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Crítica a Darwin

por Artigo compilado - dom set 09, 9:18 pm

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Um bate-papo com o Dr. Michael Behe, 
Bioquímico e autor do recente best-seller, A Caixa Preta de Darwin [editora Jorge Zahar]
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Dr. Mike Behe, professor adjunto de bioquímica na Lehigh University, foi um dos que apresentaram um trabalho na 1996 Mere Creation conference .

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RI: O que foi mais importante em participar da conferência da Simples Criação? 

Behe: Eu acho que esta conferência foi inovadora, quase histórica. Me deixe ilustrar isto com meu próprio exemplo: mais ou menos oito anos atrás eu cheguei à conclusão de que a evolução Darwiniana era incapaz de explicar dados do meu próprio campo da bioquímica. Eu cheguei àquela conclusão por mim mesmo depois de estudar a literatura a respeito. Mas eu também estava isolado; nenhum dos meus colegas estava falando sobre isto. Assim, tudo que fiz foi fazer ásperas observações sobre a evolução sempre que tinha a chance, o que foi. . . não muito produtivo.

Nos anos que se passaram eu entrei em contato com outros estudiosos que pensavam do mesmo modo que eu. Eles me encorajaram a pensar que minhas idéias eram legítimas; eles disseram que minhas idéias pudiam ser defendidas, e concordaram que havia um problema significativo que estava sendo ignorado.

Quando você está só, você pode apenas estar se iludindo. Mas quando você tem colegas, então você ganha confiança para realmente explorar suas idéias. Só de saber que há uma grande comunidade de estudiosos que vêem aplicações de um projeto inteligente (intelligent design) na disciplina deles já dá coragem às pessoas para explorar esses problemas.

Assim, isto [a conferência] foi um esforço inovador, não tanto para qualquer idéia particular que resulte disto, mas do conhecimento de que todos estão trabalhando em grupo.

RI: Que benefícios pessoais você recebeu através da conferência da Simples Criação? 

Behe: Bem, eu encontrei várias pessoas que eu só conhecia por email. Eu pude ver também como o projeto inteligente poderia ser aproveitado em outras disciplinas.

Eu assisti a uma palestra de um biólogo da Alemanha chamado Siegfried Scherer, e ele mostrou slides de animais híbridos, cruzamentos entre espécies que normalmente não ocorrem na natureza. Uma imagem que particularmente me impressionou foi um cruzamento entre uma zebra e um animal que parecia um cavalo. Quando eu vi a imagem disse a mim mesmo, “Bem, veja, essa é a imagem do cruzamento entre um burro e uma zebra”. Mas não era, era um cruzamento entre um cavalo e uma zebra, mas simplesmente se parecia com um burro. A sua idéia principal é que já existe uma variação oculta presente nos animais que pode explicar muitas das características do mundo biológico que nós vemos. E esta era uma idéia totalmente nova para mim, e pelo que eu sei, está inexplorada.

Foi bom conhecer pessoas como Siegfried Scherer e Jon Wells, que é um embriólogo que trabalha sobre problemas do seu próprio campo. E foi bom ver que há bons problemas intelectuais lá fora apenas esperando para serem resolvidos; ninguém os está explorando agora, e eu estou ansioso para ajudar.


RI: Que impacto tem o livro de Michael Denton Evolution: A Theory in Crisis [Adler & Adler, 1986] em sua jornada?

Behe: Como católico romano fui sempre ensinado que Deus fez a vida, e como Ele fez era problema d’Ele. Fui ensinado de que a melhor resposta científica, até agora, de como Deus fez a vida era a evolução Darwiniana. Isso fazia sentido para mim, desse modo eu nunca dei muita imporância para a evolução. Fui ensinado nos meus anos de estudante universitário e durante meus estudos acadêmicos em bioquímica de que todos estes sistemas fantasticamente complicados que eu estava aprendendo eram o resultado da evolução Darwiniana. Eu tinha uma tese para terminar, assim eu não pensei muito nisto.

Porém, ao redor de 1987, eu li Evolution: A Theory in Crisis (Evolução: Uma Teoria em Crise) de Michael Denton. O livro me chocou porque ele disse que havia problemas enormes com a teoria evolutiva sem serem discutidos. De fato, havia uma boa chance de que a teoria estava incorreta; ela não poderia realmente descrever como a vida surgiu. Quando eu li o livro fiquei furioso; estava chateado porque eu percebi que muito da minha visão de mundo não estava baseada em ciência, mas sim naquilo que as pessoas diziam, “Bem, sim, este é o modo que aconteceu. Não se preocupe sobre isto. Talvez você não saiba como aconteceu, mas alguém sabe”.

Bem, ler o livro de Denton me fez perceber que ninguém mais conhecia os problemas. E dali em diante eu fiquei cada vez mais interessado nisso. Eu procurei no meu próprio campo da bioquímica e na Academia Nacional de Ciências e no Jornal de Biologia Molecular e lugares como esses por pesquisas que pudessem dizer como estes sistemas bioquímicos foram gradualmente reunidos. Eu descobri rapidamente que tais documentos não existiam. Assim, com o passar do tempo eu desenvolvi a idéia que de fato estes sistemas eram o resultado de um projeto inteligente.

Eu estive bem isolado durante algum tempo, mas o livro de Phil Johnson saiu e eu o li e gostei bastante. Então eu vi num número da revista Science que havia uma resenha do livro de Johnson. Eu estava muito excitado e pensei, “Oh, isto é demais. Eles terão que discutir alguns destes assuntos, e nós veremos o que eles têm a dizer sobre isto.” Eu voltei à resenha e não era uma resenha, era simplesmente uma advertência dizendo, “Uh oh. Este livro anti-evolução está por aí. Advirta seus estudantes; está confundindo o público”. E novamente eu fiquei bem furioso porque eles não discutiam a substância do livro. Não era nem mesmo uma refutação, era uma advertência. Isto não é o que a ciência deve ser.

Assim eu escrevi uma carta ao editor de Science mostrando que eles deveriam discutir os assuntos intelectuais envolvidos e não apenas rejeitar algo. Science publicou a carta e Phil Johnson a viu e escreveu a mim, e nós começamos a nos corresponder. Desde então eu fui convidado a algumas reuniões nas quais ele está envolvido, e essa é a maneira como eu me envolvi nesta comunidade de pessoas interessadas neste problema.


RI: É importante que o livro de Michael Denton seja essencialmente não-religioso? 

Behe: Era importante para mim porque eu sou um cientista e quero chegar à conclusões sobre o mundo físico pela experiência. Novamente, eu sou católico romano e acredito que Deus criou o mundo e é responsável pela vida dentro dele, mas eu não tive a priori quaisquer objeções teológicas a essa vida ser produzida através de processos completamente naturais. Eu não sou nenhum perito em teologia, e quando as pessoas usam argumentos teológicos para chegar a uma conclusão científica eu sou sempre um pouco desconfiado. Denton criticou a evolução de um ponto de vista completamente científico. E de fato, naquela época. . . ele era basicamente um agnóstico. Para mim, isso deu mais força aos seus argumentos – ele não tinha segundas intenções. Eu poderia julgar pelo meu próprio background que o que ele estava dizendo estava basicamente correto. E assim essas duas combinações tiveram um grande impacto em mim.


RI: Como sua mudança de foco, no que concerne à evolução bioquímica, afetou o seu ensino? 

Behe: Uma vez que eu li o livro de Denton eu estava espantado em ver que as pessoas acreditavam na evolução quando havia este claro argumento contra ela. Mas vamos admitir, a maioria dos cientistas realmente acreditou na evolução, e o argumento em favor dela é melhor resumido num livro chamado O Relojoeiro Cego [Edições 70] de Richard Dawkins. O livro de Dawkins é fascinante de ler juntamente com o de Denton porque ambos os livros usam exemplos semelhantes, mas chegam à conclusões completamente diferentes. Denton usa uma analogia com o idioma inglês dizendo que orações são difíceis de se criar. Dawkins tem uma seção onde ele usa um computador para gerar uma oração para mostrar que a evolução é fácil. Eu percebi que estes livros discutiam o problema num nível muito básico, não apenas em relação à ciência, mas ao conhecimento em geral; quer dizer, como você sabe algo; como você apóia uma teoria com evidência; e quais extrapolações são legítimas?

No fim de 1980, a Universidade de Lehigh decidiu desenvolver um programa de seminários para calouros ingressantes; os seminários são cursos que tem o objetivo de. . . fazer os novatos ficarem entusiasmados sobre as suas carreiras de faculdade. Assim, a administração estava procurando por voluntários que sugerissem cursos. Eu desenvolvi um curso que chamei de “Argumentos Populares sobre Evolução” na qual nós lemos Denton e Dawkins. Tem sido muito popular com os estudantes. A maioria deles entra acreditando na história evolutiva normal, mas muitos deles, quando deixam o curso, dizem que embora ainda acreditem na evolução, agora vêem o assunto como muito mais complexo e problemático. Como professor é meu objetivo fazê-los pensarem por si mesmos e não simplesmente confiarem no que as pessoas dizem, como eu fiz uma vez.

RI: Qual é o tema básico d’A Caixa Preta de Darwin? 

Behe: Em ciência, uma caixa preta é uma máquina, dispositivo, ou sistema que faz algo, mas você não sabe como funciona; é completamente misterioso. Pode ser misterioso porque você não pode ver dentro ou porque você simplesmente não pode compreendê-lo. Para Darwin e para seus contemporâneos do século XIX a célula era uma caixa preta. A célula que agora nós sabemos ser a base da vida era simplesmente muito pequena, e a ciência daquela época não tinha nenhuma ferramenta para investigá-la; os microscópios daquele tempo ainda eram bem grosseiros e as pessoas podiam ver só os contornos de uma célula. Assim, muitos cientistas pensaram que a célula era bastante simples, como uma gota de geléia microscópica.

A partir daquela época, a ciência tem mostrado que a célula é um sistema extremamente complexo que contém proteínas e ácidos nucleicos e todos os tipos de máquinas miniaturizadas. No meu livro eu examino várias destas máquinas e argumento que a seleção natural Darwiniana não pode tê-las produzido porque elas têm uma propriedade chamada de complexidade irredutível; quer dizer, elas consistem de várias partes, todas as quais devem estar presentes para a máquina funcionar. Complexidade irredutível é como uma ratoeira que tem várias partes, e todas as partes devem estar presentes antes que ela possa funcionar.

Eu argumento que tais sistemas são melhor explicados como o resultado de um deliberado projeto inteligente. Eu cheguei àquela conclusão por um tipo de argumento lógico indutivo: sempre que vemos tais sistemas no mundo real, no mundo macroscópico da nossa vida cotidiana, nós descobrimos que eles são, de fato, projetados. Ninguém se depara com uma ratoeira e se pergunta se foi projetada ou não. Assim, eu me pergundo se nós deveríamos de fato aceitar a idéia de projeto inteligente e trabalhar nela para ver aonde ela conduzirá a ciência.


RI: Houve uma reação comum dos críticos ao seu livro? 

Behe: Os críticos do meu livro têm uma reação notavelmente semelhante e variam em intensidade dependendo da personalidade das pessoas envolvidas. A primeira reação da maioria dos críticos é dizer, “Bem, isto é apenas criacionismo levemente disfarçado”. E em resenhas do meu livro por cientistas eles falam freqüentemente sobre os primeiros capítulos do Gênese e do Julgamento da Criação de Arkansas (1), nenhum dos quais eu menciono no livro. Assim, eles tentam condenar o livro através do processo de associação. Eles também não vêem que há uma distinção entre chegar a uma conclusão simplesmente pela observação do mundo físico, como é suposto que um cientista o faça, e chegar a uma conclusão baseado nas escrituras ou em convicções religiosas.

Adicionalmente, os críticos do meu livro concordaram de forma unânime que os sistemas bioquímicos que eu descrevo são enormemente complexos e atualmente sem explicação, mas eles diferem nas suas prescrições. Alguns deles dizem, “Bem, o Darwinismo eventualmente explicará isto” . Outras pessoas dizem, “Bem, nós não sabemos como será explicado, mas nós surgiremos com algo num futuro próximo”. Minha resposta é que o algo que nós podemos trazer à tona num futuro próximo é a teoria do projeto inteligente. É uma idéia legítima e perfeitamente científica e não há nenhuma razão para evitá-la.

Uma analogia que eu gosto de traçar é com a física: muitos físicos estavam infelizes com a idéia do Big Bang porque parecia ter implicações teológicas óbvias. Todavia, os físicos a aceitaram como uma teoria científica legítima e trabalharam sobre ela. Eu vejo o projeto inteligente do mesmo modo; pode ter implicações religiosas mas é uma teoria científica clara baseada apenas em observações de sistemas bioquímicos, e nós deveríamos aceitá-los e trabalhar a partir deles.


RI: Você teve notícias de Richard Dawkins?

Behe: Não, eu não tive notícias diretamente de Dawkins, mas eu ouvi indiretamente o que ele pensa do meu livro. Um programa de TV público chamado “Think Tank” estava interessado em organizar um debate entre mim e Dawkins . Eles perguntaram se eu estaria disposto a participar, e eu alegremente disse que sim. Eles entraram em contato com Richard Dawkins, mas ele se recusou a aparecer comigo dizendo que era insuficientemente versado em bioquímica para discutir o assunto. Entretanto, o programa de TV pediu para Dawkins aparecer sozinho no programa, o que ele fez. Durante a entrevista, que eu tive oportunidade de ver recentemente, o apresentador do programa perguntou a ele sobre o meu livro. Ele pareceu pegar a idéia de complexidade irredutível muito bem. Porém, ele disse que era covarde e preguiçoso da minha parte chegar a conclusão de um projeto inteligente, e disse que se eu pensasse por mim mesmo eu iria perceber que deve haver em algum lugar uma explicação Darwiniana, e que eu deveria levantar o meu traseiro e ir procurá-la.

Richard Dawkins tem certamente direito às suas enérgicas opiniões. Mas, de fato, pela evidência, eu acho que o projeto inteligente é a melhor explicação. E não é uma questão de eu gostar da idéia ou não, ou de eu gostar de dormir tarde e ser preguiçoso, ao contrário, é de que o Darwinismo está batendo na porta errada e eu acho que a melhor explicação científica é o projeto inteligente.

Não obstante, eu espero poder me encontrar com Richard Dawkins no futuro.


RI: Um alicerce no naturalismo é essencial para um avanço constante da ciência e da tecnologia?

Behe: As suposições Darwinianas não são necessárias para o trabalho cotidiano da ciência. Como eu mostrei no meu livro, se você procura na literatura bioquímica por documentos científicos que tentam explicar como sistemas bioquímicos se desenvolveram passo a passo num estilo Darwiniano, verá que não há nenhum. É surpreendente.

Há um jornal chamado Journal of Molecular Evolution que tem aproximadamente 25 anos e que publicou mais de 1000 artigos desde seu começo. O jornal publica muito sobre tentativas de determinar quais proteínas, genes, e ácidos nucleicos estão relacionados a outros olhando para a sua proteína ou sucessão de nucleotídeos. Isso pode ser interessante, e pode ser uma questão legítima por direito próprio, mas comparar sequências simplesmente não pode lhe dizer como estas complexas máquinas moleculares surgiram pelo passo-a-passo Darwiniano. Então, essencialmente, durante os seus 25 anos, o Journal of Molecular Evolution evitou completamente a real questão de como estes sistemas extremamente complexos poderiam ter sido criados.

Assim, a maioria dos cientistas ignora completamente a evolução no seu funcionamento, e aqueles que pensam no assunto simplesmente procuram por associações e não se preocupam com o Darwinismo. Extraordinariamente, isso tem muito pouco a ver com o trabalho cotidiano da ciência e serve basicamente como um suporte filosófico que, na minha opinião, está apenas inibindo a verdadeira pesquisa sobre como a vida se desenvolveu.


RI: Um não-teísta pode aceitar o conceito de projeto inteligente?

Behe: Sim, eu acho que sim. Mas sem dúvida seria psicologicamente difícil para ele. Eu gosto de contar a história de Francis Crick, que como se sabe é Prêmio Nobel e co-descobridor da dupla-hélice de DNA. Crick escreveu várias vezes que os problemas de uma origem de vida ao acaso na Terra são tão grandes que nós deveríamos considerar a idéia de que alienígenas espaciais enviaram uma nave à Terra para semeá-la com esporos para iniciar a vida.

Bem, essa é uma idéia incomum mas você pode ver que ela se ajusta com a teoria de projeto inteligente; ele está invocando uma causa externa para o surgimento da vida. Se Francis Crick afirmou que alienígenas inteligentes não apenas semearam a vida na terra, mas de fato a projetaram, eu não poderia apresentar um sistema bioquímico e discutir com ele. Eu poderia pensar que é um pouco forçado, mas eu teria que partir para argumentos filosóficos, teológicos ou históricos para contradizer isso. Assim, eu acho que não-teístas poderiam chegar a uma conclusão de um projeto inteligente, mas realisticamente eu acho que será psicologicamente difícil para eles.

RI: Quando você começará seu próximo livro e o qual será o assunto? 

Behe: Escrever é doloroso. Eu acho que a escritora Dorothy Parker foi uma vez perguntada no começo do século se ela gostava de escrever, e ela respondeu que gostava de ter escrito. Eu concordo completamente com esse sentimento. No momento estou apenas absorvendo a reação ao meu livro e uma vez que eu veja o resultado disso, então eu avaliarei o que pode ser o meu próximo projeto . Mas eu não me vejo principalmente como um escritor, mas como um cientista. O que eu estou realmente ansioso por fazer é redigir propostas de bolsa para poder pesquisar a respeito de algumas das idéias que tenho como resultado da teoria do projeto inteligente. Assim, veremos o que o futuro nos guarda.

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