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(Parte 1) Por Paulo Cristiano, do CACP Introdução Geralmente ao discutir com alguns católicos mais instruídos sobre a ausência completa de suas doutrinas nas páginas da Bíblia, eles costumam apelar para a chamada "Tradição Oral". Para justificar esse argumento eles lançam mão de alguns textos do NT, distorcendo-os de maneira bárbara. É isso que iremos abordar nesta matéria. ::: 19 argumentos católicos refutados ::: 1º - Paulo ordena que seguíssemos a tradição oral em 2 Tessalonicenses 2:15. Dizem os católicos: Se a palavra escrita suplanta a tradição oral como dizem os evangélicos, então por que Paulo ordenou aos tessalonicenses preservar a tradição oral? Resposta: Paulo nunca ensinou ou ordenou nenhum cristão a seguir tradições orais extra-bíblicas em II Tessalonicenses 2:15. 1. A Palavra dos apóstolos em forma oral era inspirada. Hoje mais ninguém tem a capacidade de produzir palavras inspiradas como as dos apóstolos. Portanto, ficamos com a Bíblia somente. 2. Demais disso, qual tradição oral exatamente que nós devemos seguir? Dos católicos ou dos Ortodoxos? Ambos afirmam que possuem cada qual a tradição apostólica verdadeira, mesmo assim suas tradições orais diferem grandemente umas das outras, a ponto de se excomungarem mutuamente. Um exemplo disso foi a chamada controvérsia da "páscoa". Enquanto os bispos de Roma e as igrejas ocidentais sustentavam a comemoração anual da páscoa aos domingos depois de 14 Nissan, baseando-se numa suposta antiga tradição recebida de Pedro e Paulo, as igrejas da Ásia representadas por Policarpo sustentavam da mesma maneira que esta data era 14 Nissan e não o domingo após ele. Para isso baseavam-se numa tradição recebida pela boca do apóstolo João. Ora, duas tradições orais. Quais delas era a verdadeira? Dá para acreditar que duas tradições conflitantes como essas vieram dos apóstolos? Claro que não! 2º - João
20:30 diz claramente que Jesus fez várias coisas que não
foram escritas. Dizem os católicos: João nos conta em sua epistola que escrevera apenas parte do que Jesus fez, portanto nós necessitamos da tradição oral para completar essa revelação. Isto prova que nem tudo que Jesus e os Apóstolos fizeram e ensinaram foram registrados na Bíblia. Muitas coisas vieram por meio da tradição oral. (João 20:30-31, 21:25) Resposta: Mesmo se nós pegarmos tudo que está na Bíblia e juntar com o que os católicos e ortodoxos dizem que está registrado em suas "tradições orais", a declaração de João continua sendo verdadeira. Nós teríamos apenas uma pequena fração dos feitos e ensinos de Jesus. Desta maneira, o argumento católica refuta a si mesmo. Cremos que há muitas histórias que não foram escritas na Bíblia, mas as que estão escritas é tudo que nós necessitamos para nossa fé. E é isso que João diz em 20:3 1. 1. Também pode ser que o que falta no evangelho de João esteja registrado nos outros três evangelhos. De modo que o que falta em um pode ser encontrado nos outros. Com isso descarta-se a tradição oral. 2. Nós aceitamos, entretanto, que há muitos eventos específicos da vida de Jesus que não são registrados no Novo Testamento, mas que decerto foi conhecido por outras pessoas, haja vista haverem cristãos vivos que pessoalmente testemunharam muitas coisas que não foram registradas no Novo Testamento. Mas com certeza estas coisas não eram essenciais para nossa fé, pois tudo de importante para a vida do cristão foi registrado nas Escrituras. 3. Mas João destrói o argumento católico quando fala da suficiência de seus escritos. Assim essa passagem que os católicos gostam de citar para tentar provar a necessidade de uma suposta tradição oral, na verdade refuta essa necessidade e diz exatamente o contrário. Ele diz que "isso foi escrito para que creiais...Em outras palavras, João escreveu tudo o que era necessário para a salvação das pessoas. 4. Os apologistas católicos que se baseiam nesse trecho não podem dar-nos até mesmo um exemplo de uma história genuína não registrada nos evangelhos. Mas mesmo que tivessem um exemplo, a pergunta que deveríamos fazer é, "De que maneira esta informação contribui para nossa fé?" Para que a tradição oral possa ter algum valor, ela deve contribuir de alguma maneira com o resto de informação que nós já possuímos sobre a vida de Cristo. Mas o que vemos é que tais tradições na verdade contradizem as informações que nós já temos nas Escrituras. 3º -"Paulo obteve os nomes de 'Jannes e Jambres' em 2 Timóteo 3:8-9, através da tradição oral." Dizem os católicos:
Note, entretanto, que o Livro de Êxodo não fornece o nome
dos mágicos de Faraó. Onde, então, Paulo pôde
obter os nomes Jannes e Jambres a não ser pela tradição
oral judaica?. Resposta: Acreditamos que Paulo obteve os nomes diretamente por inspiração do Espírito Santo. Pedro nos diz que a profecia não veio por vontade humana, mas os homens de Deus falaram movidos pelo Espírito Santo. (2 Pedro 1:20-21) 1. João Crisóstomo em 405 em suas homílias comentando sobre o trecho acima concorda que Paulo obteve os nomes por inspiração divina. (João Crisóstomo, Comentários em 2 Timoteo 3:8, Homilia 8) Já Orígenes sugeriu que Paulo obteve os nomes através do "O Livro de Jannes e Jambres", também conhecido como "Jannes e Mainbres" (cf. Comentários de Orígenes em Mateus 27:8) 2. Também estes
nomes foram encontrados nos rolos do mar morto, Talmud, Targuns. 3. Desde que há muitas tradições judaicas curiosas a respeito destes dois mágicos que se contradizem mutuamente, nós perguntamos: em quais destas tradições nós devemos nos basear? Ora, os católicos romanos e ortodoxos hão de convir que para uma tradição ser universalmente aceita ela deve ser coerente. Quando existem várias versões sobre o mesmo episódio ela se torna sem valor como no caso da data da páscoa. 4. Nós não negamos que o nome de Jannes e Jambres foi conhecido dos Judeus. Mas o que nós não concordamos é que Paulo tenha lançado mão de uma tradição oral extra-bíblica. 5. Nós devemos tomar cuidado com certas tradições orais judaicas. Por Exemplo, formou-se uma tradição entre os Judeus de que os discípulos haviam roubado o corpo de Jesus. Mateus registra que isto foi amplamente divulgado entre eles. (Mateus 28:11-15). Mas era falsa tal alegação. Também até mesmo entre os apóstolos surgiu uma tradição de que João não morreria. Todavia, o próprio João se incumbiu de desfazer essa tradição (João 21.22,23). 6. Não queremos no entanto, que nos interpretem mal. Nós acreditamos sem dúvida que os nomes eram de fato de "conhecimento comum" entre os Judeus que Paulo não está revelando os nomes, mas que tão somente o Espírito Santo havia revelado que tais nomes eram genuínos. Somente o Espírito Santo pôde revelar a Paulo o verdadeiro nome [dentre tantas tradições a respeito] de que estes nomes eram de fato daqueles personagens bíblicos. O conhecimento de tais nomes adquire autoridade somente porque foram inspirados pelo Espírito Santo a Paulo e registrado nas Escrituras e não porque haviam sido parte de algumas tradições judaicas que na maioria das vezes, repetimos, eram contraditórias. 7. É interessante notar que os católicos lançam mão de apenas dois nomes para justificar sua doutrina extra-bíblica de tradição oral. Será que isto é o melhor exemplo que eles podem encontrar?! A Bíblia está cheia de personagens cujo nome não foram registrados como, por exemplo, a mulher samaritana, em João 4 ou do eunuco em Atos 8. Muitas pessoas no primeiro século sabiam os nomes destas duas pessoas, mas não faz nenhuma diferença para nossa fé se nós sabemos ou não. 6º - "Em II João 12 e III João 13,14, nós lemos que João preferiu conversar pessoalmente a escrever. Dizem os católicos: Se a tradição oral não fosse tão importante assim, porque João deixaria alguns assuntos para falar pessoalmente à igreja? Certamente que ele estava transmitindo uma tradição oral. Resposta: Nenhum destes dois textos prova a necessidade de uma tradição oral extra-bíblica. 1. Concordamos que há muitos eventos e histórias não escritas na Bíblia, mas o que foi escrito é tudo o que nós necessitamos de saber para nossa fé. 2. Nem mesmo os defensores
da tradição oral pode nos afirmar que a conversa de João
era sobre alguma doutrina bíblica. Nem tampouco pode nos dar
o conteúdo desta conversa recorrendo unicamente à tradição.
Isso é apenas suposições e nada mais. Há
muitas coisas que não foram registradas nas Escrituras que não
eram essenciais a nossa fé. 3. Demais disso, o verso 1.12 de II João não prova nenhuma tradição oral. O texto não diz que ele iria dar uma nova doutrina além da que ele deixou registrada em seus escritos. Nem mesmo diz que a conversa era doutrinária. Veja os versos antecedentes e reflita. "Todo aquele que vai além do ensino de Cristo e não permanece nele, não tem a Deus; quem permanece neste ensino, esse tem tanto ao Pai como ao Filho. Se alguém vem ter convosco, e não traz este ensino, não o recebais em casa, nem tampouco o saudeis. Porque quem o saúda participa de suas más obras." [II João 9-11] Que ensino de Cristo
é esse que ele fala no verso 9? Certamente é o que ele
registrou em seu evangelho. E João subentende que seus destinatários
já possuem conhecimento dessa doutrina. 7º - "II Timóteo 2:2 - 3.14 prova a sucessão apostólica e a tradição oral." Dizem os católicos:
Timóteo "ouviu" e "aprendeu" diretamente
de Paulo sua doutrina, não necessitou de cartas escritas. Isso
prova que nem toda a doutrina cristã se encontra de fato na Bíblia.
Estes versos não só provam a tradição oral
como ensina de quebra a doutrina da sucessão apostólica. 1. Também essa passagem fala sobre 4 tipos de pessoas: a) Paulo b) Timóteo c) homens fiéis e, d) os outros. Para os católicos verem nessa passagem um indício de sucessão de Bispos ou Papas é preciso primeiro observar que os ensinamentos de Paulo eram para serem confiados a homens "fiéis", não fala nada sobre bispos ou Papas. eram simples cristãos e não oficiais de uma hierarquia. Timóteo não foi um bispo na concepção católica do termo. O cargo de Bispo acima do de presbítero, só veio a existir depois de 150 a.D. 3. Ora, se Timóteo participou desta sucessão ela deveria fazê-lo bispo de Roma, para ser uma sucessão verdadeira [segundo o pensamento católico]. Contudo a tradição afirma que Timóteo foi bispo de Éfeso e não de Roma. E nenhuma tradição diz que Timóteo foi sucessor de Paulo. Nós não temos nenhuma linha de sucessores na história de um ou outro. E por que nem Paulo e nem Pedro mencionaram essa sucessão às igrejas? Simplesmente porque eles não deixaram nenhum sucessor apostólico ao estilo católico romano. 4. Finalmente, é impossível os católicos se apoiarem nesse verso a fim de provar a sucessão apostólica quando sabemos que a igreja de Éfeso, onde a tradição diz que Timóteo foi bispo, está sob a autoridade da igreja Ortodoxa Grega. Sabe de uma coisa? Se eu fosse católico, nunca usaria este verso a fim de apoiar a sucessão apostólica dentro da igreja católica! 5. Ademais, a mensagem que Paulo transmitiu a Timóteo não difere em nada do que está registrado em suas epístolas - é a mesma mensagem. O contexto deixa claro que o aprendizado de Timóteo [3.14] é o Velho Testamento chamado por Paulo de "sagradas letras" [v.15]. 8º - As palavras de Jesus em Atos 20:35 só pode ter origem na tradição oral. Dizem os católicos: Como Paulo pode citar estas palavras de Jesus sendo que em nenhum lugar dos evangelhos elas são mencionadas? Isso prova que Paulo usou a tradição oral da igreja. Resposta: Mesmo que essas palavras foram ditas por Jesus durante seu ministério terreno, não há nada aqui que suporte a idéia de uma tradição oral, mais que todo o resto das palavras de Jesus que foram registradas nos quatro evangelhos. O fato é que nós não poderíamos saber sobre esta passagem até isso ter sido registrada por Lucas em seu livro. Não foi transmitida por nenhuma tradição oral. 1. Nós desafiamos os católicos a nos dar uma lista de "palavras orais" autênticas de Jesus que não são encontradas nas sagradas escrituras. Essa igreja nunca forneceu uma lista sequer de quaisquer palavras de Jesus. E sabe porque não o fazem? Porque nada existe exceto o que foi registrado nas sagradas escrituras. 2. Ademais, quem proferiu
esta sentença foi Paulo destacando às palavras do Senhor.
Lembre-se ainda que Paulo recebeu por revelação todo o
seu evangelho (Gl. 1.11,12) talvez muitas revelações foram
dadas a ele quando esteve no paraíso [II Co. 12.9]. Com certeza
estas palavras como as da ceia de I Co. 11.23,24 foram recebidas diretamente
do Senhor. 9º - Jesus deixou ensinamentos em forma oral durante o intervalo de sua ressurreição e ascenção. Dizem os católicos: Lucas diz que Jesus depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas, aparecendo-lhes durante 40 dias e falando das coisas do Reino de Deus (At.1,3) Nada disso que o Senhor comunicou aos apóstolos durante 40 dias antes de ir para o céu foi colocado por escrito por nenhum dos apóstolos. Resposta:
Perguntamos: como os católicos
sabem que este sermão do Mestre não foi posta em forma
escrita? 1. Talvez não
tenham percebido, mas essas "COISAS DO REINO", ou ensinamentos
escatológicos, é dado ou REGISTRADO no próprio
contexto. 2. Lucas registra
que Jesus falou sobre o "reino de Deus". É fácil
entender isso: os judeus de forma geral inclusive os apóstolos
não entendiam a questão do reino de Deus. Eles esperavam
um reino terreno, mas Jesus disse que seu reino não era desse
mundo (Jo.18.36). 3. Lucas diz claramente
no verso 6 que "aqueles que haviam se reunido"...reunido para
quê? Logicamente para ouvir sobre as coisas do reino [entre aquele
intervalo de 40 dias], perguntaram: "Senhor restaurarás
Tu, neste tempo o reino a Israel?". Então Jesus concertou
uma idéia errada que eles tinham a respeito do reino. 4. Por exemplo: essa
tática foi usada pelos judeus. Os rabinos da época de
Cristo diziam que Moisés também havia recebido uma lei
oral de Deus quando permaneceu aqueles 40 dias e noites no Monte Sinai
(Deut. 10.10). Eles diziam que durante esse tempo Deus deu o Halakoth
(lei oral) a Israel. 5. Se os católicos
pelo menos lessem o que está escrito em Deuteronômio 29.29
nunca mais usariam textos como Atos 1.3, João 21.25, II João
12, a saber: 10º - A história da disputa de Miguel e o Diabo pelo corpo de Moisés tem origem na tradição oral. Dizem os católicos: Também quando São Judas [v.9] nos diz que São Miguel não quis julgar a blasfêmia de Satanás, quando estavam lutando pelo corpo de Moisés, mas deixou-o ao Julgamento de Deus, não ousou julgar a blasfêmia, mas disse: "Cabe a Ti, Senhor". Ele estava também citando a Tradição Oral. Ou alguém consegue encontrar esta passagem na Bíblia? Estes elementos usados pelos apóstolos que não se encontram no Antigo Testamento vêm da Tradição Divina que mantinha o mesmo pé de igualdade com as Escrituras (Torah, Profetas, Livros de Sabedoria e os Salmos).
Resposta:
Devemos esclarecer algumas coisas de antemão. Semelhantemente
a Paulo, Judas usa fontes extra-bíblicas, como no verso 9, um
trecho tirado do livro A ascensão de Moisés
e no verso 14 do livro de Enoque, ambas literaturas apócrifas.
Porém, é bom lembrar que nem a Igreja Católica
aceita estes livros como inspirados. Se os católicos advogam
esta passagem para fundamentar sua tese da Tradição
Oral então, para serem coerentes, terão de aceitar
todo o resto do livro. Mas é claro que eles não farão
isso! 11º - A profecia de Mateus 2:23, afirmando que Jesus seria chamado de Nazareno, é procedente não das Escrituras, mas da tradição oral. Dizem os católicos: Pode-se procurar o quanto quiser estas palavras no A.T. Elas não estão lá. Mas como Mateus ficou sabendo delas? Somente pela tradição oral. Resposta:
Cremos contudo que Mateus recebeu tal profecia diretamente do Espírito
Santo. 5. Seja como for, não há base para dizer que a profecia de Mateus é fruto de uma desconhecida tradição oral, quando os pais da igreja e até mesmo a Nova Enciclopédia Católica em inglês afirma que a profecia de Isaías é a fonte da citação de Mateus.
13º - Paulo
citou um trecho de alguma tradição cristã oral
antiga em Efésios 5:14. Dizem os católicos: As palavras de Paulo nessa passagem não deixa dúvidas de que o apóstolo lançou mão de uma tradição oral disponível, pelo fato de que tais palavras estar ausentes nas Escrituras. Resposta:
Há várias passagens no AT. que apontam indiretamente para
este verso de Efésios 5:14, tais como Isaias 60:1, 52:1 51:17.
14º - A menção de que alguns Judeus foram serrados ao meio veio através da tradição oral [Hebreus 11:37]. Dizem os católicos:
Destarte, não encontramos nenhuma menção no V.T
de que alguns judeus foram serrados ao meio. É lógico
que isso só pode ter vindo de uma antiga tradição
oral pelo livro apócrifo da "Ascensão de Isaías". Resposta:
Mesmo assim, não há nenhuma tradição antes
de Cristo mencionando que Isaias morreu serrado ao meio.
Dizem os católicos:
A única pista que nós temos de que João foi o autor
do quarto evangelho é através da tradição
oral, já que o original se perdeu e as cópias não
trazem nenhum rótulo de quem foi seu autor. Resposta:
O fato de que Mateus, Marcos, Lucas, João e Hebreus e alguns
livros do VT não dizem quem realmente os escreveram não
é prova da necessidade de uma tradição oral. O
mais importante não é quem são os autores, mas
se eles foram inspirados pelo Espírito Santo ou não. E
sabemos que eles foram. 16º - A "rocha" que seguia os israelitas no deserto foi conhecida unicamente através da tradição oral judaica e não pelas Escrituras I Coríntios 10:1-4. Dizem os católicos: Em 1Cor 10,4, São Paulo nos conta uma interessante história que mostra como a Tradição Oral e a Escrita estavam situadas no mesmo nível: escrevendo sobre os sentidos figurados do Antigo Testamento, tomou um exemplo que não está escrito nele: a rocha da qual manava água (Ex 17,1-7; Num 20,2-13) e que acompanhava os Judeus no deserto. Não há nada nas Escrituras sobre uma pedra andando junto com os judeus!
Resposta: Podemos esponder issoPaulo estava familiarizado com trabalhos da literatura judaica, inclusive trabalhos do período interbíblico que tornaram-se parte da literatura apócrifa. Esta passagem pode ser encontrada em Philo. 1. Ele estava igualmente familiarizado com a filosofia e mitologia grega, e certamente utilizou destas fontes. Quanto a isto não temos dúvidas. O caso é, a familiaridade de Paulo com tais fontes significa que elas são divinamente inspiradas, autorizadas, e infalíveis ? Claro que não! Será que está passagem é alguma interpretação oral da Bíblia desde Philo até Moisés aplicando-se aos cristãos hoje? Novamente não. 2. A Bíblia usa às vezes fontes não inspiradas (cf. Nm. 21:14 Js. 10:13 I Rs 15:31) Por três vezes Paulo cita pensadores não cristãos como Arato, Menânder e Epimênides (At. 17:28 I Co. 15:33 Tt. 1:12). A Bíblia porém nunca faz tais citações como tendo autoridade da parte de Deus. As frases usuais de autenticação divina tais como assim diz o Senhor ou está escrito nunca são encontradas quando há citações destas obras pseudepigráficas. Na interpretação alegórica de Philo sobre a lei, o maná e a bebida (ou fonte da bebida) é comparada a sabedoria de Deus. Paulo interpreta estas identificações em termos da sabedoria do Judaísmo helenístico aplicando-as a Cristo. Isto não significa que ele desejou dizer sobre Cristo tudo aquilo que o Judaísmo helenístico disse sobre a sabedoria. 3. Agora os católicos dizem que Paulo tirou isto da Tradição Oral. Sim, ele tirou de fontes extra-biblica, mas o que isto prova? Prova somente que ele tirou ilustrações e terminologias de todos os tipos de lugares. Da mesma maneira, como já dissemos, ninguém discutiria que ele fez uso de filósofos gregos, e nenhum cristão diria que tais fontes são infalíveis, inspiradas, ou em qualquer aspecto espiritualmente autorizada para nós. 4. Nós não
acreditamos que havia uma rocha literal que seguia os Judeus no deserto.
Não é isto que I Cor, 10:4 está ensinando. 5. Nós acreditamos
que a Escritura é que tenha produzido a tradição
e não o inverso. A idéia de que Deus é a "Rocha
de salvação" é um tema bastante conhecido
no VT (Ex 17:1-7; Num 20:2-13 ; Deut. 32:4, 15, 18, 30-31, 37; Salmos
78.35.). Eles meramente expandiram aquilo por analogia, sem revelação
específica, que Deus estava seguindo eles através da Rocha
e outros atos providenciais, não que a Rocha literalmente seguia
eles. Muitos pais da igreja acreditavam que a rocha não era literal,
entre eles temos: João Crisóstomo e Agostinho. Nenhum
deles recorreu á tradição oral judaica para explicar
este verso. 6. Sem que as Escrituras nos falassem sobre isso, os católicos e defensores da tradição oral nunca poderiam saber deste episódio apenas recorrendo à tradição oral, haja vista, haverem variações nas tradições judaicas sobre este assunto. Deste modo, sem as Escrituras como saber que aquela Rocha era de fato uma analogia da proteção de Cristo? Veja que temos necessidade das Escrituras e não da tradição oral, já que está se encontra muitas vezes contraditória.
Dizem os católicos: Somente através da tradição oral é que ficamos sabendo que todos aqueles profetas foram perseguidos em Atos 7:52,53. Resposta:
Este verso é muito fraco para provar a necessidade de uma
suposta tradição oral, para interpretar as Escrituras.
A perseguição dos servos de Deus - os profetas, é
registrado no VT em grandes detalhes - II Crônicas 36:15-16. Não
há necessidade de se apelar para uma tradição oral,
quando você tem versos específicos da Bíblia que
falam a respeito. Dizem os católicos:
Unicamente através da tradição oral é que
ficamos sabendo sobre o tempo da duração da seca [3 ½]
no ministério do profeta Elias [1 Reis 17:1 ] no livro de Tiago
5:17" Resposta:
Realmente o livro de I Reis 17.1 não menciona o tempo exato da
seca. O texto apenas diz "nestes anos", não mencionando
o tempo de duração. Mas o capítulo 18.1 acrescenta
que no "terceiro ano" Elias voltou a falar com Acabe. Bom,
já temos aí uma pista, um total de três anos. Mas
como Tiago ficou sabendo dos seis meses restantes? Isto não indica
que Tiago lançou mão de alguma tradição
oral? Não, não indica. Jesus nos conta que foram 3 ½
de seca. "Em verdade vos digo que muitas viúvas havia em
Israel nos dias de Elias, quando céu se fechou por três
anos e seis meses, de sorte que houve grande fome por toda a terra;"
[Lucas 4.25]. É certo que Tiago, sendo irmão de Jesus,
aprendeu diretamente dEle este pormenor. Jesus necessitaria de confiar
numa tradição oral par saber disso? Dificilmente! 19 - Jesus deixou ensinos aos discípulos de Emaús que não estão registrados nas Escrituras Dizem os católicos: nós lemos em Lucas 24:27 que quando Cristo apareceu aos dois discípulos na estrada de Emaus, ele expôs para eles toda a Sagrada Escritura sobre as coisas concernente a Ele mesmo. Esta conversa, entretanto, não é registrada em nenhum lugar, mas com certeza isto constitui fruto de revelação e tradição oral. Resposta: O diálogo entre Jesus e os dois discípulos de fato não aparecem nas Escrituras. Mas isto seria relevante? Nós sabemos, por exemplo, (Atos 21:8), que as quatro filhas de Filipe, o evangelista, profetizavam, mas nenhuma dessas profecias foram registradas. Em João 8:8 é nos dito ( nem todos os manuscritos registram este episódio), que Jesus escreveu alguma coisa na areia, mas no entanto não há nenhum registro do que foi escrito. Em Apocalipse 10:4, está escrito que João escutou uma mensagem falada pelos "sete trovões," e estava para registrar, mas foi proibido de fazer assim. Há muitas coisas na Bíblia que não foram de fato registradas. A pergunta para ser relevante deveria ser: existe de fato qualquer mensagem que Deus quis nos transmitir, mas que não foram registradas nas Escrituras Sagradas. A citação de Lucas 24:27 para ser um exemplo relevante, teria que provar primeiro que aquela mensagem era importante para a igreja e que essa mensagem não foi registrada nas Escrituras, mas foi preservada na Tradição oral da igreja.. 1. Mas nós
podemos ter uma idéia do conteúdo da mensagem que Jesus
falou para os discípulos de Emaús.. Lucas nos conta que
Ele lembrou os discípulos das profecias das Escrituras hebraicas
que aplicavam-se a Ele concernente ä sua morte e ressurreição.
Quais foram estas passagens?
Muitas delas foram aplicadas pelos seus discípulos em diversas
ocasiões como por exemplo, Isaias 53:7-8 (aplicada por Filipe
em Atos 8:26-35) ou Salmos 2:1-2 (aplicada em Atos 4:25-27) e outras
passagens tais como Salmos 22:8 ou Salmos 22:16. Todas elas são
profecias messiânicas 2. Diante disso, a
pergunta permanece: Será que Deus deu qualquer mensagem para
a igreja , que seja relevante, essencial para nossa salvação
ou ao menos de grande benefício espiritual, que Ele tem revelado
aos apóstolos e profetas do NT, para nossa informação,
e que nós temos acesso pela Tradição Oral, mas
que não tem sido registrada para nós nas páginas
da Bíblia? Eu não consigo ver nenhuma evidencia a esta
afirmação. Gostou
desta matéria? Leve até sua igreja os palestrantes do CACP. Para mais
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