Centro Apologético Cristão de Pesquisas - CACP
Proibição da leitura
da Bíblia
O Papa Júlio III (1550-1555)
foi eleito como sucessor de Paulo III, num conclave que se prolongou
por mais de dois meses. Havia um forte candidato inglês chamado
Pole, mas os cardeais italianos não queriam que um papa estrangeiro
reinasse no trono de Roma. Depois de muita disputa eleitoral, venceu
o Cardeal Giovanni Maria del Monte, que recebeu o nome de Júlio
III.
Dizem que ele gostava de ver os seus lacaios alegres e adorava os prazeres
da vida. Queria muito fazer uma reforma na Igreja, antes que o Protestantismo
se alastrasse por toda a Europa, e por isso ordenou a reabertura do
famoso Concílio de Trento, em 1/05/1551, e nele instalou alguns
novos bispos alemães. Foi na Sessão XIII que o Concílio
criou o dogma da Eucaristia com o conceito de transubstanciação.
Outro dos atos de Júlio III foi elevar a cardeal o filho adotivo
de seu irmão Inocenzzo del Monte, que era um garoto cheio de
vícios, com menos de 15 anos de idade.
Por causa da guerra contra Octavio Farnese, que se negava a entregar
à Igreja os ducados de Parma e Piacenza e dos gastos com a guerra
de Siena, de 1552, Júlio III ficou endividado. Mesmo assim, ordenou
que fosse construída para si uma casa de campo magnifica, rodeada
de jardins repletos de estátuas e ninfas, a qual ficou conhecida
como Vila Giullia e comporta hoje o Museu Etrusco.
Em 1551 Júlio III nomeou Palestrina como maestro da capela da
Basílica de S. Pedro. Durante o seu reinado, com a ajuda da Rainha
católica Mary I, o Protestantismo recém nascido foi minado
na Inglaterra e este país voltou aos domínios do papado,
do qual iria libertar-se durante o reinado de Elizabeth I, meio irmã
de Mary I. Esta rainha reinou apenas seis anos e ficou para sempre conhecida
na Inglaterra como a Rainha Sanguinária, ou "Bloody Mary".
Elizabeth iria fazer um excelente reinado de quarenta anos e conduziria
o seu país definitivamente ao Protestantismo, sendo que após
sua morte subiu ao trono inglês um outro amigo da Bíblia,
o Rei Tiago I, o qual logo tratou de ordenar a publicação
da mais perfeita Bíblia do mundo, conhecida como King James Bible
ou Authorized Version, 1611.
Infelizmente a Rainha Elizabeth II não tem sabido honrar o nome
de sua antecessora do século XVI, pois entregou nas mãos
do papa o atual Império Britânico, ordenando que a Igreja
Anglicana se aliasse ao Catolicismo Romano e, consequentemente, o protestantismo
inglês foi praticamente anulado. Elizabeth II é uma apóstata
do ponto de vista bíblico, pois entregou o seu povo nas mãos
do lobo voraz chamado Vaticano. Júlio III foi um papa que deixou
nome na história da Igreja apenas por causa de Trento, mas se
formos analisar bem os cinco anos do seu reinado, ele nada fez de especial
a favor da Santa Sé e, principalmente, da humanidade.
Em seu tempo, aconteceu algo interessante. Ele convocou três bispos,
dos mais sábios do Vaticano, e lhes confiou a missão de
estudar com cuidado o problema da Bíblia e apresentar as sugestões
cabíveis.
Ao concluir os seus estudos, aqueles bispos apresentaram-lhe um documento
intitulado:
"Direções
concernentes aos métodos adequados
para fortificar a Igreja de Roma"
Esse documento
está arquivado na Biblioteca Imperial de Paris, fólio
B, número 1088, vol. 2, ps. 641 a 650. O trecho final desse ofício
é o seguinte:
"Finalmente (de todos
os conselhos que bem nos pareceu dar a Vossa Santidade, deixamos para
o fim o mais necessário), nisto Vossa Santidade deve pôr
toda a atenção e cuidado de permitir o menos possível
a leitura do Evangelho, especialmente na língua vulgar, em todos
os países sob vossa jurisdição. O pouco dele que
se costuma ler na Missa, deve ser o suficiente; mais do que isso não
devia ser permitido a ninguém.
Enquanto os homens estiverem satisfeitos com esse pouco, os interesses
de Vossa Santidade prosperarão, mas quando eles desejarem mais,
tais interesses declinarão. Em suma, esse livro (a Bíblia)
mais do que qualquer outro tem levantado contra nós esses torvelinhos
e tempestades, dos quais meramente escapamos de ser totalmente destruídos.
De fato, se alguém o examinar cuidadosamente, logo descobrirá
o desacordo, e verá que a nossa doutrina é muitas vezes
diferente da doutrina dele, e em outras até contrária
a ele; o que se o povo souber, não deixará de clamar contra
nós, e seremos objetos de escárnio e ódio geral.
Portanto, é necessário tirar esse livro das vistas do
povo, mas tende muito cuidado, para não provocar tumultos"
Bolonie,
20 Octobis 1553
Vicentius De Durtantibus, Egidus Falceta, Gerardus Busdragus.
Como podemos ver, a hierarquia romana sempre tem mantido o povo longe
do Livro santo porque sabe que este é "perigoso" para
a sua organização política-econômica-religiosa,
visto como trata realmente das coisas de Deus, sem mentiras e superstições
do tipo purgatório, veneração aos santos mortos,
linha de sucessão papal, infalibilidade papal, sacerdotalismo,
sacramentos que salvam e, finalmente, o espúrio evangelho da
salvação pelas obras aliadas à fé.
A Bíblia é um Livro que não deve produzir lucro
algum aos que o estudam e ensinam e deve ser manejado com respeito,
amor e piedade, a fim de que o homem comum, sendo nele educado, possa
tornar-se um cidadão respeitável e honesto em todos os
sentidos, conforme a 2 Timóteo 2:15.
Hoje em dia a luta já não é tão ostensiva
contra o Livro de Deus. Ela é feita sorrateiramente pela Igreja
de Roma, desde a implantação do Concílio Vaticano
II
Mary Schultze - 23/10/00.
Mary Schultze - é escritora,
tradutora e pesquisadora de catolicismo. Trabalho por quase 10 anos
no Centro de Pesquisas Religiosas - CPR.
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