Centro Apologético Cristão de Pesquisas - CACP
A Questão da Unidade Protestante
Equipe Em Espírito
"Porque nada podemos contra a verdade, senão a favor
da verdade"
A Questão da Unidade vem a ser uma que, vezes demais,
é citada com triunfalismo pelos católicos romanos. Dizem-nos
eles que, apesar de termos somente a Bíblia como regra de fé
e prática, não concordamos entre nós mesmos em
alguns pontos importantes. E, uma vez que as várias ramificações
do Protestantismo se contradizem umas às outras, segue-se que
a verdadeira Igreja não pode ser nenhuma delas e nem a soma delas,
mas, sim, somente a Igreja Católica Romana.
Um princípio correto, mas utilizado falaciosamente.
Na verdade, este argumento acima parte de um princípio correto,
que é, a saber, a lei da não-contradição:
duas posições não podem estar certas quando se
contradizem, porque a verdade não é contraditória.
Entretanto, o que os incautos apologistas católicos romanos não
percebem é que há um salto de raciocínio em sua
afirmação. O silogismo de que "A verdade não
é contraditória; as igrejas protestantes se contradizem;
logo, a Igreja Católica Romana é a verdadeira Igreja"
é notoriamente falacioso. As premissas não respaldam a
conclusão do ingênuo proponente. O erro de quem normalmente
se vale desta falácia é supor que a sua linha de pensamento
vem a ser mais conclusiva do que é, na realidade. Aponta-se uma
conclusão que é tida por necessária quando, efetivamente,
não é.
Um critério de avaliação notoriamente arbitrário,
e absolutamente nada conclusivo. Quando o católico se vale
da divisão e discordância das outras igrejas e aponta para
a sua unidade, para dizer que sua igreja é a verdadeira, se esquece
que qualquer pessoa de outro grupo religioso poderia dizer o mesmo.
O fato é que, assim como o católico poderia dizer que
"A minha igreja é certa porque as outras ensinam coisas
contraditórias e não têm unidade entre elas";
da mesma forma, e valendo-se do mesmo raciocínio, um batista
brasileiro, só para citar como exemplo, também poderia
dizer que a sua igreja é a certa porque as outras estão
divididas e ensinam coisas que se contradizem mutuamente. De fato, forma
de juízo semelhante não favorece a posição
dos católicos (na verdade, não favorece qualquer posição)
e funda-se num critério evidentemente arbitrário, qual
seja, o de analisar todas as igrejas evangélicas conjuntamente,
sendo que comparadas com a Igreja Romana sozinha; embora, decerto, os
papistas não consintam, em hipótese alguma, que um protestante
se valha do mesmo tipo de julgamento, considerando a sua igreja em relação
"às outras", e incluindo nesse grupo genérico
a Igreja Romana.
Apelo dos apologistas católicos romanos a um sofisma para
negar uma verdade bíblica da fé evangélica.
Outra forma em que os apologistas romanos colocam a questão da
unidade é com relação à validade de Sola
Scriptura. Dizem-nos que, caso este fosse um princípio verdadeiro,
não haveria tantas discordâncias entre os protestantes
e isto, em pontos importantes. Ao afirmarem tal coisa, porém,
os papistas também se valem de um argumento falacioso. Pois,
se a verdade acerca de Sola Scriptura pudesse ser definida na ausência
de divergências, então teríamos um impasse indissolúvel.
Afinal, os demais grupos religiosos que não aderem a posição
protestante de Sola Scriptura também divergem em pontos importantes;
na verdade, diga-se, eles divergem no ponto mais importante que pode
haver: na própria identificação de sua regra de
fé. O que demonstra que esta linha de argumentação
também não é tão conclusiva quanto os nossos
oponentes supõem.
Uma confusão de termos e conceitos que engana a muitos incautos.
A questão da unidade também serve para que alguns papistas
rejeitem a crença protestante de que o Espírito ilumina
os crentes a fim de que possam entender a verdade bíblica. Em
face das divisões entre os protestantes, os papistas argumentam
que, se o Protestantismo fosse verdadeiro, o Espírito Santo estaria
em contradição, por inspirar indivíduos a crerem
em algo diferente acerca de certos pontos doutrinários.
O que aqueles que se valem desta linha de argumentação
ignoram, por conveniência ou não, é que iluminação
não é igual à inspiração. Deveras,
a iluminação abrange a cada crente, embora isto não
seja igual à inspiração e não garanta qualquer
infalibilidade ao indivíduo. Razão pela qual é
impróprio nossos oponentes questionarem se o Espírito
ilumina a cada crente, capacitando-o a entender as verdades divinas,
como as Escrituras garantem (Ef 1.17-18; 1 Co 2.15ss), com base no fato
de que há divergências entre os cristãos. O Espírito
prover ao crente a capacidade de entender não é a mesma
coisa de o Espírito prover infalibilidade, mas, sim, dar os meios
de conhecer a verdade. Com efeito, o Espírito Santo e a Palavra
que Ele próprio inspirou não se divorciam. A Palavra de
Deus é viva porque o Espírito Santo fala por meio dela
ao crente. Como o crente vai entender a Palavra de Deus, se vai entender
corretamente, isto tem a ver com meticulosidade no exame da Escritura
e não, em si, quando há erro de interpretação,
com erro na iluminação provida pela terceira pessoa da
Santíssima Trindade.
Conclusão
Os argumentos papistas sobre a questão da unidade
não são tão conclusivos quanto eles supõem.
Na verdade, não apenas não são conclusivos, como
também, muitos deles são notoriamente falaciosos. É
lamentável que alguns se deixem enganar por proposições
tão inconsistentes como as que tratamos de rebater nestas linhas,
e mais lamentável ainda que indivíduos não critiquem
a sua apologética e se valham de artifícios assim para
lançar dúvidas em cristãos e manter engodados a
tantos outros.
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