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Dízimos e ofertas

por Artigo compilado - qui ago 06, 1:37 am

Certo fazendeiro cavou um poço do qual retirou água durante muitos anos contínuos, para seus animais. Mas, no tempo de seca, a água faltou-lhe e foi necessário levar os rebanhos, com grande sacrifício, até o rio. Passou por ali um viajante que lhe perguntou. “Porque não experimenta aprofundar o poço? – “Não posso fazê-lo sem perfurar a pederneira”. Porém o viajante insistiu com o fazendeiro e disse-lhe: apesar de ser a pedra tão dura, com dinamite poderá abrir, por um acaso, um veio de água maior do que os que já viu. O fazendeiro animou-se a experimentar. Com a explosão, abriu-se um veio de água que borbulhava à flor da terra. Foi como uma mina de ouro nessa fazenda.

Quantos de nós estamos em seca espiritual, sem ter água, por causa de uma vida superficial. Temos cavado só até à pederneira. Temos certeza de que há um manancial de gozo e vida, pronto a jorrar, logo que retirarmos este obstáculo. Teremos a coragem que teve o fazendeiro, colocar a dinamite e acender o rastilho?

FONTE DE BÊNÇÃOS

Todos os que já experimentaram, podem testificar de que não há coisa que nos leve a maior profundidade espiritual do que pagar o dízimo, fiel, e contribuir liberalmente. Mas todos quantos abandonam esta experiência, acham a fonte da graça entupida, esfriam e perdem a fé. A primeira vez que se faz menção do dízimo acha-se em capítulo 14 de Gênesis, onde se conta a história de como Abraão deu a décima parte dos despojos a Melquisedeque, sacerdote do Deus Altíssimo. Isso foi antes da lei mosaica, durante o sacerdócio do mesmo Melquisedeque.

Mais de trezentos anos antes de Deus dar a lei no Monte Sinai, Jacó fez este voto ao Senhor: “De tudo quanto me deres, certamente Te darei o dízimo”. Jacó fez esse voto quando desamparado e sem dinheiro. Apesar de passar por grande perigo e muita incerteza, foi fiel ao voto. E o Senhor o abençoou, voltando ele em paz à casa do seu pai, com grandes possessões.

Há exemplos inumeráveis de crentes sem recursos e pequenos salários, que como Jacó fizeram o mesmo voto ao Senhor e, depois de passar por grande prova, demonstraram ao mundo que Deus abençoa, além da compreensão humana, os nove décimos, depois de terem dado o dízimo.

Quase todos conhecem a marca de sabonete e pasta Colgate. Guilherme Colgate, com dezesseis anos, saiu da casa do seu pai porque faltava o pão para a família. Na estrada encontrou-se com um velho conhecido, que de joelhos, orou com ele e disse: “Alguém será, brevemente, o principal fabricante de sabão em Nova Iorque. Espero que sejas tu. Sê um homem prudente: dá teu coração a Cristo; entrega-lhe de cada dólar que receber a parte que lhe pertence; faz um sabão honesto; no peso dá uma libra inteira e sei que tornar-te-ás próspero e rico”. Guilherme entrou na grande cidade de Nova Iorque levando consigo tudo que possuía embrulhado numa toalha.

Foi com grandes dificuldades que Guilherme encontrou emprego. Com saudade de casa, e lembrando-se das palavras conselheiras da sua mãe, e do velho que lhe falara para buscar primeiro o reino de Deus e a sua justiça, uniu-se à Igreja de Cristo. Do primeiro dinheiro que recebeu deu a décima parte ao Senhor. Não muito tempo depois de achar esse emprego tornou-se sócio do patrão. Depois de alguns anos, o sócio morreu e Guilherme Colgate ficou como único proprietário da fábrica. Imediatamente ordenou que o seu guarda-livros abrisse conta corrente para o Senhor, e que lançasse nessa conta, a crédito do Senhor, a décima parte de todos os lucros. Guilherme Colgate prosperava; seus negócios cresciam. Sua família foi abençoada.

O sabão que fabricava tinha a maior aceitação e por isso enriqueceu como jamais pensara. Começou então, a dar ao Senhor dois décimos, e prosperou ainda mais. Passou, depois, a dar três décimos, depois quatro, e em seguida cinco décimos. Educou sua família, completou todos os planos da sua vida e depois deu todo o lucro ao Senhor.

CONSEQUÊNCIAS DA FALTA DE DÍZIMOS

O dízimo é para o sustento daqueles que trabalham no ministério da Palavra. Em Números 18.24 lemos que os dízimos eram para o sustento dos levitas. Estes, porque não tinham herança como as outras tribos, tinham de receber o sustento dos seus irmãos. Levitas são os chamados hoje por Deus e santificados pelo Espírito Santo a pregar o evangelho, sem recursos e sem emprego para ganhar o pão e acerca dos quais Deus ordena: “aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho” (1Coríntios 9.14).

Todos que não pagam o dízimo estão roubando a Deus. Depois de perguntar ao profeta: “Roubará o homem a Deus?” acrescenta: “Todavia vós me roubais… nos dízimos e nas ofertas” (Malaquias 3.8). Não existe país que não exija a prisão e punição de quem rouba, e concordamos que isto é justo. Mas será menor crime roubar a Deus do que ao próximo? Na vinda do Senhor aqueles que retém os dízimos encontrar-se-ão sob a condenação e serão classificados de “roubadores de Deus”.

A falta de pagar o dízimo é um dos maiores impedimentos à pregação do evangelho. Quantos milhões de almas estão caindo no inferno porque não ouviram a pregação da Palavra? Há muitos ministros sofrendo necessidade e o progresso da obra de Igreja está impedido. A exortação de Deus, neste sentido, é: “Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa” (Malaquias 3.10-12).

A PROMESSA SE CUMPRE

Há toda a razão para dizer que o homem é pobre, não só espiritual, mas também materialmente, porque rouba de Deus e este não pode abençoá-lo. Os pregadores de maior fé já provaram que o melhor conselho a dar àqueles que não podem pagar suas dívidas é que comecem a pagar ao Senhor o décimo do pouco que recebem. Deus não pode falhar na sua promessa para tais pessoas (Malaquias 3.10-12). “Alguns há que espalham, e ainda se lhes acrescenta mais; e outros que retém mais do que é justo, mas é para a sua perda” (Provérbios 11.24).

O filho de Deus que começa a pagar o dízimo fica surpreso, pelo menos com seis coisas:

  • Como tem tanto dinheiro para a obra do Senhor;
  • Como os nove décimos, com a bênção de Deus, compram mais que os dez sem esta bênção;
  • Como a vida espiritual aumenta quando paga o dízimo;
  • Como é fácil, depois de pagar o dízimo, passar a dar ainda mais;
  • Como é concedida a sabedoria ao administrador fiel dos nove décimos que ficam nas mãos;
  • E ficará surpreendido porque não resolveu mais cedo a fazer isto, como regra de vida.

ALÉM DO DINHEIRO

“É para vós tempo de habitardes nas vossas casas estucadas, e esta casa há de ficar deserta? Ora, pois, assim diz o Senhor dos Exércitos: Aplicai os vossos corações aos vossos caminhos. Semeais muito, e recolheis pouco; comeis, mas não vos fartais; bebeis, mas não vos saciais; vestis-vos, mas ninguém se aquece; e o que recebe salário, recebe salário num saco furado” (Ageu 1.4-6).

Como é triste morar em casa boa, quando a casa de Deus está desprezada! E como é lastimoso semear muito sem ceifar; comer sem se fartar, beber sem se saciar, vestir-se sem ficar quente e receber salário bom só para pô-lo em saco furado. E tudo isto tem aplicação tanto material como espiritualmente.

Podemos nós aceitar a vida eterna das mãos feridas de Cristo sem lhe ofertarnos mais que os poucos centavos de troco que se encontram no bolso, depois de gastarmos quase tudo para nós mesmos?

E justo receber o lar eterno pelo preço que Ele pagou, e dar-lhe só os restos, ou só o serviço que nos é conveniente? Queremos crucificar o Senhor Jesus de novo, na cruz de nossa conveniência? Não ficarias comovido a dar muito mais que qualquer dinheiro?

Um homem de grandes recursos voltara do cais depois de presenciar a saída de um navio. Encontrou-se com um conhecido que lhe disse: “Parece-me muito alegre”. – “Sim, estou alegre. Naquele navio tenho o valor de duzentos mil cruzeiros em material e aparelhos necessários para levantar um hospital para os pobres na China, e estou voltando depois de vê-lo sair”. – “Como é glorioso! Sinto muito gozo ao saber de tão grande contribuição. Tenho, também, uma oferta no navio. A minha única filha está a bordo, viaja para a China, onde vai dar sua vida como missionária, para salvar almas no mesmo país”. O rico, comovido, olhou para seu amigo e exclamou: “Meu irmão acho que não estou dando nada em comparação com o teu sacrifício!”

Por que é tão difícil vencer a carne e contribuir para a obra de Deus? É porque nunca fizemos como as igrejas da Macedônia: “E não somente fizeram como nós esperávamos, mas a si mesmos se deram primeiramente ao Senhor” (2Coríntios 8.5).

Perante grande auditório, um valente soldado, que perdera sua perna em defesa da pátria, foi apresentado. O herói foi recebido com grandes aplausos. Quando se fez silêncio, disse: “Não, isto é um erro! Eu não perdi perna, nem coisa alguma na guerra. Entregamos tudo o que tínhamos à pátria e aquilo que nos restou é lucro”. Que pensas tu, soldado cristão?

  1. S. BOYER

Artigo publicado no jornal Mensageiro da Paz. Primeira quinzena de abril de 1944, pág. 3


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