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Bibliologia: A doutrina das Escrituras

por Artigo compilado - seg set 07, 4:04 am

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Por milênios Deus se revelou ao homem através de suas obras, isto é, a Criação (Rm. 1.20; SI. 19.1-9). Porém, segundo o seu propósito, chegou o tempo em que Ele desejava alcançar o homem com uma revelação maior, o que o fez de forma dupla: a) através da Bíblia – a Palavra Escrita, e b) através de Jesus Cristo – a Palavra Viva (Jo. 1.1). Esta dupla revelação é muito especial e tornou-se necessária devido à queda do homem.

Segundo Angus-Green[1] “as Sagradas Escrituras constituem o livro mais notável jamais visto no mundo. São de alta antiguidade. Contém o registro de acontecimentos do mais profundo interesse. A história da sua influência é a história da civilização. Os melhores homens e os maiores sábios têm testemunhado de seu poder como instrumento de iluminação e santidade, e, visto que foram preparadas por homens que ‘falaram iluminados da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo’ a fim de revelar o ‘único Deus verdadeiro e Jesus Cristo a quem Ele enviou’, elas possuem por isso os mais fortes direitos à nossa consideração atenciosa e reverente”.

Desse modo, o estudo das Escrituras se impõe como o principal meio do homem natural vir a conhecer a Deus e a sua vontade para com a sua vida, e do crente conhecer o propósito santificador de Deus para si e para todos os salvos. A necessidade de estudo das Escrituras está implícita em Sl. 119.130, Is. 34.16, 2Tm. 2.15 e 1Pe. 3.15. Esses versículos nos conduzem a dois pontos de suma importância:

  1. Por que devemos estudar a Bíblia?
  2. a) Ela é o manual do crente na vida cristã e no trabalho do Senhor. Sendo a Bíblia o livro-texto do cristão, é imperioso que este saiba manejá-la bem para o eficiente desempenho de sua missão (2Tm. 2.15).
  3. b) Ela alimenta nossas almas (Jr. 15.16; Mt. 4.4; 1Pe. 2.2). Não há dúvida que o estudo da Bíblia Sagrada nutre e dá crescimento espiritual ao crente. Ela é tão indispensável à alma, como o pão é ao corpo. Nas passagens citadas, ela é comparada ao alimento diário, porém este só nutre o corpo quando é absorvido pelo organismo. O texto de 1Pedro 2.2 fala do intenso apetite do recém-nascido, e assim deve ser o nosso apetite pela Palavra de Deus. Bom apetite pela Bíblia é sinal de saúde espiritual.
  4. c) Ela é o instrumento que o Espírito Santo usa (Ef. 6.17). Se em nós houver abundância da Palavra de Deus, o Espírito Santo terá um instrumento com o qual pode operar. É preciso pois meditar nela (Js. 1.8, Sl. 1.2). É preciso deixar que a Palavra domine todas as esferas da nossa vida, nossos pensamentos e nosso coração, moldando todo o nosso viver diário. Em suma: mister se faz ficarmos literalmente saturados da Palavra de Deus.

Na vida cristã diária, e no trabalho do Senhor em geral, o Espírito Santo só nos lembrará o texto bíblico preciso se o conhecermos (Jo. 14.26). Ninguém terá possibilidade de lembrar algo que não sabe, portanto o Espírito Santo quer não somente encher o crente, mas também encontrar nele um instrumento com que operar a Palavra de Deus.

  1. d) Ela enriquece espiritualmente a vida do salvo (Sl. 119.72). Essas riquezas vêm primeiramente pela revelação do Espírito Santo (Ef. 1.17). A pessoa que procurar entender a Bíblia somente através da percepção intelectual, muito cedo desistirá disso. Só o Espírito de Deus conhece as coisas de Deus (1Co. 2.10)
  2. Como devemos estudar a Bíblia?

De acordo com Bancroft, na sua “Teologia Elementar”, nossa atitude para com as Escrituras em si é que determina, em grande parte, os conceitos e as conclusões que tiramos de seus ensinamentos. Se as temos na conta de autoridade plena, nos assuntos de que tratam, então suas afirmações positivas constituem para nós a única base da doutrina cristã.

Se você deseja evidenciar maior conhecimento da vontade de Deus para com sua vida, para com a Igreja e para o mundo em geral, observe os métodos abaixo:

  1. a) Leia a Bíblia conhecendo seu Autor. Isto é de suprema im­portância. É a melhor maneira de estudar a Bíblia. Ela é o único livro cujo Autor está presente quando se o lê. O autor de um li­vro pode explicá-lo melhor que qualquer outra pessoa. Para com­preender este livro singular não basta lê-lo apenas, necessário se faz analizar detidamente as suas declarações. Façamos comoMa-ria, que aprendia aos pés do Mestre (Lc 10.39). Aos pés do Mestre .ainda é o melhor lugar para se aprender.
  2. b) Leia a Bíblia diariamente (Dt. 17.19). Esta regra é excelente. Não basta assistir aos cultos, ouvir sermões e testemunhos, assistir estudos bíblicos, e ler boas obras de literatura cristã. É preciso a leitura bíblica individual, pessoal e diariamente .
  3. c) Leia a Bíblia com a melhor atitude mental e espiritual.Isto é de capital importância para o êxito no estudo bíblico. Adote duas posturas fundamentais:
    • Estude a Bíblia como a Palavra de Deus, e não como uma obra literária qualquer;
    • Estude a Bíblia com o coração, em atitude de reverente devoção, e não apenas com o intelecto. As riquezas da Bíblia são para os humildes que temem ao Senhor (Sl. 25.14; Tg. 1.21).

Quanto maior for a nossa comunhão com Deus, mais humildes seremos. Os galhos mais carregados de frutos são os que mais se abaixam.

  1. d) Leia a Bíblia com oração, devagar, meditando. Assim têm feito os servos de Deus no passado, a exemplo de Davi (Sl. 12-19), Daniel (Dn. 9.21-23). O caminho a trilhar ainda é o mesmo. Na presença do Senhor em oração, as coisas incompreensíveis são esclarecidas (SI. 73.16-17). A meditação aprofunda os sentidos.
  2. e) Leia a Bíblia toda. Há uma riqueza insondável nisso. É a única maneira de conhecermos a verdade completa dos assuntos tratados na Bíblia, visto que a revelação de Deus mediante ela é progressiva.

 

I – TERMINOLOGIA

  1. Bíblia. Palavra derivada de biblion, “rolo” ou “livro” (Lc. 4.17), significa “livros”.
  2. Escritura(s). Termo usado no N.T. para os livros sagrados do A.T., que eram considerados inspirados por Deus (2Tm. 3.16; 2Pe. 1.20-21). Também é usado no N.T. com referência a outras porções do N.T. (2Pe. 3.16).
  3. Palavra de Deus. Usada em relação a ambos os testamentos em sua forma escrita (Mt. 15.6; Jo. 10.35; Hb. 4.12).

 

II – ATITUDES EM RELAÇÃO À BÍBLIA

  1. Racionalismo. Nega a possibilidade de qualquer revelação sobrenatural.
  2. 2. A Bíblia é um produto da igreja; por isso a Bíblia não é a autoridade única ou final.
  3. Misticismo. A experiência pessoal tem a mesma autoridade da Bíblia.
  4. Neo-ortodoxia. A Bíblia é uma testemunha falível da revelação de Deus na Palavra, Cristo. 5. Seitas. A Bíblia e os escritos do líder ou fundador de cada seita possuem igual autoridade. 6. Ortodoxia. A Bíblia é a nossa única base de autoridade.

 

III – CANONICIDADE

O que é o Cânon da Bíblia?

  1. A palavra “cânon” significa régua, e em relação à Bíblia, significa a regra usada para determinar se certo livro podia ser medido satisfatoriamente de acordo com um padrão.
  2. É simplesmente a coleção de livros, que sob a direção de Deus, foi reunida como regra de fé para o povo de Deus.

 

Os Princípios da Canonicidade dos Livros do N.T.

  1. Apostolicidade. O livro foi escrito ou influenciado por algum apóstolo?
  2. Conteúdo. O seu caráter espiritual é suficiente?
  3. Universalidade. Foi amplamente aceito pela Igreja?
  4. Inspiração. O livro oferecia prova interna de inspiração?

 

Considerações Fundamentais

  1. A Bíblia é auto-autenticável e os concílios eclesiásticos só reconheceram (não atribuíram) a autoridade inerente nos próprios livros.
  2. Deus guiou os concílios de modo que o cânon fosse reconhecido.

 

O Cânon do Antigo Testamento

  1. Alguns afirmam que todos os livros do cânon do A.T. foram reunidos e reconhecidos sob a liderança de Esdras (quinto século a.C).
  2. O N.T. se refere ao A.T. como Escritura. Em Mt. 23.35, a expressão de Jesus equivaleria a dizer hoje “de Gênesis a Malaquias” (cf. Mt. 21.42; 22.29).
  3. O Sínodo de Jamnia (90 A.D.) foi uma reunião de rabinos judeus que reconheceu os livros do A.T., embora houvesse alguns que questionassem Ester, Eclesiastes e Cantares de Salomão.

 

A Formação do Cânon do Novo Testamento

  1. O período dos apóstolos. Eles reivindicaram autoridade para seus escritos (1Ts. 5.27; Cl. 4.16).
  2. O período pós-apostólico. Todos os livros foram reconhecidos exceto Hebreus, 2Pedro, 2 e 3 João.
  3. O Concilio de Cartago, no ano 397, reconheceu como canônicos os 27 livros do N.T.

 

IV – DIVISÕES GERAIS DA BÍBLIA

  1. Antigo Testamento
  2. a) Livros históricos – de Gênesis a Ester;
  3. b) Livros poéticos – de Jó a Cantares de Salomão;
  4. c) Livros proféticos – de Isaías a Malaquias.
  5. Novo Testamento
  6. a) Evangelhos – de Mateus a João.
  7. b) História da Igreja – Atos.
  8. c) Epístolas – de Romanos a Judas.
  9. d) Profecia – Apocalipse.

 

V – O TEMA CENTRAL DAS ESCRITURAS

Jesus é o tema central das Escrituras Sagradas. Ele mesmo assim declarou:

“A seguir Jesus lhes disse: São estas as palavras que eu vos falei, estando ainda convosco, que importava que se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos” (Lucas 24.44).

“Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas que testificam de mim” (João 5.39).

Se olharmos com cuidado, veremos que em tipos, figuras, símbolos e profecias, Jesus ocupa o lugar central das Escrituras, isto além da sua manifestação, como está registrado em todo o Novo Testamento.

Cristo, de Gênesis a Apocalipse

Em Gênesis, Ele é o descendente da mulher.

Em Êxodo, Ele é o nosso Cordeiro Pascal.

Em Levítico, é o nosso Sacrifício pelo pecado.

Em Números, é aquele que foi levantado para a nossa cura e redenção.

Em Deuteronômio, é o Verdadeiro Profeta.

Em Josué, é o Capitão da nossa salvação.

Em Juízes, é nosso Juiz e Libertador.

Em Rute, é o nosso Parente Resgatador.

Em Samuel, Reis e Crônicas, é o nosso Rei.

Em Esdras e Neemias, é o nosso Restaurador.

Em Ester, é o nosso Advogado.

Em Jó, é o nosso Redentor que vive.

Em Salmos, é o nosso Socorro e Alegria.

Em Provérbios, é a Sabedoria de Deus.

Em Eclesiastes, é o Alvo Verdadeiro.

Em Cantares de Salomão, é o Amado da nossa alma.

Em Isaías, é o Messias que há de vir.

Em Jeremias e Lamentações, é o Renovo da Justiça.

Em Ezequiel, é o Filho do homem.

Em Daniel, é a Pedra que esmiuça.

Em Oséias, é Aquele que orienta o desviado.

Em Joel, é o Restaurador.

Em Amós, é o Divino Lavrador.

Em Obadias,’é o nosso Salvador.

Em Jonas, é a nossa Ressurreição e Vida.

Em Miqueias, é a Testemunha contra as nações rebeldes.

Em Naum, é a Fortaleza no dia da angústia.

Em Habacuque, é o Deus da nossa salvação.

Em Sofonias,é o Senhor Zeloso.

Em Ageu, é o Desejado de todas as nações.

Em Zacarias, é o Renovo da Justiça.

Em Malaquias, é o Sol da Justiça.

Em Mateus, é o Messias Prometido.

Em Marcos, é o Servo de Deus.

Em Lucas, é o Filho do Homem.

Em João, é o Filho de Deus.

Em Atos, é o Senhor Redivivo.

Em Romanos, é a Nossa Justiça.

Em 1Coríntios, é o Senhor Nosso.

Em 2Coríntios, é a nossa Suficiência.

Em Gálatas, é o nosso Libertador do jugo da Lei.

Em Efésios, é o nosso Tudo em todos.

Em Filipenses, é a nossa Alegria.

Em Colossenses, é a nossa Vida.

Em 1Tessalonicenses, é Aquele que há de vir.

Em 2Tessalonicenses, é o Senhor que vai voltar.

Em 1Timóteo, é o nosso Mestre.

Em 2Timóteo, é o nosso Exemplo.

Em Tito, é o nosso Modelo.

Em Filemom, é o nosso Senhor e Mestre.

Em Hebreus, é o nosso Intercessor junto ao trono de Deus.

Em Tiago, é o nosso Modelo singular-

Em 1Pedro, é a Preciosa Pedra Angular da nossa fé.

Em 2Pedro, é a nossa Força.

Em 1João, é a nossa Vida.

Em 2João, é a nossa Verdade.

Em 3João é o nosso Caminho .

Em Judas, é o nosso Protetor.

Em Apocalipse, é o nosso Rei Triunfante.

 

VI – A INSPIRAÇÃO DIVINA DAS ESCRITURAS

O que diferencia a Bíblia de todos os demais livros do mundo é a sua inspiração divina.

“Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça” (2Tm. 3.16).

“…porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana, entretanto homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espirito Santo” (2Pe 1.21).

“Na verdade, há um espírito no homem, e o sopro do Todo-poderoso o faz entendido” (Jó 32.8).

 

O Que é Inspiração Divina?

Inspiração divina é a influência sobrenatural do Espírito Santo como um sopro, sobre os escritores da Bíblia, capacitando-os a receber e transmitir a mensagem divina sem mistura de erro.

A própria Bíblia reivindica para si a inspiração de Deus, pois a expressão “Assim diz o Senhor”, – carimbo de autenticidade divina – ocorre mais de 2.600 vezes nos seus 66 livros, além de outras expressões equivalentes. Foi o Espírito de Deus quem falou através dos escritores da Bíblia (Ez. 11.5; 2Cr. 20.15, 24.20).

Falsas Teorias Quanto à Inspiração das Escrituras

Quanto à inspiração da Bíblia há várias teorias falsas, que o aluno não deve ignorar, dentre as quais se destacam as seguintes:

  1. A teoria da inspiração natural humana. Essa teoria ensina que a Bíblia foi escrita por homens dotados de inteligência e força intelectual especiais, como Luís de Camões, Rui Barbosa, e inúmeros outros. Esta é a forma que encontraram para negar o sobrenatural do texto sagrado.
  2. A teoria da inspiração divina comum. Essa teoria ensina que a inspiração dos escritores da Bíblia é a mesma que hoje nos vem quando oramos, pregamos, cantamos, ensinamos, andamos em comunhão com Deus etc. Isto é errado, porque a inspiração comum que o Espírito Santo hoje nos concede, admite gradação, isto é, pode se manifestar em maior ou menor intensidade, ao passo que a inspiração dos escritores da Bíblia não admite graus. O escritor era ou não inspirado. E mais, a inspiração comum pode ser permanente, ao passo que a dos escritores da Bíblia era temporária.
  3. A teoria da inspiração parcial. Ensina que partes da Bíblia são inspiradas, outras não. Ensina que a Bíblia não é a Palavra de Deus, mas que ela apenas contém a Palavra de Deus. Evidentemente essa teoria não vem de encontro com a declaração de Paulo, segundo a qual “toda Escritura é inspirada por Deus…”
  4. A teoria do ditado verbal. Ensina que a inspiração da Bíblia é só quanto às palavras, não deixando lugar para a atividade e estilo do escritor, que é patente em cada livro. Lucas, por exemplo, fez cuidadosa investigação de fatos conhecidos (Lc 1.4).
  5. A teoria da inspiração das ideias. Essa teoria ensina que Deus inspirou as ideias da Bíblia, mas não as suas palavras; estas ficaram a cargo dos escritores.

A Teoria Correta Quanto à Inspiração das Escrituras

A teoria correta da inspiração da Bíblia é chamada Teoria da Inspiração Plenária ou Verbal. Ela ensina que todas as partes da Bíblia são igualmente inspiradas; que os escritores não funcionaram como máquinas inconscientes; que houve cooperação vital e contínua entre eles e o Espírito de Deus que os capacitava. Afirma que homens santos de Deus escreveram a Bíblia com palavras de seu vocabulário, porém, sob a influência poderosa do Espírito Santo, de sorte que o que eles escreveram foi a Palavra de Deus. Ensina que a inspiração plenária cessou ao ser escrito o último livro do Novo Testamento, e que depois disso, nem os mesmos escritores bíblicos, nem qualquer outro servo de Deus, pode ser chamado inspirado no mesmo sentido.

Inspiração e Mentira

Alguém pode objetar, dizendo: Se a Bíblia foi inspirada por Deus, por que tem ela mentira em suas páginas? A possíveis perguntas dessa natureza, respondemos o seguinte: a Bíblia não mente, ela simplesmente registra mentiras que outros proferiram. Nesses casos, não é a mentira do registro bíblico que foi inspirada, e sim o registro da mentira. Ela registra que o insensato diz no seu coração “Não há Deus” (SI. 14.1). Esta declaração “Não há Deus” não foi inspirada, mas sim o seu registro pelo escritor sacro.

Outro exemplo marcante é o caso da morte do rei Saul, que morreu lançando-se sobre sua própria espada (1Sm. 31.4). No entanto, o amalequita que trouxe a Davi a notícia da morte do rei, mentiu, dizendo que fora ele quem matou Saul (2Sm. 1.6-10). Ora, o que se deu aí foi apenas o registro da declaração do amalequita, mas não significa que a Bíblia minta. Há muitos desses casos que os inimigos da Bíblia aproveitam para desfazer dos santos escritos. A Bíblia registra inclusive declarações de Satanás; mas suas declarações não foram inspiradas por Deus, e sim o registro delas. Sansão mentiu mais de uma vez a Dalila; a Bíblia não é mentirosa por isso, ela apenas registra o fato (Jz. 16).

 

VII – HARMONIA E UNIDADE DAS ESCRITURAS

A existência da Biblia até aos nossos dias só pode ser explicada como um milagre singular. Ha nela 66 livros, escritos por cerca de 40 escritores, cobrindo um período de 16 séculos. Esses homens, na maior parte dos casos não se conheceram. Viveram em lugares distantes de três continentes, escrevendo em duas línguas principais. Devido a estas distâncias, em muitos casos, os autores nada sabiam sobre o que já havia sido escrito. Muitas vezes um escritor iniciava um assunto, e séculos depois um outro completava-o com tanta riqueza de detalhes, que somente um livro vindo de Deus podia ser assim. Uma obra humana em tais circunstâncias seria uma babel indecifrável!

Se a Bíblia fosse um livro puramente humano, sua composição seria inexplicável. Suponhamos que 40 dos melhores escritores atuais do Brasil, providos de todos os meios necessários, fossem isolados uns dos outros, em situações diferentes, cada um com a missão de escrever uma obra sua. Se no final reuníssemos todas as obras, jamais teríamos um conjunto uniforme. Seria a pior miscelânia. Pois bem, imagine isto acontecendo nos antigos tempos em que a velha Bíblia foi escrita! A confusão seria muito maior! Não havia meios de comunicação, meios materiais, enfim, havia dificuldades de toda sorte. Imagine-se o que seria a Bíblia se não fosse a mão de Deus!

Se alguma falha for encontrada na Bíblia, será sempre humana, como tradução mal feita, grafia inexata, interpretação forçada, má compreensão de quem a estuda, falsa aplicação dos sentidos do texto, etc. Portanto, quando encontrarmos na Bíblia um trecho discrepante, não pensemos logo que é erro. Saibamos refletir como Agostinho, que disse: “Num caso desse, deve haver erro do copista, tradução mal feita do original, ou então, sou eu mesmo que não consigo entender…”

A perfeita harmonia da Bíblia é, para a mente humilde e-sincera, uma prova incontestável da origem divina da mesma. É uma prova que uma única Mente via tudo e guiava seus escritores.

Suponhamos que na cidade onde moramos, um edifício fosse construído com pedras a serem preparadas em várias partes do Brasil. Chegadas as pedras, ao serem colocadas, encaixavam-se perfeitamente na construção, satisfazendo todos os detalhes e requisitos da planta. Que diria o aluno se tal fato acontecesse? Que apenas um arquiteto dirigira os operários nas diversas pedreiras, dando minuciosas instruções a cada um. É o caso da Bíblia – O Templo da Verdade de Deus. As “pedras” foram preparadas em tempos e lugares os mais remotos, mas ao serem postas juntas, combinaram-se perfeitamente, porque atrás de cada elemento humano estava em operação a Mente infinita de Deus.

Alguns Pormenores Dessa Harmonia

  1. OS ESCRITORES. Foram homens de todas as atividades da vida humana, daí a diversidade de estilos encontrados na Bíblia. Exemplos: Moisés foi príncipe e legislador; Josué foi um grande comandante; Davi e Salomão, reis e poetas; Isaías, estadista e profeta; Daniel, ministro de estado; Zacarias e Jeremias, sacerdotes e profetas; Amós era um homem do campo e vaqueiro. Pedro, Tiago e João, pescadores; Mateus, funcionário público; Paulo, teólogo e erudito, e assim por diante. Apesar de toda essa diversidade, quando examinamos os escritos desses homens, sob tantos estilos diferentes, verificamos que os mesmos completam-se, tratando de um só assunto! O produto de suas penas não são muitos livros, mas UM só livro, poderoso e coerente.
  2. AS CONDIÇÕES. Também não houve uniformidade de condições na composição dos livros da Bíblia. Moisés escreveu o Pentateuco nas solitárias paragens do deserto. Jeremias, nas trevas e sujidade duma masmorra. Davi, nas verdes colinas dos campos. Paulo escreveu muitas das suas epístolas nas prisões. João, no exílio, na ilha de Patmos. Apesar de tantas e diferentes condições, a mensagem da Bíblia é sempre uniforme. O pensamento de Deus corre uniforme e progressivo através dela, como um rio, que brotando de sua nascente, vai avolumando suas águas até tornar-se caudaloso. A mensagem da Bíblia tem essa continuidade maravilhosa!
  3. AS CIRCUNSTÂNCIAS. As circunstâncias em que os 66 livros da Bíblia foram escritos também foram as mais diversas. Davi, por exemplo, escreveu partes de seu trabalho no calor das batalhas; Salomão, na calma e na paz de um palácio. Há profetas que escreveram em meio a profunda tristeza, ao passo que Josué escreveu durante a alegria da vitória. Apesar dessa pluralidade de condições, a Bíblia apresenta um só sistema de doutrinas, uma só mensagem de amor, um só meio de salvação. De Gênesis a Apocalipse há uma só revelação, um só pensamento, um só propósito.

 

VIII – PROVAS DA INSPIRAÇÃO DIVINA DAS ESCRITURAS

Ainda que aceitemos a harmonia e unidade da Bíblia como uma das mais contundentes provas de que a Bíblia é divinamente inspirada, achamos necessário darmos outras provas dessa natureza.

Jesus Aprovou a Bíblia

Inúmeras pessoas sabem quem é Jesus; creem que Ele fez milagres; creem em Sua ressurreição e ascensão, mas não creem na Bíblia! Tais pessoas precisam saber a posição de Jesus quanto à Bíblia. Devem saber que Ele a leu (Lc. 4.16-20); ensinou (Lc. 24.27); chamou-a “a Palavra de Deus” (Mc 7.13), e a cumpriu (Lc. 24.44).

A última referência (Lc. 24.44) é muito maravilhosa, porque aí Jesus põe sua aprovação em todas as Escrituras do Antigo Testamento, pois “Lei, Salmos e Profetas” eram as três divisões da Bíblia nos dias em que o Novo Testamento ainda estava sendo formado.

Jesus também afirmou que as Escrituras são a verdade (Jo. 17.17). Ele viveu e procedeu de acordo com elas (Lc. 18.31). Declarou que o escritor Davi falou pelo Espírito Santo (Mc. 12.35-36). No deserto, ao derrotar o inimigo, fê-lo com a Palavra de Deus (Mt. 4.4-10).

O Testemunho do Espírito Santo no Interior do Crente

Em cada pessoa que aceita a Jesus como Salvador, o Espírito Santo põe na alma a certeza quanto à autoria da Bíblia. Em João 7.17, o Senhor Jesus mostra como podemos ter dentro de nós o testemunho do Espírito Santo quanto à autoria divina da Bíblia: “Se alguém quiser fazer a vontade de Deus…” Assim como o Espírito Santo testifica no crente que este é filho de Deus (Rm. 8.16), testifica também que a Bíblia é a mensagem de Deus para este mesmo filho.

O Cumprimento Fiel da Bíblia-

O Antigo Testamento é um livro de profecias (Mt. 11.13). O Novo Testamento em grande parte também o é. Referimo-nos aqui, evidentemente, às profecias no sentido preditivo, divididas em duas classes, conforme se acha no Antigo Testamento: as literais e as expressas por tipos e símbolos, como há inúmeras no Tabernáculo (Hb. 10.1).

Inúmeras profecias da Biblia se cumpriram no passado, em sentido parcial ou total. Inúmeras outras cumprem-se em nossos dias, e muitas outras cumprir-se-ão daqui para a frente. As profecias sobre o Messias, por exemplo, proferidas séculos antes de seu nascimento, cumpriram-se literalmente com toda precisão quanto ao tempo, local e outros detalhes (Gn. 49.10; SI. 22; Is. 7.14; Is. 53; Dn. 9.24-26; Mq. 5.2; Zc. 9.9 etc.).

Outro ponto saliente nas profecias é o caso da nação israelita. A Biblia prediz sua dispersão, retorno, restauração e progresso material e espiritual. Exemplos: Lv. 26.14,32,33; Dt. 4.25-27; 28.15,64; Is. 60.9; 61.6, 66.8; Jr. 23.3; 30.3; Ez. 11.17; Ez. 37.

O cumprimento contínuo das profecias da Bíblia é uma prova de sua origem divina. O que Deus disse, sucederá (Jr. 1.12).

A Influência da Bíblia nas Pessoas e Nações

O mundo hoje é melhor devido à influência da Bíblia. Mesmo os próprios inimigos da Bíblia admitem que nenhum outro livro, em toda a história da humanidade, teve influência tão benéfica quanto o Livro Santo. Eles reconhecem o seu efeito sadio na civilização. Nenhum outro livro tem poder de influenciar e transformar beneficamente não só os indivíduos, mas nações inteiras, conduzindo-os a Deus.

Disse o Dr. F.B.Meyer, famoso comentador devocional da Bíblia: “O melhor argumento em favor da Bíblia, é o caráter que ela forma”.

A Bíblia é Sempre Nova e Inesgotável

O tempo não afeta a Bíblia. Ela é o livro mais antigo do mundo, e ao mesmo tempo o mais moderno. Em mais de 20 séculos (a época depois de Cristo), o homem não tem conseguido melhorá-lo. Se a Bíblia fosse de origem humana, é claro que em 20 séculos ela já estaria desatualizada. Uma vez que o homem moderno se gaba de tanto saber, era de se esperar-que já tivesse produzido um livro melhor. Para o salvo, isto é uma evidência da Bíblia como a Palavra imutável-de Deus!

A Bíblia é Familiar a Cada Povo ou Indivíduo em Qualquer Lugar

No mundo inteiro qualquer crente ao ler a Bíblia recebe sua mensagem como se fosse escrita diretamente para si. Nenhum crente tem a Bíblia como um livro alheio, estrangeiro, como acontece com os demais livros traduzidos. Todas as raças consideram a Bíblia como possessão sua. Nós a recebemos como ‘nossa’. Isso acontece em qualquer país onde ela chegar. Isto prova que ela procede de Deus – o Pai de todos!

A Bíblia é Superior a Todos os Livros

É muito interessante comparar, em alguns pontos, os ensinos da Bíblia com os de Zoroastro, Buda, Confúcio Sócrates, Sólon, Marco Aurélio e outros autores pagãos. Os ensinos da Bíblia superam os desses homens em todos os pontos imagináveis. Só três pontos vamos destacar em toda essa superioridade:

  1. A Bíblia contém mais verdade que todos os demais livros juntos.
  2. A Bíblia só contém verdade. Se há mentiras na Bíblia, não são dela, apenas foram registradas.
  3. A Bíblia é um livro imparcial, isto é, a Bíblia não oculta as fraquezas e pecados dos que protagonizaram a história que ela registra.

 

CONCLUSÃO[2]

  1. A Bíblia é o único livro no mundo que oferece provas objetivas de ser a Palavra de Deus. Somente a Bíblia fornece provas reais de ser divinamente inspirada.
  2. A Bíblia é a única Escritura sagrada que oferece salvação eterna como um Dom totalmente gratuito da graça e da misericórdia de Deus.
  3. Somente a Bíblia apresenta o mais realístico ponto de vista sobre a natureza humana, tem o poder de convencer as pessoas de seus pecados e a habilidade de transformar a natureza humana.
  4. Somente a Bíblia oferece uma solução realística e permanente para o problema do mal e do pecado humano.
  5. A Bíblia é o livro mais traduzido, mais comprado, mais memorizado e o mais perseguido em toda a história.
  6. Somente a Bíblia tem resistido a dois mil anos de intenso escrutínio pelos seus críticos, não apenas sobrevivendo aos ataques, mas prosperando e tendo a sua credibilidade fortalecida por tais críticas.
  7. A Bíblia tem moldado a história das civilizações mais do que qualquer outro livro. A Bíblia tem tido mais influência no mundo do que qualquer outro livro.
  8. Somente a Bíblia tem uma Pessoa específica (centrada em Cristo) como assunto em cada um de seus 66 livros, detalhando a vida dessa Pessoa através de profecias e tipos, por um período de 400 – 1.500 anos antes dela nascer.
  9. Somente a Bíblia proclama a ressurreição de sua figura central (Jesus Cristo), provada na história.

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Bibliografia:

Doutrinas Bíblicas – Uma introdução à Teologia. Raimundo F. de Oliveira, EETAD, 2ª edição, 1991.

[1] The Bible Handbook (O Manual da Bíblia) Joseph ANGUS & Samuel G. GREEN.

[2] Pr. Paulo Romeiro.


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