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Do angu até tu, passando pelo zoológico

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No ensino básico, me ensinaram que um sapo transformando-se num príncipe era um conto de fadas. Na universidade, me ensinaram que um sapo transformando-se num príncipe era um fato! RON CARLSON

No filme Contato, Jodie Foster desempenha o papel de uma cientista que faz parte do grupo de pesquisa chamado Busca por Vida Extraterrestre Inteligente, cuja sigla em inglês é SETI. A SETI — que é uma organização real — tem cientistas que varrem o espaço em busca de sinais claros de vida inteligente. O que é um sinal claro de vida inteligente? Uma mensagem. Isso mesmo, alguma coisa como “Leve o lixo para fora — Mamãe”.

Foster fica extremamente animada quando sua antena capta ondas de rádio que parecem ter um padrão inteligente. “1, 2, 3, 5, 7, 11 [ … ] São os números primos!”, diz ela. “Isso não pode ser um fenômeno natural!”

É fato que ondas de rádio aleatórias podem ser produzidas naturalmente, mas as que contêm uma mensagem sempre possuem uma fonte inteligente. Os números primos, de um até 1 O 1 em ordem, constituem uma mensagem que pode vir apenas de um ser inteligente.

Foster está tão confiante de que o ET foi encontrado que anuncia publicamente sua descoberta. Oficiais militares e governamentais vão até o seu laboratório. “Se isto é uma fonte inteligente, então por que eles não falam inglês?”, pergunta um dos oficiais, com um tom de gozação.

“Porque a matemática é a única linguagem universal!”, ataca Foster.

É claro que ela está certa. De fato, os alfabetos — e, portanto, a própria linguagem em si — podem ser reduzidos a números. É por isso que o alfabeto ocidental é matematicamente idêntico ao alfabeto genético no DNA, e é por isso que a comparação das informações das células com as enciclopédias é um relacionamento um para um, em vez de ser simplesmente uma analogia.

Embora Foster e seus colegas mais tarde descubram uma mensagem mais complicada embutida nas ondas de rádio, eles já estão absolutamente certos de que os números primos sozinhos provam que a mensagem veio de uma vida inteligente. Por que estão tão certos disso? Porque a observação repetida nos diz que apenas seres inteligentes criam mensagens e que as leis naturais nunca fazem isso. Ao vermos uma seqüência de números primos, percebemos que isso exige uma causa inteligente, assim como as mensagens “Leve o lixo para fora — Mamãe” e “Mary ama Scott” também a exigem.

Ironicamente, Contato foi baseado num romance do falecido Carl Sagan, um apaixonado evolucionista que acreditava na geração espontânea e que foi uma pessoa fundamental para o início do programa do SETI verdadeiro. A ironia reside no fato de que Sagan estava absolutamente convencido de que uma simples seqüência de números primos prova a existência de vida inteligente, mas o equivalente a mil enciclopédias na primeira vida unicelular não provava isso. É preciso ter muita fé para não acreditar em Deus. Mais do que a fé que temos!

Além disso, foi o próprio Carl Sagan que escreveu isto sobre o cérebro humano:

A informação contida no cérebro humano expressa em bits é provavelmente comparável ao número total de conexões entre os neurônios — cerca de 100 trilhões de bits. Se fosse escrita em inglês, digamos, essa informação encheria 20 milhões de volumes, o equivalente em volumes ao acervo das maiores bibliotecas do mundo. A equivalência dos 20 milhões de livros está dentro da cabeça de todos nós. O cérebro é um lugar muito grande num espaço muito pequeno [ … ] A neuroquímica do cérebro é extremamente ativa. É o circuito de uma máquina mais maravilhosa do que qualquer uma que o ser humano já tenha visto.[1]

 

Na verdade, Sagan provavelmente subestimou o conteúdo de informações do cérebro em 20 milhões de livros. Ainda assim, os números são impressionantes. Para se ter uma idéia, imagine-se na quadra de um grande ginásio de esportes’ antes de um jogo. Você é a única pessoa naquele ginásio e está vendo cerca de 20 mil lugares vazios ao seu redor. Quantos livros você precisaria empilhar em cada assento para que houvesse 20 milhões de livros naquele estádio?

Você precisaria empilhar mil livros em cada assento para ter 20 milhões de livros dentro daquele estádio. Pense nisto: o teto não é alto o suficiente para permitir a entrada de tantos livros; você precisaria demolir o teto e continuar empilhando! Essa é a quantidade de informação específica e complexa que está localizada entre os seus ouvidos. Sagan estava realmente certo quando disse que o cérebro é um lugar muito grande num espaço muito pequeno e algo imensamente mais sofisticado do que qualquer coisa que os humanos já tenham criado.

Agora, vamos rever os fatos: Sagan percebeu que o cérebro humano tem um conteúdo de informações equivalente a 20 milhões de livros. Também percebeu que ele é drasticamente mais específico e complexo do que uma seqüência de números primos. Então por que achou que a mensagem mais simples exigia a existência de um ser inteligente, mas que aquele volume de informações do tamanho de 20 milhões de livros não exigiria? Também podemos fazer a Sagan e a seus colegas darwinistas uma pergunta de peso similar: se seres humanos inteligentes não podem criar coisa alguma próxima do cérebro humano, por que deveríamos esperar que leis naturais não inteligentes o fizessem?

A resposta do darwinista normalmente envolve a “seleção natural”. Seria isso suficiente para gerar novas formas de vida? Além do mais, existe um longo caminho entre uma célula e o cérebro humano.

 

O QUE DIZER SOBRE NOVAS FORMAS DE VIDA?

Antes de discutir a origem de novas formas de vida, precisamos voltar ao problema da origem da primeira vida. Certamente existe um longo caminho que vai de uma célula até o cérebro humano, mas a jornada pode ser ainda mais longa se partirmos de elementos químicos inanimados para tentar chegar até a primeira célula. Esse é o problema mais difícil para os darwinistas. De onde veio a primeira vida?

Você consegue enxergar a magnitude desse problema para os darwinistas? Se os darwinistas não têm uma explicação para a primeira vida, então qual a razão de se falar sobre novas formas de vida? O processo de macroevolução, se é que é possível, não pode nem mesmo ter início a não ser que haja uma vida preexistente.

Mas, como vimos nos últimos capítulos, isso não é impedimento para os darwinistas. Contra todas as evidências empíricas da criminalística, os darwinistas montam uma história do tipo “é porque é” — geração espontânea ou panspermia — que, de maneira mágica, dá-lhes a primeira vida de que precisam. Isso não é ciência — é uma piada. De fato, isso nos lembra uma piada. Steve Martin costumava dizer: “Eu sei como você pode tornar-se um milionário e nunca pagar impostos! Primeiro de tudo, consiga 1 milhão de dólares. O.k., depois … “.

A posição dos darwinistas é ainda mais problemática quando se considera que nem mesmo têm uma explicação para a fonte dos elementos químicos inanimados, quanto mais uma explicação para a vida. Como vimos no capítulo 3, uma das mais profundas perguntas a serem feitas é: “Se não existe Deus, por que existe alguma coisa além de nada?”. Vimos que os ateus não têm uma resposta plausível para essa pergunta. Sugerir uma possibilidade não é suficiente — eles precisam apresentar provas, se quiserem ser científicos. É óbvio que não sabem de onde veio o Universo. Uma boa tampa da caixa (visão de mundo) deveria ser capaz de explicar de maneira plausível todos os dados. Se ela não pode responder às perguntas fundamentais da origem do mundo ou da vida, não é uma tampa viável. É hora de procurar outra.

Embora vejamos que a tampa da caixa dos darwinistas seja essencialmente falha, precisamos observar algumas das afirmações que os darwinistas fazem em relação à origem de novas formas de vida. Sua teoria é chamada de macroevolução.

 

Microevolução versus macroevolução

Você se lembra da macroevolução — do angu até tu, passando pelo zoológico. É a crença de que todas as formas de vida descendem de um ancestral comum — a primeira criatura uni celular — e que tudo isso aconteceu por meio de um processo natural destituído de qualquer intervenção inteligente. Deus não foi envolvido. Foi um processo completamente cego.

Os darwinistas dizem que isso aconteceu por seleção natural. Mas a expressão “seleção natural” é incorreta. Uma vez que o processo de evolução é, por definição, feito sem inteligência, não existe “seleção” em tudo o que está acontecendo. É um processo cego. A expressão “seleção natural” simplesmente significa que as criaturas que sobrevivem são aquelas que melhor se adaptam. E daí? Isso é verdade por definição — o mais adaptado sobrevive (isso é tautologia um argumento circular que não prova coisa alguma). Logicamente essas são as criaturas mais bem equipadas genética ou estruturalmente para lidar com condições ambientais mutáveis (é por isso que elas sobrevivem).

Como exemplo de “seleção natural”, considere o que acontece com uma bactéria atacada por antibióticos. Quando a bactéria sobrevive a uma luta com os antibióticos e se multiplica, esse grupo sobrevivente de bactérias pode ser resistente àquele antibiótico. A bactéria sobrevivente é resistente àquele antibiótico porque a bactéria mãe possuía a capacidade genética de resistir ou uma rara mutação bioquímica de algum tipo a ajudou a sobreviver (dizemos “rara” porque mutações são quase sempre prejudiciais). Uma vez que a bactéria sensível morre, a bactéria sobrevivente multiplica-se e passa a ser dominante.

Os darwinistas afirmam que a bactéria sobrevivente evoluiu. Tendo se adaptado ao ambiente, a bactéria sobrevivente nos dá um exemplo de evolução. Muito bem, mas que tipo de evolução? A resposta que estamos prestes a dar é absolutamente crítica. De fato, fora das pressuposições filosóficas que já expusemos, definir “evolução” é talvez o ponto de maior confusão na controvérsia evolução-criação. É aqui que os erros e as falsas afirmações darwinistas começam a multiplicar-se tal como uma bactéria se não forem verificadas por aqueles que acreditam que a observação é importante para a ciência. É aqui que a observação nos diz: a bactéria que sobreviveu continua sendo bactéria. Ela não evoluiu para outro tipo de organismo. Isso seria macroevolução. Nunca se observou a seleção natural criando novos tipos.

Mas macroevolução é exatamente aquilo que os darwinistas afirmam dos dados. Eles dizem que essas microtransformações observáveis podem ser extrapoladas para provar que uma macroevolução não observável aconteceu. Não fazem nenhuma diferenciação entre microevolução e macroevolução e, assim, usam a evidência da micro para provar a macro. Ao deixarem de fazer essa distinção fundamental, os darwinistas podem tapear o público em geral, fazendo as pessoas pensarem que qualquer mudança observável em um organismo prova que a vida desenvolveu-se com base em uma primeira criatura unicelular.

Por isso é essencial que se façam as distinções corretas e que todas as suposições ocultas sejam expostas quando se discute a controvérsia criação-evolução. Assim, se alguém um dia perguntar-lhe: “Você acredita na evolução?”, você deve responder com a seguinte pergunta: “O que você quer dizer com evolução? Quer dizer micro ou macroevolução?”. A microevolução já foi observada; mas não pode ser usada como prova da macroevolução, que nunca foi observada.

Os darwinistas são mestres em definir o termo “evolução” de uma maneira ampla o suficiente de modo que a prova de uma situação possa ser contada como prova de outra. Infelizmente para eles, o público está começando a perceber essa tática, em grande parte devido às obras populares do professor de Direito da Universidade de Berkeley, Phillip E. Johnson. Johnson foi o primeiro a expor o truque de manipulação dos darwinistas em seu livro arrasador intitulado Darwin on Trial [Darwin no tribunal]. É nessa obra que ele destaca que “nenhuma das ‘provas’ [para a seleção natural] nos dão uma razão persuasiva para acreditar que a seleção natural possa produzir novas espécies, novos órgãos ou quaisquer outras mudanças importantes, nem mesmo mudanças menores que sejam permanentes”.[2] O biólogo Jonathan Wells concorda quando escreve que “mutações bioquímicas não podem explicar as mudanças em larga escala nos organismos que vemos na história da vida’. [3]

Por que a seleção natural não pode cumprir essa tarefa? Vejamos a seguir cinco razões para isso.

1. Limites genéticos. Os darwinistas dizem que a microevolução dentro dos tipos prova a ocorrência da macroevolução. Se essas pequenas mudanças podem ocorrer dentro de um pequeno período de tempo, pense no que a seleção natural pode fazer dentro de um longo período de tempo.

Infelizmente para os darwinistas, os limites genéticos parecem ter sido colocados nos tipos básicos. Por exemplo: criadores de cães sempre encontram limites genéticos quando inteligentemente tentam criar novas raças de cães. Os cães podem variar de tamanho, desde um chiuaua até um dinamarquês, mas, apesar das melhores tentativas dos criadores mais inteligentes, os cachorros sempre continuam sendo cachorros. Do mesmo modo, apesar dos melhores esforços dos cientistas inteligentes de manipular a mosca de fruta, seus experimentos nunca resultaram em qualquer outra coisa além de mosca de fruta (e normalmente espécimes defeituosos).[4] Isso é especialmente significativo porque a vida curta de uma mosca de fruta permite aos cientistas testarem muitos anos de variação genética em um pequeno período de tempo.

Mais importante ainda é destacar que a comparação entre seleção natural e seleção artificial de raças feita por pesquisadores é completamente inválida, como mostrado na tabela 6.1. A maior diferença está no fato de que a seleção artificial é guiada com inteligência, enquanto a seleção natural não é.

 

Diferenças cruciais

SELEÇÃO ARTIFICIAL

SELEÇÃO NATURAL

Meta Tem um objetivo (fim) em vistaNão tem objetivo (fim) em vista
Processo Processo guiado com inteligênciaProcesso cego
Opções Escolha inteligente de raçasNão há escolha inteligente de raças
Proteção As raças são protegidas de processos destrutivosAs raças não são protegidas de processos destrutivos
Anomalias Preserva anomalias desejadasElimina a maioria das anomalias
Interrupções Interrupções continuadas para alcançar o objetivo desejadoNão faz interrupções para alcançar qualquer tipo de objetivo
Sobrevivência Sobrevivência preferencialNão há sobrevivência preferencial

Tabela 6.1

Confundir processos inteligentes com processos não inteligentes é um erro comum dos darwinistas. Foi isso que aconteceu quando eu [Norm] debati com o humanista Paul Kurtz em 1986 sobre o assunto da evolução. Moderado pelo famoso apologista da TV norte-americana John Ankerberg, o debate produziu este diálogo em relação à macroevolução:

Geisler: — [Chandra] Wickramasinghe [que é ateu] disse: “Acreditar que a vida surgiu por acaso é como acreditar que um Boeing 747 surgiu depois de um tornado ter passado por um ferro-velho”. Você precisa ter muita fé para acreditar nisso!

Kurtz: — Bem, o 747 evoluiu. Podemos voltar ao tempo dos irmãos Wright e ver o primeiro tipo de aeroplano que eles criaram …

Geisler: — Criaram?

Kurtz: — Sim, mas …

Ankerberg: — Por inteligência ou por acaso? [Risos.]

Kurtz: — Houve um período de tempo em que essas formas mudaram …

Ankerberg: — Mas eles não criaram aqueles aeroplanos usando a inteligência?

Kurtz: — Eu estava usando a analogia que o Dr. Geisler estava usando.

Geisler: — Bem, você está ajudando o meu argumento! [Risos.] Você precisa deixar esse argumento e encontrar outro!

Kurtz: — Não, não, acho que a questão que estou levantando é boa porque houve mudanças do aeroplano mais simples para o mais complexo.

Geisler: — Sim, mas essas mudanças ocorreram por meio de intervenção inteligente!

O fato é que a mudança direcional nos aeroplanos por meio de inteligência não prova nada em relação à possibilidade de mudança direcional nos seres vivos sem inteligência. Como veremos na próxima sessão, não foram observadas mudanças direcionais em seres vivos por meio da seleção natural. E uma mudança direcional em coisas vivas realizada por meio de inteligência esbarra em limites genéticos. Assim, até mesmo quando é guiada por inteligência, a evolução encontra obstáculos. Em outras palavras, até mesmo quando os cientistas inteligentemente manipulam criaturas tendo um fim em mente — que é a antítese do processo darwinista cego -, a macroevolução ainda não funciona! Se cientistas inteligentes não podem romper as barreiras genéticas, por que deveríamos esperar que a seleção natural não inteligente pudesse fazer isso?

2. Mudança cíclica. Não apenas existem limites genéticos para as mudanças dentro dos tipos, como a própria mudança dentro dos tipos parece ser cíclica. Em outras palavras, as mudanças não são direcionais rumo ao desenvolvimento de uma nova forma de vida, como exigem as teorias macroevolucionistas, mas elas simplesmente vão para a frente e para trás dentro de uma faixa limitada. Os tentilhões de Darwin, por exemplo, apresentaram variação no tamanho do bico, fato que tinha relação com o clima.[5] O bico maior ajudava a quebrar sementes maiores e mais duras durante os períodos de seca, e o bico menor trabalhava bem quando o tempo mais úmido trouxe uma abundância de sementes menores e mais macias. Quando o tempo ficou mais seco, a proporção de tentilhões com bico maior cresceu em relação aos pássaros de bico menor. A proporção inverteu-se logo depois de um período contínuo de tempo úmido. Perceba que nenhuma forma de vida passou a existir (eles continuaram sendo tentilhões); a única alteração deu-se na proporção relativa de animais com bico grande e bico pequeno. Perceba também que a seleção natural não pode explicar de que maneira surgiram os tentilhões. Em outras palavras, a seleção natural pode ser capaz de explicar a sobrevivência de uma espécie, mas não consegue explicar o surgimento de uma espécie.

3. Complexidade irredutível. Em 1859, Charles Darwin escreveu; “Se pudesse ser demonstrado que qualquer órgão complexo existente não tivesse sido formado por modificações numerosas, sucessivas e pequeninas, minha teoria estaria absolutamente acabada”.[6] Hoje sabemos que existem muitos órgãos, sistemas e processos na vida que se encaixam nessa descrição.

Um deles é a célula. Nos dias de Darwin, a célula era uma “caixa-preta” uma misteriosa e pequena parte da vida que ninguém podia observar. Mas agora que temos a capacidade de olhar dentro da célula, vemos que a vida em nível molecular é imensuravelmente mais complexa do que Darwin jamais sonhou. De fato, ela é irredutivelmente complexa. Um sistema irredutivelmente complexo é “composto de diversas partes bem casadas e interativas que contribuem para uma função básica, no qual a remoção de qualquer uma de suas partes faz com que ele pare de funcionar”.[7]

Essas são as palavras de Michael Behe, professor de bioquímica na Universidade Lehigh, que escreveu o revolucionário livro intitulado Darwin ‘s Black Box: The Biochemical Challenge to Evolution. A pesquisa de Behe verifica que coisas vivas são literalmente repletas de máquinas moleculares que executam as diversas funções da vida. Essas máquinas moleculares são irredutivelmente complexas, o que significa que todas as partes de cada uma dessas máquinas devem ser completamente formadas, estar nos lugares corretos, nos tamanhos corretos, operar na seqüência adequada e em sincronia para que a máquina funcione.

O motor de um carro é um exemplo de um sistema irredutivelmente complexo. Se acontecer uma mudança no tamanho dos pistões, então é necessário fazer uma mudança no comando de válvulas, no bloco, no sistema de refrigeração, no compartimento do motor e em outros sistemas, ou o novo motor não vai funcionar.

Behe mostra que coisas vivas são irredutivelmente complexas, tal como o motor de um carro. Com meticulosos detalhes, ele mostra que inúmeras funções do corpo — coagulação do sangue, os cílios (o mecanismo de propulsão de alguns organismos), a visão — exigem sistemas irredutivelmente complexos que não poderiam ter se desenvolvido na forma gradual darwinista. Por quê? Porque os intermediários não seriam funcionais. Assim como acontece com o motor de um carro, todas as partes certas devem estar no lugar certo, no tamanho certo e ao mesmo tempo, para que possa existir alguma função. Você pode construir um motor parte por parte (isso exige inteligência), mas não pode sair dirigindo só com metade do motor debaixo do capô do carro. Também não seria possível sair dirigindo se uma parte essencial do motor fosse modificada e as outras não. Da mesma forma, os sistemas vivos se tornariam rapidamente não funcionais se fossem modificados peça por peça.

O grau de complexidade irredutível nos seres vivos é estonteante. Lembre-se de que o alfabeto genético do DNA é composto de quatro letras: A, T, C e G. Bem, dentro de cada célula humana existem cerca de 3 bilhões de pares dessas letras.[8] O seu corpo não apenas tem trilhões de células, mas produz milhões de novas células a cada segundo. Cada célula é irredutivelmente complexa e contém subsistemas irredutivelmente complexos!

As descobertas de Behe são fatais para o darwinismo. A complexidade irredutível significa que uma nova vida não pode vir a existir por meio do método darwinista de pequenas e sucessivas mudanças durante um longo período de tempo. O darwinismo é semelhante ao ato de forças naturais — sem nenhuma ajuda inteligente — produzindo o motor de um carro de corrida (i.e., uma ameba) e depois modificando o motor irredutivelmente complexo em sucessivos motores intermediários até que as forças naturais finalmente produzam o ônibus espacial (i.e., o ser humano). Os darwinistas não podem explicar a fonte dos materiais que compõem o motor, muito menos de que maneira o primeiro motor irredutivelmente complexo veio a existir. Também não podem demonstrar o processo não inteligente por meio do qual qualquer motor tenha evoluído até se transformar num ônibus espacial enquanto fornecia algum tipo de propulsão nos passos intermediários. Isso fica evidente com base na completa ausência de explicações darwinistas sobre a maneira pela qual um sistema irredutivelmente complexo possa ter surgido gradualmente. Michael Behe expõe as afirmações vazias dos darwinistas:

 

A idéia darwinista da evolução molecular não está baseada na ciência. Não há explicação na literatura científica — em periódicos ou em livros — que descreva a evolução molecular de qualquer sistema bioquímico real e complexo que tenha ocorrido ou que até mesmo possa vir a ocorrer. Existem afirmações de que tal evolução aconteceu, mas absolutamente nenhuma delas é apoiada por experimentos pertinentes ou por cálculos. Uma vez que não há autoridade na qual basear as afirmações de conhecimento, pode-se verdadeiramente dizer que a afirmação da evolução molecular darwinista é simplesmente arrogância. [9]

As débeis tentativas dos darwinistas de lidar com a complexidade irredutível revelam a magnitude do problema para sua teoria. O darwinista Ken Miller sugeriu que a complexidade irredutível não é verdadeira porque ele pode mostrar que o exemplo citado por Behe para a complexidade irredutível — uma ratoeira — não é na verdade um sistema irredutivelmente complexo. De acordo com Behe, todas as cinco partes de uma ratoeira tradicional precisam estar no lugar no mesmo tempo, em ordem correta, para que a ratoeira funcione. Você não pode pegar ratos simplesmente com uma plataforma e uma mola, por exemplo. Mas Miller acha que pode refutar a afirmação de Behe construindo uma ratoeira similar com apenas quatro partes (Miller realmente levantou isso durante um debate televisionado pela PBS no final da última década de 90).

A crítica de Miller erra o alvo. Primeiramente, tal como um típico darwinista, Miller ignora o fato de que sua ratoeira exige inteligência para ser constituída. Segundo, Behe não está dizendo que é necessário cinco partes para construir qualquer ratoeira, mas apenas a ratoeira tradicional. Resulta que a ratoeira de Miller não é uma precursora física da ratoeira tradicional de Behe. Em outras palavras, transformar a ratoeira de Miller na de Behe exigiria mais do que um passo aleatório (i.e., darwinista) — a mudança exigiria a adição de uma outra parte muito específica e vários anos de ajustes bastante específicos para que pudesse se encaixar nas partes existentes (e isso requer inteligência). Terceiro, até mesmo que essas mudanças pudessem ser feitas de alguma maneira, por meio de algum processo que não envolvesse uma mente inteligente, a ratoeira não funcionaria durante o período de transição. Contudo, para que o darwinismo seja verdadeiro, a funcionalidade deve ser mantida durante todo o tempo, porque coisas vivas não podem sobreviver se, digamos, seus órgãos vitais não executarem suas funções normais durante as lentas transições baseadas em tentativa e erro dos darwinistas.[10] Por último, uma ratoeira é apenas uma ilustração. Sistemas vivos são imensuravelmente mais complexos que uma ratoeira. Assim, fica claro que a afirmação de Behe não foi refutada por Miller nem por qualquer outro darwinista.[11]

Durante uma conferência sobre o projeto inteligente em julho de 2002, na qual tanto Behe quanto eu [Frank] fomos palestrantes, um darwinista em particular estava bem ativo durante o período de perguntas e respostas das palestras. Eu queria virar a mesa e fazer-lhe algumas perguntas, de modo que dei um jeito de sentar-me perto dele durante o almoço.

— O que você faz com o argumento da complexidade irredutível de Behe? — perguntei entre pedaços de pizza. Ele virou os olhos e disse:

— Ah, isso não é problema. Existem andaimes químicos que são construídos em volta de um sistema para permitir que evolua gradualmente.

Quando vi Behe mais tarde naquele mesmo dia, contei-lhe sobre a explicação do darwinista. Ele corretamente destacou que: 1) não há evidência de tais “andaimes” e 2) na verdade ele complica as coisas para os darwinistas, a saber, se esses “andaimes” realmente existirem, então quem continua a construí-los exatamente nos lugares corretos? Isso exigiria inteligência.

Outros tentaram encontrar desvios darwinistas para a complexidade irredutível, mas todos falharam. Behe confirma isso quando diz categoricamente: “Não existe atualmente nenhuma evidência experimental que mostre que a seleção natural possa desviar-se da complexidade irredutível” .[12]

Behe não subestima as implicações da complexidade irredutível e de outras descobertas relacionadas à complexidade da vida. Ele escreve:

O resultado desses esforços cumulativos de investigar a célula — investigar a vida ao nível molecular — é um clamor alto, claro e penetrante do ‘projeto’! O resultado é tão inequívoco e tão significante que deve ser considerado como um dos maiores feitos na história da ciência. Essa descoberta rivaliza com as de Newton e Einstein.[13]

4. Não viabilidade das formas transicionais. Outro problema que afeta a possibilidade de a seleção natural criar novas formas de vida é o fato de que as formas transicionais não podem sobreviver. Considere, por exemplo, a afirmação darwinista de que os pássaros evoluíram gradualmente dos répteis durante um longo período de tempo. Isso certamente exigiria a transição de escamas para penas. De que maneira urna criatura poderia sobreviver não tendo mais escamas, mas ainda não tendo penas? As penas são irredutivelmente complexas. Uma criatura com a estrutura de meia pena não consegue voar. Seria uma presa fácil na terra, na água e no ar. Como um animal no meio do caminho entre um réptil e um pássaro; provavelmente não estaria adaptado a encontrar comida para si mesmo também. Assim, o problema dos darwinistas é duplo: primeiramente, eles não têm um mecanismo viável para transformar répteis em pássaros; segundo, mesmo que o mecanismo viável fosse descoberto, de qualquer maneira a forma transicional muito provavelmente não sobreviveria.

5. Isolamento molecular. Os darwinistas freqüentemente dizem que a evidência do descendente comum reside no fato de que todas as coisas vivas contêm DNA. Richard Dawkins, por exemplo, afirma que “a razão que conhecemos como certa para o fato de todos estarmos relacionados, incluídas as bactérias, é a universalidade do código genético e de outros fundamentos bioquímicos”.[14]

Os darwinistas acham que a similaridade do DNA entre homens e macacos, por exemplo, que varia de 85% a 95%,[15] implica claramente a existência de um relacionamento ancestral.

Mas essa é a evidência para um ancestral comum ou para um criador comum? Poderia ser interpretada das duas maneiras. Talvez os darwinistas estejam certos _ é possível que tenhamos um código genético comum porque todos nós sejamos descendentes de um ancestral comum. Mas, do mesmo modo, eles poderiam facilmente estar errados — talvez tenhamos um código genético comum porque um criador comum nos planejou para que vivêssemos na mesma biosfera. Além do mais, se toda criatura viva fosse bioquimicamente diferente, provavelmente não existiria uma cadeia alimentar. Talvez não seja possível existir vida com diferentes formas bioquímicas. Mesmo que isso fosse possível, talvez ela não sobreviveria nessa biosfera.

Vamos considerar a figura 6.3. Será que a similaridade e a progressão provam que o caldeirão evoluiu da colher de chá? Não. Similaridade e progressão não implicam automaticamente a existência de uma ascendência comum. Nesse caso sabemos que existe um criador ou um projetista comum. Essa é a mesma situação que temos para as coisas vivas.

 

SIMILARIDADE E PROGRESSÃO

A similaridade de projeto prova a existência de um ancestral comum ou de um projetista comum?

 

Será que o caldeirão evoluiu da colher de chá?

Figura6.3

 

Como dissemos, a capacidade do alfabeto genético do DNA de conter uma mensagem é equivalente à capacidade do alfabeto ocidental de conter uma mensagem (a única diferença é que o alfabeto do DNA tem apenas quatro letras contra as 26 do alfabeto ocidental). Uma vez que rodos os seres vivos possuem DNA com a suas bases de nitrogênio (representadas pelas letras A, T, C e G), devemos esperar um alto grau de similaridade na informação entre as criaturas, quer elas se relacionem quer não por meio de um ancestral.

Vamos usar um exemplo:

Roma fica na Itália.

Amor fica na Itália.

Embora as letras das duas orações sejam idênticas e a ordem seja muito semelhante, uma alteração na seqüência delas geraria significados distintos. Do mesmo modo, uma única diferença na ordem das letras (A, T, C e G) nas coisas vivas pode gerar criaturas que estão muito longe de uma hipotética árvore evolucionista. Enquanto alguns estudos mostram, por exemplo, que a similaridade do DNA de humanos e de determinado macaco pode ser de cerca de 90%, outros estudos mostram que a similaridade do DNA dos humanos e dos ratos também é de cerca de 90%.[16] Tais comparações são controversas e não completamente entendidas. Mais pesquisa precisa ser realizada nesse campo. Mas, se os ratos são geneticamente próximos dos humanos e dos macacos, isso complicaria grandemente qualquer explicação darwinista.

Mas vamos supor que estudos mais avançados mostrem um dia que o DNA de um macaco seja verdadeiramente mais próximo do DNA de um humano do que o de qualquer outra criatura. Isso não seria uma prova da conclusão dos darwinistas de que existe um relacionamento ancestral. Mais uma vez, a razão para a similaridade poderia ser um criador comum, em vez de um ancestral comum. Devemos encontrar outras evidências no nível molecular que nos ajudem a descobrir se o código genético comum é uma evidência de um ancestral comum ou de um criador comum.

Essa outra evidência foi encontrada pela comparação da seqüência de proteínas. As proteínas são os tijolos da vida. Elas são compostas de longas cadeias de unidades químicas chamadas aminoácidos. A maioria das proteínas tem em sua estrutura mais de cem desses aminoácidos, os quais precisam estar numa ordem bastante específica. É o DNA que contém as instruções para ordenar os aminoácidos nas proteínas, e a ordem é essencial, pois qualquer variação normalmente faz a proteína ter uma disfunção.

É aqui que surge o problema para os darwinistas. Se todas as espécies compartilham de um ancestral comum, deveríamos esperar encontrar seqüências de proteínas que fossem formas transicionais, digamos, do peixe para um anfíbio ou do réptil para o mamífero. Mas não conseguimos encontrar isso de modo algum. Em vez disso, descobrimos que os tipos básicos são isolados uns dos outros em nível molecular, o que parece pôr fim a qualquer tipo de relacionamento ancestral. Michael Denton observa:

Em um nível molecular, não existe traço de transição evolucionária de um peixe para um anfíbio, deste para um réptil e deste último para um mamífero. Sendo assim, os anfíbios, tradicionalmente considerados intermediários entre o peixe e outros vertebrados terrestres, estão, em termos moleculares, tão longe do peixe quanto qualquer outro grupo de répteis ou de mamíferos! Para aqueles que estão acostumados com o quadro tradicional da evolução vertebrada, o resultado é verdadeiramente espantoso. [17]

Assim, embora todos os organismos compartilhem do mesmo código genético com graus variáveis de proximidade, esse código ordenou os aminoácidos nas proteínas de uma tal maneira que os tipos básicos estão em isolamento molecular uns dos outros. Não existem transições darwinistas, apenas vazios moleculares distintos. Os darwinistas não podem explicar a presença desses vazios moleculares por meio da seleção natural, do mesmo modo que não conseguem explicar a presença de enormes espaços no registro dos fósseis (que vamos abordar a seguir).

E quanto ao registro dos fósseis?

Vamos revisar rapidamente aquilo que vimos até aqui. Estas são as cinco linhas de evidências que mostram que a seleção natural não pode ter produzido novas formas de vida:

  1. limites genéticos;
  2. mudança cíclica;
  3. complexidade irredutível;
  4. não viabilidade das formas transicionais;
  5. isolamento molecular.

Mas o registro deixado pelos fósseis não apóia a teoria darwinista? Vamos dar uma olhada.

Sem o benefício da tecnologia de hoje, Charles Darwin não poderia reconhecer os problemas que sua teoria enfrentaria no nível celular. Contudo, ele realmente reconheceu que os registros fósseis representavam um enorme problema para sua teoria porque não mostravam um gradualismo. É por isso que escreveu:

“Então por que cada formação e extrato geológico não está cheio desses elos intermediários? É certo que a geologia não revela essa cadeia orgânica gradual, e essa talvez seja a mais óbvia e grave objeção que pode ser colocada em relação à minha teoria”.[18]

Mas Darwin achava que uma quantidade maior de descoberta de fósseis revelaria que sua teoria era verdadeira. O tempo provou que ele estava errado. Ao contrário do que você possa ouvir na mídia em geral, os registros fósseis tornaram-se um completo embaraço para os darwinistas. Se o darwinismo fosse verdade, teríamos encontrado até agora milhares, senão milhões, de fósseis transicionais. Em vez disso, de acordo com o falecido paleontólogo de Harvard, Stephen Jay Gould (um evolucionista),

A história da maioria das espécies fossilizadas inclui duas características particularmente incoerentes com o gradualismo: 1) Estase. A maioria dos espécimes não exibe mudança direcional durante seu período de vida na Terra. Eles aparecem nos fósseis de maneira muito semelhante à época na qual desapareceram; a mudança morfológica é normalmente limitada e sem direção clara. 2) Aparecimento repentino. Em qualquer área, uma espécie não aparece gradualmente mediante a constante transformação de seus ancestrais; ela aparece de uma vez e plenamente formada.[19]

Em outras palavras, Gould está admitindo que espécimes fósseis aparecem de repente, plenamente formados e permanecem os mesmos até a extinção, sem nenhuma mudança direcional — exatamente aquilo que esperaríamos encontrar se a criação fosse verdadeira.

Contudo, em vez de adotar o criacionismo, Gould rejeitou o gradualismo de Darwin e formulou uma teoria chamada de equilíbrio pontual (EP). O EP sugere que os espécimes evoluíram mais rapidamente durante um período de tempo mais curto, explicando assim as grandes lacunas dos fósseis. Gould não tinha nenhum mecanismo natural para explicar esse acontecimento, mas, uma vez que era ateu, tinha de explicar o registro fóssil de alguma maneira. Esse é um caso clássico de permitir que os seus preconceitos manchem as suas observações.

Mas nós divagamos. O ponto principal é que o registro fóssil na verdade se alinha melhor com a criação sobrenatural do que com a macroevolução. Na verdade, não existem elos perdidos — existe uma cadeia perdida!

Na verdade, não existe uma cadeia porque praticamente todos os grupos principais de animais conhecidos existentes aparecem no registro fóssil abruptamente e plenamente formados no extrato do período cambriano (que muitos cientistas afirmam ter ocorrido entre 600 a 500 milhões de anos atrás). Jonathan Wells escreve: “A evidência fóssil é tão forte e o evento tão dramático que ficou conhecido como ‘a explosão cambriana’ ou o ‘Big Bang biológico'”.[20]

Essa evidência é naturalmente incompatível com o darwinismo. Todos os grupos animais aparecem separadamente, plenamente formados e ao mesmo tempo. Não há evidência de evolução gradual, mas de uma criação instantânea. Assim, a árvore darwinista que estamos tão acostumados a ver não ilustra adequadamente o registro fóssil real. De fato, como observa Wells, “se qualquer analogia botânica fosse adequada, ela seria a de um gramado, em vez de uma árvore’.,[21] Esse gramado teria pedaços de diferentes tipos de grama ou plantas, separados por grandes áreas de nada além de terra.

Nesse ponto, você pode estar pensando: “Mas e quanto à progressão dos crânios que estamos tão acostumados a ver? Não parece que o homem realmente evoluiu dos macacos?”.

Alguns anos atrás, eu [Norm] debati com um darwinista que colocou lado a lado vários crânios em cima de uma mesa para ilustrar que a evolução havia acontecido. “Senhoras e senhores, a prova da evolução está exatamente aqui”, declarou ele.

Uau, como é possível ignorar os fósseis? Os crânios pareciam realmente estar numa progressão. Aparentemente tinham um relacionamento ancestral. Seria essa uma boa evidência para o darwinismo? Não, ela não é melhor do que a evidência de que um caldeirão evoluiu de uma colher de chá.

O problema para os darwinistas é que o registro fóssil não pode estabelecer relacionamentos ancestrais. Por que não? Porque, de acordo com Michael Denton, “99% da biologia de um organismo reside em sua anatomia mole, que é inacessível em um fóssil”.[22] Em outras palavras, é extremamente difícil descobrir a cobertura biológica de uma criatura olhando para os seus restos fósseis. Jonathan Wells observa: “A prova dos fósseis é aberta a muitas interpretações porque espécimes individuais podem ser reconstruídos de várias maneiras e porque o registro dos fósseis não pode estabelecer relacionamentos ancestral-descendente”. [23]

Mas isso não pára os darwinistas. Uma vez que o darwinismo tem de ser verdadeiro por causa de seu comprometimento filosófico prévio, os darwinistas precisam encontrar evidências que o apóiem. Assim, em vez de admitir que os fósseis não podem estabelecer relacionamentos ancestrais, os darwinistas pegam o 1 % que os fósseis lhes contam e usam os outros 99% de incertezas para descrever suas descobertas fósseis como algo que pode preencher todas as lacunas que desejam. Com esse enorme número de desvios e nenhum fato para contê-los, os darwinistas sentem-se livres para criativamente construir “elos perdidos” completos com base em restos fósseis comuns, tais como um único dente. É por isso que muitos dos assim chamados “elos perdidos” mais tarde foram expostos como fraudes ou erros.[24] Henry Gee, autor chefe da área de ciências da revista Nature, escreve:

“Fazer uma fila de fósseis e afirmar que eles representam uma linhagem não é uma hipótese científica que possa ser testada, mas, sim, uma afirmação que tem a mesma validade de uma história para fazer uma criança dormir agradável, talvez até mesmo instrutiva, mas não científica”. [25]

O registro fóssil não é apenas inadequado para estabelecer um relacionamento ancestral. À luz do que sabemos hoje sobre a natureza irredutivelmente complexa dos sistemas biológicos, o registro fóssil é irrelevante para a questão. A similaridade de estrutura ou de anatomia entre tipos (algumas vezes chamada de homologia) também não nos diz nada sobre um ancestral comum. Michael Behe escreve:

De maneira bem simples, a anatomia é irrelevante para a questão de se saber se a evolução possa ter ocorrido no nível molecular. O mesmo acontece com o registro dos fósseis. Não importa mais se existem enormes lacunas nos registros fósseis ou se o registro é algo tão contínuo como a seqüência de presidentes norte-americanos. Se existem lacunas, não é importante o fato de que elas não possam ser explicadas de maneira plausível. O registro fóssil não tem nada a nos dizer se a interação do II-ets-retinol com a rodopsina, a transducina e a fosfodiesterase [sistemas irredutivelmente complexos] possa ter se desenvolvido passo a passo.[26]

Assim, de acordo com Behe, a biologia minimiza a anatomia na questão da plausibilidade da macroevolução. Assim como o conteúdo de um livro fornece muito mais informações do que a sua capa, a biologia de uma criatura nos dá muito mais informações do que sua estrutura estética. Todavia, há muito tempo os darwinistas argumentam que a similaridade de estrutura entre, digamos, macacos e humanos é evidência de um ancestral comum (ou de uma linhagem comum). Será que nunca lhes ocorreu que a similaridade de estrutura pode ser evidência de um projetista comum, em vez de um ancestral comum?[27] Além do mais, em um mundo governado por certas leis físicas e químicas, talvez apenas certa faixa de estruturas anatômicas seja viável para animais projetados para caminhar sobre duas pernas. Uma vez que todos precisamos viver na mesma biosfera, deveríamos esperar que algumas criaturas tivessem um projeto similar.

Além do mais, embora os macacos possam ter uma estrutura similar à dos humanos, é freqüentemente desprezado o fato de que macacos e humanos não têm nenhum tipo de semelhança com cobras, fungos e árvores. Contudo, de acordo com o darwinismo, todos os seres vivos evoluíram com base em um mesmo ancestral. Para postular o darwinismo é preciso ser capaz de explicar a enorme dessemelhança entre os seres vivos. Deve-se explicar de que maneira uma palmeira, um pavão, um polvo, um lagarto, um morcego, um hipopótamo, um porco-espinho, um cavalo-marinho, uma libélula, um ser humano e um fungo, por exemplo, são todos descendentes da primeira vida irredutivelmente complexa sem intervenção inteligente alguma. É também preciso explicar de que maneira a primeira vida e o Universo passaram a existir. Sem explicações viáveis, o que os darwinistas falharam em apresentar, é preciso ter muita fé para ser darwinista. É por isso que não temos fé suficiente para sermos darwinistas!

 

SERIA O PROJETO INTELIGENTE UMA ALTERNATIVA INTELIGENTE?

Muito mais poderia ser dito sobre a macroevolução, mas o espaço não nos permite ir além. Todavia, uma conclusão plausível pode ser extraída dos dados que investigamos neste capítulo. À luz de fatos como registros fósseis, isolamento molecular, dificuldades transicionais, complexidade irredutível, mudança cíclica e limites genéticos (e o fato de que eles não podem explicar a origem do Universo ou da primeira vida), pode-se concluir que os darwinistas devem finalmente admitir que sua teoria não se encaixa diante das evidências observáveis. Em vez disso, os darwinistas ainda estão criando histórias sem substância do tipo “é porque é” que realmente contradizem a observação científica. Eles continuam a insistir que a evolução é um fato, um fato, um fato!

Concordamos que a evolução é um fato, mas não no sentido dos darwinistas.

Se você define evolução como “mudança’, então certamente as coisas vivas evoluíram. Mas essa evolução se dá no nível micro, e não no nível macro. Como vimos, existe não apenas uma lacuna de evidências para a macroevolução, mas existem evidências positivas de que ela não ocorreu.

Se a macroevolução não é verdadeira, então o que é? Bem, se não existe a explicação natural para a origem de novas formas de vida, então deve haver uma explicação inteligente. É a única opção que nos resta. Não existe uma posição intermediária entre a inteligência e a não inteligência. Ou a inteligência está envolvida ou não está. Mas os darwinistas não gostam dessa opção. Assim, uma vez que eles exaurem a sua capacidade de defender adequadamente suas próprias posições com evidência científica não tendenciosa (o que acontece muito rapidamente), os darwinistas geralmente voltam suas armas para quem crê em um projeto inteligente — aqueles de nós que acreditam que existe uma inteligência por trás do Universo da vida. Aqui estão suas típicas objeções e as nossas respostas:[28]

Objeção: O projeto inteligente não é ciência.

Resposta: Como já vimos, a ciência é uma busca pelas causas e existem apenas dois tipos de causas: a inteligente e a não inteligente (natural). A afirmação dos darwinistas de que o projeto inteligente não é ciência está baseada em sua definição tendenciosa de ciência. Mas isso é fazer uma argumentação em círculos! Se a sua definição de ciência exclui as causas inteligentes de antemão, então você nunca considerará o projeto inteligente como ciência.

A ironia dos darwinistas é esta: se o projeto inteligente não é ciência, então o darwinismo também não é. Por quê? Porque tanto darwinistas quanto cientistas defensores do projeto inteligente estão tentando descobrir aquilo que aconteceu no passado. Perguntas com relação às origens são perguntas criminalísticas e, assim, exigem que usemos os princípios científicos da criminalística que já discutimos. De fato, para que os darwinistas possam excluir o projeto inteligente do campo da ciência, deveriam, além de excluírem a si mesmos, excluir também a arqueologia, a criptologia, as investigações criminalísticas de acidentes e a Busca por Vida Extraterrestre Inteligente (SETI). Essas são ciências criminalísticas legítimas que olham para o passado em busca de causas inteligentes. Alguma coisa deve estar errada com essa definição darwinista de ciência.

A tabela 6.2 mostra a diferença entre ciência empírica e ciência criminalística:

 

Ciência empírica (operação)

Ciência criminalística (origem)

Estuda o presenteEstuda o passado
Estuda regularidadesEstuda singularidades
Estuda o repetívelEstuda o não repetível
Recriação possívelRecriação impossível
Estuda como as coisas funcionamEstuda como as coisas começaram
Testada pela repetição do experimentoTestada pela uniformidade
Pergunta como uma coisa funcionaPergunta qual é a origem de algo
Exemplos: Exemplos:
Como a água cai?Qual é a origem de uma usina hidrelétrica?
Como a rocha se desgasta? Qual é a origem do monte Rushmore?
Como funciona um motor?Qual é a origem de um motor?
Como a tinta gruda no papel?Qual é a origem deste livro?
Como funciona a vida?Qual é a origem da vida?
Como funciona o Universo?Qual é a origem do Universo?

Tabela 6.2

Objeção: O projeto inteligente comete a falácia do Deus das lacunas. Resposta: A falácia do Deus das lacunas acontece quando alguém acredita erroneamente que Deus provocou o fato quando, na realidade, o fato foi causado por um fenômeno natural ainda não descoberto. As pessoas acreditavam, por exemplo, que os relâmpagos eram causados diretamente por Deus. Havia uma lacuna em nosso conhecimento sobre a natureza e, assim, atribuíamos os efeitos a Deus. Os darwinistas afirmam que os teístas estão fazendo a mesma coisa ao afirmar que Deus criou o Universo e a vida. Estariam eles corretos? Não, por diversas razões.

Em primeiro lugar, ao concluirmos que a inteligência criou a primeira célula ou o cérebro humano, não o fazemos simplesmente porque carecemos da comprovação de uma explicação natural. Também é porque temos uma evidência positiva e empiricamente detectável que aponta para uma causa inteligente. Uma mensagem (complexidade específica) é empiricamente detectável. Quando detectamos uma mensagem — tal como “Leve o lixo para fora — Mamãe” ou mil enciclopédias — sabemos que elas devem ter vindo de um ser inteligente porque todas as nossas experiências de observação dizem que as mensagens vêm apenas de seres inteligentes. Em todas as ocasiões que observamos uma mensagem, descobrimos que ela vem de um ser inteligente. Juntamos essa idéia com o fato de que nunca observamos leis naturais criando mensagens e entendemos que um ser inteligente deve ser a causa. Essa é uma conclusão científica válida, baseada na observação e na repetição. Não é um argumento baseado na ignorância nem está fundamentado em alguma “lacuna” do nosso conhecimento.

Em segundo lugar, os cientistas do projeto inteligente estão abertos a causas tanto naturais quanto inteligentes. Eles não se opõem à pesquisa contínua para uma explicação natural para a primeira vida. Estão simplesmente observando que todas as explicações naturais conhecidas fracassam e que todas as evidências empiricamente detectáveis apontam para um Projetista inteligente.

Mas alguém pode questionar se há sabedoria em continuar procurando uma causa natural para a vida. William Dembski, que já publicou uma extensa pesquisa sobre o projeto inteligente, pergunta:

Em que momento a determinação [encontrar uma causa natural] se torna obstinação? [u.]. Por quanto tempo devemos continuar uma busca antes que possamos ter o direito de desistir dessa procura e declarar não apenas que a pesquisa contínua é vã, mas também que o próprio objeto da pesquisa é inexistente?[29]

Considere as implicações da pergunta de Dembski. Deveríamos continuar procurando causas naturais para fenômenos como o monte Rushmore ou para mensagens como “Leve o lixo para fora — Mamãe”? Quando se pode considerar o caso encerrado?

Walter Bradley, autor de um trabalho seminal chamado The Mystery of Lifes Origin [O mistério da origem da vida], acredita que “não há nada na ciência que garanta uma explicação natural” para a origem da vida. Ele complementa: “Acho que as pessoas que acreditam que a vida surgiu de modo natural precisam ter muito mais fé do que aquelas que concluem racionalmente que existe um [Projetista] inteligente”. [30]

Independentemente de se pensar ou não que devamos continuar procurando uma explicação natural, o ponto principal é que os cientistas ligados ao PI estão abertos tanto às causas naturais quanto às causas inteligentes. O que acontece é que uma causa inteligente combina melhor com as evidências.

Terceiro, a conclusão do projeto inteligente é passível de falsificação. Em outras palavras, o PI poderia ser refutado caso se descobrisse, um dia, leis naturais que pudessem ter criado a complexidade específica. Contudo, o mesmo não pode ser dito em relação à posição darwinista. Os darwinistas não permitem a falsificação de sua “história da criação” porque, como já descrevemos, não dão espaço para que qualquer outra história da criação seja considerada. Sua “ciência” não é aberta à tentativa ou à correção: ela é mais mente fechada do que a mais dogmática doutrina da igreja que os darwinistas pudessem criticar.

Por fim, o fato é que quem está cometendo a falácia do Deus das lacunas são os darwinistas. O próprio Darwin foi certa vez acusado de considerar a seleção natural como um “poder ativo ou Deidade” [v. capo 4 da obra A origem das espécies]. Mas parece que, na verdade, a seleção natural é a deidade ou o “Deus das lacunas” para os darwinistas de hoje. Quando se vêem totalmente derrotados diante da definição de como sistemas biológicos repletos de informação e irredutivelmente complexos passaram a existir, simplesmente cobrem a lacuna do conhecimento afirmando que a seleção natural, o tempo e o acaso fizeram isso.

A habilidade de tal mecanismo de criar sistemas biológicos ricos em informação vai no sentido contrário ao da evidência da observação. As mutações são quase sempre danosas, e o tempo e o acaso não fazem bem aos darwinistas, como explicamos no capítulo 5. Na melhor das hipóteses, a seleção natural pode ser responsável por mudanças menores das espécies vivas, mas não pode explicar a origem das formas de vida básicas. Você precisa de uma coisa viva com a qual possa começar para que uma seleção natural aconteça. Contudo, a despeito dos problemas óbvios com seu mecanismo, os darwinistas insistem que ela cobre qualquer lacuna que exista em seu conhecimento. Além disso, decididamente ignoram as evidências positivas e empiricamente detectáveis de um ser inteligente. Isso não é ciência, mas o dogma de uma religião secular. Os darwinistas, tais quais os oponentes de Galileu, estão deixando que sua religião governe suas observações científicas!

Objeção: O projeto inteligente possui motivações religiosas.

Resposta: Existem dois aspectos nessa objeção. O primeiro é que algumas pessoas ligadas ao projeto inteligente podem estar motivadas pela religião. E daí? Isso faz o projeto inteligente ser falso? Será que a motivação religiosa de alguns darwinistas torna o darwinismo falso? Não, pois a verdade não reside na motivação dos cientistas, mas na qualidade das evidências. A motivação do cientista ou a sua tendência não necessariamente significam que esteja errado. Ele poderia ter um viés e ainda assim estar certo. O viés ou a motivação não é a questão principal— a verdade é que é.

Às vezes a objeção se inicia da seguinte maneira: “Você não pode acreditar em qualquer coisa que diga sobre as origens porque ele é criacionista!”. Bem, espada boa é aquela que corta dos dois lados. Poderíamos facilmente dizer: “Você não pode acreditar em qualquer coisa que diga sobre as origens porque ele é darwinista!”.

Por que as conclusões dos criacionistas são imediatamente consideradas tendenciosas, mas as conclusões dos darwinistas são automaticamente consideradas objetivas? Porque a maioria das pessoas não percebe que os ateus possuem uma visão de mundo, assim como os criacionistas. Como estamos vendo, a visão de mundo do ateu não é neutra e, na verdade, exige mais fé do que a do criacionista.

Como dissemos, se as tendências filosóficas ou religiosas impedem alguém de interpretar corretamente as evidências, então temos bases para questionar as conclusões dessa pessoa. No debate atual, esse problema parece afligir os darwinistas muito mais do que qualquer outra pessoa. Contudo, a questão principal é que, mesmo que alguém seja motivado pela religião ou pela filosofia, suas conclusões podem estar corretas ao avaliar-se as evidências de maneira honesta. Os cientistas de ambos os lados da cerca podem ter dificuldades para serem neutros, mas, se tiverem integridade, então poderão ser objetivos.

O segundo aspecto dessa objeção é a acusação de que os defensores do projeto inteligente não possuem evidência alguma para sua visão — estariam simplesmente repetindo aquilo que a Bíblia diz. Esse aspecto da objeção também não funciona. As crenças do projeto inteligente podem ser compatíveis com a Bíblia, mas não estão baseadas na Bíblia. Como vimos, o projeto inteligente é uma conclusão baseada em evidência empiricamente verificada, e não em textos sagrados. Como observa Michael Behe, “a vida na Terra, em seu nível mais fundamental, em seus componentes mais críticos, é produto de atividade inteligente. A conclusão do projeto inteligente surge naturalmente dos próprios dados, e não de livros sagrados ou de crenças sectárias” [31]

O projeto inteligente também não é a “ciência da criação”. Os cientistas do PI não fazem afirmações que os assim chamados “cientistas da criação” fazem. Eles não dizem que os dados apóiam indubitavelmente a idéia dos seis dias de 24 horas do Gênesis ou um dilúvio mundial. Em vez disso, reconhecem que os dados favoráveis ao projeto inteligente não estão baseados numa era específica ou na história geológica da Terra. Os cientistas do PI estudam os mesmos objetos da natureza estudados pelos darwinistas — a vida e o próprio Universo em si — mas chegam a uma conclusão mais racional sobre a causa desses objetos. Em resumo, independentemente daquilo que a Bíblia possa dizer sobre esse assunto, o darwinismo é rejeitado porque ele não se encaixa nos dados científicos, e o projeto inteligente é aceito porque se encaixa.

Objeção: O projeto inteligente é falso porque o assim chamado projeto não é perfeito.

Resposta: Os darwinistas há muito argumentam que, se existisse um projetista, ele teria projetado suas criaturas de maneira melhor. Stephen Jay Gould destacou isso em seu livro The Panda’s Thumb [publicado em português pela Martins Fontes, O polegar do panda], no qual cita o aparente projeto menos que ótimo de uma saliência óssea nos pandas que se assemelha a um polegar.

O problema dos darwinistas é que isso, na verdade, se mostra mais como um argumento favorável à existência de um projetista do que um argumento contrário a ele. Primeiramente, o fato de Gould poder identificar alguma coisa como um projeto menos que ótimo implica que sabe qual é o projeto ótimo. Você não pode saber se alguma coisa é imperfeita a não ser que saiba como é a coisa perfeita. Desse modo, até mesmo a observação de Gould de que existe um projeto menos que ótimo implica a admissão de que é possível perceber um projeto no polegar do panda (a propósito, essa é outra razão pela qual podemos dizer que os darwinistas estão errados quando afirmam que o projeto inteligente não é ciência. Quando afirmam que alguma coisa não foi planejada corretamente, a implicação é que eles poderiam dizer se determinada coisa foi projetada corretamente. Isso prova aquilo que os cientistas do PI estão dizendo há muito tempo: o PI é ciência porque o projeto é empiricamente detectável).

Em segundo lugar, o projeto menos que ótimo não significa que não existe um projeto. Em outras palavras, mesmo que você presuma que alguma coisa não foi projetada da melhor maneira, isso não significa que ela não tenha sido projetada de algum modo. O seu carro não foi projetado da melhor maneira, mas, ainda assim, ele foi projetado — certamente não foi montado pelas leis da natureza.

Em terceiro lugar, com o objetivo de poder dizer que alguma coisa é menos que ótima, você deve saber quais são os objetivos ou os propósitos do projetista. Se Gould não sabe o que o projetista desejava, então não pode dizer que o projeto não atingiu aquelas intenções. De que maneira Gould sabe que o polegar do panda não é exatamente aquilo que o projetista tinha em mente? Gould presume que o panda deveria ter polegares opositores tais quais os humanos. Mas talvez o projetista quisesse que os polegares dos pandas fossem exatamente como são. Além do mais, o polegar do panda funciona muito bem ao ajudá-lo a quebrar as varas de bambu e chegar até a parte comestível. Talvez os pandas não precisem de polegares opositores porque não precisam escrever livros como Gould: eles simplesmente precisam descascar o bambu. Gould não pode culpar o projetista pelo polegar se ele não tem outra função a não ser quebrar bambu.

Por último, em um mundo confinado pela realidade física, todo projeto exige concessões e ajustes. Computadores portáteis precisam ter equilíbrio entre tamanho, peso e desempenho. Carros maiores podem ser mais seguros e confortáveis, mas também são mais difíceis de manobrar e consomem mais combustível. O teto mais alto deixa a sala mais impressionante, mas também consome mais energia. Pelo fato de os ajustes não poderem ser evitados neste mundo, os engenheiros devem procurar uma posição que alcance da melhor maneira os objetivos planejados inicialmente. Você não pode colocar a culpa no projeto de um carro compacto porque, por exemplo, ele não carrega 15 passageiros. O objetivo é levar quatro passageiros, e não 15. O produtor do carro fez o ajuste entre tamanho e economia de combustível e alcançou o objetivo planejado. Do mesmo modo, é possível que o projeto do polegar do panda seja uma concessão que, ainda assim, atinge o objetivo inicial. O polegar é perfeito para descascar bambu. É possível que o polegar atrapalhasse o panda em alguma outra atividade se tivesse sido planejado de outra maneira. Sem saber os objetivos do projetista, nós simplesmente não sabemos explicar. O que realmente sabemos é que as críticas de Gould não podem ser bem-sucedidas sem se saber quais são esses objetivos.

 

ENTÃO, POR QUE AINDA EXISTEM DARWINISTAS?

Se a evidência favorável ao projeto inteligente é tão decisiva, então por que ainda existem darwinistas? Além do mais, essas pessoas não são tolas — seus nomes normalmente são seguidos pelas letras Ph.D.!

A primeira coisa a se notar é que essa não é uma questão puramente intelectual, na qual os darwinistas presumem um olhar desapaixonado diante das evidências e, então, chegam a uma conclusão racional. Richard Dawkins fez uma famosa declaração: “É absolutamente seguro dizer que, se você encontrar alguém que afirma não acreditar na evolução, essa pessoa é ignorante, estúpida ou doente (ou maldosa, mas prefiro não considerar isso)”.[32] Está claro que o comentário de Dawkins é simplesmente falso. Existem pessoas brilhantes, com Ph.D., que acreditam no projeto inteligente. A questão real é: por que as injúrias? Por que a emoção? Por que a hostilidade? Eu achava que isso era ciência. Deve haver alguma coisa mais em Jogo aqui.

Realmente existe. Vamos voltar à citação de Richard Lewontin, feita no capítulo anterior. Lembre-se de sua afirmação de que os darwinistas acreditam em seus absurdos porque “esse materialismo é absoluto, pois não podemos permitir a entrada de nada que seja divino”. Vejamos agora a verdadeira questão: manter Deus de fora. Mas por que os darwinistas não querem “a entrada de nada que seja divino”? Sugerimos quatro razões principais.

Em primeiro lugar, ao admitir Deus, os darwinistas estariam admitindo que eles não são a mais elevada autoridade no que se refere à verdade. Atualmente, neste mundo tecnologicamente avançado, os cientistas são vistos pelo público como figuras de autoridade das mais reverenciadas — eles são os novos sacerdotes que fazem a vida ser melhor e que abrangem a única fonte de verdade objetiva. Permitir a possibilidade de Deus seria abdicar de sua condição de autoridade superior.

Em segundo lugar, ao admitir Deus, os darwinistas estariam admitindo que eles não possuem autoridade absoluta quanto à explicação das causas. Em outras palavras, se Deus existisse, eles não poderiam explicar todos os fatos como o resultado de leis naturais previsíveis. Richard Lewontin impõe essa idéia da seguinte maneira: “Apelar para uma divindade onipotente é permitir que, a qualquer momento, a regularidade da natureza possa ser rompida, que milagres possam acontecer”.[33] Como notou Jastrow, quando isso acontece, “o cientista perde o controle”, certamente para Deus e, talvez, para o teólogo.[34]

Terceiro, ao admitir Deus, os darwinistas se arriscariam a perder a segurança financeira e a admiração profissional. Como assim? É que existe uma tremenda pressão na comunidade acadêmica para publicar alguma coisa que apóie a evolução. Encontre alguma coisa importante, e você poderá sair na capa da Revista Geográfica Universal ou ser assunto de um programa especial na televisão. Não encontre nada, e você poderá perder o emprego, um patrocínio financeiro ou, no mínimo, a ajuda de seus colegas materialistas. Desse modo, existe a motivação do dinheiro, da segurança no trabalho e do prestígio para fazer avançar a visão de mundo darwinista.

Por último — e talvez a mais significativa de todas as razões -, ao admitir Deus, os darwinistas estariam admitindo que eles não têm autoridade para varas de bambu e chegar até a parte comestível. Talvez os pandas não precisem de polegares opositores porque não precisam escrever livros como Gould: eles simplesmente precisam descascar o bambu. Gould não pode culpar o projetista pelo polegar se ele não tem outra função a não ser quebrar bambu.

Por último, em um mundo confinado pela realidade física, todo projeto exige concessões e ajustes. Computadores portáteis precisam ter equilíbrio entre tamanho, peso e desempenho. Carros maiores podem ser mais seguros e confortáveis, mas também são mais difíceis de manobrar e consomem mais combustível. O teto mais alto deixa a sala mais impressionante, mas também consome mais energia. Pelo fato de os ajustes não poderem ser evitados neste mundo, os engenheiros devem procurar uma posição que alcance da melhor maneira os objetivos planejados inicialmente. Você não pode colocar a culpa no projeto de um carro compacto porque, por exemplo, ele não carrega 15 passageiros. O objetivo é levar quatro passageiros, e não 15. O produtor do carro fez o ajuste entre tamanho e economia de combustível e alcançou o objetivo planejado. Do mesmo modo, é possível que o projeto do polegar do panda seja uma concessão que, ainda assim, atinge o objetivo inicial. O polegar é perfeito para descascar bambu. É possível que o polegar atrapalhasse o panda em alguma outra atividade se tivesse sido planejado de outra maneira. Sem saber os objetivos do projetista, nós simplesmente não sabemos explicar. O que realmente sabemos é que as críticas de Gould não podem ser bem-sucedidas sem se saber quais são esses objetivos.

 

ENTÃO, POR QUE AINDA EXISTEM DARWINISTAS?

Se a evidência favorável ao projeto inteligente é tão decisiva, então por que ainda existem darwinistas? Além do mais, essas pessoas não são tolas — seus nomes normalmente são seguidos pelas letras Ph.D.!

A primeira coisa a se notar é que essa não é uma questão puramente intelectual, na qual os darwinistas presumem um olhar desapaixonado diante das evidências e, então, chegam a uma conclusão racional. Richard Dawkins fez uma famosa declaração: “É absolutamente seguro dizer que, se você encontrar alguém que afirma não acreditar na evolução, essa pessoa é ignorante, estúpida ou doente (ou maldosa, mas prefiro não considerar isso)”.[35] Está claro que o comentário de Dawkins é simplesmente falso. Existem pessoas brilhantes, com Ph.D., que acreditam no projeto inteligente. A questão real é: por que as injúrias? Por que a emoção? Por que a hostilidade? Eu achava que isso era ciência. Deve haver alguma coisa mais em jogo aqui.

Realmente existe. Vamos voltar à citação de Richard Lewontin, feita no capítulo anterior. Lembre-se de sua afirmação de que os darwinistas acreditam em seus absurdos porque “esse materialismo é absoluto, pois não podemos permitir a entrada de nada que seja divino”. Vejamos agora a verdadeira questão: manter Deus de fora. Mas por que os darwinistas não querem “a entrada de nada que seja divino”? Sugerimos quatro razões principais.

Em primeiro lugar, ao admitir Deus, os darwinistas estariam admitindo que eles não são a mais elevada autoridade no que se refere à verdade. Atualmente, neste mundo tecnologicamente avançado, os cientistas são vistos pelo público como figuras de autoridade das mais reverenciadas — eles são os novos sacerdotes que fazem a vida ser melhor e que abrangem a única fonte de verdade objetiva. Permitir a possibilidade de Deus seria abdicar de sua condição de autoridade superior.

Em segundo lugar, ao admitir Deus, os darwinistas estariam admitindo que eles não possuem autoridade absoluta quanto à explicação das causas. Em outras palavras, se Deus existisse, eles não poderiam explicar todos os fatos como o resultado de leis naturais previsíveis. Richard Lewontin impõe essa idéia da seguinte maneira: “Apelar para uma divindade onipotente é permitir que, a qualquer momento, a regularidade da natureza possa ser rompida, que milagres possam acontecer”.[36] Como notou Jastrow, quando isso acontece, “o cientista perde o controle”, certamente para Deus e, talvez, para o teólogo.[37]

Terceiro, ao admitir Deus, os darwinistas se arriscariam a perder a segurança financeira e a admiração profissional. Como assim? É que existe uma tremenda pressão na comunidade acadêmica para publicar alguma coisa que apóie a evolução. Encontre alguma coisa importante, e você poderá sair na capa da Revista Geográfica Universal ou ser assunto de um programa especial na televisão. Não encontre nada, e você poderá perder o emprego, um patrocínio financeiro ou, no mínimo, a ajuda de seus colegas materialistas. Desse modo, existe a motivação do dinheiro, da segurança no trabalho e do prestígio para fazer avançar a visão de mundo darwinista.

Por último — e talvez a mais significativa de todas as razões -, ao admitir Deus, os darwinistas estariam admitindo que eles não têm autoridade para definir por si mesmos o que é certo e errado. Ao excluir o sobrenatural, os darwinistas podem evitar a possibilidade de que qualquer coisa seja moralmente proibida. Se Deus não existe, tudo é permitido, como observou uma personagem de um romance de Fyodor Dostoievski[38] (vamos discutir a conexão entre Deus e a moralidade no capítulo seguinte).

De fato, o falecido Julian Huxley, um ex-líder darwinista, admitiu que a liberdade sexual é uma motivação popular por trás do dogma evolucionista. Quando lhe foi perguntado pelo apresentador Merv Griffin “Por que as pessoas acreditam na evolução?”, Huxley respondeu honestamente: “A razão pela qual aceitamos o darwinismo, mesmo sem provas, é que não queríamos que Deus interferisse em nossos hábitos sexuais”. [39] Perceba que ele não citou as evidências a favor da geração espontânea ou as evidências do registro dos fósseis. A motivação que ele observou como prevalente entre os evolucionistas estava baseada nas preferências morais, e não na evidência científica.

O ex-ateu Lee Strobel revela que tinha a mesma motivação quando acreditava no darwinismo. Ele escreve: “Estava mais do que feliz em agarrar-me ao darwinismo como desculpa para descartar a idéia de Deus, de modo que eu pudesse pôr em prática descaradamente a minha agenda de vida, sem restrições morais”. [40]

O autor e conferencista Ron Carlson fez os darwinistas admitirem o mesmo a ele. Em determinada ocasião, depois de dar uma palestra numa grande universidade sobre os problemas do darwinismo e a evidência do projeto inteligente, Carlson jantou com um professor de biologia que havia assistido à sua apresentação.

— Então, o que você achou do meu discurso? — perguntou Carlson.

— Bem, Ron — começou o professor -, o que você diz é verdade e faz muito sentido. Mas eu vou continuar ensinando o darwinismo de qualquer maneira — disse. Carlson estava embasbacado.

— Mas por que você faria isso? — perguntou ele.

— Bem, para ser honesto com você, Ron, é porque o darwinismo é moralmente confortável.

— Moralmente confortável? O que você quer dizer com isso? — insistiu Carlson.

— Quero dizer que, se o darwinismo é verdadeiro, se não existe Deus e se todos nós evoluímos de uma pequena alga verde, então posso dormir com quem eu quiser — observou o professor. — Não existe responsabilidade moral no darwinismo.[41]

Esse foi um momento de total franqueza. É claro que isso não quer dizer que todos os darwinistas pensem dessa maneira ou que todos os darwinistas sejam imorais — é fato que muitos deles têm um vida moralmente melhor do que muitos dos assim chamados cristãos. Isso simplesmente revela que alguns darwinistas são motivados não pelas evidências, mas, em vez disso, por um desejo de permanecer livres das perceptíveis restrições morais de Deus. Essa motivação pode levá-los a suprimir a evidência do Criador de modo que possam continuar a viver da maneira que desejam (nesse sentido, o darwinismo não é diferente de muitas outras religiões mundiais pelo fato de apresentar uma maneira de lidar com a culpa que resulta do comportamento imoral. A diferença é que alguns darwinistas, em vez de reconhecer a culpa e oferecer maneiras de expiá-la ou regras para evitá-la, tentam evitar qualquer implicação de culpa por meio da afirmação de que não existe coisa tal como o comportamento imoral ou culpa em relação a isso!).

Essas quatro motivações sugeridas não deveriam nos causar surpresa. Sexo e poder são os motivadores que subjazem a muitos de nossos mais intensos debates culturais, como aqueles sobre aborto e homossexualidade. Nesses debates, é muito comum as pessoas simplesmente assumirem posições que se alinham com seus desejos pessoais, em vez de levarem em conta as evidências.

Da mesma maneira, a crença no darwinismo é freqüentemente uma questão de disposição, em vez de uma questão da mente. Às vezes as pessoas recusam-se a aceitar aquilo que sabem ser verdadeiro por causa do impacto que terá em sua vida. Isso explica por que alguns darwinistas sugerem as absurdas explicações “contra-intuitivas” — explicações que vão “contra o bom senso”. A despeito da clara evidência favorável ao projeto, esses darwinistas temem a intromissão de Deus em sua vida pessoal mais do que temem estarem errados sobre suas conclusões científicas.

Não estou dizendo que todos os darwinistas possuem tais motivações para suas crenças. Alguns podem verdadeiramente acreditar que a evidência científica apóia sua teoria. Achamos que eles possuem essa concepção errônea porque a maioria dos darwinistas raramente estuda a pesquisa de outros que trabalham em diferentes campos. Como resultado, poucos compreendem o assunto como um todo.

Isso é especialmente verdadeiro com relação aos biólogos. Jonathan Wells, biólogo molecular e celular, observa: “Em sua maioria, os biólogos são cientistas honestos que trabalham duro e que insistem numa apresentação precisa das evidências, mas que raramente se aventuram para fora de seus próprios campos”.[42] Em outras palavras, embora façam um trabalho honesto, eles vêem apenas sua própria peça do quebra-cabeça. Uma vez que foram ensinados que a tampa darwinista da caixa do quebra-cabeça é, de maneira geral, verdadeira (existem apenas alguns pequenos detalhes irritantes que não foram resolvidos), a maioria dos biólogos interpreta a sua peça do quebra-cabeça tendo a tampa da caixa em mente, dando à visão darwinista o benefício da dúvida e pressupondo que a evidência realmente decisiva em favor do darwinismo reside em outro campo da biologia. Assim, mesmo que eles não possam ver evidência da geração espontânea ou da macroevolução em sua peça do quebra-cabeça, a evidência deve estar em algum outro lugar na biologia, porque a tampa da caixa darwinista exige que essas coisas sejam verdadeiras. Essas circunstâncias fazem o paradigma evolucionista não ser desafiado pela maioria dos biólogos.

 

QUAL É A VERDADEIRA IMPORTÂNCIA DA IDADE DO UNIVERSO?

Não poderíamos sair da discussão sobre evolução e criação sem pelo menos mencionar a idade do Universo. Uma vez que existem várias perspectivas sobre o assunto, especialmente dentro dos círculos cristãos, não temos espaço para tratar de todas aqui (elas são discutidas em detalhe na Enciclopédia de apologética e na Systematic Theology, vol. 2).[43]

Contudo, realmente queremos destacar que, embora certamente a idade do Universo seja uma questão teológica interessante, a questão mais importante não é quando o Universo foi criado, mas que ele foi criado. Como vimos, o Universo explodiu e passou a existir do nada, tendo sido adaptado com precisão para suportar a vida na Terra. Uma vez que este Universo — incluindo o contínuo espaço-tempo — teve início, isso exige a existência de um Iniciador, independentemente de quanto tempo atrás esse início tenha acontecido. Do mesmo modo, uma vez que este Universo é planejado, ele exigiu a presença de um Projetista, independentemente de quanto tempo atrás tenha sido projetado.

Podemos debater quanto duraram os dias do Gênesis ou se as pressuposições que são feitas nas técnicas de datação são válidas. Contudo, quando o fizermos, precisamos ter certeza de não obscurecer a questão mais ampla que é o fato de essa criação exigir a presença de um Criador.[44]

 

RESUMO E CONCLUSÃO

Vamos agora ao resumo de tudo. O fato é que existem apenas duas possibilidades: ou Deus nos criou ou nós criamos Deus. Ou Deus realmente existe ou ele é apenas uma criação de nossa própria mente. Como vimos, o darwinismo e não Deus — é uma criação da mente humana. Você precisa ter bastante fé para ser darwinista. Você precisa acreditar que, sem qualquer intervenção inteligente:

  1. alguma coisa surgiu do nada (a origem do Universo);
  2. a ordem surgiu do caos (o projeto do Universo);
  3. a vida surgiu de matéria inorgânica (o que significa que a inteligência surgiu da não inteligência e a personalidade surgiu da não personalidade);
  4. novas formas de vida surgiram com base em formas de vida já existentes, a despeito de evidências contrárias, como:

1)   limitações genéticas;

2)   mudanças cíclicas;

3)   complexidade irredutível;

4)   isolamento molecular;

5)   não viabilidade das formas tradicionais;

6)   o registro fóssil.

 

Ok., então as evidências não favorecem a macroevolução. Mas o que dizer sobre a macroevolução teísta? Talvez aquilo que não possa ser naturalmente explicado faça sentido se você acrescentar Deus ao quadro.

Por que sugerir isso? Se houvesse evidência favorável a Deus e à macroevolução, então poderia haver uma razão para se combinar as duas. Contudo, como vimos, não há evidência de que a macroevolução tenha acontecido. Não é provável que exista evidência contraditória: algumas evidências que apontam para a macroevolução e outras que a desaprovam. Se você tivesse, digamos, um registro fóssil com milhões de formas transicionais de um lado, mas criaturas de complexidade irredutível do outro, então talvez pudesse sugerir que Deus conduziu a evolução entre esses espaços não interligáveis. Contudo, uma vez que não é esse o caso, parece que Deus não era necessário para criar a macroevolução porque não h evidência de que a macroevolução tenha acontecido!

Por último, vamos dar uma olhada nas evidências com outra questão em mente: como seria uma evidência favorável à criação (projeto inteligente) se considerada verdadeira? Que tal essas alternativas?:

  1. Um Universo que tenha explodido e passado a existir do nada.
  2. Um Universo com cerca de cem constantes finalmente ajustadas e capacitadoras da vida neste pequeno e remoto planeta chamado Terra.
  3. Vida que:

Uma olhada honesta para os fatos sugere que a criação — e não a macroevolução — é verdadeira. Como vimos, os ateus precisam trabalhar realmente duro para não chegar a essa conclusão óbvia. É por isso que eles precisam ter muito mais fé do que nós.

Por último, temos o propósito de ajudar a resolver o debate nos Estados Unidos, e em qualquer outro país, com relação àquilo que deveria ser ensinado nas escolas públicas no que se refere à criação e à evolução. O que haveria de errado em se ensinar às crianças aquilo que acabamos de abordar nos capítulos 3 a 6? Note que nem mesmo citamos versículos da Bíblia para declarar nossa posição. Citamos evidências científicas. Desse modo, isso não é uma batalha entre a ciência e a religião, mas uma batalha entre a boa ciência e a ciência ruim. Neste exato momento, a maioria de nossos filhos está aprendendo a ciência ruim porque estão aprendendo apenas a evolução. As coisas não precisam ser assim. O que haveria de inconstitucional sobre se ensinar a evidência SURGE, mostrando-lhes a complexidade da vida mais simples, fazendo as diferenças entre micro e macroevolução e entre ciência forense e empírica, expondo os problemas da macroevolução? Nada. Então, por que continuamos a doutrinar nossos filhos numa teoria falha e decadente que está baseada mais nas pressuposições filosóficas do que nas observações científicas? Por que não damos a nossos filhos todas as evidências científicas — favoráveis e contrárias — e deixamos que eles próprios tomem suas decisões? Além disso, não deveríamos ensina-lhes a pensar sozinhos e de maneira crítica? É claro que sim. Contudo, os darwinistas farão de tudo para garantir que isso não aconteça. Os darwinistas prefeririam suprimir as evidências a permitir que elas fossem apresentadas de maneira justa. Por quê? Porque essa é uma área na qual os darwinistas não têm fé — eles não têm fé para acreditar que sua teoria ainda será aceita depois que nossos filhos virem todas as evidências.




[1] Cosmos. New York: Random House, 1980, p. 278.

[2] Downers Grave, III.: InrerVarsity Press, 1993, p. 27.

[3] Icons of Evolution: Science or Myth? Why Much of What We Teach About Evolution Is Wrong. Washington, D.e.: Regnery, 2000, p. 178.

[4] V Norman L. GEISLER & Peter BOCCHINO, Fundamentos inabaláveis. São Paulo: Vida, 2003, p. 153-4; v. tb. Jonathan WELLS, lcons of Evolution, capo 9, p. 211; Lane P. LESTE R & Raymond G. BOHLIN. The Natural Limits of Biological Change. Grand Rapids, Mich.: Zondervan, 1984, p. 88-9.

[5] V. mais detalhes sobre os tentilhões de Darwin em WELLS, Icons 01 Evolution, p. 159-75.

[6] The Origin of Species. New York: Penguin, 1958, p. 171 [publicado em português pela Ediouro, A origem das espécies] .

[7] Michael BEHE. Darwin’s Black Box; The Biochemical Challenge to Evolution. New York: Touchstone, 1996, p. 39 [publicado em português pela Editora Jorge Zahar, A caixa preta de Darwin: o desafio da bioquímica à teoria da evolução].

[8] Ariel ROTH. Origins. Hagersrown, Md.: Herald, 1998, p. 66.

[9] Intelligent Design Theory as a Tool for Analyzing Biochemical Systems, in: William DEMBSKl, ed.

Mere Creation: Science, Faith, and Intelligent Design. Downers Grave,  InterVarsity Press, 1998, p. 183 (grifo do autor).

[10] Miller concorda com Behe que a seleção natural não pode favorecer a evolução de um sistema não funcional. Mas ele se desvia do argumento ao sugerir que uma ratoeira em transição — embora incapaz de pegar um rato — possa funcionar como um prendedor de gravata ou um chaveiro (v. http: / /www.millerandlevine.com/km/evol/DI/Mousetrap.html). Isso certamente se desvia da questão. Coisas vivas complexas não podem trocar aleatoriamente de função e ainda sobreviver. Uma coisa viva morreria se um de seus sistemas vitais deixasse de realizar sua função básica, mesmo se estivesse executando alguma outra função durante sua transição darwiniana. Em outras palavras, o importante é a perda da função vital, não o fato de que o sistema intermediário possa ser capaz de fazer alguma coisa no meio tempo!

[11] V várias respostas de Behe aos críticos em http://www.trueorigin.org/behe05.asp.

[12] Mousetrap Defended, 2000, http:/ /www.trueorigin.org/behe05.asp.

[13] Darwin’s Black Box, p. 232,233.

[14] E-mail enviado a Phillip Johnson em 10 de julho de 2001. Todas as mensagens trocadas naquela semana podem ser lidas em http://www.arn.org/docs/pjweekly/pj_weekly_0108l3.htm.

[15] “Riken Finds Bigger Gap in Chimp, Human Genes” , Japan Times, July 12, 2003. Disponível on-line em http://www.japantimes.co.jp/cgi-bin/getarricle.p15?nn20030712b6.htm. Acesso em 17 de outubro de 2003.

[16] Mouse Genome Sequencing Consortium, “Initial Sequencing and Comparative Analysis of the Mouse Genome”, Nature 420 (December 5, 2002): 520-62.

[17] Evolution: A Theory in Crisis. Bethesda, Md.: Adler & Adler, 1985, p. 285

[18] On the Origin of Species, p. 280.

[19] “Evolution’s Erratic Pace”, Natural History 86 (1977): 13-4. Mais recentemente, Robert B. Carrol!, curador de paleontologia de vertebrados do Museu Redpath da Universidade McGill, confirmou a avaliação de Gould quando escreveu: “O que falta são as diversas formas intermediárias afirmadas hipoteticamente por Darwin” (Towards a New Evolutionary Synthesis. Trends in Ecology and Evolution 15 [2000]: 27-32).

[20] Icons of Evolution, p.

[21] Ibid., p. 42.

[22] Evolution: A Theory in Crisis, p. 286.

[23] Icons of Evolution, p. 219.

[24] v. Norman GEISLER, Enciclopédia de apologética. São Paulo: Vida, 2002, p. 301-3. V. tb. WELLS, Icons of Evolution, p. 209-28.

[25] Citado em WELLS, Icons of Evolution, p. 221

[26] Darwin’s Black Box, p. 22.

[27] Como já vimos, o mesmo pode ser dito em relação à similaridade do DNA — ele também poderia ser simplesmente o resultado de um projetista comum, em vez de vir de um ancestral comum.

[28] uma ampla defesa do projeto inteligente em William DEMBSKI, The Design Revolution: Amwering the Toughest Questions About Intelligent Design. Downers Grove, Ill.: InterVarsiry Press, 2004.

[29] Intelligent Design.· The Bridge Between Science and Theology. Downers Grave, m.: InterVarsity Press, 1999, p. 244

[30] Walter Bradley, entrevistado por Lee STROBEL, Em defesa da fé. São Paulo: Vida, 2002, p. 149.

[31] Darwin’s Black Box, p. 193.

[32] Originalmente de uma resenha de 1989 do The New York Times. Disponível on-line em http://members. tripod.com/doggo/doggdawkins.html. Acesso em 15 de maio de 2003.

[33] Billions and Billions of Demons. The New York Review of Books, January 9, 1997, p. 150

[34] God and the Astronomers. New York: Norton, 1978, p. 114.

[35] Originalmente de uma resenha de 1989 do The New York Times. Disponível on-line em http:IImembers. tripod.coml doggol doggdawkins.html. Acesso em 15 de maio de 2003.

[36] Billions and Billions of Demons. The New York Review of Books, January 9, 1997, p. 150.

[37] God and the Astronomers. New York: Norton, 1978, p. 114.

[38] Os irmãos Karamazov, São Paulo, Martíns Claret, 2003.

[39] Apud D. James KENNEDY. Skeptícs Answered. Sisters, Ore.: Mulmomah, 1997, p. 154

[40] Em defesa da fé, p. 123.

[41] Extraído da fita de áudio intitulada “Reaching Evolutionists” da Conferência de Apologética de 2001 do Soumern Evangelical Seminary. FitaACO 1 08. Disponível on-line em www.impactapologetics.com.

[42] Icons of Evolution, p. 230.

[43] São Paulo: Vida, 2002; e Minneapolis: Berhany, 2003.

[44] Alguns cristãos receiam que conceder um longo período de tempo aumenta a plausibilidade da macroevolução. Contudo, como vimos no capo 5, isso não acontece.

Extraído do livro “Não tenho fé suficiente para ser ateu”, Norman Geisler & Frank Turek

[1] [2]Compartilhar [3]