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EG White: A profecia de 1856

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EGW: Analisando a falsa profecia sobre a volta de Jesus em 1856 

Quem foi Ellen G. White e o que ela representa para os adventistas?

Ellen White foi co-fundadora da Igreja Adventista e é sua atual profetisa. Mas ela representa mais que isso. É aclamada como a “Mensageira do Senhor” e seus escritos são considerados inspirados como a Bíblia.

Ellen White e seus fracassos proféticos

A senhora White tem em seu currículo de profetisa inúmeras predições que não deram certo, inserindo-se assim na galeria dos falsos profetas. Por exemplo, ela profetizou que havia ouvido o dia e a hora da volta de Jesus, mas depois disse ter esquecido. (Primeiros Escritos, p. 15).

A Previsão de 1856

Em 1856 Ellen White teria tido uma visão na qual lhe foi mostrado o destino das pessoas presentes na Assembleia realizada em 27 de maio em Battle Creek.

Ela afirmou especificamente que alguns deles iriam ser comidos pelos vermes, outros iriam sofrer as sete últimas pragas, e alguns estariam vivos quando Jesus voltasse.

1º – A falsa profecia sobre a trasladação do grupo presente na Assembleia realizada em 27 maio de 1856, em Battle Creek.

A profecia: “Foi-me mostrado o grupo presente à assembleia. Disse o anjo: ‘alguns servirão de alimento para os vermes, alguns estarão sujeitos às sete últimas pragas, outros estarão vivos e permanecerão sobre a Terra para serem trasladados na vinda de Jesus” (Testemunhos Para a Igreja, vol. 1, p. 131 e 132).

A justificativa de Leandro Quadros:

Respondendo às críticas do pastor Natanael Rinaldi, ele comenta: “Ele peca em ignorar que existem profecias condicionais e incondicionais. Não há nada de fanatismo em defender esse conceito – basta estudar a Bíblia. Se Ellen White errou, então o personagem bíblico Jonas também foi um falso profeta, pois ele afirmou categoricamente que em 40 dias Nínive seria destruída. E isso não ocorreu! Será que Deus falhou?”

Existe profecia condicional?

J.D. Pentecost, estudioso das profecias bíblicas, arremata a questão dizendo: “Podemos então concluir que, embora a profecia que depende da atividade humana possa ser condicional, o que depende de Deus não pode ser condicional, a menos que as condições sejam nitidamente de­claradas. Profecias baseadas em alianças imutáveis não podem admitir a inserção de nenhuma condição. Desse modo, não há justificativa para supor quaisquer condições para o cumprimento da profecia.”(J. Dwight Pentecost. Manual de Escatologia. São Paulo: Ed. Vida, 2006, p. 77).

A volta de Jesus é baseada em uma aliança imutável?

A volta de Jesus é uma dessas profecias baseadas em uma aliança imutável (Nova Aliança) que não depende da vontade humana para se cumprir: “E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também” (Jo. 14.3).

Analisando o caso de Jonas e o princípio condicional em Jeremias 18.7-10

Para legitimar a fala de Ellen White é citado Jeremias 18.7-10 como justificativa da falsa profecia. Em Jonas não foi uma profecia incondicional que mudou para condicional pelo efeito do arrependimento dos ninivitas. Ela era condicional desde o início. Tanto Jonas quanto os ninivitas a entenderam assim, por isso o prazo de 40 dias dado por Deus para o arrependimento. Se fosse uma profecia incondicional, Deus teria destruído Nínive imediatamente como fez com Sodoma e Gomorra, e não teria dado um prazo tão extenso para as pessoas se arrependerem.

O princípio da condicionalidade em Jeremias 18.7-10

A expressão: “No momento em que eu falar… reflete o propósito da profecia: suscitar conserto por meio do arrependimento simultâneo à pregação da Palavra. Jeremias nos dá um princípio para a profecia condicional: ela é definida, objetiva, clara e possui um público-alvo certo (Jr. 26.12-13), geralmente para a nação ou seu representante – o rei. A história de Jonas é o princípio de Jeremias colocado em prática. Tanto as de Jeremias quanto de Jonas são profecias de juízos para arrependimento para toda a nação. A causa já tem apelação imediata ao efeito.

Os adventistas da época interpretaram a profecia como condicional?

Uma das listas foi organizada em 1910 pela senhora Evelyn Lewis-Reavis, que esteve presente naquela conferência para saber quem seria trasladado. Na ocasião só restavam 27 dos 67 presentes na reunião (Cleveland, 2000 apud Batista, p. 96, 2011).

É curioso saber que em 1935 foi feita uma pesquisa entre líderes adventistas para saber quais eram as “críticas feitas a Ellen White [que] na época pareciam mais importantes”. O documento prossegue dizendo que “quase todos eles queriam respostas para a acusação de que alguns de seus primeiros escritos haviam sido ‘tirados de circulação’ e também quase o mesmo número estava preocupado com a predição de 1856, de que alguns dos que estavam vivos na ocasião seriam transladados.” (A Verdade sobre “The White Lie”, p. 29).

 

Há algum indício no contexto do livro que aponta para a condicionalidade da profecia?

A profecia de EGW tinha data, local e público específicos, não era condicional coisa nenhuma. No contexto em que se encontra a falsa profecia de EGW não há uma só cláusula de condicionamento. O problema contextual ali girava em torno das implicações de EGW com vestimentas. Ela estava preocupada e irada por causa da “moda” secular que os adventistas estavam usando.

Analisando a “profecia” – uma crítica interna

1) Alguns servirão de alimento para os vermes”

A Justificativa

“…durante anos, os pioneiros mantiveram uma lista dos que estavam presentes na conferência. Por outro lado, reconhecendo o caráter condicional da profecia, Ellen G. White desestimulou o procedimento. De fato, devido à condicionalidade do evento, todos os que estiveram presentes na conferência se tornaram “comida para vermes” (Stencel, Renato – org. Espírito de Profecia: orientações para a Igreja Remanescente).

Stencel diz que “comida ou alimento para vermes” diz respeito à morte de todos. Sendo assim, todos morreram ou foram simbolicamente “comidos por vermes”, cumprindo a profecia. Só tem um problema com esse argumento: o anjo usou a expressão “alguns” e não “todos”. A pergunta persiste: quem daquela reunião foi comido por vermes como vaticinou a profecia? NINGUÉM!

O que diz o Contexto?

O contexto parece indicar morte por enfermidade. Vejamos:

“Vi-os adornando seu pobre corpo mortal, que há de ser tocado em qualquer momento pelo dedo de Deus e prostrado sobre o leito de dor. Oh! então, ao aproximar-se seu último momento mortal, angústia lhes oprime o corpo, e a grande pergunta será: ‘Estou preparado para morrer, comparecer diante de Deus no juízo, e subsistir na grande revista?’” (ibidem – grifo nosso).

A condicionalidade como desculpa para o fracasso

“…A verdade é que o tempo se tem prolongado além do que esperávamos nos primeiros dias desta mensagem. Nosso Salvador não apareceu tão breve como esperávamos. Falhou, porém, a Palavra de Deus? Absolutamente! Cumpre lembrar que as promessas e as ameaças de Deus são igualmente condicionais […]. Talvez tenhamos de permanecer muitos anos mais neste mundo por causa de insubordinação, como aconteceu com os filhos de Israel…” (Carta 184, 1901, citada em Evangelismo, p. 695 e 696).

Padronização

“É assim claro que Deus pretendia dar fim à história deste mundo muito depressa, depois de 1844. As predições na visão de 1856 eram parte das intenções de Deus, as quais dependiam da correspondência dos homens à vontade de Deus, e assim ele foi forçado a retardar seus planos. O fracasso não deve ser lançado à conta de Deus, pois suas promessas e ameaças são igualmente condicionais” (Rebok, 1998, p. 82).

 

2) Alguns estarão sujeitos às sete últimas pragas”. Alguns ali receberam as sete últimas pragas, conforme vaticinou o anjo? Para não termos dúvidas de que EGW ou seu anjo estava se referindo aos eventos finais da volta literal de Jesus, é só verificar em qual contexto EGW coloca as “pragas” (Ap. 15.8). No livro “O Grande Conflito”, capítulo 38, intitulado “O último convite divino”, pp. 527-569 (versão e-book), EGW contextualiza as pragas com os acontecimentos da vinda de Cristo.

3) “Outros estarão vivos e permanecerão sobre a Terra para serem trasladados na vinda de Jesus”

A última sentença é o clímax de toda a “profecia”. Ela diz categoricamente que “outros estarão vivos e permanecerão”. São declarações contundentes com alto grau de certeza.

Nossa pergunta é: alguns ali permaneceram até a volta de Jesus como asseverou o anjo? Claro que não, todos MORRERAM!

A Justificativa

…durante anos, os pioneiros mantiveram uma lista dos que estavam presentes na conferência. Por outro lado, reconhecendo o caráter condicional da profecia, Ellen G. White desestimulou o procedimento. De fato, devido à condicionalidade do evento, todos os que estiveram presentes na conferência se tornaram “comida para vermes” (Stencel, Renato – org. Espírito de Profecia: orientações para a Igreja Remanescente)

Problemas Insuperáveis

1) Se a desculpa para o não cumprimento da volta de Jesus foi a falta de arrependimento daquele punhadinho de pessoas presentes na conferência de 1856, então a falta de punição com pragas e mortes por vermes das outras foram seus arrependimentos? Como fica, senhor Quadros: umas se arrependeram e outras não? Explique-se, por favor! Isso não é conveniência pura e simples?

2) EGW faz um evento cósmico como a volta de Cristo depender de um punhadinho de pessoas em uma região isolada dos EUA. Como o senhor explica isso?

3) A Bíblia nos diz que nem os anjos do céu sabem da volta de Jesus (Mt. 24.36), mas como o anjo de EGW sabia? É um anjo com privilégios especiais?

4) Já que a profecia não se cumpriu, quem mentiu na ocasião: Deus, o anjo ou EGW?

5) Por que as desculpas dadas pelos adventistas, para tapar essa e outras falsas profecias de EGW, são parecidas com as desculpas que outras seitas dão para justificar suas falsas profecias, notadamente Testemunhas de Jeová e Mórmons?

6) As profecias condicionais encontradas nos profetas, com raríssimas exceções, diziam respeito a nações inteiras e a autoridades políticas, bem diferentes da particularidade que vimos na profecia de EGW.

Há um Padrão de Dissonância Cognitiva

É evidente que sim. Existe certo padrão de ajustamento no processo da dissonância cognitiva, para amenizar a dor e a frustração com as falhas dos falsos profetas das seitas, tais como:

1) A culpa pela falsa profecia nunca é admitida, já que admiti-la seria o mesmo que confessar que o profeta falhou. Portanto, outras explicações precisam ser dadas;

2) No ínterim, entre o fiasco e a procura da resposta, a culpa pela falsa profecia recai geralmente nas costas dos adeptos. Esse é um artifício para proteger a reputação do líder. A profecia falhou porque as pessoas não fizeram sua parte;

3) Em um segundo momento do processo de busca por explicações para o fiasco, a profecia é espiritualizada;

4) A desculpa é aceita, justificada e propagada até que solidifique na mente e na consciência dos adeptos transformando-se em “verdade” estabelecida.

Outros exemplos

São dignos de nota alguns exemplos clássicos: para os adeptos da cura pela fé, as pessoas morrem porque não têm fé, nunca por causa da teologia distorcida do pregador. Para as Testemunhas de Jeová, o atual sistema de coisas não acabou em 1975 não porque seu líder falhou, mas porque os adeptos não tinham evangelizado o suficiente. Para os marxistas, o comunismo não avançou no mundo inteiro, não porque que a teoria econômica marxista é falha, mas porque as consciências das pessoas ainda não foram suficientemente tocadas em sua condição de luta de classes. Para os evolucionistas, não encontramos vestígios atuais do processo de evolução em curso, não porque a teoria é falha, mas porque em algum lugar na História, a Natureza de uma maneira desconhecida, usando processos desconhecidos, simplesmente interrompeu a evolução.

Conclusão

“Quando o profeta falar em nome do Senhor e tal palavra não se cumprir, nem suceder assim, esta é a palavra que o Senhor não falou; com presunção a falou o profeta; não o temerás” (Dt. 18.22).

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