranos e de outras denominações protestantes, que durante anos mantiveram um diálogo ecumênico com o Vaticano, ficaram chocados. Sua irritação aumentou ainda mais quando Ratzinger qualificou de “absurdos” os protestos dos luteranos.

Ratzinger, tido por seus auxiliares como alguém supremamente autoconfiante, emitiu uma dura crítica do Vaticano à homossexualidade e ao casamento gay em 1986. Na década de 1990, ele exerceu pressão sobre teólogos, especialmente asiáticos, que viam as religiões não-cristãs como parte dos planos de Deus para a humanidade.

Em um documento de 2004, atacou rispidamente o “feminismo radical”, por ser uma ideologia que, segundo ele, prejudica a família e ignora as diferenças naturais entre homens e mulheres.

Por isso críticos do ex-cardeal o acusam de ter impedido discussões internas em questões como celibato clerical, controle da natalidade, sexualidade e papel das mulheres na Igreja.

O centro da polêmica

Com esta postura rígida era de se esperar uma reação nada amistosa da ala liberal da Igreja. Mal começou seu pontificado o novo papa já desperta polêmica por seu perfil conservador. Pesquisa feita por uma emissora de TV brasileira apontou que 70% dos entrevistados (católicos) não estavam satisfeitos com a eleição de Ratzinger. Teólogos do mundo inteiro expressaram sua decepção, pois esperavam um papa mais liberal e flexível nas questões dogmáticas e de moral e costumes. “Em parte estou decepcionado, deveria ter sido de um país católico da América Latina, eu pensava que do México ou da Argentina”, disse Juan Méndez, 90. “eu preferia um papa latino, porque na Alemanha há muito racismo”, disse Filomena Gonzalez, 34

Na Argentina, Ruben Dri, filósofo, teólogo e professor da Universidade de Buenos Aires, considerou que a eleição de Ratzinger vai provocar uma crise na América Latina.

“Amplos setores da Igreja, em nível dos sacerdotes, estavam esperando outra coisa, pelo menos um determinado espaço de abertura”, disse ele à Reuters.
Dri acrescentou que os fiéis continuarão abandonando a Igreja Católica na América Latina por sua falta de abertura, como ocorreu nas últimas décadas com o crescimento das igrejas evangélicas e suas seitas.

“É evidente que (a eleição) é o trunfo de uma direita completamente dogmática, capitalista. Ratzinger expressa diretamente a inquisição, a censura.”

Aqui no Brasil recebeu críticas do frei Leonardo Boff e até do carismático “Padre Zezinho” por algumas declarações feitas sobre a música Rock, “Nas mais diversas igrejas onde é permitido, tem aparecido artistas jovens dizendo de maneira jovem, para jovens que gostam dessa cultura, coisas muito profundas. Merecem nosso respeito. Se você não ouviu, não julge.”, alfinetou Zezinho.

A fama

O alemão se comunica em dez idiomas [mas fala fluentemente alemão, inglês e italiano] e recebeu sete doutorados honorários. É considerado um excelente teólogo além de pianista, e tem preferência por obras de Beethoven.
Mas o cardeal alemão começou a ganhar atenção mesmo ao chegar a Roma, em 1962, como teólogo conselheiro do cardeal Joseph Frings [de Colônia, Alemanha] no Segundo Concílio do Vaticano.

Aos 35 anos se converte em uma espécie de “estrela” da teologia. Mas foi em 1968 que Ratzinger ganhou destaque, quando travou uma luta ferrenha contra o marxismo e o ateísmo, que cresciam entre os jovens.

Pouco antes, em 1966, conseguiu uma cadeira em teologia dogmática na universidade de Tübingen, onde sua indicação foi fortemente apoiada e defendida pelo teólogo suíço Hans Küng [que questiona a autoridade papal]. Ratzinger continuava convicto sobre sua visão tradicionalista apesar da atmosfera liberal de Tübingen, no Estado de Baden-Württemberg, e da tendência marxista do movimento estudantil nos anos 60.

Três anos mais tarde, ele retornou para a Baviera e foi para a Universidade de Regensburg, onde foi professor de teologia dogmática e de história do dogma, além de vice-presidente e reitor da universidade. Posteriormente transformou-se em conselheiro teológico dos bispos alemães.

Cinco anos depois, em março de 1977, Paulo 6º elegeu Ratzinger arcebispo de Munique e Freising e, em maio, foi consagrado o primeiro padre diocesano a conquistar o Ministério Pastoral da Grande Diocese da Baviera.

O papa Paulo 6º também nomeou Ratzinger cardeal no consistório [assembléia de cardeais presidida pelo sumo pontífice], em 27 de junho de 1977. Depois disso, ele e se tornou bispo de Velletri-Segni e Ostia –que tradicionalmente é a “ante-sala” para o trono do papado.

Em 25 de novembro de 1981, o papa João Paulo 2º nomeou Ratzinger encarregado da Congregação para a Doutrina da Fé, anteriormente conhecida como Tribunal da Santa Inquisição, que foi renomeado em 1908 pelo papa Pio 10º. Ele também presidiu as comissões bíblica e pontifícia internacional teológica.

Sua vida

O cardeal nasceu em um Sábado de Aleluia em Marktl am Inn, na Baviera, em 16 de Abril de 1927, e foi batizado no mesmo dia. Filho de um policial e uma dona de casa, Ratzinger morou em diversas cidades devido às intermináveis transferências de local de trabalho impostas a seu pai.

Em dezembro de 1932, devido às críticas abertas do pai de Ratzinger contra os nazistas, sua família foi obrigada a se mudar para Auschau am Inn, nos alpes da Baviera.

Cinco anos mais tarde, com a aposentadoria de seu pai, a família de Ratzinger se mudou para Hufschlag, nos arredores da cidade de Traunstein (Baviera), onde Ratzinger passou a maior parte de sua adolescência.

Ratzinger começou a estudar latim e grego ainda no ginásio. Em 1939, aos 12 anos, dá o primeiro passo para sua carreira eclesiástica e entra para o pequeno seminário de Traunstein.

Quatro anos mais tarde Ratzinger e seus colegas de seminário foram convocados para o Flak [corporação antiaérea], responsável pela proteção de uma fábrica da BMW em Munique, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Ainda assim, continua freqüentando as aulas no Maximilians-Gymnasium (Munique) três vezes por semana.

Em setembro de 1944, quando atingiu a idade militar, Ratzinger foi liberado da Flak e voltou para casa. Em novembro do mesmo ano, Ratzinger se alistou no treinamento básico da infantaria alemã, mas por motivos de doença [não-divulgados] foi dispensado da maioria das obrigações militares severas.

Na primavera de 1945 [final de abril], com a aproximação das forças aliadas, Ratzinger desertou do Exército e se dirigiu para sua casa em Traunstein. Quando os americanos finalmente chegaram a seu vilarejo, eles resolveram estabelecer um quartel-general na casa de Ratzinger –que foi identificado como um soldado alemão e preso num campo para prisioneiros de guerra.

Em junho do mesmo ano foi libertado e voltou mais uma vez para sua casa em Traunstein, seguido por seu irmão Georg, em julho. Em novembro, finalmente, Ratzinger e seu irmão retornaram ao seminário.

Em 1947, Ratzinger entrou no Herzogliches Georgianum, um instituto teológico associado à Universidade de Munique. Paralelamente, estudou filosofia e teologia na universidade de Munique e na Escola Superior de Freising.

No dia 29 de junho de 1951, Ratzinger e seu irmão foram ordenados padres pelo cardeal Faulhaber de Munique na Catedral de Freising, durante a festa de São Pedro e São Paulo.

Uma eleição predestinada

Sem dúvida Ratzinger deve sua eleição à João Paulo II, que mudou as diretrizes para a eleição de seu sucessor, alterando a Constituição Apostólica idealizando facilitar o processo do novo legatário, favorecendo a um Papa conservador. Entre essas mudanças, a mais significativa diz respeito à participação do Papa na escolha de seu sucessor. O artigo 79 da Constituição Apostólica reza – “Confirmando as prescrições de meus predecessores, eu da mesma forma proíbo qualquer um, mesmo se for cardeal, durante a vida do Papa e sem consultá-lo, de fazer planos para a eleição do seu sucessor, ou prometer votos ou tomar decisões a esse respeito em encontros privados”. O trecho “sem consultá-lo (ao Papa)” faz diferença na medida em que abre caminho para que os cardeais façam planos em torno do próximo líder católico, desde que com o aval do Papa, ou seja, a eleição de Bento XVI não passou de um jogo de cartas marcadas!


Conclusão

Na verdade Ratzinger pode surpreender a muitos com uma mudança brusca de diretrizes em vários setores da igreja. Mas por enquanto uma das dificuldades do novo papa será a de conquistar a simpatia do povo como fez João Paulo II.

Se ele seguir sua linha conservadora talvez haverá um racha dentro da igreja católica em breve, principalmente nas alas carismáticas e mais liberais na América.

Fora isso terá que ter jogo de cintura ao lidar com assuntos cada vez mais complexos como por exemplo, as questões de ciência tais como células tronco, clonagem, aborto. Também o diálogo inter religioso deverá fazer parte da agenda dele. Se ele vai ser bom ou ruim, conservador ou mais flexível só o tempo dirá. É esperar para ver!

Bibliografia

Barsa;

Jornal Folha de São Paulo, edição de 2 de Abril/05.

Folha ONLINE 19/04/05 ( várias matérias)
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Cada autor é responsável pelo conteúdo do artigo.

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