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Dort e o Arminianismo

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Nota: O artigo é bastante complexo e é necessário a leitura complementar dos links distribuídos no texto, para uma maior compreensão.

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Aos calvinistas [1] que argumentam que o Sínodo de Dort [2] condenou o Arminianismo [1], eu tenho a dizer o seguinte:

Como as afirmações de Dort já tinham sido condenadas há mais de 1.000 anos, este Sínodo não tinha autoridade ou competência para julgar o Arminianismo.

“Agostinho recusou tirar de sua doutrina da predestinação a conclusão que Deus predestinou alguns para a vida eterna e outros para a condenação, ou a conclusão relacionada que Cristo morreu somente pelos eleitos. Estas conclusões, entretanto, seriam tiradas – e opostas! – com considerável frequência posteriormente. O primeiro teólogo que legitimamente pode ser chamado de “predestinacionista” é o sacerdote gaulês do séc. V – Lucidus, cujas opiniões foram condenadas no Concílio de Arles [3] (473). De particular importância são suas afirmações que Cristo não morreu por todos os homens, que a graça divina é irresistível e que aqueles que se perdem, se perdem pela vontade de Deus. Esta condenação foi apoiada por Orange [4] II (529), que especificamente anatemizou qualquer um que acreditava que alguns são predestinados ao mal por Deus. Embora alguns tenham argumentado que a condenação do concílio foi direcionada contra Agostinho, permanece o fato que Agostinho não ensinou explicitamente uma doutrina da dupla predestinação [5].” (Alister McGrath, Iustitia Dei: A History of the Christian Doctrine of Justification, p. 160)

Como podemos ver, três pontos do Calvinismo [6] de Dort foram condenados em Arles:

Poderíamos até dizer que todos os Cinco Pontos do Calvinismo foram negados, uma vez que a Depravação Total foi rejeitada e a Perseverança dos Santos não chegou a ser afirmada.

E visto que Arles adotou um Semipelagianismo [7] (veja também o que é pelagianismo [8]), que também é condenado pelo Arminianismo, pode-se levantar suspeita sobre a ortodoxia desse Concílio. Coube a Orange (529) condenar o Semipelagianismo, mas este Concílio manteve as condenações contra certas porções da teologia de Agostinho (os três pontos do Calvinismo).

Que através do pecado do primeiro homem, a livre escolha ficou tão pervertida e enfraquecida que consequentemente ninguém é capaz de amar a Deus como deve, ou crer em Deus, ou fazer qualquer coisa para Deus que seja bom, exceto se a graça da misericórdia de Deus precedê-lo (praeveniret] (Fp 1.6, 29; Ef 2.8; 1Co 4.7; 7.25; Tg 1.17; Jo 3.27). Mas não apenas não cremos que alguns foram predestinados ao mal pelo poder divino, mas também, se há alguém que crê em algo tão perverso, dizemos a estes, com toda abominação, seja anátema.” (Documents of the Christian Church, ed. por Henry Bettenson e Chris Maunder, p. 65).

Enfim, o Arminianismo foi condenado por pessoas cujas crenças tinham sido condenadas um milênio antes. Ou de outra forma, o Arminianismo foi condenado por pessoas que o consenso cristão primitivo as classificou de heterodoxo.

Paulo Cesar Antunes do site arminiano.com em 03/09/2014

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