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Como a maçã se tornou um símbolo do pecado

por Artigo compilado - sáb jul 07, 4:21 pm

No imaginário popular, a fruta proibida é a maçã. Nas representações em filmes, séries de televisão e desenhos animados, ela é associada ao pecado original de Adão e Eva. Entretanto, a bíblia não faz referência direta, nos primeiros capítulos do livro de Gênesis, à maçã.

Dois fatores influenciaram a popularização da fruta enquanto símbolo do “pecado original”, levando escritores e artistas a reproduzirem esse mito.

O primeiro fator se deve às traduções da bíblia hebraica para o Latim, feitas por Jerônimo, um linguista a serviço do então Bispo Dâmaso I, no século 4. De acordo com Robert Appelbaum, professor de literatura inglesa da Universidade de Uppsala, da Suécia, ao traduzir a bíblia hebraica para o latim, Jerônimo se deparou com a palavra hebraica “Peri”, que se escreve פרי, e representa qualquer fruto que possa ser encontrado pendurado em uma árvore. O linguista optou traduzir “Peri” para o latim como “malus”, que pode significar “mal” (se usada como adjetivo) ou “fruta” (se utilizada como substantivo). Por muito tempo, o termo “malus” poderia ser compreendido como se referindo a qualquer fruta com sementes, como peras, pêssegos e a própria maçã. Porém, quando observa-se o segundo fator, pode-se entender por que a maçã passou a ser a principal tradução do termo.

A interpretação e reprodução de artistas plásticos como o renascentista alemão Albrecht Dürer do termo “Malus” como maçã foi ampla. Uma gravura de Dürer, do início do século 16, que mostrava Adão e Eva ao lado de uma macieira e ganhou popularidade, influenciando outros artistas, como o poeta britânico John Milton, que associaria, no século seguinte, a maçã ao pecado na sua maior obra, “Paraíso Perdido”. No poema épico do século 17, Milton constrói, em dez cantos, a história das disputas angelicais durante a “criação” do homem. A influência da bíblia na sua obra aparece já nos primeiros versos, quando Milton cita a fruta que teria dado origem ao pecado e a morte. Ao longo do texto, que ganhou mais dois cantos em uma reedição posterior, o poeta revela também a influência da representação gráfica de artistas como Dürer e associa o “fruto proibido” a maçã.

Extraído e adaptado do site www.nexojornal.com.br


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