SOFISMA OU FALÁCIA?
O que diferencia o sofisma da falácia, é que, embora ambos sejam basicamente raciocínios errados, a falácia é involuntária. Ao passo que o sofisma tem como objetivo induzir a audiência ao engano, o raciocínio falacioso decorre de uma falha de quem argumenta.
Segundo Othon M. Garcia “ainda que cometamos um número infinito de erros, só há, na verdade, do ponto de vista lógico, duas maneiras de errar:
· erramos. raciocinando mal com dados corretos;
· raciocinando bem com dados falsos, ou também podemos;
· raciocinar mal com dados falsos.
O erro pode, portanto, resultar de um vício de forma - raciocinar mal com dados corretos - ou de matéria - raciocinar bem com dados falsos.
Nosso antagonista adventista traz como prefácio nas suas “ponderações” (lê-se distorções) palavras de teor beligerante. Faz uma medíocre tentativa de projetar em seus leitores uma imagem distorcida e denegrida do CACP. Este recurso é muito usado em retórica, onde, para denegrir a imagem do seu oponente, o adversário tenta primeiro desacredita-lo, passando uma imagem negativa do mesmo. Este artifício é muito usado por candidatos políticos em época de eleições.
A bem da verdade, é difícil determinar o limite onde se encontra nosso amigo sabatista: Estaria ele usando de sofismas ou apenas sendo falacioso? Creio que não precisamos ir muito longe a fim de demonstrar que ele se enquadra no limite dos dois termos. Bem disse Tertuliano a respeito de tais indivíduos: “O Demônio tem lutado contra a verdade de muitas maneiras, inclusive defendendo-a para melhor destruí-la”
Antes, porém, vamos às nossas palavras de esclarecimento.
ACUSAÇÕES INFUNDADAS
O senhor Brito no afã de sua luta talibânica contra o CACP e o ICP, dispara mentiras e distorções contra o autor deste opúsculo. Tenta colocar palavras em minha boca acusando-me de modo injurioso. Todavia, vamos revelar o artifício ardiloso com que ele trabalha e mostrar que o senhor “acima de qualquer suspeita”, não é este homem imparcial que tenta transparecer.
1ª ACUSAÇÃO – Diz ele: “quanto mais desastroso isto não se dá quando um indivíduo que se dispõe a tratar do tema confessa-se carente de formação teológica, como o autor deste texto acima que nos disse que não crer ser necessário ter um curso de Teologia para tratar de. . . Teologia!”
A Verdade Dos Fatos: Vou reproduzir na integra o que ele me disse em outros e-mails: “Eu fiquei surpreso ao dizer-me que não é pastor. De qualquer modo, veja a responsabilidade de lidar com temas teológicos, sendo que não deve ter cursado um programa de Teologia..” em resposta repliquei: “O senhor chega a insinuar (pelo menos é o que transpareceu em seu prólogo) que para entender a Bíblia precisa ser teólogo! E que para ser pastor precisa cursar formalmente uma universidade de teologia, e conseqüentemente quem não faz parte desta elite é lançado na massa ignara. Que absurdo! Desde quando essa lei começou a vigorar? Quantos teólogos existem mas que nunca foram ordenados ao ministério pastoral! Pelo que entendo quantum credis, tan-tum habes e já que possuo a fé bíblica, tenho direito de tratar de assuntos teológicos. Por outro lado nec me pudet...fateri quod nesciam mas por enquanto digo que sei do que estou falando. Posso dar ciência de casos de teólogos que chegaram até a receber o título honorífico de D.D e outros P.H.Ds da vida, que nem ao menos leram a Bíblia inteira. E o pior de tudo é que ainda tenta colocar palavras em minha boca, afirmando coisas que eu não disse! Entretanto, para que o senhor não venha pensar que está insultando sua inteligência juntamente com sua “capacidade teológica”, dialogando com um mero leigo, digo, para que não venha pensar assim, esclareço que estudei teologia pela ETAD e até hoje estudo por conta própria, já que scire volunt omnes, studiis incumbere pauci, comecei a estudar grego e atualmente acabei de escrever um livro sobre catolicismo cujo título é: “Desmascarando a Idolatria – O que todo católico precisa saber”. Então ele me mandou este e-mail como segue: “Não defendo que se precise ser teólogo para estudar a Bíblia e expô-la, pois eu mesmo não sou nenhum teólogo e a exponho. Mas para escrever livros especializados sobre tema teológico é claro que um conhecimento mais profundo da matéria se faz necessário, sobretudo quando deseja discutir o tema do sábado/domingo, quando temos gente tão boa e pesquisador tão profundo do tema quanto um Samuele Bacchiocchi”
Como ele mesmo disse: “Mas mentira tem perna curta...” Que o leitor faça o devido julgamento!
2ª ACUSAÇÃO – Diz ele: “Meu nome não é Severino, logicamente. Se tiver boa memória deve lembrar-se que ao assinar Severino eu colocava entre parêntese a informação (pseudônimo). Isso deixava bem claro que naquela ocasião, por razões justificáveis, eu não desejava me identificar.”
A Verdade Dos Fatos: A verdade é que ele correspondeu comigo várias vezes, e só depois de alguns e-mails é que apareceu a palavra “pseudônimo” entre parênteses. E isto depois que eu já havia associado ele com o seu verdadeiro nome através do estilo dos e-mais e principalmente por sua “devoção” (lê-se idolatria) por Bacchiocchi. Porque o senhor não diz quais eram essas razões “justificáveis” para não se identificar? Será que o único propósito era ENGANAR? É este o homem sério e acima de qualquer suspeita que se apresenta com o pomposo titulo de professor? Seria engraçado se não fosse tão trágico!!!! Ainda maldosamente tenta desmoralizar um tal Benedito que nem conhecemos, dizendo que tal pessoa pertence ao CACP, “Foi o que propusemos ao teólogo Benedito (esqueci-me do seu sobrenome) ligado ao CACP, mas ocorreu um fato interessante: o homem sumiu, desapareceu, escafedeu-se. “Será o Benedito?”!”O homem - este senhor Brito - é tão contraditório que em outro e-mail diz que o tal personagem faz parte do ICP. Merece credibilidade uma pessoa dessas?
MAIS ACUSAÇÕES
Ainda prosseguindo ele em sua pertinácia afirma: “Propusemos a muitos dos que se dispõem a explicar a Palavra de Deus a analisar serenamente, num espírito construtivo e sem apelação à baixaria das falsas insinuações e acusações”
Ora, quem primeiro começou a baixaria? Posso adiantar-lhe que não fui eu... Vou refrescar-lhe a memória: quem entrou no site de quem, para debater? Quem chamou quem, de BURRO (como o senhor fez em seu primeiro e-mail quando ainda sofria de crise de identidade sem saber se era Brito ou Severino)?
Baixaria? Quem acusou e usou de palavras ofensivas contra o CACP e o Pr. Natanael, nos e-mails distribuído à revelia aos seus clientes? Contra essas insinuações malévolas produzimos o artigo “Lobos na Internet”.
Os seus discursos, bem como a sua retórica estava rebuscada do discurso denominado “Ad hominin”.
Pelo mau uso do vernáculo, vê-se que o senhor ainda não conseguiu desvencilhar-se de seus ataques pessoais, porém, tal fato só vem denotar uma flagrante tentativa de ocultar do seu próprio ego a falta de uma resposta sensata ao tema proposto. Assim, procura com ataques pessoais, uma espécie de compensação à sua falta de bom senso e daí, vale dizer (já que o senhor gosta muito de citar ditados): “o pior cego é aquele que não quer enxergar...”
3ª ACUSAÇÃO - Diz ele: “Mas é no campo da Teologia que mais o amadorismo é prejudicial, pois as conseqüências podem ser de teor eterno--almas perdidas pela enganação dos que pretendem falar das coisas de Deus e da Bíblia sem saberem o que estão dizendo. O apóstolo Pedro até mencionou os que distorcem os escritos de Paulo, por não contarem com a devida formação teológica para fazê-lo ou não seguirem as regras mínimas de exegese bíblica em sua tentativa de interpretá-los. Daí, as distorções dos ensinos divinos que visam à salvação mediante justificação e santificação. Pedro qualifica os que assim agem como “ignorantes e instáveis” (2 Pedro 3:16).”
A Verdade Dos Fatos: Ora, esse discurso (estilo camaleão) até parece a história das origens do adventismo! Porventura, Guilherme Miller tinha formação teológica quando começou a estudar o livro de Daniel? E Ellen G. White, tinha? Ela mesma chega a insinuar que não precisamos de teologia para as coisas de Deus, veja: “A razão por que Ele não escolhe mais vezes homens de saber e alta posição para dirigir os movimentos da Reforma, é o confiarem eles em seus credos, teorias e sistemas teológicos...Homens que tem pouca instrução colegial são por vezes chamados para anunciar a verdade...” (O Grande Conflito pág. 455/6). Ela dizia isto para justificar seus resvalos teológicos e seu semi-analfabetismo, pois o método de estudarem a Bíblia não partia de uma exegese sadia, mas do fanatismo, superstições e crendices. Veja como os líderes adventistas estudavam a Bíblia: “Em algumas vezes o Espírito de Deus descia sobre mim, e porções difíceis eram esclarecidas pelo modo indicado por Deus...” E como isto se dava? Ela explica textualmente; “...e quando chegava a alguma passagem difícil, uníamo-nos em oração a Deus rogando a compreensão do verdadeiro sentido de sua palavra.” (Vida e Ensinos pág. 128/192). E mais, Muitos julgam ser essencial, como preparo para a obra cristã, adquirir amplos conhecimentos dos escritos históricos e teológicos. Supõem que esse conhecimento lhes será de utilidade no ensino do evangelho. Mas seu laborioso estudo das opiniões dos homens tende a enfraquecer-lhes o ministério, em vez de fortalecê-lo. Quando vejo bibliotecas cheias de alentados volumes de conhecimentos de História e Teologia, penso: Por que gastar dinheiro naquilo que não é pão?” (A Ciência do Bom Viver, pág. 441).
Pois bem, para conhecimento dos mais leigos no assunto, o adventismo começa justamente com as aberrações teológicas de Miller que mais tarde foi plenamente endossada pelos pioneiros adventistas. Com apenas uma chave bíblica e nenhuma formação teológica, Miller começou a estudar o livro de Daniel e marcou a volta de Cristo para o ano de 1843. Como nada aconteceu, ele marcou outra data para 1844, sem contudo, a parousia acontecer. Finalmente, diante de tão descabida exegese ele abandonou o adventismo por reconhecer seu erro! Esse acontecimento é chamado pelos adventistas de “O Grande Desapontamento”. Muitos sabiamente abandonaram esse movimento. Entretanto, como um abismo chama outro abismo, os adventistas mais obstinados não deram o braço a torcer e interpretaram de outra maneira aquele cálculo profético das 2.300 tardes e manhãs, espiritualizando-o: o tabernáculo não era mais a terra, mas o céu. Essa nova interpretação desembocou na aberração teológica da doutrina do “Santuário”, do “Juízo Investigativo”, do “Bode Emissário” Ad Infinitum... E tudo isto debaixo de uma suposta visão que Hiram Edson teve após o “desapontamento”. Uma desculpa vergonhosa para tentar remendar o desastre teológico de Miller (como foi demonstrado sobejamente por Walter Martin). Querendo concertar um erro, acabaram piorando mais ainda as coisas, semelhante o que fizeram as Testemunhas de Jeová (Charles T. Russel) quando marcaram a volta de Cristo para 1914. Aliás, essas duas seitas são co-irmãs (cf. a matéria Flagrante Analogia no site do CACP)! Essas doutrinas pseudocristã supra citadas lançam por terra todas as regras de exegese bíblica. Mesmo assim, esses continuam sendo os pilares teológicos do Adventismo do Sétimo Dia até hoje. E lembre-se: eles não eram formados em teologia...
Veja os leitores que a Igreja Adventista do Sétimo Dia, nasceu de um crasso erro teológico, nasceu na heresia! E agora vem o tal “professor” tagarelar sobre formação teológica!!! Por favor, amigo, me poupe de tanta demagogia !!! Isso é brincar com a inteligência humana!
Obs: sobre Martin, ler nosso estudo na internet sobre o titulo “A IASD é uma seita ?”, onde analiso a questão de modo claro em relação aos adventistas.
4ª ACUSAÇÃO - Diz ele: “Propusemos a muitos dos que se dispõem a explicar a Palavra de Deus a analisar serenamente, num espírito construtivo e sem apelação à baixaria das falsas insinuações e acusações”
A Verdade Dos Fatos: Com todo o respeito a você, e gostaríamos que não se ofendesse, mas refletisse por si mesmo, nos parece aqui, tratar-se de um perfil de alguém que possui dupla personalidade. Parece-nos, aqui, tratar-se de um caso patológico até, uma vez que, embora deseja desvencilhar-se do estigma de “vingativo”, contudo, acaba por se atolar até o pescoço a ele. É o que se depreende das expressões pejorativas colhidas de seu e-mail: “Enfim, o pobre e ridículo Sancho Panza da Silva atuando como fiel escudeiro de Don Quijote Rinaldi. . . Que dupla!”e outros... A doença parece ser incurável (seria uma legalistimia crônica?). Em um trecho que rezava “leite e mel” o senhor me mandou “que não só manava “lei e mel” como situava-se numa posição...” Trocou “leite” por “lei”. É, isto é grave!!! A lei bruxuleou tanto a sua mente que até a neurolinguística foi afetada...
Tenho para mim que o senhor é uma pessoa desequilibrada emocional e espiritualmente, pois ao ser contestado não se agüenta e já demonstra todo o seu fel de amargura proveniente de sua alma (isso é típico de seitários)! Até parece um tal senhor Luiz Martini, que diz ser seu amigo (só podia ser mesmo), o pobre coitado sofre dos nervos, um verdadeiro homem bomba. Anda desafiando a tudo e a todos que não reza pela cartilha adventista. O homem é tão perturbado que até usa de linguagem torpe ao debater com as pessoas. Um homem desta estirpe é um risco para a sociedade... Lembro-me também de outro mau exemplo, um tal de “Ivan Peixoto” (um católico fanático) que quando contestado por mim, não tendo outra alternativa, lançou mão do artifício do “copia-cola” de livros católicos. Somente em dois dias ele me mandou mais de 50 e-mails, exteriorizando assim sua falta de controle emocional.
Outro ponto em que o senhor se equivoca é o fato de que, ao contrário do que aduz, não existem evangélicos anti-adventistas. O que existe, em verdade é o fato de que cristãos cuja regra de fé está fundamentada na Bíblia, repelem heresias porque se trata de pecado, não importando qual nome ela possui: se mormonismo, jeovismo ou adventismo. Essa desculpa é usada em larga escala pelas seitas quando são pressionadas com argumentos bíblicos e postas contra a parede. À mínima contestação e logo já começam a choramingar com jargões tipo: “Ah, vocês são anti-testemunhas de Jeová, anti-mórmon, anti-católicos, anti-espíritas...e agora também, anti-adventistas.
Nós não temos “ódio” dos adventistas como pessoas, isto é ridículo afirmar. Por outro lado, nós não poderemos nunca tolerar heresias, sejam elas vindas de quaisquer igrejas, até mesmo se partir de dentro da nossa própria comunidade como é o caso das “teologias” modernas da prosperidade, cura interior, G12 que surgem por ai... Devemos sempre lembrar que Deus ama o pecador, mas odeia o pecado!
RUDIMENTOS FRACOS E POBRES
Agora, indo ao cerne do debate, vejamos se as doutrinas propaladas pelo senhor, está fundada em razões sólidas e suporta realmente a bigorna dos fatos.
Nosso antagonista no auge do delírio de sua utopia maquiavélica, pretende demonstrar de maneira grosseira minhas supostas “contradições”. Contudo, ledo engano!
Não vou entrar no mérito da questão sobre os credos oficiais das várias igrejas históricas, mesmo porque, como já expliquei em minha réplica, elas são frutos do pensamento dos reformadores que foram de certo modo produto do seu meio e de sua época, moldados pelas experiências de vida de cada um. E é bom salientar que os reformadores não são a palavra final em assuntos de religião. Este lugar é ocupado majestosamente pela palavra de Deus – a Bíblia.
Certa feita, debatendo com um católico sobre a “mariolatria”, e não tendo por onde o mesmo fugir, apelou para os reformadores, dizendo que Lutero e Calvino honravam Maria aponto de chamá-la de Mãe de Deus em seu “Magnificat”. Citou-me ainda dois livros escritos por editoras Luteranos sobre Maria, que tinha por titulo “Louvores de Maria”. Sobre as imagens: citou-me escritores protestantes defendendo o tal uso delas. Mandou-me três exemplos de igrejas “protestantes” que usam imagens: as Testemunhas de Jeová, os Mórmons e os Adventistas com seu rosto do Cristo católico estampado nos livros de Ellen White. Ainda me disse que Lutero cria na transubstanciação e na poligamia, citando-me trechos de obras de Lutero e dos reformadores. É claro que nenhum dos reformadores tem a palavra final sobre Fé. Nem mesmo o senhor Brito crê na predestinação pregada por Calvino e as demais igrejas reformadas. Tanto Lutero como Calvino tinham pontos divergentes sobre a lei, pois a cosmovisão de ambos eram subordinadas às suas experiências de vida religiosa: Martinho Lutero, por exemplo, era um monge agostiniano há doze anos quando iniciou a obra da reforma. Até então ele praticara uma espiritualidade ascética, rigorosa, legalista, na tentativa de agradar a Deus e ser aceito por ele. Deus era visto como um ser justiceiro, implacável e irado. A compreensão da verdade bíblica da justificação somente pela fé teve um efeito libertador. Isso talvez explique a atitude um tanto negativa de Lutero em relação à lei. João Calvino, por outro lado, era um humanista, e não um sacerdote. Ele não teve nenhuma crise espiritual profunda ou experiência dramática de conversão. Na realidade, a única coisa que ele disse certa vez sobre a sua experiência é que ela havia sido uma "conversão repentina." Durante três anos ele estudou Direito em Orléans e Bourges (1528-31). Mas certamente a razão principal do seu interesse pela lei foi sua ênfase na soberania de Deus e da sua vontade. O mesmo podemos dizer de Agostinho e Pelágio. Sobre isso não preciso dar mais explicações...
Mas voltando a questão principal...é notável que uma pessoa que alega posar de “vitima” de “distorções”, ele mesmo caia naquilo que mais ataca. Tomei a liberdade de contextualizar a frase de Paulo aos judeus de sua época em Romanos 2:1,19-22 e aplica-la ao senhor. Cai-lhe como uma luva!
Por favor, me diga: onde eu afirmei que os líderes do passado e do presente negavam a questão da lei; onde eu disse que autoridades de diferentes igrejas não criam na questão da lei? O que realmente eu disse foi que a divisão da lei em duas não era encontrada na Bíblia. Sim, devo admitir que por uma questão de conveniência muitos fizeram esta divisão, mas nós não deveríamos aplicar estas distinções peculiares de nossa moderna linguagem teológica nos textos bíblicos, onde os escritores não tiveram nenhuma intenção em fazer tais distinções. Ainda mais com o fito de criar uma doutrina em cima disto!
Cabe aqui uma pergunta: Existe diferença entre a explicação da lei dada pelos adventistas e pelas igrejas históricas? Vejamos o que crêem os adventistas:
Para o senhor Brito não dizer que estou pincelando os escritos adventistas, vou citar aqui o que crêem realmente os adventistas no tocante à divisão da lei. Antes, porém, devemos novamente relembrar que para todo judeu não há essa tal divisão, e os apóstolos eram judeus, menos um deles. A lei para o judeu era considerada “Una”. Não há de se supor que dentro da teologia judaica houvesse separação entre lei moral e cerimonial. A única diferença que faziam era quanto “a lei escrita” (Torah) e “a lei oral” (Halakoth) e mesmo assim essa nuança era muito tímida. Até mesmo Flavio “Josefo parece estar bem próximo da concepção rabínica da Tora total: como a lei escrita, a Tradição também vem de Moises e, portanto de Deus” (Flavio Josefo Uma Testemunha do Tempo dos Apóstolos pág. 38, Contra Apião II). Veja que até mesmo a “Tradição” na concepção judaica, era considerada como parte da lei dada por Deus.
O QUE CREÊM OS ADVENTISTAS
No livro “Estudos Bíblicos”, livro doutrinário da IASD, traz nas páginas 338 a 341, um estudo sobre a lei moral e cerimonial. Eles contrastam-na da seguinte maneira:
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LEI MORAL LEI CERIMONIAL |
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Chamada lei real Chamada a lei que consiste em ordenanças |
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Proferida por Deus Ditada por Moises |
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Escrita por Deus em tabuas de pedras Era uma cédula de ordenanças |
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Escrita pelo dedo de Deus Escrita por Moises num livro |
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Foi posta na arca Foi posta ao lado da arca |
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É perfeita Nenhuma coisa aperfeiçoou |
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Deverá permanecer firme para todo o sempre Foi cravada na cruz |
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Não foi destruída por Cristo Foi abrogada por Cristo |
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Devia ser engrandecida por Cristo Foi tirada por Cristo |
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Comunica conhecimento do pecado Foi instituída em conseqüência do pecado |
Christianini aumenta mais esta lista em “Subtilezas do Erro” dedicando 9 páginas inteiras para este fim (pág. 77-85). Por aí, percebe-se a importância desta divisão para a teologia adventista.
Chega a dizer que na lei cerimonial só havia prescrições sobre holocaustos, ofertas, formalidades, sacerdotais, ritual do santuário, festas anuais, luas novas...(pág. 80) e acrescenta, “Nada continha de moral” (idem). Ora, então o que fazer com Levítico 20:18 ? Seria isto uma lei cerimonial ? Ainda afirma que nela o sábado semanal não foi abolido (pág. 84,85). Diz existir dois legisladores (pág. 77) e que a lei moral é denominada de “Lei do Senhor” e a cerimonial de “Lei de Moises”. E que nem um til desta lei moral iria cair (pág. 83).
Pergunto: concordam com isto as igrejas evangélicas citadas pelo nosso antagonista? É claro que não.
Onde algum autor jamais afirmou que a lei cerimonial estava só no livro? Poderá nosso amigo provar pelo mesmo método que o decálogo só continha preceitos morais baseando-se nos artigos de fé? E que alguns deles fizeram tal divisão de “lei do Senhor” e “lei de Moises”, caracterizando uma como moral e a outra como cerimonial? Ora, se nem um til dessa lei iria cair, como explicar que as confissões de fé afirmam que o sábado foi ABROGADO, como p.ex. a Confissão de Fé Batista de 1689?
Para piorar mais as coisas, nosso amigo faz esta tremenda afirmação: “Não existe nada de trechinhos isolados nessas citações, está tudo muito claro, bem definido, bem declarado” Ah, tudo muito claro!!! Observe que ele cita o pastor Antonio Gilberto em sua obra “Manual da Escola Dominical” de modo incompleto, para dar impressão que este autor pentecostal dá apoio à sua heresia. Então porque este mesmo autor nos diz que a parte pactual foi abolida e cita o sábado em Cl. 2:14-17 como parte dela?
Porque então as reticências no meio dos trechos (artifício muito usado pelas TJs) truncando o pensamento dos autores ?
Essa longa e enfadonha lista catalogada de modo seleto pelo nosso amigo (novamente uma semelhança incrível com as TJs, principalmente na brochura “Deve-se Crer na Trindade ?” onde existe uma lista extensa de autores evangélicos depondo “a favor” de sua tese contra a divindade de Cristo, tentando causar assim uma certa impressão nos mais incautos) não prova absolutamente nada, é irrelevante, veja porque:
1. Os adventistas crêem numa divisão da lei totalmente diferente das igrejas evangélicas, apesar da forma parecer igual; o conteúdo e o propósito são diferentes;
2. Os evangélicos acreditam que pelo menos partes do decálogo estavam moldadas com cerimônias, a titulo de ilustração - o sábado;
3. Tal divisão é carente de provas bíblicas.
4. Os evangélicos acreditam que os princípios do decálogo é que formam a lei moral e isto está totalmente à parte do pacto com Israel, pois até mesmo os gentios possuíam-na como lei natural antes mesmo desse pacto ser dado.
Em Mat. 22:36-40 Jesus é interrogado por certo doutor da lei sobre qual era o mais importante mandamento. Para surpresa de todos Ele não citou nenhum do decálogo: “Mestre, qual é o grande mandamento na lei? Respondeu-lhe Jesus: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento.Este é o grande e primeiro mandamento.E o segundo, semelhante a este, é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.”
1.Estes dois grandes mandamentos estavam “na lei”. 2. Mas nenhum deles é achado no decálogo. 3. Ambos estavam no que os Adventistas chamam de “a lei cerimonial”, no livro de Moisés. 4. Nenhum deles foi falado por Deus, nem escrito por ele, nem gravados em pedras, nem posto na arca. Foi dito reservadamente por Deus a Moises e ele escreveu no livro da lei que por sua vez foi colocado ao lado da arca. E ainda: estes dois preceitos são os maiores de todos. Assim, então, os maiores mandamentos estão no livro da lei, não nas tábuas de pedras.
Ora, se tais mandamentos do decálogo fossem completos e perfeitos, porque então na lei cerimonial estão mandamentos que não estão na dita lei moral? Onde na lei moral do decálogo proíbe o homossexualismo? No entanto, Deus precisou acrescentar isto no livro denominado pelos ASD de lei cerimonial.
Os princípios desta lei “natural” como bem denomina nosso amigo sabatista é que foram restaurados no NT e não o decálogo do pacto como se encontra debaixo dos moldes judaicos. Tanto é, que muitos mandamentos não se encontram em sua forma completa e nem na mesma ordem no NT.
A bem da verdade, a maioria destes mandamentos do decálogo já se encontravam na forma escrita muito antes de Moises e da Aliança do Sinai. Podemos saber disto lendo as leis das civilizações antigas como o código das leis de Hamurabi. Pesquisas no campo da arqueologia bíblica mostraram que os Dez Mandamentos seguem a forma de um tratado dos suseranos Hititas. O seu preâmbulo mostra (típico da forma com que faziam estes tratados) que o Decálogo era o tratado que o grande Rei fez com a nação de Israel. Seja como for, Jesus restaurou estes princípios. Não há de se falar em contradições:
1. A lei era “Una” não se dividia em moral e cerimonial.
2. Jesus veio abolir a lei “Una” e não parte dela..Esta lei estava condicionada às circunstancias históricas e mescladas com elementos do culto judaico adaptados à situação de Israel como nação.
3. À parte destes elementos cúlticos, os Dez Mandamentos estão relacionados aos princípios morais que sempre foram para todo o gênero humano. A tradição judaica asseverava que sete das dez palavras do decálogo foram dadas aos filhos de Noé e para toda a humanidade. Jesus após abolir a lei, restaurou seus princípios morais no NT. Princípios estes que existiam antes da fundação do mundo, antes do decálogo ser dado a Israel.
4. É neste sentido que Jesus restaurou parte dela no NT (ver estudo sobre a derrogação da lei no CACP)
5. Jesus poderia muito bem ter mudado o decálogo dado a Israel (como de fato fez), sem, contudo, trazer prejuízo àquela lei suprema.
6. O NT reteve o que era de aplicação universal no VT. Porém, queremos deixar claro que isto não se aplica aos cristãos porque estão nos “Dez Mandamentos” mas porque elas são “Leis Naturais” (que é inerente à natureza humana) e que foram reforçadas por Cristo e os apóstolos.
RESPOSTA À QUERELAS TEOLÓGICAS
“Por favor, prezado Presbítero, explique-nos mais claramente esta evidente contradição entre o posicionamento dos credos históricos de todas essas igrejas e de altamente conceituados líderes, autores e pesquisadores cristãos com sua tese de que os Dez Mandamentos não são mais a norma de conduta para o cristão e que quem divide as leis divinas em “moral”, “cerimonial”, “civil” está usando de sofismas.”
RESPOSTA: Não há de se falar em contradição, contradição há entre o senhor e estes credos; em querer manter o decálogo in totun como foi dado aos judeus e aplica-lo aos cristãos, inclusive com a ordem de guardar o sábado; querer dividir a lei de modo arbitrário em duas. Para os evangélicos dividir ou não tal lei não acarreta em prejuízo algum, não erguemos em cima disto nenhum castelo doutrinário. É apenas uma explicação mais nítida entre o que realmente permanece de princípio moral (lei natural) e o que é apenas parte do elemento efêmero da lei, já não podemos dizer o mesmo dos adventistas. Essa divisão para eles é de grande valia, pois precisam dela para manter de pé a guarda do sábado. Sim, os adventistas usam de sofismas nesta divisão (ver o suposto contraste entre as duas leis feitas por eles), pois tal coisa não resiste a um exame bíblico. Dizer que o Decálogo permanece intacto sendo transferido deste modo para o NT, não é a opinião das igrejas históricas.
“Não parece estranho que se a lei dos Dez Mandamentos foi abolida inteiramente, nove dos seus princípios insistem em continuar valendo, noutra forma superior que seja (“inspirada pelo Evangelho”), tendo exatamente as mesmas regras, citadas pelos vários apóstolos (Paulo, Tiago, João)? Será que não é porque a mesma lei que Deus escreve nos corações e mentes dos que aceitam os termos do Novo Concerto trata-se da que os leitores da epístola—os cristãos-hebreus—já conheciam? (Heb. 8:6-10 cf. Jer. 31:31-33, Rom. 8:3, 4). “
RESPOSTA: Tenho para mim que o senhor Brito está vendo as coisas pelas lentes adventistas (valendo-se de eisegese) e enxergando coisas que não estão na Bíblia. Onde que os apóstolos citaram as “mesmas regras”? Compare o decálogo e os princípios universais restaurados no NT. Onde o senhor leu isto? Não, não era o mesmo decálogo !
O mais interessante é que este senhor tenta me refutar na questão de Rm. 2:15 apelando para o fato de que “São dois grupos inteiramente diferentes de que Paulo e o autor de Hebreus estão tratando: os que conhecem a lei divina e a acatam voluntariamente como base de um concerto especial com Deus e o gentio que a desconhece, mas traz os princípios morais divinos básicos dando-lhe testemunho de princípios superiores a serem seguidos.”
Mas omite de modo proposital quando cito Davi falando a mesma coisa em Salmos 40:8 onde diz: “Deleito-me em fazer a tua vontade, ó Deus meu; sim, a tua lei está dentro do meu coração.”. Certamente Davi conhecia a lei e a acatava como base dum concerto especial com Deus. Novamente volto a afirmar: caso essa lei fosse a da Antiga Aliança não haveria necessidade de Deus tornar escreve-la nos corações, pois como diz o Salmo supracitado “a tua lei está dentro do meu coração”.Algo interessante é que Logo após o Decálogo ser dado, Deus disse ao povo: “Estas palavras que hoje te ordeno ESTARÃO NO TEU CORAÇÃO” Ora, se a antiga Lei já estava nos corações dos homens seria até supérfluo tornar repetir o mesmo conceito em Jeremias 31:33 aplicando-o ao NT.
“Diante do exposto na pergunta 2a., e a declaração de da Silva: “Jesus falou que veio cumprir a Lei (Gl.4:4,5; Rm.10:4), inclusive o Decálogo. Assim, tendo-a cumprido deixa de ser obrigatório a sua observância para o cristão”, não fica por demais claro que o único objetivo dessa argumentação é dar fim ao mandamento do sábado, o 4o. dentre os dez?”
RESPOSTA: Não, não fica. Jesus não cumpriu “partes da lei” e deixou outra parte para nós cumprirmos. A bíblia mostra de modo insofismável que Jesus veio cumprir “TODA” a lei. Se os adventistas se apegarem a trechinhos isolados dentro do contexto, como p. ex. o verso 19 do capítulo 5 de Mateus, querendo com isso provar que temos de cumprir a lei. Então terão que cumprir “TODA ELA”, pois o contexto indica (como já demonstrei no e-mail anterior) que Jesus falava de uma lei “UNA” e não só dos Dez Mandamentos. Fato este que o senhor silenciou e não me deu respostas. Se o senhor quiser cumprir apenas parte da lei de Mateus 5:17 está sob maldição, pois está escrito, “maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei para fazê-las”.(Gl. 3:10). O senhor gosta de chamar-nos de antinomistas se bem que Paulo se defendeu de tais acusações também (Rm 3:8; 6:1,15), mas o mesmo versículo que diz que aquele que cumpre a lei será considerado grande no Reino dos Céus, assevera que aquele que viola a lei pode também chegar ao Reino dos Céus! (“aquele que violar... será considerado mínimo no reino dos céus.” v.19). Concorda o senhor com isto? E outro ponto a salientar, é que ao meu ver, o senhor acaba chamando Jesus de transgressor da lei, pois se outros mandamentos (cerimoniais) passaram porque Jesus os cumpriu, logo os que não passaram (morais) foi porque Jesus não os cumpriu? Isso não é absurdo? Mas é isto que se depreende levando às ultimas conseqüências esta lógica tão ilógica.
Como entender essas conclusões de Jesus com respeito a si mesmo e à Lei?
(a) Ele veio cumprir a lei e de fato a cumpriu em todas as suas dimensões: cerimonial, civil e moral. Não houve qualquer aspecto da lei para o qual Cristo não pudesse atentar e cumprir. Cristo cumpriu a lei de forma perfeita, sendo obediente até a própria morte. Ele tomou sobre si a maldição da lei. Ele se torna o fundamento da justificação para o eleito.
(b) Ele não só cumpriu a lei perfeitamente, mas também interpretou a lei de forma perfeita, permitindo aos que comprou na cruz, entendê-la de forma mais completa, mais abrangente.
(c) Agora a justiça da lei se cumpre em nós os que cremos. No entanto, esses que por ele são salvos não são mais dependentes da lei para a sua salvação, correção, ensino ou santificação. Cristo através de sua lei e graça, faz todas essas coisas.
Diz ainda: “Embora o autor diga preconceituosa e distorcidamente que a única preocupação dos cristãos adventistas (e, por extensão, todos os demais observadores do sábado) é “impor” esse mandamento”
A verdade dos fatos: É difícil você dialogar com um adventista sem antes ele mencionar a questão do sábado. Veja o que disse Ellen White: “Separai o sábado da mensagem (do 3º anjo), e ela perde o seu poder; mas conectada com a 3ª mensagem um poder dá suporte a ela o qual convence descrentes e infiéis, e os traz com força para permanecer, viver e crescer e florescer no Senhor.” (Testemunhos, vol. I, pág. 337)
Lembro-me certa vez, bem no começo de meu ministério, um senhor amigo meu, que há anos havia se convertido ao adventismo propôs em seu coração me evangelizar. Como éramos amigos, aceitei o convite. Pois bem, ele ficou quase um ano inteiro ministrando estudos bíblicos em minha casa. Apesar dele falar tudo sobre a LEI de Deus, de como o Papa havia mudado essa lei, de como a Srª White era uma “verdadeira” profetisa, de como o sábado era super importante para a igreja. Mesmo após ter passado por uma bateria cansativa de estudos bíblicos, ele nunca me disse nada de minha necessidade de salvação, nada sobre pecado. Não pense você que isto se constitui um caso isolado. Não. Esta é a marca dos adventistas, por isso são na opinião de muitos mais sabadólatras do que cristãos.
Tenho em minha frente 15 folhetos distribuídos pelos adventistas, sendo que destes quinze, onze vem tratando do assunto do sábado e apenas 1 falando da missão de sua igreja, 3 falam da volta de Cristo e apenas 1, apelando para a pregação do Calvário (falando de salvação). E mesmo assim uma soteriologia que deixa muito a desejar! Por ai se percebe como os adventistas dão primazia à questão do sábado em detrimento de uma verdadeira mensagem sobre salvação.
“Sr. Presbítero da Silva, explique-se melhor de novo sobre isso também: essa de “prescrições” morais, cerimoniais, civis, contidas na lei divina, sendo que alega serem os adventistas que usam de “subterfúgio” e “sofismas” para ensinarem isto. Como é isso, sendo que não são só os adventistas, mas nobres autores batistas, assembleianos, presbiterianos, congregacionais, m/etodistas, além do Presbítero Paulo Cristiano da Silva que dividem as leia divinaa em “moral”, “cerimonial”, “civil” . . . E então, como ficamos?”
RESPOSTA: Como ficamos? Bem, ficamos da seguinte maneira:
Nosso oponente supõe achar “contradições” em minhas palavras quando falo em preceitos civis, cerimoniais e morais. Pretendendo com isso que eu caia em contradição quando falo em lei “UNA”. E em relação a Christianini, se ele disse que a lei é “UNA” em outras partes ele se contradiz, pois afirma que “O intuito do quadro comparativo abaixo é demonstrar a impossibilidade de existir uma só lei na Bíblia.” (pág. 76).
Uma analogia irá jogar mais luz na questão. Todos sabemos que a doutrina da Trindade é uma das mais importantes doutrinas Bíblicas. Até mesmo os adventistas tende a admitir isto atualmente (pois no princípio do movimento eram arianos). Portanto, é fato consumado.
O credo de Nicéia elaborado por Atanásio sob a supervisão de Constantino e baseados nos pais da igreja sustenta a santa doutrina da seguinte maneira:
“Nós adoramos um só Deus na Trindade, e a Trindade na unidade; sem confundir as pessoas nem dividir a substancia. Pois existe a pessoa do Pai; outra do Filho; e a outra do Espírito Santo...estamos proibidos pela religião católica de dizer: existem três deuses, ou três senhores”
1. Deus é três pessoas;
2. Cada pessoa é plenamente Deus;
3. No entanto, há UM SÓ DEUS.
Deus é composto por três pessoas, no entanto, não há três deuses, mas um só Deus. A pluralidade na divindade não prejudica a sua unidade. Assim também, há UMA SÓ LEI, mas composta por preceitos morais, civis e cerimoniais. Esses vários preceitos não prejudica a sua unidade.
Nosso oponente arrazoa dizendo: “a profecia de Isaías da continuação do sábado pelos séculos infindáveis da eternidade: Isa. 66:23. A linguagem desta passagem é expressa dentro da visão do regime em que viviam então os israelitas, tendo a “lua nova”, uma reunião mensal, e os “sábados”, que expressa uma reunião semanal. Certamente teremos na Nova Terra dois tipos de reuniões—uma semanal, a cada sétimo dia, de caráter espiritual, e uma reunião mensal, de caráter social. É esperar para ver. . .”
RESPOSTA: Os escritores bíblicos apesar de serem inspirados pelo Espírito Santo, todavia o fizeram dentro da perspectiva cultural deles. Por causa disto, é bastante provável que Isaias tivesse usado o sábado e a lua nova como meio para medir o tempo, desde que isto era parte da herança cultural dele. Agora se fiarmos por esta linha de pensamento, então se o Sábado estará em vigor na nova terra, também estará em vigor a lua nova. Mas ponderemos: se alguém dissesse que iria visitar sua noiva de Sábado a Sábado isto implicaria que esse noivo iria visitá-la diariamente - de Sábado a Sábado – e não apenas no dia de Sábado. Logo a interpretação correta é que, no futuro, não iremos adorar a Deus em época especiais – de Sábado ou de lua nova, mas que, permanentemente, sem interrupção, estaremos adorando a Deus. Prova disso é Ap.21:1-4,23-24, mostra que no novo céu e nova terra não haverá necessidade de sol, pois as nações andarão à luz do cordeiro. Entretanto, a guarda sabática é de pôr do sol a pôr do sol, mas na nova terra e no novo céu não haverá dia ou noite. Deus revelou esta profecia nas condições que Isaias e seus ouvintes pudessem entender. Demais disso, estas datas vinham acompanhadas de cerimônias tais como oferendas de animais, purificação e congêneres. Guardarão isto também os adventistas? Pois como disse... “A linguagem desta passagem é expressa dentro da visão do regime em que viviam então os israelitas”.
É claro que Oseías possui um alcance bem maior do que pretende nosso amigo. Às vezes isto acontece sem que nenhum comentarista toque no assunto. Por exemplo: em Salmos 69:8 fala claramente sobre os irmãos de Jesus, pulverizando de uma só vez as “ponderações” romanistas. Ali não só diz que Jesus teve irmãos, mas que também eles eram filhos de sua mãe e não apenas sobrinhos como querem os católicos. Eu fico imaginando um teólogo judeu da época dos apóstolos e grande apologista das leis judaicas contestando Mateus em seu evangelho. Pegando possíveis erros de citações do evangelista. Ele poderia usar a citação de Mateus quando este afirma em sua apologia que Jesus mudou-se para Nazaré para “que se cumprisse o que foi dito por intermédio dos profetas”. Mat. 2:23. Entretanto, tal profecia não é encontrada em nenhuma parte do AT. Fico imaginando ainda o tal “professor da lei” perscrutando as antigas obras dos rabinos judeus para contestar o evangelista...
Mas este é um argumento bumerangue. Creio que o senhor não ignora aquele ditado que diz “quem tem telhado de vidros não joga pedra no telhado dos outros”. Veja que Isaias 56 é deveras um capítulo importante para os adventistas. Pois especulam que esta seja uma profecia para a era cristã, quando então a igreja gentia iria guardar o sábado. Contudo, pergunto ao senhor Brito: onde Isaias 56 se aplica aos tempos finais? Prova-me isso se possível. Mas use os mesmos critérios e a mesma linha de pensamento que usou contra mim no tocante a Oséias 2:11. Tudo que pode ser usado contra Oséias 2:11, também pode ser usado contra Isaias 56 e 58. Demais disso, há profecias na Bíblia que possuem um alcance maior. Podemos classificar as profecias em três grandes grupos, a saber:
1. Aquelas que tem cumprimento específico e já cumpridas, Isaias 13:19-21; Daniel 9:2.
2. Aquelas que possuem um duplo cumprimento, tal é o caso de Isaías 7:10-14; Daniel 12:11 c/ Mateus 24:15; II Samuel 7:12 (esta profecia diz respeito a Salomão, mas possui também um cumprimento messiânico) Poderia citar aqui muitas outras profecias que possuem um duplo cumprimento. No caso específico dos Salmos muitas coisas ali se referem a Davi, mas possui um cumprimento mais lato no tempo do messias.
3. Aquelas que dentro de um mesmo evento tem cumprimentos em partes, tal é o caso de Joel 2:28-31 que em parte se cumpriu em Atos 2:17-21 cf. também Isaías 9:6-7
Oseías 2:11 é uma daquelas profecias que possuem um duplo cumprimento (alternativa 2). Um se cumpriu quando Israel foi levado cativo para Babilônia e o outro na cruz (cf. Efésios 2:14,15; Colossenses 2:14-17). Digo que é mais fácil provar que Oséias é uma profecia dupla, pois há menção de tal cumprimento no NT, do que Isaias, onde não há uma só menção dos gentios guardando as leis judaicas, muito pelo contrário, o apóstolo repreende o gentio que começa a guardar dias judaicos (Gl. 4:9,10). Então se preferir fica o dito pelo não dito.
MAIS DISTORÇÕES
“Parece, contudo, que nosso oponente merece um pequeno crédito por sua nova visão sobre Mateus 5:17-19. No passado ele alegava que “cumprir” significa “abolir só em parte”, agora já admite que o termo grego pleroo indica total preenchimento do estipulado pela lei. Parabéns, vê-se alguma evolução. . .”
RESPOSTA: Mais distorções...e isto vindo de um homem que pretende “estar acima de qualquer suspeita”. Quanto esforço, quanta energia jogada fora!!! Constrói suas argumentações em cima de picuinhas! Isto não faz bem para um homem de sua idade...
Prova-me onde eu disse tal coisa. O que afirmei e continuo afirmando é que Jesus cumpriu de fato a lei inteira com todos os seus preceitos nela embutidos. Não precisa mais distorcer minhas opiniões, vou deixa-las mastigadinhas ao senhor.
1. A lei (toda ela) não seria abrogada (destruída), mas cumprida.
2. Quando fosse cumprida iria passar.
3. Todavia os princípios morais dessa lei (lei natural) foram preservados no NT. Desta maneira ela foi DERROGADA, pois parte dela foi conservada no NT.
Não estamos mais debaixo dos mandamentos como Moisés os expressou para o povo de Israel, porque ao serem expressos ao povo nos 10 Mandamentos, eles traziam a recompensa de que os judeus viveriam uma longa vida “na terra prometida” (Ex. 20:12). Quando o principio moral é estabelecido no Novo Testamento ele se expressa num contexto diferente, a saber, num contexto não nacional nem teocrático, mas pessoal e universal destituído da roupagem histórica cultural de Israel.
O fato de estarmos ainda atrelados a princípios morais “semelhantes” no NT, não significa que ainda estamos debaixo do velho Decálogo como dado a Israel. Para citar um exemplo: quando violo uma lei aqui no Brasil semelhante a dos EUA não significa que estou debaixo da lei americana. A verdade é que aquele que violou uma lei no Brasil (matar, roubar, adulterar, mentir) não violou lei alguma nos EUA, nem está sujeita às penalidades impostas neste país.
Onde há a mínima contradição com Abrogar-cumprir-derrogar? Tudo isto se encaixa no que eu disse, a saber: “Cristo, na cruz, cumpriu toda a lei, porém, derrogou-a, extinguiu-a parcialmente para excluir, inclusive, o cumprimento do sábado pela igreja que observa uma nova lei sancionada por Ele.Tanto revogou parcialmente (derrogou-a) que nos versículos que se seguem preleciona que: versículo 21: "Ouvistes que foi dito aos antigos: não matarás... EU PORÉM, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão será rel de juízo..." Nesse sentido vide: v. 27-18; v. 31-32; v.33-34. v. 38-39.
“Contudo, ainda lhe falta levar em consideração o contexto imediato e mais amplo da passagem, pois nada diz sobre o vs. 20, “se vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus”. Juntamente com o vs. 16, “assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” torna-se óbvio que a ênfase é sobre uma atitude de obediência a uma lei que não poderia estar a ponto de ser abolida ou substituída (ver o vs. 19). Bem como os vs. 21, 27, 33, 38, 43, onde o “ouvistes que foi dito . . . Eu porém vos digo” revela a intenção do discurso de Cristo em todo o capítulo—não o de ensinar o fim da lei, mas sim que esta tem um caráter muito mais profundo e santo do que era ensinado e praticado pelos líderes religiosos daquele povo.
O contexto mais amplo (todo o capítulo 5 até o final do 7) não é um discurso sobre fim de uma lei para início de outra, mas de como essa lei é para ser acatada segundo seus mais elevados e profundos princípios, em contraste com o hipócrita apego exterior à mesma por fariseus e saduceus. Basta deixar o texto falar por si, sem pressupostos anti-sabáticos (como é a clara intenção dos que criam teses absurdas de lei abolida diante desses capítulos bíblicos) que tal verdade se destacará.”
RESPOSTA: Podemos chamar este discurso apropriadamente de falácia de generalização apressada, como o nome indica, é aquela em que uma pessoa constrói algumas premissas para um argumento e, em seguida, o conclui rápido demais. Sim, concordo. Jesus ensinou sobre guardar a lei, no entanto era TODA A LEI e não só os Dez Mandamentos. O contexto de forma alguma sugere dizer que esta lei era apenas os dez mandamentos. Este argumento fica por conta do senhor....É como o senhor bem disse “Basta deixar o texto falar por si, sem pressupostos”.
O Novo Concerto Reafirma a Lei ?
Quero acreditar que não foi por falta de competência que o senhor Brito utilizou-se do ‘cola-copia”. Talvez falta-lhe um pouco de estudo teológico na questão. Se imaginasse que iria me mandar o capitulo do livro de Christianini teria evitado tamanho esforço, pois tal livro sempre o tenho diante de mim quando escrevo sobre esta questão, se tornou um dos meus livros de consulta. Vejamos então as subtilezas do erro esposadas por Christianini.
Este autor não leva em consideração que o escritor bíblico usa uma figura de linguagem muito utilizada na Bíblia chamada “Sinédoque”, onde toma o “todo pela parte” e a “parte pelo todo” pars in toto continetur. O escritor aos hebreus nos diz que o “Antigo Concerto” foi ABOLIDO e diz também que este antigo concerto era os dez mandamentos.
Uma das matérias estudadas em “hermenêutica” é o uso dos recursos literários. E no caso em pauta, este recurso se chama “repetição”, qual seja, é o uso repetido de palavras, frases ou orações idênticas para dar ênfase ao que se quer afirmar ou provar. Um uso muito habilidoso usado pelos escritores sacros. Eis as provas textuais:
1. “Então o Senhor vos falou do meio do fogo; e a voz das palavras ouviu, porém, além da voz, não viste semelhança nenhuma. Então, vos anunciou ele o seu concerto, que vos prescreveu, os dez mandamentos, e os escreveu em duas tábuas de pedra” (Dt.4:12-13).
2. “Subindo eu ao monte a receber as tábuas de pedra, as tábuas do concerto que o Senhor fizera convosco, então fiquei no monte quarenta dias e quarenta noites; pão não comi, e água não bebi; e o Senhor me deu as duas tábuas de pedra, escritas com o dedo de Deus, aquelas palavras que o Senhor tinha falado convosco no monte, do meio do fogo, estando reunido todo povo” (Dt.9:9-10).
3. “Disse mais o Senhor a Moisés: Escreve estas palavras; porque conforme ao teor destas palavras tenho feito concerto contigo e com Israel. E esteve ali com o Senhor quarenta dias e quarenta noites; não comeu pão, nem bebeu água, e escreveu nas tábuas as palavras do concerto, os dez mandamentos. (Êx.34:27,28).
4. “Nela pus a arca em que estão as tábuas da aliança que o Senhor fez com Israel (IICr.6:11)
“...Nada havia na arca senão só as duas tábuas, que Moisés ali pusera junto a Horebe, quando o Senhor fez aliança com os filhos de Israel” (IICr.5:10)
5. “Nada havia na arca, senão as duas tábuas de pedra, que Moisés ali pusera, junto a Horebe, quando o Senhor, fez pacto com os filhos de Israel, ao saírem eles da terra do Egito...E ali constituí lugar para a arca em que está o pacto do Senhor, que ele fez com nossos pais quando os tirou da terra de Egito.” (I Reis 8:9,21)
6. “que tinha o incensário de ouro, e a arca do pacto, toda coberta de ouro em redor; na qual estava um vaso de ouro, que continha o maná, e a vara de Arão, que tinha brotado, e as tábuas do pacto” (Hebreus 9:4)
O peso da prova é tão contundente que dispensa qualquer comentário. É exigido um esforço descomunal, uma verdadeira ginástica teológica para tentar rebater tais provas que per si, já demonstra que os argumentos sabatistas estão fadados ao fracasso. Pois para as coisas claras não há necessidade de qualquer interpretação... in claris cessat interpretatio...
NO CONTEXTO DO SINAI
A palavra concerto ou aliança tem sua origem na palavra hebraica “berith” e “diatheke” no grego. A etimologia é de todo incerta, mas parece prevalecer a idéia de um acordo ou tratado entre duas partes equivalentes ou uma superior a outra. “A maneira mais adequada em se firmar uma aliança foi sem dúvida o documento escrito, em que as palavras da aliança eram lidas, testemunhadas, assinadas e seladas. Tais documentos existem em grande quantidade.” (Dic. Intern. Teol. Ant. Testamento pág. 282)
Os capítulos 19 ao 24 nos dão um vislumbre deste tratado ou pacto. No capítulo 19 Deus propõe a aliança, dizendo ao povo que se eles ouvissem sua voz, seriam o povo especial de Deus com bênçãos sem medidas. Então, Moises, vai e propõe isto ao povo. O povo aceita. Há neste momento um pacto firmado entre Deus e o povo. Agora no capitulo 20 os israelitas começam a ouvir a voz de Deus. Então, Deus, propõe a sua lei que vai até o capitulo 23. Deus promete bênçãos materiais ao povo. Neste momento, Moises, escreve todas estas palavras em um livro. Asperge o sangue da aliança no livro e nas pessoas confirmando assim aquele pacto. Isto selou o concerto entre Jeová e os israelitas. Esta era a Antiga Aliança, o Velho Testamento, o Antigo Pacto ou Concerto que a Bíblia nos diz que se tornou obsoleto Heb. 8:13. Toda essa aliança estava registrada no livro e por isso ele é chamado de “o livro da aliança” Ex. 24:7. Diz o Dr. Alfons Deissler, “...a partir do Deuteronômio em diante “pacto” e “livro” (documento da aliança) representam duas entidades estreitamente ligadas entre si” e “...desempenha um papel essencial na renovação do pacto, promovido por Josias” (Anúncio do Antigo Testamento pág. 70)
E o decálogo estava incluído naquele pacto? Ainda Deissler, “Ora, o Deuteronômio que chegou até nós considera o decálogo como síntese da aliança e do livro... ou seja, como a verdadeira e própria magna charta do pacto, a qual... era conservada, escrita em tábuas, na arca da aliança.” (ibdem) e explica: “Deve-se acrescentar que por “livro da berith” se entende certamente o decálogo juntamente com todas as leis do “livro da aliança”. Certamente que “As dez palavras, ou dez mandamentos, constituem a introdução ao pacto.” ( Samuel J. Schltz - A História de Israel no Ant. Test. Pág. 57)
Os dez Mandamentos está tão integrado no Antigo Pacto quanto o sábado está no decálogo (sic). Na verdade o livro da “berith” aparece como ampliação jurídica ou como comentário e aplicação concreta do decálogo. Simplesmente porque o decálogo foi forjado na lei natural, eterna e imutável de Deus. Podemos dizer que a alma dos Dez Mandamentos era a lei natural de Deus, que por assim dizer, foi como que amalgamada com a estrutura histórica do culto israelita – seu corpo. O Decálogo foi preparado dentro do contexto pactual entre Jeová e Israel, trazendo toda sua peculiaridade. Sendo assim, Deus poderia muito bem ter mudado o decálogo sem, contudo, trazer prejuízo àquela lei maior. Um exemplo: O Brasil possui seu código penal que entre vários artigos declara como crime e é expressamente proibido: o roubo, o furto, o assassinato, o perjúrio etc... Percebemos que estas leis são baseadas na lei eterna/moral de Deus. Se por acaso a lei de nossa Federação fosse abolida, aboliria porventura a lei de Deus? Claro que não. Assim também, a lei estatal de Israel, que foi abolida na cruz, não mudou a grande lei eterna de Deus. Pois tal lei era só uma lei nacional fundada nos princípios da lei eterna de Deus. Seu teor particular era adaptado à época judaica, era por enquanto, “a carta” ou “forma” da lei. Enquanto que o mens legis nunca poderia ser mudado. A carta sim tem de mudar para se ajustar às circunstâncias variáveis das pessoas no mundo. E o decálogo é esta carta. O decálogo era tão intrínseco ao pacto que Deus o retirou para ser um testemunho do pacto, por isso a arca na qual era depositada as tábuas de pedra contendo o decálogo é chamada de “Arca do Testemunho”. O tabernáculo onde ficava esta arca foi chamado de “Tabernáculo do Testemunho”.
Para esclarecer melhor a questão gostaria de citar um dos maiores teólogos que já tivemos, “Charles Finney”, que certamente pode ser considerado um “prócere” do passado. Sua pessoa e obra dispensam comentários. Em sua obra “Teologia Sistemática”, que gira em torno do tema “Lei Moral”, ele nos agracia com tamanha lucidez na questão em lide. Vejamos o que ele diz nesta questão, sendo que sua visão sobre a lei é compartilhada por quase todos os grandes teólogos do passado:
O que é a Lei Moral para Finney ? “A lei moral é uma regra de ação moral com sanções” e mais “É isso que se entende por lei da natureza. É a lei ou regra de ação imposta a nós por Deus na natureza e pela natureza que ele nos deu”...”É a lei da natureza, a lei que a natureza ou constituição de todo agente moral impõe a si próprio e que Deus nos impõe porque é inteiramente adequadas a nossa natureza e relações, sendo, portanto, naturalmente obrigatória para nós” (págs. 45,46,48,314)
Estamos sujeitos ao espírito ou a letra da lei ? “Para a letra da lei moral é possível haver exceções” (pág.290)
Existe algum exemplo a ser dado? “Os mesmos princípios se aplicam à profanação governamental do sábado. O sábado é uma instituição Divina clara, fundamentada nas necessidades dos seres humanos. A letra da lei do sábado proíbe todo trabalho de todo tipo e sob todas as circunstancias nesse dia. Mas conforme já disse numa aula anterior, o espírito da lei do sábado, sendo idêntica ao da lei da benevolência, às vezes requer a violação da letra da lei. Tanto governos como indivíduos podem e devem fazer no sábado tudo o que seja claramente exigido pela grande lei da benevolência” (pág. 316)
Outro exemplo: “Quando Paulo diz: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas me convém” (1 Co 6:12), é preciso que não o entendamos como se quisesse dizer que todas as coisas, no sentido absoluto, fossem lícitas para ele, ou que algo não conveniente fosse lícito para ele. Mas sem dúvida ele queria dizer que muitas coisas inconvenientes não eram expressamente proibidas pela letra da lei; que o espírito da lei proibia muitas coisas não proibidas expressamente pela letra” (pág. 49)
Mas, voltando para a Bíblia, deixemos que ela fale por si, caso contrário, incorremos no erro de querer ajustar o ensino das escrituras de acordo com nossos pressupostos, fazendo deles a base de nossas premissas no que redundará numa teologia cavilosa. Neste momento é justo fazer uma pergunta: Se não estamos mais debaixo da lei judaica inteira em quaisquer de seus aspectos seja ele moral, cerimonial ou civil, então isto quer dizer que podemos matar, mentir roubar, adulterar ou adorar ídolos? Nossa resposta é a mesma dada pelo apostolo: “Pois quê? Havemos de pecar porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? De modo nenhum.” Rm. 6:15. Apesar de não estarmos mais debaixo da lei mosaica, isto não quer dizer que o cristão não está sem lei para com Deus. É debilidade infantil, erro crasso quando o senhor Brito nos acusa de antinomistas, de que odiamos a lei de Deus e expressões afins. Ele está na verdade construindo um espantalho para depois se gabar de ter destruído um monstro. Saiba que obedecemos aos mandamentos de Deus não por que estão expressos no velho decálogo, mas por que 1) fazem parte da lei eterna de Deus 2) foram reiterados novamente (foi assim que Cristo derrogou a lei) no Novo Concerto através de Cristo, agora destituído da roupagem pactual do Velho Concerto com a qual estava vestido apropriadamente a Israel. Não faz sentido ficar insistindo em remendar a Nova Aliança com roupagem Velha.
Se os adventistas fizerem jus a coerência, há de admitir que tudo que está no decálogo foi dado por Deus, cada palavra, cada sentença. Ora, não são eles mesmos que dizem que o decálogo é a lei moral de Deus?! Pois bem, vejamos então se os adventistas cumprem de fato a lei “moral” do decálogo como ufanam dizer. Caso contrário incorrem em grande contradição;
1. O segundo mandamento nos diz que é proibido fazer imagens. Sabemos que a igreja Católica é a principal em desrespeitar este mandamento fazendo imagens de Cristo e até de Deus, o Pai.
Contradição: em nome da honestidade terão de admitir que eles mesmos quebrantam este mandamento. E o pior, quebram-no com as imagens provindas do catolicismo. Isto pode ser visto nos antigos livros de Ellen G. White onde a mesma imagem de Cristo que é adorada pelos católicos ilustram os livros da pseudoprofetisa. E mais recentemente a cúpula da igreja tem aceitado enormes imagens de Cristo e anjos dentro de seus prédios. Diz certa reportagem que, “Foi na última Conferência Geral em Toronto, Canadá. Estavam lá muitas imagens de escultura representativas de pessoas das diferentes partes do Mundo que receberão a Jesus em Sua segunda vinda. Todas imagens com tamanhos de homens esculpidas em bronze. Também uma representação da segunda vinda de Jesus, com anjos [efeminados!] e até o próprio Jesus ao centro, tudo esculpido em bronze. “
2. O quarto mandamento que é a “pedra de toque” do adventismo, por incrível que pareça é o que mais eles desobedecem. Vejamos:
a) “seis dias trabalharás”. Para serem coerentes teriam de trabalhar também aos domingos para cumprirem todo o mandamento. Mas parece que preferem obedecer a lei do país, que e´ um reflexo da tão odiada “promulgação de Constantino” de não trabalharem no domingo. Sem falar é claro, na questão do próprio sábado. O senhor Britto sabe mais do que ninguém que um dos principais fatores que levaram o Movimento de Reforma ao cisma dentro da Igreja Adventista do Sétimo dia foi a questão do sábado e da guerra. Pois os reformistas acusam os adventistas do sétimo dia de terem quebrado o 4º e o 6º mandamento quando permitiram que seus membros fossem para a guerra no dia de sábado. Em minha cidade existe um adventista que além de advogado é também locutor de rádio (da rede adventista) e árduo defensor do descanso sabático. Fiquei perplexo quando em debate nos confessou que às vezes precisava trabalhar para seus clientes aos sábados. Legalismo e hipocrisia andam de mãos dadas!
b) junto com a ordem de guardar o sábado havia regras estritas dadas de como devia ser guardado. Era a situação sine qua non para se guardar o sabbath, qual seja:
I – Não deviam ascender fogo Ex. 35:3;
II – Não deviam cozinhar naquele dia Ex. 16:23;
III – Não era para saírem de casa. Ex.16:29;
IV – Os israelitas deviam apedrejar aqueles que não guardassem o sábado Ex. 31:14;
V - Era para os filhos de Israel obrigarem seus escravos a guarda-lo também Ex. 20:10.
VI – Não deveria comprar nem vender neste dia.
Cumprem isto os sabatistas? Não usam eles do trabalho de outros no sábado quando ascendem a luz elétrica, compram uma passagem de ônibus para ir ao culto, saem de casa para ir a igreja em longas distâncias coisa que era vedado pela lei. Sugiro que sejam coerentes também no cumprimento deste mandamento punindo aqueles que não guardam o sábado com a lei do apedrejamento. Pois invoca-se inutilmente o auxilio da lei quem a infringe...Legis auxilium frustra invocat qui commitit in legem.
LEI DE CRISTO E LEI DE DEUS
Nosso antagonista teima em afirmar que a lei de Cristo é a mesma velha lei judaica dado no Sinai. E faz o seguinte silogismo:
“Há quem ensine que a “lei de Cristo”, ou Seus mandamentos (como em João 14:15), nada tem a ver com o Decálogo, ou Dez Mandamentos, sendo tal “lei de Cristo” a nova norma para os cristãos (como se Cristo tivesse rompido com o Pai estabelecendo lei diferente) que traz somente nove dos 10 mandamentos da lei “antiga”, “caduca”, etc. Embora fale repetidamente da “lei de Cristo”, Paulo também fala da “lei de Deus” com igual força de validade (comparar Rom. 7:22, 25; 13:8-10; com Gál. 6:2 e 1 Cor. 9:21).
Tiago fala da mesma lei como baseada no amor, e a chama de “lei da liberdade” (Tia. 2:8-12). João fala da lei de Deus e de Cristo como se fossem uma só e a mesma, sem distinção, ao longo de suas epístolas, 1 e 2 João (ver, por exemplo, 1 Jo. 3:2-4; 4:19-21; 5:1-3 e 2 Jo. vs. 5 e 6).”
“Conclusão: A lei de Cristo e a lei de Deus são uma só e a mesma. Jesus declarou: “Eu e o Pai somos um” (João 10:30). Ele acentuou o princípio do amor a Deus e amor ao próximo como base de Seus mandamentos segundo os mesmos princípios básicos da lei de Deus desde o princípio (Deut. 6:5; Lev. 19:18, cf. Mat. 22:37-40). Para Paulo, estar “sob a lei de Cristo” é comparável a estar em harmonia com a lei de Deus (1 Cor. 9:21).”
Resposta - O termo “lei” e “mandamentos” em ambos os testamentos tem conotações diferentes. Dentro do contexto do VT a palavra “lei e mandamentos” sempre se referem aos ditames de Moises dado a Israel. Os israelitas estavam debaixo da lei de Moises, sujeito ao velho concerto. Já no NT quando se fala em “seus mandamentos” ou na “lei de Cristo” deve-se levar em consideração o contexto da Nova Aliança e não o da antiga. Leva-se em consideração a Cruz e não o Sinai. Duas regras básicas deveriam governar sub examine nosso estudo.
Estes dois princípios significam que nós deveríamos ler a Bíblia levando em conta o evangelho e deveríamos julgar todo o assunto através das epístolas.
Os adventistas estão errados em admitir que sempre que se fala de mandamentos no NT o entendimento que se deva ter é que se refiram aos 10 mandamentos. É mais ou menos o que fazem as TJs com o “nome de Deus”. Sempre que encontram o vocábulo “nome” no NT dizem ser uma prova de que o tetragrama YHWH ou sua corruptela “Jeová” foi usado. Mesmo não tendo prova alguma, querem forjar uma prova. Mas voltando a questão...o que Paulo disse mesmo em I Co. 9:21?
OS MANDAMENTOS DE JESUS
Reiteradamente encontramos na Bíblia a recomendação de Jesus para guardarmos seus mandamentos. As seguintes passagens assim indicam:
A que Jesus se referia quando falava de seus mandamentos? Ele foi bem específico quando falou de seus mandamentos.
Vejamos a que Jesus se referia quando falava de mandamentos:
ü “Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis.” ( Jo 13.34);
ü “O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei.”(15.12);
ü “O seu mandamento é este: que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo seu mandamento.”( 1 Jo 3.23);
ü “E dele temos este mandamento: que quem ama a Deus, ame também seu irmão.” (I Jo 4.21);
ü “E agora, senhora, rogo-te, não como escrevendo-te um novo mandamento, mas aquele mesmo que desde o princípio tivemos: que nos amemos uns aos outros.” (II Jo 5) (o grifo é nosso) Notou o leitor que nada se fala de guardar o sábado?
Demais disso em Atos 1:2 afirma que Jesus deu mandamentos aos apóstolos pelo Espírito Santo. Paulo nos diz que o que vale mesmo é obedecer aos mandamentos de Deus (I Co. 7:19), mas assevera que seus ensinos nada mais eram que mandamentos de Deus II Co. 14:37 – I Tess. 4:2.
a) Em I João cap. 2 nos vrs.1,2 João
fala de Jesus e usa o pronome possessivo “seus” o que revela tratar-se
dos mandamentos de Jesus (At.1:2) e não do Decálogo; b); Jesus deu mandamentos
aos seus seguidores, mas nunca mandou guardar o Sábado (Jo.14:15,21; 15:10; I
Jo.2:3; 5:3); c) O caráter dos mandamentos de Jesus é revelado nas seguintes
passagens (I Jo.3:23; 4:21; II Jo.5; Mt.28:18-20); d) Paulo declarou todo o
conselho de Deus (At.20:20,27) e disse o que escrevia eram mandamentos de Deus (ICor.14:37),
mas nunca mandou ninguém guardar o Sábado, pelo contrário, afirmou que o Sábado
fazia parte das coisas temporárias da lei, que constituíam sombra das coisas
futuras (Cl.2:14-17; Gl.4:21-31) . Afirmou também que, guardar o Sábado ou dias
religiosos era decair da graça (Gl.4:10,11; 5:4). No que diz respeito com a
questão em flama a sua reposta além de não esgotar o tema, percebo,
respeitosamente, um toque de sofisma nela. De acordo com
o seu arrazoado de que a lei de Cristo e de Deus é a mesma porque eles são um, e
dele nunca ter rompido com o Pai, é argumento sem força de persuasão, inócuo,
simplório demais. Outrossim, Jesus não precisava de “romper” com o Pai para dar
mandamentos diferentes dos do Decálogo. Este argumento é de patente exclusiva de
nosso antagonista e pelo que percebo muito débil. É porque ele é nosso Deus é
que tem poder de mudar onde, como e quando ele quer. É verdadeiro o axioma que
diz novus rex nova lex.Veja porque:
· Jesus disse que seus mandamentos não eram dele, mas do Pai, João 14:24 - 17:8,14;
· Jesus e o Pai eram um só, João 14:9, 10;
· Todavia, o mandamento de Jesus era totalmente NOVO (nada no texto sugere que seus mandamentos eram a mesma lei do Sinai), João 13:34 – Mateus 28:20;
· Depois de sua morte o Espírito Santo daria mais mandamentos ainda, João 16:13. Vemos o cumprimento parcial disto em Atos 1:2;
· Mais tarde parece que tais mandamentos foram chamados de “a lei de Cristo” I Co. 9:21 Gl. 6:2;
· Paulo contrasta a lei da dispensação mosaica com a lei de Cristo. Ele chama a lei de Cristo de Lei do Espírito Rm. 8:2; diz que essa lei livrou-o da lei do pecado, algo que a lei mosaica nunca conseguiu fazer v. 3. Em Gálatas ele contrasta a lei de Moises com a lei de Cristo e diz que se você é guiado pelo espírito não esta debaixo da velha lei. Esta lei também pode ser chamada de “lei da liberdade” pois é a que dá liberdade Gl.5:1,13, ao contrário da lei mosaica que escravizava Gl. 4:21,22, também é sinônimo de “lei real” Tiago 2:8,12, que nada mais é do que a lei do amor ensinada por Cristo.
Em última análise podemos dizer que a lei de Cristo e a lei de Deus são a mesma, pois Jesus também é Deus. Todavia seus mandamentos nada têm a ver com o decálogo. Não é porque alguns mandamentos são citados ao longo do NT que significa que o decálogo em si esteja em vigor hoje para os crentes da Nova Aliança. Diante do exposto acima o argumento de nosso oponente não prevalece. O que eles querem mesmo, contudo isso, é preservar o abrogado sábado judaico na igreja.
AS TÁBUAS DA LEI
Na tentativa de provar que o decálogo e juntamente com ele o sábado, está em vigência no NT os adventistas lançam mão de argumentos infantis desprovidos de qualquer fundamento lógico, histórico, que dirá bíblico. Um deles tem a ver com a Arca da aliança e as tábuas de pedra.
“No Apocalipse, o povo remanescente de Deus é caracterizado como os que “guardam os mandamentos de Deus e têm a fé de Jesus” (Apo. 12:17 e 14:12). João descreve uma visão que teve do Templo de Deus, dentro do qual contemplou “a arca da aliança” (Apo. 11:19). Aqueles que conhecem sua Bíblia sabem que nessa arca foram guardados os Dez Mandamentos (Deut. 10:1-5). Por que a João foi mostrada essa “arca da aliança” num contexto claramente escatológico? É que ela representa o trono de Deus que se assenta sobre a justiça (a lei) e a misericórdia (o propiciatório).”
Diz ainda em outro e-mail: “Mas, pode argumentar o quanto quiser, uma coisa ainda as diferencia: uma delas (o decálogo) foi escrita pelo dedo de Deus em tábuas de pedra. A outra pela mão de Moisés em rolos de papiro.A pedra representa perpetuidade, e foi a lei básica dada por Deus com os princípios morais que fundamentam o Seu governo universal, tanto que também foi guardada dentro da arca (outra diferença significativa).”
E ainda: “escrita com o dedo de Deus em tábuas de pedra, e as outras partes da legislação do velho concerto (os preceitos cerimoniais, civis, etc.) que NÃO FORAM PROCLAMADAS SOLENEMENTE NEM REGISTRADAS EM TÁBUAS DE PEDRA! O fato de que no final todas as disposições legais, de caráter moral, cerimonial, civil, foram escritas num livro não desfaz diferença alguma. Notem bem: Persiste o fato de que o Decálogo foi solenemente proclamado e registrado pelo dedo de Deus em tábuas de pedra (ver ainda Êxo. 32:15 e 16). Os demais mandamentos não o foram. Então, como diz aquela piadinha clássica: há uma diferença—e que diferença!”
Os adventistas acreditam que os mandamentos das tábuas são superiores aos demais e sugerem a seguinte razão:
Contudo urgi relembrar que Deus só escreveu o decálogo porque o povo ficou com medo e não quiseram ouvir a voz de Deus, pois que era terrível (Êxodo 20:17-19). Pediram que Moises falasse por Deus, então Moisés escreveu tudo em um livro (24:3,4,7), mas as tábuas e o livro formavam um só concerto e uma só lei. Este concerto ou a lei não poderia ser algo perpétuo, pois foram quebrados por Moisés (Êxodo 32:19), prefigurando assim a quebra da aliança pela quebra do 1º e 2º mandamentos da lei, pelo povo de Israel. Vemos neste incidente algo significativo, pois mostrava quão frágeis eram os dez mandamentos para corrigir o pecado do povo. Novamente são confeccionadas novas tábuas, novamente os mandamentos foram ditos por Deus Êxodo 34:1, mas com um pormenor: desta vez escritos pelo dedo de Moisés v.27,28. Foram estas tábuas escritas por Moisés que foi posta na arca. Todo esse alarde feito pelos adventistas de que eram superiores, não possui força de prova, pois se fosse assim a vara de Arão e o maná, também o seriam, pois ambos foram postos dentro da arca (Hebreus 9:4). O livro do testemunho que segundo os adventistas é inferior à tábua, e é até irônico dizer, não sofreu um arranhão sequer, enquanto os dez mandamentos foram quebrados. A verdade dos fatos é que existiam preceitos morais dentro do livro e mandamentos cerimoniais dentro do decálogo.
É digno de nota o fato de que a aliança que Deus fez com Israel no Sinai refletia no fundo e na forma os tratados de suserania Hitita. M.G. Kline em sua obra Treaty and Covenant, mostra que o tratado de suserania encontrado no antigo Oriente Próximo é a chave para a compreensão da forma de aliança de Deus com o antigo Israel. Ele e muitos outros estudiosos sugerem ainda que os dez mandamentos, o livro da lei e textos como Josué 24 estão todos baseados em um modelo de aliança encontrado nas antigas civilizações que contém:
1. Um preâmbulo no qual o suserano (o autor) é identificado;
2. Um prólogo histórico que descreve a relação anterior entre as partes;
3. Estipulações básicas e detalhadas; as condições e as exigências do suserano;
4. Depósito de uma cópia do pacto no santuário do vassalo;
5. Leitura pública periódica dos termos do pacto diante do povo;
6. Juramento de lealdade acompanhado de maldições e bênçãos invocadas sobre o vassalo, isto é, a ratificação da aliança;
7. Testemunhas e direcionamento para que se cumpra o acordo.
“Quase todos os tratados dos séculos 14 e 13 a.C., de que se tem notícia seguiam esse padrão bem de perto.” (Mcdowell). “É perfeitamente possível que aquele marcado caráter de estatuto de aliança tenha sido impresso no decálogo...sob inspiração daqueles tratados.” (Deissler).
“Todo este procedimento pactual provê o contexto cultural em que o relacionamento de Deus com seu povo é formulado” (Dic. Int. Teol. do Ant. Test.).
É notadamente marcante o exemplo histórico que temos quanto a isto. Escavações arqueológicas tem demonstrado que o Código de Hamurabi escrito na época de Abraão seguia bem de perto esta forma. Este código foi escrito em uma pedra negra com cerca de 2,40 m, e contem 82 seções sobre diversas leis. Muitas leis contidas nesta pedra revelam inúmeras similaridades com as leis do Pentateuco, quanto a castigo de crimes, imposição de multas contra delitos leves e quebras de contratos. No extremo superior desta pedra há um baixo relevo que mostra Shamash, o deus sol, no ato de dar as leis ao rei Hamurabi. Também os tabletes de Ras Shamra que datam cerca de 1400 a.C. registram várias leis similares às do livro do levítico como ofertas queimadas, os holocaustos, as ofertas de culpa e as ofertas pacíficas (Mcdowell).
Como vimos, não há nada que indique a fantasiosa e ingênua diferença erigida pelos adventistas ao dizer que os dez mandamentos eram superiores porque Deus os escreveu em pedras. Fica provado que a forma do pacto Israelita era baseado nos pactos das civilizações do antigo Oriente. Não cabe aqui