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O Carma na cosmovisão Kardecista

por Artigo compilado - sáb ago 10, 2:54 pm

Paralelamente à doutrina da reencarnação segue-se a doutrina do carma que, nas palavras de Kardec, explica essa doutrina dizendo que toda a falta cometida, todo o mal praticado, é uma dívida contraída que deverá ser paga pelo próprio homem através do arrependimento, expiação (que é o sofrimento) e reparação (que são as boas obras). Assim, as condições para alguém se tornar um espírito puro são três:

Arrependimento, expiação e reparação constituem, portanto, as três condições necessárias para apagar os traços de uma falta e suas conseqüências (“O Céu e o Inferno”, p. 747. Editora Opus Ltda., 2ª edição especial, 1985).

Resposta Apologética:

1. Arrependimento

Quanto ao arrependimento, a Bíblia afirma que o ladrão na cruz se arrependeu e ouviu de Jesus a promessa de que naquele mesmo dia estaria com Ele no paraíso: Senhor, lembra-te de mim quando entrares no teu reino. E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso (Lc 23.42-43). Jesus, por sua vez, estabeleceu: se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis (Lc 13.3).

2. Expiação

Então, segundo Kardec, esta vida é uma expiação. O que sofremos é justo; foi merecido por nós, ainda que seja noutras encarnações. Muito bem. Então, quando um homem mau persegue o seu semelhante; quando alguém furta; quando o capanga mata; é sempre instrumento de justiça divina. Deus não pode deixar exceder o que a pessoa mereceu; pois que, se o sofrimento passasse o mal cometido, Deus seria injusto; faria diferença entre as suas criaturas inteligentes. Segue-se que, se matarmos, se torturarmos ao próximo, não fazemos nada de mal. É apenas o que ele mereceu noutras encarnações! Sim, pelos dizeres dos espíritas, Deus não pode permitir a injustiça; Deus não pode permitir a desigualdade do mundo. Se o permite, é porque foi merecida. E daí? Daí que resulta que não há mal nenhum em matar; que é uma boa obra o furtar; que há merecimento em martirizar os outros… e não é só isso: deduz-se que se está fazendo um bem quando todo mundo pensa que se está a fazer mal aos outros.

Quando um amigo atraiçoa outro, rouba-o, deixa-o na miséria – devia ser abraçado por este com lágrimas de gratidão. Não lhe podia fazer um bem maior.

E depois, ele já tinha mesmo de passar por essa… Estava escrito… Ele o tinha merecido na encarnação anterior. Logo, espíritas, pelas suas doutrinas, podemos e devemos praticar o mal. Quanto mais mal fizermos aos outros, maior será o benefício que eles recebem. Quanto mais pagar das suas culpas, tanto mais nos agradecerá.

Pela doutrina bíblica, fazendo mal aos outros, expomo-nos a fazer sofrer um inocente. Pela doutrina espírita, só fazemos sofrer a quem mereceu.

3. Reparação

Quanto a esta última, o espiritismo adotou o slogan: Fora da Caridade não há Salvação.

Meus filhos, na máxima, Fora da Caridade Não Há Salvação, estão contidos os destinos dos homens na terra como nos céus (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, p. 631, Ibidem).

Muitos querem identificar a caridade cristã com a filantropia. Na realidade são duas coisas distintas. Em 1 Coríntios, 13.3, Paulo afirma que alguém pode dar seu corpo para ser queimado e todos os seus bens aos pobres e ainda não ter caridade. Se não é caridade cristã, então o que é? Seria, a verdadeira filantropia. Filantropia e caridade podem apresentar um aspecto externo exatamente igual e, no entanto, haver diferença fundamental entre ambas. Dizemos, à luz da Bíblia, que a razão da nossa existência consiste em glorificarmos a Deus: Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus (Mt 5.16). Digno és, Senhor, de receber glória, e honra, e poder, porque tu criaste todas as coisas, e por tua vontade são e foram criadas (Ap 4.11). Logo, o primeiro mandamento, em importância, é o amar a Deus sobre todas as coisas (Mt 22.37-39). E afirmamos que existe uma conexão entre a caridade cristã e o amor a Deus. Os dois chegam mesmo a identificar-se, pois em Mateus 25.40 Jesus declara: E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizeste a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes. Aí está a significação da caridade. O cristão ama a Deus no próximo. Foi assim que se deu com Zaqueu (Lc 19.1-10). Ao receber Jesus em casa, logo nasceu a preocupação pelos menos favorecidos e se pronunciou espontaneamente: E, levantando-se Zaqueu, disse ao Senhor, eis que eu dou aos pobres metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, o restituo quadruplicado (Lc 19.8).

As boas obras nunca salvaram e nunca ajudaram a salvar. Paulo afirma em Efésios 2.8-10: Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie. Porque somos feitura sua; criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas. Somos criados para as boas obras e não pelas obras e é por meio da fé que somos salvos. As boas obras são o resultado da nossa fé em Cristo. Paulo, em 2 Coríntios 5.17, declara que nos tornamos novas criaturas, abandonando as práticas más e nos voltamos para a prática do bem, desde que estejamos em Cristo Jesus. Logo, as boas obras devem ser apenas a manifestação externa do interno amor que temos a Deus.

4. Perguntas que fazem os espíritas:

Por que uns nascem com saúde e outros doentes e aleijados?

a) Pai sifilítico gera filho sifilítico. A TV apresentou uma reportagem a respeito de oito mil crianças nascidas aleijadas e defeituosas, porque suas mães em estado de gravidez tomaram o famoso psicotrópico Talidomida. Este é o fato inconcusso absoluto. O resto não passa de pura fantasia dos adeptos da reencarnação.

b) Por que alguns nascem ricos e outros na mais extrema miséria?

Dizem os reencarnacionistas que os ricos são espíritos adiantados e os pobres, espíritos atrasados.

Ora, se assim fosse, Cristo deveria ser um espírito muito atrasado, pois morreu pobre, crucificado entre dois ladrões e miseravelmente caluniado.

Pelo que sofreu deveria ter cometido hediondos crimes na vida passada. Ocorre que Kardec ensina que a pessoa não tem lembrança alguma dos fatos da vida anterior.

Castigar sem que o réu saiba por que parece brutalidade e não satisfaz nem o nosso próprio sentimento de justiça humana, quanto mais o da justiça divina. Um Hitler fica livre de seus crimes, porque uma menina nascida no Brasil é a reencarnação de Hitler e vai sofrer no lugar dele. Mesmo sem saber porque está acometida de uma doença grave, por exemplo, leucemia. Morre sem saber dos seus crimes numa existência anterior quando vivia como Hitler.

É lógico? Kardec afirma mais que: a reencarnação se enquadra melhor com a justiça ao dizer que é única que corresponde à idéia da justiça de Deus… (“O Livro dos Espíritos”, p. 84. Editora Opus Ltda., 2ª edição especial, 1985).

c) Qual o estado da alma, originalmente?

São criadas simples e ignorantes as almas, quer dizer, sem cultura e sem reconhecerem o bem e o mal (“O Livro dos Espíritos”, p. 324. editora Opus Ltda; 2a edição especial, 1985).

Façamos então uma comparação entre os homens e os animais. Afirma Kardec que os animais tiraram o seu princípio inteligente do elemento universal inteligente, igualmente como o que aconteceu com o homem. Posto isto, os animais possuem uma inteligência que lhes faculta certa liberdade de ação, inclusive passando pela erraticidade como o homem, sujeito a uma lei progressiva. Mas, por fim, fica o animal no mesmo nível de que o homem, admitindo-se o princípio de justiça de que cada qual faz por merecer? Não! Os homens sempre se colocam num nível superior aos olhos dos animais, para quem os homens são deuses, permanecendo assim os animais num estado de inferioridade. Logo, Deus criou seres intelectuais perpetuamente destinados à inferioridade, que, parece, contraria o princípio de justiça divina a que se refere Allan Kardec para justificar a reencarnação.

De onde tiram os animais o princípio que constitui a espécie particular de alma de que são dotados?

Do elemento inteligente universal.

Tendo os animais uma inteligência que lhes dá certa liberdade de ação, haverá neles algum princípio independente da matéria?

Sim, e que sobrevive ao corpo.

Sobrevivendo à morte do corpo, a alma o animal fica errante, como a do homem?

Há uma como erraticidade, e vez que não se acha unida a um corpo…

Os animais estão sujeitos, como o homem a uma lei progressiva?

Sim, e daí vem que nos mundos superiores, onde os homens são mais adiantados, os animais também o são, dispondo de meios mais amplos de comunicação. São sempre, porém, inferiores ao homem e se lhe acham submetidos, tendo neles o homem servidores inteligentes

(O Livro dos Espíritos, p. 167, Editora Opus Ltda., 2º edição especial, 1985).

Por que é que uns nascem inteligentes e outros medíocres?

Como acontece com os animais, os vegetais e também a parte somática do indivíduo em que não há nada absolutamente igual, assim também acontece com a inteligência do homem. Já viram porventura uma impressão digital igual à outra? De maneira nenhuma. Assim também acontece com a inteligência, faculdade da alma. Temos ainda a palavra de um médium espírita:

Anatole Barthe refuta assim as desigualdades humanas: Para desenvolver as desigualdades humanas os espíritas ensinam a reencarnação. Não sabem estes que não há dois seres, duas coisas perfeitamente iguais na natureza e que nem no imenso espaço nem tampouco ao longo do tempo podem ser encontradas? Não é precisamente na diversidade que nasce a harmonia do universo? (“Le Livre des Espirits, Recueli de Comunications Obenues par Divers Médiuns”, Paris, 1863 p. 21).

e) Regressão de idade prova a reencarnação?

Absolutamente não. Já se acha comprovado pela hipnologia: quando o hipnotizado é reencarnacionista, revela reencarnação, entretanto quando não é, nega-a. De forma que a regressão de idade para provar ou negar a palingenesia depende da opinião do hipnotizado.

Experiências Inversas – Podemos também fazer experiências de progressão de memória sugerindo que o hipnotizado tenha envelhecido, situação irreal, que se comporta como autêntico ancião. Conclui-se daí que em ambos os casos as situações são puramente imaginárias, sugeridas tanto pelo consciente como pelo hipnotizado.

f) O problema populacional:

Sabemos que a população do mundo aumenta assustadoramente, ultrapassando hoje os seis bilhões de habitantes. Sabemos também que há poucos anos eram três bilhões. No Brasil, por exemplo, em 1935, havia mais ou menos 34 milhões de pessoas; em 2001 somos mais de 160 milhões. Portanto, se a pessoa morre e se reencarna, não pode absolutamente aumentar a população. De onde, então, vêm tantos espíritos? Allan Kardec ensina que o homem vem do macaco, evoluindo. Será por isso que os macacos estão em extinção?

Extraído da Editora ICP em 10/08/2013


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