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Dízimo e Ofertas em Tempos de Crise

por Artigo compilado - qua mar 09, 9:39 am

TEXTO BÍBLICO: “Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu e não derramar sobre vós uma bênção tal, que dela vos advenha a maior abastança”. (Ml 3.10) “E digo isto: Que o que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia em abundância em abundância também ceifará.  Cada um contribua segundo propôs no seu coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria.  E Deus é poderoso para tornar abundante em vós toda graça, a fim de que, tendo sempre, em tudo, toda suficiência, superabundeis em toda boa obra”.  (2 Co 9.6-8)

INTRODUÇÃO:

O dízimo é a “décima parte” de alguma coisa.  Por exemplo, se falamos no dízimo do tempo, estamos nos referindo à décima parte do tempo disponível.  Logo, se dividirmos o dia (24 horas) por dez acharemos a décima parte, isto é, o dízimo do nosso tempo, que são 2 (duas) horas e 24 minutos.  Será que dedicamos este tempo para Deus todos os dias? [1]  Aproveitando o ensejo, definiremos os termos “dízimo” e “oferta”, realçaremos sobre a prática do dízimo na Bíblia Sagrada, expandiremos o assunto sobre a importância da prática do dízimo e das ofertas no AT e NT, como também a observância desses termos nos dias atuais.

I – DEFINIÇÃO

1.1 Dízimo. A palavra “dízimo” vem do termo hebraico “maasser” (Gn 14.20; Lv 27.30-32; Dt 12.6,11,17; Ml 3.8,10), segundo o dicionário bíblico [2] a melhor tradução seria: “um décimo” ou a “decima parte”.  Em sua raiz temos o termo “issaron” que significa “décima parte”; também o termo “´eser” que significa “dez” e o termo “´asar” que significa “dar o dízimo”, “dar a décima parte” (Gn 28.22; Dt 14.22; 26.12; 1Sm 8.15,17; Ne 10.37,38). Em suma, “dízimo” é a décima (10%) parte da nossa renda.  Em (Hb 7.6,9) a palavra dízimo vem do original grego “dekatóo”, que é traduzido como “dar a décima parte de toda a renda”.  O verbo “dar” ou “doar” aparece cerca de 1.600 vezes na Bíblia.  A palavra “oferta” ou “ofertar” aparece cerca de 600 vezes.  Já a palavra “dízimo” ou a expressão “dar o dízimo” aparece cerca de 108 vezes na Bíblia.  Esses termos ou variações aparecem cerca de 2.308 vezes na Bíblia Sagrada.  Como já mostrado acima, embora a expressão “dar o dízimo” apareça diversas vezes nas sagradas escrituras, muitos escritores e teólogos defendem a expressão “entregar o dízimo” ou “devolver o dízimo” como sendo mais apropriada, uma vez que o dízimo é propriedade do Senhor, temos a obrigação de devolvê-lo.  “Mas quem sou eu, e quem é meu povo, que pudéssemos dar voluntariamente estas coisas? Tudo vem de ti e somente te devolvemos o que veio de tuas mãos” (1 Cr 29.14).

1.2 Oferta.  Dentre tantos termos que definem a palavra “oferta” no AT, um dos mais citados é “minha”, que aparece mais de 200 vezes no AT e tem o significado de “oferta”, “dom”, “presente” ou “sacrifício” (Gn 4.3; 32.13-15; 1Rs 10.25; 2Sm  8.2).  Outro termo que aparece com frequência é “terûmâ”, e significa: “oferta alçada”, “oferta” ou “oblação” (Ex 25.2; 35.29; 36.3; Lv 7.16; 22.18).

II – A PRÁTICA DO DÍZIMO NA BÍBLIA

O dízimo é santo, isto é, separado para obra do Senhor (Lv 17.32).  Os que se opõe ao dízimo, dizem que o dízimo existia na Lei de Moisés, mas com o advento da graça, ele foi abolido no Novo Testamento.  Não é bem assim o que nos mostra os ensinos do Senhor Jesus Cristo, pelo contrário, referindo-se ao dízimo, Ele disse: “…deveis, porém, fazer estas coisas…”, ou seja, “deveis dar o dízimo” (Mt 23.23). Quem se opõe ao dízimo ignora que ele veio cerca de mais de 400 anos antes da promulgação Lei de Moisés.  A lei apenas incorporou a ela o dízimo por ordenança divina (Ml 3.10). O dízimo começou com Abraão, muito antes de Moisés.  Destacaremos a seguir alguns pontos importantes sobre a prática do dízimo:

2.1 A prática do dízimo antecede à lei.  Aqueles que se recusam ser dizimistas pelo fato de o dízimo ser apenas da lei estão rotundamente equivocados.  O dízimo é um princípio espiritual presente entre o povo de Deus desde os tempos mais remotos. Abraão pagou o dízimo a Melquisedeque (Gn 14.20) e Jacó prometeu pagar o dízimo ao Senhor (Gn 28.22), muito antes da lei ser instituída.

2.2 A prática do dízimo foi legitimada na lei.  O princípio que governava o povo de Deus antes da lei, foi ratificado na lei. Agora, há um preceito claro e uma ordem específica para se trazer todos os dízimos ao Senhor (Lv 27.32). Não entregar o dízimo é transgredir a lei, e a transgressão da lei constitui-se em pecado (1Jo 3.4)

2.3 A prática do dízimo está presente em toda Bíblia.  A fidelidade na mordomia dos bens, a entrega fiel dos dízimos e das ofertas, é um ensino claro em toda a Bíblia.  Está presente no Pentateuco, os livros da lei; está presente nos livros históricos (Ne 13.11,12), poéticos (Pv 3.9,10) e proféticos (Ml 3.8-10). Também está explicitamente ratificado nos evangelhos (Mt 23.23) e nas epístolas (Hb 7.8). Quanto ao dízimo não podemos subestimá-lo, sua inobservância é um roubo a Deus. Não podemos subtraí-lo, pois a Escritura é clara em dizer que devemos trazer “todos os dízimos”. Não podemos administrá-lo, pois a ordem é: “Trazei todos os dízimos à casa do tesouro”.

2.4 A prática do dízimo é validada por Jesus no Novo Testamento. Os fariseus superestimavam o dízimo, fazendo de sua prática, uma espécie de amuleto. Eram rigorosos em sua observância, mas negligenciam os preceitos mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia e a fé. Jesus, deixa claro que devemos observar atentamente a prática dessas virtudes cardeais da fé cristã, sem omitir a entrega dos dízimos (Mt 23.23). Ora, aqueles que usam o argumento de que o dízimo é da lei, e por estarmos debaixo da graça, estamos isentos de observá-lo; da mesma forma, estariam também isentos da justiça, da misericórdia e da fé, porque essas virtudes cardeais, também, são da lei. Só o pensar assim, já seria uma tragédia!

III – DÍZIMO – POR QUE OBSERVAR ESSA PRÁTICA?

  1. a) Em primeiro lugar, porque o dízimo é um princípio estabelecido pelo próprio Deus (Ml 3.10);
  2. b) Em segundo lugar, porque o dízimo é santo ao Senhor (Lv 27.32);
  3. c) Em terceiro lugar, porque o dízimo faz parte do culto (Dt 12.6);
  4. d) Em quarto lugar, porque o dízimo é para o sustento da Casa de Deus (Nm 18.21).

IV – QUANDO ENTREGAMOS OS DÍZIMOS E AS OFERTAS NA CASA DA DO SENHOR

Vale salientar que por meio dos dízimos e ofertas, demonstramos para com Deus a nossa alegria (2 Co 9.7).  Ao doarmos expomos para Deus um coração voluntário (Ex 25.1,2), e através do ofertar, revelamos o nosso desprendimento (2 Sm 24.24).  Na verdade, quando entregamos os dízimos e as ofertas na casa da do senhor estamos demonstrando:

4.1 Gratidão a Deus.  Como tudo o que recebemos vem de Deus, nada mais justo que sejamos gratos por tal provisão entregando-lhe os dízimos e as ofertas: “Entrai pelas portas dele com gratidão” (Sl 100.2-a). Através das contribuições financeiras, honramos a Deus (Pv 3.9,10).

4.2 Obediência à Sua Palavra.  Como as contribuições são uma doutrina bíblica, entregá-los ao Senhor, é ser obediente a Sua Palavra (Dt 6.5).

4.3 Amor pela Sua obra.  Um dos motivos pelos quais devemos entregar os dízimos e as ofertas são também para a manutenção da Casa do Senhor: “Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha” (Ml 3.10).  Aquele que ama a obra de Deus contribui para que a evangelização, a obra social, o sustento dos obreiros que vivem de forma integral e a ampliação da obra de Deus continue.

V – PROMESSAS AOS DIZIMISTAS E OFERTANTES FIEIS

No livro do profeta Malaquias, encontramos pelos menos três promessas feitas aos que procedem fielmente com as contribuições. São elas:

5.1 Provisão. Deus prometeu ao Seu povo que se não fossem negligentes com os dízimos e as ofertas, Ele enviaria sempre a sua provisão: “Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim nisto, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu” (Ml 3.10-a). A expressão “abrir as janelas do céu” podem estar fazendo alusão a provisão da chuva e do sol a seu tempo para que o povo tenha uma excelente colheita (Lv 26.4; Dt 11.14; 28.12).

5.2 Multiplicação. A Bíblia diz que o que plantamos, isso também colhemos. Mas colhemos sempre mais do que plantamos: “Quem semeia com fartura, com abundância ceifará” (2Co 9.6). Deus promete literalmente fazer prosperar a quem dá com liberalidade (2Co 9.6-11).

5.3 Proteção. Como o povo de Israel em sua maioria vivia da agricultura, era comum que os agricultores sofressem em suas lavouras com as pragas que poderiam sobrevir, causando destruição. No entanto, Deus prometeu que se o Seu povo agisse com fidelidade na entrega dos dízimos e das ofertas, Deus protegeria a lavoura deles e lhes daria grandes colheitas: “E por causa de vós repreenderei o devorador, e ele não destruirá os frutos da vossa terra; e a vossa vide no campo não será estéril, diz o SENHOR dos Exércitos (Ml 3.11,12).

CONCLUSÃO:

Concluo este estudo com o que disse Lutero sobre o tema “dízimos e ofertas”: “Tudo aquilo que retive em minhas mãos perdi, mas o que coloquei nas mãos de Deus tenho até o dia de hoje”.

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[1] – LIMA, 1995, p. 14.

[2] – The Brown-Driver-Briggs Hebrew and English Lexicon.

REFERÊNCIAS:

BÍBLIA DE ESTUDO APLICAÇÃO PESSOAL, Versão (ARC).  São Paulo: SBB, 1995.

BÍBLIA DE ESTUDO PALAVRA CHAVE (Hebraico e Grego), Versão (ARC). Rio de Janeiro: Editora CPAD, 2011.

BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL, Versão (ARC). CPAD, 1995.

BÍBLIA DO PREGADOR PENTECOSTAL, Versão (ARC). São Paulo: SBB, 2016.

BOYER, Orlando.  Pequena Enciclopédia Bíblica.  Rio de Janeiro: Editora CPAD, 2009.

CHAMPLIN, Russell Norman. Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. Vol 5. Editora Hagnos, 2002.

HENRY, Matthew.  Comentário Bíblico Novo Testamento.  Rio de Janeiro: Editora CPAD, 2008.

LIMA, Paulo Cesar.  Dizimista, Eu? Rio de Janeiro: Editora CPAD, 1995.

PAUDA, Osmir Moreira. Prosperidade, Dízimos e Ofertas.  São Paulo: Editora Tisseleah, 1996

RAMOS, Oswaldo.  Dízimos & Bençãos.  São Paulo: Editora Vida, 1994.

– Por Nivaldo Gomes | Via Josué Luiz Amaral


Cada autor é responsável pelo conteúdo do artigo.

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