Centro Apologético Cristão de Pesquisas - CACP
RESPOSTA AOS ARGUMENTOS A FAVOR DA TRADIÇÃO ORAL CATÓLICA
(Parte 2)
Por Anibal P. Reis - ex-padre católico
I - Introdução
Os argumentos em que o catolicismo baseia a sua Tradição
são anêmicos em extremo e pasmam a qualquer pessoa de
inteligência mediana. Dentre eles vamos considerar o seguinte:
Antes de Moisés nada havia escrito. Deus se revelava lentamente
e sua doutrina foi transmitida oralmente. Só
muito mais tarde veio a Escritura. Desde a origem do mundo até
Moisés, a primitiva revelação de Deus, verbalmente
dada aos homens, foi conservada por sucessão entre os patriarcas
e não em escrituras.
Já se vê, cavilam os teólogos católicos,
que o próprio Moisés, ao escrever o Gênesis precisou
abeberar-se na
Tradição, esse primeiro e genuíno canal da Revelação
Divina. Foi na Tradição que o autor do Pentateuco colheu
informes sobre a criação do mundo ex nihilø e a
queda do primeiro homem, sobre a propagação do gênero
humano e
sua geral corrupção, sobre o dilúvio, os descendentes
de Noé e a confusão das línguas, sobre a vocação
de Abraão
e sua empolgante biografia, sobre Isaque e as peripécias dos
filhos de Jacó, sobre José e a ida dos seus irmãos
para o Egito.
Para o catolicismo, na conformidade de sua argumentação
e esquecido de que Moisés fora divinamente inspirado e
assistido, o primeiro livro da Bíblia, o Gênesis, nada
mais é do que a Tradição estampada em letras de
forma.
II - A Bíblia desde os primórdios (Moisés
usou a tardição oral para escrever Gênesis?)
Todos os acontecimentos relatados em Gênesis se deram séculos
antes de serem escritos por Moisés, o Autor divinamente inspirado
do Pentateuco. A transmissão oral ou escrita de fatos históricos
não se constitui em fonte de Revelação Divina!
Não negamos haver Moisés colhido informes aqui e ali,
com uns e outros. Mas, a esta simples verificação de fatos
históricos atribuir-se uma importância de fonte de Revelação
é negar ou pelos menos depreciar a inspiração divina
da primeira parte do Velho Testamento. O passo é muito grande.
Ë um salto mortal de causar arrepios! A simples leitura de Gênesis
demonstra que Deus não confiou na Tradição Oral.
Abraão é o primeiro dos patriarcas e vocacionado
para formar uma grande nação. "de ti farei uma grande
nação... " (Gên. 12:2). "Far-te-ei fecundo
extraordinariamente, de ti farei nações, e reis procederão
de ti" (Gên. 17:6). Foi ao estabelecer este concerto com
o patriarca que Deus lhe mudou o nome de Abrão para Abraão,
que quer dizer pai de muitas nações ou duma multidão.
"Dar-te-ei e à tua descendência a terra das tuas peregrinações,
toda a terra de Canaã, em possessão perpétua, e
serei o seu Deus" (Gên. 17:8). Da mesma maneira como Deus
se revelara, em
circunstâncias especiais diretamente a Adão e Noé,
e interferira também diretamente em certos episódios,
como
por ocasião da queda do homem, do dilúvio, da confusão
das línguas, agora interfere diretamente e vocaciona
Abraão, estabelecendo um concerto especial, para ser o pai de
um povo peculiar e santo de cujo seio sairia o
Redentor.
Isaque é o segundo personagem da estirpe da promessa e
tem dois filhos: Esaú e Jacó, sendo o terceiro elo nessa
corrente de formação do povo eleito. A Jacó disse
o seu pai Isaque, lembrando-se da bênção do
Senhor: "Levanta-te, vai a Padã-Arã, à casa
de Betuel, pai de tua mãe, e toma lã por esposa uma das
filhas de
Labão, irmão de tua mãe. Deus Todo-Poderoso te
abençoe e te faça fecundo, e te multiplique para que venhas
a ser
uma multidão de povos; e te dê a bênção
de Abraão, a ti, e à tua descendência contigo, para
que possuas a terra
de tuas peregrinações, concedida por Deus a Abraão
(Gên. 18:2-4). Acaso não seria suficiente essa tradição
oral da
promessa e da bênção? E uma tradição
muito curta, apenas entre Abraão e Jacó, mediando somente
Isaque!
O Senhor, porém, não aceita a tradição oral
como fonte ou mesmo sustento de sua Revelação e interfere
diretamente. E na visão de Betel, Jacõ ouve o Senhor:
Eu sou o Senhor, Deus de Abraão, teu pai, e Deus de
Isaque. A terra em que agora estás deitado, eu ta darei, a ti
e à tua descendência. A tua descendência será
como
o pó da terra; estender-te-ás para o Ocidente, e para
o Oriente, para o Norte, e para o Sul. Em ti e na tua descendência
serão abençoadas todas as famílias da terra"
(Gên. 18:13-14).
Jacó - A mesma Promessa agora repetida diretamente
pelo Senhor a Jacó e não através de Tradição
alguma! - quase com as mesmas palavras fora dita ao seu ancestral mais
próximo, a Abraão, logo após separar-se de Ló
(Gên. 13:14-16).E a vida de Jacó é toda pontilhada
de interferências diretas de Deus! Seu nome também é
mudado no incidente
de Peniel quando lutou com o anjo até prevalecer e ser abençoado.
Passou-se a chamar Israel, pois como príncipe
lutara com Deus e com os homens. E prevalecera! (Gên. 32:28).
No futuro, Israel seria o nome do povo eleito do Senhor! Dentre os doze
filhos de Israel, destaca-se José, que, em circunstancias memoráveis,
foi para o Egito (Gên.
37:41), onde mais tarde recebeu seu velho pai e seus irmãos acossados
pela fome (Gên. 42-50). Mesmo para esta viagem, o servo do Senhor
esperou a Sua manifestação direta. "Eu sou Deus,
o Deus do teu pai; não temas descer para o Egito porque lã
eu farei de ti uma grande nação" (Gên.46:3).
Deus a repetir a mesma Promessa!
Em 1706 antes de Cristo é que, no Egito, se fixou
esse povo peculiar de Deus, cumprindo-se assim a Palavra do
Senhor a Abraão (Gên. 15:13). Não se pense que era
um povo grande em número.. Em Gên. 46:1-27 são relacionados
os nomes dos membros desse pequenino povo composto apenas de setenta
pessoas. Setenta pessoas! Filhos, noras e netos do velho patriarca!
Nos primeiros 126 anos de sua permanência no Egito, esse povo
muito prosperou e cresceu. E ... os filhos de Israel foram fecundos,
aumentaram muito e se multiplicaram... (Êx. 1:7). Os setentas
se multiplicaram em dois milhões!Levantando-se, entretanto, uma
nova dinastia, mudou-se a situação e esse povo vocacionado
para urna incumbência especial, cativo, passou a sofrer duras
peripécias durante mais de um século, quando Deus promoveu
sua libertação suscitando Moisés. Fala-lhe da sarça
ardente o Senhor: "Certamente tenho visto a aflição
do meu povo... (Ëx. 3:7). ... Pois o clamor dos filhos de Israel
chegou até Mim... "(Ex.3:9).
Irá Deus permitir o retorno na conformidade de Gên.15:16.
Como a recordar a Sua Promessa, o Senhor se identifica:
Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque,
e o Deus de Jacó" (Êx. 3:6,15,16). E aquele povo
que é o Seu, Ele chama: "meu povo" Ëx. 3:9,10,11,13,14,15).
Ë a lembrança da Promessa de Deus a
Moisés! Não mandou Moisés consultar os anciãos
sobre ela. Mencionou-a diretamente!
E o argumento da teologia católica em favor de sua Tradição?
Já está por terra!
Prossigamos em nossa consideração grata a Deus por sua
maravilhosa Revelação contida na Bíblia em nosso
beneficio.
Nesta conjuntura da História de Israel, o Senhor suscita em Moisés
o grande líder para libertar o Seu povo, levando-o à Canaã
Prometida, a Palestina, o centro geográfico do mundo de então
para de lá, como de centro irradiador, difundir a Sua Palavra
e fazer cumprir o Seu Plano Salvífico. As peripécias da
jornada, os desalentos dos tímidos e as
murmurações dos descontentes não puderam embargar
aquela nação de contemplar, na maior de todas as epopéias
da
História, as manifestações palpáveis do
Poder de Deus. As pragas do Egito, a libertação memorável
do seu cativeiro, a passagem espetacular do Mar Vermelho, a abundância
de maná, o vôo razante das codornizes, o jorrar abundante
da água no deserto de Sim, a vitória surpreendente sobre
os amalequitas, tudo empolgava os filhos de Israel, quando, exatamente
no instante de seu sucesso na campanha dos amalequitas, pela primeira
vez, Deus ordena a Moisés:
ESCREVE ISTO PARA MEMÓRIA NUM LIVRO" (Ëx. 17:14).
Por que o Senhor não confiou na Tradição Oral?
Se antes, quando se tratava de Sua Promessa não confiou na Tradição
Oral, mas diretamente Ele falou aos patriarcas desde Abraão,
não seria agora ao separar o Seu povo,tirando-o do Egito, que
iria confiar Sua Lei e Sua Revelação à Tradição
Oral!
"ESCREVE ISTO PARA MEMÓRIA NUM LIVRO"!!!
Recorde-se à dificuldade imensa que envolvia a arte de escrever
antes da descoberta da imprensa por Gutenberg
em meados do século XV. Naqueles remotíssimos tempos o
instrumento apto para ensinar e legislar era a palavra oral.
Este veículo do pensamento teve sua ampla aplicação
no setor da religião. Compulsando-se a História das religiões
mais antigas, verifica-se que elas dependiam de um patrimônio
doutrinário transmitido de geração a geração
por via meramente oral. Em certos sistemas religiosos os fiéis
se negaram sempre a escrever alguns dos seus preceitos mais caros.Ë
de se observar, por. exemplo, a fórmula freqüentíssima:
"Eu ouvi... " adotada na primitiva
religião chinesa, da qual procedem o taoísmo e o confucionismo.
Chama a atenção para o nosso caso ainda mais a
circunstância assaz agravante de estar o povo de Israel acampado
no deserto, com dificuldades humanamente
instransponíveis para executar a arte da escrita. A História
das religiões dos homens revela o apreço à Tradição
Oral por ser esta mais fácil em amoldar-se aos seus caprichos
circunstanciais.
São notáveis os inúmeros pontos de contato do catolicismo
com essas religiões, inclusive o seu apego a esse veiculo de
transmissão doutrinária e depósito dos seus ensinos.
Em condições dignas de nota, surgiu a Escritura Santa!
Anteriormente Deus se revelara a pessoas individuais. A Adão
e Eva. A Noé. A Abraão. A Jacó. Falava-lhes! Interferiu
em acontecimentos! Mas, quando se revelou ao Seu Povo já separado
dos egípcios, à coletividade, mandou escrever. A marcha
triunfante e cheia de percalços continuou. Acampou-se o povo
ao sopé do Monte de Sinai em
circunstanciais solidíssimas. "Todo o Monte do Sinal fumegava,
porque o Senhor descera sobre ele em fogo; a
sua fumaça subiu como a fumaça de uma fornalha, e todo
o monte tremia grandemente" (Ëx. 19:18). E "Deus
falou... " Ëx. 20:1). Proferiu o Seu Decálogo. Apresentou
as Suas Leis acerca dos servos, dos homicidas, da propriedade, da imoralidade,
da idolatria, dos que amaldiçoam os pais ou ferem qualquer pessoa,
do testemunho falso e das injustiças, do descanso e das três
festas. Não se limitou Moisés relatá-las ao seu
povo (Ex. 24:3), mas, "escreveu todas as palavras do Senhor"
(Ëx. 24:4). "... Erigiu um altar ao pé do monte (Êx.
24:4)... e tornou o livro da aliança, e o deu ao povo, e eles
disseram: tudo o que falou o Senhor, faremos, e obedeceremos" (Êx.
24:7).
Note-se: Moisés ouviu. Em seguida relatou ao povo. E depois ESCREVEU.
E, então, leu ao povo o que havia escrito no livro da aliança.Por
que? É porque o Senhor não queria TRAIÇÃO
ORAL alguma! A Tradição é traição
contra a fidelidade!
III - Jesus não mandou escrever mas sim pregar e ensinar o
evangelho
Acabemos com outro argumento falso!
Este segundo arrazoado na pretendida defesa da Tradição
católica é uma repetição do anterior tendo,
porém, como
cenário outras circunstâncias episódicas. Tão
raquítica é a sua argumentação que a teologia
católica muda apenas o cenário e a roupagem, enquanto
o esqueleto do sofisma continua o mesmo. A referida teologia, contudo,
é traída no seu próprio desespero à falta
de argumentos. Alega que Cristo nunca mandou escrever seus ensinos e
mandamentos e nada deixou escrito. Aos Apóstolos apenas determinou
pregassem pelo mundo como testemunhas dele e
da doutrina por eles aceita e proclamada. Em endosso deste arrazoado
e no objetivo de confundir os menos avisados, invoca as seguintes pericopes:
"... e, a medida que seguirdes, pregai que
está próximo o reino dos céus" (Mt. 10:7).
PREGAI! Não mandou escrever!!!.
"Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade
me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos
de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho
e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as cousas
que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até
a consumação do século" (Mt. 28:18-20).
ENSINAI! Não mandou escrever!!!
"E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho
a toda criatura" (Mc. 16:15).
PREGAI! Não mandou escrever!!!
Sinto calafrios de compaixão por ver esse pobre argumento tão
tísico. Coitados dos católicos! Com seus teólogos
assim ignorantes e de consciência encroada! Jesus nunca mandou
escrever? Em Apocalipse encontramos dez oportunidades em que o Senhor
manda escrever: - 1:11,19;2:1,8,12,18;3:1,7,14 ;21:5.
ESCREVE! Ë assim com o verbo no modo imperativo.
Existem excelentes oculistas e óticas especializadas onde os
reverendos teólogos podem resolver o seu problema de miopia.
A não ser que seu germe seja má vontade. Ai a cegueira
consciente é incurável. Prossegue, todavia ,o desenvolvimento
da argumentação esdrúxula!
Os próprios Apóstolos ex professo nunca escreveram como
se estivessem desincumbindo uma obrigação própria
e
especial, embora houvessem executado a contento a sua missão.
Alguns, apenas em ocasiões esporádicas ou oportunidades
ocasionais consignaram alguma coisa por escrito, mas sem a intenção
de transmitir por escrito toda a Revelação e sim no propósito
apenas de inculcar ou explicar alguma Verdade, ou forçados pelos
pedidos
dos fiéis ou dos bispos - "sed vel ad veritatem aliquam
magis inculcandam aut explicandam, vel precibus fídelium
aut episcoporum compulsi" (J.M. Hervé De Vera Religione
De Ecclesia Christi - De Fontibus Revelationis
1929 - Paris - pág. 531).
É mesmo de se tirar o chapéu!
Precisa-se de muita coragem para se embarcar nessa canoa doutrinária
de casco tão podre! Tamanha coragem como a
disposição de se agarrar um leão à unha.
Leão vivo! Engolfados nesse trernendal dogmático não
se apercebem os teólogos católicos que o seu arrazoado
em defesa da Tradição labora contra ela? Pois que, se
precisaram os
Apóstolos escrever para inculcar ou explicar a doutrina cristã
esta desmerecida a Tradição Oral.
E de fato, João da ênfase ao seu objetivo escrevendo:
"... para que creiais que Jesus é o Cristo,
o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em Seu
Nome" (João 20:31).
Paulo, ao escrever aos coríntios, destaca:
"... as coisas que vos escrevo são mandamentos do
Senhor" (1 Cor. 14:37). E aos filípenses: "Não
me aborreço de
escrever-vos as mesmas coisas, e é segurança para
vós" (Fil. 3:1).
Paulo não se aborrece de escrever as mesmas coisas... Por que?
Para SEGURANÇA dos fiéis!
Não se fiava da Tradição nem a curto prazo e nem
a curta distância. Ele havia pregado aos filípenses e por
medida de
segurança doutrinária, escreveu-lhes.
João apóia a Tradição oral?
Para não perder a desenvoltura no meio de tanta coincidência,
o teólogo católico, com ares de muito entendido, invoca
o verso 25 do capitulo 21 do Evangelho segundo João: "Há,
porém, ainda muitas outras coisas que Jesus fez. Se todas elas
fossem relatadas uma por uma, creio eu que nem no mundo inteiro caberiam
os livros que
seriam escritos" Até em cartas pastorais os "amantíssimos
ordinários" invocam este versículo.
Quando Deus me despertou para o exame consciencioso de sua Palavra,
observei nesse passo escriturístico essa
informação joanina.
O Autor sacro, constatei logo, se refere a coisas que Jesus fez, a fatos,
a prodígios e não a doutrinas.
Fiquei, porém, mais desapontado ainda quando, confrontando, verifiquei
o verso 31 do capitulo 20 do mesmo Livro Sagrado, que é o bastante,
outrossim, para se acabar com a alegria dos teólogos católicos,
acrobatas do sofisma "Estes, porém, foram registrados para
que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que,
crendo, tenhais vida em Seu Nome".
Lucas apóia a Tradição oral?
Insiste maldosamente o desesperado teólogo. Reconhece de sobejo
que, destruída a Tradição Oral, como fonte de
Revelação, adeus fantasmagoria católica. E traz
à baila os três primeiros versículos do capítulo
1 de Lucas: "Visto que muitos houve que empreenderam urna narração
coordenada dos fatos que entre nós se realizaram, conforme nos
transmitiram os que desde o principio foram deles testemunhas oculares,
e ministros da palavra, igualmente a mim me pareceu bem, depois de acurada
investigação de tudo desde sua origem, dar-te por escrito,
excelentíssimo Teófilo, uma exposição em
ordem".
Pronto! Lucas antes de escrever obteve informações minuciosas
de tudo junto das testemunhas presenciais dos
fatos sobre os quais se dispõe escrever.
Pronto! Lucas foi, como Moisés ao escrever Gênesis, abeberar-se
na Tradição!
Pronto! O Evangelho segundo Lucas é simplesmente produto da Tradição,
a mais antiga, a mais completa Fonte de
Revelação. A própria Fonte da Bíblia!
Declaramos crer inteiramente que Lucas ao escrever os seus dois livros,o
Evangelho e os Atos dos Apóstolos,
estava inspirado pelo Espírito Santo de Deus. E nestas condições
é que ele colheu e selecionou a verdade no meio de tantos fatos
e comentários divulgados oralmente e por escrito em inúmeros
apócrifos. Lucas, divinamente inspirado, foi o garimpeiro que
separou o ouro puríssimo!
Pululavam apócrifos! Lucas resolveu descrever ao excelente Teófilo
os fatos conhecidos por ouvir da tradição oral para que
ele tivesse a certeza das coisas sobre as quais já estava informado.
Deseja Lucas que Teófilo e todos os demais se livrassem do risco
de serem ludibriados pela Tradição Oral.
"Quem conta um conto aumenta um ponto", diz o adágio
popular.
Se não fossem as Escrituras não teríamos mais hoje
a Revelação Divina! Porque o catolicismo fundamenta suas
doutrinas na Tradição é que evolui a sua teologia,
surgem novos dogmas e sempre muda. O católico de vinte anos passados
desconhece o católico atual. Mesmo o de dois anos atrás!
No seu arrazoado o teólogo da seita papal se lembra somente dos
três primeiros versículos do capitulo 1o de Lucas. Esquece-se
do quarto porque, concluindo o
pensamento exarado nos versos anteriores, Lucas reconhece ser desmoralizada
e inconsistente a Tradição como Fonte de Revelação.
Ele escreveu para se ter certeza!
"PARA QUE TENHAS PLENA CERTEZA DAS VERDADES EM QUE FOSTE INSTRUIDO".
Teófilo estava já informado de tudo por ouvir dizer. A
Tradição Oral, todavia, não lhe dava certeza alguma.
.E
Lucas, divinamente inspirado, resolveu escrever para lhe dar essa certeza.
Se a Tradição Oral dispõe do valor que lhe atribui
o catolicismo, por que escrever? Lucas escreveu os seus livros na língua
grega. No original desta pericopes o vocábulo empregado é
Asphaleia que quer dizer certeza, segurança, firmeza, solidez.
"Ut cognoscas ea quae de Christo edoctus es, esse certissima, firmissíma
et solidissima", comenta Cornélio
a Lápide em seu Comentário das Sagradas Escrituras. Teófilo,
o destinatário do livro, já sabia por via oral
e Lucas lhe escreveu para que o seu conhecimento fosse certíssimo,
firmíssimo, solidíssimo. Não confiava na Tradição.
Logicamente, a Tradição não pode ser fonte de Revelação!
Para um exame do real significado do vocábulo asphaleia é
interessante notar-se a sua posição significativa em
outros textos. Usa-o Lucas outra vez em Atos 5:23, em que, depois de
relatar a prisão dos Apóstolos decretada
pelo sumo sacerdote e a libertação miraculosa dás
mesmos, transcreve-&-- explicação dos servidores:
"Achamos o cárcere fechado com toda a segurança (asphaleia).
Usa-o Paulo em Fil. 3:1: ... e é segurança (asphaleia)
para vós outros...". Não bastava falar. Escrevia
por medida de segurança.
Na forma asphales, emprega-o Lucas em Atos 21:34;22:30;25:26 e se encontra
em Hb. 6:19.
Na modalidade de verbo, é aplicado por Mt. quando se refere à
segurança da guarda do sepulcro de Jesus. "Ordena, pois,
que o sepulcro seja guardado com segurança (asphalistenai.) ...
Disse-lhes Pilatos: ai tendes uma escolta; ide e guardai como bem vos
parecer (Asphalisaste).
O próprio Lucas em Atos 16:24, contando a prisão de Paulo
e Suas em Filipos, ainda outra vez, aplica-o: "O
qual (carcereiro), tendo recebido tal ordem, os lançou no cárcere
interior, e lhes segurou (esphalisato) os pés no tronco.
Na forma de advérbio, no mesmo relato, Lucas, com ênfase
informa: "e, depois de lhes (Paulo e Silas) darem muitos açoites,
os lançaram no cárcere, ordenando ao carcereiro que os
guardasse com toda a segurança seguramente (asphalós).
Ainda Lucas, ao transcrever o sermão de Pedro no dia de Pentecostes,
aplica-o: "Esteja pois absolutamente certa - segura - (asplialós)
toda a casa de Israel de que a este Jesus que vós crucificastes,
Deus o fez Senhor e Cristo" (At. 2:36).
O advérbio Asphalós é empregado por Mc. 14:14 ao
anotar a recomendação do Iscariotes: "Aquele a quem
eu beijar,
é esse; prendei-o, e levai-o com segurança (seguramente).
De todas estas observações é evidente, é
lógico, é patente ressaltar, em conseqüência,
que Lucas escreveu o seu Evangelho para firmar seguramente a Revelação
de Jesus Cristo, demonstrando, outrossim, ser muito deficiente e falho
o conhecimento através do ouvir dizer. De quantos 1ivros, se
compõe o Novo Testamento? Vinte e sete!
E destes, com certeza, treze foram escritos pelo Apóstolo Paulo.
E cinco pelo Apóstolo João. Por João, o Apóstolo
Amado de Jesus, chamado a testificar dËle porquanto com Ele estivera
desde o princípio (Jo. 15:27), que, no final do Quarto Evangelho
disse, referindo-se aos sinais de Jesus: "Estes, porém foram
registrados para que creais que Jesus é o Cristo, o Filho de
Deus, e para que, crendo, tenhais vida em Seu Nome". (Jo. 20:31).
Pelo Apóstolo João que, na sua Primeira Epístola
destinada aos já conhecedores do Evangelho de sua lavra, dirigida
às mesmas igrejas, porquanto a simples leitura de ambos os documentos
demonstra ser essa Primeira epistola um suplemento daquele, declara:
"O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que
temos visto com os nossos próprios olhos, o que contemplamos
e as nossas mãos apalparam, com respeito ao Verbo da Vida..,
o que temos visto e ouvido anunciamos também a vós outros,
para que vós igualmente mantenhais comunhão conosco. Ora,
a nossa comunhão é com o Pai e com o Seu Filho Jesus Cristo.
João não se apoiou na Tradição
oral
ESTAS COISAS, POIS, VOS ESCREVEMOS PARA QUE A NOSSA ALEGRIA
SEJA COMPLETA" (1 Jo. 1:1,3,4).
João, testemunha ocular! Observe-se a sua insistência em
destacar esta particularidade notável: o que ouviu, o
que viu com os seus olhos, o que contemplou e as suas mãos tocaram...
Todo êste martelar contra qualquer pretensa Tradição
apenas no primeiro verso do capítulo primeiro de sua Primeira
Carta. E a seguir, após um parêntesis no verso 2, torna
a insistir: "o que temos visto e ouvido... " Tudo o que ele
escreveu foi presenciado e ouvido por ele! Não foi colher dados
e informações com ninguém!
Dos vinte e sete livros do Novo Testamento cinco procedem da pena divinamente
inspirada do Apóstolo João. Do Apóstolo João
que leva a morder o pó da inutilidade o arrazoado balofo do catolicismo
em prol de uma Tradição
Oral como regra de fé mais importante do que a Bíblia
por ser-lhe anterior e sua própria fonte.
Do Apóstolo João que, ao encerrar o seu Livro Apocalíptico,
escangalha com a presunção católica porque
estampa, por escrito, esta advertência de Jesus Cristo:
"EU, A TODO AQIYÊLE QUE OUVE AS PALAVRAS DA PROFECIA DËSTE
LIVRO, TESTIFICO: SE ALGUËM LHES FIZER QUALQUER ACRËSCIMO,
DEUS LHE ACRESCENTARÁ OS FLAGELOS ESCRITOS NESTE LIVRO; E SE
ALGUËM TIRAR QUALQUER COUSA DAS PALAVRAS DO LIVRO DESTA PROFECIA,
DEUS TIRARÁ A SUA PARTE DA ÁRVORE DA VIDA, DA CIDADE SANTA,
E DAS COUSAS QUE SE ACHAM ESCRITAS NESTE LIVRO". (Apoc. 22:18-19).
ENFIM, O ÚLTIMO SOFISMA...
Se os dois argumentos expendidos pela dogmática católica
em abono de sua Tradição são caquéticos,
o terceiro e último é o acervo de todas as nuances da
malicia. Ë um sofisma sintomático da mais deslavada irresponsabilidade.
Firmada no carunchado segundo argumento alega que, por não haver
Cristo e nem os Seus discípulos escrito ou mandado escrever (?!)
isso mesmo demonstra a existência de muitas doutrinas transmitidas
apenas oralmente, as
quais devem ser aceitas como reveladas. Ora! Vejam só! Nem de
leve o catolicismo irá encontrar nas palavras de Jesus alguma
coisa que lhe possa endossar a presunção. Aliás,
bem ao contrário, porquanto Jesus foi severo no combate à
Tradição. ..... invalidastes a Palavra de Deus, por causa
da vossa Tradição" (Mt. 15:6), recriminava Ele aos
fariseus. E nessa única vez que o Senhor fala sobre a Tradição,
vergastando-a lembra: "E em vão me adoram, ensinando doutrinas
que são preceitos de homens (Mt. 15:9).
(o terceiro argumento você irá encontrar
em outro artigo com o título "Paulo
ensinou tradição oral?" no link Catolicismo)
Extraído
do livro "O Vaticano e a Bíblia" ed. Caminho de Damasco
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