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Por Willian Webster Introdução: Antes
de adentrarmos ao assunto propriamente dito, convêm determinar
a terminologia bíblica que os escritores do NT aplicavam ao corpo
de literatura judaica aceita. Isto é importante para descobrirmos
o cânon da Bíblia hebraica antes do início da Igreja
cristã primitiva porque, como diz Paulo, "aos judeus foram
confiados os 'oráculos de Deus" (Rom. 3:2). Isto é
uma declaração importante indicando que havia um cânon
divinamente inspirado e autorizado pela nação Judaica.
É importante identificarmos quais são esses livros e sua
autoridade porque unicamente esses livros que são verdadeiramente
'os oráculos de Deus' é que podem ser usados pela Igreja.
Os
católicos romanos sustentam que o cânon dos judeus estava
aberto e de fato, veio incluir os livros apócrifos. Para sustentar
este ponto de vista geralmente apontam para dois eventos históricos
principais. O primeiro é o Concílio de Jamnia realizado
entre 75 e 117 d.C. Este concílio fora presidido por líderes
judaicos que estiveram alegadamente a responsabilidade para oficialmente
fechar o cânon das Escrituras Sagradas judaicas. O segundo, é
a utilização da septuaginta pelos judeus de Alexandria
, a tradução Grega das Sagradas Escrituras hebraica. Os
católicos afirmam que os judeus de Alexandria incluíram
os Apócrifos junto com os outros livros como seu cânon,
isto porque, os manuscritos mais antigos que nós possuímos
da Septuaginta contêm alguns dos livros apócrifos. Os
protestantes evangélicos rejeitam esses argumentos porque eles
são uma distorção dos fatos. As evidências
indicam que na época do NT, o cânon da Bíblia hebraica
consistia de um número preciso de livros e foram agrupados segundo
uma estrutura específica, provando que o corpo canônico
destes livros havia sido fechado bem antes de Cristo. O que não
falta são testemunhas quanto ao número e a estrutura dos
livros do cânon o que é confirmado por muitas fontes independentes,
incluindo: O Testemunho de Jesus e o Novo Testamento Assim
como Paulo se referiu às Sagradas Escrituras do Velho Testamento
em um sentido geral como 'os oráculos de Deus,' Jesus também
se referia ao Velho Testamento em termos gerais. Isto prova que Jesus
e os apóstolos tiveram em mente uma quantidade certa de livros
que estavam incluídos sob aqueles títulos gerais. Por
exemplo, Jesus referiu ao VT como a "Lei de Moises e os Profetas".
A 'Lei de Moises' foi universalmente entendida como se referindo aos
primeiros cinco livros da Bíblia conhecidos como Pentateuco a
saber: Gênesis, Êxodo, Levitico, Números e Deuteronômio.
Quando Lucas registra o diálogo entre Jesus e os discípulos
na estrada de Emaús, ele usa a seguinte expressão: 'E
começando por Moisés e por todo os profetas, explicava-lhes
o que dele se achava em todas as Escrituras." (Lucas 24:27). Outra
vez nós encontramos aqui descrições gerais. "Moisés
e os Profetas" são logo a frente chamados de 'Escrituras'.
"Moisés e os Profetas" compreendem um conjunto específico
de livros. Outros títulos utilizados para representar os livros
do VT como uma coleção de livros sagrados são:
'a Lei,' 'a Lei e os Profetas,' 'as Escrituras Sagradas' e 'a Palavra
de Deus.' Esses títulos gerais confirmam que aquela classe de
livros foram recebidos como Escrituras Sagradas. Quando um judeu utilizava
o termo - 'os Profetas' - todos sabiam que livros ele tinha em mente.
Isto com certeza foi o caso de Paulo quando utilizou o termo 'os oráculos
de Deus'. Enquanto Jesus referiu às Sagradas Escrituras em termos
gerais, ele também freqüentemente especificou alguns livros
particulares que ele considerou inspirados. Por Exemplo, depois da leitura
do livro do profeta Isaías na sinagoga ele disse, 'Hoje se cumpriu
esta Escritura em vossos ouvidos" (Lucas. 4:21). Ele ainda citou
Salmos (Mc. 12.10), Deuteronômio (Mt. 4:4,7,10), Isaias e Jeremias
(Lucas 19.46) e Zacarias (Mc. 14:27). Agora, se nós sabermos qual tipo de cânon que Jesus utilizava então saberemos que livros são os verdadeiros 'oráculos de Deus.' e saberemos também qual cânon é autorizado para a igreja cristã.
Como
podemos perceber, historicamente, a estrutura do cânon hebraico
não era fixa. Jesus não deixou nenhuma lista de livros
inspirados do VT, mas seguindo a visão judaica tradicional de
estruturar o cânon, ele referiu às Sagradas Escrituras
pela divisão tripla, "Lei de Moisés, os Profetas
e os Salmos". O termo "Salmos" era outra maneira de referir
à terceira categoria do cânon hebraico comumente conhecido
como Escritos ou Hagiógrafos, de que os Salmos assegurava um
lugar de proeminência. Assim, se nós pudermos determinar
que livros compreendem cada uma destas três divisões, nós
saberemos que livros Jesus acreditava ser inspirados. Eclesiástico - O prólogo da tradução Grega de Eclesiástico, escrito cerca de 130 a.C, pelo neto de Jesus ben Sirah, atesta: "Pela Lei, pelos Profetas e por outros escritores que os sucederam, recebemos inúmeros ensinamentos importantes...Foi assim que após entregar-se particularmente ao estudo atento da Lei, dos Profetas e dos outros Escritos, transmitidos por nossos antepassados..." Pelo que parece para este escritor há três grupos de livros que têm uma autoridade única em seu tempo, e que seu avô escreveu depois deles ganhando grande fama como seu intérprete e não como seu rival. O tradutor explicitamente distingue o 'algo' ( o livro de Eclesiástico) da 'Lei, os Profetas e os outros escritos.' O autor separa o livro de Eclesiástico das Sagradas Escrituras, não o inclui no cânon. Josefo - Outra testemunha da divisão tríplice do cânon hebraico é Josefo, Fariseu e historiador judaico que testemunhou a queda de Jerusalém em 70 a.D. Em Contra Apionem ele escreve: "Não
temos dezenas de milhares de livros, em desarmonia e conflitos, mas
só vinte e dois, contendo o registro de toda a história,
os quais, conforme se crê, com justiça, são divinos."
Depois de referir-se aos cinco livros de Moisés, aos treze livros
dos profetas, e aos demais escritos (os quais "incluem hinos a
Deus e conselhos pelos quais os homens podem pautar suas vidas"),
ele continua afirmando: Filo
- um judeu alexandrino do século primeiro, em sua obra, De Vita
Contemplativa (25), também testemunha divisão tripartida
do cânon do VT. Jerônimo - foi o tradutor da Vulgata Latina, a Bíblia oficial do catolicismo. Ele estudou vários anos na Palestina com mestres hebraicos e após retornar escreveu no prefácio dos livros de Samuel e Reis da Vulgata sobre a tríplice divisão do cânon judaico como a Lei, os profetas e os Hagiógrafos. Bíblia católica - na página 15 da Bíblia católica versão dos Monges de Maredsous da editora Ave Maria sob o subtítulo "Introdução - A Bíblia em Geral" confirma esta tríplice divisão hebraica sem os livros apócrifos: "É
sumamente útil lembrar como foi feita cada uma dessas coleções.
A coleção dos livros do Antigo Testamento originou-se
no seio da comunidade dos judeus que a foram ajuntando no decorrer de
sua história. Dividiram-na em três partes: É
interessante notar que este comentário declara que a Bíblia
foi formada na comunidade judaica na palestina e não em Alexandria
no Egito. Portanto, a formação do cânon ou seu fechamento
é de competência dos judeus da Palestina. Mckenzie - outro biblista católico que confirma a tríplice divisão do cânon hebreu é John L. Mckenzie em seu "Dicionário Bíblico" pág. 141, assegura: "No Novo Testamento, podemos ver que Jesus e os apóstolos aceitaram uma coleção de livros sagrados, juntamente com os hebreus. E os títulos por eles usados correspondem à tríplice divisão dos livros hebraicos." Em
adição, a literatura Rabinica também falou de uma
divisão tripla do VT. O Talmud babilônico (14) de Baba
Bathra referi a esta divisão. Apesar da estrutura do cânon ser um pouco flexível o mesmo não se dava com os livros que compunham a Bíblia hebraica, os quais eram fixo em número de vinte e dois ou vinte e quatro dependendo de como eram arranjados. Isto porque às vezes Rute era anexado ao livro de juízes e Lamentações ao de Jeremias, perfazendo um total de vinte e dois. Quando colocados separadamente o número subia para vinte e quatro. Todavia, o número de vinte e dois é atestado por inúmeras testemunhas. Uma destas testemunhas como já vimos é Josefo. "Não temos dezenas de milhares de livros, em desarmonia e conflitos, mas só vinte e dois..." Josefo não só deu o número de vinte e dois, mas reconheceu que somente estes eram aceitos pelo seu povo como canônico. Perceba que ele não deu uma opinião pessoal dele, mas colocou a questão de modo geral. A importância deste seu testemunho é maior ainda por que com certeza sendo um judeu helenista que falava o grego era impossível não conhecer a versão da Septuaginta. Assim, ainda que ele houvesse utilizado a versão grega, ele cita unicamente o cânon palestinense. E lembrando que Filo de Alexandria, também, possivelmente, conhecia ou manuseava a Septuaginta, mas não há prova que alguma vez houvesse citado um sequer dos apócrifos. Isso prova que não é porque alguém usou a Septuaginta que forçosamente terá que admitir o cânon mais extenso que incluía os apócrifos. E isso serve como resposta às objeções católicas de que Jesus e os apóstolos aceitaram os apócrifos por terem utilizado a versão dos Setenta. A antiga obra pseudepigrafa, "Jubileus", encontrada entre a comunidade dos Essênios em Qumran, também numera os livros do VT em vinte e dois. Esta talvez seja a testemunha mais antiga quanto ao número de livros que compreendia o cânon hebraico, antecipando a Josefo. Junto
a estes temos um grande número de pais da igreja primitiva que
citaram a numeração tradicional judaica (22 livros) para
o cânon hebreu. Orígenes, que tinha contato com os escritos
judaicos escreveu que o número de livros canônicos era
vinte e dois. Ele preparou em 240 d.C; uma edição do VT
em seis colunas, a famosa Héxapla, assim distribuídas:
1ª coluna, o texto hebraico; 2ª transliteração
do texto hebraico em caracteres gregos; 3ª tradução
grega literal ; 4ª tradução grega idiomática
de Símaco; 5ª a Sepuaginta; 6ª tradução
grega de Teodócio. Novamente o estudioso católico nos confirma dizendo: "A
aceitação dos livros sagrados tal como se encontravam
na versão da LXX foi partilhada por todos os escritores eclesiásticos
dos primeiros três séculos d.C., exceto Melítão
de Sardes (1- por volta de 193 d.C.), que cita o cânone hebraico.
A existência de uma diferença entre o cânone hebraico
e a LXX é mencionada por Orígenes (t 254), que afirma
o direito dos cristãos a usarem os livros deuterocanônicos,
mesmo não sendo eles aceitos pelos hebreus. O mesmo cânone
é encontrado em todos os cânones oficiais: o Cânone
de Cheltenham (por volta de 350) e os cânones de Hipona (393),
Cartago (397) e de Inocêncio 1 (405). A única exceção
é o Cânone de Laodicéia (360). A literatura Rabinica Talmudica (Baba Bathra) deu a listagem como vinte e quatro. Este escrito é considerado como uma antiga tradição entre os judeus e dá uma identidade precisa somente daqueles vinte e quatro livros. Áquila, que se apostatou da fé cristã e posteriormente se tornou prosélito judaico, sob a tutela dos rabinos R. Elezer e R. Joshua, ou até mesmo de R. Akiba é outra importante testemunha do primeiro século sobre o número de livros do cânon hebreu. Foi ele quem traduziu o VT hebraico para o grego. Os judeus haviam se desinteressado pela Septuaginta por causa de seu uso pelos cristãos. Aquila ficou responsável por fazer essa nova versão para os judeus que não entendiam mais o hebraico. A versão de Áquila contem apenas os vinte e quatro livros da coleção tradicional atestado pelo Talmud.
O
cânon judaico não só incluía uma clara divisão
tripla como um número específico de livros (22). Resta-nos
saber então qual era a identidade destes 22 livros. Obviamente,
se Josefo e outros podiam dizer que o cânon consistia de apenas
vinte e dois ou vinte e quatro livros eles de fato sabiam que livros
eram estes. A pergunta é: pode um cânon limitado de vinte
e dois ou vinte e quatro livros incluírem os apócrifos?
Os fatos históricos apontam um uníssono não. "Temos somente vinte e dois que compreendem tudo o que se passou, e que se refere a nós, desde o começo do mundo até agora, e aos quais somos obrigados a prestar fé. Cinco são de Moisés, que refere tudo o que aconteceu até sua morte, durante perto de três mil anos e a sequência dos descendentes de Adão. Os profetas que sucederam a esse admirável legislador, escreveram em treze outros livros, tudo o que se passou depois de sua morte até o reinado de Artaxerxes, filho de Xerxes, rei dos persas e os quatro outros livros, contêm hinos e cânticos feitos em louvor de Deus e preceitos para os costumes. Escreveu-se também tudo o que se passou desde Artaxerxes até os nossos dias, mas como não se teve, como antes, uma sequência de profetas não se lhes dá o mesmo crédito, que aos outros livros, de que acabo de falar e pelos quais temos tal respeito, que ninguém jamais foi tão atrevido para tentar tirar ou acrescentar, ou mesmo modificar-lhes a mínima coisa. Nós os consideramos como divinos, Chamamo-los assim; fazemos profissão de observá-los inviolavelmente e morrer com alegria se for necessário, para prová-lo. Foi isso que fez morrer um tão grande numero de escravos de nossa nação em espetáculos dados ao povo, tantos tormentos e tantas mortes diferentes, sem que jamais se pudesse arrancar de sua boca uma única palavra contra o respeito devido às nossas leis e às tradições de nossos antepassados." Os
livros escritos depois de Artaxerxes (época do profeta Malaquias),
afirma Josefo, "...não se lhes dá o mesmo crédito,
que aos outros livros, de que acabo de falar e pelos quais temos tal
respeito..." Jerônimo (340-420), o grande teólogo bíblico do início do período medieval e tradutor da Vulgata latina, rejeitou explicitamente os apócrifos como parte do cânon. Ele disse que a igreja os lê "para exemplo e instrução de costumes", mas não "os aplica para estabelecer nenhuma doutrina" (Prefácio do Livro de Salomão da Vulgata, citado em Beckwith, p. 343). Na verdade, ele criticou a aceitação injustificada desses livros por Agostinho. A princípio, Jerônimo até recusou-se a traduzir os apócrifos para o latim, mas depois fez uma tradução rápida de alguns livros. Depois de descrever os livros exatos do AT judaico [e protestantel, Jerônimo conclui: "E então no total há 22 livros da Lei antiga [conforme as letras do alfabeto judaico],isto é, 5 de Moisés, 8 dos Profetas e 9 dos hagiógrafos. Apesar de alguns incluírem [...] Rute e Lamentações no hagiógrafo, e acharem que esses livros devem ser contados (separadamente) e que há então 24 livros da antiga Lei, aos quais o Apocalipse de João representa adorando ao Cordeiro por meio do número de 24 anciãos [...] Esse prólogo pode servir perfeitamente como elmo (i.e., equipado com elmo, contra atacantes) de introdução a todos os livros bíblicos que traduzimos do hebraico para o latim, para que saibamos que os que não estão incluídos nesses devem ser incluídos nos apócrifos" (ibid., grifo do autor). No prefácio de Daniel, Jerônimo rejeitou claramente as adições apócrifas a Daniel (Bel e o Dragão e Susana) e defendeu apenas a canonicidade dos livros encontrados na Bíblia hebraica, escrevendo: "As histórias de Susana e de Bel e o Dragão não estão contidas no hebraico [.11 Por isso, quando traduzia Daniel muitos anos atrás, anotei essas visões com um símbolo crítico, demonstrando que não estavam incluídas no hebraico [...] Afinal, Orígenes, Eusébio e Apolinário e outros clérigos e mestres distintos da Grécia reconhecem que, como eu disse, essas visões não se encontram no hebraico, e portanto não são obrigados a refutar Porfírio quanto a essas porções que não exibem autoridade de Escrituras Sagradas" (ibid., grifo do autor). A
sugestão de que Jerônimo realmente favorecia os livros
apócrifos, mas só estava argumentando que os judeus os
rejeitavam, é infundada. Ele disse claramente na citação
acima que: "não exibem autoridade de Escrituras Sagradas",
e jamais retirou sua rejeição dos apócrifos. Ele
afirmou na obra Contra Rufino, 33, que havia "seguido o julgamento
das igrejas" nesse assunto. E sua afirmação: "Não
estava seguindo minhas convicções" parece referir-se
às "afirmações que eles [os inimigos do cristianismoi
estão acostumados a fazer contra nós". De qualquer
forma, ele não retirou em lugar algum suas afirmações
contra os apócrifos. Finalmente, o fato de que Jerônimo
tenha citado os livros apócrifos não é prova de
que os aceitava. Essa era uma prática comum de muitos pais da
igreja. Ele afirmou que a igreja os lê "para exemplo e instrução
de costumes" mas não "os aplica para estabelecer qualquer
doutrina".
Eusébio citando Orígenes declara: "Em sua exposição do primeiro Salmo ele dá um catálogo dos livros nas Sagradas Escrituras do Antigo Testamento, da seguinte maneira: "Mas deve-se observar que os livros canônicos, conforme transmitidos pelos hebreus, são vinte e dois, de acordo com o número das letras em seu alfabeto". Após algumas outras observações, acrescenta: "Esses vinte e dois livros, de acordo com os hebreus, são os seguintes: 'Aquele chamado Gênesis, mas pelos hebreus, de acordo com o início do livro, Bresith, que significa no início. Êxodo, Walesmoth,' que significa, esses são seus nomes. Levítico, Waikra, e ele chamou. Números, Anmesphekodlim. Deuteronômio, Elle haddabarim, ou seja, essas são as palavras. Jesus, filho de Nave, em hebraico, Josué hen Num. Juízes e Rute em um livro; com o hebraico que chamam Sophetim. Dos Reis, o primeiro e o segundo, um livro, com eles chamado Samuel, o escolhido de Deus. O terceiro e o quarto de Reis, também em um livro com eles, chamados Wahammelech Dabid2 que significa e rei Davi. O primeiro e o segundo livro de Paralipomena, contido em um volume com eles e chamados Dibre Hamaim, que significam as palavras, isto é, os registros dos dias. O primeiro e o segundo de Esdras, em um, chamados Ezra, isto é, um assistente. O livro de Salmos, sepher Thehillim. Os Provérbios de Salomão, Misloth, Eclesiastes, Coheleth. O Cântico dos Cânticos, Sir Hasirim. Isaías, Iesaia. Jeremias, com Lamentações, e sua Epístola, em um, Jeremiah. Daniel, Daniel. Ezequiel, Jeezkel. Jó, Job. Ester, também com os hebreus, Ester. Além desses há também Macabeus, que são inscritos Sarbeth sarbane el. Esses, portanto, são os livros que Orígenes menciona no livro supracitado (Salmos)." (Histórica Eclesiástica - Eusébio de Cesaréia Livro VI, 25)
Objeções
quanto ao cânon judaico O maior problema com a teoria do cânon Alexandrino é que não há nenhuma lista ou coleções de livros ou testemunhas para nos dizer quais livros compunham de fato esse cânon. Ninguém sabe quais livros foram incluídos de fato na Septuaginta. Nada sabemos desta tradução antes da era cristã. O manuscrito mais antigo que trazem os apócrifos data do 4º século d.C. Outro problema com a teoria do cânon Alexandrino é que isto não prova de maneira conclusiva que os judeus Alexandrinos ou os outros judeus da dispersão adotaram um em detrimento do outro. Além disso, não há provas concretas de dois cânones diferentes sendo usados pelos judeus. Não há de se supor que os judeus alexandrinos não tinham por canônicos somente os 22 ou 24 livros usados pelos judeus palestinenses. Apesar de haver diferenças entre a cultura do judeu helenístico e o da palestina, não há nada que prova que essa diferença afetou o cânon. Tanto é que nem Josefo ou Filo, sendo judeus helenistas que falavam o grego e, portanto tiveram contato com a Septuaginta, citaram os livros apócrifos apesar de terem citado os 22 livros canônicos do judaísmo tradicional. O Conselho de Jamnia Freqüentemente os livros católicos levanta a objeção de que o Concilio de Jamnia decidiu a fixação do cânon hebraico. Conseqüentemente, antes desse Concílio o cânon judaico ainda estava aberto. Historicamente, havia alguns poucos livros que foi o centro de debate dentro do judaísmo. Eram Ezequiel, Provérbios, Eclesiastes, Cantares e Ester. Mas não se segue que porque havia debates em torno deles, que não faziam parte do cânon judaico, estando o cânon ainda aberto. A questão não girava em torno se estes livros deveriam entrar no cânon ou não, mas se eles deveriam permanecer canônicos. Nunca houve qualquer menção sobre acrescentar livros ao cânon, principalmente os apócrifos. Aliás,
ressalta-se que o termo Sínodo ou Concílio é inapropriado.
A academia de Jamnia, estabelecida pelo rabino Johanan ben Zakkai antes
da queda de Jerusalém em 70 d.C., era ao mesmo tempo uma universidade
e um centro legislativo. Cantares:
Alguns achavam este livro sensual demais;
Os Essênios O
NT cita os apócrifos? Alguns
objetam dizendo que há muitas referências feitas pelos
escritores do NT aos apócrifos, e, portanto, nós não
podemos assegurar que Jesus de fato aceitava o cânon palestinense.
As provas oferecidas para isto geralmente são as citações
listadas pela edição do NT grego Nestle-aland que inclui
um apêndice de supostas referências e alusões aos
apócrifos e pseudepígrafos no NT. Entretanto, a ilegitimidade
deste apêndice torna-se patente quando algumas destas alusões
são examinadas. Por Exemplo, alega-se que a referencia de Mateus
4:4 é uma alusão ao livro apócrifo Sabedoria de
Salomão 16:26, mas isto nada mais é que uma clara citação
direta de Deuteronômio 8:3. Também é dito que Mateus
4:15 é uma alusão a 1 Macabeus 5:15, mas o verso é
uma citação direta de Isaias 9:1. Dizem que Hebreus 11:35
é uma alusão a II Macabeus 7.12, mas parece ser mais uma
referência a I Reis 17.22. Quanto aos pseudepígrafos as
únicas alusões certas é o Livro de Enoque 1.9 em
Judas 14. Seria este um argumento do silêncio?
Mas este argumento não procede porque não há paralelo real entre a falta de alusão a livros que certamente são canônicos e a falta de alusão aos apócrifos. Como nós temos visto, o cânon do VT já estava bem estabelecido na época de Jesus. O próprio Jesus menciona sua tripla divisão e Josefo nos conta que aquelas três divisões perfaziam 22 livros, número este confirmado por muitas outras fontes históricas. Além disso, não há absolutamente nenhuma evidência que qualquer dos escritos apócrifos foi alguma vez aceito como canônicos pelos Judeus. Alguns dos livros apócrifos eliminam eles mesmos da condição de canônicos como Eclesiástico e I Macabeus. Os pais da Igreja primitiva afirmavam que os judeus não aceitavam os apócrifos como canônicos. Assim, a falta de alusão para alguns livros do VT não tem o mesmo peso quanto a mesma falta de alusão aos apócrifos católicos pelo fato de estes livros já fazerem parte do cânon judaico sob as categorias gerais de Leis, Profetas e escritos que totalizavam 22 livros apenas. Paulo nos informa que aos judeus foram confiados os "oráculos de Deus". O fato dos judeus terem rejeitado a Jesus não minimiza o fato de eles serem os guardiões do cânon. Traduzido e adpatado pela equipe editorial do CACP. Gostou desta matéria?
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