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CACP responde a Michelson Borges

por Prof. Paulo Cristiano da Silva - sex jan 25, 10:28 am

RESPOSTA A MICHELSON BORGES

A técnica do vitimismo, de alegar perseguição religiosa é uma constante entre as seitas. Ao serem contestadas, justamente por ensinarem doutrinas extra e antibíblicas, logo saem pela tangente dizendo que isso é “ódio”, “preconceito” e “perseguição” contra eles. Alegam que estão sendo mal compreendidos pelos seus críticos e que a contestação é apenas fruto de puro preconceito. Esse foi o teor do post do senhor Michelson Borges, no Blog “Criacionismo”, do qual é proprietário. Um dia após eu questionar a veracidade de uma resposta dele que foi publicada pelo cientista Marcos Eberlin em sua página do Facebook, sobre se uma pessoa estaria perdida se não guardasse o sábado, ele então, publicou imediatamente uma nota com o titulo “MEMBRO DO CACP FAZ ATAQUE GRATUITO À IASD”, me acusando de oportunismo e ataque gratuito. Não se contentando foi além e acusou o  CACP de ser uma “entidade evangélica que vive atacando outras religiões e movimentos os quais considera seitas”.

“ATACAR” é o verbo predileto dele. Usa e abusa na conjugação dele em seus artigos. Tempos atrás ele publicou um artigo com o título “Escola Dominical ataca o 4º mandamento” contestando o artigo do pastor Esequias Soares (minha resposta aqui http://www.cacp.org.br/escola-dominical-ataca-o-quarto-mandamento/)

Curiosamente ele não vê nenhum problema em “atacar” a crença de quem crê diferente dele.
Voltando ao seu “ataque” contra mim, pena que sua defesa foi construída sob pilares frágeis, com claras distorções do ponto de vista factual. A real identidade do adventismo não se reduz à fina capa “evangélica” que o senhor Michelson insiste em apresentar. Durante todo o texto ele joga com ilações, a começar pelo título fanfarrão de “ataque gratuito”. Entendo ataque gratuito como ofensas, quando não há fundamento algum. Será que outros que foram alvos dos “ataques” do senhor Michelson em seu Blog não poderiam alegar a mesma coisa? O que ele chama de ataque foi apenas a tentativa de alertar meu amigo cientista sobre a pseudo-resposta que o senhor Michelson ofereceu aos seus sinceros questionamentos  a respeito da situação do evangélico que não guarda o sábado.

Para justificar a narrativa dos meus terríveis “ataques” ele diz que “Vários “likes” mostravam a aprovação dos amigos do Marcos, mas um comentário destoou completamente do ‘clima’ positivo, pois o autor aproveitou a oportunidade para atacar a Igreja Adventista”

Que “Likes dos amigos”, senhor Michelson?

O fato é que ele omitiu (de propósito?) em seu texto que 90% dos comentários e likes eram de adventistas aprovando a sua fala. É claro que meus questionamentos iriam destoar! O que ele esperava, que eu concordasse com aquilo?

As evidências oferecidas por Michelson Borges

No decorrer do texto ele oferece algumas evidências para defender a IASD da acusação de seita. Para ele a IASD não seria uma seita devido as seguintes razões:

  1. Os adventistas convidam outros cristãos para participarem do seu projeto “criacionista”;
  2. É uma das maiores defensoras do criacionismo e da Bíblia;
  3. Crê na salvação pela graça e;
  4. Distribui bastante Bíblias.

A primeira coisa a observar é a de que a pedra angular de sustentação do seu argumento repousa basicamente em alegar que a IASD crê, ensina e defende o criacionismo. E daí? O que isso prova? Absolutamente nada! Nosso entendimento para conceituar seita parte do ponto de vista teológico. Há um pacote de heresias professado pelo adventismo que tem sérias implicações na cristologia, soteriologia, bibliologia, etc. Por exemplo, dizer que defende a autoridade da Bíblia e ao mesmo tempo negar sua inerrância como faz a teologia adventista é enganoso. Eles crêem numa Bíblia inspirada que possui erros. Francamente! Aliás, esse tipo de defesa da Bíblia pode ser visto em seitas como Testemunhas de Jeová. Dizem defende-la, mas ao mínimo confronto com suas heresias a relegam a segundo plano.

Outra alegação é a de que a IASD crê na salvação pela graça, isso a colocaria longe da imagem de uma seita. O fato de muitas religiões alegarem crer na salvação pela graça não faz dela uma religião verdadeira quando sabemos que na prática a coisa é bem diferente. Por exemplo, até mesmo o senhor Michelson concordaria que os católicos acreditam nas boas obras para a salvação. Entretanto, olha como se defendem os apologistas católicos: “Nunca,  na história de sua tradição dogmática, a Igreja Católica ensinou que o Cristão pode ganhar sua salvação,  ganhar o céu, ou o que for por seus próprios méritos …  Ou seja, nosso Paraíso, nossa Salvação, tudo o que Deus nos oferece nos é dado por Sua Graça e não por conta de nossos méritos. A Igreja afirma ainda que fé em Jesus e Naquele que O enviou é necessária para obter-se a Salvação, que é  um dom oferecido gratuitamente por Deus.” (https://www.bibliacatolica.com.br/blog/o-catolico-deve-fazer-boas-obras-para-salvar-se/#.XEoB_lVKiM8)

É claro que no discurso isso é bonito e teologicamente correto, mas sabemos que não é isso o que ocorre dentro do catolicismo. O catolicismo possui diversos discursos teológicos transversais que acabam insuflando vários conceitos meritórios estranhos junto a “salvação pela graça”. Isso não é salvação somente pela graça por meio da fé como ensina a Bíblia e a Reforma Protestante.

Neste sentido a IASD e a ICR constroem a mesma narrativa. Em pelo menos duas oportunidades eu deixei isso claro em relação ao adventismo (veja aqui http://www.cacp.org.br/legalismo-a-doutrina-da-salvacao-pelas-obras/) quanto a estranha equação soteriologica que adiciona fé  + lei = salvação pela graça. Portanto, falar em salvação pela graça e depois se pautar pela guarda da lei, construindo charadas teológicas do tipo “não somos salvos por praticar a lei, mas somos condenados por não praticá-la” é desonestidade intelectual. É falar pelos dois lados da boca.

As evidencias provam que a IASD é uma seita (veja aqui http://www.cacp.org.br/sao-evangelicos-os-adventistas/)

EGW desmente Michelson Borges quanto a importância do sábado

No Blog do Dr. Marcos Eberlin, Michelson responde que o sábado “Não é menor nem maior do que qualquer outro dos demais [mandamentos].” Tem certeza Michelson? Estou vendo seu nariz crescer rapaz!

Longe disso, o sábado para um adventista é o mais importante dos dez mandamentos. É isso o que sempre ensinaram. Observe como a profetisa EGW trata o assunto e desmente Michelson:

Meio de santificação – Em Patriarcas e Profetas, um dos livros inspirados (com o mesmo grau de inspiração da Bíblia, segundo eles) da senhora White, afirma “o sábado é um sinal do poder de Cristo para nos fazer santos. E é dado a todos quantos Cristo santifica. Como sinal de Seu poder santificador, o sábado é dado a todos quantos, por meio de Cristo, se tornam parte do Israel de Deus”; frase citada no Tratado de Teologia Adventista do Sétimo Dia (REID, p. 591).

Meio para distinguir um verdadeiro adorador de Deus –  “os adoradores de Deus se distinguirão especialmente pelo respeito ao quarto mandamento — dado o fato de ser este o sinal de Seu poder criador, e testemunha de Seu direito à reverência e homenagem do homem” (WHITE, Grande Conflito, p. 445).

Vi que o Sábado é, e será o muro de separação entre o verdadeiro Israel de Deus e os incrédulos…”(Idem pg. 85).

Meio de salvação – “Santificar o Sábado ao Senhor importa em salvação eterna”. (Testemunhos Seletos, vol. III pág.22, EGW ed1956 – ellenwhitebooks.com).

É obrigatório – “O Pr. Bates, o apóstolo da verdade sobre o sábado, tomou a liderança em advogar a obrigatoriedade da guarda desse dia” (Livro “Primeiros Escritos, Prefácio Histórico XXII.

É o Selo de Deus – “Que é, pois, a mudança do Sábado, senão o sinal da autoridade da igreja de Roma – “a marca da besta”; “O selo da lei de Deus se encontra no quarto mandamento… Os discípulos de Jesus são chamados a restabelecê-lo, exaltando o Sábado…” – (Livro: O Grande Conflito, Ed. condensada, 1992, pag. 267 e 269)”.

Um mandamento que se destaca dos demais – “No lugar santíssimo vi uma arca… Na arca estava … As tábuas de pedra que se fechava como um livro. Jesus abriu-as, e eu vi os Dez Mandamentos … Numa tábua havia quatro mandamentos e na outra seis… Mas o quarto, o mandamento do Sábado, brilhava mais que os outros… O Sábado tinha aparência gloriosa – um alo de glória o circundava…” (Primeiros Escritos, pg. 32, 33).

Agora releia a afirmação de Michelson à luz destes textos. Somente um desonesto intelectual, insistiria em dizer que para um adventista o sábado e o resto dos mandamentos se nivelam.  Portanto, a afirmação do senhor Michelson não é verdadeira; o sábado é sim um teste de salvação final para os adventistas (veja aqui http://www.cacp.org.br/ellen-white-ensinou-a-salvacao-pelo-sabado/)

Mas a mágica de esconder a salvação, também pela lei, continua por meio do truque retórico construído em cima dos dez mandamentos, onde ele apenas aparenta negá-lo como meio de salvação, dando a impressão de que o cristão não é salvo pela lei, para em seguida resgatá-la como elemento obrigatório para cumprir a vontade de Deus após a conversão, incluindo o sábado.

O raciocínio pode ser jogado de outro modo: “guardamos a lei porque somos salvos, não para sermos salvos”, numa paródia da famosa sentença protestante do “faço boas obras não para ser salvo, mas porque sou salvo”. O problema é que a segunda sentença tem respaldo bíblico em Efésios 2.8-10, mas a primeira não. Não há uma única ordem para guardarmos o sábado pelo simples fato desse dia ser um sinal APENAS entre Deus e Israel (Ez 20.12). NÃO HÁ um mandamento se quer no NT exigindo a guarda do sábado ao Cristão. Ao contrário, existe advertência para aqueles que queriam impor sua guarda à Igreja (Col 2.14-16). O sábado foi cumprido em Cristo, como toda a lei.

Michelson parte de uma premissa correta (a guarda da lei, não salva) para tirar uma conclusão falsa (já que sou salvo e guardo os mandamentos, tenho que guardar o sábado também).

Será que o senhor Michelson nunca leu Mateus 12.5: “Ou não tendes lido na lei que, aos sábados, os sacerdotes no templo violam o sábado, e ficam sem culpa?”

Diante da força e veracidade deste texto, faço uma pergunta a ele: Os sacerdotes no templo podiam ter outro deus diante de Deus e ficar sem culpa? Curvar-se diante de imagens, ou tomar o seu santo nome em vão e ficar sem culpa? Podiam desonrar seus pais? Ou matar alguém? Cometer adultério, furtar, testemunhar falsamente, cobiçar e ficar sem culpa? 

Obviamente que todas as respostas a essas questões seriam “não”. Os sacerdotes não podiam cometer nenhum desses delitos dentro do templo. Entretanto, quanto ao sábado à resposta seria um sonoro SIM, ou seja, o texto mostra a legalidade ritualística do sábado e sua dissociação com relação à ética e a moral intrínseca a natureza de Deus. Se o sábado fosse algo ético e moral não poderia nunca ser quebrado, nem mesmo pelos sacerdotes dentro do templo.

Os adventistas, são nossos irmãos?

Essa é a grande chave de toda a minha discussão e o foco da minha advertência ao Dr. Marcos Eberlin. Há mais de 20 anos pesquiso seitas e em especial o adventismo. A experiência me fez enxergar alguns truques que outros não veem. Por conhece-la melhor: seus truques, cavilações, argumentos e desculpas, sei que Michelson fala pelos dois lados da boca omitindo parte da verdade (veja aqui http://www.cacp.org.br/adventistas-hostis-contra-as-demais-igrejas/).

Com isso não quero colocar em dúvida a sinceridade da sua amizade pelo Marcos. Obviamente não se trata disso. O que eu questiono é a maneira como ele tenta passar a crença adventista para quem ocupa um status público de autoridade no meio evangélico mas que não tem familiaridade alguma com essa crença. Esse adventismo maquiado é falso. Eles fizeram assim com Walter Martin: fizeram juras de amizade e sinceridade, disseram que não criam em muitas heresias; que haviam extirpado muitas crenças heréticas do seu meio e que o resto era mera acusação dos detratores. Assim conseguiram enganar um dos maiores apologistas do mundo. Hoje, depois de muitas décadas temos prova documentais de que eles mentiram, engaram Martin quando juravam amizade e aparentavam honestidade (veja aqui http://www.cacp.org.br/adventistas-mentiram-para-walter-martin/). O fato é que para eles, nós somos apenas um campo missionário, precisando da “mensagem” adventista, pois não temos toda a luz da verdade ainda.

Sincero ou não, o caso é que Michelson está levando outros para o abismo com ele. Tomara que se arrependa a tempo. Quanto ao Dr. Marcos, estou orando por ele.

Veja como agem os adventistas aqui http://www.cacp.org.br/tv-evangelica-abre-as-portas-para-os-adventistas/

 


Cada autor é responsável pelo conteúdo do artigo.

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