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Deus: Sua natureza

por Artigo compilado - ter out 06, 6:15 pm

“Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos” (Romanos 11.33).

  • Tudo Que Existe É Parte de Deus?

Existe uma forma de encarar a natureza de Deus chamada Panteísmo. Este termo é formado pelas duas palavras gregas pan e theós. Pan significa “tudo, todos” e theós “Deus”. Panteísmo, então, quer dizer que deus é tudo.

Essa doutrina ensina que tudo que existe faz parte de uma única realidade, e essa realidade se chama deus. Deus é tudo e tudo é deus. Não há nenhuma distinção entre a criação e o Criador no Panteísmo. Deus é tudo e está em tudo. A concepção de um Deus pessoal, que criou um universo diferente dele, é estranha ao Panteísmo.

Todavia, as Escrituras afirmam o contrário: “No princípio criou Deus os céus e a terra” (Gênesis 1.1). “Pois os seus atributos invisíveis, o seu eterno poder e divindade, são claramente vistos desde a criação do mundo, sendo percebidos mediante as coisas criadas, de modo que eles são inescusáveis; porquanto, tendo conhecido a Deus, contudo não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes nas suas especulações se desvanece­ram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se estultos, e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis” (Romanos 1:20-23).

O universo não existe desde a eternidade, mas Deus sim. Quando ele criou o universo, trouxe à existência algo diferente de si mesmo. “Pela fé entendemos que os mundos foram criados pela palavra de Deus, de modo que o visível não foi feito daquilo que se vê” (Hebreus 11.3).

O Panteísmo obscurece essa distinção. O Deus da Bíblia não é o mesmo deus que o Panteísmo pinta.

  • Deus Tem Personalidade?

O Deus que a Bíblia revela é um Deus que tem personalidade. Isto significa que ele tem características de uma pessoa. Podemos definir uma pessoa como um ente racional, consciente do próprio ser. É assim que a Bíblia retrata Deus. Ele é uma pessoa, não uma força impessoal. A Bíblia o chama de Deus vivo. “Mas o Senhor é o verdadeiro Deus; ele é o Deus vivo e o Rei eterno…” (Jeremias 10:10).

As Escrituras atribuem características a Deus, exclusivas de uma pessoa. Figuram entre elas:

Deus pode amar. A Bíblia diz que Deus tem a capacidade de amar. “De longe o Senhor me apareceu, dizendo: Pois que com amor eterno te amei…” (Jeremis 31.3). “Mas Deus dá prova do seu amor para conosco, em que, quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós” (Romanos 5.8).

Deus é capaz de expressar ira. Deus também pode irar-se. “Disse mais o Senhor a Moisés: …Agora, pois, deixa-me, para que a minha ira se acenda contra eles, e eu os consuma…” (Êxodo 32.9-10).

Deus pode ser misericordioso. As Escrituras ensinam que Deus tem a capacidade de ser misericordioso. “Viu Deus o que fizeram, como se converteram do seu mau caminho, e Deus se arrependeu do mal que tinha dito lhes faria, e não o fez” (Jonas 3:10).

Deus possui vontade. A Bíblia faz menção da vontade ou desejo de Deus por certas coisas. “O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a tem por tardia; porém é longânimo para convosco, não querendo que ninguém se perca, senão que todos venham a arrepender-se” (2Pedro 3.9). Como este versículo deixa claro, o desejo ou vontade de Deus para os incrédulos é que todos eles venham a conhecê-lo.

Deus é dotado de intelecto. A Bíblia diz que Deus possui intelecto. Ele tem uma mente para pensar. Ele a usa para instruir o seu povo sobre o que deve fazer. “Assim diz o Senhor, o teu Redentor, o Santo de Israel: Eu sou o Senhor, o teu Deus, que te ensina o que é útil, e te guia pelo caminho em que deves andar” (Isaías 48.17).

Esses são alguns atributos de Deus, segundo a Bíblia. Todos são próprios de uma pessoa. Expressando-os em seu caráter, Deus mostrou que tem personalidade.

A Bíblia também contrasta o Deus vivo e personalizado com ídolos que não ouvem nem falam. O apóstolo Paulo disse a uma multidão em Listra: “Senhores, por que fazeis estas coisas? Nós também somos homens, de natureza semelhante à vossa, e vos anunciamos o evangelho para que destas práticas vãs vos convertais ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar, e tudo quanto há neles” (Atos 14.15).

Quando escreveu à igreja de Tessalônica, Paulo salientou mais uma vez a distinção entre o Deus vivo e os ídolos inanimados. “Porque eles mesmos anunciam de nós qual a entrada que tivemos entre vós, e como vos convertestes dos ídolos a Deus, para servirdes ao Deus vivo e verdadeiro” (1Tessalonissences 1.9).

Então, a Bíblia faz contraste entre o Deus vivo que ouve, vê, pensa, sente e age como uma pessoa, e ídolos que não passam de objetos, que não são gente.

Resumindo:

  1. A Bíblia chama Deus de “o Deus vivo”. Ele é um ser racional que tem consciência da própria existência.
  2. Por ser o Deus vivo, ele possui os atributos de uma pessoa. Ele pode, entre outras coisas, amar, irar-se e mostrar misericórdia. A Bíblia também diz que Deus tem vontade e intelecto. Todas estas características são próprias de uma pessoa.
  3. A Bíblia ainda põe em contraste o Deus vivo e personalizado com ídolos destituídos de personalidade que não passam de objetos.

Nossa conclusão é que a Bíblia ensina claramente que Deus tem personalidade.

  • Deus É Bom?

Uma das características de Deus é sua bondade. A Bíblia não deixa dúvidas de que Deus é bom. Jesus disse: “…ninguém é bom, senão um, que é Deus” (Marcos 10.18). O que isto quer dizer? Em que sentido Deus é bom?

Deus zela por sua criação. Deus demonstra sua bondade para conosco de várias formas. Uma delas é ser misericordioso com sua criação. Chama-se a isto graça comum. Esta graça comum abrange tanto o crente quanto o incrédulo. Disse Jesus: “Contudo não deixou de dar testemunho de si mesmo, fazendo o bem, dando-vos chuvas do céu e estações frutíferas, enchendo-vos de mantimento, e de alegria os vossos corações” (Atos 14.17).

Deus dá coisas boas àqueles que creem nele. Deus também é bondoso com aquelas pessoas que creem nele. “…para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3.16).

A sua bondade não se evidencia apenas pela concessão da salvação a todos que crerem, mas também pelo cuidado e amor com que ele zela pelos seus. “…Jeová, Jeová, Deus misericordioso e compassivo, tardio em irar-se e grande em beneficência e verdade; que usa de beneficência com milhares; que perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado…” (Êxodo 34.6-7). “Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós, homens de pouca fé?” (Mateus 6.30).

Deus é paciente. A bondade de Deus também se manifesta na sua paciência. Ele espera que as pessoas venham a ele pela fé, dando-lhes tempo para se arrependerem de seus pecados. “O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a tem por tardia; porém é longânimo para convosco, não querendo que ninguém se perca, senão que todos venham a arrepender-se” (2Pedro 3.9). “Ou desprezas tu as riquezas da sua benignidade, e paciência e longanimidade, ignorando que a benignidade de Deus te conduz ao arrependimento?” (Romanos 2.4). A bondade de Deus para conosco é demonstrada das seguintes maneiras:

  1. Ele provê toda a humanidade do necessário, mantendo o curso ordenado do universo.
  2. Ele concede privilégios especiais àqueles que depositam sua fé nele.
  3. Deus é paciente com o incrédulo, dando-lhe muitas oportunidades de se arrepender dos seus pecados.
  • Pode Haver Alguma Mudança em Deus?

É possível que Deus possa alterar suas promessas ou o seu caráter? As leis que Deus estabeleceu podem ser mudadas? Podemos ter certeza de que ele nunca mudará?

Quando uma pessoa muda, normalmente muda para melhor ou para pior. Como Deus é a própria perfeição, não é possível que haja qualquer mudança para melhor. O mesmo se diz de uma mudança para pior. A natureza de Deus não aceita mudanças.

A Escritura mostra nitidamente que o caráter de Deus não muda, nem sua justiça para com a humanidade, nem suas promessas.

O caráter de Deus não se altera. A Bíblia frisa que o caráter fundamental de Deus não é suscetível a mudanças. O salmista referiu-se a Deus dizendo: “Mas tu és o mesmo, e os teus anos não acabarão” (Salmo 102.27).

O Livro de Malaquias contém a seguinte declaração de Deus: “Pois eu, o Senhor, não mudo…” (Malaquias 3.6).

O Novo Testamento também afirma que Deus não muda. “Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação” (Tiago 1.17).

Deus, por natureza, é uma trindade composta pelo Pai, pelo Filho e pelo Espírito Santo. Ele sempre foi uma trindade e sempre será. Sua natureza será a mesma para sempre.

Sua justiça para com a humanidade é inalterável. Pelo fato da natureza de Deus não mudar, seu caráter permanece inalterado. Ele sempre foi e sempre será perfeitamente justo, o que significa que sempre trata a humanidade com retidão; ele nunca é injusto.

O apóstolo Paulo fez a seguinte referência a Deus: “Porquanto determinou um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do varão que para isso ordenou…” (Atos 17.31).

Deus julgará a raça humana segundo os critérios que estabeleceu. Ele não os alterará. Seu julgamento será justo.

Não altera suas promessas. A Bíblia também atesta que Deus não altera suas promessas. O Senhor disse de si mesmo: “Deus não é homem, para que minta; nem filho do homem, para que se arrependa” (Números 23.19).

A Bíblia enfatiza que Deus é fiel às promessas que fez à humanidade. O profeta Jeremias declarou: “A benignidade do Senhor jamais acaba, as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade” (Lamentações 3.22-23).

Quando Deus nos promete algo, ele cumpre o que prometeu. Algumas das promessas que ele fez ao homem são condicionais, isto é, dependem da reação deste. O profeta Jeremias registrou as palavras de Deus: “Se em qualquer tempo eu falar acerca de uma nação, e acerca de um reino, para arrancar, para derribar e para destruir, e se aquela nação, contra a qual falar, se converter da sua maldade, também eu me arrependerei do mal que intentava fazer-lhe. E se em qualquer tempo eu falar acerca de uma nação e acerca de um reino, para edificar e para plantar, se ela fizer o mal diante dos meus olhos, não dando ouvidos à minha voz, então me arrependerei do bem que lhe intentava fazer” (Jeremias 18:7-10).

Concluímos pela Bíblia que Deus nunca mudará:

  1. Seu caráter.
  2. Sua justiça para com a humanidade.
  3. Suas promessas.

Podemos ficar descansados que Deus permanecerá o mesmo. Contudo, ao afirmarmos que Deus não muda, não queremos dizer que ele é um ser estático e sem personalidade. Ele interage com sua criação dinamicamente. O caráter e as promessas de Deus é que não mudam.

  • Por Que a Bíblia Diz Que Deus Mudou de Ideia?

Se aceitamos o fato de que Deus é a perfeição em pessoa, e que ele não pode mudar, como explicamos certos trechos da Bíblia que parecem indicar que Deus mudou de ideia? Há vários casos na Escritura em que Deus se arrependeu ou mudou de ideia, e deixou de fazer o que estava planejando.

Quando Moisés desceu do monte Sinai após ter recebido os Dez Mandamentos, viu que o povo tinha pecado. Eles haviam feito para si um bezerro de ouro que passaram a adorar. Então Deus disse a Moisés que ia destruir aquela nação. Este intercedeu pelo povo e a Escritura diz que Deus se arrependeu do mal que iria lhes fazer. “Então o Senhor se arrependeu do mal que dissera que havia de fazer ao seu povo” (Êxodo 32.14). Esse não foi um caso em que Deus mudou de ideia?

Encontramos situação semelhante no livro de Jonas. Deus ia destruir o povo de Nínive, mas como se arrependeram de seus pecados, ele teve misericórdia. As Escrituras dizem: “Viu Deus o que fizeram, como se converteram do seu mau caminho, e Deus se arrependeu do mal que tinha dito lhes faria, e não o fez” (Jonas 3:10).

A aparente mudança de ideia da parte de Deus, nestes e em outros casos, deixa as pessoas pensando se Deus não hesita e muda sua palavra. Não é isso que acontece. No caso de Moisés, Deus estava furioso, porque o povo o havia rejeitado, preferindo um ídolo. Sua vontade de destruí-los não era um decreto irrevogável. A intercessão de Moisés em favor do povo impediu que fossem destruídos. Sob o ponto de vista humano, Deus mudou de ideia, mas ele sabia o tempo todo o que iria acontecer. Moisés rogou por misericórdia e Deus respondeu sua oração.

O mesmo se aplica ao caso de Jonas e Nínive. Os habitantes da cidade oraram a Deus pedindo perdão. Deus ouviu suas orações e lhes concedeu misericórdia. Ele não mudou de ideia, pois já sabia que se arrependeriam de seus pecados. Pelo ponto de vista humano não se podia perceber isso. O povo não tinha garantias de que Deus deixaria de julgá-lo se houvesse arrependimento da parte dele, mas Jonas desconfiava que era o que poderia acontecer. Quando se deu conta de que Nínive não seria destruída, orou a Deus dizendo: “…Ah! Senhor! não foi isso o que eu disse, estando ainda na minha terra? Por isso é que me apressei a fugir para Társis, pois eu sabia que és Deus compassivo e misericordioso, longânimo e grande em benignidade, e que te arrependes do mal” (Jonas 4.2).

Vemos nesses dois casos que uma oração de arrependimento alterou o desfecho da situação. Não foi Deus que mudou, mas sim o homem. Quando a conduta do homem em relação a Deus mudou, a conduta de Deus em relação ao homem mudou.

Sempre que a Escritura conta que Deus se arrependeu do que faria, diz respeito a punição. Nunca foi o caso de ele ter prometido fazer algum bem e depois ter mudado de ideia. As promessas de Deus não serão quebradas. “Porque os dons e a vocação de Deus são irretratáveis” (Romanos 11.29).

Então a Bíblia nos assegura que:

  1. Deus não alterará as promessas que nos fez.
  2. Qualquer mudança aparente na forma de Deus agir é fruto do ponto de vista humano, não de Deus.
  3. Toda vez que Deus se arrependeu foi para o bem do homem, não para prejudicá-lo.
  • Deus Sabe Tudo?

Deus sabe tudo ou existem coisas que fogem ao seu conhecimento? Há algo que ele precise aprender? A Bíblia ensina que Deus é onisciente, isto é, sabe tudo. Significa que ele tem conhecimento pleno de todas as coisas. Ele não precisa aprender nada e nunca se esqueceu de nada. Ele sabe tudo que já aconteceu e tudo que ainda está por acontecer. Tem conhecimento também de tudo que apresenta possibilidade de acontecer.

O salmista escreveu: “Grande é o nosso Senhor, e de grande poder; não há limite ao seu entendimento” (Salmo 147.5).

O evangelista João escreveu: “Porque se o coração nos condena, maior é Deus do que o nosso coração, e conhece todas as coisas” (1João 3.20).

No livro de Jó, um homem chamado Eliú disse: “Compreendes o equilíbrio das nuvens, e as maravilhas daquele que é perfeito nos conhecimentos?” (Jó 37.16).

A Bíblia revela que Deus conhece cada estrela do universo. “Conta o número das estrelas, chamando-as a todas pelos seus nomes” (Salmo 147.4).

Jesus ensinou que Deus também se preocupa com os menores detalhes. “Não se vendem dois passarinhos por um asse? E nenhum deles cairá em terra sem a vontade de vosso Pai. E até mesmo os cabelos da vossa cabeça estão todos contados” (Mateus 10.29-30).

Deus possui conhecimento pleno desde a eternidade. “Diz o Senhor que faz estas coisas, que são conhecidas desde a antiguidade” (Atos 15.18).

Concluímos que a Bíblia mostra claramente que o conhecimento de Deus não tem limites. O apóstolo Paulo declarou: “Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!” (Romanos 11.33).

  • Deus Está em Toda Parte ao Mesmo Tempo?

A Bíblia diz que Deus está em toda parte — ele é onipresente. Deus está em cada ponto do universo. O salmista escreveu: “Para onde me irei do teu Espírito, ou para onde fugirei da tua presença? Se subir ao céu, tu aí estás; se fizer no Seol a minha cama, eis que tu ali estás também. Se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar, ainda ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá” (Salmo 139.7-10).

O profeta Amós registrou as palavras de Deus quando este disse que ninguém podia se esconder dele: “Ainda que cavem até o Seol, dali os tirará a minha mão; ainda que subam ao céu, dali os farei descer. Ainda que se escondam no cume do Carmelo, buscá-los-ei, e dali os tirarei; e, ainda que se ocultem aos meus olhos no fundo do mar, ali darei ordem à serpente, e ela os morderá” (Amós 9.2-3).

Deus disse no livro de Jeremias: “Sou eu apenas Deus de perto, diz o Senhor, e não também Deus de longe? Esconder-se-ia alguém em esconderijos, de modo que eu não o veja? diz o Senhor. Porventura não encho eu o céu e a terra? diz o Senhor” (Jeremias 23.23-24).

A Bíblia deixa claro que não há lugar no universo que esteja longe da presença de Deus. Sua presença está em toda parte. Isto não quer dizer que Deus está espalhado, como se houvesse partes dele em cada lugar. Deus é espírito — ele não possui forma física. Ele está em toda parte no sentido de que tudo está em sua presença. Ninguém pode se esconder dele e nada lhe passa despercebido.

  • Deus É Todo-Poderoso?

A Bíblia diz que Deus pode tudo, ou seja, que ele é onipotente. Ele apareceu a Abraão como o Deus todo-poderoso. “Quando Abrão tinha noventa e nove anos, apareceu-lhe o Senhor e lhe disse: Eu sou Deus Todo-Poderoso; anda em minha presença, e sê perfeito” (Gênesis 17.1).

Deus disse que não havia nada difícil demais que ele não pudesse fazer. Tudo que pode ser feito, Deus é capaz de fazer. “Eis que eu sou o Senhor, o Deus de toda a carne; acaso há alguma coisa demasiado difícil para mim?” (Jeremias 32.27).

O salmista deu testemunho do seu poder: “Vinde, e vede as obras de Deus; ele é tremendo nos seus feitos para com os filhos dos homens. Converteu o mar em terra seca; passaram o rio a pé… Ele governa eternamente pelo seu poder; os seus olhos estão sobre as nações; não se exaltem os rebeldes” (Salmo 66.5-7).

Isto significa então que ele pode fazer qualquer coisa? Deus pode destruir a si mesmo? Ele pode criar uma criatura que não possa controlar? Não, Deus não pode fazer o que é logicamente ou rigorosamente impossível. Ele não pode contradizer sua própria natureza e caráter. Isto foge à sua esfera de poder.

Existem, portanto, limites para o que Deus pode fazer. Por exemplo: a Bíblia diz que Deus não pode mentir. “Na esperança da vida eterna, a qual Deus, que não pode mentir, prometeu antes dos tempos eternos” (Tito 1.2).

Deus também declarou que é impossível voltar atrás com a sua palavra. “Para sempre, ó Senhor, a tua palavra está firmada nos céus” (Salmo 119.89).

Como Deus pode ser todo-poderoso se existem certas coisas que ele não pode fazer? A resposta está numa compreensão adequada da onipotência de Deus. O fato de ser onipotente não impede que imponha limitações a si mesmo. O Deus bíblico limitou-se a atos coerentes com seu caráter justo e amoroso. Logo, o poder de Deus se autodelimita. Ele não pode fazer o mal, nem nada que seja irracional. Ele não pode voltar atrás com o que disse. Ele é todo-poderoso no que se refere a fazer o que é certo, mas não tem poder para fazer o que é errado.

  • Deus É Amor?

A Bíblia mostra bem que uma das características da natureza de Deus é que ele é amor. “Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor” (1João 4.8).

O amor pode ser definido como a busca do melhor para o próximo. Deus demonstrou abertamente seu amor pela humanidade. “Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco; em que Deus enviou seu filho unigênito ao mundo, para que por meio dele vivamos” (1João 4.9). “Mas Deus dá prova do seu amor para conosco, em que, quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós” (Romanos 5.8).

Deus manifestou seu amor pelo mundo ao enviar Cristo para morrer por nossos pecados. Da mesma forma nós devemos imitá-lo, dedicando-nos abnegadamente às necessidades dos outros. Jesus disse: “Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei a vós, que também vós vos ameis uns aos outros” (João 13.34).

O apóstolo Paulo repetiu esse princípio: “Não olhe cada um somente para o que é seu, mas cada qual também para o que é dos outros” (Filipenses 2:4).

O amor é um dos atributos mais evidentes de Deus. Mas é preciso que se entenda que ele não substitui Deus. O amor é um atributo dele. Podemos muito bem dizer que Deus é amor, mas não podemos dizer que o amor é Deus, pois assim este seria destituído de personalidade.

  • Deus É Justo?

Segundo a Bíblia, Deus é justo. “Ó Senhor Deus de Israel, justo és…” (Esdras 9.15). “Compassivo é o Senhor, e justo; sim, misericordioso é o nosso Deus” (Salmo 116.5).

O que a Bíblia quer dizer quando afirma que Deus é justo? Quer dizer que o caráter ou natureza de Deus sempre o levam a fazer o que é certo. Podemos também nos referir à justiça de Deus como o juízo de Deus. Diz a Bíblia: “O Senhor é justo no meio dela; ele não comete iniquidade; cada manhã traz o seu juízo à luz; nunca falta; o injusto, porém, não conhece a vergonha” (Sofonias 3.5).

Deus revela sua justiça amando o bem e odiando o mal; consequentemente, às vezes sua justiça acarreta julgamento. “E ouvi o anjo das águas dizer: Justo és tu, que és e que eras, o Santo; porque julgaste estas coisas” (Apocalipse 16.5). “Ouve então do céu, age, e julga os teus servos; condena ao culpado, fazendo recair sobre a sua cabeça o seu proceder, e justifica ao reto, retribuindo-lhe segundo a sua retidão” (1Reis 8.32).

Deus prometeu, contudo, que recompensaria quem é fiel a ele. “Cesse a maldade dos ímpios, mas estabeleça-se o justo; pois tu, ó justo Deus, provas o coração e os rins. O meu escudo está em Deus, que salva os retos de coração. Deus é um juiz justo, um Deus que sente indignação todos os dias” (Salmo 7.9-11). “Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda” (2Timóteo 4.8).

Assim, tiramos as seguintes conclusões acerca da justiça de Deus:

  1. A justiça, ou juízo, de Deus é um atributo que o leva a fazer somente o que é certo.
  2. Pelo fato de ser justo, Deus precisa julgar o mal.
  3. A justiça de Deus permite que ele recompense aqueles que são fiéis a ele.
  • Deus É Santo — O Que Significa Isso?

A Bíblia prega que Deus é um Deus santo. Mas o que significa ser santo? E a ideia de separação que está por trás do conceito de santidade. Deus se distingue de tudo que é pecaminoso e maligno. Ele não pode tolerar o pecado. Justamente por ser santo, ele só pode fazer o que é verdadeiro e bom. Sua palavra é verdade. Jesus disse: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (João 17.17).

Deus prometeu que não voltará atrás com a sua palavra. “Na esperança da vida eterna, a qual Deus, que não pode mentir, prometeu antes dos tempos eternos” (Tito 1.2).

A Palavra revelada de Deus — a Bíblia — nos declara que ele é perfeito sob todos os aspectos. Não há virtude que sua natureza não possua. Deus é a perfeição.

Esta assertiva suscita a questão do julgamento. Pelo fato de ser santo, e não suportar o pecado, deve haver alguma forma de julgar a transgressão. Sua santidade exige que se faça justiça quando pecados são cometidos. Foi o nosso pecado que nos separou da santidade de Deus. A Palavra de Deus diz: “Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados esconderam o seu rosto de vós…” (Isaías 59.2).

Foi por esse motivo que Deus aplicou a Jesus a punição pelos pecados do mundo, quando ele foi crucificado em nosso lugar. “Àquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus” (2Coríntios 5.21).

Sua santidade foi aplacada com a morte de Cristo. Agora podemos entrar na presença de Deus por causa do sacrifício de Cristo na cruz. Restaurado esse relacionamento, ouvimos as seguintes palavras: “…Sereis santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo” (Levítico 19.2).

Em resumo, podemos fazer alguns comentários sobre a santidade de Deus:

  1. Santidade significa, em essência, separação.
  2. Deus se distingue do pecado. Sua natureza é perfeita.
  3. Sua perfeição exige que se faça justiça quanto ao pecado. Cristo morreu na cruz para satisfazer as santas exigências de Deus.
  • O Que É a Glória de Deus?

A Bíblia fala da glória de Deus. “E amanhã vereis a glória do Senhor…” (Êxodo 16.7). “E quando Arão falou a toda a congregação dos filhos de Israel, estes olharam para o deserto, e eis que a glória do Senhor apareceu na nuvem” (Êxodo 16.10).

O que vem a ser a glória de Deus? O que significa? A glória de Deus é o seu esplendor, sua majestade. A Bíblia usa a glória de Deus em sentido figurado, representando suas próprias manifestações. A Bíblia refere-se a muitas aparições e atos de Deus fazendo menção da sua glória.

Quando Moisés subiu o monte Sinai para receber os Dez Mandamentos de Deus, a glória do Senhor ali repousava. “E tendo Moisés subido ao monte, a nuvem cobriu o monte. Também a glória do Senhor repousou sobre o monte Sinai, e a nuvem o cobriu por seis dias; e ao sétimo dia, do meio da nuvem, Deus chamou a Moisés. Ora, a aparência da glória do Senhor era como um fogo consumidor no cume do monte, aos olhos dos filhos de Israel” (Êxodo 24.15-17).

Quando o povo desobedeceu a Deus, sua glória os abandonou. “…De Israel se foi a glória! Porque fora tomada a arca de Deus…” (1Samuel 4.21).

A glória de Deus é usada em sentido figurado para representar o próprio Deus. Moisés disse a Deus: “…Rogo-te que me mostres a tua glória. Respondeu-lhe o Senhor: Eu farei passar toda a minha bondade diante de ti, e te proclamarei o meu nome Jeová… Não poderás ver a minha face, porquanto homem nenhum pode ver a minha face e viver. Disse mais o Senhor: Eis aqui um lugar junto a mim; aqui, sobre a penha, te porás. E quando a minha glória passar, eu te porei numa fenda da penha, e te cobrirei com a minha mão, até que eu haja passado” (Êxodo 33.18-22).

Nossas conclusões sobre a glória de Deus:

  1. A glória de Deus é o seu esplendor, sua majestade.
  2. Às vezes a glória de Deus é usada em sentido figurado, representando ele próprio.
  • Que Diferença Há Entre o Homem e Deus?

Existe alguma diferença entre o homem e Deus? Se existe, qual é? A Bíblia afirma que há um abismo entre a criatura e o Criador.

Criador e criatura. Precisamos entender que Deus é o Criador, ao passo que o homem é sua criação. Somos obra dele. Ninguém o criou. A Bíblia afirma que Deus já existia no princípio. “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (João 1.1). O homem é a criação. “Criou, pois, Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” (Gênesis 1.27).

Finito e infinito. Deus é eterno. Ele sempre existiu e sempre existirá. Deus é infinito. “Antes que nascessem os montes, ou que tivesses formado a terra e o mundo, sim, de eternidade a eternidade tu és Deus” (Salmo 90.2).

O homem, por outro lado, é finito. Houve uma época em que ele não existia. “E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida; e o homem tornou-se alma vivente” (Gênesis 2.7).

Existência própria e dependência. Só Deus tem existência própria. Ele não precisa de nada além de si mesmo para existir. O apóstolo Paulo comentou esse fato: “Nem tampouco é servido por mãos humanas, como se necessitasse de alguma coisa; pois ele mesmo é quem dá a todos a vida, a respiração e todas as coisas” (Atos 17.25). “Outrora, quando não conhecíeis a Deus, servíeis aos que por natureza não são deuses” (Gálatas 4.8).

Somente Deus não foi criado por ninguém. Ele é Deus por natureza. Já o homem depende de muitas coisas para viver. O profeta Daniel disse ao rei Belsazar: “…mas a Deus, em cuja mão está a tua vida, e de quem são todos os teus caminhos, a ele não glorificaste” (Daniel 5.23). Podemos sintetizar algumas diferenças que há entre Deus e o homem da seguinte forma:

  1. Deus é o Criador, ao passo que o homem é a criatura.
  2. Deus é infinito; o homem é finito.
  3. Deus não precisa de nada para existir; já o homem depende de outras coisas alheias a si mesmo para existir.
  • O Homem Pode Tornar-se Deus?

De quando em quando, no curso de nossa história, alguém afirma que o homem é Deus ou que pode tornar-se Deus. O mormonismo, por exemplo, prega que os mórmons têm o poder de alcançar a divindade. A Bíblia afirma que uma pessoa pode tornar-se Deus?

A falsa promessa de que o homem pode tornar-se Deus é tão antiga quanto o primeiro homem — Adão. No Jardim do Eden, o único mandamento proibitivo que Deus deu a Adão e Eva foi que eles não comessem do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. A serpente entrou em cena e contestou Deus: “Porque Deus sabe que no dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal” (Gênesis 3.5).

Quando Adão e Eva comeram do fruto, não se tornaram como Deus, conforme a serpente havia prometido. Antes, o que eles fizeram foi introduzir o pecado no mundo, sendo assim banidos da presença de Deus. Mesmo assim Satanás continua contando essa mentira às pessoas desde aquela época. Infelizmente elas continuam acreditando.

A razão de o homem não poder se tornar Deus é explicada pela natureza de Deus. Deus não veio a se tornar Deus. Ele era, é e sempre será Deus. Ele é o Deus eterno e infinito. Não há nada que falte à sua natureza e ele não precisa de nada para existir. Ele é suficiente em si mesmo e por si só.

Além do mais, ele é o único Deus que existe e que sempre existirá. “Assim diz o Senhor, Rei de Israel, seu Redentor, o Senhor dos exércitos: Eu sou o primeiro, e eu sou o último, e fora de mim não há Deus” (Isaías 44.6). “Vós sois as minhas testemunhas, diz o Senhor, e o meu servo, a quem escolhi; para que o saibais, e me creiais e entendais que eu sou o mesmo; antes de mim Deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá” (Isaías 43.10).

O homem, por sua vez, é uma criatura finita, limitada. Houve um tempo em que ele não existia. Ele foi criado por determinação de Deus. O homem não pode existir por si mesmo. Ele não é auto-suficiente. Precisa de alimento, ar e água para viver. Sem a provisão permanente de Deus, pereceria.

A Bíblia afirma que Deus dará vida eterna àqueles que crerem no seu Filho, Jesus Cristo. Mas isso não significa que o homem se tornará Deus. Cada um tem que depender de Deus para ter vida eterna. Aqueles que garantem que o ser humano pode tornar-se Deus, ou não compreendem a diferença entre a criatura e o Criador, ou estão distorcendo a verdade de Deus deliberadamente.

  • Deus Pode Tornar-se Homem?

Embora não seja possível ao ser humano se tornar Deus, o que dizer da possibilidade de Deus tornar-se homem? Há aproximadamente três mil anos, vivia um homem chamado Jó que estava experimentando muito sofrimento. Jó pensava que Deus não compreendia sua dor e clamou pedindo um mediador entre Deus e o homem. “Porque ele [Deus] não é homem, como eu, para eu lhe responder, para nos encontrarmos em juízo. Não há entre nós árbitro para pôr a mão sobre nós ambos” (Jó 9.32-33).

Jó queria que Deus se tornasse homem para que pudesse experimentar pessoalmente o sofrimento e a limitação da humanidade. O desejo de Jó foi realizado. O Novo Testamento registrou, dois mil anos atrás, que o Deus eterno se fez homem na pessoa de Jesus Cristo. Quando Jesus se fez homem, ele não deixou de ser Deus e Deus não mudou. O Evangelho de João afirma: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. …E o verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigénito do Pai” (João 1.1-14).

Jesus experimentou a limitação e a humilhação de ter-se tornado homem em nosso benefício. “Tende em vós aquele sentimento que houve também em Cristo Jesus, o qual, subsistindo em forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus, coisa a que se devia aferrar, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens” (Filipenses 2.5-7).

A vinda de Jesus à terra tinha a dupla finalidade de revelar Deus ao homem e proporcionar o mediador que Jó desejava. O apóstolo Paulo escreveu: “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1Timóteo 2.5).

Deus, de fato, respondeu ao clamor de Jó. Durante um curto período de tempo, Deus, o Filho, limitou-se ao corpo de Jesus Cristo a fim de salvar toda a humanidade. Pelo fato de ter-se tornado como nós, ele é capaz de se identificar intimamente com o sofrimento e a dor que experimentamos. “Porque naquilo que ele mesmo, sendo tentado, padeceu, pode socorrer aos que são tentados” (Hebreus 2.18).

A Bíblia ensina que Deus fez o sacrifício supremo por nós. O Criador tornou-se um elemento de sua criação visando restaurar o relacionamento que o homem havia rompido.

  • Deus Assumiu Alguma Vez uma Forma Física Antes da Vinda de Cristo?

A Bíblia declara que Deus se fez homem na pessoa de Jesus Cristo. “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós…” (João 1.14). Essa foi a única vez que Deus se fez carne e conviveu com o homem. Anteriormente, Deus havia assumido uma forma física temporária algumas vezes. O Antigo Testamento registrou oito aparições em que Deus assumiu uma forma física por um curto espaço de tempo. Três vezes apareceu em forma de homem, uma vez numa sarça ardente que não se consumia e quatro vezes como Anjo do Senhor. Sempre que isso aconteceu, Deus interveio numa situação especial.

A Hagar: Hagar era serva de Abraão e mãe de seu filho Ismael. Ela e o menino foram para o deserto, fugindo da esposa de Abraão. Já estavam morrendo de sede quando o Anjo do Senhor apareceu a Hagar, provendo-os de água para que não morressem. O Anjo do Senhor que apareceu a Hagar era o próprio Deus. “E ela chamou o nome do Senhor, que com ela falava, El-Roí; pois disse: Não tenho eu também olhado neste lugar para aquele que me vê?” (Gênesis 16.9-13). Deus tinha planos para Ismael e seus descendentes, por isso apareceu pessoalmente a fim de poupar a vida dele.

A Abraão e Sara em Manre: Três homens apareceram a Abraão e a Sara, sua esposa, nas planícies de Manre. Vieram comunicar-lhes duas coisas: o filho que Deus lhes havia prometido nasceria a Abraão e a Sara no ano seguinte, e as cidades malignas Sodoma e Gomorra seriam destruídas. Um dos três visitantes que lhes transmitiram essas informações é chamado de “o Senhor”: “Depois apareceu o Senhor a Abraão junto aos carvalhos de Manre, estando ele sentado à porta da tenda, no maior calor do dia” (Gênesis 18.1-33). Nessa mesma passagem essa Pessoa é chamada de “Juiz de toda a terra” (Gênesis 18.25). Tal denominação é exclusiva de Deus.

A Abraão no Monte Moriá: Deus disse a Abraão para levar seu filho Isaque para o monte Moriá a fim de ali sacrificá-lo. Obediente, Abraão já estava para tirar a vida de Isaque quando Deus interveio. O Anjo do Senhor o deteve dizendo: “…Não estendas a mão sobre o mancebo, e não lhe faças nada; porquanto agora sei que temes a Deus, visto que não me negaste teu filho, o teu único filho” (Gênesis 22.12). Disse ainda a Abraão: “…Por mim mesmo jurei, diz o Senhor…” Neste caso, o Anjo do Senhor que chamou a Abraão era Deus (Gênesis 22.11-16).

A Jacó em Peniel: Esta passagem diz que o patriarca Jacó lutou a noite inteira com um homem que, por fim, o aleijou. Na manhã seguinte Jacó se deu conta de que havia lutado com o próprio Deus. “…Porque tenho visto Deus face a face, e a minha vida foi preservada” (Gênesis 32.24-43).

A Moisés na sarça ardente: No momento de receber o chamado do Senhor para tirar os filhos de Israel da escravidão no Egito, Moisés viu uma sarça em chamas que não se consumia. Desse arbusto partiu uma voz, identificando a presença de Deus “…chamou-o do meio da sarça e disse: …Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó…” (Êxodo 3.2-4.17). Devido à magnitude da tarefa que Moisés iria realizar, Deus apareceu-lhe pessoalmente através da sarça ardente para mostrar que estaria com ele.

A Gideão: Gideão foi um homem que Deus chamou para formar um exército e derrotar os incontáveis midianitas. Como era uma pessoa tímida, Deus o visitou para garantir-lhe que tudo sairia bem. Só depois desse encontro Gideão se deu conta de quem o havia visitado. “Vendo Gideão que era o anjo do Senhor, disse: Ai de mim, Senhor Deus! Pois eu vi o anjo do Senhor face a face” (Juízes 6.11-24).

A mãe de Sansão: O Anjo do Senhor apareceu a uma judia para comunicar-lhe o nascimento de um filho que libertaria o povo de Israel. Dada a importância da missão, Deus apareceu em pessoa a ela. “E não mais apareceu o anjo do Senhor a Manoá, nem à sua mulher; então compreendeu Manoá que era o anjo do Senhor. Disse Manoá à sua mulher: Certamente morreremos, porquanto temos visto a Deus” (Juízes 13.2-23).

Na fornalha de fogo ardente: A última aparição de Deus em forma física que o Antigo Testamento registrou foi aos três jovens hebreus na fornalha de fogo ardente. Nabucodonosor lançou os três rapazes na fornalha, por terem se recusado a adorar a estátua que mandara fazer. Deus poupou a vida deles milagrosamente. Nabucodonosor ficou estarrecido. “Disse ele: Eu, porém, vejo quatro homens soltos, que andam passeando dentro do fogo, e nenhum dano sofrem; e o aspecto do quarto é semelhante a um filho dos deuses” (Daniel 3.3-29).

Estas oito rápidas aparições de Deus em forma física nos ensinam várias coisas:

  1. Quando havia alguma situação especial, Deus desejava aparecer pessoalmente.
  2. Estas ocorrências criaram um precedente. Tendo aparecido nessas ocasiões no Antigo Testamento, Deus preparou o terreno para sua vinda, na pessoa de Jesus Cristo, para viver na terra.
  • Deus Tem Corpo?

Muitas pessoas se indagam sobre a forma de Deus. Ele possui um corpo físico, material? Como ele é? Se tem um corpo, é de homem ou de mulher?

Há quem argumente que como o homem foi feito à imagem de Deus e tem corpo, então Deus também tem que ter corpo. Isto pressupõe que a imagem de Deus é física. Mas a Bíblia mostra que Deus não tem corpo. As Escrituras explicam que Deus é espírito. Disse Jesus: “Deus é Espírito…” (João 4.24).

Seja qual for a definição de espírito, não há lugar para ossos. Pode-se constatar isso pela aparição de Jesus aos discípulos após sua ressurreição. Disse ele: “Olhai as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede; porque um espírito não tem carne nem ossos como percebeis que eu tenho” (Lucas 24.39). Jesus disse claramente que um espírito não tem carne e ossos. Portanto, Deus, que é espírito, não possui forma física.

Jesus, a segunda pessoa da Trindade, assumiu uma natureza humana, inclusive um corpo, quando veio à terra dois mil anos atrás. Ele possuía esse corpo, mas sua natureza divina não era material. Seu corpo era humano, não divino. Antes de vir à terra ele não tinha corpo.

Concluímos que:

  1. A Bíblia mostra que Deus é espírito.
  2. Um espírito não é feito de carne e ossos.
  3. Consequentemente, Deus não tem forma física.
  4. Jesus assumiu uma natureza humana, inclusive uma forma física, quando veio à terra, e não possuía um corpo divino.
  • Se Deus Não Tem Corpo, Por Que a Bíblia Fala de Pessoas Que Viram a Deus?

Há várias passagens bíblicas que parecem indicar que pessoas realmente viram a Deus:

“Pelo que Jacó chamou ao lugar Peniel, dizendo: Porque tenho visto Deus face a face, e a minha vida foi preservada” (Gênesis 32.30).

“…E Moisés escondeu o rosto, porque temeu olhar para Deus” (Êxodo 3.6).

“E falava o Senhor a Moisés face a face, como qualquer fala com o seu amigo…” (Êxodo 33.11).

“E nunca mais se levantou em Israel profeta como Moisés, a quem o Senhor conhecesse face a face” (Deuteronômio 34.10).

“No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as orlas do seu manto enchiam o templo” (Isaías 6.1).

Essas pessoas viram a Deus de fato? O que elas viram não foi a essência de Deus, mas sim uma representação física dele. Deus, por natureza, é espírito. “Deus é Espírito” (João 4.24).

Um espírito não tem forma física, como Jesus mesmo deixou claro “…porque um espírito não tem carne nem ossos, como percebeis que eu tenho” (Lucas 24.39).

Sendo espírito, Deus é invisível ao homem. Referindo-se a Jesus, o apóstolo Paulo disse: “O qual é imagem do Deus invisível…” (Colossenses 1.15).

Embora Deus seja por natureza invisível, ele assumiu uma forma física em certas ocasiões a fim de se comunicar com sua criação. Fez isso em prol daqueles com quem falava. Uma forma física dava ao homem um ponto de referência que o ajudava a se comunicar com Deus.

Então, o que essas pessoas viram não foi o espírito de Deus, não foi a sua essência, pois ninguém jamais viu ou pode ver Deus. “Ninguém jamais viu a Deus. O Deus unigênito, que está no seio do Pai, esse o deu a conhecer” (João 1.18). “Aquele que possui, ele só, a imortalidade, e habita em luz inacessível; a quem nenhum dos homens tem visto nem pode ver…” (1Timóteo 6.16).

Podemos, então, concluir o seguinte:

  1. Ao aparecer para certas pessoas, Deus assumiu uma forma física.
  2. Essa forma não era essência de Deus, mas sim uma representação física sua para o bem daqueles a quem estava se dirigindo.
  3. Ninguém jamais viu a Deus ou pode vê-lo, pois ele é um espírito invisível por natureza.
  • O Que Dizer de Certas Passagens Que Parecem Indicar Que Deus Tem Corpo?

Já vimos que Deus é, por definição, espírito, e espíritos não possuem forma física. Contudo, existem passagens bíblicas que dão a entender que Deus tem corpo. “Porque, quanto ao Senhor, seus olhos passam por toda a terra, para mostrar-se forte a favor daqueles cujo coração é perfeito para com ele…” (2Crônicas 16.9). “Lembra-te de que foste servo na terra do Egito, e que o Senhor teu Deus te tirou dali com mão forte e braço estendido…” (Deuteronômio 5.15). Estes versículos não devem ser tomados ao pé da letra. Devem ser vistos como metáforas que descrevem, em termos humanos finitos, as características do Deus infinito. A raça humana consegue compreender e se identificar melhor com Deus quando se diz que seu braço está estendido, seus olhos tudo veem, tem mão forte etc.

Se uma pessoa encara essas referências à natureza de Deus literalmente, obterá um ser de aspecto extremamente interessante. Repare nestes versículos:

“Ele te cobre com as suas penas, e debaixo das suas asas encontras refúgio…” (Salmo 91.4).

“Tinha ele na sua destra sete estrelas; e da sua boca saía uma aguda espada de dois gumes…” (Apocalipse 1.16).

Jesus disse: “Eu sou a porta…” (João 10.9).

O autor de Hebreus declarou: “Pois o nosso Deus é um fogo consumidor” (Hebreus 12.29).

Tomando estes versículos ao pé da letra, Deus pareceria um pássaro, teria uma espada em lugar da língua, seria feito de madeira e operaria como uma fornalha.

As passagens bíblicas que parecem mostrar que Deus, o Pai, tem corpo não devem ser encaradas literalmente; elas são apenas metáforas que visam ajudar-nos a compreender o caráter de Deus.

  • Qual É o Significado dos Diversos Nomes de Deus?

O Antigo Testamento hebraico emprega três nomes básicos para Deus, dos quais se originam muitas combinações. São eles: Elohim, Adonai e Yahweh.

Elohim. Este é um nome comumente atribuído a Deus no Antigo Testamento. Elohim não é usado apenas em referência ao Deus verdadeiro, mas também a falsos deuses. Não se sabe o sentido exato da palavra Elohim, embora pareça transmitir a ideia de força e poder. Ela é usada no primeiro versículo da Bíblia. “No princípio criou Deus [Elohim] os céus e a terra” (Gênesis 1.1).

Elohim é um substantivo plural, mas sempre acompanha um verbo no singular quando diz respeito ao Deus verdadeiro. Isto denota unidade e diversidade na mesma natureza de Deus — é a doutrina da Trindade, conforme revela a Escritura.

Adonai. Outro nome atribuído a Deus no Antigo Testamento é Adonai, cujo significado é “Mestre” ou “Senhor”. Este termo não se aplica exclusivamente a Deus, sendo empregado também para designar homens que são mestres ou senhores sobre outros. Adonai é frequentemente conjugado com Elohim, indicando que Deus é o Mestre e Senhor e que nós, seres humanos, somos seus súditos.

Yahweh: Jeová. Se por um lado Elohim e Adonai se aplicam a outros seres além do Deus verdadeiro e vivo, existe um nome exclusivo do Deus da Bíblia — Yahweh. Uma transliteração alternativa seria “Jeová”.

Yahweh diz respeito ao “Deus eterno e incriado”; foi o nome que Deus revelou a Moisés. “Respondeu Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós” (Êxodo 3.14).

Ele é Yahweh apenas para aqueles que mantêm um relacionamento com ele. Este nome é empregado por todo o Antigo Testamento, formando termos compostos que descrevem algum aspecto do caráter de Deus. Por exemplo:

“E pôs Abraão por nome àquele lugar — o Senhor proverá [Yahweh-Yireh] (Gênesis 22.14).

“Portanto diz o Senhor Deus dos exércitos [Yahweh-Sabaoth] o Poderoso de Israel…” (Isaías 1.24).

“e este é o nome de que será chamado: O SENHOR JUSTIÇA NOSSA [Yahweh-Tsidkenu]” (Jeremias 23.6).

Em resumo podemos dizer:

  1. O Antigo Testamento hebraico atribui três nomes básicos a Deus. São eles: Elohim, Adonai e
  2. Estes nomes às vezes são usados para formar termos compostos, dando indicação do caráter de Deus.
  3. O nome Elohim significa força e poder. Também se aplica a falsos deuses. Adonai significa Senhor e Mestre e também pode estar associado a falsos deuses.
  4. Yahweh foi o nome que Deus se deu em aliança com seu povo. Não é usado para falsos deuses.
  • Por Que Deus É Chamado de Pai?

O Novo Testamento volta e meia identifica Deus como “o Pai”. Por quê? Como essa designação nos diz respeito? Significa que somos todos filhos de Deus e que ele é o Pai de toda a raça humana? Vemos no Novo Testamento até que ponto ele é o nosso Pai.

A Primeira Pessoa da Trindade. Como já mostramos, Deus é, por natureza, uma Trindade constituída de três pessoas distintas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Deus, o Pai, é a primeira pessoa da Trindade, aquele que comissionou e enviou Jesus, o Filho, à terra. Ele é chamado de Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestes em Cristo” (Efésios 1.:3).

Nos evangelhos esse Pai reconhece Jesus como seu Filho. “E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mateus 3.17).

O Filho, da mesma forma, reconhece o Pai. “Todos as coisas me foram entregues por meu Pai; e ninguém conhece plenamente o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece plenamente o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (Mateus 11.27).

Os termos Pai e Filho são empregados para descrever o relacionamento exclusivo entre as duas primeiras pessoas da Trindade. A Bíblia não deixa dúvidas de que tanto o Pai quanto o Filho coexistem desde a eternidade. Não houve um momento em que o Filho viesse a existir. Por isso, não devemos fazer uma analogia rigorosa entre um pai e um filho humanos, quando falamos de Deus, o Pai, e Deus, o Filho. Estes termos têm a finalidade de delinear a unidade, a coesão singular que há entre essas duas pessoas divinas. Portanto, um dos aspectos em que Deus é chamado de Pai é o seu relacionamento exclusivo com o Filho.

Pai de todos que creem. A Bíblia também qualifica o Pai de Pai de todos aqueles que depositam sua fé nele. A Escritura deixa claro que Deus não é o Pai natural de toda a humanidade; ele só é Pai para quem crê nele. Embora seja verdade em linhas gerais, que Deus é o Pai, o Criador de todo ser vivo, o relacionamento íntimo que um pai tem com seus filhos só é experimentado por aqueles que creem.

A Bíblia explica que não se alcança essa relação íntima de pai e filho com Deus através do nascimento natural; alcança-se, sim, mediante o novo nascimento. É o que acontece quando uma pessoa crê e deposita sua fé em Jesus Cristo. “Mas, a todos quantos o receberam, aos que creem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus” (João 1.12). “Pois todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus” (Gálatas 3.26). “Assim, pois, não sois mais estrangeiros, nem forasteiros, antes sois concidadãos dos santos e membros da família de Deus” (Efésios 2.19).

Pai da criação. Um terceiro aspecto de Deus ser chamado de Pai na Bíblia está associado ao universo criado. Ele é o Pai por ser o Criador, a fonte e o sustento da criação. O apóstolo Paulo disse: “Porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos; como também alguns dos vossos poetas disseram: Pois dele também somos geração. Sendo nós, pois, geração de Deus, não devemos pensar que a divindade seja semelhante ao ouro, ou à prata, ou à pedra esculpida pela arte e imaginação do homem” (Atos 17.28-29).

Concluindo, Deus é chamado de Pai na Bíblia nos seguintes aspectos:

  1. Deus é chamado de Pai por ser a primeira pessoa da Trindade. Ele é o Pai eterno de Jesus Cristo — Deus, o Filho. O relacionamento deles é singular.
  2. Deus é Pai no relacionamento íntimo com todos aqueles que investem sua fé nele.
  3. Deus é Pai como Criador e Sustentador de toda a criação.
  • Deus, o Pai, É uma Pessoa Distinta de Deus, o Filho?

Há quem afirme que Deus, o Pai, e Deus, o Filho, são a mesma pessoa. Esses sustentam que o Filho é uma mera manifestação, evolução ou atribuição do Pai. Contudo, a Bíblia afirma que o Pai e o Filho são pessoas diferentes. Não são idênticos. Ela ilustra esta verdade de várias formas.

O Pai foi quem gerou, e o Filho é que foi gerado. Faz-se menção do Filho como tendo sido gerado pelo Pai. A palavra significa “sem igual”; ela não comporta o sentido de ter sido criado ou nascido. Jesus é o único Filho “sem igual” de Deus. “Ninguém jamais viu a Deus. O Deus unigênito, que está no seio do Pai, esse o deu a conhecer” (João 1.18). “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito…” (João 3.16).

O Pai enviou o Filho. Outra distinção entre o Pai e o Filho está no fato de que o Pai foi quem enviou, e o Filho foi o enviado. Jesus disse que Deus, o Pai, o enviou ao mundo. “Àquele a quem o Pai santificou, e enviou ao mundo, dizeis vós: blasfemas; porque eu disse: Sou Filho de Deus?” (João 10.36).

O apóstolo Paulo também testificou que o Pai enviou o Filho ao mundo. “Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido debaixo de lei” (Gálatas 4.4).

O Pai deu testemunho do Filho. A Bíblia diz que Deus deu testemunho do Filho. “Se eu der testemunho de mim mesmo, o meu testemunho não é verdadeiro. Outro é quem dá teste­munho de mim; e sei que o testemunho que ele dá de mim é verdadeiro. É o Pai que me enviou, ele mesmo tem dado teste­munho de mim…” (João 5.31-32,37).

Jesus estava se dirigindo aos líderes religiosos nesta passagem. Ele disse que não era o único a dar testemunho de si mesmo. Citou o testemunho de João Batista e o de Deus, o Pai.

Jesus contrastou seu testemunho com o do Pai, indicando que são duas pessoas distintas. O Pai complementa o testemunho da pessoa de Jesus.

As duas pessoas divinas — Deus, o Pai, e Deus, o Filho — existem eternamente, são distintas e mantêm um relacionamento interpessoal. No Jardim do Getsêmani, por exemplo, Jesus não orou a si mesmo, mas ao Pai. A Escritura ensina, então, que o Pai é uma pessoa distinta do Filho porque:

  1. O Filho foi gerado pelo Pai.
  2. O Pai enviou o Filho à terra.
  3. O Pai deu testemunho do Filho.

Não podemos deixar de dizer que o Espírito Santo, a terceira pessoa da Trindade, também se distingue do Pai e do Filho. Como ensina a Bíblia, os três integrantes da Trindade — o Pai, o Filho e o Espírito Santo — mantêm um relacionamento interpessoal eternamente e distinguem-se entre si.

  • Que Concepções da Trindade São Incorretas?

Estudando a Escritura, constatamos que Deus é um ser triúno por natureza. Ele é o único Deus, manifestando-se em três pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Ao longo da história do Cristianismo surgiram outras concepções para explicar a natureza de Deus que divergiam do que a Bíblia afirma. Entre as mais conhecidas citamos o unitarismo e o modalismo.

Unitarismo. O unitarismo caracteriza-se pela crença de que é incorreto afirmar que Deus existe em três pessoas. Deus é uma unidade; ele é um em essência e em pessoa.

O unitarismo originou-se no século IV quando Ário, um bispo de Alexandria, negou que Jesus era o Deus eterno. Ário ensinava que a natureza de Jesus era superior à do homem, mas inferior a de Deus. Negava também que o Espírito Santo fosse Deus.

O unitarismo moderno iniciou-se no século XVI, por intermédio de um homem chamado Socino. No entender de Socino, a morte de Cristo na cruz pelos pecados da humanidade foi desnecessária. Ao invés de crer que Jesus era um Salvador divino, ele pregava que Deus conferiu a Jesus o poder divino como um gesto de benignidade para com o seu povo.

Embora rejeitassem a doutrina da Trindade, os unitaristas dos séculos XVII e XVIII viam Jesus como aquele que recebeu uma comissão especial de Deus. Eles ensinavam que Jesus revelou verdades de Deus, que o homem, mediante o raciocínio, não tinha condições de conhecer. No século XIX, porém, houve uma mudança na postura unitarista. Desenvolveu-se no unitarismo uma escola de pensamento anti-sobrenatural, por influência da alta crítica alemã da Bíblia. Os unitaristas passaram a duvidar dos quatro Evangelhos como fontes autorizadas e rejeitaram a exclusividade do Cristianismo. Esta rejeição já era parte da crença do unitarismo primitivo. O que aconteceu com a postura anti-sobrenaturalista foi que a bondade do homem recebeu maior ênfase do que a existência e o poder de Deus.

Atualmente, o unitarismo não se atribui a nenhum conjunto de doutrinas em particular. O que o sustenta é a crença fundamental na bondade do homem e no fato de que Deus não está limitado a nenhuma revelação em especial, como a Bíblia, podendo ser encontrado em diversas religiões.

Modalismo. A concepção do modalismo acerca da natureza de Deus também é incorreta. Ensina que Deus é um, e que as três pessoas mencionadas na Bíblia — o Pai, o Filho e o Espírito Santo — são modos ou manifestações do Deus uno. Não existem pessoas distintas na natureza de Deus, segundo o ponto de vista modalista.

A finalidade original do modalismo era preservar o monoteísmo (ou seja, a crença na existência de um único Deus) ao mesmo tempo que aceitava a divindade de Cristo. Acontece que a trindade do modalismo é uma trindade de manifestações, o que significa que as três pessoas são expressões da pessoa única de Deus. A Trindade que a Bíblia menciona é uma trindade de pessoas, o que significa que a natureza do Deus único comporta três pessoas distintas. O modalismo solapa também o ensinamento bíblico de que Deus nunca muda, pois exibe um Deus que muda de expressão. A Bíblia pinta um Deus imutável. “Pois eu, o Senhor, não mudo…” (Malaquias 3.6).

Além disso, o modalismo diminui a obra mediadora de Cristo. A Bíblia explica que Jesus é o Mediador entre Deus e o homem. “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1Timóteo 2.5).

Seguindo a concepção modalista de Deus, de que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são a mesma pessoa, verificaríamos que Deus estaria servindo de mediador para si próprio. Isto não é bíblico nem lógico.

Podemos concluir que tanto o unitarismo quanto o modalismo apresentam concepções da Trindade que não estão de acordo com o ensinamento bíblico.

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Fonte: “1O3 Perguntas que as Pessoas Mais Fazem Sobre Deus”, Don Stewart, JUERP, 3ª edição, 199O.


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1 Comentário

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  1. Seus é insondável. Esforço inútil quererem chegar a uma conclusão.

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