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Distorções doutrinárias do Movimento Celular

por Artigo compilado - sex out 02, 4:49 pm

O final da década 1990 foi marcado por muita expectativa do acesso ao novo milênio. A campanha da Nova Era, que propagava o fim da era de Peixes e início da era de Aquário; a ameaça do bug do milênio, onde o sistema de informatização provavelmente entraria em colapso; os simpatizantes de seitas apocalípticas, que apregoavam o final do mundo. Enfim, muita expectativa e indefinições permeavam a mente de muita gente. No seio evangélico, aqui no Brasil surgiu uma novidade, que de forma profética anunciava a chegada de um novo tempo para conquistas. A igreja não seria mais a mesma. Iria crescer em proporções extraordinárias e as pessoas seriam totalmente transformadas. Esse era o tom do discurso do G12, movimento que chegou com a promessa de em pouco tempo transformar-se no maior aglomerado de evangélicos do país.

No livro dos Atos dos Apóstolos, encontramos a igreja do Senhor Jesus crescendo e se multiplicando em meio a muitas provações e ameaças. Havia intensa e genuína pregação da Palavra de Deus. Houve até quem examinasse as Escrituras para verificar a veracidade da pregação do apóstolo Paulo.

Percebe-se a preocupação com o crescimento, não tanto em relação a número, quanto em se fazer conhecida a Palavra de Deus aos incrédulos e aos que iam sendo acrescentados. Naturalmente, a ênfase estava na vida da igreja, mais que na adoção de métodos de crescimento e multiplicação.

As evidências da adoção de uma estratégia de expansão missionária, nos mostram que a preocupação não estava na busca de resultados de crescimento em uma progressão aritmética ou geométrica, mas em que os convertidos fossem discipulados e consequentemente se tornassem pregadores pelo testemunho e a exposição da Palavra. Cumpria-se cabalmente o ensino de Atos 1.8 e os resultados podemos ler em Atos 2.47, 6.7 e 9.31.

Qual era o segredo de todo aquele crescimento? É que os apóstolos criam na soberania de Deus em realizar a sua obra. A conversão não era um ato de convencimento ou sugestionamento, mas obra de Deus na regeneração e transformação do coração do homem. Foi assim que entenderam os apóstolos, muitos pais da Igreja, os reformadores, os puritanos e muitos outros homens de Deus no passado. Criam que Deus se utilizava de seus servos para semear, mas o crescimento era Ele que dava.

Muitos estão se deixando levar pelo encanto das fórmulas mágicas de produzir “cristãos”, pela persuasão psicológica ou pelo convencimento lógico. Buscamos sim, o crescimento da igreja do Senhor Jesus, para a qual ele nos tem chamado para ser pastores e líderes, mas no modelo bíblico, sem arranjos, crendo que, como membros do corpo, uns semeiam, outros regam “mas o crescimento vem de Deus. De modo que nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus que dá o crescimento” (ICo 2.6-7).

A igreja evangélica brasileira tem vivido, nas três últimas décadas especialmente, uma fase de frenesi constante de novidades contemporâneas. A bem da verdade, duas coisas devem ser assinaladas: primeiramente, não se trata de um caso tipicamente brasileiro, uma vez que tais novidades surgem tanto fora quanto dentro do país. É até importante que se diga que, aparentemente, o que vem de fora encontra uma ressonância mais rápida e mais inconteste em nosso meio. Talvez isso resulte da facilidade que o brasileiro tem de importar as coisas sem questionar se prestam. Em segundo lugar, está fora de dúvida que várias dessas novidades não o são no sentido mais exato da palavra, porquanto em algum lugar, em alguma fase da história da igreja no passado, pode-se identificar um precedente da mesma tendência.

O que impressiona é a facilidade com que vários ministros, supostamente de formação reformada, se encantam e se deixam levar por tais novidades sem qualquer juízo crítico ou escrúpulo. Infiltrar novidades duvidosas no meio evangélico em geral é até compreensível. O que preocupa, e muito, é a facilidade com que as mesmas se infiltram no meio de igrejas, pela iniciativa de pastores que receberam um treinamento teológico formal, de natureza reformada (pelo menos em tese), que afirmam conhecer o sistema confessional de sua igreja e o conteúdo doutrinário de sua teologia bíblica. Felizmente há muitos que, passado algum tempo, voltam atrás e percebem a inconsequência de sua precipitação lembremo-nos de Provérbios 19.2: “Não é bom proceder sem refletir, e peca quem é precipitado”.

O profeta Habacuque reclamou de Deus um despertamento no meio do seu povo dizendo: ”Ouvi, SENHOR, a tua palavra, e temi; aviva, ó SENHOR, a tua obra no meio dos anos, no meio dos anos faze-a conhecida; na tua ira lembra-te da misericórdia” (Hc. 3.2) Esse clamor de Habacuque é o clamor dos servos de Deus na atualidade.

Queremos um despertamento. A história da Igreja está permeada de exemplos de homens de Deus que se levantaram no meio do povo e proclamaram a necessidade de uma aproximação maior de Deus, e a busca de uma renovação espiritual contínua. Mas, há que se distinguir entre um verdadeiro avivamento promovido espontaneamente pelo Espírito Santo, e um avivamento espúrio, provocado pelo próprio homem.

O movimento celular não será o último vento de doutrina a invadir o arraial evangélico. Seus lideres atuais já abraçaram outros modismos no passado e certamente, abraçarão outros que virão. Por esta razão, deixamos aqui um alerta ao povo de Deus: Todo líder, igreja ou ministério que se abrem para um vento de doutrina, um modismo doutrinário ou uma aberração teológica, estarão sempre abertos para a próxima onda quando aquela arrefecer. Que Deus nos ajude a permanecermos constantes, firmes na Rocha!

Sabemos que em toda a história do Cristianismo Bíblico nunca a denúncia e a exposição do erro tiveram aceitação. Atos 7.54 diz que aqueles que ouviam Estevão falar a verdade “enfureciam-se em seus corações, e rangiam os dentes”, porém o amor ao verdadeiro Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, e a responsabilidade bíblica que temos como cristãos, nos leva a “admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes” (Tito 1.9).

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I – A ORIGEM DO MOVIMENTO

OPUS DEI

Foi realmente o Padre espanhol Josemaria Escrivá de Balanguer y Albas o criador do G12, em 02 de outubro de 1928, organização por ele mesmo designada “Opus Dei” – Obra de Deus. O G12 Evangélico, quanto ao sistema, à metodologia operacional e ao psicologismo, teve como antecessor o G12 de Escrivá, herdeiro do romanismo de Torquemada[1]. Podem alegar mera coincidência, mas é inegável a procedência jesuítica da sigla, do sistema e dos métodos. No mínimo, há uso indevido do nome e do esquema programático.

Havia, na pré-organização, treze clérigos, todos com votos declarados e sacramentados pelo romanismo, de obediência, castidade e pobreza. Um deles, porém, renegou os referidos votos, contraindo matrimônio. Com os doze (12) comparsas fiéis e submissos, formou e estruturou o G12, que comparava, ousadamente, com Cristo e seus apóstolos, em que ocupava o lugar do Filho de Deus.

A finalidade era recrutar leigos proeminentes dos vários setores sociais, e nos pré-encontros trabalhar neles a “filosofia do sigilo”, a mais poderosa arma do jesuitismo, até ter a certeza da “fidelidade absoluta”. Os recrutados, sendo pessoas do mundo leigo, poderiam perguntar sobre que tipo de segredo havia no Encontro. A resposta orientada ou induzida deveria ser: não há segredo nenhum. Mantemos sigilo apenas para provocar a curiosidade. A principal recomendação dos recrutadores era: quanto mais despertarem a curiosidade a respeito da Opus Dei, mais divulgarão sua obra.

As manifestações externas mais divulgadas e difundidas, filhas prediletas do G12 da Opus Dei de Escrivá, foram e são “Os Cursilhos da Cristandade”, especialmente os que “trabalhavam” os casais, retirados de seus filhos e demais parentes e levados para lugares por eles completamente ignorados. A quebra de vínculos familiares implicava o rompimento das raízes tribais e o consequente comprometimento com o clero engajado na Opus Dei, a quem deveriam devotar irrestrito amor, respeito, obediência e submissão. O primeiro cursilho, organizado em sua própria casa, recebeu a sigla ou senha: “DyA” que, para os não iniciados do mundo externo, deveria significar “Direito e Arquitetura”, mas para os iniciados, os cursilhistas, o significado era: “Deus e Audácia”.

A Opus Dei, mãe do G12, dominou a política espanhola por muitos e tenebrosos anos, sendo, inclusive, uma das mãos políticas do ditador Generalíssimo Franco[2].

Via Colômbia. Da Europa Latina a Opus Dei passou à América Latina, aportando-se na fragilíssima, e por isso mesmo catolicíssima Colômbia, onde encontrou campo fértil. Dominou todo clero e penetrou fundo no mundo leigo. Da terra dos bionarcóticos espalhou-se para os demais países sul-americanos, encontrando no Brasil os braços abertos de um romanismo amancebado com a política, o animismo nativo, as superstições lusitanas e a iconolatria dos cultos africanos. Em nossa pátria, mais do romanismo que nossa, por meio de tão amplas, ecléticas e influentes parcerias, a Opus Dei, pelos seus tentáculos externos, os “Cursilhos da Cristandade”, com o G12 em operação, cooptou para o seu hermético redil o “melhor” da nossa sociedade: a elite do comércio, da indústria, da política e da intelectualidade.

Na mesma Colômbia, ninho migratório da Opus Dei, nasceu o “G12 Evangélico”, um casamento misto do método Cursilhista do padre Escrivá com a mística da “Igreja em Células” do avivalismo protestante sul-coreano de Paul Yonggi Cho. Concebeu-o o carismático neopentecostal César Castellanos Dominguez, que à semelhança do genitor da Opus Dei codificou sua “descoberta espiritual” num livro: Sonha e Ganharás o Mundo.

http://solascriptura-tt.org/Seitas/Pentecostalismo/G12DeEscrivaACastellanos-G12Evangelico-OFigueiredo.htm.

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AS PRIMEIRAS IGREJAS EVANGÉLICAS EM CÉLULAS NO BRASIL

Não há nada de errado em dividir a igreja em células, ou grupos familiares, para reuniões nos lares ou outros locais. Muitas igrejas ao redor do mundo têm feito isso, e até com bons resultados. Dependendo da região ou da cultura onde se aplica o processo, pode ser uma boa ideia ou não. Creio que um dos fatores que muito contribuiu para o crescimento da Assembleia de Deus no Brasil foi o culto doméstico. O culto doméstico era uma parte importante da programação da igreja. As reuniões nos lares eram usadas para a evangelização dos perdidos e para a edificação dos crentes. Não havia aberrações doutrinárias.

Um dos problemas em relação ao G12/MDA é a inserção de práticas, conceitos e ensinos nada bíblicos, tais como quebra de maldições hereditárias, cura interior, mapeamento espiritual, escrever os pecados em pedaços de papel e queimá-los na fogueira, revelações extrabíblicas e outros.

Mas, afinal de contas, o que é o Movimento de Igreja em Células no Modelo dos Doze? Qual a sua similaridade com a igreja em células desenvolvida pelo pastor coreano Paul Yonggi Cho? Por que os parâmetros e métodos do G12/MDA ainda estão causando tanta polêmica nos movimentos pentecostais?

O Movimento de Igrejas em Células no Modelo dos Doze, mais conhecido por G-12 (Grupo dos 12) ou Visão Celular, foi criado pelo pastor colombiano César Castellanos Dominguez, da Missão Carismática Internacional (MCI), em 1991. Isso ocorreu após sua visita à Igreja Central do Evangelho Pleno, do pastor David (Paul) Yonggi Cho, a maior do mundo, e que funciona com o sistema de células.

A responsável pela introdução do movimento no Brasil foi a Pra. Valnice Milhomens, como ela mesma relata: …tendo sido a pessoa responsável por trazer o casal ao Brasil, em junho de 1999, para uma Convenção em São Paulo, sob o tema: Avivamento Celular – Desafio Para o Século XXI, na qual mais de 3500 pastores de todos os segmentos evangélicos, representando todos os Estados da Federação, além de outros tantos líderes, se fizeram presentes, bebendo da unção que o Espírito de Deus liberou em profusão durante aqueles dias. Tendo sido a partir daquela Convenção que a visão de Bogotá se tornou conhecida em grande escala no Brasil, sendo aderida por muitos; sendo responsável pela tradução e publicação dos livros do Pr. César Castellanos Dominguez; tendo sido ungida pelo Pr. César como parte de sua equipe internacional e pastora da Missão…” Fonte: http://www.mundoevangelico.com/G12/ G12_001.htm – 17/09/2000.

Em agosto de 1998, o Pr. Renê Terra Nova, da Igreja Batista da Restauração de Manaus, participou de um encontro com o Pr. César Castellanos em Bogotá, Colômbia. Juntamente com a Pra. Valnice Milhomens, ele é um dos pioneiros do movimento celular no Brasil. Inspirado no trabalho do Pr. César Castellanos fundou o Ministério Internacional da Restauração (MIR), do qual é presidente. No final de março de 2005, Terra Nova se desligou do G-12, quando rompeu com Castellanos e adotou para sua igreja uma nova nomenclatura – Visão Celular (Movimento Celular, M12). No Brasil, outras lideranças significativas, o bispo Robson Rodovalho, fundador da Comunidade Sara Nossa Terra, e o Pr. Márcio Roberto Vieira Valadão, Presidente da Igreja Batista da Lagoinha em Belo Horizonte/MG, também abraçaram desde o início a visão do G-12.

https://www.facebook.com/permalink.php?id=1406010899614529&story_fbid=141812210507007.

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A INFLUÊNCIA DE DAVID (PAUL) YONGGI CHO

Nascido em 14/02/1936, recebeu o nome de Yonggi Cho, incluiu o primeiro nome Paul para facilitar o contato com os ocidentais, mas depois mudou seu nome para David Yonggi Cho, seguindo uma revelação do Espírito Santo. É o pastor da maior igreja evangélica do mundo, a Igreja do Evangelho Pleno de Yoido, com 830 mil membros (2014).

O Pr. David (Paul) Yonggi Cho nasceu em um lar budista e foi assim até os 19 anos, quando após ficar doente de tuberculose converteu-se à fé cristã. Após a sua conversão, ele se uniu à Igreja Assembleia de Deus, inicialmente servindo como intérprete aos missionários norte-americanos. Em 1958, começou a pregar num bairro pobre de Seul. Pregava para poucas pessoas, mas depois a membresia foi aumentando. Após o serviço militar, abriu um novo templo em Seodamun, em 1961, com 1500 membros. Após um tempo casou com Kim Sung Hye e tiveram três filhos.

Nesta época também implantou uma estratégia de evangelismo de reuniões eclesiásticas nas casas dos membros, o que fez com que a igreja crescesse bastante. O Pr. Cho viu sua igreja se transformar de uma pequena e pobre comunidade evangélica para a condição de maior igreja do mundo. Uma explosão de crescimento que desafia, até os dias de hoje, a compreensão humana. Através de seus livros, divulgou amplamente o sistema das células, inspirando o colombiano César Castellanos a criar o movimento conhecido como G12. Segundo o Pr. Abraão de Almeida, o modelo seguido pelo Pr. Cho foi baseado nos pontos de pregação das igrejas do Brasil, que ele conheceu quando visitou nosso país.

Apesar da inspiração do G12/MDA ter sido retirada das pregações de Paul Yonggi Cho, não é ele o criador nem defensor dessa prática, inclusive nas suas células o número limite para a divisão era 15 e não 12. O Pr. Cho também nunca realizou “encontros”. Ele inspirou tão somente o modelo de pregação em células familiares, da forma como é praticada pela maioria das denominações cristãs pentecostais.

Os objetivos das células do Pr. Cho são:

  • células familiares;
  • crescimento biológico, natural, por progressão geométrica;
  • grupos de 1 até 30 (ou 40) pessoas, quando então aluga-se um templo;
  • líderes designados;
  • líderes formados por meios tradicionais como seminários, escolas bíblicas e discipulado;
  • estrutura de células heterogêneas, no estilo de Escola Bíblica Dominical a domicílio;
  • a igreja permanece com o mesmo sistema de cultos, com serviços de oração, doutrina, grupo de jovens etc.
  • trabalha o caráter do discipulado.

O crescimento de sua igreja fez com que viessem polêmicas. Entre elas está a de ter feito uso da visualização direcionada para fazer sua igreja crescer, prática que defende abertamente no seu livro A Quarta Dimensão. O Pr. Cho é severamente criticado por Dave Hunt, Michael Horton, John Fullerton MacArthur e Paulo Romeiro, pois identificam essa prática com o Xamanismo[3].

O teólogo Harvey Cox o identificou como sendo influenciado por filosofias coreanas. As acusações fizeram com que as Assembleias de Deus da Coreia suspendessem sua ordenação temporariamente, até a investigação, que concluiu que suas crenças eram compatíveis com a Palavra de Deus (a Bíblia Sagrada). O livro A Sedução do Cristianismo critica-o. O Pr. Cho não responde às críticas.

Fonte: http://www.portaldopastor.com.br/2014/07/biografia-david-paul-yonggi-cho.html.

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O PR. CÉSAR CASTELLANOS DOMINGUEZ

O Pr. César Castellanos tomou a decisão de seguir Jesus como um cristão, aos 18 anos, por causa de um professor ateu, que falava com seus alunos sobre a Bíblia. Intrigado por que um ateu lia a Bíblia e ele não, começou a ler, converteu-se e sua vida começou a mudar. Casou-se com Claudia Rodriguez, tiveram quatro filhas e um filho adotivo.

Inspirado no pastor sul coreano David (Paul) Yonggi Cho, o pastor César Castellanos Dominguez iniciou no ano de 1983 a implantação em solo colombiano do que viria a ser conhecido como Missão Carismática Internacional (MCI). A igreja no modelo de células, na Colômbia ganhou a forma de governo composta pelo líder e doze discípulos, diferente da adotada pela Igreja em Células do Evangelho Pleno, do sul coreano Pr. David (Paul) Yonggi Cho, que aplica naquela igreja a forma de governo tradicional das Assembleias de Deus. Fonte:

(http://www.ebah.com.br/content/ABAAAgNCAAK/governo-eclesiastico-no-modelo-dos-doze?part=3).

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4.1 A Visão do Pr. Castellanos

Após alguns anos, a igreja presidida pelo Pr. Castellanos estagnou e apresentava crescimento mínimo. Em 1991, ele disse ter recebido do próprio Deus uma revelação profética, em resposta às suas orações pelo crescimento da igreja. Em seu livro “Sonhas e Ganharás o Mundo”, o pastor Castellanos aponta:

“Em 1991, sentimos que se aproximava um maior crescimento, mas algo impedia que o mesmo ocorresse em todas as dimensões. Estando em um dos meus prolongados períodos de oração, pedindo a direção de Deus para algumas decisões, clamando por uma estratégia que ajudasse na frutificação das setenta células que tínhamos até então, recebi a extraordinária revelação do modelo dos doze. Deus me tirou o véu. Foi então que tive a clareza do modelo que agora revoluciona o mundo quanto ao conceito mais eficaz para a multiplicação da igreja: os doze. Nesta ocasião, ouvi o Senhor dizendo-me: vais reproduzir a visão que tenho te dado em doze homens, e estes devem fazê-lo em outros doze, e estes por sua vez em outros doze”.

O Pr. Castellanos passou a ensinar, que pela utilização dos sonhos todos nós podemos provocar transformações no mundo real. Ao afirmar que “o mundo é dos sonhadores”, ele coloca como condição para que recebamos tudo de Deus atrever-nos a sonhar (Sonha e Ganharás o Mundo, p. 22). Procurando respaldo na Bíblia, ele cita textos distorcendo sua interpretação. Por exemplo, ele diz que Neemias agasalhou dentro de si um sonho, restaurar Jerusalém, e deixou-se engravidar por isso, visualizando Jerusalém já reconstruída:

“Neemias era um profeta que estava cativo na Babilônia, quando recebeu a notícia de que seu povo se encontrava em dificuldades e os muros de sua cidade destruídos. Quando ouviu isto, sentiu uma dor profunda em seu coração, porém ao mesmo tempo começou a agasalhar dentro de si mesmo um sonho… o profeta teve a visão de restaurá-la e se deixou engravidar por isto…” (Idem, p. 19).

Mais adiante, o Pr. Castellanos relata um suposto diálogo com Deus, onde o Senhor lhe ordena:

“Sonha, sonha com uma Igreja muito grande, porque os sonhos são a linguagem de meu Espírito. Porque a igreja que hás de pastorear será tão numerosa como as estrelas do céu e como a areia do mar, que de multidão não se poderá contar” (Idem, p. 20-21).

Distorção doutrinária: Vejamos o que diz a Bíblia:

“E sucedeu que, ouvindo eu estas palavras, assentei-me e chorei, e lamentei por alguns dias; e estive jejuando e orando perante o Deus dos céus” (Neemias 1.4).

“E o rei me disse: Que me pedes agora? Então orei ao Deus dos céus” (Neemias 2.4).

Está claro que a atitude de Neemias foi CHORAR, LAMENTAR, JEJUAR E ORAR. Esta é a verdadeira linguagem que encontramos na Bíblia.

O uso dessa alquimia mental é baseada em crenças de seitas ocultistas, e permeia toda a literatura da Nova Era, não tendo qualquer respaldo nas Escrituras Sagradas. Ademais, quase todas as seitas tiveram sua origem em sonhos ou visões recebidos como se fossem de Deus, por exemplo: Ellen Gould White (Adventismo), Mary Baker Eddy (Ciência Cristã), Sun Miyung Moon (Igreja da Unificação), Joseph Smith (Mormonismo) entre outros (Jr. 14.14-16 e 23.16,32.

Ainda na tentativa de colocar um selo de aprovação em sua mensagem, o Pr. Castellanos afirma que o próprio Deus utilizou-se deste método. Vejam o que ele escreveu:

“Tudo quanto temos feito como Missão Carismática internacional, começou com um sonho, como todas as coisas criadas por Deus. Primeiro, Ele sonhou, depois planejou, desenhou e executou” (Sonha e Ganharás o Mundo, p. 22).

Distorção doutrinária: Contrastando fortemente com este ensino, a Bíblia nos diz que Deus é Criador, Sustentador, Redentor, Juiz e Senhor da história e do universo, e que “pela fé entendemos que os mundos pela palavra de Deus foram criados” (Hebreus 11.3). O salmista diz de Deus: “Ó Senhor, quão variadas são as tuas obras! Todas as coisas fizeste com sabedoria; cheia está a terra das tuas riquezas” (Salmos 104.24). Em nenhum ponto das Sagradas Escrituras encontramos, ainda que supostamente, alguma indicação de que Deus sonhou ou é um sonhador.

Na visão do trono de Deus em Apocalipse 4, o apóstolo João nos relata que os vinte e quatro anciãos adoravam o Senhor dizendo: “Digno és, Senhor de receber glória, e honra, e poder; porque tu criaste todas as coisas, e por tua vontade são e foram criadas” (Apocalipse 4.11).

É importante não perder de vista que apesar desta ideia de produzir a realidade através de sonhos incubados (ou visualizados) na mente, estar ausente nas Escrituras, ela está presente em toda a literatura ocultista, sendo um dos seus recursos fundamentais.

Este engano sutil tem levado muitos cristãos sinceros a substituir a verdade por sonhos e imagens. Não são os nossos sonhos, nem a formação de imagens mentais, que irão produzir ou determinar isso ou aquilo, mas a Soberana Vontade de Deus, a qual, a despeito de nossa vontade, irá produzir a gloriosa manifestação dEle na vida do crente.

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4.2 A Visão É Confrontada

Trabalhos de pesquisadores sobre as possíveis heresias cometidas pelo G12, foram divulgados em larga escala no seio evangélico brasileiro. Num desses trabalhos, o pastor presbiteriano Ornelas Cezar Filho descreve o seguinte panorama:

“No livro do Rev. Anselmo Chaves (Os Cursilhistas), ele diz: veja bem, em 1973, que houve um congresso latino-americano do Movimento dos Cursilhos da Cristandade em Bogotá, capital da Colômbia, em 1968, que teria servido para a difusão desse movimento em toda a América Latina. Ora, como pode alguém dizer que recebeu uma revelação do Espírito Santo, em 1991, de algo que mudaria o mundo, mas que já existe desde os anos 30, como movimento de outra religião? E o pior: “o que é dito que o Espírito Santo teria mostrado a esse senhor, em 1991, já existia, e, veja bem, em Bogotá. Assim, Bogotá, a terra de origem do G12 é, também, o mesmo lugar de um grande congresso, em 1968, dos Cursilhos da Cristandade!” Alguém precisa confrontar esse senhor, sobre a sua revelação de 1991, com o fato histórico do congresso latino-americano de 1968, onde se tratou do mesmo programa de avivamento…”

“O Rev. Anselmo Chaves havia escrito esse livro (Os Cursilhistas), justamente para combater, até radicalmente, o Movimento dos Cursilhos da Cristandade, veja bem, em 1973. Ele, depois de ser um católico praticante, português de nascimento, converteu-se à fé evangélica, e se tornou um pastor protestante. Nisto, eu já tinha um livro, de Valnice Milhomens, que respeito muito, ainda que pense diferente, onde ela citava um outro livro, do Apóstolo César Castellanos de 1991 (Sonha e Ganharás o Mundo). Ora, se alguém aparece, dizendo que, em 1991, recebeu “a extraordinária revelação do modelo dos doze…”, mas algo que, veja bem, em 1973, um pastor já combatia como um movimento do Catolicismo Romano, eu só pude pensar nisto: É FRAUDE! Note bem, eu tinha um documento nas minhas mãos! Um livro de 1973, já com suas folhas amareladas pelo tempo, que trazia exatamente o que traz a “revelação do Espírito Santo de 1991”, e uma dura contestação a ela. Eu tinha, nas minhas mãos, uma prova documental, e a tenho bem guardada. Não desejo criticar diretamente os Cursilhos da Cristandade dos católicos, esta não é minha intenção, em o fazendo, é apenas circunstancial, mas o que vejo com a mais absoluta restrição é o fato de alguém dizer que teve uma revelação do Espírito Santo em 1991, que revolucionaria o mundo, mas algo já servido à mesa católica desde os idos de 1930, e já falada e combatida por um outro pastor em 1973. É aqui que começa o engano no nosso meio, de uma “revelação” de algo já existente, há anos, no seio católico romano. Assim, vi que o movimento do G12 é uma fraude profética, antes de tudo. Vergonha para os católicos? Não! Eles têm o direito de ter os seus programas de treinamento das suas ovelhas, sem dúvida. Vergonha para nós, em que alguém aparece com algo novo no nosso meio, dizendo que Deus lhe mostrou, mas que já é “comida de ontem em outra mesa”.

Fonte: Pr. Ornelas Cezar Filho no artigo “G12 de Dom Escrivá a Castellanos” – site https://bereianos.blogspot.com.br/2008/04/ponto-final-sobre-verdade-do-g12m12-e.html.

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A REAÇÃO DAS IGREJAS TRADICIONAIS BRASILEIRAS

5.1 A Convenção Batista Brasileira

Em 18 de setembro de 2000, a Convenção Batista Brasileira (CBB) divulgou um manifesto à sua liderança sobre a chegada do G12 no Brasil. À luz de suas convicções de fé (credo religioso), a CBB no item 5 desse manifesto, e em sua exortação e recomendação destaca:

“5. Não aprovamos o Modelo G12, já no chamado “Encontro Tremendo” que emprega métodos e procedimentos que vêm ao arrepio dos princípios e ensinos das Santas Escrituras; já na compreensão de que todos os crentes são potencialmente líderes, pois isso contraria a diversidade de dons que a Bíblia ensina e a experiência eclesiástica confirma. Nem todos receberam o dom de liderar, mas todos com certeza receberam dons que os habilitam a servir no corpo de Cristo.

Nossa Exortação e recomendação

Exortamos pastores e igrejas a cumprirem o que ordena Paulo aos Tessalonicenses: Examinai tudo, retende o bem. Nunca venham a adotar e apregoar, como definitivo e de valor absoluto, qualquer método, modelo ou programa de igrejas que eventualmente tenha produzido frutos noutras culturas e noutros lugares. Cada método ou modelo deve ser confrontado com os princípios bíblicos e, se passar por esse crivo, deve ser reajustado à necessidade da igreja.

Recomendamos que o G12, como qualquer modelo de igrejas em células ou grupos nos lares, deve ser rejeitado quanto a sua pretensão de revelação final de Deus para a Igreja hoje; mas pode ser aproveitado, em principio, naquilo em que não conflitar com as Escrituras e a teologia e eclesiologia que delas decorrem e nós adotamos como povo cristão, evangélico e batista. Pr. Irland Pereira de Azevedo – relator”.

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5.2 A Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil

Conselho de Doutrina divulga manifesto alertando líderes sobre ameaças do Movimento Grupo G-12 – CONVENÇÃO GERAL DAS ASSEMBLÉIAS DE DEUS NO BRASIL MESA DIRETORA.

Em virtude do abençoado crescimento das Assembleias de Deus no Brasil, grupos estranhos de pseudos evangélicos trabalham em planos cientificamente preparados, usando forte marketing, tentando dividir e enfraquecer a Igreja de Deus.

No desejo de verem suas igrejas crescerem, desprezam o mais eficiente e aprovado método bíblico contido no livro de Atos dos Apóstolos, aceitando e envolvendo outros nos “Encontros” – modelos reprovados pela Palavra de Deus.

As tais reuniões secretas do G-12, são práticas semelhantes às usadas pelo espiritismo. Essa nova tática vem promovendo mudanças na liturgia das igrejas, permitindo seus participantes tornarem seus cultos uma verdadeira confusão, onde a decência e a ordem não mais existem, além de tirar a liberdade da verdadeira adoração a Deus. São novas heresias iguais a outras que tentam eliminar a eficácia da morte de Jesus no Calvário.

O G-12 leva seus participantes a pronunciamentos, confissões e até chegam à petulância de dizer que perdoam Deus, afirmando ser “uma nova visão, uma coisa tremenda”, induzindo as pessoas a aceitarem adendos e retoques à obra do Calvário. O plano de Deus realizado por Jesus na cruz é completo, perfeito, insubstituível e não aceita apêndices. Lamentavelmente, alguns irmãos e até obreiros embriagaram-se com o G-12.

O apóstolo Paulo nos advertiu em Gálatas 1.8: “Mas ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregasse outro evangelho além do que já pregamos, seja anátema”.

(…)

Depois de desfrutarmos do atendimento cuidadoso do Espírito Santo, por 90 anos, comprovado pela expansão das Assembleias de Deus no Brasil, será que precisamos dessas aventuras “evangélicas” importadas, para vermos crescer nossas igrejas?

(…)

É de vital importância a vigilância pelos nossos pastores para proteger o rebanho do Senhor contra os exploradores, cuja visão, “a tremenda”, não é a espiritual, mas é fatia comercial, com o objetivo de obter o já previsto por tais aproveitadores. As práticas estranhas da quebra de maldição, cura interior e regressão, acompanhadas de música indutiva, incentivando as pessoas à técnica de “liberar” gritos, danças e urros, nunca fizeram parte do nosso culto a Deus. “Que direis pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação” (ICo. 14.26-31). A aceitação dessas inovações anti-bíblicas já está produzindo o resultado desejado por esses senhores – a divisão de grupos em nossas igrejas.

A “tremenda” regressão tão propalada pelos praticantes do G-12, é uma tentativa de anular o perdão de Jesus, recebido por nós. Tenta também aniquilar o valor da purificação do sangue de Jesus. Portanto, tudo isso não passa de heresia (leia Is.38.17; Jr. 31.34 e Mq. 7.18-19).

A fogueira santa usada para a queima das listas de pecados, os ambientes escuros e os gritos de libertação, não fazem parte do culto da Assembleia de Deus, e têm mais semelhanças com práticas do candomblé e outras filosofias e seitas secretas ou ocultas. Pastores, líderes obreiros, irmãos em Jesus Cristo, Deus nos colocou como verdadeiros atalaias. Despertemos!

“Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes” (Tt. 1. 19).

Mesa diretora da CGADBPr. José Wellington Bezerra da Costa Presidente.

Extraído do jornal Mensageiro da Paz, 1 a 15 de maio de 2000, pgs. 10-11.

Em síntese: a maior igreja do Brasil não aprovou a nova visão divulgada pelo movimento G12. O Conselho de Doutrina da Convenção Geral das Assembleias de Deus, se mostra atuante na orientação da liderança da igreja, no sentido de que se feche as portas para a doutrina do G12, a qual qualifica de evangelho falsificado.

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5.3 A Reação dos Líderes do G12

O movimento do G12, assim que se viu literalmente atacado, teve de recuar em sua estratégia e se rearticular para então conquistar espaço. A liderança do G12 não contava com tamanha resistência. As acusações a respeito de que nos encontros secretos se fazia terapia para cura interior, bem como a regressão, onde os participantes eram “sugestionados” a se verem novamente como fetos no interior da barriga da mãe, para então, a partir dali, vir se restaurando até chegar no presente, se alastraram como um vento forte pelo território brasileiro. Muitos que tinham adotado o sistema de governo dos doze, retrocederam, ou então somente declaravam ser igreja em células. A sigla G12 recebeu a pecha de seita herética.

Recuar foi uma estratégia necessária, e a liderança do G12, então adotou uma postura light, e passou a divulgar que tudo aquilo não passava de um mal entendido. No novo discurso, o G12 pregou a unidade, a honra, e disse ser uma estratégia para a frutificação rápida e eficaz da igreja de evangelismo agora sistematizado e, com metas a serem alcançadas. A liderança se encontrava motivada a cumprir o ide do Senhor, usando como estratégia as células e os pequenos grupos de oração e estudo da bíblia.

Realizadas estas adequações, o movimento prosseguiu de forma mais cautelosa e foi amealhando adeptos nas diversas congregações. Com o rompimento do Pr. Renê Terra Nova com o Pr. César Castellanos, o movimento ganhou uma cara mais abrasileirada e surgiu o M12, uma cópia do G12, que se espalhou por todos os recantos do pais. Hoje estabelecido, o movimento já não encontra muita resistência e alguns críticos do passado passaram a condição de colaboradores.

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II – O GOVERNO DOS DOZE

POR QUE “12”?

O Pr. César Castellanos explica:

“Pedi a direção do Senhor, e Ele prometeu dar-me a capacidade de preparar a liderança em menos tempo. Pouco depois abriu um véu em minha mente, dando-me entendimento em algumas áreas das Escrituras, e perguntou-me: Quantas pessoas Jesus treinou? Começou desta maneira a mostrar-me o revolucionário modelo da multiplicação através dos doze. Jesus não escolheu onze nem treze, mas sim doze” (Sonha e Ganharás o Mundo, p. 78).

Outros exemplos bíblicos são citados, como as 12 pedras no peitoral do sacerdote (Êx. 28.29); também com 12 pessoas Jesus alimentou as multidões. Para reforçar o argumento de Castellanos, a Pra. Valnice Milhomens acrescenta:

“Podemos notar que o número doze, nas Escrituras, é o número de autoridade e governo… O dia tem 24 horas, que são dois tempos de doze. Cada ano tem doze meses. O relógio não pode ser de 11 ou de 13 horas. Deve ser de doze horas, para que possamos administrar o tempo. Não foi um capricho de Jesus escolher doze homens. Ele sabia que estava ali a plenitude do ministério. Os fundamentos requeriam doze apóstolos” (Plano Estratégico para Redenção da Nação, p. 107).

Apontam também como base bíblica Ap. 21.12,14,21 e 22.2. Outros argumentos indicam que um dia tem doze horas, uma noite outras doze. O Sol rege doze horas e a Lua reflete o brilho do Sol por mais doze horas. O ano possui doze meses. Israel tinha doze estandartes quando saiu do Egito (Nm. 10.11- 18). Jacó teve doze filhos dos quais saíram as doze tribos de Israel (Êx. 28.21). Josué separou doze pedras e nelas escreveu os nomes das doze tribos (Js. 4.1-10). Doze homens foram espiar a terra prometida. Davi tinha doze chefes das tribos de Israel (ICr. 29.6) Salomão tinha doze chefes chamados príncipes (IRs. 4.7). Doze foram os cestos recolhidos da multiplicação de pães e dos peixes.

Entretanto, há outros números na Bíblia que também despertam a atenção. Por exemplo, o número três. Três é o número da Trindade. Três foram os presentes que os magos do Oriente ofertaram a Jesus. Três foram os principais patriarcas: Abraão, Isaque e Jacó. Três foi o número dos discípulos mais íntimos de Jesus: Pedro, Tiago e João.

O número sete também é bastante sugestivo. Em sete dias Deus fez o mundo. Durante sete dias o povo de Israel marchou em volta da cidade de Jericó, até conquistá-la. Instruído por Eliseu, Naamã mergulhou sete vezes no rio Jordão para ser curado de lepra. Sete foi o número dos diáconos escolhidos pelos apóstolos (Atos 6.5). Sete foram também as igrejas do Apocalipse.

Agora o número 40. Por 40 anos o povo de Israel peregrinou no deserto. Moisés esteve no monte durante 40 dias, jejuando e orando na presença de Deus. Jesus jejuou 40 dias no deserto, por ocasião de sua tentação.

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O QUE É O GOVERNO DOS DOZE?

No governo dos doze o modelo se fundamenta em um processo de relacionamento entre o líder e seus discípulos, princípio estabelecido por Jesus em relação aos seus discípulos. Desde a escolha, permaneceu sempre com eles no objetivo de conhecê-los e formá-los e também para que os seus discípulos O conhecessem plenamente. Aí está a unidade apregoada pelo G12.

O G12 exercita seu braço de trabalho social, pois entende ser isso o filão que o credencia como igreja fora das quatro paredes. A célula funciona como o portal desse assistencialismo, pois os frequentadores das células, nos locais de maior pobreza, se sentem a vontade para serem auxiliados em suas dificuldades diversas. O ambiente da célula promove maior proximidade e está isento dos formalismos, e portanto, propicia a interatividade igreja/povo.

Segundo a Visão das Igrejas em Células no Modelo dos 12, esse governo é um modelo de administração eclesiástica que sempre esteve no coração de Deus, e o número doze simboliza autoridade. Advogam que Jesus não escolheu onze e nem treze discípulos; selecionou doze para continuarem na propagação de sua visão ao mundo. É uma questão de fé sobrenatural e estratégia, que traz a seguinte interpretação dada pelo líder do Movimento, que aponta que o segredo está nos doze:

“É um modelo de liderança revolucionário que consiste em que o cabeça de um ministério seleciona doze pessoas para ver reproduzido nelas, tanto em sua vida quanto em seu caráter, a autoridade de Cristo, a fim de desenvolver a visão da igreja, facilitando assim a multiplicação. Estas doze pessoas selecionam outras doze e, estas, outras doze, para fazer com elas o mesmo que o líder fez em suas vidas” (Revista Escola de Líder Nível II, p.52 – Pr. César Castellanos Domingues).

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ESCADA DO SUCESSO

O modelo é estruturado a partir de uma dinâmica definida como Escada do Sucesso. Que consiste em quatro princípios: ganhar, consolidar, discipular e enviar:

Ganhar: Ocorre quanto um novo visitante é convidado para a célula e começa a manter uma certa frequência.

Consolidar: O membro é consolidado na célula com o principal objetivo de levá-lo para o Encontro com Deus.

Discipular: Após ter feito o Encontro o participante é treinado para liderar células na Escola de Líderes, que leva em média 4 a 5 meses.

Enviar: O novo líder está pronto para ser enviado, ou seja, para abrir uma célula.

Multiplicação:

O G12 é um governo que se multiplica através das gerações:

● Primeira geração: os 12;

● Segunda geração: os 144;

● Terceira geração: os 1.728;

● Quarta geração: os 20.736

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G12, M12, MDA…

Em março de 2005, o Pr. Castellanos registrou a marca “G12”, e informou aos seus seguidores que cobraria royalties das igrejas que utilizassem a sua marca registrada. O então Apóstolo René Terra Nova, que era um dos doze do pastor colombiano, desligou-se do G12, e adotou para sua igreja uma nova nomenclatura – Movimento Celular M12. Ele pediu para suas igrejas associadas jogarem fora todas as apostilas e livros do pastor César Castellanos. Lançou o “Resgatão”, um tipo de encontro onde resgata “tudo aquilo que o inimigo tomou”, inclusive resgata o G12 para o M12. Por isso é comum hoje encontrarmos igrejas que não usam mais o termo G12, mas continuam aplicando os mesmos ensinamentos aprendidos enquanto seguiam o pastor colombiano.

“René Terra Nova rompeu de forma tempestiva com Castellanos em final de março de 2005, numa situação muito mal explicada até hoje. Tal rompimento infelizmente não significou um retorno às Escrituras, pois Terra Nova continuou e continua até hoje usando os mesmos métodos do G12, tomando o cuidado apenas de não usar a expressão G12, pois esta sigla foi registrada pelo Castellanos, e hoje quem usá-la deverá de alguma forma pagar os devidos royalties à igreja de César Castellanos”. Fonte: A Carta de Renê Terra Nova a César Castellanos, Luiz Manoel da Silva, www.network54.com/Forum/40163/ message/113703 3836.

“Vivemos, sim, o tempo do “Evangelho de marketing”. E de marketing eu conheço, pois foi a minha área de formação profissional durante quase 20 anos, pois fui executivo de empresa comercial de grande porte. Por outro lado, temos uma geração de crentes que sente coceira nos ouvidos, querendo ouvir alguma novidade, como se o “velho” Evangelho já não fosse suficiente. De outro lado, vemos uma geração de pastores que engordam os seus próprios ventres com a gordura das ovelhas, como disse Ezequiel (Capítulo 34).

Agora, tenho conhecimento de que teria havido um “racha” no Movimento G12, e que fundaram outro: M12. E tudo seria porque começou-se a cobrar royalties (direito de propriedade) sobre a marca “G12”. Quem usar, tem que pagar!” Fonte: Ponto Final Sobre a Farsa do G12/M12, Pr. Orneas Cezar Filho, https://miquels777.wordpress.com/ 2009/10/17/ponto-final-sobre-a-verdade-da-visao-g12/.

A “visão” em questão assumiu várias formas e nomenclaturas, principalmente desde o final de março de 2005, quando Castellanos revelou aos seus seguidores, que a partir daquele momento ia querer receber um determinado valor das igrejas que usassem a marca G12. Por isto é comum hoje encontrarmos igrejas que não mais usam o termo “G12”, mas continuam aplicando os mesmos ensinamentos, ou melhor, distorções doutrinárias aprendidas enquanto seguiam Castellanos. Portanto, caso ouçam falar em “Movimento dos 12”, “M-12”, “Visão Celular”, “Igreja em Células”, ou algo parecido, certamente estarão diante dos mesmos ensinamentos originais do G12 com uma nova roupagem para que não seja necessário pagar nenhum royalty ao “profeta” original César Castellanos”. Fonte: http://www.cacp.org.br/mas-de-onde-veio-a-visao-celular/.

O movimento celular dividiu-se então em quatro partes: 1) denominações que se desligaram totalmente do movimento; 2) ministérios que implantaram alguns conceitos gedozistas (trabalham com células, fazem encontros e escolas de lideres, isto é, seguem parcialmente o modelo sem vínculo com Castellanos; 3) um grupo que acompanhou Renê Terra Nova e 4) um grupo que permaneceu ligado à Colômbia. As adaptações e alterações do modelo original foram feitas de acordo com a realidade de cada igreja.

O Pr. Márcio Valadão

Presidente da Igreja Batista da Lagoinha em Belo Horizonte, ministério bastante conhecido em função do grupo de louvor Diante do Trono, também se desligou do G-12 ainda em seu início, e atua parcialmente no modelo, isto é, realiza encontros e trabalha com células, porém sem líderes no formato piramidal, além de não estar debaixo de nenhuma cobertura espiritual gedozista atualmente. Além disso, o Pr. Márcio não utiliza e nem ostenta o título de Apóstolo.

O Pr. Robson Rodovalho

Fundador do ministério Sara Nossa Terra, também se desligou de César Catellanos, mas continua seguindo o modelo de células. No relato retirado do site oficial da sua igreja, ele não menciona ter sido um dos “doze” do Pr. Cesár Castellanos e chega a dizer “no Brasil não se sabe ao certo quando começou”.

“A expressão “Igreja em Células” surgiu em 1991, por meio do teólogo coreano David Yonggi Cho, mas se difundiu pelo mundo por meio do pastor colombiano César Castellanos, que criou grupos de encontro para falar de Deus, o G12. Assim a exemplo do G12, as células tem o objetivo de evangelizar, ou seja, ganhar vidas para Deus, de acordo com o mandamento do Senhor: “Ide por todo mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (MC 16:15). A estratégia das células – pequeno grupos de oração e estudo da Bíblia, define bem a ordem de Deus.

Outra prática do G12 é a de trabalhar o discipulado nas células, fundamentado no versículo “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”, Mateus 28.19.

No Brasil não se sabe ao certo quando começou, mas hoje grande parte das igrejas evangélicas usam as células como instrumento de evangelização. A Igreja Sara Nossa Terra, que tem como presidentes os Bispos Robson e Lúcia Rodovalho, é um exemplo disso. Para realizar uma célula, o interessado precisa fazer o encontro “Revisão de Vidas”, e depois participar do Instituto de Vencedores (IV). Dentro do IV é feito um treinamento específico para capacitar os líderes a realizarem a célula, o Treinamento de Abertura de Células (TAC). http://saranossaterra.com.br/noticias/a-importancia-das-celulas-nas-igrejas/.

Vale lembrar que G-12, M-12 e MDA não são denominações, mas uma filosofia eclesiástica. Atualmente há vários ministérios que aderiram ao movimento, como a Igreja do Evangelho Quadrangular e várias comunidades independentes. Batistas, Metodistas, Presbiterianos e Assembleianos se posicionaram contra o movimento, mas existem algumas congregações dessas denominações que utilizam o modelo parcialmente.

O movimento se fortaleceu em igrejas neopentecostais, principalmente as independentes, onde há menos resistência. Depois desses 17 anos de movimento G-12 no Brasil, o resultado ainda é semelhante de quando começou, exceto pelo número de adeptos. Continua tendo divisões, críticas, confusões e sobretudo, doutrinas controvertidas.

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COMO FUNCIONA O G 12

A igreja se divide em pequenos grupos denominados células. As pessoas são evangelizadas através das células, das reuniões na igreja ou de eventos evangelísticos. Depois de evangelizadas, começa o processo de consolidação. A pessoa decidida por Jesus responderá um questionário, chamado mapeamento espiritual, com uma grande variedade de perguntas sobre seu passado e de seus familiares. Algumas perguntas são bastante constrangedoras. Tal questionário vai dar ao líder da célula, ou ao discipulador, uma visão da jornada espiritual do novo discípulo. A pessoa então passará pelos seguintes estágios:

Fono visita. O decidido recebe um telefonema dentro de 48 horas, quando é marcada uma visita, recebe uma palavra de estímulo e oração.

Visita. O decidido é visitado e convidado a participar de uma célula.

Pré Encontro. Constituído de quatro palestras doutrinárias, sobre as verdades básicas da vida cristã: orientações sobre a Igreja, o senhorio de Cristo, mordomia e batismo.

Encontro. Num fim de semana o decidido é levado a um retiro espiritual de três dias, onde a pessoa receberá ministração, através de dez palestras, com vistas a ter um encontro real com Cristo, nas áreas de arrependimento, perdão, quebra de maldições, libertação, cura interior, batismo no Espírito Santo e a visão da igreja. É uma forma de acelerar seu crescimento espiritual. Para o Pr. César Castellanos, o encontro equivale a todo um ano de assistência fiel a igreja (Sonha e Ganharás o Mundo, p.91).

Pós Encontro. Quatro palestras para consolidação das vitórias alcançadas no Encontro.

Escola de Líderes. Formação para se tornar líder de célula e de um grupo de doze. São três trimestres, uma vez por semana, por duas horas. No primeiro trimestre são estudadas doutrinas bíblicas básicas e seminários, de acordo com o grupo (homens, mulheres, jovens). Tudo de modo simples e prático, voltado para a formação do líder de célula. Nesta fase o ensino é voltado para a vida com Deus e o caráter cristão. No segundo trimestre os estudos giram em torno da célula, e no terceiro sobre liderança.

Envio. Quando alguém começa uma célula de evangelismo a partir de três pessoas, torna-se líder de célula. Depois de sua célula consolidada, ele começa a formação do seu grupo de doze para discipulado, tornando-se líder de doze. Consolidado seu grupo de 12, ele estimula a cada um a formar seu grupo de doze. Surge então o líder de 144, e assim por diante.

6MDA – MODELO DE DISCIPULADO APOSTÓLICO

Já vimos que diante do registro da marca G12 pelo Pr. Castellanos, e consequentemente a cobrança de royalties, alguns pastores brasileiros fizeram adaptações no modelo, deram outros nomes para o projeto original Igreja em Células no Modelo dos Doze, e adotaram também outras siglas.

O MDA – Modelo de Discipulado Apostólico, criado pelo Pr. Abe Huber (Igreja da Paz em Santarém/PA) foi o mais exitoso deles, continua atraindo as lideranças evangélicas e está em expansão. O início do processo é idêntico ao modelo G12. O diferencial está no desenvolvimento do “discipulado”, com ênfase na pessoa do líder.

“Na visão do MDA, é possível à Igreja Local ganhar multidões para Jesus sem deixar de cuidar bem de cada cristão – é o modelo de discipulado um a um em ação. O MDA abrange diversos fatores desenvolvidos na Igreja Local. Sem dúvida, o fator central do Modelo de Discipulado Apostólico é o discipulado um a um que todos na igreja recebem. Porém, este modelo (MDA) fala da visão geral de como cremos que a Igreja Local deve funcionar” Fonte: Pr. Abe Huber – http:// www.igrejadapaz.com.br/santarem/a-igreja/a- visao/.

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6.1 AS ESTRATÉGIAS DO MDA

  • Angariar a simpatia dos pastores e membros das igrejas estabelecidas e institucionalizadas.
  • Colocar e manter como posição primária de suas pregações, enquanto lhe convier e lhe for útil, os temas mais evidentes da Igreja: família, evangelização e santificação. Esta é a forma mais atrativa para implantarem suas ideias, pois do contrário seriam rejeitados.
  • Tentar estabelecer, pela presença de seus “encontristas” no interior de cada denominação, a diferença “qualitativa” em termos carismáticos, entre os membros normais e os “melhorados” pelo MDA e seus encontros. No MDA, assim como no G12, que promovem os famosos “encontros com Deus”, dizem que uma pessoa somente é transformada quando passa pelo encontro.
  • Impedir, pelo maior tempo possível, a exteriorização de suas doutrinas e objetivos.
  • Recolher membros das igrejas para atividades religiosas paralelas secretas, às escondidas. E não se trata apenas do sigilo das atividades, pois também o sigilo de conteúdo é mais cuidadosamente preservado: não distribuem apostilas e não permitem a gravação ou filmagem.
  • Deslocar a obediência e a fidelidade devidas a Cristo para os líderes do M.D.A. e para aqueles pastores que “rezam pela sua cartilha”.
  • Buscam até enganar os pastores mais conservadores, que acham que podem fazer uma divisão do que é bom no MDA e do que não é. Estes estão enganados quando acham que alguma coisa pode se aproveitar. O que acreditam ser a parte boa, na verdade é a porta por onde entra também o que não presta.

Fonte: http://admidia.blogspot.com.br/2014/08/um-engano-chamado-mda-o-que-esta-por.html.

De acordo com o MDA, os pastores devem fazer reuniões individuais com seus líderes de células “lançando a visão, imergindo-os na visão e pedindo-lhes para lançar a visão entre aqueles para quem eles ministram. Ao falar diante de grupos especiais da igreja, o pastor nunca conclui sem de alguma forma lançar a visão”. Isso é o que explica o livro Igreja em Ação: Desejos e Perspectivas, da MDA Publicações. Nota-se que há um grande interesse em que a “visão”, isto é, o modelo em apreço, seja propagado, alcançando cada vez mais adeptos.

Os líderes do MDA são estimulados a “usar cada oportunidade para lançar a visão”. Ainda segundo o livro citado, o “pastor deve lançar a visão em conversas privadas. Ele deve trabalhar para que a visão seja a visão do povo. Aqui entra aquilo que chamamos de ‘senso de propriedade’. Quando ele acontece, as pessoas não acham que a visão é uma coisa que veio de fora ou que pertence apenas ao pastor. Elas vestem a camisa, sentem-se responsáveis pelo sucesso, trabalham para que ele aconteça, dão o seu melhor”.

Distorção doutrinária: O Evangelho genuíno é cristocêntrico. Nada pode ser considerado mais importante do que pregar a Cristo, e este crucificado (ICo. 1.22-23). Quando uma igreja, um modelo de crescimento ou uma pessoa são apresentados — ainda que de modo indireto — como mais importantes do que Jesus, a mensagem deixa de ser cristocêntrica. Estimular líderes a compartilharem uma “visão”, ainda que se diga que ela traduz o conteúdo de Atos dos Apóstolos, é uma maneira de descentralizar Cristo do Evangelho.

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6.1. ÊNFASE NO LÍDER

Cada adepto do MDA precisa de um “discipulador”, a quem deve prestar contas. E entre ambos deve haver uma relação próxima, em que o “discipulador” tem autoridade sobre seu discípulo, podendo se intrometer em sua vida pessoal, em seus negócios, em sua vida financeira. Em troca de quê? No MDA — e também no G12 e no M12 — prevalece a ideia de que uma pessoa que está em uma determinada escala hierárquica “protege” quem está abaixo dela.

“Discipulado é proteção. Discipulado é crescimento. Seja transparente com o seu discipulador. Você ficará maravilhado como Deus vai usar seu discipulador para ajudá-lo a vencer o pecado, crescer espiritualmente, ser um ganhador de almas, e ser também um bom discipulador. “Confessai os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros para serdes curados” (Tiago 5.16)”.

“Uma vez que você está sendo discipulado, é importante começar a orar e pedir a Deus que lhe mostre quem você deverá discipular. Quando você ganha alguém para Jesus, você tem que garantir que aquela pessoa seja bem discipulada. Normalmente é você quem deve discipular aquele novo convertido”

Fonte: http://www.igrejadapaz.com.br/santarem/ a-igreja/a-visao/.

“No início do movimento de células, todos falavam da multiplicação mãe-filha da célula, porque era o que David Cho estava fazendo na Coreia (metade do grupo deixando a célula para formar uma nova quando chegavam a 15 pessoas). Porém, havia um duplo problema na espera de chegarem aos “quinze”: 1. Frequentemente o número de participantes flutuava de uma semana para outra. 2. Membros que não queriam multiplicar deixavam o grupo quando chegavam a 15 pessoas.

As igrejas em células aprenderam depois sobre novas maneiras de multiplicar, como plantar células (dois ou três deixando a célula para formar uma nova célula). A célula não precisava esperar chegar a um determinado número para multiplicar-se. Em vez disso, ela simplesmente precisava ter um líder treinado. Portanto, o treinamento e desenvolvimento da liderança tornaram-se a nova ênfase.

Mais recentemente, venho enfatizando a “multiplicação do líder da célula mãe”, porque acredito que com frequência é a maneira mais fácil de reativar uma célula estagnada. Esse método realmente é muito simples. O líder da célula mãe deixa um facilitador treinado e sai da célula para começar uma nova, seja sozinho ou sozinha, ou com um ou dois outros membros da célula mãe”.

Fonte: Pr. Joel Komiskey, http://www.revistamda.com/metodos-de-multiplicacao-da-celula/.

 

6.2 ESCOLA DE LÍDERES

O treinamento é realizado pela Escola de Líderes de cada igreja, e é obrigatório para todo aquele que deseja permanecer na visão. Aqui são preparados os discipuladores, que irão dirigir as células e executar o programa de discipulado. O objetivo é que cada participante, ou seguidor do G-12, alcance os seus 144 discípulos. Por fim, ocorre o envio, quando os líderes treinados assumem a liderança de grupos em células, sempre de 12 pessoas, as quais estarão em treinamento para assumirem liderança. O principal objetivo é fazer de cada crente um líder e forme uma equipe de doze pessoas.

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6.3 A DOUTRINA DA “COBERTURA ESPIRITUAL”

Nos aludidos modelos tidos como apostólicos — que priorizam, ainda que não se admita, o crescimento numérico —, o “discipulador” é uma espécie de “anjo da guarda”. E muito mais que isso: trata-se de alguém que, de certa forma, faz o papel do Espírito Santo! Através da “cobertura” em apreço, ele oferece ao seu discípulo até “proteção espiritual”, que é comparada a um guarda-chuva. Ou seja, assim como este protege alguém de se molhar, a “cobertura espiritual” impede que o discípulo seja contaminado pelo mundo.

Recentemente, o líder maior do M12 escreveu o seguinte (no Instagram) a uma famosa discípula: “Cubro sua vida com autoridade e cuido do seu nome no mundo espiritual para que o adversário não ganhe vantagem na sua jornada”. Poderíamos chamar isso de endeusamento tácito do ser humano, pois o “patriarca” do MIR fala como se fosse Deus! Mas as pessoas que estão presas à “visão” não percebem esse tipo de heresia, haja vista terem sido convencidas de que estão fazendo uma “grande obra”, similar ou superior à da igreja de Atos dos Apóstolos. É por isso que o mal misturado com o bem é muito pior que o mal declarado!

A quem devemos prestar contas? A um “discipulador”? Não. A um “mentor”? Não. Prestamos contas a Deus! Inclusive, quando obedecemos aos nossos pastores, como ordenam as Escrituras (Hb. 13.17), fazemos isso para agradar ao Senhor, pois é Ele quem nos dá pastores (Jr. 3.15; Ef. 4.11). Da mesma forma, em nosso trabalho material, fazemos tudo como se fosse para Deus (Ef. 6.5-7). Por quê? Porque sabemos que a nossa cobertura espiritual — a autêntica — vem de Deus, e não dos homens. É a Ele que devemos prestar contas (Rm. 14.12; Hb 4.13; IPe. 4.1-5).

Na visão celular, o crente é dominado pelo líder da célula. Para ilustrar o pensamento do movimento celular sobre a pessoa do líder, transcrevemos trechos do ensino de dois adeptos do movimento MDA, que tratam do líder de célula discipulador:

“Ao criar o homem Deus o fez para sujeitar-se. O homem teria de obedecê-lo, submetendo-se ao seu senhorio, caso contrário o homem seria condenado (Gênesis 2: 17). O versículo 1, do capítulo 13 de Romanos, não fala apenas de submeter-se a Deus e sim de submeter-se a todos aqueles sobre quem Deus investe autoridade (plural). Isso acontece em todas as esferas da vida humana:

Família…………………………..(Efésios 5:23; Colossences 3:20);

Governo…………………………..(I Pedro 2:13,14);

Trabalho……………………..…..(Efésios 6:5; Mateus 8:8,9);

Igreja………………………………..(Hebreus 13: 7)

Em outras palavras ninguém deve ser independente. Todos precisam prestar contas a alguém. No serviço da casa de Deus isso é fundamental. Todos devem ter sobre si um ministério de cobertura, no qual buscam conselho, direção e para quem prestam contas de suas atitudes.

RESISTIR A AUTORIDADE É RESISTIR A DEUS

Deus é a fonte de toda autoridade (Romanos 13:1). Por não ser de origem humana, a autoridade que está sobre seres humanos, em posições específicas, deve ser respeitada e obedecida. Resisti-la é algo sério (Romanos 13:2). A pessoa independente ou insubmissa em relação aos seus pais, esposos, chefes, patrões, governantes, pastores, líderes, discipuladores, etc… Está se opondo ao Senhor, independentemente de o que exerce a autoridade o faça de modo digno ou não”. Fonte: “Autoridade e Submissão”, Pr. André Torres Ribeiro, Igreja Luz para os Povos, Goiânia – https://prandrelda.wordpress.com/ autoridade-e-submissao-i/.

“Neste mês de agosto estamos refletindo sobre o tema: “Princípios de Autoridade”, que está baseado no Salmo 62:11: “Uma vez Deus falou, duas vezes eu ouvi, que o poder pertence a Deus”. Cremos que toda autoridade no universo pertence ao Senhor, pois o poder pertence a ele. Na realidade foi Deus quem instituiu todas as autoridades (Romanos 13:1).

I – Devemos respeitar a liderança escolhida por Deus (v.12) – Paulo é enfático, claro e direto, dizendo que a igreja deve respeitar sua liderança, aqueles que trabalham entre eles (tessalonicenses) (v.12). Quem são essas pessoas para nós? Para nós são os pastores, superintendentes de área, supervisores, líderes de célula, presbíteros e diáconos. É sobre esta liderança que estamos nos referindo”. Fonte: “A Autoridade na Igreja”, Equipe Sermão, http://www.sermao.com.br/sermoes/A_autoridade_na_igreja_/

Como vemos nos exemplos acima, ao líder de célula deve-se a mesma obediência e submissão que prestamos a Deus e a qualquer outra autoridade constituída na terra, dentro e fora da igreja.

Distorção doutrinária: Além do fato do líder de célula ser muitas vezes um neófito, o “discipulado um a um” e a “cobertura espiritual” contrariam o sacerdócio universal de todos crentes (Rm. 14.12; Ef.2.18; IPe. 2.16; Jd. 4). Ademais, os textos bíblicos citados para dar apoio à submissão irrestrita dos membros das células ao líder, têm sua interpretação claramente distorcida.

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6.4 O SACERDÓCIO UNIVERSAL DOS CRENTES

A visão celular nega o sacerdócio universal de TODOS os crentes e o modelo bíblico de governo congregacional da igreja local. O sacerdócio universal do crente colabora para o conceito de um governo democrático e congregacional (Mt. 1.17; At. 6.2-5; 14.23 e 15.30; ICo. 6.1-5; IPe. 2.5-9). No governo eclesiástico congregacional, a igreja é aquela comunidade local, formada de crentes unidos para a adoração e obediência a Deus, no testemunho público e privado do Evangelho.

  • A igreja inteira recebeu o poder de exercer a disciplina e não somente os líderes (Mt. 18.17; ICo. 5.4-5; IICo 2.6-7; IITs. 3.14-15);
  • A igreja inteira deve estar envolvida na escolha dos líderes (At. 1.23-26; 6.3-5 e 15.22,30; IICo. 8.19);
  • Várias passagens comissionam a igreja toda e não apenas os líderes (Mt. 28.19-20; ICo. 11.2,20);

Portanto, a igreja local é completa e autônoma, não sujeita em termos eclesiásticos a qualquer outra entidade senão à sua própria assembleia. Assim formada, a igreja local é a representação, o sinal visível e localizado da realidade espiritual da Igreja de Cristo em toda a terra. O sistema de governo congregacional é aquele em que a Igreja se reúne em Assembleias, para tratar de questões surgidas no seu dia-a-dia e tomar decisões relacionadas ao desenvolvimento de seus trabalhos. O poder de mando da Igreja reside em suas Assembleias.

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6.5 A QUESTÃO DO ENSINO – EBD

A Visão Celular não dá ênfase para a educação religiosa e para Escola Bíblica Dominical (EBD). A missão principal da igreja local é ir, fazer discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, ENSINANDO-os a observar todas as coisas que Jesus mandou (Mt. 28.19-20). As células, normalmente, só estudam pequenos textos selecionados pela igreja local. Com isso, perde-se o estudo da Bíblia, que ocorre na EBD de forma sistemática, num currículo que analisa toda a Palavra de Deus em sete anos. Diminui-se também a educação religiosa que realiza estudos temáticos para o crescimento cristão, no evangelismo, no louvor e em outras áreas.

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6.6 NEÓFITOS NA LIDERANÇA

Na visão celular, existe a pressa para multiplicar, o que facilita o surgimento de líderes neófitos. A multiplicação da visão celular segue a técnica de marketing do sistema piramidal (vide a escada do sucesso). É muito semelhante às pirâmides financeiras da vida secular. Empregam também técnicas de emocionalização, que levam ao condicionamento e à submissão passiva, resultando, finalmente, na “lavagem cerebral” ou “reconversão” do “paciente”.

Desde a Igreja do primeiro século liderada pelos apóstolos, sempre houve muito mais membros do que líderes (At.2.41-42; 4.4; 5.14 e 6.1-6). Em Ef. 4.11-16, a Bíblia nos mostra a maneira de como liderar os santos. Em ICo. 12.12-31, nós vemos o bom funcionamento do corpo de Cristo, com cada membro funcionando no seu devido lugar e função.

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6.7 TODO MEMBRO É UM LÍDER

Quando se começa a querer que todos sejam líderes em potencial, se inicia uma cobrança exagerada sobre o povo de Deus, e começa então uma certa disputa, emulação, e confusão entre os santos.

Muitos pastores começam a colocar as pessoas em posições e funções erradas, gerando enfermidades no corpo de Cristo. Querer que todos tenham uma célula, é fruto do desejo de ver a Igreja crescer rapidamente, e isto é um tanto perigoso. É como um pai que sonha em ter um filho médico e o obriga a fazer medicina, quando o sonho daquele filho era ser engenheiro, e debaixo de pressões, ameaças e exigências, aquele filho tem seu sonho de ser engenheiro abortado, e faz medicina para agradar um pai (líder).

Em Rm.15.1, a Bíblia nos adverte sobre suportarmos a fraqueza dos fracos, e na exigência de que cada membro seja um líder, esquecemos de dar o verdadeiro cuidado que muitos necessitam. O membro que não tem uma célula começa ser desvalorizado no corpo, e aquele membro que começa a se destacar com uma ou mais células começa a ser mais valorizado e bajulado. Com isso começa um processo, quase invisível, de desprezo entre os Santos. Ao invés de se suportar a fraqueza dos fracos, se começa a desprezar a fraqueza dos fracos. Muitos pastores usam até comparações medíocres como chamar os fracos de “galinha da Angola” (to fraco, to fraco, to fraco), e ao invés de cuidar destes membros, fazem chacotas com eles, e os mandam criar vergonha na cara. Os que necessitam de mais cuidados são esquecidos, e os mais fortes são cercados de cuidados, pois estão trazendo mais retorno. E isto reflete também no ministério pastoral. Pastores que estão com suas Igrejas em grande crescimento são cercados de cuidados, visitas e bajulações de seus líderes, e pastores que estão passando por grandes dificuldades são esquecidos. As pessoas passam a ser vistas somente como líderes, não mais como membros do corpo de Cristo, e seres humanos criados à imagem e semelhança de Deus. Usam textos da lei fora de contexto, como Jr. 48.10, e esquecem que vivemos o sangue de Jesus e o tempo da Graça.

E, se cada membro é um líder, temos então sementes plantadas pelo inimigo (joio) liderando ovelhas (Mt. 13.25-30). Jesus disse que era para deixar o joio. Ele não disse para colocar o joio para liderar.

Para finalizar este resumo de um assunto tão vasto, vale lembrar que todo membro pode um dia chegar a ser um grande líder. Mas isso requer sabedoria dos apóstolos, evangelistas, pastores, mestres e doutores, para identificar a função certa de cada membro, trabalhando junto com o Espírito Santo (que é o Grande Comandante desse exército) para se desenvolver o potencial de cada um, trabalhando com amor e paciência as dificuldades de cada um. Fazer discípulos não significa dar a eles funções de liderança na Igreja. Um porteiro pode um dia chegar a ser um grande pastor, mas sendo porteiro não deixará de ganhar almas para Jesus e colocá-las na Igreja aos cuidados diaconais e pastorais. A Igreja de Éfeso em Apocalipse 2, cometeu este erro, trabalhou muito, mas de maneira errada, e teve Deus contra ela. Muitos ministérios começam bem na visão celular, mas passam a idolatrá-la. A visão começa a tomar o lugar do evangelho, a obra começa a tomar o lugar do sangue de Jesus, e os pastores começam a tomar o lugar do Espírito Santo. Nunca podemos nos esquecer que a Igreja é de Jesus. É Ele quem dá o crescimento. Sem amor nada adianta. Ser cristão vai além de liderar.

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III – DESCREVENDO O ENCONTRO

Um dos problemas com relação ao G12 é a inserção de práticas, conceitos e ensinos nada bíblicos, tais como quebra de maldições hereditárias, cura interior, mapeamento espiritual, escrever os pecados em pedaços de papel e queimá-los na fogueira, revelações extrabíblicas e outros.

O Pr. Ulisses Horta Simões, no livro Encontro, G12 e Igreja em Células lista doze elementos reprováveis do ponto de vista bíblico-doutrinário:

Hermenêutica – A abordagem bíblica ignora as melhores regras de interpretação da Bíblia. Há uma oscilação casuística entre a linha de interpretação alegórica e a literal-estrita, que leva a sentidos inexistentes nas passagens, os quais ignoram o sentido histórico-gramatical do texto. Exemplo: Apropriação indébita de Jo. 11.12 e contexto, a ressurreição de Lázaro, para dizer que Jesus vem despertar nossos sonhos.

Eclesiologia – O movimento aprofunda o distanciamento deste modelo, em relação à eclesiologia construída pela igreja neotestamentária nestes 20 séculos. Nas entrelinhas, consiste numa perspectiva de substituir, aparentemente de modo definitivo, a estrutura conhecida atualmente como igreja evangélica. As novidades conduzem a um modelo novo, onde cada discípulo será também um ministro, um líder. Há ainda a obstinação por mega-igrejas. Este modelo preconiza uma expectativa neurótica por elevados contingentes de discípulos. A visão do G12 trabalha em cima de alvos numéricos: a primeira geração de conquistados apresenta 12 discípulos; a segunda 144; a terceira 1728; a quarta 20.736 discípulos com os quais se conquistará a cidade.

Pragmatismo – Adoção de uma postura pragmática é também uma característica do movimento, assim entendida a atitude sempre otimista e positiva em relação ao seu método: “realmente funciona, e se funciona deve ser copiado”.

Perspectiva Pneumatológica – Um dos momentos de clímax do Encontro é o momento de busca pelo Espírito Santo. Mais do que isso, há uma evidente concordância que a unção na vida do crente consiste num especial poder ou capacidade para o sobrenatural.

Perspectiva Soteriológica – Há uma certa tirania sobre a doutrina do arrependimento. Os pecados devem ser confessados um a um, por nome, sem esquecer de nada, inclusive as épocas em que ocorreram. Há também a estranha afirmação “seremos justificados ou condenados por nossas próprias palavras” (MRE, p. 71).

Perspectiva Antropológica – Um entendimento equivocado das Escrituras, que leva a dissociar a obras do novo nascimento (que ocorre no espírito humano) da obra da conversão e renovação da mente (que ocorre na alma).

Crença na ‘Demonização de Crentes’ (doutrina da batalha espiritual contemporânea) – O crente pode ter demônios e ser usado por Satanás. Essa doutrina está associada a outra, conhecida como ‘espíritos territoriais’. Com base na interpretação distorcida de Dt. 11.26 e 30.19 e Ef. 4.27, defendem que o crente pode ter atitudes demonizadas. Com base em Hb. 6.8 afirmam que a terra está amaldiçoada por causa da nossa boca entre outras coisas.

Doutrina da ‘Maldição Hereditária’ e ‘Libertação’ – ligada à doutrina da batalha espiritual, entre outras coisas preconiza que a maldição de Deus pode acompanhar os crentes até a 3ª e 4ª geração (MRE, p. 65,70).

Doutrina da Confissão Positiva – Crença de que a palavra proferida tem ‘poder criador’, ou seja, trazemos à existência aquilo que declaramos com a nossa boca. O que falamos será causa de bênção ou maldição. Diversas frases de efeito são prescritas aos participantes do Encontro para serem repetidas.

Conceito da Cura Interior – É a cura do nosso homem interior: emoções, lembranças desagradáveis ou sonhos. Daí vem a prescrição de uma espécie de regressão, para que os encontristas visualizem sua existência desde o útero. A cura interior é um processo que ocorre na alma, não no corpo nem no espírito, como se fosse uma ‘cirurgia’ para remover traumas, dores, sofrimentos, rejeições, discriminações etc. Identificadas essas coisas, a pessoa é dirigida a liberar perdão para todos os envolvidos, inclusive para Deus.

Influência de Religião Mística e Esotérica – Procedimentos para acentuar a religiosidade: ministrar tocando nas vidas, hora da fogueira, indução ao clima emocional, sugestionamento, incentivo à vida de sonhos, escamas dos olhos dos encontristas caem etc.

Atitude para com Deus – Há uma flagrante incompreensão acerca da doutrina de Deus e seus atributos. Algumas afirmações: Deus quer que sonhemos; Deus é sonhador; há uma exigência na qual Jesus está incluído: há responsabilidade das duas partes no Encontro, a pessoa do encontrista e Jesus, que deve estar disponível. É sugerido que cada um desenvolva um estilo próprio de relacionamento com Deus e vida de oração.

Devemos rejeitar o Movimento G12, quanto ao modelo e conteúdo, pois seus métodos e procedimentos vêm ao arrepio dos princípios e ensinos das Santas Escrituras. Com efeito, os ensinos e práticas adotados opõem-se claramente à Palavra de Deus, como demonstraremos.

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PRÉ-ENCONTRO

“As lições desta fase são baseadas nas Quatro Leis Espirituais. “Existem princípios que governam o mundo físico e que nos conduzem ao conhecimento de Deus. Assim como existem leis físicas que governam o Universo, existem leis espirituais que governam seu relacionamento com Deus” (Manual de Realização do Encontro, p. 13).

Distorção doutrinária: A ministração das Quatro Leis Espirituais é para os descrentes e não para crentes. Não indica isso que o G-12 considera como não convertidos os membros das igrejas evangélicas presentes aos Pré-Encontros?

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ENCONTRO

A primeira palestra ministrada é “Peniel”:

“Aqui é PENIEL um lugar de santificação e Encontro com Deus” (MRE, p. 42), diz o dirigente do Encontro no início do evento. Em seguida são dadas instruções de comportamento durante o período em que o curso está sendo ministrado. Dentre elas destacam-se:

“14. Não se pode divulgar nada do Encontro a ninguém, nem as regras [que são rígidas], nem as palestras, etc. É importante que cada um tenha a sua própria experiência” (p. 43).

“16. Sempre se deve mencionar que tudo o que aqui acontecer não se pode divulgar em hipótese alguma, a não ser dizer que “o Encontro foi tremendo” (p. 43).

Declara-se sobre PENIEL:

“Em Peniel Deus mostrará quem você é. Lugar de luta, de arrependimento, de guerra, de choro, de pranto. Em Peniel você irá ouvir claramente a voz de Deus. Jamais esquecerá Peniel” (p.45).

“Peniel tem como principais objetivos: 1. Levá-lo ao arrependimento; 2. Levá-lo ao propósito certo; 3) Levá-lo a estar face a face com Deus – tudo muda quando vimos a Deus. Jacó esteve em Peniel e todo sua vida foi mudada… Seu caráter foi mudado (ele era usurpador e seu nome de fato significava USURPADOR, MAU CARÁTER. Jacó sentiu profunda dor. Nesse lugar você também sentirá essa dor, porém sairá daqui completamente curado e com uma nova identidade (IICo. 5.17)” (p. 45-46).

Distorções doutrinárias 1) Cristão mau caráter. Uma pessoa que aceitou Jesus como Salvador, cuja vida foi mudada (IICo 5.17), pode estar na mesma situação de Jacó quando fugiu do país, ameaçado de morte pelo irmão Esaú? Pode-se dizer de um cristão normal que ele é “mau caráter” como Jacó? Isso prova que o G-12 não considera os membros de igrejas como realmente convertidos. Só o serão depois dos sucessivos Pré-Encontro, Encontro e Pós-Encontro.

2) Especificamente sobre Jacó. Não encontramos na Bíblia nenhum outro patriarca precisando passar pela mesma experiência. Há mais a considerar no caso de Jacó:

  • O “encontro” de Jacó não durou três dias nem houve rituais (Gn. 32.22-26);
  • O encontro de Jacó não foi secreto, sua família sabia onde ele estava (Gn. 32.22-24);
  • Jacó não estava num grupo, teve um encontro pessoal só ele e Deus (Gn. 32.24);
  • Jacó teve uma experiência de salvação (Gn. 32.27-30);
  • Jacó não manteve em sigilo sua experiência com Deus, o Senhor não lhe pediu que guardasse segredo. Ao contrário, esse acontecimento foi registrado com detalhes nas Sagradas Escrituras, e compartilhado com toda a humanidade.
  • Não há na Bíblia indicação que todo cristão deva seguir os passos de Jacó. Somos instruídos a seguir: Deus (Dt. 13.4); Jesus (Jo. 8.12, Hb. 12.2); o Espírito Santo (Jo.16.13).

3) Sigilo. Quando alguém recebe uma bênção de Deus, quando Deus faz uma grande obra numa pessoa, ou no meio de um povo, o mais natural e bíblico é dar testemunho, é contar o que Deus fez, logo tal proibição não tem base bíblica. Jesus diante do sumo sacerdote: “Respondeu-lhe Jesus: eu falei abertamente ao mundo; sempre ensinei nas sinagogas e no templo, onde todos os judeus se reúnem. Nada disse em segredo” (Jo. 18.20). Paulo escreveu a Timóteo: “E as coisas que me ouviu dizer na presença de muitas testemunhas, confia a homens fieis, que sejam também capazes de ensinar a outros” (IITm. 2.2). Não há porque ficar escondendo informações, isso mais parece ‘maçonaria evangélica’.

4) Arrependimento. Encontramos na Bíblia inúmeros casos de arrependimento. Davi (Sl. 51), Manassés (IICr. 33.12-13), o malfeitor que foi crucificado ao lado do Senhor (Lc. 23.39-43). A mulher adúltera recebeu o perdão de seus pecados sem precisar contar toda sua vida (Jo. 8.1-11). Observamos o que diz o MRE, p. 73: “Pecados têm quem ser declarados. Eu fiz isto, desta forma, x vezes (Sl. 32:3-4). Davi disse: Todos os meus pecados eu te declarei (Sl. 32:5/Sl. 51)”. O versículo está transcrito de maneira adulterada. Estamos diante de uma doutrina bíblica inventada e de uma citação bíblica ajustada por seu inventor.

Os encontristas são levados ao arrependimento por aceitar feridas e abrigar amargura, ressentimentos, mágoas e iras em relação às pessoas:

“Em cada faixa etária, desde a infância até a vida adulta, o ministrador deverá instruir os encontristas a se lembrarem dos momentos difíceis, amargos, traumatizantes etc. Eles precisam iberar perdão às pessoas envolvidas em cada fase e até mesmo a Deus” (MRE, p. 99).

Os gurus do Movimento da Nova Era afirmam que é o homem que precisa perdoar Deus e não o contrário.

O primeiro passo para alguém crer em Jesus, recebendo-O em sua vida, é o arrependimento. Quem recebeu Jesus como Senhor e Salvador já tem seus pecados perdoados (Jo. 5.24; At. 3.19). Crentes que nasceram de novo, e durante muito tempo vinham servindo a Deus, muitos deles batizados no Espírito Santo, voltam do Encontro dizendo: “agora sim, aceitei Jesus de verdade, antes eu era desviado”. A Bíblia chama isso de apostasia (At. 21.21). Apostasia é negar a fé que antes se defendia. Todos que estão agindo dessa forma são apóstatas (ITm. 4.1). Essa prática é comum entre os adeptos das seitas. Todos afirmam que só encontraram a verdade depois que aderiram à sua nova religião. Esse é o comportamento dos adeptos do G-12.

MALDIÇÕES

Na sexta palestra o encontrista é exortado a renunciar os pecados e romper as maldições. A maldição hereditária, que faz parte da doutrina da confissão positiva, é um dos elementos do G12:

“A maldição repousa na 1a, 2a, 3a e até a 4a geração. A maldição se instala no tempo e no espaço, mas se encerra na 4a geração” (p. 65).

“A manifestação de maldições revela a presença e atuação de demônios nas vidas” (idem).

“Maldição hereditária – se instala através dos pais e ou antepassados que abriram legalidades…” (p. 70).

“Alguns demônios entram pelos traumas na infância, adolescência, maturidade ou atitudes que partem de nós…” (p. 71).

Os expositores dessas doutrinas afirmam que seus ensinos têm apoio bíblico, e pinçam a Bíblia em busca de versículos para consubstanciar as novidades apresentadas ao povo. Segundo essa doutrina, a pessoa afetada pela maldição deve primeiro descobrir em que geração seus ancestrais deram lugar ao diabo. Uma vez descoberta a geração, pede-se perdão e a maldição familiar será desfeita. Onde encontramos apoio bíblico para tal crença? Quem já viu algo semelhante na história da Reforma e dos evangélicos pentecostais? Isso é uma cópia disfarçada da doutrina mórmom do batismo pelos mortos.

Distorções Doutrinárias: 1) Êxodo 20.5-6. Esse texto não significa que Deus amaldiçoa os filhos dos idólatras por serem seus filhos, mas sim por se tornarem participantes dos pecados de seus pais (Ez. 18.20; Jr. 31.29-30).

2) Deuteronômio 11.26 e 30.19. Esses textos não fundamentam em nada a doutrina que pretendem. O texto de Deuteronômio está falando do livre arbítrio que o homem tem para escolher entre o bem e o mal. A exegese deles é muito deficiente. O capítulo 18 de Ezequiel gira em torno da responsabilidade individual do homem diante de Deus, sendo que Ez. 18.20-22 é um golpe mortal na doutrina da maldição de família.

3) Deuteronômio 28.15. As maldições desse texto se aplicam para os que não cumprem os 613 mandamentos do Pentateuco, e nós, cristãos, estamos sob o Novo Concerto (Rm. 6.14 e 10.4; Gl. 3.10-13; CI. 2.14-15);

4) Isaías 8.19 e 29.4. A palavra hebraica usada para espíritos familiares é obh ou obhot no plural, e significa uma pessoa que tem um espírito familiar. Diz o Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento: “as traduções modernas têm uma variedade de termos. Dentre eles temos: médium, espírito, espírito de mortos, necromante e mágico. É a técnica de necromancia rotulada de ventriloquismo. A Septuaginta usa engastrimythos “ventriloquismo” em todas as passagens, exceto Is. 29.4”. Traduzida na Vulgata por magus que significa feiticeiro, médium, e por python advinho em Is. 8.19 e 29.4. O que a Bíblia chama de médium, necromante ou algo do gênero, os profetas do G12 dizem que são “espíritos que passam de pai para filhos”, na tentativa de substanciar uma doutrina bíblica.

5) Os cristãos justificados pela fé (Rm. 5.1) não são alcançados por maldições (Pv. 3.3 e 26.2; Rm. 8.33-34; IJo. 5.18).

6) Tal ensino daria respaldo à reencarnação, pois se no útero já havia traumas, de onde vieram? Deus cria o corpo e o espírito de cada ser humano (SI. 139.13-16; Zc. 12.1) e quando o corpo morre, o espírito retorna a Deus para juízo (Ec. 12.7; Hb. 9.27). Logo, não herdamos traumas e maldições.

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CONFISSÃO

“Pecado tem nome. Não basta dizer: Ah, eu pequei muito! Deve- se dizer o pecado pelo nome” (p. 50).

“Não podemos pecar a varejo e pedir perdão no atacado” (p. 73).

“Sugestão para esse momento de confissão: 1…; 2. Avise que não há problema se a pessoa quiser chorar, gritar, berrar, se encolher no chão, etc.; 3. Diga-lhes para tentar visualizar cada situação que será ministrada” (p. 98).

Para tentar apagar um trauma da infância, ou de passado remoto, o ministrador sugere as seguintes medidas:

“Tentar visualizar o encontro do espermatozóide do seu pai com o óvulo de sua mãe;

Veja-se no útero materno, sendo formado;

Veja-se em cada momento da gestação;

Tente lembrar os sentimentos que recebeu: amor, ódio, rejeição, tentativa de aborto, perigo de vida por conta de doenças, insegurança quanto ao nascimento;

Veja-se nascendo, sendo recebido por sua mãe;

Veja-se crescendo: com um ano de idade… dois… três…

Obs.: Em cada faixa etária, desde a infância até à vida adulta, o ministrador deverá instruir os encontristas a se lembrarem de momentos difíceis, amargos, traumatizantes, etc. Eles precisam liberar perdão às pessoas envolvidas em cada fase e até mesmo a Deus.

Libere perdão a: pai, mãe, irmãos, familiares, Deus.

Não prenda pessoas no mundo espiritual. Jesus lhe perdoou, perdoe-os também. Talvez as pessoas que lhe magoaram não sabiam que estavam lhe maltratando; talvez eles não conhecessem a Jesus Cristo naquele tempo”.

(MRE, p. 98-99).

Distorção Doutrinária: Coloca-se a pessoa deitada num colchão (como se fosse um divã mais humilde ou disfarçado), e se “ministra” sobre ela, desde a concepção no útero da mãe até aquele dia do Encontro, o mesmo estilo de ministração, usado amplamente na cura interior e quebra de maldição. Exemplo: você agora é o esperma do seu pai, agora você encontrou o óvulo da sua mãe, ocorre a concepção, neste momento a pessoa que esta sendo “ministrada” e diz: eu perdôo a Deus, por haver me concebido em pecado, referindo-se ao Salmo 51.5; perdôo meus pais por me conceberem em prostituição ou adultério. Que barbaridade!

Liberar perdão a Deus implica em reconhecer que esse Deus, de algum modo, errou a nosso respeito. Se admitimos que se deve perdoar a Deus, por ter errado com respeito à direção da nossa vida, então esse Deus não é o Deus da Bíblia, porque o Deus da Bíblia não erra. “Porventura o contender contra o Todo-poderoso é ensinar? Quem assim argui a Deus responda por isso” (Jó 40.2).

Deus é onisciente, consequentemente não pode errar (Is. 46.9-10). Onde fica a oração ensinada por Jesus “perdoa-nos as nossas dívidas”? Deveríamos dizer: “Pai Celestial, eu te perdoo pelas tuas ofensas”?

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CONFISSÃO AURICULAR?

“Cada pessoa do grupo deve escolher um parceiro para confessar as dores” (MRE, p. 99).

“Deve ficar atento ao material que confessou – neste tempo poderão surgir novas lembranças, ou lágrimas ou gritos” (idem).

O ouvinte repetirá a oração que o ministrador fará: “Senhor, meu irmão confessou estas dores, e conforme a tua Palavra em Tiago 5.16, eu agora oro declarando que uma quantidade de cura do teu Trono atinge as camadas mais profundas da mente do meu irmão, em nome de Jesus. Amém” (p. 100).

Distorção doutrinária: Qualquer leitor da Bíblia não ignora que Tg. 5.16 se refere à confissão de pecados mútuos entre as pessoas, e não de pecados contra Deus. “Confessai as vossas culpas uns aos outros, e orai uns pelos outros, para que sareis”.

Davi confessou seus pecados a Deus, dizendo: “Confessei-te o meu pecado, e a minha maldade não encobri. Dizia eu: Confessarei ao Senhor as minhas transgressões; e tu perdoaste a maldade do meu pecado” (SI. 32.5).

“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça” (1Jo. 1.9).

Quando pecamos contra Deus é a Ele que devemos confessar nossos pecados, e é isso que os textos dizem. Quando se trata de ofensa pessoal, é à própria pessoa que devemos confessar ou pedir perdão do erro praticado, seja por palavra ou obras (Mt. 5.23-24 e 18.15-18).

Entendemos que isso nada tem de bíblico. Confissão auricular é prática católica, melhor realizada, porque o confessor faz voto de silêncio de não revelar nada do que lhe foi confessado, mesmo sendo comprometedor. Já não é o caso de quem ouve confissões de pecados do seu irmão aflito. Toda a igreja amanhã fica sabendo, e assim expõe a pessoa ao opróbrio do seu próprio pecado. Comprometem a honra do seu irmão.

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CRENTE FICA POSSESSO?

“a)…; b) outra equipe ministrará especificamente a cada pessoa quebrando os pactos e as maldições… Se alguém ficar possesso, duas ou três pessoas, no máximo, devem usar de autoridade para a libertação… Declare libertação de consagrações no período de fecundação, no período de gestação até o nascimento. Lembre-se que temos pessoas que foram consagradas antes de serem geradas pelos pais. E ministre em cada geração desde a 1ª, 2ª, 3ª e 4ª” (MRE, p. 75).

Distorções doutrinárias: 1) Não é possível um cristão ficar possesso. O corpo do cristão é o templo do Espírito Santo (ICo. 3.16).

2) O corpo do cristão é possessão de Deus (ICo. 6.19-20). O cristão deve ser cheio do Espírito Santo (Ef. 5.18) e o maligno não lhe toca (IJo. 4.4 e 5.18). Só quando peca deliberadamente é que o cristão pode ficar possesso de Satanás, como aconteceu com Judas (Lc. 22.3).

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LIBERTOS NO ENCONTRO?

Paradoxalmente o G-12 ensina:

“Leve todos a confessarem que são livres e a terem um tempo de celebração na presença do Senhor” (MRE, p. 76).

“Leve as pessoas a declararem em voz alta que estão livres. Peça que repitam: eu estou livre (3x); eu estou perdoado (3x); eu estou curado (3x)” (idem).

Distorção doutrinária: Quando se tornaram livres os participantes dos Encontros? Agora, no G-12, ou quando aceitaram a Cristo como Salvador, antes do Encontro? Só o sangue de Jesus cancela pecados (IJo. 1.7-9 e 2.12).

“O qual nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, em quem temos a redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados” (Cl. 1.13-14).

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CURA INTERIOR

Sobre o cristão

“Cura interior é a cura de nosso homem interior: da mente, emoções, lembranças, desagradáveis, sonhos. É o processo pelo qual, por meio da oração e de um processo de conscientização da nossa situação, somos libertos de sentimentos de ressentimento, rejeição, autopiedade, depressão, culpa, medo, tristeza, ódio, complexo de inferioridade, autocondenação e senso de desvalor etc.” (MRE, p. 84).

De novo, paradoxalmente, o G-12 instrui como a pessoa deve receber a cura:

“(1) Romper o domínio de Satanás sobre nós e tomar posse do que é nosso por direito.

(2) Receber a cura das lembranças passadas” (MRE, p. 94).

Distorção doutrinária: Não foi isso que aconteceu quando o encontrista aceitou Jesus como Salvador e Senhor? O texto de Cl. 2.11-15 é citado no manual para descrever essa libertação, que chama de “cirurgia espiritual”. Abaixo da transcrição do versículo encontra-se a seguinte declaração:

“Jesus é a única pessoa que pode sarar os males de nossas lembranças e dores, e ele o fará, por meio da cura interior” (MRE, p. 95).

Distorção doutrinária: Não é exatamente isso que afirmamos em nossas igrejas? Jesus é o maior dos médicos (Jo. 14.27). A mulher pecadora deve ter sentido muita vergonha e autocondenação: Jesus a curou (Jo. 8.11); e o que aconteceu com Saulo de Tarso (ITm. 1.12-17; Fp. 3.13-16)?

“Toda a minha cura interior e a libertação da minha alma depende da cruz” (MRE, p. 97).

Distorção doutrinária: Quando isso aconteceu? No Encontro ou antes, quando o crente já havia recebido a Cristo? Isto mostra que o G-12 não considera o encontrista como cristão antes dessa participação nos Encontros.

Sobre os Pastores

“Existem líderes e pastores ansiosos de alcançar um ministério de amplas proporções, mas as feridas da alma estão ali, e se deseja servir, fiel e produtivamente ao Senhor, essas feridas precisam ser curadas. Para poder ministrar aos outros, você deve primeiro ser ministrado. O caráter do homem de Deus vai se formando ao entrar em cura interior…” (Sonha e Ganharás o Mundo, César Castellanos, p. 88-89).

Distorção doutrinária: O criador do G-12 entende que também os pastores não estão suficientemente preparados para exercer essa função, se não participarem dos rituais do Encontro. Vejamos o que a Bíblia diz sobre o pastor:

  • a) Todo pastor precisa ser convertido, para então trabalhar em prol de outros (Lc.22.31-32).
  • b) O pastor precisa ter maturidade para não cair nos laços das heresias (ITm. 3.6).
  • c) O pastor precisa ter preparo adequado à função que há de exercer (IITm. 3.15-17).
  • d) O pastor precisa ser um homem segundo o coração de Deus (Jr. 3.15; Ec. 12.9-11).
  • e) O pastor precisa ter uma vida exemplar (ITm. 4.6,13-16; Tt. 2.1;7-8; IPe. 5.3-4).

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Sobre Abraão

“Ainda que Abraão contasse com 99 anos de idade nesta ocasião, tinha feridas que não haviam sido tratadas nem confrontadas; o Senhor viu que dessa maneira não Lhe podia servir… só depois de entrar no processo de cura de suas feridas, Abraão estava pronto para ser “pai de multidão de nações” (Sonha e Ganharás o Mundo, César Castellanos, p. 88).

Distorção Doutrinária: A afirmação acima não passa de mais uma distorção da palavra de Deus (IICo 11.4; IIPe. 3.16). O que podemos saber a respeito de Abraão e seu chamado através das Escrituras?

  • Abraão não passou por nenhum processo terapêutico, simplesmente foi escolhido por Deus (Gn. 12.1-3);
  • Abraão ouviu o evangelho e creu (Gl. 3.8);
  • Abraão creu e foi justificado (Rm. 4.3);
  • Abraão passou a andar com Deus (Gn. 17);
  • Abraão era amigo de Deus (IICr. 20.7);
  • Abraão era assistido por Melquisedeque, tipo de Cristo (Gn. 14.18-20).

No Manual para Realização do Reencontro (MRR), páginas 35 e seguintes, encontramos uma analogia dos ‘encontros’ com as experiências de alguns personagens bíblicos, obviamente distorcidas, como podemos constatar:

Moisés

Diz o MRR que Moisés precisou de um encontro.

Distorções Doutrinárias: Outra afirmação vazia. Voltemos à Bíblia.

  • a) Moisés encontrou-se com Deus em Horebe, no pleno exercício do seu ministério pastoral (Êx. 3.1-6);
  • b) Moisés nunca precisou de sonhos e visões, pois Deus tratava com ele face a face (Dt. 34.10; Êx. 33.11; Nm. 14.14);
  • c) Moisés não passou por um processo de regressão, nem precisou ser hipnotizado, Deus lhe falou de forma literal.

José

Líderes do G-12 ensinam que José era: traumatizado, vingativo, grosseiro, cheio de dor na alma, necessitado de cura interior, por issou precisou chorar e dar gritos terríveis para receber a cura (MRR, p. 36).

Distorção Doutrinária: Como vimos observando, a hermenêutica do criador e da liderança do movimento é peculiar.

  • a) José não era traumatizado, ele tinha comunhão e paz com Deus (Gn. 39.2-3,21);
  • b) José não tinha “dor na alma”, era alegre e tinha discernimento espiritual (Gn. 40.1-23);
  • c) José não era grosseiro, era educado e de bons costumes (Gn. 40.6-8);
  • d) José era cheio do Espírito Santo (Gn. 41.38);
  • e) José era o homem mais capaz de todo o Egito (Gn. 41.39).

Paulo

Sobre o apóstolo Paulo, ensinam que ele rendeu-se diante do encontro e precisou de três dias para se recuperar.

Distorção Doutrinária: O que encontramos na Bíblia sobre a experiência de Paulo?

  • a) O “encontro” de Paulo não se deu num retiro, num local fechado e isolado, mas sim numa estrada (At. 9.3-6);
  • b) O “encontro” não foi na escuridão da noite, mas à luz do dia (At. 26.13);
  • c) Paulo não teve um sonho nem uma visão, foi um acontecimento real na presença de testemunhas (At. 9.7; 22.9; 26.13-14);
  • d) Paulo não foi encaminhado para um grupo de 12, mas a um único irmão (At. 9.9-18);
  • e) Paulo foi integrado à igreja e passou a ensinar a todos, não havendo indicação de ter formado um grupo de apenas doze (At. 11.25-26; 18.11; 19.1,8-10).

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FOGUEIRA SANTA

“O ministrador deverá pedir que os encontristas escrevam tudo o que o Espírito Santo os lembrar sobre acontecimentos ruins, pecados, traumas etc. em uma folha de papel, que será queimada na fogueira, exemplificando o mesmo acontecimento livro de Atos dos Apóstolos (At. 19.19)” (p. 105).

Os encontristas são aconselhados a escrever todos os pecados e acontecimentos ruins: pecados, traumas, etc. em uma folha de papel, que será queimada na fogueira. Após escrever, todos devem caminhar rumo à fogueira. Todos os objetos como crucifixos, revistas pornográficas, cigarros, preservativos (jovens solteiros) e todos os que se relacionam com algum pecado, devem ser queimados. São as pessoas divididas em grupos de 12. Eles deverão jogar ao fogo os papeis e objetos, e juntos gritarem: “ESTÃO ANULADOS TODOS OS ARGUMENTOS SOBRE MINHA VIDA” (p. 105-106).

Distorção doutrinária: Essas experiências têm mais a ver com cursos de neurolinguística do que com práticas recomendadas na Bíblia. Tudo isso aconteceu um dia quando aceitamos a Cristo como Salvador, e não depois de participamos desse Encontro. Puro artificialismo! Dispensamos tal tipo de avivamento que pode ser intitulado de Encontro, mas não é um encontro genuíno com Deus. Sou livre depois de meu encontro com Cristo (Cl. 1.13-14). Tenho nova vida em Cristo, quando o aceitei (IICo. 5.17) e não depois do Encontro promovido pelo MIR – Ministério Internacional da Restauração.

A partir da análise das práticas e rituais realizados nos “encontros”, podemos concluir:

Confundem herança familiar com espíritos familiares. O que a pessoa é tem muito a ver com o patrimônio psicológico que ela recebe do meio social em que vive – família, igreja, escola, amigos etc. – embora isso não seja uma verdade absoluta. Não é nenhuma maldição ter gênio forte, se nos deixamos controlar pelo Espírito Santo de Deus (Gl. 5.16). Alguns grupos evangélicos interpretam qualquer comportamento não convencional como ação do diabo.

Confundem cura interior com novo nascimento, que é o recebimento de uma nova natureza. Como se pode dizer que “cura interior” é novo nascimento, se a própria Bíblia afirma que a regeneração (novo nascimento) não é obra do homem, mas de Deus (Jo. 3.6)?

Confundem perdão com regressão. O perdão de Deus não nos faz esquecer os traumas do passado, mas nos dá a capacidade de interpretá-los com outros olhos, e nos faz conviver com eles no presente, sem que interfiram no nosso existir.

Confundem contingências humanas com maldições hereditárias. Imaginemos como seria se todo problema de saúde, acidentes, insucesso, separações conjugais etc. fossem apenas manifestação de um elo hereditário.

Confundem hipnose com ação do Espírito Santo. Os pregadores da cura interior fazem a hipnose parecer obra do Espírito Santo. Isso é coisa muito séria e seus laboratórios não têm sido muito bons. A regressão, como terapia, pode até ser utilizada, desde que feita por profissionais maduros. Mesmo assim, os resultados são imprevisíveis. O inadmissível é ver pessoas ineptas lançando-se a fazer o que desconhecem.

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IV – A OBRA DA SALVAÇÃO NA VISÃO DO MOVIMENTO CELULAR

No entendimento do movimento celular, a salvação realizada pelo Senhor Jesus Cristo na cruz não é plena. Daí resulta que muitos cristãos estão convivendo com amarguras psicológicas terríveis, por desconhecerem alguns fatos ligados à salvação. Na tentativa de elucidar alguns pontos deste assunto, focamos abaixo os vários aspectos da abrangência da salvação.

  • A salvação em Cristo cura o homem de todos os problemas psicossomáticos. Não podemos esquecer que a obra da salvação [no grego, soteria] tem no Novo Testamento acepção também de curar. Portanto, não estamos incorrendo em nenhum erro hermenêutico ao dizer que a salvação oferecida a nós, através de Jesus Cristo, nos cura dos problemas psicossomáticos.
  • A salvação em Cristo cura o homem de todos os seus traumas psicológicos. É Jesus quem diz que o conhecimento da verdade nos torna livres (Jo. 8.31-32). Há uma coisa que é incontestável na vida daqueles que são tocados pelo amor de Deus: todas as outras coisas ficam pequenas diante da grandeza do amor de Deus por nós.
  • A salvação em Cristo nos garante o cancelamento de toda a culpa. Em Cristo, todas as dívidas foram pagas e toda culpa cancelada. Segundo Paulo, Jesus rasgou a cédula de condenação que era contra nós, cancelando de uma vez por todas a nossa culpa (Cl. 2.13-15). Não entender isso é ficar se penitenciando todo o tempo numa interminável busca pelo perdão.
  • Os que vivem a vida cristã como se estivessem pagando alguma dívida a Deus, certamente ainda não experimentaram a paz de saber que toda a nossa culpa foi cancelada no sacrifício completo, perfeito e final de Jesus Cristo por nós (Hb. 7.27-28; Hb. 9).
  • A salvação em Cristo nos cura da auto-imagem negativa. A primeira coisa que acontece com aquele que é salvo por Cristo é ter uma imagem positiva de si mesmo, deixando de lado o pessimismo e a visão fatalista que vinha tendo da sua história.

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V – RAZÕES PARA O CRISTÃO NÃO PARTICIPAR DO G12/MDA

De modo simples e objetivo, podemos listar 18 principais razões para o cristão convertido ao senhorio de Jesus Cristo, que tem na Bíblia sua regra de fé e prática, não participar desse novo modelo.

1- O SILÊNCIO exigido dos participantes nos encontros é uma técnica budista e de seitas ocultistas e esotéricas. Não há base bíblica para proibir a comunicação entre os irmãos:Porque nada há encoberto que não haja de ser manifesto; e nada se faz para ficar oculto, mas para ser descoberto. (Mc. 4.22).Não é o discípulo mais do que o mestre, nem o servo mais do que o seu senhor. Basta ao discípulo ser como seu mestre, e ao servo como seu senhor. Se chamaram Belzebu ao pai de família, quanto mais aos seus domésticos? Portanto, não os temais; porque nada há encoberto que não haja de revelar-se, nem oculto que não haja de saber-se. O que vos digo em trevas dizei-o em luz; e o que escutais ao ouvido pregai-o sobre os telhados. E não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo” (Mt. 10.24-28).

Devemos testemunhar para edificar a fé uns dos outros: “Assim nós, sendo-vos tão afeiçoados, de boa vontade quiséramos comunicar-vos, não somente o evangelho de Deus, mas ainda as nossas próprias almas; porquanto nos éreis muito queridos” (ITs. 2.8). “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra” (At. 1.8).

2- As pessoas são constrangidas a fazer o JURAMENTO de guardar segredo. “Mas, sobretudo, meus irmãos, não jureis, nem pelo céu, nem pela terra, nem façais qualquer outro juramento; mas que a vossa palavra seja sim, sim, e não, não; para que não caiais em condenação” (Tg. 5.12).

3– As MALDIÇÕES da vida do crente, se existiam, foram eliminadas na cruz. Os líderes do movimento usam textos do Antigo Testamento e invocam a Lei para fundamentar o ensino da quebra de maldições. O cristão vive no tempo do Novo Concerto:Todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las. E é evidente que pela lei ninguém será justificado diante de Deus, porque o justo viverá da fé. Ora, a lei não é da fé; mas o homem, que fizer estas coisas, por elas viverá. Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro” (Gl. 3.10-13).

4- O crente não precisa participar desses “encontros”, porque seu ENCONTRO COM DEUS aconteceu quando ele aceitou Jesus como seu Senhor e Salvador pessoal. “A saber: se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo, visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação, porque todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo” (Rm. 10.9-13).

5- O novo encontro do cristão com Deus será o ENCONTRO COM O SENHOR NOS ARES, isto é, o arrebatamento: “Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor” (ITs. 4.17).

6- No Encontro usam técnicas de PSICOLOGIA e ESPIRITISMO, tais como regressão hipnótica por pessoas não especializadas. Fazem a pessoa voltar mentalmente desde a concepção, infância, juventude para reviver seus traumas: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (IICo. 5.17).

7- Os Encontros são motivo de ESCÂNDALO. Muitas pessoas que lá estiveram saíram escandalizadas, algumas inclusive durante as palestras, e depois postaram seus testemunhos na internet, expondo a igreja e o povo de Deus. “Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à igreja de Deus” (ICo. 10.32).

8- O movimento G-12/MDA tem causado muita DIVISÃO e contenda na Igreja, e Jesus disse: “Quem não é comigo é contra mim; quem comigo não ajunta, espalha” (Mt. 12.30).

9- Jesus não disse para formarmos GRUPO DE 12 PESSOAS, quem disse isto foi o criador do G-12, César Castelanos, portanto são ensinamento de homens. “Se alguém ensina alguma outra doutrina, e se não conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo, e com a doutrina que é segundo a piedade, é soberbo, e nada sabe, mas delira acerca de questões e contendas de palavras, das quais nascem invejas, porfias, blasfêmias, ruins suspeitas, contendas de homens corruptos de entendimento, e privados da verdade, cuidando que a piedade seja causa de ganho; aparta-te dos tais” (ITm. 6.3-5).

10- O cristão já faz parte de um GRUPO, que foi escolhido por Jesus: “Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vô-lo conceda” (Jo. 15.16).

11- O G-12 não é a única VISÃO de Deus para estes dias, o Senhor opera de muitas maneiras diferentes. “Cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus” (IPe. 4.10).

12- O participante do Encontro é ensinado a ficar repetindo: O Encontro é Tremendo. O cristão afirma: DEUS É TREMENDO! – Salmos 47.2, 66.5, 68.35, 90.11 e 99.3; Daniel 9.4.

13 O movimento G-12 PESCA EM AQUÁRIO, isto é, em vez de evangelizar o pecador, buscam aqueles que já estão salvos e são membros de uma Igreja. “E desta maneira me esforcei por anunciar o evangelho, não onde Cristo foi nomeado, para não edificar sobre fundamento alheio” (Rm. 15.20).

14- As pessoas que aderiram a esse movimento desprezam e se dizem SUPERIORES àqueles que não participam.Não será assim entre vós; mas todo aquele que quiser entre vós fazer-se grande seja vosso serviçal; e, qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, seja vosso servo” (Mt. 20.26-27).

15- Há um grande número de NEÓFITOS NA LIDERANÇA. A pressa para multiplicar, e o ensino de que todos são líderes, levam ao surgimento de líderes neófitos, contrariando a orientação da Bíblia: “Porque qualquer que ainda se alimenta de leite não está experimentado na palavra da justiça, porque é menino” (Hb. 5.13). Não neófito, para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo. Convém também que tenha bom testemunho dos que estão de fora, para que não caia em afronta, e no laço do diabo. Da mesma sorte os diáconos sejam honestos, não de língua dobre, não dados a muito vinho, não cobiçosos de torpe ganáncia; guardando o mistério da fé numa consciência pura. E também estes sejam primeiro provados, depois sirvam, se forem irrepreensíveis” (ITm. 3.6-10).

16- O cristão é alimentado na Igreja onde congrega, e não deve deixá-la em busca de novidades: “Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia” (Hb. 10.25).

17- O cristão deve ser submisso a Deus e ao pastor que vela por sua alma, e não se colocar debaixo da autoridade de lideranças estranhas, inclusive homens estrangeiros, que sequer conhece: “Lembrai-vos dos vossos pastores, que vos falaram a palavra de Deus, a fé dos quais imitai, atentando para a sua maneira de viver” (Hb. 13.7). “Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil” (Hb. 13.17).

18- As maiores denominações evangélicas do Brasil e do mundo REJEITAM o G-12/Encontro. “Amado, não sigas o mal, mas o bem. Quem faz o bem é de Deus; mas quem faz o mal não tem visto a Deus” (III Jo. 11).

CONCLUSÃO

Por vezes, aparecem no cenário evangélico brasileiro alguns movimentos de características eminentemente flutuantes. O mais novo deles é o da Igreja em Células no Modelo dos Doze (G12, M12, MDA), que promove sutilmente um novo estilo de vida cristã, calcado na visão de um sucesso rápido e fácil, e de um crescimento mágico e milagroso da igreja, através de uma suposta revelação de Deus recebida pelo líder do G-12, que sonha em ter a maior igreja do mundo, fazendo assim qualquer coisa para alcançar os seus intentos de autopromover-se como líder mundial interdenominacionai, propondo um “novo conceito” religioso:

“Esta é toda uma explosão. A igreja celular é o paradigma da congregação mais poderosa do mundo. Pode-se dizer que um pastor que não entre nessa dimensão, está matando o progresso do evangelho em sua área.

Para mover-se de acordo com as exigências do século XXI, todo pastor deve mudar sua tradicional maneira de pensar, romper os moldes e entrar na visão celular… a época das assembleias e dos comitês de anciãos para dar passos importantes na igreja já passou na história” (Sonha e Ganharás o Mundo, César Castellanos, p. 145-146).

Ele propõe mudanças radicais na liturgia, nos bons costumes, na doutrina sagrada, no conceito real da Igreja de Cristo, na linguagem genuína da pregação do evangelho, na conduta cristã, no comportamento ético-estético do crente, com uma dose excessiva de estímulos à busca frenética por prosperidade instantânea, libertação auto-suficiente, unção mágica e perfeição absoluta, utilizando-se para tanto de desavisados e inocentes para espalharem suas heresias.

Nosso evangelho não está baseado em novas revelações! Foi precisamente o apóstolo Paulo quem ordenou “não ultrapassar o que está escrito, a fim de não provocar a soberba a favor de um em detrimento de outro no meio do evangelho” (ICo. 4.6). É nosso dever, como líderes evangélicos reformados, repudiar as novidades frequentes que assaltam o nosso meio, à luz de Tito 1.9: “é indispensável que o bispo seja…(v. 7) apegado à Palavra fiel que é segundo a doutrina, de modo que tenha poder tanto para exortar pelo reto ensino quanto para convencer os que contradizem”.

Conselho do Pr. Natanael Rinaldi: Aos pastores brasileiros fazemos uma advertência: dispense esse tipo de avivamento. Quer ver sua igreja cheia? A receita dada por Jesus está de pé: ”Ide e pregai o Evangelho a toda a criatura; quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado” (Mc. 15.15-16). Não acredite em outro método, por mais bem propagado que seja. Lembre-se de Mt. 24.25:

“Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos”.

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Bibliografia:

Avaliação Crítica do Movimento G-12. Pr. Esequias Soares, artigo publicado no jornal Mensageiro da Paz, 16 a 31 de março de 2001.

Documentário dos Segredos do G-12 Igreja Celular, Augusto Morais, 1ª edição, 2000, Ed. Papirus.

Encontro, G-12 e Igrejas em Células. Pr. Ulisses Horta Simões, 1ª edição, maio de 2000.

G12 Manifesto da CGADB. Publicado no jornal Mensageiro da Paz, 1 a 15 de maio de 200, p. 10-11.

G-12 O Que É e o Que Ensina. Pr. Natanael Rinaldi. Estudo elaborado no ano 2000.

O Que Está Por Trás do G-12, Pr. Paulo César Lima, 1ª edição, 2000, CPAD.

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Fontes da internet:

http://solascriptura-tt.org/Seitas/Pentecostalismo/G12DeEscrivaACastellanos-G12Evangelico-OFi gueiredo.htm.

http://www.suapesquisa.com/quemfoi/torquemada.htm.

A Verdade Sobre o Modelo Dos Doze”. Pra. Valnice Milhomens. http://www.nbz.com.br/igreja virtual/estudos/g12/Valnice.htm.

“Encontro ou Desencontro?”. Roberto C. A. do Nascimento. http://solascriptura-tt.org/Seitas/Pente costalismo/EncontroOuDesencontro-G12-RobCesar.htm.

“O Governo Eclesiástico no Modelos dos Doze”, Onofre Ferreira Alves. http://www.ebah.com.br/ content/ABAAAgNCAAK/governo-eclesiastico-no-modelo-dos-doze?part=3.

“O Histórico do Movimento G12” – http://www.cacp.org.br/o-historico-do-movimento-g-12/ – extraído do livro “A Verdade Sobre O G12″ de Vinícios Couto.

“Sonha e Ganharás o Mundo… Mas Perderás a Tua Alma”, Roberto C. A. do Nascimento. http://sola scriptura-tt.org/ Seitas/Pentecostalismo/SonhaEGanharasOMundo-G12-RCesar.htm.

“O MDA e a Cobertura Espiritual”, Pr. Ciro Sanches Zibordi, http://cirozibordi.blogspot.com.br/search? q=mda.

“G12 Evangélico ou Igreja em C-élulas” – http://libertosdoopressor.blogspot.com.br/2009/08/g-12-evan gelico-ou-visao-em-celulas.html.

http://admidia.blogspot.com.br/2014/08/um-engano-chamado-mda-o-que-esta-por.html.

[1] Tomás de Torquemada nasceu na cidade de Valladolid (Espanha) em 14/10/1420, e morreu na cidade de Ávila (Espanha) em 16/09/1498. Foi um dos inquisidores mais cruéis da história da Inquisição Espanhola no século XV. Também conhecido como “O Grande Inquisidor”, Torquemada atuou nos reinos de Aragão e Castela. Foi responsável pela perseguição, prisão, tortura e condenação de milhares de judeus e muçulmanos convertidos residentes na Espanha. Foi um dos responsáveis pelo Édito de Granada (1492), que obrigava todos os judeus a se converterem ao Catolicismo até 10 de julho de 1492. Os que não se converteram, cerca de 40 mil, foram expulsos da Espanha.

Fonte: http://www.suapesquisa.com/quemfoi/torquemada.htm.

[2] Francisco Franco Bahamonde foi um militar, chefe de Estado e ditador espanhol. Nasceu em 04/12/1892 e morreu em 20/11/1975. É conhecido como “Generalíssimo”, Francisco Franco ou simplesmente Franco. Foi um dos ditadores que governaram por mais tempo no século XX. Esteve à frente de seu país, a Espanha, de 1936 a 1973. Nas eleições de 1936 na Espanha, os partidos de esquerda que formavam a Frente Popular saíram vitoriosos. Opositores de direita, com articulação e liderança de Franco, executaram um golpe de Estado, com apoio de diversas regiões do país. A maioria das grandes cidades e regiões industriais, por sua vez, permaneceu fiel ao governo republicano de esquerda. Com o país dividido, iniciou-se a Guerra Civil Espanhola. Os golpistas passaram a receber ajuda da Itália fascista e da Alemanha nazista que, assim, transformaram a Espanha num local de teste para seus novos armamentos. Em abril de 1937 após o ataque aéreo nazista pró-Franco, que destruiu a cidade de Guernica. O General então uniu todos os partidos de direita, e em janeiro de 1938 se tornou chefe de Estado e do governo. O ditador eliminou toda a resistência militar a seu governo em 1939, e prosseguiu durante anos com a repressão, a tortura e os fuzilamentos. O franquismo foi um sistema político repressivo e autoritário. Até livros foram queimados. Todos os partidos políticos e reuniões (de palestras a passeatas) eram proibidos. Franco manteve-se neutro na Segunda Guerra Mundial, embora próximo dos governos nazifascistas da Alemanha e da Itália. Apesar de isolado pela vitória dos aliados, consolidou seu poder no país. Devido à Guerra Fria, estabeleceu relações diplomáticas com os Estados Unidos e seu governo foi finalmente reconhecido pelas Nações Unidas em 1955. Fonte: https://educacao.uol.com.br/biografias/francisco-franco.jhtm.

[3] Significado de Xamanismo. Conjunto de crenças ancestrais que engloba práticas de magia e evocações para estabelecer contato com o mundo espiritual. O xamanismo é uma percepção religiosa que confere ao xamã, a capacidade de entrar em transe e se conectar com o mundo espiritual. Essa conexão o capacita para curar doenças, influenciar a natureza, facilitar a caça, adivinhar segredos, predizer o futuro, afastar o mal ou exercer funções de um sacerdote. O xamã consegue fazer uma viagem a outro mundo, através da recepção de uma natureza transcendental, ou através da sua transformação em um outro ser.

Fonte: https://www.significados.com.br/xamanismo/.


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1 Comentário

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  1. Ótimo artigo teológico.
    Aqui no interior de Goiás o G12 destruiu muitas igrejas e criou fanáticos e fantoches góspeis. Após anos veio o MDA e fez novas vítimas. Sinais dos tempos. “…Quando porém vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?” Lucas 18.8.

    Honório.

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