Centro Apologético Cristão de Pesquisas - CACP
As escravas do papa
(O tenebroso testemunho de uma ex-freira carmelita americana)
Entre 1956 e 1982,
meu marido sempre me trazia de presente, toda semana, um livro interessante,
pois sabia quanto eu gostava de ler. Lembro-me que certo dia ele me
trouxe um livro de Nelson Rodrigues, cujo título fiz questão
de esquecer. Consegui ler o tal livro até o final, mas logo em
seguida tive uma crise de enxaqueca e vômito e precisei ser medicada
pelo nosso médico alemão. O livro era nojento e me fez
muito mal. Foi o primeiro e último livro que li daquele autor
sádico e imoral. Jamais gostei de ler assunto de sexo, violência
e satanismo. Uma das poucas virtudes que sempre consegui cultivar foi
a virtude da pureza.
O relato da vida da freira Charlotte foi retirado de um site
muito confiável (http://www.jesus-islord.com/charlot1.htm)
e não se pode duvidar da veracidade do mesmo. Li esse testemunho em duas etapas e fiquei tão
chocada que me lembrei do tal livro de Nelson Rodrigues. Achei que deveria
traduzir esse relato e entregar aos amigos leitores, a fim de que possam
conhecer o sadismo com que alguns padres e madres católicos costumam
tratar as pobres freiras trancadas em clausuras, as quais não
podem sair dos claustros para denunciar os maus tratos a que são
submetidas pelos "filhos" do papa, nesses antros de violência
e sadismo.
Vamos contar os horrores sofridos por Charlotte e suas companheiras
de clausura. Ela usa esse pseudônimo, temendo pela própria
vida, pois os asseclas do Vaticano não costumam enviar recado:
eles matam... O testemunho de Irmã Charlotte é comovente
e chocante. Contudo nos oferece um insight do que existe de pior na
vida de muitos conventos católicos, onde os padres costumam agir
de maneira iníqua, desrespeitando e torturando as indefesas "filhas
de Maria" e escravas do papa.
Um leitor disse o seguinte a respeito do testemunho de Charlotte:
Grato por ter publicado esse testemunho. Fiquei muito chocado com o
que li. Acredito no que ela falou porque trabalhei como garçom.
Os padres e freiras chegavam toda tarde para tomar os seus drinques,
usando hábitos. Certo dia uma amiga confrontou um daqueles padres
e um dos seus "garotos" com uma forte censura. Ele fez tudo
para que ela fosse despedida do emprego e depois passou a aparecer ali
usando hábito e se embriagando. Falamos que não ficava
bem que as crianças os vissem bebendo, especialmente porque eram
considerados "povo de Deus" (pelo menos aos olhos inocentes),
e que isso dava muito na vista...
Por isso é que entendo o que Irmã Charlotte diz e gostaria
de orar pelas outras freiras que ainda continuam prisioneiras nos conventos
católicos de clausura. (Assinado: S.R.)
Agora vamos dar literalmente a palavra a Irmã Charlotte.
Antes de mais nada,
eu gostaria de dizer que não estou dando este testemunho porque
alimente qualquer tipo de ódio no coração contra
o povo católico. Não poderia me considerar cristã
se guardasse amargura no coração. Deus me livrou de toda
amargura e antagonismo... Ele se tornou real para mim, no poder do Espírito
Santo. Dou este testemunho porque Deus me salvou e me libertou do convento,
da escravidão e das trevas do Romanismo. Ele me pôs no
coração o fardo de dizer a verdade, para que os leitores
possam saber o que acontece nos conventos de clausura... Não
desejo falar coisa alguma que possa demonstrar ressentimento contra
o povo católico. Não gosto do que os católicos
fazem, discordo das coisas que eles ensinam e estou entregando a Jesus
as suas almas preciosas. Preocupo-me com eles. Jesus foi até
o Calvário para que todos nós pudéssemos conhecê-Lo
e por isso me importo com as almas deles...
Tendo nascido no Catolicismo Romano, eu não conhecia a Palavra
de Deus porque não possuía uma Bíblia em casa,
e nunca havia escutado o maravilhoso plano de salvação.
Vivendo num lar católico, eu conhecia apenas o Catecismo e os
demais ensinos da ICR. Porque amava o Senhor e desejava fazer algo por
Ele, eu queria entregar-Lhe minha vida. Não sabia de outra maneira
pela qual uma jovem católica romana pudesse entregar sua vida
a Deus, a não ser entrando num convento. Freqüentava o confessionário,
desde os sete anos de idade, onde, naturalmente, fiquei sob a influência
do padre católico, meu confessor, o qual passou a controlar toda
a minha vida...
Certo dia, coloquei na mente, sob a influência dele e de uma das
professoras da escola paroquial, que desejava me tornar freira. Naquele
tempo pensava em ser freira numa ordem aberta e quando fiquei num desses
conventos, até receber o véu branco, aos dezesseis anos
e meio, achava que tudo era bonito. Não havia temor algum em
meu coração. Tudo que me haviam ensinado na Igreja parecia
estar em sintonia com os ensinos dali.
Vou relembrar agora um dia muito especial, antes de entrar no convento.
Duas de minhas professoras vieram até minha casa, junto comigo.
E quando lá chegamos naquela tarde, avistamos o meu confessor,
que também lá se encontrava. Desejo esclarecer que quando
eu era criança jamais me permitiam falar, a não ser quando
indagada sobre alguma coisa. Estavam todos conversando, quando cheguei
perto de meu pai e perguntei se podia falar algo, o que era muito fora
do comum. Quando ele mo permitiu, eu disse: "Papai, quero entrar
no convento". O padre concordou logo... Meu pai ficou surpreso
e começou a gritar, não de tristeza, mas de alegria. Minha
mãe chegou e me abraçou alegremente, desmanchando-se em
lágrimas, porque a sua filhinha estaria indo para o convento,
a fim de orar pela humanidade perdida. Todos nós estávamos
empolgados. Tive de esperar um ano, até que minha mãe
completasse a preparação do meu enxoval e, finalmente,
entrei no convento.
O Noviciado
Como não houvesse
uma vaga em convento algum ali perto, meus pais me levaram para bem
longe, a mais de mil milhas dali, e entrei num convento para fazer o
meu noviciado. Estava com doze anos e nove meses. [Primeiro, o padre
confessor e as duas professoras fizeram a cabeça da menina Charlotte,
para que ela desejasse ser freira. Segundo, influenciaram e convenceram
os pais da garotinha a ficarem felizes com a decisão da mesma.
Terceiro, levaram-na para um convento distante, a fim de dificultar
qualquer aproximação futura com os pais. É assim
que a hierarquia romana sempre age... calculada e traiçoeiramente!]
Eu era apenas uma menina. Olho para trás e penso: "Ó,
meu!" Saudades? Sentia tanta saudade do lar! Meus pais haviam ficado
três dias comigo e quando partiram fiquei cheia de saudade. Claro,
por que não? Eu era apenas um bebê, longe de casa. Jamais
havia passado uma noite sequer longe de minha mãe, nem ido a
lugar algum sem a família. Havia uma estreita união em
nossa família e por isso me senti tão solitária
e saudosa. [No contexto social daquele tempo, as filhas ainda não
costumavam contratar bandidos para assassinar os pais...]
Depois que meus pais se foram para tão longe, comecei a imaginar
em meu coração que jamais iria vê-los novamente.
Claro que não havia planejado desse modo, pois meu plano era
entrar num convento aberto. Prestem muita atenção... Hoje
sabemos que os padres selecionam o seu "material" através
do confessionário [Em geral eles escolhem filhas únicas
de famílias abastadas, as quais são obrigadas a fazer
voto de pobreza, pois, quando lhes morrem os pais, entregam à
Igreja toda a fortuna destes.]
Como já falei antes, aos sete anos de idade eu já freqüentava
o confessionário. Quando ia à Igreja, ficava na ponta
dos pés para conseguir beijar o crucifixo e, então, aos
pés do mesmo, eu pedia à Virgem Maria que me ajudasse
a fazer uma boa confissão. Era apenas uma criança de coração
muito puro. Os padres nos haviam ensinado a fazer sempre uma boa confissão,
sem deixar coisa alguma esquecida. Deveríamos falar tudo, se
quiséssemos receber a absolvição dos pecados cometidos.
Por isso eu pedia que a Virgem Maria me ajudasse a fazer uma boa confissão.
[No Romanismo tudo é absolutamente errado. Desde as intenções
dos seus hierarcas, até as orações dos iludidos
católicos]
Tendo ficado alguns anos naquele convento, precisei continuar meus estudos.
Havia concluído o primeiro grau, quando me prometeram dar o segundo
grau e um curso superior. Contudo, apenas concluí o segundo grau,
e com terríveis esforços e muita dificuldade. Mesmo assim
sou grata por me terem permitido cursar o segundo grau. Logo me colocaram
em crucial treinamento, a fim de me tornar uma noviça e poder
entrar de vez no convento. Esse treinamento é além do
que se pode contar e somente quem passou por um deles, durante algum
tempo, pode realmente saber em que consiste.
Agora eu já havia entrado no convento e posso contar-lhes como
se vive, o que se come e como se dorme ali. Se eu levasse os leitores
para dentro do convento é que poderiam entender exatamente o
que se passa ali... O tempo foi correndo e quando eu tinha quatorze
anos e seis meses, a Madre chegou para me falar a respeito do véu
branco, sobre o qual eu pouco sabia, a não ser que, segundo me
disseram, após recebê-lo eu me tornaria uma esposa de Jesus
Cristo. Haveria uma cerimônia, na qual eu seria vestida com traje
de noiva. Na manhã determinada, disseram-me que eu seria vestida
de noiva às 9 hs. Imaginem onde elas costumam conseguir o traje
de noiva para as freirinhas. A madre superiora escreve uma carta ao
pai da futura "esposa de Cristo", dizendo de quanto dinheiro
precisa para o evento e o pai logo o envia. [ Pura verdade. Tive uma
irmã no convento e lembro-me que era meu pai quem arcava sempre
com as despesas da mesma, até de uma aspirina que ela precisasse
tomar].
A freirinha que cuidava das compras saiu para comprar o material e o
traje foi confeccionado pelas próprias freiras do convento (Eu
ainda estava numa ordem aberta e por isso as freiras podiam sair para
fazer compras). Então vocês vão indagar: "Será
que ela gastou todo o dinheiro recebido para aquele traje de noiva?"
Por enquanto não posso responder, pois estou há pouco
tempo no convento... Mais tarde saberei que o traje não deve
custar mais de um terço do dinheiro recebido e o resto as madres
embolsam... Depois de um certo tempo ali no convento, quando tive ensejo
de confeccionar alguns trajes de noiva, fiquei sabendo quanto realmente
eles custavam e de onde vinha o dinheiro dos mesmos...
Finalmente chegou a hora em que desfilei pela nave da igreja, em traje
de noiva. Lembro-me que eu costumava percorrer a "via sacra"
das 14 estações, de pé, ajoelhando-me diante de
cada "estação". Porém depois de receber
o véu branco passei a percorrê-las de joelhos, a fim de
me tornar mais digna do papel de esposa de Cristo. [Fui católica
até os 48 anos de idade e quando era adolescente, fazia a mesma
coisa, desejando me tornar santa. Era do tipo "escrupuloso"].
Apesar da longa distância, eu a percorria de joelhos, toda sexta
feira de manhã, achando que isso me levaria para mais perto de
Deus e me tornaria mais digna do passo que pretendia dar.
Gravem bem na mente este detalhe: cada menina que entra no convento
nada sabe a respeito da vida mundana e ali chega com o coração
puro. Ela só tem o desejo de viver para Deus. Deseja entregar
o seu coração, mente e alma a Deus. Resumindo: essas meninas
entram no convento, sem conhecer coisa alguma do mundo lá fora...
Ao contrário do que acontece com certas estrelas de cinema, que
já conhecem todos os segredos da vida mundana e são recebidas
nos conventos católicos, depois de entregar milhões de
dólares à Igreja... Esta nunca se preocupa com o tipo
de pessoa que entra em seus conventos, contanto que receba destas uma
alta quantia em dinheiro...
Observem atentamente que depois de entrarmos no convento passamos a
ser vistas como senhoras casadas. Somos esposas ou noivas de Cristo.
O padre começa a ensinar tudo que a menina precisa saber, a fim
de tomar o véu branco. Ela é ensinada que a família
será salva por causa de sua vocação. Não
interessa se os membros dessa família são ladrões
de bancos ou assaltantes de armazéns. Não importa que
eles fumem, bebam, façam farras, e vivam no mundo, praticando
toda sorte de pecados. Isso não fará a menor diferença,
pois, mesmo assim, a família da freirinha será salva.
Se continuarmos no convento, dedicando nossas vidas à Igreja,
podemos estar certas de que todos os membros de nossa família
serão salvos. Por isso muitas meninas são compelidas a
entrar no convento, a fim de conseguir a salvação de suas
famílias.... Isso porque têm mentes imaturas e não
conhecem uma teologia verdadeiramente embasada na Bíblia. Os
padres são mestres em instalar mentiras religiosas nas mentes
infantis, considerando que as crianças são influenciáveis
e os vêem como deuses. Ele passa a ser o único deus sobre
quem elas sabem alguma coisa. Acham que esses padres não podem
pecar, não podem mentir, nem cometer um só erro, visto
como são infalíveis. O padre é considerado o mediador
entre Deus e o católico romano.
Então chega o dia em que nós, as freirinhas, recebemos
o véu branco e tudo parece lindo! Estou com dezesseis anos e
meio de idade... Todos ali me tratam bem e até agora não
vi coisa alguma que me decepcionasse. Ainda sou uma garotinha e não
preciso me "sujeitar" aos caprichos de um padre católico
romano. Somente depois de completar 21 anos de idade, quando eu fizer
os votos seguintes e passar a usar o véu negro, ficarei a par
de tudo a respeito desses "homens". E então, já
será tarde demais...
Novo tipo de voto
Agora já não
terei as chaves daqueles portões e nem haverá possibilidade
alguma de escapar dali. O padre vai nos contar tudo [que lhe parecer
conveniente] a respeito dos USA e de outros países, e dizer que
as irmãs podem sair do convento, quando desejarem. Passei 22
anos ali. Fiz tudo que era possível para escapar. Levei comigo
colheres de sopa até os cárceres e tentei cavar buracos
no chão imundo, pois ali não há assoalho, porém
jamais consegui cavar o suficiente para escapar do convento, porque
a colher era a única ferramenta de que eu dispunha. Quando se
usa uma pá, a fim de fazer um trabalho pesado, somos sempre vigiadas.
Somos vigiadas por duas freiras mais idosas, as quais contarão
tudo sobre nós e por isso não podemos usar uma pá.
E nem chegaríamos muito longe, porque aqueles conventos são
construídos de propósito, para que NENHUMA freirinha consiga
escapar. Não haverá qualquer possibilidade de fuga, a
não ser que Deus nos conceda um meio. Mesmo assim, creio que
Deus há de prover um meio através do qual muitas daquelas
meninas consigam escapar dali.
Eu devia estar com 18 anos, quando a madre começou a me doutrinar,
quando eu já estava desejando fugir, após ter recebido
o véu branco. Meu desejo era ser uma irmã enfermeira,
mas a madre superiora, a qual devia estar me observando há muito
tempo, um dia começou a me falar: "Charlotte, você
tem um bom físico e pode se tornar uma boa freira de clausura.
Acho que você gostaria de se libertar de casa, do papai, da mamãe,
do mundo e de tudo que ama neste mundo, a fim de se esconder atrás
dos portões de um convento, para se sacrificar, viver em crucial
pobreza e rezar pela humanidade perdida. Acho que você é
do tipo que gosta de sofrer..."
Somos instruídas, como freiras, que se sofrermos pelos nossos
entes querido que já estão no "purgatório",
eles serão libertados dali mais depressa, graças ao nosso
sofrimento. A madre sabia que eu estava desejando sofrer. Nunca murmurava
e nem me queixava de coisa alguma. Ela sabia disso porque vinha observando
o meu modo de ser e estava começando a falar do véu negro.
Eu sabia pouco a respeito da vida de uma freira enclausurada. Nada sabia
de suas vidas e nem do que faziam ali... Hoje alguns católicos
tentam me dizer: "Estive numa clausura e sei tudo a respeito da
mesma". Contudo, sabemos que a mentira é permitida a um
católico romano e que ele nem precisa ir ao confessionário
contar esse pecado ao padre, contanto que essa mentira seja a favor
da fé católica. Os católicos podem mentir à
vontade, a fim de proteger a sua Igreja... Podem roubar até 40
dólares, sem precisar contar isso ao padre. Eles aprendem e praticam
essa doutrina e muitos deles furtam muito mais que isso. Os católicos
mentem. Vi muitos deles se ajoelharem diante do altar, clamando a Deus
pela salvação, mas logo em seguida me apertavam a mão
e continuavam mentindo. Claro que quando Deus toma conta do seu coração,
eles depressa querem andar na linha, confessando suas mentiras. Mas
enquanto permanecem na ICR eles podem mentir à vontade e isso
é muito triste. Eles até parecem conhecer o verdadeiro
Deus, quando dizem que não aprovam o pecado. Sei que Deus não
aprova o pecado e também sei que Ele jamais pode compactuar com
os católicos romanos, mesmo vendo como eles são mal informados
e cegos, seguindo o caminho que os conduzirá ao inferno de Satanás.
Creio nisso de todo o meu coração [A Bíblia está
aí e quem não a lê, a fim de conhecer a vontade
de Deus, vai dar conta dos seus pecados, quer seja católico ou
protestante]. Vivi muitos anos num convento e conheço muito bem
como vivem os de lá.
Então chegou o dia em que a madre falou: "Charlotte, você
deve estar querendo verter o seu sangue por amor a Jesus, do mesmo modo
como Ele o derramou no Calvário... Deve estar querendo fazer
uma árdua penitência e viver na maior pobreza". Ora,
eu já estava vivendo na maior pobreza! Mesmo assim, achei que
isso poderia me tornar mais santa e me levar para mais perto de Deus,
transformando-me numa freira melhor. Queria muito viver nessa crucial
pobreza. Então, nessa manhã especial, ela me disse o que
eu iria fazer: "Você vai passar nove horas dentro de um esquife".
[Obs. essa mulher devia ser uma sádica vampira... para impor
esse tipo de acomodação!]. Em seguida, ela me deu um monte
de explicações. Foi o máximo que me permitiu saber
a respeito do assunto...
E então, nessa manhã especial... eu estaria completando
21 anos de idade. Sessenta dias antes de chegar essa data, eu tive de
assinar uma papelada que foi colocada sobre a mesa, diante de mim. Conforme
essa papelada, eu iria desistir de qualquer herança de família...
devendo passar todo o dinheiro dessa herança para a ICR. Tenho
dito que os padres católicos romanos costumam persuadir as jovens
não pelo seu físico e mentes fortes, não pela sua
força de vontade, mas sempre quando essas moças são
filhas de pais ricos, donos de muitas propriedades, vivendo em grande
conforto material. E por que? Porque quando essas meninas entram no
convento, os padres se apoderam da riqueza de seus pais. Eles até
ironizam dizendo que a salvação na ICR custa um bocado
de dinheiro. E como ninguém sabe disso, eles nunca se incomodam
de negociar as meninas junto com a herança que elas vão
receber. [Obs. Notem bem: primeiro o padre confessor faz a cabeça
da menina para ela entrar no convento, a fim de ali dedicar a sua vida
a Deus. Lá a menina sofre as piores torturas, torna-se uma perpétua
prisioneira e ainda é obrigada a entregar à ICR tudo que
a família lhe deixa de herança. Esta é uma das
maneiras mais comuns de enriquecimento ilícito da ICR. Imaginem
quantos milhões de freiras existem por aí, as quais vivem
pouco tempo, por causa da fome e dos maus tratos que lhes são
infligidos, deixando à ICR todos os seus bens. A vida dessas
freiras só é poupada, enquanto a ICR não se apodera
dos seus bens... Depois, ela já não terá serventia
alguma para essa maldita hierarquia e logo desaparecem nos fossos dos
conventos... Mais tarde vocês vão ver o que lhes acontece...]
E então, nessa manhã especial... eu havia pedido à
madre superiora algum tempo para pensar melhor no assunto... Mas ela
não mo permitiu. Nem ela nem pessoa alguma. Eu já vinha
pensando assim, há algum tempo: "Acho que vou me esconder
atrás dos portões de um convento, a fim de dedicar mais
tempo a Deus e poder orar mais." [Obs. Com a desculpa de orar pelas
almas do purgatório a ICR tranca as moças de classe média
e rica em seus claustros e vai se apossando do corpo, dos bens materiais
e da alma dessas pobres infelizes.]
Nove horas dentro de um esquife
Achei que poderia
conseguir uma posição que me infligisse menos dor ao corpo,
pois me haviam ensinado que Deus fica sorrindo, lá do céu,
enquanto fazemos penitência, qualquer que seja o nosso sofrimento.
Não conhecia coisa melhor e por isso eu sempre digo: "Se
pelo menos vocês, cristãos, pudessem ver o íntimo
dessas freirinhas, na certa iriam depressa clamar a Deus em favor dessas
meninas, pois, infelizmente, elas são todas pagãs".
Nada conhecem a respeito do nosso Cristo e nem do plano de salvação.
Elas vivem como eremitas nesses conventos católicos.
E então, nessa manhã especial...eu me vi andando pela
nave da igreja... sem me lembrar de quase nada da manhã anterior,
para narrar detalhadamente sobre a mesma... a fim de que vocês
entendam perfeitamente... Sei apenas que nessa manhã especial
me vejo andando, novamente, por aquela nave, só que desta vez
não estava usando traje de noiva. Estava vestida com uma mortalha
confeccionada em áspero veludo vermelho, a qual caía até
o chão. [Obs. Vermelho é a cor do satanismo!] Ia andando
pela nave, sabendo o que iria fazer. A mortalha é confeccionada
pelas próprias freiras do convento e tem franjas muito ásperas.
À medida que vou caminhando, paro diante do esquife, onde sei
que devo ficar trancada durante nove horas. Duas freirinhas vão
chegar para me vestir com uma negra mortalha, pesada e fúnebre,
tão borrifada de incenso que me deixa sufocada, até quase
à morte. Sou obrigada a ficar ali, sabendo que após sair
daquele esquife, jamais poderei escapar do convento. Jamais poderei
rever minha mãe e meu pai. Jamais poderei regressar à
minha casa. Viverei para sempre atrás daqueles portões.
Lá serei sepultada, quando morrer. Eles já me haviam dito
isso. Pagamos um preço muito alto, antes de descobrir que os
conventos católicos não são ordens religiosas,
conforme fomos instruídas. Eles são uma enorme decepção
para as jovens que desejam dedicar suas vidas a Deus, desistindo de
tudo e se sacrificando tanto. Que decepção enorme! Depois
de ter ficado nove horas dentro daquele esquife, vocês poderiam
indagar: "E o que você fez, enquanto lá estava?"
Recordações do Lar
O que acham que eu
fiz? Derramei cada lágrima do meu corpo. Lembrei-me de cada coisa
boa que minha mãe havia feito por mim. Lembrei-me de sua voz,
das reuniões ao redor da mesa e das vezes em que ela orava conosco.
Lembrei-me das coisas que ela me falava. Lembrei-me da cozinheira maravilhosa
que ela era. Lembrei-me de tudo que acontece na vida de uma menina criada
em casa, rodeada de amor pelos pais. Dentro daquele esquife, eu me conscientizei
de que jamais iria ouvir novamente a voz de minha mãe e nem ver
o seu rosto. Jamais iria colocar os pés sob a mesa, enquanto
saboreava os seus gostosos quitutes. Pensei em tudo isso e durante quase
quatro horas, dentro daquele esquife, eu chorei o tempo inteiro... porque
era horrível demais. Sabia que iria sentir muita saudade do meu
lar, que iria desejar rever meus pais algum dia, mas havia desistido
de tudo isso. Por amor a Deus. Isso porque não conhecia algo
melhor... Aquelas nove horas ali me pareceram intermináveis.
Depois comecei a pensar em mim mesma e monologuei: "Charlotte,
você vai ser a melhor freira carmelita". Isso porque tudo
que tenho feito na vida, até mesmo agora, quando já estou
fora do convento, eu faço da melhor maneira possível.
Tento sempre dar o máximo de mim mesma, sem pensar no que poderia
fazer, e foi assim que agi no convento...Queria ser a melhor freira
do mundo... A madre superiora sabia disso e, obviamente, os padres também
o sabiam. [Os padres sempre se aproveitam das pessoas escrupulosas e
lhes impõem pesados sacrifícios religiosos].
Assinatura com sangue
Agora eu sei que
depois de sair daquele esquife eles iriam me colocar lá dentro,
outras vezes. Havia uma sala por trás do mesmo, conhecida como
a sala da madre superiora. Eu jamais havia entrado naquela sala particular,
de modo que não sabia o que existia lá dentro. E quando
lá entrei, a madre superora me fez sentar numa cadeira de costas
retas e bem ásperas, onde fui imediatamente, obrigada a fazer
os três votos - de pobreza, castidade e obediência. Enquanto
eu fazia o primeiro voto, ela me furou o lóbulo da orelha e retirou
uma porção de sangue para que eu assinasse cada voto com
o meu próprio sangue [Isso é puro ocultismo!]. Fiz o voto
de pobreza, prometendo viver na mais crucial pobreza, pelo resto de
minha vida. O que significava aquela pobreza, as freiras que estavam
sendo iniciadas jamais poderiam saber. Em seguida, fiz o voto de castidade.
Ensinaram-me que agora estou casada com Jesus Cristo, devo permanecer
virgem e jamais poderei me casar legalmente neste mundo... Depois que
o bispo fez o meu "casamento" com Jesus Cristo, colocou-me
uma aliança no dedo, significando que eu estava casada e selada
para Cristo. Aceitei tudo isso, porque não conhecia coisa melhor....
Agora vem o voto de obediência. Ao assiná-lo já
sei o que o mesmo significa. Estou vivendo num convento e aqui se exige
obediência absoluta. Vocês jamais poderiam entender o significado
disso... Temos de entender isso e bem depressa, a fim de nos tornarmos
mais sábias... E prestar-lhes absoluta obediência. Pessoa
alguma do mundo jamais poderia fazer um voto desse tipo. Ao assinar
esse voto especial com o meu próprio sangue, desisti de tudo
que possuía na vida, inclusive dos meus direitos humanos... Passei
a ser um robô. Não posso me sentar, se não receber
ordens para isso. Nem me levantar, sem receber ordem para isso. Não
posso me deitar, se não mo ordenarem, nem me levantar, sem a
ordem deles. O que vejo, não vejo. O que ouço, não
ouço. O que sinto, não sinto. Tornei-me um robô
e só percebi isso, depois de ter assinado os três votos.
Então me conscientizei de que havia me transformado num robô.
Claro que agora sou propriedade absoluta de Roma A partir daí,
as freiras se tornam simplesmente mulheres esquecidas no convento...
Em seguida a madre superiora vai nos dar um outro nome - o nome de uma
santa, cassando-nos o nome verdadeiro. E nos ensina a crer que devemos
orar para essa santa padroeira em qualquer circunstância, a fim
de que ela possa interceder por nós diante de Deus, levando a
Ele as nossas orações, visto como não somos dignas
de chegar até Ele. Não é de admirar, portanto,
que as pobres freirinhas jamais se aproximem de Deus. Somos instruídas
de que jamais nos tornaremos tão santas a ponto de chegar à
Sua presença e por isso precisamos de uma santa intercessora.
Cria nisso porque ainda não conhecia coisa melhor... [Claro que
essas pobres coitadas jamais leram a Epístola aos Hebreus]. Foi
então que toda a identidade de quem fora Charlotte foi anulada.
Fui levada para longe de mim mesma, de modo que se alguém chegasse
ao convento e me chamasse pelo nome verdadeiro, ficaria sabendo que
lá não existe tal pessoa, mesmo que eu estivesse ali bem
perto... Agora assino com outro nome...Sou outra pessoa... [Apenas um
robô do papa!].
Logo em seguida, a madre superiora me cortou cada mecha dos cabelos...
Não me deixou um fio sequer... Usou até uma máquina
para isso, pois seria inconveniente possuir cabelos e muito mais inconveniente
cuidar dos mesmos. Não seria possível, pois não
existem pentes no convento... Como pentear os cabelos sem um pente?
Agora que já recebi o véu negro e fiz os votos perpétuos,
vou ficar aqui no convento... PARA SEMPRE!
Até esse tempo eu costumava receber mensalmente cartas da família,
as quais respondia. As cartas recebidas eram sempre censuradas e rasuradas
e as que eu mandava, também. Por causa das rasuras eu não
conseguia entender claramente o que meus pais queriam me dizer e isso
me fazia sofrer muito, deixando-me ainda mais solitária, pois
no convento ninguém tem amigos. Embora vivessem 180 freiras em
minha ala, nenhuma delas era minha amiga e nem eu era amiga de nenhuma.
Não era permitido ter amigas no convento. Somos todas transformadas
em policiais e detetives, com a obrigação de espionar
umas às outras. Isso é uma ordem. Quando uma freira conta
algo sobre a outra, ela ganha o favor da madre superiora, pois esta
lhe ensina que ganhar o seu favor equivale a ganhar o favor divino.
Então a freirinha promete contar tudo, mesmo que não seja
a verdade... [Obs. Como vemos, o convento é um covil de serpentes
venenosas]. Bem, depois de contar-lhes todos esses pormenores, tudo
que eu possuía na vida havia desaparecido. Eu havia vendido minha
alma em troca de um pote de baboseira teológica. Nós,
as freiras enclausuradas, não somos destruídas apenas
no corpo e na mente, pois também perdemos nossas almas, quando
ali morremos. Isso é muito sério e por isso imploro as
orações de todos vocês em favor das freiras enclausuradas.
Elas jamais terão a chance de ouvir o evangelho de Jesus Cristo
e jamais irão conhecê-Lo como vocês hoje O conhecem..
Elas jamais vão orar a Ele, como vocês costumam orar. Jamais
sentirão as Suas bênçãos, como vocês
costumam sentir. Então, coloquem essas pobres freirinhas em seu
coração e comecem a orar por todas elas. Garanto que elas
precisam demais de suas orações...
Assédio violento
Enquanto vou caminhando
nesta sala, graças a Deus ainda não tenho idéia
do que me acontecerá na sala ao lado. Fiz o voto de permanecer
virgem e jamais me casar legalmente neste mundo porque agora sou esposa
de Jesus Cristo. E logo em seguida, a madre superiora me conduz à
sala vizinha, abrindo uma porta que dá para a mesma. Quando entro
na sala, vejo alguém que jamais havia visto antes - um padre
católico romano todo paramentado. Ele se dirige ao meu encontro
e me enlaça fortemente, colocando o seu braço dentro do
meu. Não entendo coisa alguma e nem imagino o que aquele homem
deseja de mim. Puxo o meu braço, com violência, sentindo-me
insultada e falo: "Que vergonha!" Ele fica furioso por um
momento e diz apenas um "Ah!" e logo a madre superiora entra
na sala, depois de ter escutado o meu protesto, e fala: "Depois
que você ficar mais tempo no convento, não vai mais reagir
desse modo. Todas nós nos sentimos assim como você se sente
agora. Mas saiba que o corpo do sacerdote é sagrado e, portanto,
não há pecado algum em lhe entregarmos o nosso corpo."
[Obs. Observem uma das razões por que a ICR é chamada,
em Apocalipse, "a mãe das prostituições".]
Em outras palavras, eles ensinam a cada freirinha o seguinte: Do mesmo
modo como o Espírito Santo colocou o germe dentro do ventre da
Virgem Maria e Jesus foi concebido, também o padre é o
Espírito Santo e, portanto, não é pecado as freiras
serem usadas para gerar os seus filhos. E tudo indica que é para
esse fim que os padres vão até os conventos... E para
nenhum outro propósito neste mundo. Eles não chegam aos
conventos senão para roubar dessas preciosas meninas a sua virtude.
Mais tarde eu vou contar o que eles realmente fazem, quando chegam ao
convento. A partir desse momento, todas as minhas trancas são
derrubadas. Não há mais possibilidade de retorno. Não
posso mais sair do convento, mesmo suplicando. E como supliquei àquele
padre: "Por favor, me devolva ao meu pai! Quero voltar para a minha
casa. Não quero mais ficar aqui". Então nos sentimos
cada vez mais sozinhas, pois não sabemos para quem apelar...
Somos vítimas das circunstâncias e jamais fugiremos dali,
pois não existe possibilidade alguma de fugir do convento. Ali
eu permaneci, até o dia em que Deus me proporcionou um doloroso
meio de fuga.
E então, depois que tudo isso aconteceu, suspenderam o meu correio
e jamais receberia uma carta da família. Nunca mais. Agora sou
propriedade do papa. Pertenço a Roma. Além disso, após
ter assinado os votos, a madre superiora me havia conduzido até
a câmara nupcial. Aí vocês perguntam: "E você
foi?" Não, claro que não. Não entrei no convento
para me tornar uma prostituta. Para isso teria sido bem mais fácil
ficar lá fora. Não entrei no convento para viver na maior
penúria, sofrer tanto e ainda me transformar numa mulher má.
Jovem nenhuma poderia desejar tal coisa. Todas entram no convento pensando
em entregar a vida e o coração a Deus e fora com esse
exato propósito que eu lá entrara. Então me apareceu
aquele padre e, é claro, eu não quis entrar na câmara
com ele. Como eu tinha um físico forte, um de nós dois
iria sair machucado e eu estava disposta a lutar com ele, até
perder a minha última gota de sangue. Isso o deixou deveras furioso...
[Obs. Como o voto de obediência é o mais exigido no convento,
podemos imaginar o que iria acontecer com Irmã Charlotte, depois
de rejeitar aquele padre católico, para quem o voto do celibato
significava apenas uma piada.]
Obrigação fúnebre, regra quebrada e castigo no calabouço
Ora, eu teria de
fazer uma penitência, na manhã seguinte, e é claro
que agora ela seria bem mais pesada por causa do que eu havia feito.
Quando a madre superiora disse: "Agora vamos fazer penitência",
isso queria dizer que na manhã seguinte eu seria iniciada na
vida de carmelita. Lembro-me quando ela me levou para baixo, até
um lugar estranho, um quarto muito escuro. Antes de receber o véu
negro eu vivia no primeiro andar. Depois deste, passei a viver num andar
subterrâneo... À medida que entrava naquele quarto, senti
como era escuro e muito frio. Ali tive de andar de um lado para outro
e ao redor da madre, para então perceber que havia duas velas
acesas, embora eu ainda não conseguisse enxergar muita coisa.
Então indaguei a mim mesma: "O que irá me acontecer?"
Isso é o que nos vem à mente, mas não podemos fugir
e sentimos muito medo. Quando me aproximei das velas acesas, senti que
havia alguma coisa deitada ali. Cheguei mais perto e descobri que era
uma freirinha deitada sobre uma maca...e quando as velas iluminaram-lhe
a face percebi que ela estava morta. Eu quis perguntar: "Como foi
que ela morreu? Porque está aqui? Há tempo ela está
aqui?". Mas havia desistido de todos os meus direitos humanos,
não podia falar sequer uma palavra, e apenas fiquei olhando para
ela. Então a madre superiora me disse: "Você vai ficar
aqui, durante uma hora, velando este cadáver." Depois de
uma hora outra freira viria me render. Durante alguns minutos ela me
deu vários conselhos a respeito do caso, diante daquele corpinho
inanimado, enquanto jogava água benta sobre o mesmo, dizendo:
"descanse em paz". [Aquela madre diabólica provavelmente
fora a responsável pela morte prematura daquela freirinha, através
dos maus tratos que lhe havia infligido, e agora ficava ali, jogando
água benta sobre o cadáver e desejando que ela descansasse
em paz. Como se alguém pudesse descansar em paz, depois da morte,
a não ser nos braços de Jesus, quando O conhecemos, o
que não é o caso de uma freira católica, cujo Jesus
não é o da Bíblia, mas um bebezinho de colo que
ainda está sugando os seios de Maria...]
Fiz exatamente o que me fora ordenado. Sentia-me péssima. Não
tenho medo de defuntos e sei que é dos vivos que devemos ter
medo e por isso não senti medo daquela freirinha morta, a qual
me inspirava apenas uma grande piedade, além da enorme tristeza
que me invadiu o coração. Foi quando o sino tocou e vi
que minha hora havia terminado. De repente uma freira entrou sorrateiramente
no quarto e me tocou no ombro. Não se pode fazer ruído
algum no convento, ninguém pode falar e apenas se toca levemente
no ombro das pessoas. Pelo fato de ter ficado ali durante uma hora,
eu estava muito assustada e quando aquela freira me tocou no ombro,
deixei escapar um gemido, um terrível gemido de pavor...
Bem, três dias após ter descido até aquele quarto
fúnebre... a madre chegou e me disse: "Charlotte, você
vai fazer penitência". E isso aconteceu várias manhãs,
ela sempre repetindo a mesma frase... Ela me conduziu até outro
quarto, onde havia grossos toros de madeira. Descobri que era uma cruz
feita de madeira compacta, muito alta e pesada, a qual estava inclinada.
Ela me mandou tirar as roupas e colocar-me ao pé da cruz. Amarrou
minhas mãos junto com os pés e me fez ficar ali ao pé
da cruz. Era ali que eu iria verter o meu sangue... Ela não havia
me explicado como e nem eu podia indagar. Ela havia trazido duas freiras
e estas apanharam um longo chicote, em cuja extremidade havia peças
de metal contundente. As freiras se colocaram de cada lado da cruz e
começaram a chicotear o meu corpo. E quando aquelas peças
de metal atingiram o meu corpo... só Deus sabe... minha carne
foi rasgada e o sangue começou a jorrar, escorrendo pelo chão.
Eu estava sendo flagelada e vertendo sangue, do mesmo modo como Jesus
o havia derramado no Calvário e isso me fazia sofrer terrivelmente...
Terminada a flagelação, não me deram banho, vestiram
a roupa sobre as feridas do meu corpo e assim fiquei pelo resto daquele
dia. Naquela noite, quando entrei na cela, tentei retirar as roupas,
mas elas estavam coladas às feridas do corpo e foi horrível.
Fiquei várias noites sem poder trocá-las e quando ficava
diante da minha xícara de café preto eu sentia náuseas...
Penitência de nove dias
De manhã costumávamos
tomar uma xícara de café preto, sem leite e sem açúcar,
acompanhada de uma tênue fatia de pão, cujo peso seria
umas 130 gr. Nisso consistia o nosso breakfast. E somente à noite
recebíamos outra refeição, a qual constava de uma
tigela de sopa feita com diversas verduras (sem tempero, é claro)
e uma fatia de pão. E só três vezes por semana recebíamos
um copo de nata de leite. Era esse o cardápio durante os 365
dias do ano. Depressa fui perdendo peso porque o alimento era insuficiente.
Não me recordo de um só dia em que fui dormir sem sentir
fome. Às vezes a fome era tanta que eu nem conseguia dormir,
com uma terrível dor de estômago. E no dia seguinte iria
receber apenas uma fatia de pão, já sabendo que isso não
iria me satisfazer o estômago...
Pior é que teria de trabalhar arduamente, durante o dia inteiro.
Como vocês vêem, aquelas freirinhas precisam demais de suas
orações... Vocês estão acostumados a ir para
a cama de estômago cheio, no maior conforto... Contudo, nenhuma
delas sabe o que é conforto. Estão todas famintas, doentes,
machucadas e cheias de feridas. O coração delas está
cheio de saudades do lar e vivem desencorajadas. E o pior de tudo é
que elas não têm esperança alguma nesta vida. Apenas
esperam pelo dia em que irão ver Jesus... Precisamos orar muito
por elas, pois a vida ali no convento é insuportável...
Então, algumas manhãs depois, a madre superiora chegou
e me conduziu a uma nova iniciação. [Isso cheira a ocultismo,
quando os filhos de Satanás são iniciados nos segredos
do satanismo. Por isso é que os grandes pesquisadores de religião
costumam dizer que o Catolicismo Romano é uma seita ocultista
e que o ápice desse ocultismo é a eucaristia, por cuja
causa a ICR mandou assassinar tantos milhões de inocentes.] Quando
entramos na câmara de penitência, naquela manhã,
já havíamos percorrido um longo trajeto ... chegando ao
final de um túnel. Entramos numa sala e quando olhei para trás,
vi algumas velas acesas e mais alguma coisa. Eram cordas penduradas
no teto... Fiquei apavorada. Perguntei a mim mesma para que serviam
aquelas cordas. Depois daquelas duas penitências sofridas, meu
coração estava cheio de pavor... Fui andando em silêncio,
até chegar bem perto das cordas... cheia de indagações
na mente. Então a madre superiora falou: "Fique de frente
para a parede". Obedeci... Ela me ordenou que levantasse os dois
polegares e eu os levantei. Ela os prendeu numa roda de metal ajustável...
Depois ela prendeu também os meus dois artelhos junto com os
polegares e ali fiquei flutuando no ar, com todo o peso do corpo sustentado
pelos polegares e artelhos... Ela não disse uma única
palavra de explicação, saiu da sala e passou a chave na
fechadura da porta. Imaginem o que senti, quando fui deixada ali, pendurada
e com a porta trancada... O pior é que eu não tinha a
menor idéia de quanto tempo iria permanecer ali pendurada...
Ninguém apareceu para me trazer comida e água. Achei que
iria morrer naquela posição. Depois de algumas horas meus
músculos começaram a doer e eu gemia de dor. Estava sofrendo
muito... Não havia pessoa alguma por perto e não adiantava
gritar... Verti todas as lágrimas que ainda me restavam no corpo
desidratado... NINGUÉM poderia me ouvir... Ninguém iria
se importar com as minhas lágrimas... E eu ali pendurada, começando
a achar que não iria suportar tanto sofrimento e então
morreria, caso não viessem me soltar depressa, pois estava começando
a ficar inchada...
Não sei quanto tempo fiquei ali, até que, em determinada
manhã, a madre superiora me trouxe comida e água num pote.
Eram batatas estragadas, dentro de uma panela. Ela colocou a comida
e a água sobre uma prateleira, de modo que eu as pudesse ver,
mas não pudesse alcançá-las... Então falou:
"Esta comida é sua" ... e eu fiquei na mesma... Ela
se foi e eu fiquei mais faminta e torturada do que antes... [Obs. Por
essas e outras é que no Livro de Apocalipse a ICR é chamada
a "mãe das abominações"].Fiz tudo para
alcançar a comida... Morria de fome a achava que iria enlouquecer...
[Mais tarde iremos encontrar muitas freiras loucas, trancadas no calabouço,
para ali morrerem de inanição, enquanto a herança
de seus pais fica para a ICR].
Fiquei nove dias e nove noites pendurada ali, na mesma posição,
e tão inchada que meus olhos pareciam querer saltar das órbitas.
Meus braços estavam insensíveis e pareciam ter mais do
dobro do tamanho normal... Eu me sentia como uma bolha, sofrendo demais...
A morte seria um alívio... [Obs. Mas Deus permitiu que Charlotte
sobrevivesse, a fim de um dia poder testemunhar contra a iniqüidade
dessa igreja maldita].
Rotina Diária
Ainda me lembro do
que sofri, enquanto vivi naquele lugar. Levantávamos às
4,30 hs da manhã. Quando a madre superiora tocava o sino, tínhamos
apenas cinco minutos para ficar prontas. Nem um minuto mais. Falhei
uma vez e fui severamente castigada por causa disso. E nunca mais ousei
falhar, nos 22 anos que ali passei... Depois de vestidas, começávamos
a marchar, atrás da madre superiora e de outras madres, e esta
ia nos apontando o dever de cada manhã. Pode ser extenuante,
como lavar e passar roupa... Tem de ser pesado. Trabalhávamos
durante uma hora e em seguida nos reuníamos ao redor da mesa
e diante de nós estava sempre aquela xícara de café
preto e uma fatia de pão. Depois do café, mais trabalho
pesado... Lavávamos a roupa numa tina velha e a água era
aquecida com um aparelho de metal colocado no fogo do fogão...
Vez por outra os padres traziam grandes trouxas de roupas velhas que
eles recebem de graça e as deixavam ali, as quais usávamos,
até que se desmanchassem. Era duro demais e muitas freiras não
conseguiam executar o serviço porque estavam subnutridas no corpo,
na mente e na alma, ao mesmo tempo. Essas pobres coitadas continuam
vivendo ali dentro, sob essas terríveis circunstâncias.
Elas são mulheres apátridas, sem nome e sem rosto... Perderam
todos os seus direitos humanos... São apenas escravas do papa...
Tudo que os hierarcas quiserem fazer contra elas poderão faze-lo.
Por mais que elas gritem ninguém vai ouvi-las e por isso elas
não têm a menor idéia do que poderá acontecer-lhes
no dia seguinte, enquanto estiverem ali no convento... Os hierarcas
também não imaginavam que um dia Deus me libertasse daquele
antro. Seu plano era que eu ali permanecesse, ali morresse prematuramente
e fosse ali mesmo sepultada [Enquanto eles se apossavam da herança
dos pais de Charlotte, quando estes falecessem].
Se alguém me perguntar se pode entrar num convento, respondo
que sim. Qualquer pessoa pode entrar ali, quer seja um convento aberto
ou um claustro, mas não vai passar do parlatório e até
pode visitar a capela exterior... Mas não tente passar dali,
porque não vai ter permissão... Quando as mães
levam alimento para as freiras, não podem ver os seus rostos
e apenas falam com elas, através do orifício de um portão
de ferro, onde as moças ficam ocultas, enquanto a madre superiora
fica por trás, a fim de checar se a feira vai falar algo de mais,
e se ela o fizer (o que jamais acontece) vai ter de encarar o mais terrível
dos castigos... [Esta parte eu resumi porque era detalhada demais e
não nos interessava]. Vamos dar um exemplo: quando a mãe
indaga se a filha está se sentindo feliz ali dentro, ela sempre
responde: "Sim, mãe, estou muito feliz aqui!" E assim
prossegue a tragédia do dia a dia, naqueles antros de prostituição
católica, disfarçados sob o nome de claustros. [Só
que nos antros de prostituição do mundo as prostitutas
são bem tratadas e até remuneradas. Enquanto ali, nos
conventos do papa, as freiras perdem todos os seus direitos, são
humilhadas, são massacradas pelos padres bêbados e sádicos
e ainda sofrem castigos tenebrosos das madres superioras. Isso que dizer
que o papa é o mais terrível cafetão do universo!
Com aquele sorriso idiota ele vive percorrendo o mundo, a fim de enganar
os tolos, que se dobram aos seus pés, achando que ele é
realmente o vigário de Cristo na terra, ignorando que o legítimo
Vigário de Cristo na terra é o ESPÍRITO SANTO!]
Trabalho na lavanderia
Aqui estamos, a madre
superiora e eu, na lavanderia, para a lavagem da roupa. O chão
é de cimento bruto. É ali que as freiras fazem esse trabalho
pesado. Enquanto isso, a água vai escorrendo pelo chão
e a sujeira é demais. Chapinhamos dentro da lama. Então
chega a madre superiora, meio furiosa, e me deixa apavorada. Cada vez
que a vejo, tenho certeza de que uma de nós vai ser barbaramente
castigada. Ela sabe disso. Sabe que é cruel e tem um coração
empedernido, por isso todas nós a tememos muito... Esfregamos
a roupa suja com mais energia, temendo o que poderá nos acontecer...
De repente, ela me olha e fala: "Venha cá". E prossegue,
com aquele olhar de pedra: "Ajoelhe-se e comece a lamber o chão".
O chão é de cimento, está imundo, porém
eu me ajoelho, enquanto ela se diverte com a minha posição.
Se eu demonstrar que não estou gostando do castigo, logo ela
irá perceber e então ordenará que eu fique lambendo
aquele chão, dez ou vinte e cinco vezes. E na manhã seguinte
ela poderá voltar e exigir o mesmo sacrifício. Minha língua
já está sangrando, mas, mesmo assim, serei obrigada a
lamber aquele chão novamente... Afinal sou apenas uma escrava
do papa! Ela sempre usa esse processo para nos fazer rastejar. Ela e
os padres sempre nos obrigam a rastejar muitas vezes na nave da igreja,
para cima e para baixo, a fim de satisfazer os seus sádicos instintos...
É pena que nós, as freiras católicas, não
conheçamos o verdadeiro Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo.
E por isso nos sujeitamos a essas coisas.
Às vezes a madre superiora vem até a porta de nossas celas.
Dentro delas não existe coisa alguma, além de uma estátua
da Virgem Maria com o Menino Jesus no colo, um crucifixo e um estrado
com degraus, sobre o qual nos ajoelhamos, todos os dias, para orar...
Do degrau de cima descem dois fios de arame farpado. Eu disse que queria
sofrer, mas ajoelhar-me sobre esse arame farpado é sofrimento
demais. Ajoelho-me ali para orar pela humanidade perdida, supondo que
minha avó está sofrendo nas chamas do purgatório
e poderá ser libertada mais depressa em razão do meu sofrimento.
Por isso, algumas vezes, fico mais tempo ajoelhada... Isso é
terrível, porém não conhecemos nada melhor...
Ficamos trancadas nas celas, todas as noites. Não podemos nos
levantar e nem sair dali... Geralmente dormimos a partir das 9,30 hs
da noite, quando as luzes são desligadas [E acordamos para cantar
hinos, de meia noite até uma hora da manhã]. Algumas freiras
são encarregadas de passar a chave em nossas portas. Dormimos
pouco tempo porque comemos pouco, trabalhamos muito e sofremos demais...
E vamos perdendo paulatinamente as forças, depois de permanecer
alguns anos ali dentro do convento.
Perdendo a Fé
Eu fazia tudo o que
me ordenavam. Todas nós somos persuadidas a crer que, quando
derramamos o nosso próprio sangue, como através daquela
flagelação que eu havia sofrido, quando torturamos e atormentamos
o nosso corpo, ganhamos um crédito de 100 dias no fogo do purgatório.
Pior é que o tempo que teremos de passar lá é tão
longo que isso não nos dá consolo algum. Somos pessoas
completamente sem esperança... Depois de ficar dez anos no convento
eu comecei a descobrir que a imagem da Virgem Maria não passava
de uma peça de metal, que era apenas uma estátua... Vi
também que a estátua de S. Pedro e de Jesus eram a mesma
coisa... Apenas peças de metal, sem poder algum, e comecei a
achar que o nosso Deus ainda está morto e pregado naquela cruz.
Depois de tanto sofrimento, de ter me ajoelhado diante dessas imagens,
vertendo tantas lágrimas e lhes pedindo para intercederem por
mim, levando minhas orações até Deus, e os anos
passando, sem resposta alguma, comecei a raciocinar: "Ora, se meus
pais morrerem, como eu vou saber? Se eu morrer, como eles vão
saber? Então não poderemos retirar nossos pais do purgatório
com as nossas orações... E foi assim que, depois de alguns
anos, pude chegar à conclusão de que o purgatório
não existe.. E que o único purgatório real para
o povo católico é encher os bolsos dos padres, que prometem
orar pelos seus entes queridos já falecidos.
No mês de novembro, milhares e milhares de católicos, aqui
nos USA, há dois anos atrás, já rendiam aos padres
católicos romanos, pelas missas rezadas em favor dos defuntos,
cerca de 22 milhões de dólares, isso em apenas um mês...
[Calculem o que esses padres faturam durante o ano inteiro! Por isso
é que a ICR enriqueceu tremendamente, dentro de apenas cinqüenta
anos, nos USA. E hoje ela é sócia majoritária de
todas as multinacionais, bancos internacionais, companhias de serviços
públicos, controlando todos os serviços de saúde,
educação e imigração, dominando a Marinha
Americana... enfim, ela é dona do pais inteiro, segundo Eric
Jon Phelps e Avro Manhatttan].
No convento existe um quadro do purgatório, ao redor do qual
as freiras são obrigadas a andar. Seus rostos ficam apavorados,
quando contemplam essa pintura, a qual exibe um abismo em que as almas
se retorcem dentro das chamas que lambem os seus corpos. Então
a madre ensina o seguinte: "É melhor aceitar todas as penitências...
Aquelas pobres almas estão suplicando para sair dali..."
E como somos todas pagãs, não conhecemos nada melhor.
A gente até pensa em sair pelo convento e queimar o corpo inteiro
e em verter mais sangue, porque sofrendo mais poderá retirar
mais depressa os seus entes amados das chamas do purgatório...
O purgatório é a maior fraude do mundo,. Os padres sabem
muito bem que esse lugar não existe... Só que ele rende
muito dinheiro... Creio que se as abomináveis mentiras da missa
e do purgatório fossem retiradas da teologia católica,
a ICR logo iria à falência, pois noventa por cento do seu
fabuloso lucro provém dessas duas fraudes... A ICR faz comércio
com os vivos e mais ainda com os mortos... É assim que ela enriquece
tanto.
Os padres
Muitas vezes acontece
da madre superiora apanhar uma daquelas meninas, quando os padres chegam
ao convento, disfarçados de confessores... Uma vez por mês
somos obrigadas a confessar-nos. Muitas vezes fiquei no final da fila,
pois detestava fazer isso. (Não conhecia quem era o homem que
estava ali nos esperando, só sabia que ele era um padre). Agora
eu conheço qualquer padre que encontro na vida, mesmo que ele
esteja usando roupas seculares. Já os vi demais. Vivi demais
naquele antro. Estive em contato com todos eles. Não confiava
em nenhum daqueles padres que entravam no convento... Sei muito bem
o que acontecia naquela câmara de confissão. Uma confissão
pode levar um dia inteiro... O padre chega e todos eles sempre trazem
uma garrafinha de bebida alcoólica no bolso da batina... Ele
fica ali no confessionário, mas... Depois ele vai se transformar
num animal irracional e, então, ai da pobre coitada que lhe ficar
ao alcance da mão... Ali na câmara de confissão
existem apenas uma imagem de Maria e um crucifixo, além de uma
cadeira de espaldar reto e duro, que fica no meio da sala, onde o padre
se senta para ouvir as confissões... A freira precisa chegar
ali e se ajoelhar diante dele... Agora que estou salva e fora do convento,
olho para trás e vejo aquele padre católico, enquanto
vou pensando: "Tenho certeza de que ele era um irmão gêmeo
de Satanás, cheio de pecado, de vício e de corrupção".
Quem ali chegava deveria se dar por muito feliz, se não saísse,
depois, completamente destruída. Ele estava embriagado, era apenas
um animal feroz disfarçado em trajes sagrados. Era um padre católico
romano ordenado, mas, mesmo assim, todas nós o temíamos,
quando chegávamos perto dele, a fim de cumprir a nossa obrigação
mensal da confissão... [Nenhum livro de Nelson Rodrigues ou de
qualquer outro autor obsceno, poderia descrever cenas tão chocantes
como as que essa pobre Irmã Charlotte deve ter presenciado naquele
convento].
Infelizmente aquelas meninas não conhecem nada melhor do que
a religião do papa... Elas ignoram o maravilhoso plano de salvação.
Não sabem que Jesus Cristo foi ao Calvário, ali derramou
o Seu precioso sangue e nos salvou de todos os nossos pecados e somos
completamente salvos quando cremos nesta verdade e aceitamos o Seu sacrifício
como total e suficiente.
Muitas vezes os padres chegam ao convento e a madre superiora lhes permite
entrar nas celas das freiras. Aquela madre de mente carnal e endurecida
já deve ter dado uma porção de filhos aos padres,
os quais foram todos assassinados, como continua acontecendo com os
bebês das freiras que dão à luz... Muitas vezes
ela e o padre obrigam as moças a ingerir bebida alcoólica,
junto com eles... Então a madre superiora conduz o padre até
a cela de uma jovem... Ele tem um físico avantajado, pois come
três fartas refeições diárias. Enquanto isso,
a freirinha tem o corpo alquebrado por causa das torturas, do trabalho
pesado e da falta de alimento... Com qual propósito aquele padre
entrou ali na cela da moça??? Claro que foi somente para destruir
a pobre freirinha [Por isso tantas freiras enlouquecem ali dentro e
são atiradas no calabouço, apodrecendo e morrendo ali
mesmo, quando já não podem servir aos objetivos da madre
e dos padres corruptos].
Eu sempre digo que gostaria muito que o governo pudesse entrar num desses
conventos, na hora em que aqueles padres estão agindo dentro
das celas. Quando eles entram lá, a madre superiora passa a chave
na porta, deixando-nos trancadas lá dentro, junto com aquele
padre... Não temos qualquer meio de defesa... (Muitas vezes tive
de cuidar daquelas meninas, pois tinha o curso prático de enfermagem,
feito quando eu estava no convento aberto...). Quando o padre sai da
cela e observamos o corpo da freirinha, ele mais se assemelha a alguma
coisa que havia sido atirada num chiqueiro e sobre o qual uma porção
de porcos havia passado... É isso que acontece naqueles conventos
de clausura... Por isso é que os padres ficam sempre telefonando
para mim, com medo do testemunho que estou dando... Não tenho
medo deles e vou continuar dando o meu testemunho, mesmo que todos os
padres e bispos deste país se coloquem contra mim. Sou uma filha
de Deus e eles não poderão colocar suas garras sobre mim,
enquanto eu não tiver terminado esta obra para a qual Deus me
chamou... Por isso é que Ele me fez sair daquele convento...
Para expor os abusos da hierarquia romana...
Certo dia eu fui submetida a uma tortura pior do que todas as que já
havia sofrido antes... Esta perdurou muitas horas e quando saí
dali, sem pão e sem água, cheia de picadas de percevejos
e apavorada com o barulho dos ratos correndo dentro aposento... [Deixo
de traduzir os detalhes dessa nova penitência, porque eles são
horrendos demais e o meu Inglês não dá para traduzir
tantas palavras desconhecidas...]
Gravidez indesejada
Muitas vezes o padre
chega e fica aborrecido, quando nos recusamos a pecar, voluntariamente,
junto com ele. Depois de algum tempo os corpos das freiras ficam massacrados...
Eu mesma perdi um dente da frente por causa de um tapa que um deles
me deu...Muitas vezes suas vítimas são atiradas ao chão
e eles socam o estômago delas, mesmo que estejam grávidas.
Algumas estão esperando filhos deles, mas nenhum se preocupa
com a mãe e muito menos com o bebê, que vai nascer... De
qualquer forma o inocente será assassinado, logo após
o nascimento... Já pensaram no escândalo se o mundo soubesse
que nascem tantos bebês ali dentro dos conventos de clausura?
Nenhum padre neste país deseja que isso aconteça, pois
eles não querem que o mundo saiba da verdade e, portanto, têm
o maior cuidado, a fim de que ninguém possa escapar do convento
e contar a verdade aqui fora...
Contudo, Deus é maior do que todas as forças do mal. Ele
pode estender a mão sobre esses conventos, aqui e noutros países,
e permitir que essas moças saiam dali, sem precisar da licença
dos bispos nem do papa... Deus não precisa da ajuda dos seus
"vigários" para fazer cessar o mal... Um dia esses
hierarcas hão de pagar por todos os crimes cometidos contra as
freiras inocentes. Vamos aguardar... [Não seria bom o novo presidente
pensar no assunto e mandar fazer uma devassa nos conventos fechados
deste país?]
Muitos dos bebês que nascem no convento são prematuros
ou anormais... Fiz muitos partos lá dentro e desafio o mundo
inteiro a dizer que estou mentindo. A única maneira que a hierarquia
romana pode encontrar de me calar será dando ordens para que
os conventos sejam abertos. E isso os hierarcas jamais vão ter
coragem de fazer... Se um dia me processarem, os conventos terão
de ser escancarados para conseguir provas... Ainda existe lei neste
país... Mesmo assim não tenho medo de dizer tudo isso
e muito mais... Fui prisioneira do sistema católico durante os
22 anos que passei trancada no convento, onde tudo é simplesmente
tenebroso...
Quando a freirinha está esperando um bebê, não sente
a mesma alegria das mães normais, que preparam tudo com o maior
carinho para a chegada do filho... Ela jamais terá o filho ao
seu lado...Jamais lhe dará um banho, pois ele só poderá
viver 3 a 4 horas após o nascimento... Então, a madre
superiora o matará asfixiado com um travesseiro e a vida dele
se esvairá... Por isso é que são construídos
aqueles fossos cheios de limo... para receber os corpinhos dos bebês
inocentes. Eles são atirados lá dentro, depois que os
seus corpinhos são cobertos com um produto químico corrosivo...
É assim que eles terminam... [A fim de preservar a aura de "santidade"
dos seus "papais", os padres católicos]. Pelo amor
de Deus, orem, orem muito em favor dessas pobres freiras abandonadas
à própria sorte, dentro dos conventos católicos.
Orem para que os conventos dos USA sejam abertos, como aconteceu com
os da antiga cidade do México, em 1934. [Tudo que a Irmã
Charlotte conta aqui foi realmente descoberto nos conventos mexicanos,
quando entrou o governo socialista do General Plutarco Calles (1924-1935),
o qual introduziu grandes reformas sociais. Ele mandou abrir as portas
dos conventos mexicanos e expôs toda a barbárie que acontecia
lá dentro. Não traduzi esta parte por ser longa e cansativa
demais. Cada visita a um dos calabouços dos conventos custa em
média 25 centavos de dólar. Nunca estive no México,
mas meu marido lá esteve e me contou ter visto coisas de arrepiar,
quando visitou esses museus mexicanos. Quem desejar conhecer bem do
que é capaz o Catolicismo Romano, quando detém o domínio
político e religioso de um país, leia o livro de Avro
Manhattan "O Holocausto do Vaticano", por mim traduzido e
cuja apostila tenho à disposição dos interessados,
pelo preço de R$20,00. Avro foi o maior pesquisador e historiador
do Vaticano no século XX, sobre o qual escreveu 20 livros e por
isso foi muito perseguido].
A Execução
Imaginem como vocês
iriam se sentir, caso tivessem filhas dentro do convento... Lembro-me
que meu pai e minha mãe também tinham uma filha e como
eles me amavam... exatamente como vocês amam os seus filhos. Quando
eles me deixaram entrar no convento não imaginavam que as coisas
fossem assim. Não imaginavam um convento desse tipo. Pensem numa
de suas filhas andando sobre o piso de um quarto, no qual existe um
botão que é apertado, para lá em baixo ser atirada
uma freira que tenha praticado algum ato de desobediência. Nem
posso lhes contar o que ela fez porque não estava lá na
hora do "crime". Só que para eles deve ter sido muito
grave. Porque eles a carregam até aquele lugar, de pés
e mãos atados, e mandam que seja atirada dentro daquele fosso
horrível, cuja tampa logo será fechada novamente... depois
de um ritual macabro. O fosso está cheio de limo e de produtos
químicos corrosivos. E então eles ordenam que a jovem
seja atirada ali dentro. Em seguida, seis freirinhas ficarão
rodeando o fosso aberto, entoando cânticos para afastar os maus
espíritos, aspergindo água benta sobre o mesmo. Esse tenebroso
ritual perdura seis horas e, durante o mesmo, as freiras são
rendidas por outro grupo de seis e depois por outro grupo, sempre cantando
e atirando água benta sobre o fosso, até que seja ouvido
o último gemido da vítima, [cujo corpo está sendo
corroído pelos ácidos]. Essa menina jamais sairá
do convento... Será que isso não incomoda vocês?
Isso me incomoda demais... Nesse tempo eu ainda não conhecia
Jesus e, portanto, não tive oportunidade de falar Dele àquela
menina. Sei que Deus não vai requerer de minhas mãos o
sangue dela porque eu mesma ainda não O conhecia. Reflitam nisso...
Aqui estamos com o cadáver de uma das freirinhas. E nesta exata
manhã a madre superiora havia falado: "Vamos todas entrar
aqui na fila". Não sabemos ainda para que.. Somos dez a
quinze moças, e a madre nos ordena que todas nós nos desnudemos
e temos de obedecer. Claro que não temos uma boa aparência.
Nossos olhos estão fundos, nossos queixos caídos e nossos
corpos desgastados... Só Deus sabe como estamos, visto como há
anos não nos temos visto ao espelho... eu há uns 22 anos.
Não sabia se meus cabelos já estavam grisalhos, se tinha
rugas no rosto, nem mesmo sabia qual era a minha idade, pois há
mais de seis anos havia perdido a conta dos anos. Nenhuma de nós
tinha a menor idéia de sua aparência.
Bem, aqui estamos em fila, completamente nuas, quando chegam dois ou
três padres católicos romanos, cada um deles com a sua
garrafinha de álcool na cintura. Eles ficam observando as moças
nuas, enquanto decidem qual delas cada um vai escolher, a fim de levar
para a cela. Isso não acontece nos conventos abertos, somente
nos claustros... Na cela, os padres usam e abusam de suas vítimas,
fazendo o que bem desejam, e ninguém vai impedir. Todas nós
somos apenas escravas do papa...Quem será por nós? [Depois
de um desses encontros amorosos... o corpo da freirinha foi atirado
ao fosso... Meu Deus, que coisa horrível!]
O absurdo é que, no dia seguinte, esses mesmos padres chegam
às suas igrejas, rezam a missa e atendem os "pecadores"
no confessionário, deixando os católicos acreditarem que
ele pode perdoar-lhes os pecados, quando eles mesmos estão cheios
de pecado. Cheios de corrupção e de vícios e, mesmo
assim, desempenhando o papel de Deus... Isso é terrível
demais!
Uma conspiração de morte
Bem, eu continuava
vivendo ali, sabendo que tudo iria continuar na mesma e como vocês
acham que estava me sentindo? Não sabia que as pessoas podem
guardar tanto ódio e amargura no coração. Eu estava
cheia de amargura e de ódio fervilhando dentro de mim. Pensava
sempre: "Ah, se eu pudesse pegar a madre superiora num lugar afastado,
para dar-lhe um fim!" Não é terrível a gente
se tornar uma assassina mental? Eu não era assim, quando entrei
no convento, contudo comecei a bolar um plano para liquidar a madre
superiora e também um daqueles padres... E fui levando.Cada vez
que ela me infligia uma pena e eu tinha de sofrer tão cruelmente,
e quando voltava a mim, começava a bolar um plano de acabar com
aquela mulher...
Agora a madre aqui está para me obrigar a sentar numa cadeira
de espaldar reto e áspero, toda cheia de ódio, me obrigando
a retirar o véu, para ficar com a cabeça descoberta. [Vi
uma dessas cadeiras em Rottenburg, Alemanha, no Museu do Crime, o qual
exibe instrumentos de tortura da Idade Média, os quais ainda
hoje a ICR continua usando em segredo, apesar daquele sorriso amistoso
que o papa JP2 exibe no mundo inteiro]. A madre me prendeu nessa cadeira,
depois de amarrar o meu pescoço com uma grossa meia, a fim de
imobilizar-me. Fiquei exposta a uma goteira, que ia pingando sobre o
meu desprotegido couro cabeludo. A água ia caindo, gota a gota,
numa contínua e interminável repetição.
[Só faltou ali um pano de fundo musical com o Bolero de Ravel,
que os nazistas costumavam usar para enlouquecer as suas vítimas]
Passaram-se uma, duas, três, quatro horas, e eu ali sentada, imóvel
e desprotegida. Eu faria tudo para escapar daquela tortura, que às
vezes pode durar dias e noites, quando, em alguns casos, a freira perde
a razão, ali mesmo, sob esse tipo crucial de penitência.
E quando isso acontece, o que fazem com ela? Ora, eles têm aqueles
lugares preparados especialmente para elas... E tudo isso vai se repetindo
sempre e sempre... [Até que o Senhor Jesus Cristo venha destruir
essa Babilônia infernal!]
É por isso que muitas de nós começamos a bolar
um plano para matar aquela mulher, cada vez que ela se diverte à
custa da nossa desgraça.
Foi então que, certo dia, a madre adoeceu gravemente. Logo começamos
a nos indagar: "Que vai ficar no lugar dela?" Existem três
ou quatro freiras idosas e os padres sempre escolhem a mais sádica
dentre elas... Eles sempre preferem uma dessas... Aconteceu que mandaram
me chamar para tomar conta da enferma. E imediatamente comecei a pensar:
"Se eu for tomar conta dessa mulher, sei muito bem o que vou fazer
com ela". Afinal de contas sou apenas uma grande pecadora... Sou
uma freira cheia de pecados, não conheço a misericórdia
de Deus, estou cheia de ódio no coração... e foi
assim que entrei naquele quarto. Eles haviam chamado um médico
católico romano. Ela estava muito doente e o médico havia
deixado ali todas as prescrições e os medicamentos. Eles
pensam que eu vou cuidar bem dela e isso é bom demais! Cuido
bem dela... O dia inteiro fiz tudo que me recomendaram fazer... Mas
aqueles tabletes especiais estão ali à mão... Eu
sabia muito bem para que eles serviam, para que ela os estava tomando....
Passei o dia inteiro dando-lhe os medicamentos prescritos e assim continuei
a noite inteira. Por que? Porque precisava agir com calma, ser bastante
cautelosa quando fosse executar o meu plano. Teria de esperar até
uma hora da manhã, quando as freiras, depois de cantar os hinos,
entre meia noite e uma hora da manhã, voltariam para as suas
camas... Aí então eu poderia agir. Dissolvi cinco ou seis
tabletes num pouco d´água e os empurrei pela garganta da
madre superiora. Sabia que dentro de poucos minutos ela entraria em
convulsão e isso iria deixá-la completamente exausta,
sofrendo milhões de mortes, em apenas 25 minutos. Eu sabia disso
e pensei: "Vou ficar observando o sofrimento dela, por causa dos
castigos que ela nos tem infligido... Ela nos massacrou milhares de
vezes e por isso quero vê-la agonizar no sofrimento".
É doloroso pensar que uma criança entra num lugar assim
e fique lá tanto tempo, para adquirir uma mente assassina quase
igual à da madre superiora. Contudo isso acontece, quando o pecado
entra em nossa vida... Fiquei ali esperando... Depois que dei os tabletes,
comecei a entrar em pânico, quando olhei para aquela mulher e
vi que ela estava perdendo a cor, já não tinha pulso e
quase não respirava. Fiquei apavorada e me indaguei: "O
que foi que eu fiz? Quando a encontrarem morta, só Deus sabe
o que vai me acontecer!"... Peguei uma bomba vomitória e
comecei a bombear o estômago da mulher, massageando o mesmo. Fiz
tudo que era possível e, felizmente, ela sobreviveu. Agradeci
a Deus. Fiquei ali sentada ao lado dela, segurando-lhe a mão
e observando-a atentamente, até que a respiração
e o pulso se normalizaram e me certifiquei de que ela iria sobreviver.
Então pensei em fazer outra coisa e comecei a agir... As chaves
dela estavam ali sobre a prateleira do quarto. Estavam penduradas numa
grossa corrente, dentro de uma argola enorme e bem forte, e eu pensei:
"Vou apanhar essas chaves e descer até o calabouço".
Eu havia estado lá e sabia que ficava no subterrâneo, dois
pisos abaixo do quarto. Queria ver aquele lugar contra o qual ela sempre
nos advertia. Havia uma parede compacta e lá no final, um portão
pesado, a respeito do qual ela havia nos advertido assim: "Nunca
se atrevam a cruzar esse portão!"
Uma tenebrosa descoberta
O que existiria ali
e por que ela sempre nos dizia para não cruzar aquele portão,
o qual estava sempre trancado? Eu queria saber. Porque certa vez, quando
ela me trancara no calabouço, durante muitas horas eu havia escutado
gemidos que pareciam vir dali. Eram gemidos de cortar o coração
e eu sabia que havia algumas moças trancadas em algum lugar,
ali perto. Foi muito difícil encontrar a chave exata... Entrei
num imenso hall e no final do mesmo descobri uma porção
de celas, muito pequenas, cujas pesadas portas estavam trancadas e dentro
delas havia uma porção de freirinhas. Quando me aproximei
de uma delas, notei que a porta estava trancada com uma grossa barra
de ferro, olhei para o rosto daquela moça e vi que era conhecido,
pois havíamos tomado café, uma em frente à outra,
e até havíamos orado juntas na capela... Ali estava ela,
presa pelos dois pulsos e pela cintura, com grossas correntes de ferro.
Então eu lhe perguntei quando fora a última vez em que
alguém lhe trouxera comida e água. Nenhuma resposta. Mais
uma pergunta: "Há quanto tempo você está aqui?"
Nenhuma resposta... Fui até a segunda, a terceira, a quarta e
a quinta prisioneira, mas não obtive resposta alguma. O mau cheiro
era insuportável e não pude mais ficar ali. Aquelas moças
jamais iriam falar, porque ninguém pode falar no convento...
Ele é provido de fios e quando se dá um pio, logo sofre
uma severa penalidade. Suponho que aquelas meninas haviam sido trancadas
a ferro, ali no calabouço, provavelmente porque haviam perdido
a razão...[Provavelmente, depois de sofrer tantos maus tratos
e humilhações nas mãos dos padres, poucas freiras
teriam a capacidade de continuar mentalmente equilibradas. Imaginem
que isso acontece nos USA, o país mais desenvolvido, mais rico
e mais democrático do Ocidente... E aqui no Brasil, será
que não acontece muito pior? Não seria o caso da Polícia
Federal investigar o assunto?].
Ao sair dali, subi para o quarto da madre e vi que ela estava profundamente
adormecida. Então pude colocar as chaves de volta ao lugar. Ela
dormiu até o dia seguinte e quando despertou disse: "dormi
um sono profundo!". Concordei e fiquei tomando conta dela por três
dias ainda... Já pensaram no que me aconteceria, se ela tivesse
descoberto o meu "crime"?
Um plano desesperado
Depois de ter sido substituída na cabeceira da freira, eles me puseram na cozinha. Em geral o período na cozinha dura seis semanas. Fiquei ali junto com cinco freiras e fazíamos todo o serviço culinário. Na saída da cozinha havia um negro portão e antes dele, uma mesa onde cortávamos as verduras para a sopa. Foi quando aconteceu algo inesperado... A cozinha era muito ampla, mais em comprimento do que em largura. Na parte final da mesma havia um corredor e também uma escada que dava para um terreno, onde ficava o latão de restos de verduras, e mais um portão que dava para outro terreno. Os latões ficam ali onde existe uma escada que dá para o andar subterrâneo, pois a cozinha fica no primeiro andar. Estávamos trabalhando quando aconteceu algo inesperado. Ouvimos um ruído no latão das verduras. Não nos era permitido fazer ruído algum, ali no convento... Mas ouvimos um ruído... Fomos até lá e vimos um homem esvaziando o latão de restos... Achei que Deus estava me estendendo a Sua mão...Fugimos depressa, pois era pecado mortal olhar para outro homem que não fosse um padre católico romano. Havíamos fugido em disparada, mas fiquei pensando: "Se esse homem voltar aqui para esvaziar outro latão de restos, eu vou entregar-lhe um bilhete, perguntando se ele me deixa fugir em sua companhia". Contudo não o fiz... Quando saímos da cozinha existe um lápis pendurado numa corrente e precisamos escrever numa tabuinha. Furtei um pedaço de papel, guardei-o no bolso da camisa e sempre que eu agarrava aquele lápis, ia escrevendo uma ou duas palavras no meu papel. Fiz isso, embora tenha levado uma eternidade para concluir minha escrita e, enquanto isso, eu continuava a observar o latão de restos. Sempre que levava os restos ao latão, eu estudava cada detalhe. E quando o latão já estava quase cheio, eu pensei: "amanhã ele fica cheio e quando eu for colocar os restos de verduras, deixarei um bilhete perguntando se o homem me permite fugir junto com ele." Naquela tarde quebrei de propósito o meu crucifixo, o que foi bem difícil, porque estava sendo observada. Mas eu fiz isso porque ele me daria ensejo de voltar à cozinha, quando o serviço terminasse, o que não nos era permitido fazer. Quando saíamos da cozinha precisávamos desfilar diante da madre superiora. E quando estávamos fazendo isso, naquela tarde, perguntei: "Posso falar com a Sra?" E quando ela mo permitiu, eu disse: "Quebrei o meu crucifixo e o deixei na cozinha. Posso ir lá apanhar?" (Nenhuma freira podia ficar sem o crucifixo). Ela quis saber como eu o havia quebrado e inventei uma mentira... Ela então falou: "Vá pegar o crucifixo e não demore". Era tudo o que eu queria. Voltei à cozinha, não para apanhar o crucifixo, como a madre pensava, mas para correr até o latão, onde havia deixado um bilhete para o homem, em cima dos restos de verduras, com o latão destampado, o que não era lícito fazer. No bilhete eu contava resumidamente os horrores que as freiras sofriam ali dentro e concluía: "Se o Sr. achar este bilhete, por favor me ajude a sair daqui... Se estiver de acordo, deixe um bilhete sob o latão vazio"...
A fuga
Quando levantei o
latão e encontrei um bilhete, ninguém pode imaginar o
que eu senti. Fiquei gelada de emoção, da cabeça
aos pés, e ao mesmo tempo tão apavorada que nem sabia
o que fazer... Peguei o papel e li: "Vou deixar o portão
destrancado e também o portão de ferro, para que você
possa sair". Era muito mais do que eu havia sonhado. Jamais havia
acreditado que um dia eu poderia fugir do convento. Jamais! Resolvi
fugir e o primeiro portão logo se abriu. Saí do convento,
após tê-lo fechado por fora. Então corri até
o outro enorme portão de ferro e vi que ele estava completamente
trancado. Fiquei ali, parada e apavorada, olhando para aquele portão,
e agora trancada na parte de fora do convento. Havia perdido todo o
direito de continuar viva... Dei um gemido, não sei...Meu pavor
era mortal. Se eu voltasse para lá, o que eles iriam fazer comigo?
Meu coração quase parou de susto... eu estava completamente
descalça. Há anos não usava sapatos nem meias.
Quando penso que a ICR é a igreja mais rica do planeta e os padres
obrigam as freiras a andar descalças e sem roupas íntimas
de proteção, quer seja verão ou inverno, deixando-nos
viver na maior penúria, eu fico horrorizada. Porque enquanto
as freiras morrem de fome, os padres engordam e ficam cheios de vitalidade...
para abusar das coitadas.
De repente resolvi pular aquele enorme portão e logo me preparei
para fazê-lo. Era muito difícil porque havia hastes pontiagudas
no topo do mesmo, e eu usava roupas longas, que na certa iriam me atrapalhar...
Fiz inúmeras tentativas... Foi um sufoco. Tive de enrolar as
roupas na cintura, prende-las com uma das mãos, após ter
constatado que não tinha forças para escalar aquele portão,
de modo algum... A aventura foi dolorosa, demorei alguns minutos fazendo
mil e uma tentativas e estudos de como pular dali, e acabei me atirando
no ar, com o risco da própria vida... Infelizmente as roupas
ficaram presas no alto do portão e fiquei flutuando no ar...
[Obs. Resumi bastante a decolagem e a aterrisagem de Charlotte, pois
os detalhes são minuciosos demais para serem traduzidos]. Fiz
um esforço gigantesco e então caí no chão,
quebrando um braço e o ombro direito, com fratura exposta, tendo
ficado alguns minutos desacordada... Depois voltei a mim e...
Em
busca de socorro
Tendo recuperado a
consciência, eu pensei: "O que vou fazer agora?" Estava
livre, e me indaguei: "Para onde eu vou?" Sabia que não
estava nos USA. Estava noutro país, sobre o qual nada sabia.
Quando me trouxeram até aqui eles me cobriram a cabeça
com um espesso véu e eu nem podia enxergar. Não sabia
onde estava, nem para onde ir... Nem sabia se ainda possuía algum
parente neste mundo. Eu só queria ficar longe do convento e por
isso comecei a correr para bem longe dali. As folhas estavam caindo
e eu fazia muito barulho na corrida, mas continuei fugindo, fugindo,
até que a escuridão me envolveu completamente. Andei rastejando
em busca de alguma casinha de cachorro, de algum galinheiro onde pudesse
passar a noite... Ia rastejando e tremendo de pavor... Aí me
deitei um pouco, a fim de pensar melhor: estava escuro mas, mesmo assim,
eu precisava continuar e foi isso que fiz, durante toda aquela noite
e durante todo o dia seguinte. Depois me escondi atrás de uma
pilha de tábuas e madeiras, perto de um velho edifício.
Fiquei ali escondida o dia inteiro, embora fizesse muito calor. Meus
ossos estavam quebrados.. Só eu sabia como era deplorável
o meu estado físico...
Quando caiu a noite, tive de partir, tentando me distanciar mais e mais
do convento. Pensei em bater à porta de alguém, mas tive
medo. Ficava apavorada só de pensar que iria bater à porta
da casa de algum católico romano. Então ele depressa iria
chamar um padre e este me levaria de volta ao convento, onde eu seria
definitivamente eliminada, após ser atirada naquele fosso...
E fui andando, até que no terceiro dia comecei a ficar apavorada,
quando notei que o braço e a mão estavam ficando azulados...
Princípio de gangrena... Eu tinha de carregá-los com a
outra mão... A sensação era horrível. Achei
que ia morrer como um rato, ali, à margem daquela estrada...
Então resolvi enfrentar a morte mais depressa e fui bater à
porta de alguém...
Andei mais algum tempo, até avistar uma lâmpada piscando.
Vi uma casa muito pobre e sem pintura. Bati na porta da frente e logo
um homem veio me atender. Ele parecia idoso e pedi: "Por favor,
me dê um pouco d´água". Ele não me fez
qualquer pergunta, entrou em casa e logo veio uma mulher com jeito maternal
e me convidou a entrar. Era a esposa dele. Ela não perguntou
quem eu era nem o que desejava. Graças a Deus ainda existem pessoas
boas neste mundo. Ela puxou uma cadeira e me fez sentar ali. Sua voz
era a música mais linda que eu escutava em tantos anos de sofrimento.
Sentia-me feliz e reconfortada ali, junto daquela bondosa mulher. A
casa era muito pobre. O chão não tinha carpete e havia
apenas uma toalha vermelha de retalhos sobre a mesa tosca, e um fogão
pequeno e antiquado, que ficava bem no canto do aposento. O fogo estava
aceso. Ela encheu de leite uma panela e aqueceu-o para me dar. Eu estava
faminta e havia perdido as boas maneiras naqueles 22 anos de reclusão.
Não sabia me comportar direito. Bebi sofregamente a caneca de
leite... Contudo, meu estômago não pôde retê-lo
e , no mesmo instante, vomitei todo o leite, pois fazia 22 anos que
eu não tomava esse alimento. Contudo, ela não se abalou
e logo encheu outra panela com água, aqueceu-a e nela colocou
açúcar e ma trouxe para beber. Tomei tudo às colheradas
que ela me dava (como se eu fosse um bebê) e achei uma delícia.
Estava me sentindo reconfortada. Então ela me falou: "Agora
me conte quem é você e de onde veio". Comecei a chorar
e falei: "Fugi do convento e não voltar para lá"
Ela quis saber o que me havia acontecido e eu lhe contei tudo sobre
a fuga, a fim de explicar o motivo dos ferimentos, enquanto tinha o
braço e a mão quebrados, repousando sobre a mesa... O
marido chegou...
O
Médico
O marido dela chegou,
olhou para mim e falou: "Preciso chamar um médico".
Fiquei histérica, levantei-me e quis fugir, mas eles não
mo permitiram. Ele disse: "Espere um minuto. Não vamos lhe
fazer mal algum. Você está ferida e precisa de socorro
médico". Eu disse que não tinha dinheiro nem parentes
ali, não poderia pagar um médico e estava na maior penúria.
Mas ele insistiu em chamar um médico e montou num cavalo, saindo
a galope. O médico chegou de carro, antes dele. Antes de sair,
aquele homem me havia garantido que ele e o médico não
eram católicos romanos. Quando o médico chegou, ficou
me olhando e andando ao meu redor, suando de preocupação
e parecendo revoltado. Quando parou, olhou para mim e disse: "Preciso
levá-la, agora mesmo, para um hospital". Gritei apavorada,
dizendo que não queria ir. Ele me segurou gentilmente a mão
e falou: "Não vou prejudicá-la. Só quero ajudá-la."
E naquela mesma noite ele me levou para o hospital, onde eu soube que
estava pesando apenas 40,5 Kg. (Agora o meu peso é 81 Kg). Fui
levada à mesa de cirurgia e eles tentaram deter a inchação
e inflamação do braço e da mão... Fizeram
todo o possível para me ajudar...Fiquei no hospital uns 13 dias.
Depois o braço começou a encolher, voltei ao hospital,
eles me quebraram novamente o braço e o engessaram. Foi grande
o meu sofrimento...
Um dia fui liberada do hospital, a fim de passar uns dias com aquele
casal amigo. O médico até queria me levar para a sua própria
casa. Meu tempo naquele hospital foi de três meses e meio, até
receber alta. Voltei à casa dos meus amigos e lá fiquei
um bom tempo. Até que um dia o médico voltou. Antes disso,
ele havia me enviado uma carta acompanhada de um cheque, pedindo que
me comprassem uma valise e roupas adequadas. Enquanto isso ele conseguiu
descobrir o paradeiro de meus pais. Aquele médico era um estranho
para mim e eu só posso agradecer a Deus porque ainda existem
tantas pessoas boas neste mundo, sem egoísmo algum, as quais
têm consciência de que o dinheiro que Deus lhes permitiu
ganhar deve ser usado para ajudar os menos afortunados. Além
de me enviar dinheiro, ele havia pago toda a conta do hospital. Que
gesto grandioso! Recebi a valise e as roupas e quando ele chegou me
levou até o trem, entregando-me aos cuidados de alguém
que ele conhecia. Ele já havia localizado a minha família...
Andei de trem, de ônibus, de barco, até que certo dia,
sempre aos cuidados de alguém, eu cheguei ao final de minha jornada...
Graças a Deus!!!
Finalmente
em casa
Certo dia, anunciaram
o nome da cidade onde meus pais residiam. Desci do trem e fui correndo
até a nossa casa... Toquei a campainha e logo apareceu um senhor
idoso, que eu não reconheci. E por não tê-lo reconhecido
perguntei se ele sabia onde moravam meus pais. Ele ficou intrigado e
indagou: "Que é você? Como é o seu nome?"
Dei-lhe o meu nome familiar e não o do convento. Ele me olhou,
viu quem era eu e exclamou: "Hooky, é você?"...
Mesmo sendo meu pai, ele não me havia reconhecido. Convidou-me
a entrar e fui logo perguntando se minha mãe ainda estava viva.
... Ele me levou até o quarto, onde minha mãe, inválida
há mais de sete anos, se encontrava. A emoção foi
tanta que naquela mesma noite adoeci gravemente e tive de ser levado
para o hospital, onde permaneci mais de três meses. Meu pai pagou
todas as despesas e ainda reembolsou o médico de tudo que ele
havia gasto comigo. Até que um dia, quando eu já estava
totalmente recuperada, voltei ao curso de enfermagem e ganhei o meu
diploma. Consegui emprego num hospital particular, um hospital católico.
Deus me havia permitido ir para aquele hospital porque tinha um plano
a realizar em minha vida.
Certo dia apareceu por lá uma senhora, esposa de um ministro
da Igreja de Deus. Achei estranho que ela viesse fazer uma cirurgia
ali, quando havia dois hospitais protestantes nas redondezas... Ela
morava numa cidade ali perto. Fiquei me perguntando porque ela viera
se tratar ali...O médico me relatou o seu caso e logo fui preparar
a mesa de cirurgia para aquela senhora. Cuidei dela com todo carinho
e quando ela saiu do hospital me levou como sua enfermeira particular...
Eu já havia escutado uma das orações feitas por
ela e lá na sua casa eu estava escutando sempre as suas orações...
Lá fiquei o tempo suficiente para ouvir suas orações
e ler a Bíblia para ela. Eu nunca havia lido a Bíblia
em toda a minha vida e ela precisava procurar e marcar as escrituras
que devia ler. À medida que fui lendo a Palavra de Deus, Ele
começou a agir em meu íntimo. Até que um dia ela
me convidou para ir à igreja com ela. Fui e ouvi a pregação
do evangelho pela primeira vez na vida. Voltei nas três noites
seguintes e achei realmente lindo. Jamais havia escutado coisa assim.
E todos os dias ela me explicava o plano de salvação e
me falava de Deus, dizendo que eu precisava de Deus e de salvação.
Comecei a acreditar nela...
Todas as vezes que eu chegava da igreja na companhia daquela senhora,
eu dizia: "Agora a Sra. vai para a cama e eu vou descer para o
andar de baixo". Ali eu colocava a Bíblia sobre a cadeira
e ficava de pé, desafiando Deus, com palavras assim: "Deus,
você ouviu o que aquele pregador disse hoje?"... Você
escutou cada palavra dele, não foi?... Então, se você
realmente existe e se é de fato o Deus da Bíblia, e se
esta é mesmo a Palavra de Deus, prove que você existe!...
Eu gostaria de ser igual àquelas pessoas, e de ter o que elas
têm"... E assim eu ia fazendo os meus desafios a Deus. Coloquei-O
em cheque e sabia que Ele não iria me dar coisa alguma que não
fosse realmente Dele. Durante 4 a 5 noites continuei com aquele desafio.
Vivia em jejum... Dormia mal e perdi o apetite. Até que certa
noite, voltei à igreja, sob um céu azul e claro. E quando
o culto estava no meio, levantei-me do banco, acorri até o centro
do púlpito e caí de joelhos diante do mesmo, gritando:
"Meu Deus, perdoa todos os meus pecados". Eu era um pecadora.
Deus havia me encontrado ali, graças ao Seu maravilhoso nome...
Lembrei-me de tudo que havia feito no convento. Havia roubado batatas
cruas, havia furtado fatias de pão, havia falado uma porção
de mentiras, havia falado mal da madre superiora... Gostaria que vocês
soubessem que Deus me encontrou ali e perdoou cada pecado cometido em
toda a minha vida. Glória ao Seu Santo Nome... Ele tem sido bom
demais para mim. Muito bom mesmo...
Algumas noites depois daquele culto, voltei à igreja e ali Deus
me curou de todas os traumas com o batismo no Espírito Santo.
Jesus significa mais para mim do que todos os bens materiais deste mundo...
Descobri que Ele é o melhor amigo que já conheci. Falo
com Ele tudo que desejo falar e Ele não vai contar a ninguém
sobre o que Lhe falei... Posso me sentar a Seus pés, todos os
dias, e Lhe dizer: "Jesus, eu te amo...Jesus, eu te amo".
Posso contar-Lhe todos os segredos de minha vida... Ele é o melhor
amigo que se pode ter. Ele pode salvar-nos, Ele pode libertar-nos. Ele
pode libertar vocês das coisas deste mundo, tornando-os livres
para que vocês possam melhor conhecê-Lo. Tenho um Deus maravilhoso
a Quem amo acima de tudo...Ele é realmente a minha vida. Foi
um milagre realmente maravilhoso como Ele me libertou do convento. Orem
por mim. Preciso de suas orações. Estou freqüentando
lugares predominantemente católicos e ainda terei de sofrer muito
por Jesus, a fim de poder falar dEle às pessoas que encontro
e dar o meu testemunho, a fim de que aquelas meninas sejam libertadas
do convento. Então, orem por mim!"
Charlotte.
Mary Schultze - é escritora, tradutora e pesquisadora de catolicismo. Trabalho por quase 10 anos no Centro de Pesquisas Religiosas - CPR.
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