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Dizimo: Moral ou Cerimonial?

por Enviado por email - qua jan 13, 11:43 am

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Ainda falando sobre Malaquias 3.7-12, percebo o grande esforço da parte de alguns para tentar colocar sobre os sacerdotes o pecado de roubo repreendido pelo Senhor. Para esses interpretes, afirmar que o corpo sacerdotal é que estava roubando na sua forma de administrar os dízimos e não o povo que o retinha, é uma manobra hermenêutica para relegar o dízimo a um mandamento cerimonial e não moral. O objetivo por trás dessa interpretação é nivelar o dízimo aos sacrifícios, festas e diversos outros mandamentos de caráter ritual e simbólico, que segundo eles, os levitas estariam desvirtuando. Se o dízimo não é uma questão moral, fica fácil defender sua extinção. O grande problema para essa visão, é que justamente o capítulo 3 do livro de Malaquias demonstra a natureza moral de tal ordenança. Qualquer intérprete bíblico, até mesmo entre os dispensacionalistas mais radicais, concorda que nenhum dos princípios morais da lei foi extinto. Muito pelo contrário, alguns deles foram até mesmo ampliados no Novo Testamento. Com base nisso, compreendendo que a mensagem profética em questão é dirigida a toda a nação de Israel e não somente aos sacerdotes conforme já foi demonstrado no meu artigo anterior (http://www.cacp.org.br/para-quem-foi-escrito-malaquias-3-7-12/), vamos analisar o pecado pelo qual Deus está censurando seu povo:

“Roubará o homem a Deus? Todavia, vós me roubais e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas.” (Ml.3.9)

Deus não invoca a transgressão de uma lei cerimonial. Ele afirma que o povo estava incorrendo em pecado de roubo. Isso é inegavelmente uma questão moral. O Senhor aponta que o povo estava retendo o que lhe pertencia. Reter o que pertence à alguém é uma transgressão do oitavo mandamento, que diz claramente: “Não furtarás” (Ex.20.15). Nunca vi ninguém defender a abolição ou extinção desse princípio na Nova Aliança. Há sim, mandamentos cerimoniais regulando a forma como o dízimo deveria ser praticado no contexto do antigo Israel. São essas ordenanças que não tem força de lei, embora tenham valor didático para a igreja. A extinção da forma não significa extinção do princípio.

O princípio do dizimo traz consigo muito mais do que a manutenção das práticas religiosas da velha aliança. Dizimar é reconhecer a propriedade divina, por isso Deus se considera roubado, pela retenção de tais recursos por parte do povo. Quando dizimamos estamos na verdade dizendo: “Pai, tudo vem de ti, pois tudo é teu e do muito que o Senhor nos dá, devolvemos um pouco do que te pertence”. Tal reconhecimento é demonstração de gratidão. Vejam que que tanto Abraão quanto Jacó dizimam nesse espírito.

“Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho; era sacerdote do Deus Altíssimo; abençoou ele a Abrão e disse: Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, que possui os céus e a terra; e bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus adversários nas tuas mãos. E de tudo lhe deu Abrão o dízimo.” (Gn. 14.18-20)

Fez também Jacó um voto, dizendo: Se Deus for comigo, e me guardar nesta jornada que empreendo, e me der pão para comer e roupa que me vista, de maneira que eu volte em paz para a casa de meu pai, então, o SENHOR será o meu Deus; e a pedra, que erigi por coluna, será a Casa de Deus; e, de tudo quanto me concederes, certamente eu te darei o dízimo.” (Gn.28.20-22)

Ambos dizimaram em espírito de gratidão pelas benção recebidas. As palavras de Jacó me chamam atenção, pois ele vincula seu dizimo à provisão cotidiana e à sua devoção pessoal. Ele se compromete em dar o dízimo à Deus. Veja, ele não fala de dar à homens, mas fala em dar ao próprio Deus.  Jacó encara isso como parte da sua adoração. Vemos que fez parte da conversão desses dois homens a pratica do dízimo. Ao reconhecerem o Senhor como único e verdadeiro Deus, assim como a adoração e as orações, o dízimo esteve presente.

Vemos então, que diferente do que alguns movimentos querem provar, o dizimo não era um mero imposto religioso destinado somente a manter o culto israelita e seus sacerdotes. Também não era uma sombra das coisas vindouras tipificando o cumprimento de algum aspecto da redenção que deveria desaparecer após a morte e ressurreição de Cristo. Não se tratava também, de nenhum preceito civil para regular a sociedade israelita enquanto nação teocrática. É um princípio de honra e de mordomia para com Deus.

Muitos ainda irão insistir que essas palavras foram ditas para o antigo Israel e não para a igreja. Mas interessante que os mesmo que argumentam isso, não veem problemas em utilizar palavras de consolo ou de esperança encontrados no A.T, contextualizando-os para suas vidas cotidianas quando passam adversidades ou palavras de repreensão ao povo israelita para exortar pessoas em pecado. Vamos defender então que palavras tais como “Não temas que estou contigo, não te assombres porque sou teu Deus…” Foram ditas para Israel no contexto da lei e não para nós. Não é mais coerente?! Mas dirão que esses textos contem revelações do caráter e dos atributos de Deus e de como ele se relaciona com o ser humano. Correto! E Malaquias 3.7-12? É exatamente isso que quis demostrar com esse artigo. O princípio de mordomia que esse texto nos ensina.

Rev. Francisco Belvedere Neto


Cada autor é responsável pelo conteúdo do artigo.

23 Comentários

Comentários 1 - 23 de 23Primeira« AnteriorPróxima »Última
  1. O dízimo é um ato de fé para a igreja. Não uma norma. 

    1. “deveis fazer isso [dizimo]” mateus 23:23.  deveras o ato de fé vem primeiro, é o mais importante, mas Jesus usou a palavra “deveis” isto é, um dever. 

  2. É interessante vermos que por não acharem apoio neo-testamentário para a prática do dízimo sempre usam a frase: o princípio do dízimo. Argumento muito fraco esse. Não percebem que o aludido texto de Malaquias é circunstancial.

  3. Jesus Cristo não aboliu o dízimo. Quando se referiu àqueles que davam dízimo de tudo o que na época era norma, Jesus declarou que era necessário, além do dízimo, as pessoas agirem com justiça e amor.

  4. Se o dízimo é pros nossos dias, então me explica Hebreus 7:5!

  5. É um ato de grande indignidade, divulgar lista de dizimistas na igreja além de se constituir em crime de constrangimento ilegal a quem se sinta ofendido.
    O dízimo não tem qualquer relação com a salvação, curas, milagres, bênçãos e maldições.

    1. Certas denominação que divulga lista de dizimista atitude é deveras constrangedora. para isso eles criaram um “esquema” chamado “cobertura espiritual” onde passam a se intrometer e controlar a vida das pessoas objetivando a renda das mesmas. automatizaram a tosquia de ovelhas.

  6. É mas pede muito é dízimo é oferta é dinheiro pra reformar igreja é comida pra ajudar nas calamidade.Já ajudei mas sinceramente é muita pedilanca.

  7. Só um lembrete, o dizimo no Antigo Testamento não era espécie (dinheiro) e sim alimento, cereais, como endro, cominho e hortelã (Cerimonial). O mais importante que está acima aí sim moral é Juízo se relaciona com lei e pratica de justiça…. Continuação no outro comentário.

  8. Continuação: E o amor o maior sentimento demonstrado por Deus através do seu Filho Jesus. Só que hoje estão dando mais valor ao dinheiro do que as almas que Jesus morreu. Lamentável.

  9. Marcos Aurelio sex nov 25 at 10:54 am Só um lembrete, o dizimo no Antigo Testamento não era espécie (dinheiro) e sim alimento, cereais, como endro, cominho e hortelã

    “Devem ser considerados merecedores de dobrados honorários os presbíteros que presidem bem..”
    1 Tim.5:17

    1. Não deixa o seu patrão ver o que você escreveu senão ele vai querer pagar o seu salário com batatas, cebola, milho, alho, vagem.

  10. Há muitas falácias neste artigo: Em Ml, dízimos e ofertas alçadas estão amarrados um ao outro. Se o dízimo deve ser praticado, a oferta de sacrifício com animais tbm. Abraão ñ dizimou de nada seu, mas de espólios de guerra. Dízimo pertence aos levitas (Hb 7.5).

  11. Evandro Luciano seg fev 13 at 10:14 pm Dízimo pertence aos levitas (Hb 7.5).

    “Os presbíteros que administram bem a igreja são dignos de dobrados honorários, principalmente os que se dedicam ao ministério da pregação e do ensino…digno é o trabalhador do seu salário”
    1 Tm 5:17

    1. sr. evandro luciano, entenda que vivemos no N.T e na realidade pós Martinho Lutero, e as principais denominações evangélicas e tradicionais interpreta o dizimo como realidade de suprimento eclesiástico e manutenção da igreja e determina o “dizimo” e você sugere o que ?

    2. a CCB jacta em dizer que não cobra dizimo, mas internamente são pressionados sim quanto a ofertas para manutenção dos locais. Eles tb jactam que não tem pastores sustentado pela igreja, porém não recomendam estudo Bíblico, logicamente é por isso não precisam de pastores.

  12. 10% de dinheiro (valores monetários” não é “dízimo”, mas sim “dízima”.

    10% de outras coisas são “dízimos”.

    Tem que dar dízimo ou dízima?

  13. Paulo não ensinou a dar o dízimo I Cor, 16.1-2 -No artigo sobre o sabado o titulo começa assim (O Sábado faz parte de um concerto ou pacto entre Deus e o povo israelita. ( afirmando que seria para israel )
    Mal. 1.1 Uma advertência: a palavra do Senhor contra Israel, (Foi escrito pra quem ?)

  14. Cont.
    Pra defender o dizimo o oitavo mandamento é valido, mas no artigo sobre o sabado o mandamento sobre o sabado não vale.
    Obs: Não sou adventista mas acho que temos que ser coerentes quando vamos ensinar a palavra de Deus.

    1. deixa de ser pusilânime rapazola atenha-se então ao N.T nunca Leu Mateus “deveis, porém, fazer estas coisas[*], e não omitir aquelas[**] v.v. 23:23 c

      [*] as coisas mais importantes da lei onde está o sábado ?
      [**] não omitir os dízimos.

      Jesus ratificou dízimo mas sabado não.

    2. Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que dizimais a hortelã, o endro e o cominho, e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé; DEVEIS, porém, fazer estas coisas, e NÃO OMITIR aquelas. Mateus 23:23

  15. sou fa do cacp e da maiora dos artigos , mas considerar o dizimo neo testamentariao e rejeitar o sabado é ridiculo , usar hebreus 4 pra rejeitar o sabados e ignorar hebreus 7 sobre o dizimo e no minimo um erro

    1. rejeitar o sabado é ridiculo ???

      Então reclama com Jesus que violava o sábado João 5:18
      Então reclama com Paulo que sombreou o sábado como desnecessário guarda colossenses 2:16-17

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