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Biólogo americano cria polêmica com DNA artificial

por Julio Severo - sáb set 15, 10:17 pm

“Frankenstein” ou grande avanço científico?: Biólogo americano cria polêmica com DNA artificial
Hilary White

21 de maio de 2010 (Notícias Pró-Família) — Um pioneiro biólogo e empresário americano, Craig Venter do Instituto J. Craig Venter (IJCV) em Maryland e Califórnia, provocou tumulto na mídia internacional ao anunciar ontem que criou a primeira célula com DNA artificialmente construído do mundo.

Apesar das reportagens da mídia ao contrário, os pesquisadores não “criaram vida nova”, mas em vez disso construíram artificialmente uma sequência existente de DNA de uma bactéria que ocorre naturalmente e a reproduziram em células existentes.

No estudo, publicado na revista Science e avaliado por outros especialistas da área, os pesquisadores copiaram o genoma, ou a completa sequência genética, de uma bactéria existente. Eles seqüenciaram seu código genético e então usaram “máquinas de síntese” para construir quimicamente uma cópia. O novo DNA foi inserido em células de um tipo diferente de bactéria. Elas reproduziram células filhas com o DNA natural e o DNA artificial. As bactérias com o DNA artificialmente construído se reproduziram mais de um bilhão de vezes.

“Esta é a primeira vez que um DNA sintético ficou sob o controle completo de uma célula”, disse Venter, que assemelhou o processo à criação de software para um computador. Ele disse para a BBC: “Podemos agora pegar nosso cromossomo sintético e transplantá-lo para uma célula receptora — um organismo diferente. Logo que esse novo software entra na célula, a célula o lê e o converte na espécie especificada nesse código genético”.

Venter, que vem trabalhando há anos para criar formas de vida artificiais, respondeu em sua autobiografia às críticas de que ele foi longe demais e está “bancando Deus”, dizendo: “Sempre respondo que — até agora, pelo menos — que só estamos reconstruindo uma versão diminuída do que está na natureza aí fora”.

“Penso que vamos potencialmente criar uma nova revolução industrial”, disse ele. “Se realmente pudermos fazer com que as células realizem a produção que quisermos, elas poderiam ajudar a nos desapegar do petróleo e reverter alguns dos danos ao ambiente por meio da captura do dióxido de carbono”.

Os meios de comunicação responderam à reportagem com quase histeria, com manchetes se referindo a experimentos de “Frankenstein” e avisos contra “fazer papel de Deus”. O jornal inglês Daily Mail perguntou: “Será que isso poderia aniquilar a raça humana?”

O Mail citou o Professor Julian Savulescu, um especialista em ética da Universidade de Oxford, que disse: “Venter está abrindo a mais profunda porta da história da humanidade, potencialmente espiando seu destino. Ele não está meramente copiando vida artificialmente ou modificando-a por meio da engenharia genética. Ele está atrás do papel de Deus: criar vida artificial que jamais poderia ter existido”.

“Isso poderia ser usado no futuro para fazer as mais poderosas armas biológicas já imagináveis. O desafio é comer o fruto sem o verme”, acrescentou ele.

Entretanto, apesar da reação frenética da mídia, as respostas de alguns líderes religiosos foram mais moderadas. Autoridades do Vaticano foram discretas em sua opinião sobre o avanço, dizendo que era resultado do dom de Deus da inteligência humana que precisa ser usado corretamente.

O presidente da Pontifícia Academia da Vida do Vaticano, Arcebispo Rino Fisichella, deu uma resposta evasiva, dizendo: “Se for usado para o bem, tratar patologias, podemos apenas ser favoráveis. Mas se no fim das contas não for… útil, para respeitar a dignidade da pessoa, então nossa opinião mudaria”.

“Olhamos para a ciência com grande interesse. Mas pensamos acima de tudo sobre o sentido que se deve dar à vida”, disse Fisichella. “Podemos sempre chegar à conclusão de que precisamos de Deus, a origem da vida”.

O cardeal Angelo Bagnasco, presidente da conferência dos bispos da Itália, disse que a invenção é “mais um sinal da inteligência, o dom de Deus de entender a criação e poder melhor governá-la”.

Bagnasco disse para a agência noticiosa ANSA: “Por outro lado, a inteligência jamais pode existir sem responsabilidade. Qualquer forma de inteligência e qualquer aquisição científica… precisa ser medida diante da dimensão ética, que tem em seu coração a verdadeira dignidade de toda pessoa”.

Traduzido por Julio Severo: www.juliosevero.com

Fonte: http://noticiasprofamilia.blogspot.com


Cada autor é responsável pelo conteúdo do artigo.

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