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Cristianismo medieval

por Pr. João Flávio Martinez - sex jun 20, 4:42 am

religiosidade-medieval

O termo idade média foi cunhado por Christopher Keller (1634-1680) num livro publicado em 1669 onde ele divide a história do Ocidente em três períodos: a história antiga, a história medieval e a história moderna.

A Idade média é um período de obscuridade tanto cultural como espiritual por isso muitos historiadores a denominam idade das trevas. A sociedade caracterizava-se pelo sistema feudal que era essencialmente agrário em sua estrutura.

No começo do séc. V, Roma havia sido invadida pelos bárbaros, dava-se então a queda do Império Romano do Ocidente (476 d.C). Do séc. V ao séc. X a igreja medieval passa por várias transformações. Com Gregório I, nasce o apogeu da supremacia do bispo de Roma, enquanto o império bizantino tinha que lidar com as invasões islâmicas. A arte e a religiosidade popular conservam formas de expressão herdadas do passado.

Cristianismo Ocidental

O cristianismo Medieval que nessa época já tinha tomado a forma de catolicismo tornou-se um misto de superstição, ambição política, especulação vazia, imoralidade chocante e prepotência absurda. O papado, as Cruzadas, as relíquias, a Inquisição, a venda de indulgências e as práticas religiosas de um modo geral, são apenas algumas referências históricas de como uma instituição divina pode se corromper a tal ponto, quando deixa de se guiar pelo padrão infalível das Sagradas Escrituras.

Com exceção de alguns grupos, como Paulicianos, Valdenses, Lolardos, Hussitas e outras manifestações menos significativas que houve dentro deste período, a situação como um todo estava bem longe do Cristianismo apostólico. As poucas luzes que escassamente brilhavam aqui e acolá eram constantemente ameaçadas e sufocadas pelo despotismo papal. E embora a Igreja verdadeira jamais deixasse de existir e cristãos sinceros houvesse em todos os séculos, uma reforma interna era a única coisa que poderia salvar da morte a verdadeira fé em Cristo, reforma esta, muitas vezes proposta e muitas vezes rejeitada. Mas a tocha tornaria a arder.

Por toda a Era Medieval, a Igreja Católica Romana manteve o monopólio religioso do Ocidente europeu. Pertencer à Igreja era conseqüência automática do nascimento e não havia lei ou costume que permitisse a alguém renunciar a ela. A dominação espiritual da Igreja se estendia à Toda a Europa. Impossível compreender o papel e a influência da Igreja Católica Romana na Era Medieval sem a compreensão de suas doutrinas religiosas básicas.

Durante esse período foi intenso o desenvolvimento litúrgico e doutrinário da Igreja. Com a ascensão do bispo romano, a Igreja tornou-se a senhora do Império. Era já vigente a idéia de que o poder espiritual era superior ao poder temporal: com a teoria das duas espadas os papas erigiam e depunham imperadores. A arma utilizada pelos papas era a excomunhão e o interdito. Nenhum rei queria perder sua alma para sempre num inferno de fogo, então por vezes, submetia-se aos ditamos dos papas. A excomunhão não implicava somente em prejuízos espirituais. De fato, excomungado o rei, seus vassalos ficavam libertos dos juramentos que lhe haviam feito e muitas vezes isso era desculpa suficiente para que se rebelassem. Na época do imperador Pepino, o Breve surgiram As Pseudo-decretais ou decretais pseudo-isidorianas (754 – 852). Eram falsificações entre as quais se encontrava a tal “doação de Constantino”. Neste documento constava uma suposta dádiva que o imperador fizera ao bispo de Roma, doando-lhe todas as terras do império em recompensa de uma cura recebida. Colocava o bispo de Roma como”caput totius orbis”  (cabeça de toda a terra), tanto sobre a igreja (poder espiritual) como sobre os territórios (poder temporal). Esta falsificação foi considerada autentica até o século XV, e ajudou muito o bispo romano reforçar o primado papal, dando um aparente fundamento jurídico às pretensões dos papas. Os papas usaram e abusaram destes falsos documentos! Com todo esse poder nas mãos, a Igreja Católica Romana procurou recuperar os territórios perdidos pelos bárbaros e empreendeu uma grande campanha de evangelização. Apesar desse zelo missionário houve grandes transformações na doutrina da igreja. A simplicidade do culto cristão deu lugar a várias inovações de caráter duvidoso. Do séc. IV ao séc. XIII foram várias as doutrinas extrabíblicas adotadas pelo catolicismo. Vejamos algumas delas:

  • Ano 431, a igreja começa a cultuar Maria como mãe de Deus.
  • Ano 503, decretam a existência do purgatório
  • Ano 783, iniciam a veneração de imagens (idolatria).
  • Ano 933, a igreja institui a “Canonização” de santos.
  • Ano 1074, instituído o Celibato.
  • Ano 1190, começam a conceder perdão e favores espirituais por dinheiro! A igreja inicia os negócios com as indulgências.
  • Em 1208 começaram na missa, a “levantar” a hóstia para ser adorada;
  • Ano 1215, o papa Inocêncio III, por decreto instituiu a Transubstanciação, “valorizando” sobremaneira a Missa.

Cristianismo Oriental

As causas da separação da igreja oriental da ocidental não foi algo repentino, mas uma longa sucessão de fatores que culminaram no chamado “Grande Cisma”. Inconscientemente o passo da separação havia sido dado quando Constantino transferiu a sede do Império, de Roma para Constantinopla em 330. Depois veio Teodósio em 395 com a separação do Império em duas partes com líderes eclesiásticos distintos. Junta-se a isto algumas diferenças de caráter litúrgico e doutrinário que há anos vinham incomodando as duas igrejas como por exemplo, o incidente no século II sobre a questão da páscoa e depois com a eleição do patriarca Fócio e sua defesa sobre a questão “filioque”, a qual o papa questionou severamente. Também não menos importante é a oposição política entre Constantinopla e o “império” de Carlos Magno.

Finalmente a tão abalada comunhão entre as duas igrejas recebeu o selo do cisma em 1054 quando o Papa e o patriarca do oriente se excomungaram mutuamente por causa duma disputa sobre a eucaristia. Desde então surgiram duas igrejas: a ortodoxa grega (Oriental) e a Católica Romana (Ocidental).

O cristianismo oriental possui uma cosmovisão diferente da ocidental. Enquanto a igreja do ocidente experimentou várias transformações a igreja do oriente permaneceu estática, tanto na doutrina como na liturgia. A teologia ocidental era mais inclinada a assuntos práticos enquanto que a oriental tendia mais para soluções de assuntos teológicos em termos filosóficos. Haja vista, que a maioria das controvérsias religiosas entre 325 e 451 surgiram no oriente.

Enquanto a igreja no ocidente ficou livre do jugo do império, a do oriente ficou subordinada a este. Em 726 surge a controvérsia iconoclasta levada a cabo por Leão III, uma verdadeira cruzada contra o uso de imagens. A igreja ortodoxa engajou também na obra missionária, levando o evangelho aos búlgaros e russos. Produziu vários teólogos capacitados como, por exemplo, João Damasceno, o Tomás de Aquino do Oriente.

O choque do islamismo no século VII  e a perda de gente e de terras para os muçulmanos junto com dois séculos de desavenças quanto ao uso de imagens estagnaram o cristianismo no oriente.


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