Centro Apologético Cristão de Pesquisas - CACP

 

É PECADO COMER CARNE?

 

Por João Flávio Martinez, do CACP    

 

Parte 1

 

É argumentado por algumas religiões pseudocristãs que ingerir certos tipos de carne é cometer pecado. Outras são mais radicais e proíbem qualquer dieta de carne. Entre essas religiões encontramos a Igreja Adventista do Sétimo Dia — Movimento de Reforma. Essa Igreja dividiu-se do primeiro grupo, os Adventistas do Sétimo Dia, na Primeira Guerra Mundial, quando a maioria concordou que seus seguidores poderiam ir para a guerra lutar, até mesmo no sábado. Uma facção achou essa idéia arbitrária. Segundo afirmavam, com a aprovação de seus adeptos lutando na guerra estariam desobedecendo dois mandamentos: “não matarás” (Êx 20.13) e “santificai o sábado” (Êx 20.8). Daí, então, surge a Igreja Adventista — Movimento de Reforma (IAMR), que, a cada dia, se mostra mais fechada e inflexível às mais simples interpretações bíblicas. Desejamos, com este artigo, avaliar, à luz da Bíblia, essa falsa doutrina sobre a carne.

Existe uma razão espiritual para que não comamos carne?

Vejamos o que afirma esse movimento: “E nós, para podermos entrar na pátria celestial, necessitamos de uma preparação maior que a dos judeus [que se alimentavam de carne] para entrarem na Canaã terrestre. Nesta preparação, devemos, portanto, nós os que vivemos no tempo do fim, abster-nos do alimento cárneo com maior razão que eles”1  (grifo do autor).

 

Como podemos observar, a indução declarada nesse texto demonstra que se o cristão comer carne ele não entrará “na pátria celestial”. Desse modo, os adeptos do movimento trocam a graça de Cristo por um alimento. Uma das grandes líderes desse grupo religioso, Ellen G. White, afirma: “... Muitos alegam que a carne é essencial; mas é devido a ser o alimento desta espécie estimulante, a deixar o sangue febril e os nervos excitados, que assim se lhes sente a falta. Alguns acham tão difícil deixar de comer carne, como é o ébrio o abandonar a bebida...2  (grifo do autor).

Mais uma vez a indução, agora de que a carne é “estimulante e deixa o sangue febril e os nervos excitados”. Parece-nos que a Sra. Ellen G. White quer insinuar que comer carne é ficar propenso ao pecado. Mas, ironicamente (e sem o objetivo de nos opormos à alimentação por meio de frutas e vegetais), lembramos que o pecado entrou no mundo quando Eva, em desobediência a Deus, comeu do fruto da árvore que não poderia. Sim, uma fruta foi usada para seduzir a mulher e colocá-la em  “xeque-mate”. A Palavra de Deus diz: “E viu a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento; tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela” (Gn 3.6; grifo do autor). Ou seja, o pecado entrou no mundo e, nessa trama diabólica, um fruto foi usado, e o sacrifício de um animal (carne), que tipificava a morte de Cristo, foi a redenção de Adão e Eva.

Outro caso foi o de Jacó, que seduziu seu irmão com uma sopa de lentilhas e o enganou (Gn 25.34). É claro que o diabo pode lançar mão de muitas coisas para seduzir e enganar a humanidade, mas daí afirmar que comer carne é pecado ou que é requisito para entrar na pátria celestial é extrapolar com a exegese3  e mutilar a hermenêutica.4 

A obra Vida cotidiana nos tempos bíblicos nos mostra como era a alimentação do povo de Deus no passado. Veja seu comentário sobre a alimentação com carnes:  

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