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Cristadelfianismo

por Artigo compilado - sáb set 08, 11:17 am

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Acredita na Trindade? – Não, responde o estranho, um tanto religioso.

No tormento eterno? – Não.

Na destruição da Terra? Não.

Em ir para o céu? Não.

No dízimo? Não.

Em ir à guerra? Não, no que toca a nós, não.

Você é Testemunha de Jeová? Não.

Qual a sua religião? Sou cristadelfo.

Inicialmente você poderia concluir que o seu interlocutor fosse uma Testemunhas de Jeová. Contudo são cristadelfos. Como as demais seitas pseudocristãs, os cristadelfos afirmam basear suas respostas a tais perguntas estritamente nas Escrituras. Como veremos na consideração deste artigo, as heresias dos cristadelfos são encontradas em diversas seitas, entre elas os unitaristas e as Testemunhas de Jeová.


Um Pouco de Sua História

O nome cristadelfo significa irmãos de Cristo, e foi adotado pelo seu fundador, o Dr. John Thomas, formado em medicina. Em 1832 o Dr. Thomas, em viagem da Inglaterra para os Estados Unidos, sofreu um naufrágio. Diante dessa situação ele fez um voto de servir a Deus, se sua vida fosse salva. No cumprimento deste voto, passou a associar com um movimento chamado Discípulos de Cristo. Esse grupo foi fundado por Thomas Campbell (1763-1854). Dois anos depois afastou-se desse grupo devido divergências doutrinárias quanto ao batismo, devotando todo seu tempo para fazer considerações pessoais sobre o que considerava ser o Cristianismo.

Entre 1844 e 1847 desenvolveu seu corpo doutrinário. Formou dois grupos de seguidores, um nos Estados Unidos e outro na Grã-Bretanha. Em 1848 seu grupo teve sua fundação oficializada. Após sua morte, em 1871, um associado íntimo, Robert Roberts, tomou a liderança até à sua morte em 1898. Em 1890 ocorreu uma polêmica entre Roberts e J. J. Andrew, em relação a uma questão chamada responsabilidade na responsabilidade. O cisma produziu dois grupos: aqueles que afirmavam que somente os que estão em Cristo ressuscitarão, chamados de grupo da emenda; e o outro grupo conhecidos como sem emenda, o qual dizia que no Juízo Final, tanto justos como ímpios serão ressuscitados, os primeiros para a vida eterna e os demais para receberem o juízo e serem extinguidos. O cristadelfianismo tem até hoje estas duas ramificações básicas. Contudo, em 1923, um proeminente cristadelfo declarou: Há pelo menos doze fraternidades que chamam a si mesmas de cristadelfos, cada qual recusando associação com as demais onze.


Principais Afirmações Doutrinárias

Deus – distante ou presente?

Os ensinos dos cristadelfos receberam influência dos Discípulos de Cristo, estes não aceitavam a formação teológica, nem mesmo os seus termos, por exemplo, rejeitavam o termo Trindade, mas não o conceito implícito. A diferença entre os Discípulos de Cristo, de Campbell e os Cristadelfos está na rejeição desses últimos, não apenas dos termos que não se encontram na Bíblia, mas também dos conceitos desses termos.

As afirmações dos cristadelfos são em alguns pontos semelhantes às seitas unitaristas, em suas afirmações sobre Deus e sua natureza. Tem o conceito de que Deus seja ultra-transcendental, isto é, não compartilha sua natureza com aqueles que a Bíblia chama de filhos de Deus.

As Escrituras ensinam que Deus tem um interesse no homem, sua imagem e semelhança, isto pode ser visto desde a queda. Deus procurou o homem caído (Gn 3.9), até mesmo aconselha o que pensa em transgredir (Gn 4.6-7). Realmente Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho, para que todo aquele que nele crê não pereça mas tenha vida eterna (Jo 3.16). Recebemos a natureza divina como herança em Cristo (2 Pe 1.3-4).

Outra afirmação questionável da seita é quanto a essência de Deus, são unitaristas. Enquanto os unicistas afirmam que Deus manifestou-se em três modalidades (primeiramente como Pai, no Antigo Testamento; depois como Filho em carne; e depois como o Espírito Santo), os unitaristas afirmam que Deus é apenas a pessoa do Pai. O Filho não existia até que foi gerado no ventre de Maria. Qualquer conceito quanto a divindade plena de Cristo é negada ou mesmo omitida.

O unitarismo está presente também em outras seitas. Por exemplo nas Testemunhas de Jeová, pois consideram que Deus o Pai sempre existiu, mas Jesus foi criado, portanto, teve um princípio de existência. Afirmam ainda que Jesus existia na forma de um anjo, chamado Miguel, o arcanjo. Depois, sua vida foi transferida ao ventre de Maria e não como homem, em sua morte deixou de existir. E, concluem, as Testemunhas de Jeová que Jesus ressuscitou apenas em espírito, seu corpo humano dissolveu em gazes, tendo apenas uma ressurreição corporal aparente e retornou à sua forma natural, arcanjo Miguel.Jesus – tinha natureza pecaminosa?

Alguns têm afirmado que a cristologia dos cristadelfos concorda com o conceito cristão. Mas isso não ocorre. O livro Princípios Bíblicos afirma sob o tópico A Necessidade de Salvação de Cristo: Por causa da sua natureza humana, Jesus experimentou pequenas enfermidades, cansaço, etc. da mesma forma que nós. Depreende-se disto que, se ele não tivesse morrido na cruz, teria morrido de alguma outra forma, por exemplo, de idade avançada. Em vista disso, Jesus precisava ser salvo da morte por Deus.[1]

Quanto a natureza pessoal de Cristo, afirmam ainda: É evidente que Jesus teve que fazer um esforço consciente e pessoal para ser justo; de modo algum ele foi forçado no fato dele ser apenas um fantoche.[2] Ele tinha natureza humana, ele compartilhou cada uma das nossas tendências pecaminosas.[3] Era vital que Cristo fosse tentado como nós, para que através da sua perfeita vitória sobre a tentação, ele pudesse alcançar o perdão para nós. Os desejos errados que são a base das nossas tentações vêm de dentro de nós, de dentro da natureza humana. Logo, era necessário que Cristo tivesse uma natureza humana tal que ele pudesse experimentar e vencer estas tentações. [4]

Afirmam que Jesus tinha um conflito pessoal com o pecado: A resposta é que na cruz Jesus destruiu o poder do pecado nele mesmo, a profecia de Gn 3.15 é, primeiramente, sobre o conflito entre Jesus e o pecado.[5]

Tais afirmações são heresias que têm entrado no universo evangélico. Os cristadelfos têm mantido estudos ‘bíblicos’ gratuitos que semeiam tais doutrinas. As Escrituras demonstram amplamente a preexistência de Cristo:


O que declaram as Escrituras a respeito de Cristo?

Não teve princípio, é Deus

No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus (Jo 1.1). Ele sempre existiu e estava com Deus, no princípio Ele era, isto é, já estava presente. Não criado ou feito. Sua eternidade é testemunhada até mesmo pelo Antigo Testamento: E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre milhares de Judá, de ti me sairá o que será Senhor em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade (Mq 5:2). Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que, antes que Abraão existisse, eu sou (Jo 8.58).


Sua Natureza é Divina

Foi chamado no Antigo Testamento de Emanuel, isto é Deus conosco, profetizado em Is. 7.14 e cumprido em Jesus, conforme lemos em Mt 1.23: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de EMANUEL. (EMANUEL traduzido é: Deus conosco). Existia primeiramente nos céus: Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz (Fp 2.7). A Bíblia ensina enfaticamente Sua encarnação: e o Verbo se fez carne, e habitou entre nós (Jo 1.14). E todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e eis que está no mundo (1 Jo 4.3).


É inerentemente Santo

O sacrifício de Cristo foi plenamente santo, ele não tinha uma natureza pecaminosa que era subjugada pelo Espírito. Mas, uma natureza santa dirigida pelo Espírito, nunca foi tentado pela sua própria natureza. Mas o adversário, o questionou e provou, como as demais adversidades da vida, externamente (Mt 4.1). A Epístola aos Hebreus tem como tema central a superioridade da obra de Cristo sobre todos trabalhos efetuados no Templo, inclusive a administração sacerdotal.

Diferente dos sacerdotes que tinham que oferecer sacrifícios primeiramente pelos seus pecados e depois pelo povo, Jesus sempre foi separado dos pecadores. Conforme lemos em Hb 7.22-28: De tanto melhor aliança Jesus foi feito fiador. E, na verdade, aqueles [levitas] foram feitos sacerdotes em grande número, porque pela morte foram impedidos de permanecer. Mas este, porque permanece eternamente, tem um sacerdócio perpétuo. Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles. Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores, e feito mais sublime do que os céus; que não necessitasse, como os sumos sacerdotes, de oferecer cada dia sacrifícios, primeiramente por seu pecados, e depois pelos do povo; porque isto fez ele, uma vez, oferecendo-se a si mesmo. Porque a lei constitui sumos sacerdotes a homens fracos, mas a palavra do juramento, que veio depois da lei, constitui ao Filho, perfeito para sempre.

Além disso tem outros conceitos heréticos. Afirmam que o Diabo e os demônios é apenas uma influência impessoal. Também que o Espírito Santo seja uma força ativa impessoal e que na morte todos ficam inconscientes. São, portanto, semelhantes em muitos pontos as Testemunhas de Jeová, aos unitaristas, e aos arianos. Em artigos futuros abrangeremos tais temas.

Pr. Márcio Souza

[1] Princípios Bíblicos, The Christadelphians, Duncan Heaster, 1999, p. 168.

[2] Ibdem, p. 167

[3] ibdem, p. 161

[4] ibdem, p. 164

[5] ibdem, p. 51

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